PAIS SEPARADOS – Casamento 2.5/5 (2)

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Nós tínhamos um lar…
Tínhamos alegria de viver…
O futuro nos sorria e renovava as nossas esperanças…
Sempre ouvia falar do amor dos pais pelos filhos e sentia uma segurança imensa no amanhã…
Com o coração pleno de afeto, julgava-me a criança mais feliz do mundo. Tinha tudo o que um filho pode desejar: pai, mãe, carinho, afeto, ternura…
Ouvia falar de pais que se separam, que abandonam os filhos…
Pais vencidos pelo amor próprio que relegam os pequenos, a quem deveriam amar e proteger, e se vão… Se vão em busca de uma felicidade egoísta que não consigo entender…
Todavia, o tempo passou…
Os anos se dobraram e, um dia… Um dia que gostaria de apagar da memória, eles me comunicaram a triste notícia…
Desejavam ser feliz… Falaram de incompatibilidade e de ir em busca de uma felicidade que eu pensava que habitasse em nosso lar.
As lágrimas me embargaram a garganta… Era como se o chão se abrisse e me tragasse num golpe violento…
Meu pai se foi… Eu o vi arrumando suas coisas com tristeza no olhar, mas não entendi porque ele estava triste se a decisão foi dos dois.
A mamãe não abandonou nossa casa, mas era como se o tivesse feito. Passou a buscar sua felicidade individual e eu fiquei por conta própria.
Para as pessoas eu não fora abandonado, pois nas leis humanas o abandono afetivo não está catalogado…
Passei a buscar nos amigos, também filhos de pais separados como eu, o consolo que nunca encontrei…
Todos sentíamos um vazio na alma que nada podia preencher. E todos tínhamos algo em comum: a inveja das crianças que tinham pai e mãe juntos.
O futuro nos parece incerto… E no amanhã só vemos trevas…
É tão triste não poder ter junto de nós as pessoas que amamos…
Na escola aprendi que existe um Deus e que esse Deus atende os nossos pedidos…
Em meu desespero peço a Ele ajuda para continuar amando meus pais…
Que Deus me dê forças para os perdoar, apesar de todas as lágrimas que já derramei desde aquele dia…
Peço a Deus que um dia, quando eles cansarem de ser felizes sem mim, que voltem ao lar novamente, para preencher o grande vazio que a separação deixou…
E quando a saudade deles me atormenta peço a Deus para não deixar morrer em mim o amor…
Apesar de tudo, eu ainda acredito no amor…
E quando eu crescer, vou pensar muito antes de escolher alguém para casar comigo e ter filhos, para nunca precisar deixar o lar em busca de uma felicidade distante e fazer sofrer aos que me amam…
Esse foi o tema da lição de casa de um garotinho, filho de pais separados. Deu ao seu desabafo o seguinte título: “Aos meus pais separados”.
*** Quem deseja a verdadeira felicidade há que improvisar a felicidade dos outros.
Realizando a segurança e o contentamento dos que nos cercam, construímos a nossa própria felicidade.
PARA QUE SERVE O CASAMENTO? Você já se perguntou alguma vez sobre os objetivos do casamento? Sim, porque algum objetivo o Criador deve ter para fazer da união de dois seres uma lei da natureza.
Talvez, refletindo superficialmente você responda que o objetivo do casamento é a perpetuação da espécie humana. Mas será só isso? Na verdade, o casamento marca grande progresso na marcha evolutiva da humanidade.
E, por quê? Porque Deus visa não somente a procriação, mas também a evolução moral dos seres.
É assim que o casamento se constitui numa excelente oportunidade de crescimento para aqueles que sabem aproveitá-la bem.
Quando duas pessoas resolvem, de comum acordo, viver sob o mesmo teto, desde logo terão chances de melhoria individual. E a primeira delas é vencer o egoísmo.
Sim, porque o que antes era “meu”, agora passa a ser “nosso”.
Antes de casar, era o “meu” quarto, o “meu” carro, o “meu” aparelho de som, o “meu”… O “meu”…
No primeiro dia de convivência mútua, deverá ser o “nosso” quarto, o “nosso” carro, o “nosso” aparelho de som, e assim por diante.
Com o passar dos dias os pares vão se conhecendo melhor, e percebem que o outro não era bem aquilo que parecia ser.
Bem, nosso par tem algumas manias que desaprovamos, e que só notamos graças a convivência diária.
Eis uma ótima oportunidade para aprender a dialogar e resolver conflitos como “gente grande”.
Depois surgem mais alguns membros para nos ajudar a treinar outras virtudes: chegam os filhos.
Agora temos que dividir um pouco mais, e isso nos torna menos egoístas.
Devemos dividir mais a atenção, treinar a renúncia, aprender a passar noites sem dormir, tropeçar em fraldas sujas, correr para o médico nas horas mais impróprias, perder o filme que gostaríamos de assistir… a novela… o telejornal.
A cama, que antes era só minha e passou a ser nossa, agora tem mais alguém nela, disputando espaço.
E não é só o espaço físico que o pimpolho reclama, ele quer nosso carinho, nossa atenção, nossa companhia, nossa proteção.
E aí temos a grande oportunidade de aprender a superar o ciúme, o medo, a insegurança, o desejo de posse exclusiva sobre o nosso par, para amparar esse serzinho que chegou para ficar.
Junto com tudo isso herdamos, também, a família do nosso cônjuge, que nem sempre nos parece uma boa aquisição.
Eis um grande desafio para aprender a fraternidade pura, a tolerância, o desprendimento, a amizade e outras tantas virtudes que ainda não possuímos.
Ademais, para cumprir bem o papel que um dia aceitamos, unindo-nos a alguém de livre e espontânea vontade, é preciso que os dois pilares do templo chamado lar permaneçam firmes até o fim.
Quando isso não acontece está declarada a vitória do egoísmo. Está declarada a nossa falência enquanto seres que desejamos superar os limites e alcançar paragens mais felizes.
Talvez você não concorde com todos esses arrazoados, no entanto, seria bom refletir sobre o assunto.
Há casos de pessoas que optam por não se casar, assumindo, declaradamente seu egoísmo. Com certeza irão responder perante a própria consciência e a consciência cósmica pela decisão tomada.
Considerando que nem todos nascem com o compromisso de se casar, obviamente estamos falando daqueles que tinham assumido esse compromisso, antes de renascer.
Aquele que se casa e promete conviver bem com seu par e com os filhos que Deus lhes envia, mas abandona o barco ao menor indício de tempestade, certamente será responsável pelos destinos daqueles que abandona à própria sorte.
Isso será, fatalmente, sementeira de amargura num futuro próximo ao distante, cuja colheita será obrigatória.
Por todas essas razões, vale a pena pensar ou repensar os nobres objetivos que a divina sabedoria estabeleceu com a união de dois seres.
Vale a pena refletir sobre o que queremos para nós. Refletir sobre as forças internas que devem nos elevar acima dessa miséria moral chamada egoísmo.
Ou será que vamos “jogar a toalha”, numa demonstração tácita de derrota para esse monstro cruel? Pense nisso! Pense agora! E decida-se pelo amor.
Texto da Equipe de Redação do Momento Espírita.

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