{"id":11950,"date":"2013-03-30T00:00:00","date_gmt":"2013-03-30T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2013-03-30T00:00:00","modified_gmt":"2013-03-30T00:00:00","slug":"artigo11950","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/artigo11950\/","title":{"rendered":"Nossas riquezas pessoais"},"content":{"rendered":"<p>Quantas vezes j\u00e1 reclamamos da vida, enumerando problemas que n\u00e3o cessam de se avolumar? <\/p>\n<p>Quantas vezes j\u00e1 dissemos do nosso cansa\u00e7o ante as lutas que nos parecem sem tr\u00e9guas? <\/p>\n<p>Foi exatamente num desses dias em que nos prepar\u00e1vamos para principiar a ladainha das murmura\u00e7\u00f5es, que algu\u00e9m nos falou de Eliana Zagui. <\/p>\n<p>A artista pl\u00e1stica vive h\u00e1 trinta e seis anos no Hospital de Cl\u00ednicas, em S\u00e3o Paulo. <\/p>\n<p>A poliomielite que a alcan\u00e7ou, antes de completar dois anos de idade, quase a levou\u00e0 morte. <\/p>\n<p>Eliana sobreviveu, mas os meses demonstraram que ela jamais poderia viver em outro lugar que n\u00e3o o hospital. <\/p>\n<p>Ela perdeu a mobilidade do tronco, dos membros e vive deitada. <\/p>\n<p>Aprendeu a ver o mundo na horizontalidade. Nas raras vezes em que teve autoriza\u00e7\u00e3o para se ausentar do hospital, precisou de aparato de ambul\u00e2ncia, m\u00e9dicos, enfermeiras, atendentes. <\/p>\n<p>Aprendeu a ler aos doze anos. At\u00e9 ent\u00e3o, porque a expectativa de vida de quem possui problemas de sa\u00edde semelhantes aos seus era muito pequena, n\u00e3o houvera preocupa\u00e7\u00e3o com a alfabetiza\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p>Eliana aprendeu a segurar o l\u00e1pis com a boca. Aprendeu a digitar no computador da mesma forma. E a pintar. <\/p>\n<p>Ler a respeito da vida dessa artista pl\u00e1stica \u00e9 sofrer com ela todas as desilus\u00f5es. Tamb\u00e9m se alegrar com os pequenos nadas que fazem a felicidade de quem vive, h\u00e1 quase quatro d\u00e9cadas, em um hospital. <\/p>\n<p>\u00c9 chorar com a descri\u00e7\u00e3o do abandono dos pais. Enquanto crian\u00e7a, tratava de desculpar a aus\u00eancia deles por pensar que moravam muito longe. <\/p>\n<p>Ao descobrir a correta geografia, a tristeza a abra\u00e7ou. N\u00e3o era t\u00e3o distante quanto pensava. <\/p>\n<p>\u00c9 sofrer cada uma das mortes das crian\u00e7as que viviam no mesmo local e, uma a uma, se foram, deixando um vazio na alma de Eliana. <\/p>\n<p>\u00c9 ouvi-la se indagar: Serei a pr\u00f3xima? Quando ser\u00e1 minha vez? <\/p>\n<p>\u00c9 se enternecer ao ler a descri\u00e7\u00e3o dos seus enamoramentos, a idealiza\u00e7\u00e3o de sonhos e, uma a uma, as cru\u00e9is desilus\u00f5es: ela n\u00e3o era amada com a mesma intensidade com que entregava o seu cora\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p>Estar sempre deitada, depender de enfermeiros, m\u00e9dicos e aparelhagem para a continuidade da vida; acompanhar a partida dos amigos que demandam a p\u00e1tria espiritual; sofrer as dores dos que padecem ao lado parece ser uma vida mon\u00f3tona e sem sentido. <\/p>\n<p>Mas Eliana d\u00e1 o exemplo da supera\u00e7\u00e3o. E s\u00e3o suas as palavras: Tenho aprendido que minha f\u00e9 em Deus e minha determina\u00e7\u00e3o podem concretizar meus sonhos mais dif\u00edceis, desde que eu saiba o que fazer e avalie todos os riscos e consequ\u00eancias de cada a\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p>*   *   * <\/p>\n<p>Pensemos nisso: se desfrutamos da ventura de ir e vir, de andar, sentar, deitar, somos criaturas infinitamente felizes. <\/p>\n<p>Se temos a ventura de ver, ouvir, a capacidade de ler, aprender, ensinar, somos seres muito ricos. <\/p>\n<p>Se temos m\u00e3os, bra\u00e7os que se movem ao nosso comando, desfrutamos de ventura \u00edmpar. <\/p>\n<p>Antes de reclamarmos do que n\u00e3o temos, lembremos que somente o fato de poder respirar com os pr\u00f3prios pulm\u00f5es, j\u00e1 \u00e9 uma grande b\u00ean\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p>Pensemos em nossas riquezas pessoais e sejamos gratos. <\/p>\n<p>Reda\u00e7\u00e3o do Momento Esp\u00edrita, com base em dados colhidos no livro Pulm\u00e3o <br \/>de a\u00e7o  \u201c uma vida no maior hospital do Brasil, de Eliana Zagui, ed. Belaletra. <br \/>Em 25.3.2013.<\/p>\n<div class=\"pvc_clear\"><\/div>\n<p id=\"pvc_stats_11950\" class=\"pvc_stats all  \" data-element-id=\"11950\" style=\"\"><i class=\"pvc-stats-icon medium\" aria-hidden=\"true\"><svg aria-hidden=\"true\" focusable=\"false\" data-prefix=\"far\" data-icon=\"chart-bar\" role=\"img\" xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\" viewBox=\"0 0 512 512\" class=\"svg-inline--fa fa-chart-bar fa-w-16 fa-2x\"><path fill=\"currentColor\" d=\"M396.8 352h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8V108.8c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v230.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8zm-192 0h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8V140.8c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v198.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8zm96 0h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8V204.8c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v134.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8zM496 400H48V80c0-8.84-7.16-16-16-16H16C7.16 64 0 71.16 0 80v336c0 17.67 14.33 32 32 32h464c8.84 0 16-7.16 16-16v-16c0-8.84-7.16-16-16-16zm-387.2-48h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8v-70.4c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v70.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8z\" class=\"\"><\/path><\/svg><\/i> <img decoding=\"async\" width=\"16\" height=\"16\" alt=\"Loading\" data-src=\"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/wp-content\/plugins\/page-views-count\/ajax-loader-2x.gif\" border=0 src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" class=\"lazyload\" style=\"--smush-placeholder-width: 16px; --smush-placeholder-aspect-ratio: 16\/16;\" \/><\/p>\n<div class=\"pvc_clear\"><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quantas vezes j\u00e1 reclamamos da vida, enumerando problemas que n\u00e3o cessam de se avolumar? Quantas vezes j\u00e1 dissemos do nosso cansa\u00e7o ante as lutas que nos parecem sem tr\u00e9guas? Foi exatamente num desses dias em que nos prepar\u00e1vamos para principiar a ladainha das murmura\u00e7\u00f5es, que algu\u00e9m nos falou de Eliana Zagui. 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