Os degraus da caridade – Redação do Momento Espírita 5/5 (1)

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Em bela passagem evangélica, é narrado que um doutor da lei indagou ao Mestre de Nazaré o que deveria fazer para conquistar a vida eterna.

Ora, a lei estabelecia que era preciso amar o Senhor Deus, de todo o coração e de toda a alma.
De todas as forças, e de todo o entendimento.

Finalmente, ao próximo como a si mesmo.

A sabedoria crística aconselha: Faze isso e viverás.

A questão era saber quem era o próximo a ser amado.
Então, o Grande Mestre narra a parábola do bom samaritano.

Aquele que, vendo o homem caído na estrada, vítima de ladrões, sentiu-se movido de íntima compaixão.

O grande detalhe assinalado por Jesus é o sentimento.
Para servir ao outro é preciso ter empatia, é preciso sentir com Ele, é preciso penetrar na sua dor.

E o ensino seguinte é que nosso próximo é aquele que está no nosso caminho.

Nesses parâmetros, cabe-nos pensar em quem está mais próximo de nós.

Por vezes, nos envolvemos em campanhas nobres, que objetivam atendimento a pessoas muito distantes.

Com certeza, louvável.
No entanto, não esqueçamos do nosso próximo mais próximo.
Nossos familiares.

Tenhamos nosso olhar sobre nossos cônjuges e nossos filhos, que nos requisitam afagos.

Ternura que se traduz em abraços, beijos, aconchego.
Também nos cuidados com a sua manutenção, suas necessidades materiais.

Para com os filhos temos o compromisso da educação.
Igualmente da instrução.
Quanto lhes podemos oferecer?

Nesse cômputo, não podemos esquecer dos autores das nossas vidas.

Aqueles que nos possibilitaram a entrada no mundo físico, elaborando-nos um corpo.
Aqueloutros que nos abraçaram como filhos, em qualquer etapa da jornada e se desvelaram por nós.

Quanto do nosso carinho nos requerem.
Importante verificarmos onde vivem, como vivem, de que precisam para terem seus dias mais amenos.

Eles nos aguardam o afeto, a visita, o atendimento às suas vidas.

Deram-nos tanto.
Justo que, avançados nos anos, sejamos nós os que os amparemos.

E nossos irmãos consanguíneos? Não foi o acaso que assim nos reuniu.
Isso nos diz que temos deveres para com eles.

Deveres de auxiliá-los, ampará-los, conduzi-los na jornada.
Sem faltar jamais a chama da ternura, envolta na amizade, no companheirismo.

Então, alongando a vista, para além das fronteiras do universo familiar, encontramos nossos amigos.

Credores da nossa gratidão porque são os que nos estão ao lado, quando a tristeza nos alcança, quando a dor nos atinge.
Por vezes, são as colunas de sustentação do nosso equilíbrio físico e emocional.

Portanto, os devemos honrar com nossos melhores sentimentos e, se necessário, o auxílio material de que, eventualmente, venham a precisar.

Finalmente, e somente então, nosso dever para com todos os filhos do nosso Pai Celeste.

Da nossa nação ou de outras nações, em nosso bairro ou para além do país em que nos encontramos.

Dever de humanidade.
Movermo-nos de compaixão, envolvermo-nos e auxiliarmos da forma que possamos.

Degraus da caridade.
Sentimentos.
Proximidade.
Uma lição de vida.

Redação do Momento Espírita, com base no

artigo A chave do céu, pelo Espírito Lacordaire,

do item Dissertações Espíritas, da Revista Espírita,

ano VIII, agosto/1865, de Allan Kardec, ed.
EDICEL.

Em 27.
11.
2020.

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