Em solidão – Redação do Momento Espírita 5/5 (2)

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Agora preciso de tua mão, não para que eu não tenha medo, mas para que tu não tenhas medo.

Sei que acreditar em tudo isso será, no começo, a tua grande solidão.
Mas chegará o instante em que me darás a mão, não mais por solidão, mas como eu agora: por amor.

* * *

A tua não é a única solidão.

A Terra se encontra repleta de pessoas que, por uma ou outra razão, foram conduzidas à solidão.

Este fugiu do mundo, receando agressão, marcado por dores íntimas que o acompanham desde a infância.

Esse se afastou do convívio social por haver sofrido o que considera uma injustiça.

Aquele se deixou cair na depressão e buscou o seu mundo íntimo, onde se refugia, fechando a porta à solidariedade.

Este outro, temendo não ter forças para resistir ao contato com as pessoas, transferiu-se para as montanhas e praias da meditação, afastando-se de todos.

Mais alguém, cansado da batalha diária, renunciou ao movimento geral e aquietou-se, quase se alienando.

A tua solidão, porém, é feita de amargura, porque, no meio dos indivíduos felizes e atraentes, ninguém tem tempo para ti, nem despertas a amizade ou interesse de alguém.

Esta situação afligente é causa de martírio.
No entanto, reconsidera a situação e acerca-te do teu próximo.

Ele talvez se encontre em estado parecido com o teu.

Não é feliz, apenas parece.

Faz ruído para disfarçar o que se passa na sua intimidade.

Chama a atenção por necessidade e, preocupado com os próprios problemas, não dispõe de capacidade mental e emocional para identificar os teus.

Aproxima-te dele, com discrição e bondade, constatando que doar afeto é recebê-lo.

Toda oferta espontânea se transforma em intercâmbio, no qual cada um reparte um pouco daquilo de que dispõe.

Mesmo que o vazio interior permaneça, busca preenchê-lo com a ação positiva pelo outro.
Verificarás que o bem que ofereces e que gostarias de receber, já se encontra em ti.

* * *

Alguns momentos de solidão são necessários na nossa vida.
Todos precisamos desses momentos a sós.
Para nos recompormos.
Para nos fortalecermos na oração.

Somos seres plenos.
Manter este contato íntimo com nossa essência é fundamental.

Somos seres inteiros e repletos de tesouros inexplorados.

Conhecermo-nos, nos desvendarmos e então nos amarmos.

Porém, devem ser momentos, apenas.
Não queiramos viver na solidão.

Ela é perigosa, é viagem no vazio, e por isso muitas vezes, difícil de nos desvencilharmos dela.

Somos seres sociais.
Nossa felicidade é conquistada com o semelhante.

Quando nos doamos, recebemos.
Quando preenchemos o vazio alheio, nos enchemos de significado.

Solidão por vezes é fuga, é desequilíbrio, é adiamento de encararmos que o inevitável para vivermos é conviver.

Não permitamos que a solidão tome conta, tome o controle, seja protagonista dos nossos dias.

Viver é coletivo e não apenas individual.

Viver é nos doarmos para nos plenificarmos.

Pensemos e vivamos isso.

Redação do Momento Espírita, com base no cap.
10, do

livro Momentos de Alegria, pelo Espírito Joanna de Ângelis,

psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed.
LEAL e frases

do livro A paixão segundo G.
H.
, de Clarice Lispector, ed.
Rocco.

Em 10.
11.
2020.

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