{"id":11082,"date":"2011-12-01T00:00:00","date_gmt":"2011-12-01T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2011-12-01T00:00:00","modified_gmt":"2011-12-01T00:00:00","slug":"artigo11082","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/artigo11082\/","title":{"rendered":"Superando a dor"},"content":{"rendered":"<p>No dia 28 de julho de 1976, a cidade industrial de Tangshan foi completamente arrasada por um terremoto apavorante. Trezentos mil mortos.<br \/>\n<br \/>O fato ficou famoso como s\u00edmbolo do colapso total das comunica\u00e7\u00f5es da China naquela \u00e9poca.<br \/>\n<br \/>A preocupa\u00e7\u00e3o das autoridades era com a crise pela morte de Mao Ts\u00e9-Tung e duas outras importantes personalidades.<br \/>\n<br \/>A not\u00edcia do terremoto acabou chegando ao governo atrav\u00e9s da imprensa estrangeira.<br \/>\n<br \/>Muitas mulheres ficaram sem marido e viram seus filhos desaparecer em abismos profundos.<br \/>\n<br \/>Chen foi uma delas. Naquela manh\u00e3 de julho, antes de clarear, ela foi despertada por um som estranho.<br \/>\n<br \/>Era uma esp\u00e9cie de ronco surdo e um assobio, como se um trem estivesse se espatifando contra as paredes da casa.<br \/>\n<br \/>Quando ia gritar, metade do quarto cedeu e a cama onde estava deitado o marido, foi tragada por um buraco enorme.<br \/>\n<br \/>O quarto das crian\u00e7as, que ficava do outro lado da casa, como um cen\u00e1rio de um palco apareceu\u00e0 sua frente.<br \/>\n<br \/>O filho mais velho estava de olhos arregalados e boca aberta. A menina chorava e gritava, estendendo os bra\u00e7os para a m\u00e3e.<br \/>\n<br \/>O filhinho pequeno continuava dormindo calmamente.<br \/>\n<br \/>A cena\u00e0 sua frente sumiu de repente como se uma cortina tivesse ca\u00eddo.<br \/>\n<br \/>Chen acreditou que estava tendo um pesadelo e se beliscou. N\u00e3o acordou. Ent\u00e3o, espetou a perna com uma tesoura.<br \/>\n<br \/>Sentindo a dor e vendo o sangue, entendeu que n\u00e3o era um sonho.<br \/>\n<br \/>Gritou como louca. Ningu\u00e9m ouviu. De todos os lados vinham sons de paredes desmoronando e de m\u00f3veis quebrando.<br \/>\n<br \/>Ela ficou ali, com a perna ensanguentada, olhando para o buraco enorme que tinha sido a outra metade da sua casa.<br \/>\n<br \/>Seu marido e suas lindas crian\u00e7as tinham desaparecido diante dos seus olhos.<br \/>\n<br \/>Sentiu vontade de chorar, mas n\u00e3o tinha l\u00e1grimas. Simplesmente n\u00e3o queria continuar vivendo.<br \/>\n<br \/>Vinte anos depois, contando esta hist\u00f3ria a uma jornalista, Chen confessa que quase todo dia, ao amanhecer, ouve um trem roncando e apitando, junto com os gritos dos seus filhos.<br \/>\n<br \/>Os pesadelos a machucam, mas ela diz que os suporta porque neles est\u00e3o tamb\u00e9m as vozes dos seus filhos.<br \/>\n<br \/>E quem pensa que Chen vive somente a lamentar e a chorar a perda dos seus amores, engana-se.<br \/>\n<br \/>Ela, junto a outras m\u00e3es que perderam seus filhos no terremoto de 1976, fundaram um orfanato, com o dinheiro da indeniza\u00e7\u00e3o que receberam.<br \/>\n<br \/>\u00c9 um orfanato sem funcion\u00e1rios. Alguns o chamam de uma fam\u00edlia sem homens.<br \/>\n<br \/>Vivem ali algumas m\u00e3es e dezenas de crian\u00e7as. Cada m\u00e3e ocupa um aposento grande com cinco ou seis crian\u00e7as.<br \/>\n<br \/>Os aposentos do orfanato foram decorados com uma infinidade de cores, de acordo com o gosto das crian\u00e7as. Cada quarto com seu estilo de decora\u00e7\u00e3o.<br \/>\n<br \/>Bem diferente dos orfanatos tradicionais da China.<br \/>\n<br \/>Ao ser questionada como se sente hoje, naquele voluntariado, confessa Chen:<br \/>\n<br \/>Muito melhor. Especialmente\u00e0 noite. Fico olhando enquanto as crian\u00e7as dormem. Sento ao lado delas, seguro suas m\u00e3os contra o meu rosto. Beijo-as e agrade\u00e7o a elas por me manterem viva.<br \/>\n<br \/>\u00c9 um ciclo de amor. Dos velhos para os jovens e de volta para os velhos.<br \/>\n<br \/>*   *   *<br \/>\n<br \/>Por vezes, quando a dor nos visita, nos enclausuramos nela, acreditando que a nossa \u00e9 a dor maior do mundo.<br \/>\n<br \/>O exemplo de Chen nos d\u00e1 a dimens\u00e3o da dor e nos ensina como lidar com ela: atender o pr\u00f3ximo que tamb\u00e9m sofre.<br \/>\n<br \/>Afinal, sempre que olharmos para tr\u00e1s encontraremos criaturas mais intensamente feridas do que n\u00f3s mesmos. E no atendimento\u00e0s suas feridas, encontraremos o al\u00edvio que buscamos.<br \/>\n<br \/>Tudo porque o toque delicado do amor \u00e9 o curativo perfeito para as pr\u00f3prias chagas abertas no cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Reda\u00e7\u00e3o do Momento Esp\u00edrita com base no cap. As m\u00e3es que sofreram um terremoto, do livroAs boas mulheres da China, de autoria de Xinran, ed. Companhia das letras.<br \/>\n<br \/>Em 11.10.2011.<\/p>\n<div class=\"pvc_clear\"><\/div>\n<p id=\"pvc_stats_11082\" class=\"pvc_stats all  \" data-element-id=\"11082\" style=\"\"><i class=\"pvc-stats-icon medium\" aria-hidden=\"true\"><svg aria-hidden=\"true\" focusable=\"false\" data-prefix=\"far\" data-icon=\"chart-bar\" role=\"img\" xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\" viewBox=\"0 0 512 512\" class=\"svg-inline--fa fa-chart-bar fa-w-16 fa-2x\"><path fill=\"currentColor\" d=\"M396.8 352h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8V108.8c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v230.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8zm-192 0h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8V140.8c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v198.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8zm96 0h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8V204.8c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v134.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8zM496 400H48V80c0-8.84-7.16-16-16-16H16C7.16 64 0 71.16 0 80v336c0 17.67 14.33 32 32 32h464c8.84 0 16-7.16 16-16v-16c0-8.84-7.16-16-16-16zm-387.2-48h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8v-70.4c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v70.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8z\" class=\"\"><\/path><\/svg><\/i> <img decoding=\"async\" width=\"16\" height=\"16\" alt=\"Loading\" data-src=\"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/wp-content\/plugins\/page-views-count\/ajax-loader-2x.gif\" border=0 src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" class=\"lazyload\" style=\"--smush-placeholder-width: 16px; --smush-placeholder-aspect-ratio: 16\/16;\" \/><\/p>\n<div class=\"pvc_clear\"><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No dia 28 de julho de 1976, a cidade industrial de Tangshan foi completamente arrasada por um terremoto apavorante. Trezentos mil mortos. O fato ficou famoso como s\u00edmbolo do colapso total das comunica\u00e7\u00f5es da China naquela \u00e9poca. 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