BUSCA DE SI MESMO – Livro – Amor Imbativel Amor 2.5/5 (2)

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O amor desempenha um papel preponderante na construção de um ser saudável, sem o que a predomi­nância dos instintos o mantém no primarismo, na ge­neralidade das expressões orgânicas sem maior controle do comportamento.
Crescendo ao lado da razão, o sentimento de amor é o grande estimulador para o progresso ético, social e espiritual da criatura, sem cuja presença se manteria nas necessidades primárias sem maior significado psi­cológico.
Inato no relacionamento mãe-filho, como decor­rência de o último ser uma forma de apêndice da primeira, surge no pai através do instinto de prote­ção à sua fragilidade e dependência, que se irá de­senvolvendo mediante a carga de emoção de que se faz acompanhar.
A medida que desabrocha e se desenvolve, desve­la as características individuais — do Espírito que é —, adquirindo e assimilando os conteúdos do meio social em que se encontra e que contribuem para a formação da sua identidade.
Tais fatores — inatos e sociais — estão presentes na hereditariedade — são impressos pelos valores adquiri­dos em outras existências, os quais se encarregam de modelar o ser — e decorrem da convivência do meio em que se está colocado no processo da evolução.
A aquisição ou despertamento do Si, é o grande desafio da existência humana, tornando-se condição de relevância no comportamento do ser e nos enfrentamen­tos que deverá desenvolver.
O ser real, no entanto, está oculto pelo ego, pelos
condicionamentos, pelos impositivos sociais, sob a máscara da personalidade…
Descobri-lo, constitui um valioso desafio de natu­reza interior, impondo-se um mergulho no inconscien­te, de forma a arrancar a realidade que se oculta sob a aparência, o legítimo escondido no projetado.
A conquista de si mesmo proporciona alegria e li­bertação dos sentimentos subalternos, conflitivos. Sem­pre vem acompanhada da individualidade, quando se tem coragem de expressar sentimentos de valor — sem agressões, mas sem temor de desagradar —, quando se assume a consciência do Si e se sabe exatamente o que se deseja, bem assim como consegui-lo.
Ao adquirir-se a identidade, experimenta-se uma irradiação de alegria, de prazer que contagia, sem o expressar em forma ruidosa, esfuziante, tornando-se pleno e feliz diante da vida.
Essa conquista independe do poder, que normal­mente corrompe e deixa o indivíduo vazio quando a sós, nos momentos em que o seu prestígio não tem va­lor para submeter alguém ou para impor a subserviên­cia que agrada ao ego, tombando no desânimo ou na revolta e fazendo-se violento.
Na conquista de si mesmo surge um magnetismo que se exterioriza, produzindo empatia e proporcionan­do sensação de completude, resultado do amadureci­mento psicológico e do controle das emoções que flu­em em harmonia.
A sua presença causa prazer nas demais pessoas, enquanto que o indivíduo não realizado, não identifi­cado, proporciona estranhas sensações de mal-estar, de desagrado. O quanto é agradável estar-se ao lado de alguém jovial, feliz, plenificado, dá-se em oposto quando se convive com alguém pessimista, queixoso, inse­guro.
Cada ser irradia o que é internamente. Mesmo que muito bem apresentado pode produzir mal-estar, ou quando despido de atavios e exterioridades, é suscep­tível de provocar agradáveis sensações.
A busca de si mesmo nada tem a ver com o sucesso exterior, que pode ser adquirido superficialmente sem fazer-se acompanhar do interno, que é mais importan­te, porque define os rumos existenciais, prolongando os objetivos da vida.
Quando se busca o sucesso, o preço a pagar é mui­to alto, particularmente pelo que se tem de asfixiar em sentimentos internos, a fim de alcançar a meta exterior, enquanto que na busca da própria realidade a nada se sacrifica, antes se desenvolve o senso de beleza, de har­monia, de interiorização sem qualquer alienação. Essa viagem interior deve ser consciente, observada, reflexionada, descobrindo-se os conteúdos emocionais e espirituais que estão soterrados no inconsciente profun­do, portanto, adormecidos no Espírito.
Confunde-se muito a conquista de si mesmo, ten­do-se a falsa idéia de que ela surge após conseguir-se o poder, o sucesso, a vitória sobre a massa. Todas essas realizações são exteriores, enquanto a auto-identifica­ção tem a ver com a autolibertação que, no caso, é o desapego das coisas — o que não quer significar que seja o abandono delas, mas o uso sem a dependência, a va­lorização sem a escravidão às mesmas —, às pessoas que, embora amadas, não se tornam codependentes dos ca­prichos impostos, às ambições perturbadoras que sem­pre levam a mais poder, a mais aquisição, a mais inqui­etação.
Valores antes não conhecidos passam a habitar a mente e a preencher as lacunas do sentimento, desen­volvendo aptidões ignoradas e trabalhando emoções não vivenciadas.
Nessa incursão interior, descobre-se quem se é, quais as possibilidades que existem e se encontram àdisposição, como desenvolver os propósitos de cresci­mento íntimo e viver plenamente em harmonia consi­go, bem como em relação com as demais pessoas e com a Natureza.
Ocorre nessa fase um peculiar insight, e essa ilu­minação norteia a conduta, que se assinala pela har­monia e confiança em si mesmo, nas suas atitudes, nas metas agora estabelecidas, trabalhando pelo crescimen­to intelectomoral.
A busca da identidade proporciona a superação da massificação, ao tempo em que faculta o descobrimen­to da realidade espiritual que se é, em detrimento da transitoriedade carnal em que se encontra.
A vitória sobre o medo da doença, do infortúnio, da morte produz auto-segurança para todos os enfren­tamentos e a ampliação do futuro, que agora não mais se apresenta no limite da sepultura, do desconhecido, do aniquilamento, desdobrando metas incomensurá­veis, que se ampliam fascinantes e arrebatadoras sem­pre que esteja vencida a anterior.
A ansiedade cede lugar à harmonia, a hostilidade natural é substituída pela cordialidade, a insegurança abre espaço para a confiança, e o mundo se apresenta não agressivo, não punitivo, não castrador, porqüanto, aquele que é livre interiormente não tem obstáculos pela frente por haver-se vencido, dessa forma, tornando todo combate factível e credor de enfrentamento.
Enquanto a busca do poder é exterior, a insatisfa­ção corrói o ser vitimado pela ambição fragilizadora, principalmente por causa da presença inevitável e do­minadora da morte que espreita e a tudo devora, ame­açando as construções mais vigorosas da transitorie­dade física.
Sem dúvida, a morte é um fantasma presente nas cogitações dos planos de breve ou de longo curso, por­que está sempre no inconsciente humano, mesmo quan­do ausente na realidade objetiva.
A autoconquista da identidade é também vitória da vida imperecível, da realidade que se é, na investi­dura transitória em que se transita.
Cada qual deve buscar-se através de reflexões tran­qüilas e interiorização consciente, perguntando-se quem e, quais os objetivos que se encontram à frente e como alcançá-los, investindo alguns momentos diários a exer­cícios de pacificação e manutenção de pensamentos edifi­cantes sejam quais forem as circunstâncias.
O auto-encontro dá-se, após esse labor, naturalmen­te e plenificador, saudável e rico de harmonia.

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