{"id":10566,"date":"2010-12-09T00:00:00","date_gmt":"2010-12-09T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2010-12-09T00:00:00","modified_gmt":"2010-12-09T00:00:00","slug":"artigo10566","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/artigo10566\/","title":{"rendered":"ALUCINADOS, INSPIRADOS, FLU\u00c3\u008dDICOS E SON\u00c3\u201aMBULOS"},"content":{"rendered":"<p>ALUCINADOS, INSPIRADOS, FLU\u00c3\u008dDICOS E SON\u00c3\u201aMBULOS<br \/>\n<br \/>Temos pouco a dizer sobre a alucina\u00e7\u00e3o, estado provocado por uma causa moral, que influi sobre o f\u00edsico e\u00e0 qual se mostram mais acess\u00edveis as naturezas nervosas, sempre mais prontas a impressionar-se. Sobretudo as mulheres, por sua organiza\u00e7\u00e3o \u00edntima, s\u00e3o levadas\u00e0 exalta\u00e7\u00e3o, e a febre se apresenta nelas, o mais das vezes, acompanhada de del\u00edrio, que toma as apar\u00eancias da loucura moment\u00e2nea. A alucina\u00e7\u00e3o, \u00e9 preciso reconhecer, por um pequeno lado toca a loucura, assim como todas as superexcita\u00e7\u00f5es cerebrais; e enquanto o del\u00edrio se manifesta sobretudo por palavras incoerentes, a alucina\u00e7\u00e3o representa mais particularmente a a\u00e7\u00e3o, a encena\u00e7\u00e3o. Contudo, \u00e9 injustamente que por vezes as confundem. V\u00edtima de uma esp\u00e9cie de febre interior, que n\u00e3o setraduz  externamente por nenhuma perturba\u00e7\u00e3o aparente dos \u00f3rg\u00e3os, o alucinado vive em meio ao mundo imagin\u00e1rio que cria, por um momento, sua imagina\u00e7\u00e3o perturbada; tudo est\u00e1 em desordem, nele como em torno dele; leva tudo ao extremo: por vezes a alegria, a tristeza quase sempre, e as l\u00e1grimas rolam nos olhos, enquanto seus l\u00e1bios fingem um sorriso doentio. Essas vis\u00f5es fant\u00e1sticas existem para ele; ele as v\u00ea, as<br \/>\n<br \/>toca e se assusta com elas. N\u00e3o obstante, conserva o exerc\u00edcio da vontade; conversa com os interlocutores e lhes oculta o objeto de seus terrores ou de suas sombrias preocupa\u00e7\u00f5es. Conhecemos um que, durante cerca de seis meses,<br \/>\n<br \/>assistia todas as manh\u00e3s ao enterro de seu corpo, tendo plena consci\u00eancia de que sua alma sobrevivia. Nada parecia mudado nos seus h\u00e1bitos de vida e, contudo, esse pensamento incessante, essa vis\u00e3o mesma por vezes o seguia em todos os lugares. A palavra morte ressoava incessantemente em seu ouvido. Quando o sol brilhava, dissipava a noite ou atravessava a nuvem, a horr\u00edvel vis\u00e3o se desvanecia pouco a pouco, acabando por desaparecer. \u00c3\u20ac noite adormecia, triste e desesperado, porque sabia que horr\u00edvel despertar o aguardava no dia seguinte. Por vezes, quando o excesso de sofrimento f\u00edsico impunha sil\u00eancio\u00e0 sua vontade e lhe tirava esse poder de dissimula\u00e7\u00e3o, que de ordin\u00e1rio conservava, exclamava de repente:  \u201c Ah! ei-los!&#8230; eu os vejo!&#8230; E ent\u00e3o descrevia aos que o cercavam com mais intimidade os detalhes da l\u00edgubre cerim\u00f4nia, relatava as cenas sinistras que se desdobravam aos seus olhos, ou rondas de personagens fant\u00e1sticas que desfilavam\u00e0 sua frente. O alucinado vos dir\u00e1 as loucas percep\u00e7\u00f5es de seu c\u00e9rebro doente, mas n\u00e3o tem nada a vos repetir do que outros viessem lhe revelar; porque, para ser inspirado, \u00e9 preciso que a paz e a harmonia reinem em vossa alma, e que estejais isento de todo pensamento material ou mesquinho; algumas vezes a disposi\u00e7\u00e3o doentia provoca a inspira\u00e7\u00e3o; \u00e9, ent\u00e3o, como um socorro que os amigos partidos antes v\u00eam vos trazer para vos aliviar. Esse louco, que ontem gozava da plenitude da raz\u00e3o, n\u00e3o apresenta desordens exteriores percept\u00edveis ao olho do observador; s\u00e3o, entretanto, numerosas, existem e s\u00e3o reais. Muitas vezes o mal est\u00e1 na alma, lan\u00e7ada fora de si mesma pelo excesso de trabalho, de alegria, de dor; o homem f\u00edsico n\u00e3o est\u00e1 mais em equil\u00edbrio com o homem moral; o choque moral foi mais violento<br \/>\n<br \/>do que o f\u00edsico pode suportar: da\u00ed o cataclismo. O alucinado sofre igualmente as consequ\u00eancias de uma perturba\u00e7\u00e3o grave em seu organismo nervoso. Mas  \u201c o que raramente acontece na loucura  \u201c neles essas desordens s\u00e3o intermitentes e t\u00e3o mais facilmente cur\u00e1veis quanto sua vida \u00e9, de certo modo, dupla, pois pensa com a vida real e sonha com a vida<br \/>\n<br \/>fant\u00e1stica. Esta \u00edltima \u00e9, por vezes, o despertar de sua alma doente e, se o escutar com intelig\u00eancia, chegar-se-\u00e1 a descobrir a causa do mal, que muitas vezes ele quer ocultar. Entre o fluxo das palavras incoerentes, que lan\u00e7a fora uma pessoa em del\u00edrio, e que parecem em nada se referir\u00e0s causas prov\u00e1veis de sua doen\u00e7a, encontrar-se-\u00e1 uma que voltar\u00e1 sem cessar, que ela queria reter e que, contudo, escapa. Essa \u00e9 a verdadeira causa e que \u00e9 preciso<br \/>\n<br \/>combater. Mas o trabalho \u00e9 longo e dif\u00edcil, porque o alucinado \u00e9 um h\u00e1bil comediante e, se percebe que o observam, seu esp\u00edrito se lan\u00e7a em estranhos desvios e toma as apar\u00eancias da loucura para escapar a essa press\u00e3o importante, que pareceis decidido a exercer sobre ele.  \u00c9, pois, necess\u00e1rio estud\u00e1-lo com extremo tato, sem jamais o contradizer ou tentar retificar os erros de seu c\u00e9rebro em del\u00edrio. S\u00e3o estas as diversas fases de excita\u00e7\u00f5es cerebrais, ou antes, de excita\u00e7\u00f5es do ser todo inteiro, pois n\u00e3o \u00e9 preciso localizar a sede da intelig\u00eancia. A alma humana, que a d\u00e1, plana por toda parte; \u00e9 o sopro do alto, que faz vibrar e agir a m\u00e1quina toda inteira.  O f\u00edsico \u00e9 coisa material, sens\u00edvel, exposta\u00e0 luz, que<br \/>\n<br \/>cada um pode ver, admirar, criticar, cuidar ou tentar endireitar. Mas quem pode conhecer o homem moral? Quando nos ignoramos a n\u00f3s mesmos, como nos julgar\u00e3o os outros? Se n\u00f3s lhes entregamos alguns dos nossos pensamentos, s\u00e3o muito mais ainda os que subtra\u00edmos aos seus olhares e que gostar\u00edamos de ocultar a n\u00f3s mesmos. Essa dissimula\u00e7\u00e3o \u00e9 quase um crime social. Criados para o progresso, nossa alma, nosso cora\u00e7\u00e3o, nossa intelig\u00eancia s\u00e3o feitos para se derramarem sobre todos os irm\u00e3os da grande fam\u00edlia, para lhes prodigalizar tudo quanto est\u00e1 em n\u00f3s, como para se<br \/>\n<br \/>enriquecer ao mesmo tempo com tudo o que nos podem comunicar. A expans\u00e3o rec\u00edproca \u00e9, pois, a grande lei humanit\u00e1ria, e a concentra\u00e7\u00e3o, isto \u00e9, a dissimula\u00e7\u00e3o de nossas a\u00e7\u00f5es, de nossos pensamentos, de nossas aspira\u00e7\u00f5es \u00e9 uma esp\u00e9cie de roubo que cometemos em preju\u00edzo de todo o mundo. Que progresso se far\u00e1, se guardarmos em n\u00f3s tudo o que a Natureza e a educa\u00e7\u00e3o a\u00ed puseram, e se cada um agir do mesmo modo a nosso respeito. . Vivamos pois,  nos outros e eles em nos para sermos um s\u00f3. Revista  Esp\u00edrita:1868 <\/p>\n<div class=\"pvc_clear\"><\/div>\n<p id=\"pvc_stats_10566\" class=\"pvc_stats all  \" data-element-id=\"10566\" style=\"\"><i class=\"pvc-stats-icon medium\" aria-hidden=\"true\"><svg aria-hidden=\"true\" focusable=\"false\" data-prefix=\"far\" data-icon=\"chart-bar\" role=\"img\" xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\" viewBox=\"0 0 512 512\" class=\"svg-inline--fa fa-chart-bar fa-w-16 fa-2x\"><path fill=\"currentColor\" d=\"M396.8 352h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8V108.8c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v230.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8zm-192 0h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8V140.8c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v198.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8zm96 0h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8V204.8c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v134.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8zM496 400H48V80c0-8.84-7.16-16-16-16H16C7.16 64 0 71.16 0 80v336c0 17.67 14.33 32 32 32h464c8.84 0 16-7.16 16-16v-16c0-8.84-7.16-16-16-16zm-387.2-48h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8v-70.4c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v70.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8z\" class=\"\"><\/path><\/svg><\/i> <img decoding=\"async\" width=\"16\" height=\"16\" alt=\"Loading\" data-src=\"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/wp-content\/plugins\/page-views-count\/ajax-loader-2x.gif\" border=0 src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" class=\"lazyload\" style=\"--smush-placeholder-width: 16px; --smush-placeholder-aspect-ratio: 16\/16;\" \/><\/p>\n<div class=\"pvc_clear\"><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>ALUCINADOS, INSPIRADOS, FLU\u00c3\u008dDICOS E SON\u00c3\u201aMBULOS Temos pouco a dizer sobre a alucina\u00e7\u00e3o, estado provocado por uma causa moral, que influi sobre o f\u00edsico e\u00e0 qual se mostram mais acess\u00edveis as naturezas nervosas, sempre mais prontas a impressionar-se. 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