A porta do lado – Redação do Momento Espírita 5/5 (2)

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Como anda nosso nível de exigência em relação à vida?

Somos daqueles que queremos que tudo sempre dê certo, e que não admitimos falhas, aborrecimentos?

Em certa entrevista a determinado meio de comunicação, o médico Dráuzio Varella trouxe algumas considerações bastante sábias a respeito desse tema.

Afirmou ele que, às vezes, por aborrecimentos mínimos, somos capazes de passar um dia inteiro de cara amarrada.
E ficaremos afirmando, a cada passo, que o dia começou mal e continuará assim até o findar da jornada.

Ele relatou um exemplo trivial, que acontece com frequência na vida de muitos de nós: É quando um vizinho estaciona o carro muito encostado ao nosso, numa garagem qualquer.

Ao invés de, simplesmente, entrarmos pela outra porta, sairmos com o carro e tratarmos da nossa vida, nos irritamos, praguejamos, brigamos e estragamos o restante do nosso dia.

Penso que essa história de dois carros alinhados – disse ele –impedindo a abertura da porta do motorista, é um bom exemplo do que torna a vida de alguns de nós melhor, e de outros, pior.

Existem pessoas que têm a vida muito parecida com a de seus amigos, mas não entendem porque eles parecem ser tão mais felizes.

Será que nada dá errado para eles? Podemos afirmar, com certeza, que sim.
Só que para eles, entrar pela porta do lado, uma vez ou outra, não faz a menor diferença.

Continuou o médico a esclarecer:

O que não falta neste mundo é gente que se acha o último biscoito do pacote.
Que audácia contrariá-los!

São aqueles que nunca ouviram falar de saídas de emergência: fincam o pé, compram briga e não deixam barato.

Criam verdadeiros complexos de perseguição.

Eu entro muito pela outra porta, e, às vezes, saio por ela também.

É incômodo, tem um freio de mão no meio do caminho, mas é um problema solúvel.
E como esse, a maioria de nossos problemões pode ser resolvido assim, rapidinho.

Basta um telefonema, um e-mail, um pedido de desculpas, um “relevar”.

Eu ando “deixando de graça”.
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Para ser sincero, vinte e quatro horas têm sido pouco para tudo o que eu tenho que fazer, então, não vou perder ainda mais tempo ficando mal-humorado.

Se procurar, vou encontrar dezenas de situações irritantes.
Também gente irritante.
Pilhas de pessoas que vão atrasar meu dia.
Por isso, uso a “porta do lado” e vou tratar do que é importante de fato.

Finalmente, concluiu Dráuzio Varella:

Eis a chave do mistério, a fórmula da felicidade, o elixir do bom humor, a razão porque parece que tão pouca coisa na vida dos outros dá errado.

* * *

A indulgência se faz urgente na alma humana.

A indulgência atrai, acalma, ergue, ao passo que o rigor desanima, afasta e irrita.

Na indulgência estão as cores da caridade, que procura ver no outro o que tem de bom, e não permite que suas sombras, que suas imperfeições, falem mais alto do que a sua luminosidade crescente.

Sede indulgentes com as faltas alheias, quaisquer que sejam; não julgueis com severidade senão as próprias ações.

Pensemos nisso.

Redação do Momento Espírita, com base em texto do

site pensador.
info e no cap.
X, itens 16 a 18, do livro

O evangelho segundo o Espiritismo, de Allan Kardec,

ed.
FEB.

Em 8.
7.
2019.

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