QUEDA E ASCENSÃO PSICOLÓGICA – Livro – Amor Imbativel Amor 2.5/5 (2)

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Na base de inúmeras perturbações emocionais são encontradas a culpa e a vergonha. A culpa procede de uma peculiar sensação de estar-se realizando algo que está errado e de como esse comportamento afeta as demais pessoas. Esse sentimento proporciona uma cor­relação entre a capacidade de agir correta ou errada­mente. O ato de haver-se equivocado, sem uma estru­tura equilibrada do ego em relação ao corpo, produz uma distonia que gera sentimentos profundos de amar­gura e desajuste emocional.
Ao livre-arbítrio cabe o mister de examinar e dis­cernir o que se deve e se pode fazer, daquilo que se pode mas não se deve, ou se deve, porém não se pode realizar. Ao errar, atormenta-se todo aquele que não possui resistências psicológicas para considerar a pró­pria fragilidade, dispondo-se a novo cometimento re­parador.
Quando o ego é saudável, enfrenta a situação do erro com naturalidade, porque compreende que os con­ceitos certo e errado são abstratos, cabendo-lhe discer­nir o que é de melhores resultados para si e para os outros, portanto, permitindo-se o direito de errar e im­pondo-se o dever de corrigir.
Qualquer relacionamento humano é estabelecido dentro das diretrizes do prazer e das compensações emocionais que proporciona. Quando a culpa se apre­senta, essa estrutura se fraciona, alterando a conduta do indivíduo. No sentimento de culpa apresenta-se um elemento conflitivo que é o ressentimento daquele que erra em relação ao outro a quem feriu, facultando, não raro, uma situação recíproca.
Nos relacionamentos afetivos próximos, o senti­mento de culpa é devastador, porque gera ambivalên­cia de conduta: um pai ou mãe que se comporta sob sentimento de culpa em relação a um filho, mantém ressentimento desse filho que, por sua vez, responde com o mesmo sentimento em relação ao genitor, e cul­pa-se por essa atitude, que lhe parece incorreta.
Esse tormento alastra-se no campo emocional, tor­nando a situação cada vez mais embaraçosa, porque a culpa faz-se maior.
Invariavelmente, no ódio, no ressentimento, no ci­úme, o paciente se sente aprisionado no agente da sua reação, por sentimento de culpa, que procura dissimu­lar através de acusações contínuas em relação ao outro.
Quando se está sujeito a um julgamento moral, o conceito emocional que envolve a culpa apresenta-se. Quando esse julgamento é oposto, portanto, negativo, a culpa toma vulto. Por outro lado, se é positivo, tem-se a sensação de encontrar-se sempre certo, o que é pe
rigoso, já que o erro faz parte do processo de aprendi­zagem e de crescimento intelectual e moral. E graças ao conhecimento que esse sentimento se desenvolve.
Desde a infância, o ser é orientado a descobrir o que é certo e o que é errado, de forma que possa sem­pre agir acertadamente, assim amadurecendo os con­ceitos morais, conforme o bem ou o mal que deles de­corram em relação a si mesmo como ao seu próximo.
Obrigada a participar do drama da vida, a criança é induzida a agir de forma sempre correta, conforme o padrão do seu meio ambiente, os valores éticos, as pres­sões existentes. Será esse comportamento que dará lu­gar ao senso de responsabilidade. Entretanto, a ação da responsabilidade pode dar-se sem se fazer acompanhar do sentimento de culpa, somente porque se haja equi­vocado, considerando-se as imensas possibilidades de recuperação.
Toda vez que alguém com sentimento de culpa jul­ga a própria conduta, se constata que os seus sentimen­tos se apresentam negativos, prejudiciais, sente vergo­nha dos mesmos e procura suprimi-los, amargurando-se por estar a vivenciá-los, mesmo que sem consciên­cia, autocondenando-se.
Com o acúmulo de conflitos e o represamento dos sentimentos, perde a capacidade de discernimento para saber como agir com correção.
Nesse estado a auto-aceitação desaparece, dando lugar à repulsa por si mesmo, abrindo espaço para a tristeza, o medo e outros sentimentos perceptuais, que são identificados pelo ego.
A vergonha, de algum modo, está mais vinculada às funções do corpo, quando não decorre dos atos mo­rais. A herança antropológica permanece com destaque em muitas funções orgânicas, tais a alimentação e a eli­minação, a aparência física, os movimentos… Normal­mente são associados à conduta animal, quando gro­tescos ou vulgares.
Torna-se indispensável que a educação contribua com orientação adequada, de modo a definir-se um comportamento saudável, que evite as associações de­preciativas.
Não obstante, a sociedade não se estruturaria, se não existissem esses sentimentos de culpa e de vergo­nha que, de alguma forma, funcionam como árbitro de muitas ações, contribuindo para o despertar do discer­nimento.

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