Ajuda-me a olhar? – Redação do Momento Espírita 5/5 (3)

Download PDF
[Total: 0    Média: 0/5]

Diego não conhecia o mar.

O pai, Santiago Kovadloff, resolveu levá-lo para que conhecesse o mar gigantesco.

Viajaram para o sul.
O oceano estava do outro lado dos bancos de areia, esperando.

Quando o menino e o pai alcançaram aquelas alturas de areia, depois de muito caminhar, o mar apareceu na frente de seus olhos.

Foi tanta a imensidão do mar, tanto seu fulgor, que o menino ficou mudo com tamanha beleza.

E, quando finalmente conseguiu falar, tremendo, gaguejando, pediu ao pai: “Pai, me ajuda a olhar?”

* * *

Nós, pais, estamos no mundo para ajudar nossos filhos a olhar.

Por trás desse me ajuda a olhar, de menino inocente e admirado, estão as grandes questões da educação no lar.

A pergunta do filho poderia ser entendida como: Pai, me ajuda a perceber todas as belezas, as nuances, tudo que ainda não consigo perceber?

Ajuda-me a saber admirar as coisas importantes da vida, você que já viveu tanto e tem tanta bagagem de mundo, tanta experiência?

Ajuda-me a compreender a existência, seus desafios, seus objetivos maiores?

Ajuda-me a não temer os problemas, a aprender com eles, toda vez que resolverem aparecer?

Ajuda-me a caminhar? Sem precisar caminhar por mim, pois tenho que descobrir meus próprios passos, mas, nos primeiros, principalmente, você fica ao meu lado?

E quando eu cair, você vai estar lá? Pois muitas coisas neste mundo me assustam, e preciso de uma segurança, de um lar para onde eu possa voltar.

Ajuda-me a olhar para dentro de mim, pai?

Preciso me conhecer para me amar, para me perdoar e não deixar que a culpa me faça menor.

Ajuda-me a olhar para dentro de mim?

A descobrir minhas potencialidades, minhas habilidades, o que tenho de bom?

Pois se você, pai, disser: “Você pode, meu filho.
Você tem capacidade você é inteligente.
.
.
” aí sim, vou acreditar.

E, se nessa busca eu encontrar algo que não goste, não suporte, você me ajuda a eu não desistir de mim mesmo?

Por isso preciso de você aqui, ao meu lado, me ensinando a olhar o mundo e a mim com olhos de quem quer a paz e não mais a discórdia, a violência.

Por isso preciso que me ensine a olhar, que me ensine a escolher para que, um dia, quando meus olhos estiverem vendo o oceano, da altura dos seus.
.
.
eu então possa dizer ao meu filho:

“Vou lhe ensinar a olhar, meu filho, não se preocupe.
Segure firme em minhas mãos e vamos olhar o mundo juntos.
.
.
Sempre juntos.

* * *

Allan Kardec, Codificador da Doutrina Espírita, em O livro dos Espíritos assevera: Os espíritos apenas entram na vida corporal para se aperfeiçoar e melhorar.

A fraqueza da idade infantil os torna flexíveis, acessíveis aos conselhos da experiência e dos que devem fazê-los progredir.

É então que podem reformar seu caráter e reprimir suas más tendências.
Este é o dever que Deus confiou a seus pais, missão sagrada pela qual terão de responder.

Redação do Momento Espírita com base em trecho

de O livro dos abraços, de Eduardo Galeano, ed.

Porto e no item 385 de O livro dos Espíritos, de

Allan Kardec, ed.
FEB.

Em 17.
12.
2019.

2,046 total views, 6 views today