{"id":15161,"date":"2018-07-07T08:12:00","date_gmt":"2018-07-07T08:12:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/artigo15161\/"},"modified":"2018-07-07T09:06:45","modified_gmt":"2018-07-07T12:06:45","slug":"artigo15161","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/artigo15161\/","title":{"rendered":"Brinquedo de esconder &#8211; Reda\u00e7\u00e3o do Momento Esp\u00edrita"},"content":{"rendered":"<p>\n<br \/>Num caderno antigo, uma crian\u00e7a escreveu: M\u00e3e, como eu gosto de voc\u00ea.<br \/>\n<br \/>E que saudade tenho de voc\u00ea. Pare\u00e7o me ver, pequeno, ensaiando os passos. Um p\u00e9 aqui, outro ali. Balan\u00e7ava e ca\u00eda.<br \/>\n<br \/>Bastava fazer beicinho para chorar e sentia os seus bra\u00e7os me erguendo, me abra\u00e7ando e dizendo: \u201cN\u00e3o foi nada. Continue andando.\u201d<br \/>\n<br \/>Lembro das tantas brincadeiras que faz\u00edamos juntos. Eu correndo e voc\u00ea fingindo que corria para me alcan\u00e7ar. De repente, me agarrava e suspendia em seus bra\u00e7os.<br \/>\n<br \/>Eu me sentia como algu\u00e9m que estivesse no topo do mundo, mais alto do que os demais. Olhando tudo de cima.<br \/>\n<br \/>Mas, o brinquedo que eu mais gostava era o de esconde-esconde. Eu me escondia atr\u00e1s da cortina e voc\u00ea demorava para me encontrar, andando de um para o outro lado, perguntando: \u201cOnde estar\u00e1 aquele menino?!\u201d<br \/>\n<br \/>E eu ficava ali, achando muita gra\u00e7a. Nem me dava conta de que os meus p\u00e9s me denunciavam de longe onde me escondia.<br \/>\n<br \/>Quando era voc\u00ea que se escondia, eu procurava naqueles mesmos esconderijos que eu conhecia.<br \/>\n<br \/>\u00c0s vezes, demorava um pouco para encontrar voc\u00ea. Eu ficava triste. Pensava: \u201cMam\u00e3e foi embora.\u201d<br \/>\n<br \/>Nessa hora, voc\u00ea aparecia, saindo detr\u00e1s da porta entreaberta ou do sof\u00e1 da sala, sorrindo. E tudo ficava bem.<br \/>\n<br \/>Eu era uma crian\u00e7a feliz. Muito feliz.<br \/>\n<br \/>At\u00e9 o dia em que voc\u00ea inventou uma brincadeira diferente. Voc\u00ea ficou quieta, muda, n\u00e3o falava.<br \/>\n<br \/>Muita gente veio em casa. Mexeram com voc\u00ea, falaram. Mas voc\u00ea continuou firme. N\u00e3o se mexeu, n\u00e3o falou.<br \/>\n<br \/>Pensei: \u201cAcho que mam\u00e3e est\u00e1 brincando de est\u00e1tua. E que est\u00e1tua verdadeira ela est\u00e1 imitando.\u201d<br \/>\n<br \/>Depois, vieram outras pessoas e colocaram voc\u00ea em um carro feio, preto, que eles tentaram enfeitar com flores. Continuou feio.<br \/>\n<br \/>Algu\u00e9m me disse: \u201cN\u00e3o fique triste. Sua m\u00e3e foi se esconder.\u201d<br \/>\n<br \/>Ent\u00e3o fui procurar e procurar. Tentei descobrir onde o carro levara voc\u00ea. Andei muito e fui olhando atr\u00e1s de cada \u00e1rvore, de cada arbusto.<br \/>\n<br \/>Nada. Deixei-me ficar na estrada, sentado. E chorei. Voc\u00ea nunca mais apareceu.<br \/>\n<br \/>Fiquei com muita raiva daquele jogo de est\u00e1tua e da brincadeira de esconde-esconde.<br \/>\n<br \/>Ainda espero que voc\u00ea volte, minha m\u00e3e, para eu poder sorrir outra vez.<br \/>\n<br \/>Onde voc\u00ea est\u00e1, mam\u00e3e?<br \/>\n<br \/>*   *   *<br \/>\n<br \/>Quanta dor na escrita de um menino a quem n\u00e3o foi explicado o fen\u00f4meno da morte.<br \/>\n<br \/>A morte, dolorosa sim, por se constituir o desaparecimento f\u00edsico da pessoa amada, deveria ser mat\u00e9ria a ser lecionada, desde a mais tenra idade.<br \/>\n<br \/>Isso porque n\u00e3o h\u00e1 nada mais certo na vida. Quem nasce, morre, mais cedo ou mais tarde.<br \/>\n<br \/>Por vezes, no intuito de n\u00e3o querer traumatizar os pequenos, os enganamos, dizendo que a pessoa viajou, que foi passear.<br \/>\n<br \/>Isso os deixa na ansiedade da espera. Uma espera intermin\u00e1vel.<br \/>\n<br \/>Qu\u00e3o melhor seria que lhes ensin\u00e1ssemos a respeito da vida que nunca morre. Que lhes diss\u00e9ssemos que quando morre algu\u00e9m querido, ele continua conosco, em nosso cora\u00e7\u00e3o.<br \/>\n<br \/>Que poder\u00e3o falar com ele, lhe endere\u00e7ar as suas preces, lhe dizer do que sentem e como sentem.<br \/>\n<br \/>Com certeza, tudo seria mais suave e, na sequ\u00eancia dos anos, a morte perderia seus dolorosos v\u00e9us negros de mist\u00e9rio.<br \/>\n<br \/>Pensemos nisso.<br \/>\n<br \/>Reda\u00e7\u00e3o do Momento Esp\u00edrita, inspirado no artigo<br \/>\n<br \/>Brinquedo de escond\u00ea, de Lulu Benencase, do<br \/>\n<br \/>Boletim Informativo FAEP, n\u00ba 1388.<br \/>\n<br \/>Em 7.8.2017.<br \/>\n<\/p>\n<div class=\"pvc_clear\"><\/div>\n<p id=\"pvc_stats_15161\" class=\"pvc_stats all  \" data-element-id=\"15161\" style=\"\"><i class=\"pvc-stats-icon medium\" aria-hidden=\"true\"><svg aria-hidden=\"true\" focusable=\"false\" data-prefix=\"far\" data-icon=\"chart-bar\" role=\"img\" xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\" viewBox=\"0 0 512 512\" class=\"svg-inline--fa fa-chart-bar fa-w-16 fa-2x\"><path fill=\"currentColor\" d=\"M396.8 352h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8V108.8c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v230.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8zm-192 0h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8V140.8c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v198.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8zm96 0h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8V204.8c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v134.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8zM496 400H48V80c0-8.84-7.16-16-16-16H16C7.16 64 0 71.16 0 80v336c0 17.67 14.33 32 32 32h464c8.84 0 16-7.16 16-16v-16c0-8.84-7.16-16-16-16zm-387.2-48h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8v-70.4c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v70.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8z\" class=\"\"><\/path><\/svg><\/i> <img decoding=\"async\" width=\"16\" height=\"16\" alt=\"Loading\" data-src=\"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/wp-content\/plugins\/page-views-count\/ajax-loader-2x.gif\" border=0 src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" class=\"lazyload\" style=\"--smush-placeholder-width: 16px; --smush-placeholder-aspect-ratio: 16\/16;\" \/><\/p>\n<div class=\"pvc_clear\"><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Num caderno antigo, uma crian\u00e7a escreveu: M\u00e3e, como eu gosto de voc\u00ea. E que saudade tenho de voc\u00ea. Pare\u00e7o me ver, pequeno, ensaiando os passos. Um p\u00e9 aqui, outro ali. Balan\u00e7ava e ca\u00eda. Bastava fazer beicinho para chorar e sentia os seus bra\u00e7os me erguendo, me abra\u00e7ando e dizendo: \u201cN\u00e3o foi nada. 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