{"id":15215,"date":"2018-07-28T15:12:00","date_gmt":"2018-07-28T15:12:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/artigo15215\/"},"modified":"2018-07-28T15:33:55","modified_gmt":"2018-07-28T18:33:55","slug":"artigo15215","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/artigo15215\/","title":{"rendered":"Livro C\u00e9u e o Inferno &#8211; Capitulo I &#8211;  Futuro e o nada &#8211; Allan Kardec"},"content":{"rendered":"<p>CAP\u00cdTULO I<br \/>\n<br \/>\tFUTURO E O NADA<\/p>\n<p>\tVivemos, pensamos, agimos, o que \u00e9 muito bom.<br \/> Mas \u00e9 certo tamb\u00e9m que morreremos.<br \/> Deixando a Terra, aonde iremos? Em que nos transformaremos? Seremos melhores ou piores? Seremos n\u00f3s mesmos ou n\u00e3o?<\/p>\n<p>Ser ou n\u00e3o ser: vale a pena pensar que essa \u00e9 uma alternativa ser, para sempre ou nunca ser.<br \/> \u00c9 tudo ou nada: ou viveremos eternamente ou tudo estar\u00e1 acabado, sem volta.<\/p>\n<p>Todo homem tem necessidade de viver, de aproveitar a vida, de amar, de ser feliz.<br \/> Diga a uma pessoa que sabe que est\u00e1 para morrer que ela ainda viver\u00e1 ou, que sua hora foi protelada.<br \/> Diga-lhe, sobretudo, que ela ser\u00e1 mais feliz do que nunca e seu cora\u00e7\u00e3o pular\u00e1 de alegria.<br \/> Mas de que serviria esse desejo de felicidade, se um leve sopro pode enfraquec\u00ea-lo?<\/p>\n<p>H\u00e1 algo mais desesperador do que a ideia de destrui\u00e7\u00e3o absoluta? Afetos puros, intelig\u00eancia, progresso, conhecimento adquirido com muito trabalho: tudo seria quebrado, tudo se perderia! Seria in\u00fatil a necessidade de se esfor\u00e7ar para ser melhor, de se conter para reprimir paix\u00f5es, de se esfor\u00e7ar para aprimorar o Esp\u00edrito, se nada rendesse frutos, e talvez, amanh\u00e3, tudo isto a nada mais servisse?<\/p>\n<p>Uma intui\u00e7\u00e3o secreta diz que n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel que a sorte de um<\/p>\n<p>\u2013 15 \u2013<\/p>\n<p>\tC\u00c9 U E O IN F E R NO<\/p>\n<p>Homem com preocupa\u00e7\u00f5es pelo futuro seja cem vezes pior do que a de uma pessoa rude, que vive inteiramente o presente, satisfazendo-se materialmente, sem outras aspira\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>\tSendo niilista1, um homem for\u00e7osamente concentraria suas ideias na vida presente.<br \/> \u00c9 l\u00f3gico que n\u00e3o poderia se preocupar com o futuro, do qual nada espera.<br \/> Esta aten\u00e7\u00e3o apenas ao presente, dirigida exclusi-vamente a si mesmo, \u00e9 um poderoso est\u00edmulo ao ego\u00edsmo.<br \/> O incr\u00e9dulo gira em torno de si mesmo porque acha que tudo vai acabar: apro-veitemos o m\u00e1ximo poss\u00edvel a vida, enquanto estamos aqui.<br \/> Aproveitemos r\u00e1pido porque n\u00e3o sabemos quanto vai durar.<br \/> Esta atitude \u00e9 ruim tamb\u00e9m para a sociedade porque vive o cada um por si mesmo, em busca da felicidade a qualquer custo.<\/p>\n<p>Se o respeito humano modera a a\u00e7\u00e3o de algumas pessoas, que freio teriam aqueles que em nada creem? Para estes, a lei humana s\u00f3 atinge os pouco espertos.<br \/> E dedicam sua energia para criarem meios de se esquivarem da lei.<br \/> Portanto, a doutrina do niilismo \u00e9 antissocial porque rompe os la\u00e7os da solidariedade e da fraternidade, verdadeiros funda-mentos das rela\u00e7\u00f5es sociais.<\/p>\n<p>\tSuponhamos que, por alguma circunst\u00e2ncia, um povo tenha a certeza de que em oito dias, um m\u00eas ou um ano, ser\u00e1 aniquilado, sem deixar rastros, e que ningu\u00e9m sobreviver\u00e1.<br \/> O que far\u00e1 este povo durante o tempo que lhe resta? Trabalhar\u00e1 para melhorar, para se instruir? Permitir&#8211;se-\u00e1 sofrer para viver? Respeitar\u00e1 os direitos, os bens e a vida de seu seme-lhante? Submeter-se-\u00e1 \u00e0s leis, a qualquer autoridade? Sentir-se-\u00e1 obrigado a qualquer dever? Certamente n\u00e3o.<br \/> Bem, isso n\u00e3o acontece para um povo que a doutrina do niilismo realiza isoladamente a cada dia.<br \/> As consequ-\u00eancias, portanto, n\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o desastrosas como poderiam ser, at\u00e9 porque a maior parte dos que se dizem incr\u00e9dulos o fazem mais por presun\u00e7\u00e3o do que por verdadeira incredulidade.<br \/> Eles t\u00eam mais d\u00favidas do que convic-\u00e7\u00f5es e mais medo do nada do que demonstram.<br \/> Parecer um esp\u00edrito forte lhes afaga o amor-pr\u00f3prio.<br \/> Os verdadeiramente incr\u00e9dulos s\u00e3o uma<\/p>\n<p>(1) Nota da tradu\u00e7\u00e3o: Niilista, adepto da corrente filos\u00f3fica, que parte do conceito do nada (nihil) como \u00fanica realidade, negando qualquer valor aos seres e \u00e0 exist\u00eancia de Deus.<br \/> Muitos fil\u00f3sofos, ale-m\u00e3es e russos, foram adeptos desta corrente, a partir do s\u00e9culo XVII.<br \/> Um dos mais famosos represen-tantes desta escola foi Nietzsche, que proclamou o ate\u00edsmo, com a c\u00e9lebre frase: \u201cDeus est\u00e1 morto\u201d.<\/p>\n<p>&#8211; 16 &#8211;<\/p>\n<p>O F U T U RO E O NA DA<\/p>\n<p>minoria, reprimidos e restringidos por opini\u00f5es contr\u00e1rias \u00e0s suas.<br \/> Mas, se a incredulidade absoluta se tornasse a opini\u00e3o da maioria, a sociedade se dissolveria.<br \/> Esta \u00e9 a tend\u00eancia do niilismo.<br \/>2<\/p>\n<p>Se o niilismo fosse uma verdade, seria necess\u00e1rio aceit\u00e1-lo, indepen-dente das consequ\u00eancias.<br \/> N\u00e3o haveria pensamentos contr\u00e1rios, nem a ideia dos males que ele acarretaria que o impedisse.<br \/> Ora, \u00e9 necess\u00e1rio n\u00e3o ignorar que o ceticismo, a d\u00favida, a indiferen\u00e7a ganham mais espa\u00e7o a cada dia, apesar dos esfor\u00e7os da religi\u00e3o.<br \/> Se a religi\u00e3o \u00e9 impotente contra a incredulidade, \u00e9 porque lhe falta alguma coisa.<br \/> Se ela continuar imobi-lizada, em algum tempo ser\u00e1 infalivelmente ultrapassada.<br \/> O que falta<\/p>\n<p>\treligi\u00e3o, neste s\u00e9culo de positivismo3, em que se quer compreender antes de acreditar, s\u00e3o fatos positivos que confirmem as doutrinas.<br \/> Falta tamb\u00e9m a concord\u00e2ncia de certas doutrinas com os dados positivos da ci\u00eancia.<br \/> Se a doutrina diz \u201cbranco\u201d e os fatos dizem \u201cnegro\u201d, \u00e9 preciso optar entre a evid\u00eancia e a f\u00e9 cega.<\/p>\n<p>\t\u00c9 neste estado de coisas que o Espiritismo vem colocar um freio<\/p>\n<p>\tdissemina\u00e7\u00e3o da incredulidade, n\u00e3o somente pelo racioc\u00ednio e pelo alerta sobre os perigos que ela representa, mas por fatos materiais, que tornam tang\u00edveis e vis\u00edveis a alma e a vida futura.<br \/> Cada pessoa \u00e9 livre para acreditar em alguma coisa ou n\u00e3o acreditar em nada.<br \/> Mas aqueles que, apoiados em seus conhecimentos e ascend\u00eancia de posi\u00e7\u00e3o, procuram impor a ideia de nega\u00e7\u00e3o do futuro aos povos, principal-mente aos jovens, semeiam a perturba\u00e7\u00e3o e a dissolu\u00e7\u00e3o da sociedade, o que lhes acarreta uma grande responsabilidade.<\/p>\n<p>(2) Um jovem de 18 anos tinha uma doen\u00e7a card\u00edaca considerada incur\u00e1vel.<br \/> Os m\u00e9dicos disseram que ele poderia morrer em oito dias ou em dois anos, mas n\u00e3o viveria mais que isso.<br \/> Sabendo disso, deixou os estudos e se entregou a excessos de todos os tipos.<br \/> Quando algu\u00e9m lhe falava sobre o perigo de uma vida desregrada para sua situa\u00e7\u00e3o, ele respondia: que me importa? Eu s\u00f3 tenho dois anos para viver! De que adiantaria cansar meu Esp\u00edrito? Eu quero aproveitar o que me resta e me divertir at\u00e9 o fim.<br \/> Eis a consequ\u00eancia l\u00f3gica do niilismo.<br \/> Se este jovem fosse esp\u00edrita, diria: a morte s\u00f3 destruir\u00e1 meu corpo, que eu deixarei como uma roupa usada, mas meu Esp\u00edrito sempre viver\u00e1.<br \/> Eu serei, na minha vida futura, o que eu tiver feito de mim nesta vida aqui.<br \/> As qualidades morais e intelectuais que eu adquirir n\u00e3o ser\u00e3o perdidas, mas ser\u00e3o gahos para meu aperfei\u00e7oamento.<br \/> Toda a imperfei\u00e7\u00e3o de que eu me livrar ser\u00e1 um passo a mais, para a felicidade.<br \/> Minha felicidade ou infelicidade, no futuro, depender\u00e1 da utilidade ou inutilidade de minha exist\u00eancia presente.<br \/> \u00c9 de meu interesse aproveitar o pouco de tempo que me resta e evitar tudo o que poderia diminuir minhas for\u00e7as.<br \/> Qual dessas duas doutrinas \u00e9 prefer\u00edvel?<\/p>\n<p>(3) Nota da tradu\u00e7\u00e3o: Evidente refer\u00eancia \u00e0 doutrina Positivista, cujo principal representante \u00e9 Augus-to Comte (segunda metade do s\u00e9culo XIX).<br \/> Preconiza o uso da raz\u00e3o, da experi\u00eancia imediata, uma an\u00e1lise objetiva da experi\u00eancia.<br \/> Tenta enfatizar os m\u00e9todos da Ci\u00eancia para resolver os problemas da vida.<br \/> Materialista, quer eliminar toda experi\u00eancia metaf\u00edsica ou transcendental.<\/p>\n<p>\tH\u00e1 outra doutrina, que se considera n\u00e3o materialista porque admite a exist\u00eancia de um princ\u00edpio inteligente, fora da mat\u00e9ria, que seria o princ\u00edpio da absor\u00e7\u00e3o no todo universal.<br \/> Segundo essa doutrina, cada indiv\u00edduo, ao nascer, recebe uma parcela desse princ\u00edpio, que \u00e9 sua alma e que lhe d\u00e1 a vida, a intelig\u00eancia e o sentimento.<br \/> Quando morre, essa alma se reintegra ao foco de origem e se perde no infinito, como uma gota d\u2019\u00e1gua no oceano.<\/p>\n<p>Essa doutrina \u00e9, sem d\u00favida, um passo adiante, em rela\u00e7\u00e3o ao mate-rialismo puro, j\u00e1 que ela sup\u00f5e alguma coisa al\u00e9m da mat\u00e9ria, enquanto o outro nada admite.<br \/> Mas as consequ\u00eancias das duas doutrinas s\u00e3o iguais.<br \/> \u00c9 a mesma coisa para o homem mergulhar no nada ou em um reservat\u00f3rio comum.<br \/> No primeiro caso, ele \u00e9 aniquilado.<br \/> No segundo, ele perde a individualidade.<br \/> Nos dois casos \u00e9 como se ele n\u00e3o existisse e suas rela\u00e7\u00f5es sociais, como um todo, s\u00e3o rompidas para sempre.<br \/> O essencial para o homem \u00e9 manter o seu eu, sem o que n\u00e3o importa ser ou n\u00e3o ser! Ele n\u00e3o tem futuro e a \u00fanica coisa que lhe importa \u00e9 o presente.<br \/> As consequ\u00eancias morais desta doutrina tamb\u00e9m n\u00e3o s\u00e3o saud\u00e1veis, n\u00e3o proporcionam esperan\u00e7a e incitam ao mesmo ego\u00edsmo que a doutrina materialista.<\/p>\n<p>\tPode-se fazer outra obje\u00e7\u00e3o a essa doutrina: todas as gotas de um oceano s\u00e3o semelhantes, t\u00eam propriedades id\u00eanticas, como parte de um mesmo todo.<br \/> Por que, ent\u00e3o, as almas desse grande oceano universal s\u00e3o t\u00e3o diferentes? Por que o g\u00eanio ao lado da estupidez? As almas mais sublimes, ao lado das mais ign\u00f3beis? A bondade, a do\u00e7ura e a mansid\u00e3o, ao lado da maldade, da agressividade e da barb\u00e1rie? Como parte de um mesmo todo homog\u00eaneo, poderiam essas almas ser t\u00e3o diferentes entre si? Pode-se dizer que \u00e9 a educa\u00e7\u00e3o que as modifica? Mas, ent\u00e3o, de onde v\u00eam as intelig\u00eancias precoces, os instintos bons e os maus, indepen-dente de toda a educa\u00e7\u00e3o e frequentemente t\u00e3o pouco harm\u00f4nicos com o meio em que se desenvolvem?<\/p>\n<p>A educa\u00e7\u00e3o, sem d\u00favida, modifica as qualidades intelectuais e morais da alma.<br \/> E aqui se coloca outra quest\u00e3o: quem d\u00e1 a esta alma a educa\u00e7\u00e3o para progredir? Outras almas que, por sua origem comum, n\u00e3o estariam mais adiantadas que ela.<br \/> Por outro lado, a alma, ao se reintegrar ao todo universal que lhe deu origem, volta aperfei\u00e7oada.<br \/> Portanto, ao longo do tempo esse Todo seria profundamente modificado e melhorado.<br \/> Como ent\u00e3o continuaria a gerar almas ignorantes e perversas?<\/p>\n<p>\tSegundo essa doutrina, a fonte universal da intelig\u00eancia, que gera as almas humanas, \u00e9 independente da Divindade.<br \/> \u00c9 diferente do Pante\u00edsmo4.<br \/> O Pante\u00edsmo considera que o princ\u00edpio universal da vida e da intelig\u00eancia s\u00e3o partes da Divindade.<br \/> Deus \u00e9, ao mesmo tempo, Esp\u00edrito e mat\u00e9ria.<br \/> Todos os seres e todos os elementos da Natureza s\u00e3o as mol\u00e9culas e elementos constitutivos da Divindade.<br \/> Deus \u00e9 o conjunto de todas as intelig\u00eancias reunidas.<br \/> E o indiv\u00edduo, sendo parte deste todo, \u00e9 tamb\u00e9m Deus.<br \/> N\u00e3o h\u00e1 um ser superior e independente que comande o conjunto.<br \/> O Universo \u00e9 uma imensa rep\u00fablica sem chefe ou, melhor dizendo, onde cada um \u00e9 chefe, com poder absoluto.<\/p>\n<p>\tH\u00e1 v\u00e1rias obje\u00e7\u00f5es a esse sistema, por exemplo: a Divindade n\u00e3o podendo ser concebida sem infinita perfei\u00e7\u00e3o, como poderia ser formada de partes t\u00e3o imperfeitas, com necessidade de progresso? Se cada parte precisa de progresso, seu Deus tamb\u00e9m precisa progredir.<br \/> Se Ele progride sem cessar, no in\u00edcio dos tempos deve ter sido muito imperfeito.<br \/> Como um ser imperfeito, formado por vontades e ideias t\u00e3o divergentes, p\u00f4de conceber leis t\u00e3o harmoniosas, de uma unidade t\u00e3o admir\u00e1vel, de sabe-doria e previd\u00eancia que regem o Universo? Se todas as almas s\u00e3o partes da Divindade, todas elas participaram das leis da Natureza.<br \/> E como se queixam dessas leis que elas mesmas fizeram? Uma teoria s\u00f3 pode ser aceita como verdadeira, se satisfaz \u00e0 raz\u00e3o e leva em conta todos os fatos que ela abrange.<br \/> Se um s\u00f3 fato a contraria, ela n\u00e3o cont\u00e9m a verdade absoluta.<\/p>\n<p>\tDo ponto de vista moral, as consequ\u00eancias tamb\u00e9m n\u00e3o s\u00e3o l\u00f3gicas.<br \/> Primeiro, para as almas que, como no sistema precedente, perdem a individualidade, na absor\u00e7\u00e3o pelo todo.<br \/> Admite-se, como alguns pante\u00edstas, que elas conservam sua individualidade, Deus n\u00e3o tem uma vontade \u00fanica, pois ser\u00e1 um composto de mir\u00edades de vontades divergentes.<br \/> De resto, se cada alma \u00e9 parte integrante da Divindade, nenhuma \u00e9 dominada por uma for\u00e7a superior, n\u00e3o incorre, por consequ\u00eancia, em nenhuma responsabilidade por seus atos bons ou maus, n\u00e3o tem nenhum interesse em fazer o bem.<br \/> \u00c9 mestra soberana para fazer o mal impunemente.<\/p>\n<p>Nota da tradu\u00e7\u00e3o: Pante\u00edsmo (do grego: \u201cpan\u201d, todos, e \u201ctheos\u201d, deus, \u00e9 uma corrente filos\u00f3fica que defende a cren\u00e7a de que tudo \u00e9 divino.<br \/> N\u00e3o existe um \u00fanico Deus, mas tudo no Universo \u00e9 a mesma coisa, se confunde com Deus.<br \/> O Hindu\u00edsmo, entre outras religi\u00f5es, defende o Pante\u00edsmo.<\/p>\n<p>\tEstes sistemas n\u00e3o s\u00f3 n\u00e3o satisfazem a raz\u00e3o nem as aspira\u00e7\u00f5es do homem como tamb\u00e9m esbarram em dificuldades intranspon\u00edveis, conforme se v\u00ea, porque s\u00e3o impotentes para responder a todas as ques-t\u00f5es que de fato se colocam.<br \/> O homem, ent\u00e3o, tem tr\u00eas alternativas: o nada, a absor\u00e7\u00e3o ou a individualidade da alma, antes e ap\u00f3s a morte.<br \/> \u00c9 para esta \u00faltima cren\u00e7a que nos leva irresistivelmente a l\u00f3gica e que tamb\u00e9m \u00e9 a base de todas as religi\u00f5es, desde que o mundo existe.<\/p>\n<p>Se a l\u00f3gica nos conduz \u00e0 individualidade da alma, nos leva tamb\u00e9m a outra consequ\u00eancia: que o destino de cada alma deve depender de suas qualidades espec\u00edficas, porque seria irracional admitir que a alma atra-sada do homem selvagem ou do homem perverso estivesse no mesmo patamar que a do homem s\u00e1bio e a do homem bom.<br \/> Por justi\u00e7a, as almas devem ter a responsabilidade de seus atos.<br \/> Para que sejam respons\u00e1veis, preciso que sejam livres para escolher entre o bem e o mal.<br \/> Sem livre&#8211;arb\u00edtrio h\u00e1 fatalidade, e com a fatalidade n\u00e3o haveria responsabilidade.<\/p>\n<p>\tTodas as religi\u00f5es admitiram o princ\u00edpio do destino feliz ou infeliz das almas, ap\u00f3s a morte.<br \/> Ou seja, as penas e gozos futuros, que se resumem na doutrina do c\u00e9u e do inferno, encontrada em toda parte.<br \/> Mas a diferen\u00e7a essencial entre essas religi\u00f5es \u00e9 a natureza das penas e dos gozos e, sobretudo, quanto \u00e0s condi\u00e7\u00f5es que podem levar as almas a merecer umas e outras.<br \/> Quest\u00f5es contradit\u00f3rias de f\u00e9 deram origem a cultos diferentes, que impuseram deveres diferentes a seus seguidores, para honrar a Deus, como um meio de alcan\u00e7ar o c\u00e9u e evitar o inferno.<\/p>\n<p>\tTodas as religi\u00f5es se originaram de acordo com o grau de adianta-mento moral e intelectual dos homens: aqueles muito materialistas ainda, para entender o m\u00e9rito das coisas puramente espirituais, fizeram com que os deveres religiosos consistissem de cerim\u00f4nias exteriores.<br \/> Durante um tempo, essas cerim\u00f4nias bastaram para sua raz\u00e3o.<br \/> Mais tarde, ilumi-nando-se seus Esp\u00edritos, sentiram o vazio dessas condutas e, porque a religi\u00e3o n\u00e3o os satisfizesse, abandonaram-na e se tornaram fil\u00f3sofos.<\/p>\n<p> Se a religi\u00e3o, apropriada no princ\u00edpio aos conhecimentos limitados dos homens, tivesse sempre acompanhado o movimento progressivo do esp\u00ed-rito humano, n\u00e3o haveria incr\u00e9dulos porque \u00e9 da natureza humana a necessidade de acreditar e o homem acreditar\u00e1, se lhe for dado um alimento espiritual harm\u00f4nico com suas necessidades intelectuais.<br \/> Ele quer saber de onde vem e para onde vai.<br \/> Se lhe \u00e9 mostrado um fim que n\u00e3o responde nem \u00e0s suas aspira\u00e7\u00f5es nem \u00e0 ideia que ele faz de Deus, nem aos dado positivos que lhe fornece a Ci\u00eancia, e al\u00e9m do mais, se lhe s\u00e3o impostas condi\u00e7\u00f5es in\u00fateis, segundo sua raz\u00e3o, ele rejeitar\u00e1 o todo.<br \/> O materia-lismo e o pante\u00edsmo lhe parecer\u00e3o mais racionais porque discutem e raciocinam.<br \/> Racioc\u00ednio falso, \u00e9 verdade, mas ele prefere um racioc\u00ednio falso a nada raciocinar.<\/p>\n<p>Mas, se lhe \u00e9 apresentado um futuro com condi\u00e7\u00f5es l\u00f3gicas, com a completa grandeza, justi\u00e7a e infinita bondade de Deus, ele abandonar\u00e1 o materialismo e o pante\u00edsmo, dos quais vazio sente o vazio em seu foro \u00edntimo e que s\u00f3 aceitava porque n\u00e3o tinha algo melhor.<br \/> O Espiritismo oferece-lhe mais porque acolheu com carinho todos aqueles atormen-tados pela a dolorosa da d\u00favida e que n\u00e3o encontram o que procuram nem nas cren\u00e7as nem nas filosofias mais comuns.<br \/> Ele tem em si a l\u00f3gica do racioc\u00ednio e a confirma\u00e7\u00e3o dos fatos.<br \/> \u00c9 por isso que tem sido inutil-mente combatido.<\/p>\n<p> O homem tem a cren\u00e7a instintiva no futuro.<br \/> Por n\u00e3o ter at\u00e9 agora uma base certa para defini-lo, sua imagina\u00e7\u00e3o criou os sistemas que levaram a uma diversidade de cren\u00e7as.<br \/> A Doutrina Esp\u00edrita sobre o futuro, n\u00e3o sendo uma obra de imagina\u00e7\u00e3o mais ou menos enge-nhosamente concebida, mas, sim, o resultado da observa\u00e7\u00e3o dos fatos materiais que se desenvolvem hoje sob nossos olhos, reunir\u00e1 \u2013 como j\u00e1 faz hoje \u2013 as opini\u00f5es divergentes e vacilantes e atrair\u00e1, pouco a pouco, e pela for\u00e7a das coisas, a unidade da cren\u00e7a, que n\u00e3o ser\u00e1 mais baseada em uma hip\u00f3tese, mas em uma certeza.<br \/> A unifica\u00e7\u00e3o relativa ao destino futuro das almas ser\u00e1 o primeiro ponto de aproxima\u00e7\u00e3o entre os diferentes cultos, um passo enorme para a toler\u00e2ncia religiosa, de in\u00edcio, e mais tarde para a fus\u00e3o.<\/p>\n<p><\/p>\n<div class=\"pvc_clear\"><\/div>\n<p id=\"pvc_stats_15215\" class=\"pvc_stats all  \" data-element-id=\"15215\" style=\"\"><i class=\"pvc-stats-icon medium\" aria-hidden=\"true\"><svg aria-hidden=\"true\" focusable=\"false\" data-prefix=\"far\" data-icon=\"chart-bar\" role=\"img\" xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\" viewBox=\"0 0 512 512\" class=\"svg-inline--fa fa-chart-bar fa-w-16 fa-2x\"><path fill=\"currentColor\" d=\"M396.8 352h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8V108.8c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v230.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8zm-192 0h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8V140.8c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v198.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8zm96 0h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8V204.8c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v134.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8zM496 400H48V80c0-8.84-7.16-16-16-16H16C7.16 64 0 71.16 0 80v336c0 17.67 14.33 32 32 32h464c8.84 0 16-7.16 16-16v-16c0-8.84-7.16-16-16-16zm-387.2-48h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8v-70.4c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v70.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8z\" class=\"\"><\/path><\/svg><\/i> <img decoding=\"async\" width=\"16\" height=\"16\" alt=\"Loading\" data-src=\"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/wp-content\/plugins\/page-views-count\/ajax-loader-2x.gif\" border=0 src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" class=\"lazyload\" style=\"--smush-placeholder-width: 16px; --smush-placeholder-aspect-ratio: 16\/16;\" \/><\/p>\n<div class=\"pvc_clear\"><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>CAP\u00cdTULO I FUTURO E O NADA Vivemos, pensamos, agimos, o que \u00e9 muito bom. Mas \u00e9 certo tamb\u00e9m que morreremos. Deixando a Terra, aonde iremos? Em que nos transformaremos? Seremos melhores ou piores? Seremos n\u00f3s mesmos ou n\u00e3o? Ser ou n\u00e3o ser: vale a pena pensar que essa \u00e9 uma alternativa ser, para sempre ou&hellip; <br \/> <a class=\"read-more\" href=\"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/artigo15215\/\">Leia mais<\/a><\/p>\n<div class=\"pvc_clear\"><\/div>\n<p id=\"pvc_stats_15215\" class=\"pvc_stats all  \" data-element-id=\"15215\" style=\"\"><i class=\"pvc-stats-icon medium\" aria-hidden=\"true\"><svg aria-hidden=\"true\" focusable=\"false\" data-prefix=\"far\" data-icon=\"chart-bar\" role=\"img\" xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\" viewBox=\"0 0 512 512\" class=\"svg-inline--fa fa-chart-bar fa-w-16 fa-2x\"><path fill=\"currentColor\" d=\"M396.8 352h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8V108.8c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v230.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8zm-192 0h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8V140.8c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v198.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8zm96 0h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8V204.8c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v134.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8zM496 400H48V80c0-8.84-7.16-16-16-16H16C7.16 64 0 71.16 0 80v336c0 17.67 14.33 32 32 32h464c8.84 0 16-7.16 16-16v-16c0-8.84-7.16-16-16-16zm-387.2-48h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8v-70.4c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v70.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8z\" class=\"\"><\/path><\/svg><\/i> <img decoding=\"async\" width=\"16\" height=\"16\" alt=\"Loading\" data-src=\"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/wp-content\/plugins\/page-views-count\/ajax-loader-2x.gif\" border=0 src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" class=\"lazyload\" style=\"--smush-placeholder-width: 16px; --smush-placeholder-aspect-ratio: 16\/16;\" \/><\/p>\n<div class=\"pvc_clear\"><\/div>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[16],"tags":[],"class_list":["post-15215","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-mensagens-diversas"],"a3_pvc":{"activated":true,"total_views":2464,"today_views":0},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15215","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=15215"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15215\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=15215"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=15215"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=15215"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}