O segundo casamento – Redação do Momento Espírita 5/5 (2)

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Ele concluíra o curso de contabilidade.
Então, a vontade de ser médico, de fazer algo mais pelo semelhante, o levou a entrar para a Faculdade de Medicina.

E foi ali que, um dia, ele viu uma jovem morena, que lhe chamou a atenção.
Ela parecia ser do Nordeste, e tinha um jeitinho de japonesa.

Enfim, alguém que lhe fez bater o coração de forma diferente.

O tempo foi passando.
Ele descobriu o nome dela, falou com seus colegas ou seja, foi chegando devagar, mas com certeza.

Em julho de 1970, ele fez o que considerou a sua mais importante aquisição: um par de alianças.
Também uma geladeira, já pensando no futuro próximo.

E naquele mesmo ano, antes mesmo dela terminar o curso, se casaram.
Isso permitiu que ao conquistar o diploma ostentasse o sobrenome de casada.

Foram anos maravilhosos.
Vieram os filhos, somaram-se genros, noras e netos.

As alegrias foram se sucedendo.
De vez em quando, uma surpresa, um pequeno susto.
Uma cirurgia cardíaca, um problema de saúde adiante.

Quando 2018 quase estava para se despedir, foi que o inusitado aconteceu.

O casal viajou para outro Estado, na casa de um dos filhos, para a comemoração do primeiro aniversário de mais uma netinha.

Foi quando Laertes se deu conta de que estava casado há cinquenta anos.
Meio século.

Que coisa incrível.
Como o tempo passara.
Parecia-lhe que ontem ainda estava propondo casamento para Célia.
E, agora, eram avós.

Ele pensou que precisava tomar uma atitude.
Cinquenta anos é um bocado de tempo.
Teve uma ideia brilhante.
Sem nada confidenciar a ninguém, foi comprar um par de alianças, mandou gravar os nomes.

Então, em plena festa de aniversário da menina, com a presença dos familiares, amigos, conhecidos, ele fez o inesperado.

Sentados um de frente ao outro, em alto e bom som, ele perguntou para a esposa:

Célia, você quer casar comigo?

Ela ficou surpresa.
Olhou para os filhos, os netos, todos que no salão haviam parado para contemplar a cena.

Foram alguns segundos de silêncio quase constrangedor.
O coração dele parecia saltar do peito.

Finalmente, ela sorriu e estendeu a mão esquerda.
E, com o mesmo nervosismo de cinquenta anos atrás, Laertes colocou-lhe no dedo a aliança de ouro reluzente.

Ela repetiu o gesto dele, rindo, feliz.
Um sorriso, como disse ele, jamais visto tão iluminado.

E, ante o aplauso dos presentes, eles se beijaram.

Foi assim que eles se casaram pela segunda vez.

* * *

Em tempos nos quais os relacionamentos adquiriram foro de rapidez, desfazendo-se pela manhã o prometido da véspera, contemplar um matrimônio de meio século é emocionante.

Emocionante por se verificar uma vida rica, plena, uma vida construída e alicerçada no tempo.

Uma vida de tantos frutos.
Uma família.
Que belo exemplo a seguir.

E o seguem os filhos, um a um, pois para cada um deles, já se somam igualmente anos de consórcio com a multiplicação dos filhos.

Isso se chama amor.
Amor que não arrefece porque alguns arabescos estão enfeitando a face do outro.
Ou porque o cônjuge tem alguns problemas de saúde.

Ou porque o passo se tornou mais lento e a memória prodigiosa empalideceu.

Amor.
Sublime amor, que mantém apertados os laços e enfloresce, no transcorrer dos anos.

Redação do Momento Espírita, com fatos

da vida do casal Célia e Laércio Furlan.

Em 29.
12.
2018.

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