Doenças incuráveis e a eutanásia – Folha Espírita Cairbal Schutel – Fabio Dionisi 5/5 (1)

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Acreditamos oportuno tecer alguns comentários a respeito da

eutanásia, uma vez que ainda encontramos confrades e confreiras

apoiando este procedimento diante de situações terminais, ou

mesmo de certas doenças incuráveis, como forma de minimização

dos sofrimentos daqueles irmãos que as vivenciam.

Por que existem doenças incuráveis?

“Por que não será permitida às entidades espirituais a revelação

dos processos de cura (.
.
.
) do câncer, etc.
? — Antes de qualquer consideração,

devemos examinar a lei das provações e a necessidade de sua

execução plena.
Na própria natureza da Terra e na organização de fluídos

inerentes ao planeta, residem todos esses recursos, até hoje inapreendidos

[não identificados] pela ciência dos homens (.
.
.
).
O plano espiritual

não pode quebrar o ritmo das leis do esforço próprio (.
.
.
).
Além de

tudo, a doença incurável traz consigo profundos benefícios.
Que seria

das criaturas terrestres sem as moléstias dolorosas que lhes apodrecem

a vaidade? Até onde poderiam ir o orgulho e o personalismo do espírito

humano, sem a constante ameaça de uma carne frágil e atormentada?

(.
.
.
).
” 1 (Q.
101)

Dos benfeitores espirituais, não raras vezes, ouvimos que a

decisão de que recebamos, uma determinada substância curadora,

ou de que seja descoberto um novo procedimento terapêutico ou

equipamento médico, para a cura de um dado mal, depende diretamente

de Jesus.

É nosso irmão Jesus que determina quando a humanidade

terrestre reencarnada receberá o benefício da descoberta de uma

substância farmacêutica, o desenvolvimento de novos processos,

tanto profiláticos quanto terapêuticos, o surgimento de novos

equipamentos, na área médica, para a cura de uma doença até

agora incurável, que não poucas vezes redundam em serem terminais.

Enquanto houver a necessidade de uma dada enfermidade,

por motivos de aprendizado, quer seja individual ou coletivo, não

poderemos contar com tal benefício.

Somente quando o homem tiver ultrapassado uma dada etapa

evolutiva, e não mais precisar daquela doença, por intermédio

dos seus comandados diretos, Jesus permitirá que a Medicina do

Além “desça” até nós.

Quer por inspiração ou intuição, alguém irá “descobrir” o

meio de debelar uma dada enfermidade, até então considerada

incurável ou terminal.

Por isso que o Espírito Emmanuel comentou que “a doença incurável

traz consigo profundos benefícios”, uma vez que nos serve de

motivo para efetuar as mudanças que carecemos, ou seja, vencermos

os vícios que nos corroem a alma e o corpo.

Foi assim com a tuberculose, malária, lepra, etc.
Quando elas

deixaram de ser necessárias, para os avanços evolutivos de que

carecíamos em suas respectivas épocas, remédios e procedimentos

nos foram disponibilizados.
O mesmo acontecerá com o HIV, mal

de Alzheimer, o câncer, etc.
, bem como as doenças que surgirão

no futuro.

Por enquanto, muito irmãos carecem de passar por estas provas

e expiações, para galgarem novos patamares espirituais.

Além disso, não podemos esquecer de que também contribuem

com o despertar espiritual.

Obviamente que muitos já são beneficiados com estes recursos,

já desenvolvidos no mundo espiritual, embora não ainda disponibilizados

no mundo físico.

Por que não seriam usados pela espiritualidade, em nosso

benefício, quando Jesus e seus prepostos autorizam uma dada

cura? Afinal de contas, a Medicina do além já dispõem de tais facultativos.

Se é um fato que não podem fazer com que sejam de domínio

público, entretanto, podem usá-los nos casos em que o atendido,

numa cura e cirurgia espiritual, apresentar os requisitos para ser

uma exceção: a do mérito pessoal ou por necessidade reencarnatória

dele ou de alguém que dele depende.

Falamos em cura, mas é comum que o atendimento leve a

pelo menos uma atenuação das dores do irmão que sofre.

“Podem os espíritos amigos atuar sobre a flora microbiana, nas

moléstias incuráveis, atenuando os sofrimentos da criatura? — As entidades

amigas podem diminuir a intensidade da dor nas doenças incuráveis,

bem como afasta-la completamente, se esse benefício puder ser

levado a efeito no quadro das provas individuais, sob os desígnios sábios

e misericordiosos do plano superior.
” 1 (Q.
102)

Perceberam a última frase do Espírito Emmanuel: “sob os desígnios

sábios e misericordiosos do plano superior”? Comprova o que

nossos benfeitores dizem, sobre a autorização dos Espíritos que

lhes são superiores.
É o plano superior que determina quem vai

ser curado ou não, quem vai receber esse ou aquele benefício.
Daí

os Espíritos, diretamente ligados aos trabalhos de cura, executarem

suas atividades dentro dos limites pré-estabelecidos pelos Espíritos

de luz.

E aqui entramos com o tema da eutanásia; ainda hoje apoiada

por alguns confrades e confreiras.

É certo praticar a eutanásia no caso de moléstia incurável,

mesmo quando terminal?

Acreditamos em ser mister registrar o significado do verbete

“eutanásia”, segundo o Novo dicionário Aurélio, antes de introduzirmos

a resposta: “(.
.
.
) prática, sem amparo legal, pela qual se busca

abreviar, sem dor ou sofrimento, a vida de um doente reconhecidamente

incurável.
” 2

Uma vez feito isso, transcreveremos a resposta taxativa do Espírito

Emmanuel.
Por si só bastaria aos nossos propósitos.
.
.

“A eutanásia é um bem, nos casos de moléstia incurável? — O

homem não tem o direito de praticar a eutanásia, em caso algum, ainda

que a mesma seja a demonstração aparente de medida benfazeja.
A agonia

prolongada pode ter finalidade preciosa para a alma e a moléstia incurável

pode ser um bem como a única válvula de escoamento das imperfeições

do Espírito da vida imortal.
Além do mais, os desígnios divinos são insondáveis

e a ciência precária dos homens não pode decidir nos problemas

transcendentes das necessidades do Espírito.
” 1 (Q.
106)

Com a eutanásia tiramos o direito inalienável do Espírito

aproveitar da experiência reencarnatória, para seu próprio benefício,

o que o faria conquistar patamares evolutivos mais elevados,

tanto em sabedoria quanto em virtudes.

A sua prática apenas posterga o sofrimento, pois que terá que

recapitular a experiência perdida, retardando o reencontro com o

seu equilíbrio espiritual, uma vez que demandará inúmeras décadas

para que a oportunidade seja novamente possível.

A bem da verdade, nem teríamos a necessidade de recorrer

ao egrégio Espírito Emmanuel, uma vez que Allan Kardec deixou

muito claro que abreviar a vida, em qualquer circunstância, para

evitar o sofrimento, é crime condenável.

Embora tenha se referido ao suicídio, quando a morte é considerada

inevitável, é perfeitamente aplicável para a eutanásia.

“Quando uma pessoa vê diante de si um fim inevitável e horrível,

será culpada se abreviar de alguns instantes os seus sofrimentos, apressando

voluntariamente sua morte? — É sempre culpado aquele que não

aguarda o termo que Deus lhe marcou para a existência.
E quem poderá

estar certo de que, malgrado às aparências, esse termo tenha chegado; de

que um socorro inesperado não venha no último momento? (.
.
.
)” 3 (Q.
953)

Cabe-nos comentar que, em nossos múltiplos anos, participando

de atividades de curas e cirurgias espirituais, aprendemos

a jamais afirmar que essa ou aquela situação é derradeira.
Pois,

não poucas vezes constatamos curas que seriam classificadas pela

Medicina da Terra como “improváveis, ou mesmo impossíveis”.

Ademais, não podemos descosiderar que para Deus tudo é

possível.

Diante do que recapitulamos, acreditamos que é hora de não

termos mais dúvidas a respeito de qual é a posição que todos

nós devemos adotar diante deste assunto.
É compreensível que

aqueles que não tenham preparo religioso tenham dúvidas, ainda

hoje, mas não entre nós, seguidores da Doutrina Espírita.

Oxalá todos nós permaneçamos na paz que Jesus procurou

nos deixar.

___________________________________________________________

1 XAVIER, Francisco Cândido.
O consolador.
Ditado pelo Espírito

Emmanuel.
13.
Ed.
Rio de Janeiro, RJ: FEB, 1986

2 FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda.
Novo dicionário Aurélio

da língua portuguesa.
4.
ed.
Curitiba: Editora Positivo, 2009

3 KARDEC, Allan.
O livro dos Espíritos.
91.
ed.
Rio de Janeiro: FEB,

2010.

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