Livro O que é o Espiritismo – Capítulo I – A IMPOTÊNCIA DOS DETRATORES – Allan Kardec

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A IMPOTÊNCIA DOS DETRATORES

V.
— Concordo que entre os detratores do Espiritismo existem pessoas inconsequentes como essas, das quais o senhor acabou de falar.
Mas, ao lado dessas, não serão encontrados homens de méritos reais e opiniões de peso?

A.
K.
— Não o nego; e a isso respondo que o Espiritismo conta em suas falanges homens de não menores méritos.
Digo mais, ainda: a imensa maioria dos grupos espíritas é composta de homens de inteligência e cultura.
Só mesmo a maledicência poderia afirmar que seus adeptos se contam entre comadres e ignorantes.

Por outro lado há um fato peremptório que responde a essa objeção: é que, não obstante jogarem com cultura e poder oficial, nenhum dos detratores conseguiu deter a marcha do Espiritismo.
Entretanto, não houve um só deles, desde o mais obscuro articulista, que não tivesse a ilusão de estar lhe vibrando golpe mortal.
Todos eles, na verdade, apenas o auxiliaram na sua vulgarização, ainda que contra seus propósitos.

Uma ideia que resiste a tantas investidas, que avança sem titubear através da chuva de dardos que lhe assestam, não patenteia sua força e a profundidade de suas raízes? É óbvio que o fato chama a atenção dos pensadores.
Aliás, não são poucos os que, hoje em dia, admitem que alguma coisa de real existe no Espiritismo, e cogitam se, por acaso, não será ele um desses movimentos irresistíveis, que de tempos em tempos abalam as sociedades, para as transformar.

O que sucede agora, sucedeu a todas as ideias novas, chamadas a revolucionar o mundo.
Forçosamente encontram obstáculos: vêm lutar contra os interesses, contra os preconceitos, contra os abusos que deverão destruir.
Como, entretanto, concorrem para a realização da lei do progresso e estão nos desígnios da providência, ao soar a hora determinada, nada as pode deter.
É essa força irreprimível que prova a expressão da sua verdade.

A ausência de boas razões, já que as que se lhe opõem não convencem, evidencia ao primeiro exame, e conforme tenho dito, impotência dos adversários do Espiritismo.
Essa impotência é também devida a um outro fator, que zomba de todas as maquinações.
Surpreendem-se com seus progressos, apesar de tudo quanto fazem para o conter, e ninguém encontra a causa, pois que a buscam onde não está.
Alguns a vêem no poder ilimitado do demónio que, a ter como boa esta explicação, seria mais forte do que eles, e mesmo que o próprio Deus.
Outros a encontram no surto do desequilíbrio humano.

O erro de todos está na crença comum de que a origem do Espiritismo é uma só: tudo se origina da opinião individual de um homem.
Daí a ideia de que, destruindo a opinião do homem, aniquilariam o Espiritismo.
Assim, pois, buscam a ideia na terra, quando ela está no espaço; num ponto determinado, quando se encontra em toda parte, uma vez que os Espíritos se manifestam em todas as terras, em todos os países, nos palácios e nas choupanas.

A verdadeira causa determinante está, por conseguinte, na natureza íntima do Espiritismo, cujo impulso progressista não parte de um homem único.
Acontece que ele dá a cada um a liberdade de pôr-se em comunicação com os Espíritos, por cujo intermédio se verifica a realidade dos fatos.

Como seria possível convencer milhões de indivíduos de que tudo não passa de farsa, charlatanismo, exploração e habilidade, quando eles próprios obtêm resultados sem o concurso alheio?

Poderemos fazê-los crer que são seus próprios auxiliares e que entregam ao charlatanismo, à exploração de si mesmos?

Essa universidade das manifestações dos Espíritos, que acodem a toda parte do globo, a desmentir os detratores, a confirmar os princípios da doutrina, é uma força tão incompreensível, para os que não conhecem o mundo invisível, como a rapidez e a transmissão de um telegrama para os que ignoram as leis da eletricidade.
Contra essa força é que se vêm quebrar as refutações.
Seria assim como dizer-se, às pessoas expostas aos raios solares, que o Sol não existe.

Fazendo abstração das qualidades do corpo de doutrina do Espiritismo, que satisfaz muito mais que os outros, das doutrinas que se lhe opõem, o motivo acima é o responsável pelas derrotas dos que intentam detê-lo em sua marcha.
Para conseguir esse intento seria preciso encontrar o meio de impedir que os Espíritos se manifestassem.

Eis porque os espíritas se preocupam tão pouco com as maquinações dos adversários.
A experiência e a autoridade dos fatos estão conosco.

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