{"id":12836,"date":"2016-03-16T08:03:00","date_gmt":"2016-03-16T08:03:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/artigo12836\/"},"modified":"2016-03-16T08:15:24","modified_gmt":"2016-03-16T11:15:24","slug":"artigo12836","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/artigo12836\/","title":{"rendered":"Alco\u00f3latra! &#8211; Joaquim Dias"},"content":{"rendered":"<p>Francisco C\u00e2ndido Xavier<\/p>\n<p>Que outra palavra existir\u00e1 na Terra, encerrando consigo tantas potencialidades para o crime? <\/p>\n<p>O alco\u00f3latra n\u00e3o \u00e9 somente o destruidor de si mesmo. \u00c9 o perigoso instrumento das trevas, ponte viva para as for\u00e7as arrasadoras da lama abismal.<\/p>\n<p>O inc\u00eandio que provoca desola\u00e7\u00e3o aparece numa chispa.<\/p>\n<p>O alcoolismo que carreia a mis\u00e9ria nasce num copinho.<\/p>\n<p>De chispa em chispa, transforma-se o inc\u00eandio em chamas devoradoras.<\/p>\n<p>De copinho a copinho, o v\u00edcio alcan\u00e7a a delinq\u00fc\u00eancia.<\/p>\n<p>Hoje, farrapo de alma que foi homem, reconhe\u00e7o que, ontem, a minha trag\u00e9dia come\u00e7ou assim&#8230;<\/p>\n<p>Um aperitivo inocente&#8230;<\/p>\n<p>Uma hora de recreio. . .<\/p>\n<p>Uma noite festiva&#8230;<\/p>\n<p>Era eu um homem feliz e trabalhador, vivendo em companhia de meus pais, de minha esposa e um filhinho.<\/p>\n<p>Uma ocasi\u00e3o, por\u00e9m, surgiu em que tive a infelicidade de sorver alguns goles do veneno terr\u00edvel; disfar\u00e7ado em bebida elegante, tentando afugentar pequeninos problemas da vida e, desde ent\u00e3o, converti-me em zona pestilencial para os abutres da crueldade. <\/p>\n<p>Velhos inimigos desencarnados de nossa equipe familiar fizeram de mim seu int\u00e9rprete.<\/p>\n<p>A breve tempo, abandonei o trabalho, fugi \u00e0 higiene e apodreci meu car\u00e1ter, trocando o lar venturoso pela taverna infeliz.<\/p>\n<p>Bebendo por mim e por todas as entidades viciosas que nos hostilizavam a casa, falsifiquei documentos, matando meu pai com medica\u00e7\u00e3o indevida, depois de arroj\u00e1-lo \u00e0 extrema ru\u00edna. .<\/p>\n<p>Mais tarde, tornando-me bestial e inconsciente, espanquei minha m\u00e3e, impondo-lhe a enfermidade que a transportou para a sepultura.<\/p>\n<p>Depois de algum tempo, constrangi minha esposa ao meretr\u00edcio, para extorquir-lhe dinheiro, assassinando-a numa noite de horror e fazendo crer que a infeliz se envenenara usando as pr\u00f3prias m\u00e3os e, de meu filho, fiz um jovem salteador e beberr\u00e3o, muito cedo eliminado pela pol\u00edcia.<\/p>\n<p>R\u00e9probo social, colhia t\u00e3o-somente as avers\u00f5es que eu plantava. <\/p>\n<p>Muitas vezes, em rel\u00e2mpagos de lucidez, admoestava-me a consci\u00eancia:<\/p>\n<p>-Ainda \u00e9 tempo! Recome\u00e7a! Recome\u00e7a! <\/p>\n<p>Entretanto, fizera-me um homem vencido e cercado pelas sombras daqueles que, quanto eu, se haviam consagrado no corpo f\u00edsico \u00e0 criminalidade e \u00e0 vicia\u00e7\u00e3o, e essas sombras rodeavam-me apressadas, gritando-me, irresist\u00edveis:<\/p>\n<p>&#8211; Bebe e esquece! Bebe, Joaquim! <\/p>\n<p>E eu me embriagava, sequioso de olvidar a mim mesmo, at\u00e9 que o del\u00edrio agudo me sitiou num catre de amargura e indig\u00eancia. <\/p>\n<p>A febre, a enfermidade e a loucura consumiram-me a carne, mas n\u00e3o percebi a visita\u00e7\u00e3o da morte, porque fui atra\u00eddo, de rold\u00e3o, para a turba de delinq\u00fcentes a que antes me afei\u00e7oara. <\/p>\n<p>Sofri-lhes a press\u00e3o, assimilei-lhes os desvarios e, com eles, procurei novamente embebedar-me. <\/p>\n<p>A taverna era o meu mundo, com a dem\u00eancia irrespons\u00e1vel por meu modo de ser&#8230;<\/p>\n<p>Ai de mim, contudo! Chegou o instante em que n\u00e3o mais pude engodar minha sede!&#8230;<\/p>\n<p>A insatisfa\u00e7\u00e3o arrasava-me por dentro, sem que meus l\u00e1bios conseguissem tocar, de leve, numa gota do liquido tentador.<\/p>\n<p>Deplorando a inexplic\u00e1vel inibi\u00e7\u00e3o que me agravava os padecimentos, afastei-me dos companheiros para ocultar a desdita de que me via objeto. <\/p>\n<p>Caminhei sem destino, angustiado e semi-louco, at\u00e9 que me vi prostrado num leito espinhoso de terra seca.<\/p>\n<p>Sede implac\u00e1vel dominava-me totalmente.<\/p>\n<p>Clamei por socorro em v\u00e3o, invejando os vermes do subsolo.<\/p>\n<p>Palavra alguma conseguiria relatar a afli\u00e7\u00e3o com que implorei do C\u00e9u uma gota d\u00e1gua que sustasse a alucina\u00e7\u00e3o de minhas c\u00e9lulas gustativas&#8230;<\/p>\n<p>Meu suplicio ultrapassava toda humana express\u00e3o.<\/p>\n<p>N\u00e3o passava de uma fogueira circunscrita a mim mesmo.<\/p>\n<p>Come\u00e7aram, ent\u00e3o, para mim, as miragens expiat\u00f3rias.<\/p>\n<p>Via-me em noite fresca e tranq\u00fcila, procurando o orvalho que ca\u00eda do c\u00e9u para dessedentar-me, enfim, mas, buscando as bagas do celeste elixir, elas n\u00e3o eram, aos meus olhos, sen\u00e3o l\u00e1grimas de minha m\u00e3e, cuja voz me atingia, pranteando em desconsolo:<\/p>\n<p>&#8211; N\u00e3o me batas, meu filho! N\u00e3o me batas, meu filho!<\/p>\n<p>Devolvido \u00e0 flagela\u00e7\u00e3o, via-me sob a chuva renovadora, mas, tentando sorver-lhe o jorro, nele reconhecia o pranto de meu pai, cujas palavras derradeiras me impunham desalento e vergonha:<\/p>\n<p>&#8211; Filho meu, por que me arruinaste assim? Arrojava-me ao ch\u00e3o, mergulhando meu ser na corrente polu\u00edda que o temporal engrossava sempre, na esperan\u00e7a de aliviar a sede terr\u00edvel, mas, na pr\u00f3pria lama do enxurro, encontrava somente as l\u00e1grimas de minha esposa, de mistura com, recrimina\u00e7\u00f5es dolorosas, fustigando-me a consci\u00eancia:<\/p>\n<p>&#8211; Por que me atiraste ao lodo? e por que me mataste, bandido?<\/p>\n<p>&#8211; De novo regressava ao deserto que me acolhia, para logo ap\u00f3s me entregar \u00e0 vis\u00e3o de fontes cristalinas&#8230;<\/p>\n<p>&#8211; Enlouquecido de sede, colava a boca ao manancial, que se convertia em ta\u00e7a de fel candente, da qual transbordavam as l\u00e1grimas de meu filho, a bradar-me, em desespero:<\/p>\n<p>&#8211; Meu pai, meu pai, que fizeste de mim?<\/p>\n<p>Em toda parte, n\u00e3o surpreendia sen\u00e3o l\u00e1grimas&#8230; Arrastei-me pelos medonhos caminhos de minha peregrina\u00e7\u00e3o dolorosa, como um Esp\u00edrito amaldi\u00e7oado que o v\u00edcio metamorfoseara em pe\u00e7onhento r\u00e9ptil&#8230;<\/p>\n<p>Suspirava por \u00e1gua que me aliviasse o tormento, mas s\u00f3 encontrava pranto&#8230;<\/p>\n<p>Pranto de meu pai, de minha m\u00e3e, de minha esposa e de meu filho a perseguir-me implac\u00e1vel&#8230;<\/p>\n<p>Alma acicatada por remorsos intraduz\u00edveis, amarguei prova\u00e7\u00f5es espantosas, at\u00e9 que m\u00e3os fraternas me trouxeram \u00e0 b\u00ean\u00e7\u00e3o da ora\u00e7\u00e3o&#8230;<\/p>\n<p>Piedosos enfermeiros da Vida Espiritual e mensageiros da Bondade Divina, pelos talentos da prece, aplacaram-me a sede, ofertando-me \u00e1gua pura&#8230;<\/p>\n<p>Atenuou-se-me o estranho mart\u00edrio, embora a consci\u00eancia me acuse&#8230;<\/p>\n<p>Ainda assim, amparado por aqueles que vos inspiram, ofere\u00e7o-vos o triste exemplo de meu caso particular par escarmento daqueles que come\u00e7am de copinho a copinho, no aperitivo inocente, na hora de recreio ou na noite festiva, descendo desprevenidos para o desequil\u00edbrio e para a morte.<\/p>\n<p>E, em vos falando, com o meu sofrimento transformado em palavras, rogo-vos a esmola dos pensamentos amigos para que eu regresse a mim mesmo, na escabrosa jornada da pr\u00f3pria restaura\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Joaquim Dias &#8211; Do livro Vozes do Grande Al\u00e9m &#8211; Psicografia de Chico Xavier<br \/>\n<\/p>\n<div class=\"pvc_clear\"><\/div>\n<p id=\"pvc_stats_12836\" class=\"pvc_stats all  \" data-element-id=\"12836\" style=\"\"><i class=\"pvc-stats-icon medium\" aria-hidden=\"true\"><svg aria-hidden=\"true\" focusable=\"false\" data-prefix=\"far\" data-icon=\"chart-bar\" role=\"img\" xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\" viewBox=\"0 0 512 512\" class=\"svg-inline--fa fa-chart-bar fa-w-16 fa-2x\"><path fill=\"currentColor\" d=\"M396.8 352h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8V108.8c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v230.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8zm-192 0h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8V140.8c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v198.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8zm96 0h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8V204.8c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v134.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8zM496 400H48V80c0-8.84-7.16-16-16-16H16C7.16 64 0 71.16 0 80v336c0 17.67 14.33 32 32 32h464c8.84 0 16-7.16 16-16v-16c0-8.84-7.16-16-16-16zm-387.2-48h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8v-70.4c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v70.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8z\" class=\"\"><\/path><\/svg><\/i> <img decoding=\"async\" width=\"16\" height=\"16\" alt=\"Loading\" data-src=\"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/wp-content\/plugins\/page-views-count\/ajax-loader-2x.gif\" border=0 src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" class=\"lazyload\" style=\"--smush-placeholder-width: 16px; --smush-placeholder-aspect-ratio: 16\/16;\" \/><\/p>\n<div class=\"pvc_clear\"><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Francisco C\u00e2ndido Xavier Que outra palavra existir\u00e1 na Terra, encerrando consigo tantas potencialidades para o crime? 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