Homenagem a um pai ausente – Redação do Momento Espírita 5/5 (1)

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Pai, você sempre zelou pela minha segurança, buscando pessoas e lugares que pudessem ajudá-lo a me fazer viver.
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Eu era seu filho e passei a ser a razão do seu viver.
Do seu jeito, você me amou.

Nossos parentes que o admiravam tanto, pessoas que não o conheceram, meus amigos, alguns vizinhos, todos desejam que você faça uma boa viagem e que nos espere um dia, pois você tomou o ônibus da frente.
O próximo talvez seja o nosso.
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Você nunca demonstrou, mas se angustiava quando precisava ir trabalhar, viajar, e queria estar comigo para me dar segurança.

Quando estava longe pensava com carinho em mim.

Você não falou “Amo você”, mas tudo o que fez para mim provou que você me amava.

Lembro das broncas que levei quando fazia algo errado.
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Dos causos que você me contava.
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Dos seus conselhos, dos incentivos para as boas ideias.
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Aprendi a confiar em seus conselhos, a respeitar sua autoridade de experiência de vida, a buscar sua opinião antes de fazer algo.
E, sempre que não o escutei, eu errei.

Mas o que eu mais gostei, foi a liberdade que tive com você.
Com a liberdade que você me deu, aprendi a ter responsabilidade.
Você me ensinou a viver e a me cuidar no mundo.
A assumir minhas atitudes.
A errar menos para sofrer menos, e nunca prejudicar alguém.

Aprendi que não se deve viver por viver, mas ajudar as pessoas e fazer um mundo melhor, começando por nós.

Lembro-me de como você fazia seu serviço.
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Os problemas que passou na vida.
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Você me contou sua vida.
E com sua vida aprendi que existem pessoas e fatos que nem sempre nos fazem felizes, mas que precisam ser rapidamente superados porque devemos seguir em frente.

Aliás, seguir em frente foi a coisa mais importante que aprendi com você, porque nunca o vi reclamando de alguma situação, mas, sim, tomando atitudes para modificar e melhorar.

Você sempre me dizia: “Se não der certo aqui, tente ali, nunca desista.

E hoje, pensando em você, quero celebrar a vida.
Vida que você teve.
Vida que você me deu.
Vida que vivemos juntos.

Fiquei muito triste com a sua viagem.

Ao chegar em casa não vou vê-lo sentado na sala ouvindo as notícias pelo rádio ou vendo televisão.
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Não vou mais, ao banco, receber a sua aposentadoria, contar novidades para você, fazer as compras que me pedia.
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O pão, o leite, a margarina.
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Agora a casa está vazia, sem vida, sem a sua vida.

Posso imaginar você escutando isto.
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Talvez tenha vontade de chamar minha atenção, alertando: “Meu tempo já passou.
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O que você está fazendo do seu tempo?”

Talvez me perguntasse se já pintei a casa.
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Se aluguei o ponto comercial.
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Se cortei a grama.
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Você concluiu sua caminhada.
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Neste momento, em respeito a sua memória, eu afasto a tristeza e qualquer sentimento negativo.

Sinto saudades porque a falta continua.
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Não sei dizer ao certo se eu vim para lhe fazer feliz ou se fui feliz por ter vindo ao mundo através de você.

Acredito que foi bom para você ter a mim como filho.
Porém, com toda certeza deste mundo, foi muito melhor ter tido você como pai.
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Redação do Momento Espírita, a partir de

texto em homenagem a Félix Bieniacheski,

de autoria de Francisco Bieniacheski.

Em 28.
7.
2020

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