{"id":15216,"date":"2018-07-28T15:12:00","date_gmt":"2018-07-28T15:12:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/artigo15216\/"},"modified":"2018-07-28T15:34:04","modified_gmt":"2018-07-28T18:34:04","slug":"artigo15216","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/artigo15216\/","title":{"rendered":"Livro O que \u00e9 o Espiritismo &#8211; Cap\u00edtulo I &#8211;  PRIMEIRO DI\u00c1LOGO: O CR\u00cdTICO &#8211; Allan Kardec"},"content":{"rendered":"<p>PRIMEIRO DI\u00c1LOGO: O CR\u00cdTICO<\/p>\n<p>Visitante\u2014 Digo-lhe, senhor, que minha raz\u00e3o se recusa a admitir a realidade dos fen\u00f3menos extraordin\u00e1rios atribu\u00eddos aos Esp\u00edritos que, estou persuadido, existem apenas na imagina\u00e7\u00e3o.<br \/> Entretanto, temos que nos inclinar ante \u00e0 evid\u00eancia; e isso eu faria se tivesse provas incontest\u00e1veis.<br \/> Venho, pois, solicitar de sua bondade a permiss\u00e3o para assistir, n\u00e3o desejando tornar-me indiscreto, pelo menos a uma ou duas experi\u00eancias que me convencessem, se isso for poss\u00edvel.<\/p>\n<p>Allan Kardec.<br \/> \u2014 Caro senhor: se a sua raz\u00e3o se recusa a admitir o que n\u00f3s consideramos fatos irrecus\u00e1veis, \u00e9 que o senhor considera a sua raz\u00e3o superior \u00e0 de todas as outras pessoas que n\u00e3o participam de suas opini\u00f5es.<br \/> N\u00e3o duvido absolutamente de seus m\u00e9ritos e nem tenho a pretens\u00e3o de al\u00e7ar minha intelig\u00eancia acima da sua.<br \/> Admita, pois, que eu esteja errado, pois \u00e9 a raz\u00e3o quem lhe fala, e paremos por aqui.<\/p>\n<p>V.<br \/> \u2014 Entretanto, se o senhor chegasse a convencer-me, a mim que sou conhecido como um antagonista de suas ideias, isso constituiria um milagre favorabil\u00edssimo \u00e0 sua causa.<\/p>\n<p>A.<br \/>K.<br \/> \u2014 Lamento-o; mas n\u00e3o possuo o dom de fazer milagres.<br \/> O senhor pensa que uma ou duas sess\u00f5es ser\u00e3o suficientes para o convencer? Isso seria, efetivamente, um verdadeiro prod\u00edgio.<br \/> Foi-me preciso mais de um ano de trabalhos para me convencer a mim mesmo, o que pode provar que, se hoje creio, a isso n\u00e3o cheguei levianamente.<br \/> Ademais, n\u00e3o organizo sess\u00f5es; e, ao que parece, o senhor se engana quanto ao objetivo de nossas reuni\u00f5es, de vez que n\u00e3o fazemos experi\u00eancias tendo em vista satisfazer \u00e0 curiosidade de quem quer que seja.<\/p>\n<p>V.<br \/> \u2014 Quer dizer, ent\u00e3o, que n\u00e3o se importa de fazer pros\u00e9litos?<\/p>\n<p>A.<br \/>K.<br \/> \u2014 Por que, pois, desejaria eu fazer do senhor um pros\u00e9lito, quando o senhor mesmo n\u00e3o deseja s\u00ea-lo? N\u00e3o for\u00e7o quaisquer convic\u00e7\u00f5es.<br \/> Quando encontro pessoas sinceramente desejosas de se instru\u00edrem e que me d\u00e3o o prazer de solicitar esclarecimentos, torna-se-me uma satisfa\u00e7\u00e3o e um dever responder-lhes nos limites de meus conhecimentos.<br \/> Quanto aos antagonistas, por\u00e9m, que como o senhor t\u00eam convic\u00e7\u00f5es arraigadas, n\u00e3o dou um passo para os desviar, mesmo porque o n\u00famero dos que encontro bem preparados \u00e9 consider\u00e1vel; e isso me dispensa de perder tempo com os que n\u00e3o o est\u00e3o.<br \/> A convic\u00e7\u00e3o vir\u00e1, cedo ou tarde, pela for\u00e7a mesma das coisas; e os mais incr\u00e9dulos ser\u00e3o arrastados pela correnteza.<br \/> Neste momento, uns partid\u00e1rios a mais ou a menos n\u00e3o pesam na balan\u00e7a.<br \/> Eis porque jamais serei visto preocupado em atrair \u00e0s nossas ideias aqueles que t\u00eam t\u00e3o boas raz\u00f5es, quanto o senhor, para se distanciarem delas.<\/p>\n<p>V.<br \/> \u2014 H\u00e1, n\u00e3o obstante, mais interesse em me convencer do que o senhor imagina.<br \/> Permita que eu me explique com franqueza e prometa n\u00e3o se ofender com minhas palavras.<br \/> Eis as minhas ideias sobre a coisa em si, e n\u00e3o sobre a quem me dirijo.<br \/> \u00c9 \u00f3bvio que posso respeitar a pessoa sem participar das suas opini\u00f5es.<\/p>\n<p>A.<br \/>K.<br \/> \u2014 O Espiritismo ensinou-me a dar pouco valor \u00e0s mesquinhas suscetibilidades do amor pr\u00f3prio, a n\u00e3o me ofender com palavras.<br \/> Se as suas ultrapassarem os limites da urbanidade e das conveni\u00eancias, concluirei, apenas, que o senhor \u00e9 um homem mal educado: s\u00f3 isso.<br \/> Quanto a mim, prefiro deixar nas pessoas os seus defeitos, a partilhar deles.<br \/> Observe, s\u00f3 por isso, que o Espiritismo, afinal de contas, serve para alguma coisa.<br \/> Repito-lhe, senhor: n\u00e3o tenho absolutamente a pretens\u00e3o de o fazer participar de minhas opini\u00f5es.<br \/> Respeito a sua, se for sincera, assim como desejo que respeitem a minha.<br \/> Mas, considerando o Espiritismo um sonho absurdo, naturalmente, ao se encaminhar para minha casa, o senhor dizia de si para si:  Vamos ver esse louco!  Confesse-o francamente: n\u00e3o me zangarei por isso.<br \/> Todos os esp\u00edritas s\u00e3o loucos; isso \u00e9 coisa convencional.<br \/> Pois muito bem! O senhor considera tudo isso como uma doen\u00e7a mental e eu sinto um certo escr\u00fapulo, confirmando seu ju\u00edzo, e me espanto de que, com tal pensamento, tivesse vindo adquirir uma convic\u00e7\u00e3o que o incluiria no n\u00famero dos loucos.<br \/> Estando persuadido, de antem\u00e3o, da impossibilidade de ser convencido, o senhor deu um passo in\u00fatil, pois s\u00f3 tem por finalidade satisfazer uma curiosidade.<br \/> Sejamos breves, pois; eu lhe pe\u00e7o.<br \/> N\u00e3o tenho tempo a perder em conversas sem objetivo.<\/p>\n<p>V.<br \/> \u2014 Podemos nos iludir e nos enganar, sem que por isso sejamos loucos!<\/p>\n<p>A.<br \/>K.<br \/> \u2014 Fale sem rodeios.<br \/> O senhor insinua, como tantos outros, que isto \u00e9 uma novidade de curta dura\u00e7\u00e3o.<br \/> Mas \u00e9 preciso convir que uma novidade, que em alguns anos fez milh\u00f5es de pros\u00e9litos em todos os pa\u00edses, que conta, entre seus adeptos, s\u00e1bios de toda ordem, que se difunde de prefer\u00eancia entre as classes cultas, \u00e9 uma singular mania digna de ser examinada.<\/p>\n<p>V.<br \/> \u2014 Tenho minhas ideias a respeito, \u00e9 certo; mas n\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o firmes que n\u00e3o possam ser sacrificadas \u00e0 evid\u00eancia.<br \/> Disse-lhe que o senhor teria um certo interesse em convencer-me.<br \/> Confesso que tenho em vista publicar um livro no qual me proponho demonstrar, ex professo, aquilo que considero um erro.<br \/> Como esse livro dever\u00e1 ter grande alcance e, ao que suponho, abrir uma brecha no Espiritismo, n\u00e3o o publicaria se chegasse a ser convencido.<\/p>\n<p>A.<br \/>K.<br \/> \u2014 Eu me sentiria desolado, senhor, se o privasse dos benef\u00edcios de um livro que deve ter tamanha transcend\u00eancia.<br \/> Ali\u00e1s, n\u00e3o tenho interesse em sustar-lhe a publica\u00e7\u00e3o.<br \/> Muito pelo contr\u00e1rio, auguro-lhe uma grande popularidade, principalmente porque o mesmo nos servir\u00e1 de prospecto e de an\u00fancio.<br \/> O que \u00e9 atacado, via de regra, desperta a aten\u00e7\u00e3o.<br \/> In\u00fameras pessoas desejam conhecer os pr\u00f3s e os contras e a cr\u00edtica as leva a conhecer, por si mesmas, coisas que n\u00e3o supunham existissem na quest\u00e3o.<br \/> \u00c9 assim que, muitas vezes, e sem querer, faz-se reclame do que se tinha em mente combater.<br \/> A quest\u00e3o dos Esp\u00edritos \u00e9, por outro lado, cheia de palpitantes interesses; agu\u00e7a a curiosidade a tal ponto, que basta chamar a aten\u00e7\u00e3o, para provocar o desejo de aprofund\u00e1-la (Nos tempos que se seguiram a este di\u00e1logo, escrito em 1859, a experi\u00eancia demonstrou de sobejo a justeza da afirmativa).<\/p>\n<p>V.<br \/> \u2014 Dessa maneira a cr\u00edtica, na sua opini\u00e3o, \u00e9 in\u00fatil.<br \/> A opini\u00e3o p\u00fablica n\u00e3o vale nada?<\/p>\n<p>A.<br \/>K.<br \/> \u2014 N\u00e3o considero a cr\u00edtica como express\u00e3o da opini\u00e3o p\u00fablica, mas como opini\u00e3o pessoal, pass\u00edvel de engano.<br \/> Consulte a hist\u00f3ria e observe quantas obras primas sofreram cr\u00edticas, quando de seu lan\u00e7amento; entretanto, n\u00e3o deixaram de ser aut\u00eanticas obras primas.<br \/> Se uma coisa for m\u00e1, todos os elogios poss\u00edveis n\u00e3o chegar\u00e3o a torn\u00e1-la boa.<br \/> Se o Espiritismo \u00e9 um erro, destruir-se-\u00e1 por si mesmo; se \u00e9 uma verdade, todas as diatribes imagin\u00e1veis n\u00e3o o transformar\u00e3o em mentira.<br \/> Seu livro ser\u00e1 uma aprecia\u00e7\u00e3o pessoal, o seu ponto de vista: \u2014 a verdadeira opini\u00e3o p\u00fablica decidir\u00e1 se \u00e9 exato.<br \/> Para isso desejar\u00e3o ver a coisa em si.<br \/> E se mais tarde reconhecerem que ouve engano da sua parte, seu livro tornar-se-\u00e1 t\u00e3o rid\u00edculo, quanto os outros que foram publicados, n\u00e3o h\u00e1 muito tempo, contra a teoria da circula\u00e7\u00e3o do sangue, da vacina, etc.<\/p>\n<p>Eu me esquecia, entretanto, de que o senhor vai tratar a quest\u00e3o ex professo, o que equivale a dizer que a estudou sob todos os aspectos; que j\u00e1 viu tudo o que se pode ver; leu tudo o que foi escrito sobre a mat\u00e9ria; analisou e comparou as diferentes opini\u00f5es; que esteve nas mais favor\u00e1veis condi\u00e7\u00f5es de observa\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria; que dedicou ao assunto suas vig\u00edlias durante anos inteiros; numa palavra: que n\u00e3o negligenciou absolutamente nada para chegar \u00e0 constata\u00e7\u00e3o da verdade.<br \/> Sou levado a acreditar que tal se tenha dado porque o senhor \u00e9 um homem sensato, e, tamb\u00e9m, porque s\u00f3 os que passaram por tudo isso t\u00eam direito de dizer que falam com conhecimento de causa.<\/p>\n<p>Que pensaria de um homem que se erigisse em cr\u00edtico de obra liter\u00e1ria, sem conhecer literatura; de um quadro, sem ter estudado pintura? \u00c9 princ\u00edpio elementar de l\u00f3gica que o cr\u00edtico deve conhecer, n\u00e3o superficialmente, mas a fundo, aquilo que comenta.<br \/> De outra maneira, sua opini\u00e3o se torna destitu\u00edda de valor.<br \/> Para combater um c\u00e1lculo, \u00e9 preciso opor-se-lhe outro c\u00e1lculo; mas para isso \u00e9 preciso saber calcular.<br \/> O cr\u00edtico n\u00e3o pode limitar-se a dizer que determinada coisa \u00e9 boa ou m\u00e1.<br \/> \u00c9 mister que justifique sua opini\u00e3o por uma demonstra\u00e7\u00e3o clara e categ\u00f3rica, baseada nos pr\u00f3prios princ\u00edpios da arte ou da ci\u00eancia.<br \/> E como poder\u00e1 faz\u00ea-lo se ignorar esses princ\u00edpios? Poderia o senhor apreciar as qualidades e os defeitos de uma m\u00e1quina, se n\u00e3o sabe mec\u00e2nica? N\u00e3o! Pois muito bem! Sua opini\u00e3o sobre o Espiritismo, desde que o senhor o desconhecesse, n\u00e3o teria maior valor que a opini\u00e3o emitida sobre a m\u00e1quina.<br \/> Seria a cada instante apanhado em flagrante delito de ignor\u00e2ncia, pois os que estudaram a mat\u00e9ria veriam imediatamente que o senhor estava alheio \u00e0 quest\u00e3o e da\u00ed conclu\u00edram que o senhor n\u00e3o tem responsabilidade, ou que age de m\u00e1 f\u00e9.<br \/> Num e outro caso estaria exposto a receber desmentidos pouco lisongeiros ao seu amor pr\u00f3prio.<\/p>\n<p>V, \u2014 Precisamente para evitar esse risco vim pedir-lhe que me permita assistir a algumas experi\u00eancias.<\/p>\n<p>A.<br \/>K.<br \/> \u2014 E o senhor pensa que s\u00f3 isso basta para falar ex professo do Espiritismo? Como poderia compreender essas experi\u00eancias, julg\u00e1-las \u00e0 luz da raz\u00e3o, se n\u00e3o estudou os princ\u00edpios que lhes servem de base? Como poderia apreciar o resultado satisfat\u00f3rio de ensaios metal\u00fargicos, por exemplo, se n\u00e3o conhecesse a metalurgia a fundo? Permita-me dizer-lhe, senhor, que seu projeto \u00e9 absolutamente id\u00eantico ao de quem, ignorando Matem\u00e1tica e Astronomia, se dirigisse a um desses chefes de observat\u00f3rio, dizendo:  Senhor, desejo escrever um livro sobre Astronomia, provando que o vosso sistema \u00e9 falso.<br \/> Como, por\u00e9m, ignoro os rudimentos dessa ci\u00eancia, deixai que por uma ou duas vezes eu olhe atrav\u00e9s dos vossos telesc\u00f3pios; isso me bastar\u00e1 para ficar sabendo tanto quanto v\u00f3s .<\/p>\n<p>Apenas por extens\u00e3o, a palavra cr\u00edtica pode ser considerada sin\u00f3nimo de censura.<br \/> Em sua acep\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria e segundo a etimologia, o termo cr\u00edtica significa julgar, apreciar.<br \/> A cr\u00edtica pode, pois, ser aprobativa ou desaprobativa.<br \/> Fazer a cr\u00edtica de um livro n\u00e3o \u00e9 necessariamente conden\u00e1-lo.<br \/> Aquele que empreende essa tarefa n\u00e3o deve faz\u00ea-lo com ideias preconcebidas.<br \/> Se, por\u00e9m, antes de abrir o livro, j\u00e1 o condena mentalmente, o exame feito n\u00e3o pode ser considerado imparcial.<\/p>\n<p>Em semelhante caso enquadram-se em maioria as pessoas que falam do Espiritismo.<br \/> S\u00f3 pelo nome formam uma opini\u00e3o, e procedem como o juiz que proferisse uma senten\u00e7a sem se dar ao trabalho de examinar os autos do processo.<br \/> Disso tem resultado que o julgamento descamba para a farsa e, em vez de persuadir, provoca riso.<br \/> Quanto aos que levaram o estudo da quest\u00e3o a s\u00e9rio, em sua maioria mudaram de opini\u00e3o; e mais de um advers\u00e1rio tornou-se partid\u00e1rio, ao constatar que se tratava de coisa inteiramente diversa do que julgava.<\/p>\n<p>V.<br \/> \u2014 O senhor fala do exame de livros, em geral.<br \/> Acredita que seja materialmente poss\u00edvel a um jornalista, ler e estudar todos os que lhe passam pelas m\u00e3os, sobretudo quando tratam de teorias novas, que demandariam de sua parte uma verifica\u00e7\u00e3o aprofundada? Equivaleria a exigir de um impressor que lesse todas as obras sa\u00eddas de seus prelos.<\/p>\n<p>A.<br \/>K.<br \/> \u2014 A t\u00e3o criterioso racioc\u00ednio n\u00e3o tenho mais nada a responder sen\u00e3o que, quando n\u00e3o se tem tempo para fazer uma coisa conscienciosamente, \u00e9 melhor n\u00e3o se meter com ela.<br \/> \u00c9 prefer\u00edvel fazer-se uma s\u00f3 boa, do que dez m\u00e1s.<\/p>\n<p>V.<br \/> \u2014 N\u00e3o pense, entretanto, que minha opini\u00e3o seja fruto de leviandade.<br \/> Vi mesas girarem, ouvi pancadas, observei pessoas que escreviam, conforme asseguravam, sob influ\u00eancia dos Esp\u00edritos.<br \/> Mas estou convencido de que havia charlatanismo nisso tudo.<\/p>\n<p>A.<br \/>K.<br \/> \u2014 E quanto o senhor pagou para apreciar tudo isso?<\/p>\n<p>V.<br \/> \u2014 Coisa nenhuma, naturalmente.<\/p>\n<p>A.<br \/>K.<br \/> \u2014 Eis aqui, ent\u00e3o, charlat\u00e3es de uma esp\u00e9cie singular e que reabilitar\u00e3o este nome.<br \/> At\u00e9 o presente n\u00e3o se tinha visto ainda charlat\u00e3es desinteressados.<br \/> Se um certo p\u00e2ndego de mau gosto divertiu-se certa feita e ocasionalmente, com essas manifesta\u00e7\u00f5es, seguir-se-\u00e1 da\u00ed, for\u00e7osamente, que todas as outras pessoas sejam embusteiras? Ademais, a troco de qu\u00ea tornar-se-iam c\u00famplices de uma mistifica\u00e7\u00e3o? Para divertir a sociedade, dir\u00e1 o senhor.<br \/> Admito que uma vez se preste algu\u00e9m a um brinquedo.<br \/> Mas se uma brincadeira se prolonga por meses e anos \u00e9 que, penso eu, o mistificador est\u00e1 sendo mistificado.<br \/> \u00c9 conceb\u00edvel que, pelo simples prazer de fazer os outros acreditarem numa coisa que sabe ser falsa, se imobilize uma pessoa horas inteiras, sobre uma mesa? O prazer n\u00e3o pagaria o trabalho.<\/p>\n<p>Antes de concluir pela fraude, \u00e9 preciso, de in\u00edcio, perguntar-se a si mesmo que interesse pode haver na trapa\u00e7a.<br \/> Ora, o senhor concordar\u00e1 que existem posi\u00e7\u00f5es sociais que excluem toda suposi\u00e7\u00e3o de embuste; pessoas cujo car\u00e1ter, por si s\u00f3, constitui garantia de probidade.<\/p>\n<p>Coisa diversa seria se se tratasse de uma especula\u00e7\u00e3o, pois a gan\u00e2ncia \u00e9 m\u00e1 conselheira.<br \/> Admitindo-se, por\u00e9m, que neste \u00faltimo caso uma manobra fraudulenta seja positivamente constatada, o fato nada prova contra a realidade do princ\u00edpio.<br \/> Basta levar-se em conta que tudo \u00e9 pass\u00edvel de abuso.<br \/> Porque se vendem vinhos falsificados, n\u00e3o se pode concluir que n\u00e3o exista vinho verdadeiro.<br \/> O Espiritismo n\u00e3o \u00e9 mais respons\u00e1vel p\u00ealos atos daqueles que abusam de seu nome, explorando-o, do que a ci\u00eancia m\u00e9dica o \u00e9 p\u00ealos atos dos charlat\u00e3es que impingem drogas, ou a religi\u00e3o p\u00ealos atos dos sacerdotes que abusam de seu minist\u00e9rio.<\/p>\n<p>O Espiritismo, por ser coisa recente, e por sua pr\u00f3pria natureza, presta-se aos abusos.<br \/> Ele, por\u00e9m, forneceu os meios de os reconhecer, deixando claramente definido o seu verdadeiro car\u00e1ter, negando toda solidariedade aos que o exploram ou o desviam do seu objetivo exclusivamente moral, para o transformar em of\u00edcio, em instrumento de adivinha\u00e7\u00e3o ou de f\u00fateis investigadores.<\/p>\n<p>Uma vez que o pr\u00f3prio Espiritismo tra\u00e7a os limites em que se fecha, define o que prescreve e o que n\u00e3o prescreve, o que pode fazer e o que n\u00e3o pode fazer, o que est\u00e1 ou n\u00e3o est\u00e1 em suas atribui\u00e7\u00f5es, o que aceita e o que repudia, errados est\u00e3o os que n\u00e3o se d\u00e3o ao trabalho de estud\u00e1-lo e o julgam pelas apar\u00eancias, pois, topando saltimbancos disfar\u00e7ados em esp\u00edritas, para atra\u00edrem os transeuntes, dir\u00e3o gravemente:  Eis o que \u00e9 o Espiritismo .<\/p>\n<p>Afinal de contas, sobre quem recai o rid\u00edculo? N\u00e3o \u00e9 sobre o saltimbanco, que est\u00e1 no seu of\u00edcio, nem sobre o Espiritismo, cuja doutrina te\u00f3rica desmente semelhantes asser\u00e7\u00f5es, mas exatamente sobre os cr\u00edticos pretensiosos, que falam daquilo que n\u00e3o sabem ou que, sabendo, adulteram a verdade.<br \/> Os que atribuem ao Espiritismo o que \u00e9 contr\u00e1rio \u00e0 sua pr\u00f3pria ess\u00eancia, ou o fazem por ignor\u00e2ncia ou intencionalmente.<br \/> No primeiro caso existe leviandade; no segundo existe m\u00e1 f\u00e9.<br \/> Neste \u00faltimo caso agem como certos historiadores que adulteram os fatos hist\u00f3ricos no interesse de um partido pol\u00edtico ou de uma opini\u00e3o.<br \/> Com o emprego de semelhantes meios, ami\u00fade o partido se desacredita e n\u00e3o atinge o seu objetivo.<\/p>\n<p>Note bem, senhor, que eu n\u00e3o pretendo que a cr\u00edtica deva, necessariamente aprovar nossas ideias, mesmo depois de as ter estudado.<br \/> N\u00e3o nos revoltamos absolutamente contar os que n\u00e3o pensam como n\u00f3s.<br \/> Aquilo que se nos torna evidente pode n\u00e3o se afigurar tal a outras pessoas.<br \/> Cada um julga as coisas do seu ponto de vista; do fato mais positivo nem todos deduzem id\u00eanticas consequ\u00eancias.<br \/> Se, por exemplo, um pintor p\u00f5e no seu quadro um cavalo branco, algu\u00e9m poder\u00e1 dizer que produz um mau efeito e que um cavalo preto ficaria muito melhor.<br \/> Seria erro, entretanto, dizer que, sendo preto, o cavalo \u00e9 branco.<br \/> \u00c9 o que faz a maior parte dos nossos advers\u00e1rios.<\/p>\n<p>Em suma, cada qual \u00e9 perfeitamente livre de aprovar ou desaprovar os princ\u00edpios do Espiritismo, de deduzir deles as consequ\u00eancias boas ou m\u00e1s que lhe aprouverem.<br \/> Mas a consci\u00eancia imp\u00f5e um dever a todo cr\u00edtico honesto: o dever de n\u00e3o dizer o contr\u00e1rio daquilo que realmente \u00e9.<br \/> Ora, para isso, a primeira condi\u00e7\u00e3o \u00e9 calar sobre o que ignora.<\/p>\n<p>V.<br \/> \u2014 Eu lhe pe\u00e7o para voltarmos \u00e0s suas mesas que se movem e falam.<br \/> N\u00e3o poderia acontecer que fossem preparadas de antem\u00e3o?<\/p>\n<p>A.<br \/>K.<br \/> \u2014 \u00c9 sempre a quest\u00e3o de boa f\u00e9, \u00e0 qual j\u00e1 dei resposta.<br \/> Quando um embuste for averiguado, eu o chamarei para seu exame.<br \/> Se encontrar fatos constatados, de fraude, de charlatanismo, de explora\u00e7\u00e3o ou de abuso de confian\u00e7a, entregarei os culpados ao seu a\u00e7oite, declarando-lhes antes que n\u00e3o lhes tomarei a defesa, pois o Espiritismo verdadeiro ser\u00e1 o primeiro a repudi\u00e1-los, porque acusar os abusos \u00e9 ajudar a evit\u00e1-los e prestar um servi\u00e7o \u00e0 doutrina.<br \/> Mas generalizar semelhantes acusa\u00e7\u00f5es, lan\u00e7ar sobre um certo n\u00famero de pessoas respeit\u00e1veis a pecha que merecem determinados indiv\u00edduos isolados \u00e9 um abuso e, de certo modo, uma cal\u00fania.<\/p>\n<p>Admitindo, como o senhor sup\u00f5e, que as mesas estivessem preparadas, fora preciso um mecanismo assaz engenhoso para executar movimentos e ruidos t\u00e3o variados.<br \/> Como, ent\u00e3o n\u00e3o se conhece ainda o nome do h\u00e1bil art\u00edfice que os confecciona? <\/p>\n<p>Ele deveria, entretanto, desfrutar de uma grande celebridade, visto que seus aparelhos est\u00e3o espalhados pelas cinco partes do mundo.<br \/> \u00c9 preciso tamb\u00e9m convir que o processo \u00e9 terrivelmente engenhoso, uma vez que pode adaptar-se \u00e0 primeira mesa que se tenha \u00e0 m\u00e3o, sem que fiquem quaisquer tra\u00e7os exteriores.<br \/> Por que ser\u00e1 que, desde Tertuliano, que j\u00e1 andava \u00e0s voltas com as mesas girantes e falantes, at\u00e9 a atualidade, jamais algu\u00e9m conseguiu v\u00ea-lo ou descrev\u00ea-lo?<\/p>\n<p>V.<br \/> \u2014 Nisso o senhor se engana.<br \/> Um c\u00e9lebre cirurgi\u00e3o constatou que certas pessoas podem, pela contra\u00e7\u00e3o de um m\u00fasculo da perna, produzir um ru\u00eddo semelhante ao que se atribui \u00e0 mesa.<br \/> Da\u00ed ele conclui que os m\u00e9diuns divertem-se \u00e0 custa da credulidade.<\/p>\n<p>A.<br \/>K.<br \/> \u2014 Ent\u00e3o, se \u00e9 um estalido do m\u00fasculo n\u00e3o \u00e9 a mesa que est\u00e1 preparada.<br \/> Se cada um explica esse pretenso embuste \u00e0 sua maneira, isso constitui a prova mais evidente de que desconhecem a verdadeira causa.<\/p>\n<p>Respeito a compet\u00eancia desse eminente facultativo, mas a aplica\u00e7\u00e3o, \u00e0s mesas falantes, do fato assinalado por ele, apresenta-se-me com certas dificuldades.<br \/> Primeiramente, acho singular que essa faculdade, at\u00e9 o presente excepcional e observada como um caso patol\u00f3gico, tenha-se tornado subitamente t\u00e3o comum.<br \/> Depois, \u00e9 preciso ter-se uma renitente vontade de mistificar, para ficar castanho-lando um m\u00fasculo durante duas ou tr\u00eas horas seguidas, sem que isso resulte dor e cansa\u00e7o.<br \/> Afora isso, n\u00e3o posso compreender como \u00e9 que o referido m\u00fasculo entra em contato com portas e paredes, nas quais se fazem ouvir os golpes.<br \/> Minha quarta raz\u00e3o, finalmente, \u00e9 que \u00e9 necess\u00e1rio emprestar a esse m\u00fasculo uma propriedade maravilhosa, qual a de p\u00f4r em movimento uma mesa pesada, suspend\u00ea-la, abri-la, fech\u00e1-la, mante-la no ar sem ponto de apoio e, por fim, despeda\u00e7\u00e1-la deixando-a cair.<br \/> Certamente ningu\u00e9m desconfiava que esse m\u00fasculo possu\u00edsse tanta for\u00e7a.<br \/> (Revue Spirite, Junho de 1859, p\u00e1g.<br \/> 141: L\u00ea muscle craqueur).<\/p>\n<p>O c\u00e9lebre cirurgi\u00e3o de que o senhor fala ter\u00e1 estudado o fen\u00f3meno da tiptologia naqueles que o produzem? N\u00e3o! Observou um efeito fisiol\u00f3gico anormal em certos indiv\u00edduos que jamais se ocuparam com as mesas girantes, efeito esse que tem certa analogia com os ru\u00eddos nelas produzidos e, sern maior exame, concluiu, com toda a autoridade da sua ci\u00eancia, que todas as pessoas que fazem as mesas falar devem ter a propriedade de fazer estalar o m\u00fasculo curto-per\u00f4nio e que n\u00e3o passam de embusteiros, quer sejam pr\u00edncipes quer oper\u00e1rios; quer recebam pagamento, quer n\u00e3o o recebam.<br \/> Ter\u00e1 entretanto, ao menos, estudado o fen\u00f3meno da tiptologia em todas as suas fases? Ter\u00e1 verificado se, com o aux\u00edlio do estalido muscular, \u00e9 poss\u00edvel produzir todos os efeitos tiptol\u00f3gicos? N\u00e3o, \u00e9 l\u00f3gico; pois de outro modo ter-se-ia convencido da insufici\u00eancia do processo.<br \/> Mas isso n\u00e3o o impediu de apresentar, de proclamar sua descoberta em pleno Instituto.<br \/> Para um homem de ci\u00eancia n\u00e3o ser\u00e1 um julgamento demasiado apressado? E quem ainda pensa assim, hoje em dia? Confesso que se tivesse de sofrer uma interven\u00e7\u00e3o cir\u00fargica, hesitaria bastante em confiar nesse especialista, temeroso de que diagnosticasse o meu caso com t\u00e3o minguada perspic\u00e1cia.<\/p>\n<p>J\u00e1 que esse ju\u00edzo parece ser uma das autoridades sobre as quais o senhor se apoia para abrir uma brecha no Espiritismo, fico inteirado da for\u00e7a dos outros argumentos que apresentar\u00e1, caso n\u00e3o os tenha buscado em fontes mais autorizadas.<\/p>\n<p>V.<br \/> \u2014 O senhor n\u00e3o negar\u00e1, entretanto, que as mesas girantes j\u00e1 sa\u00edram de moda.<br \/> Durante certo tempo fizeram furor: hoje delas ningu\u00e9m se ocupa.<br \/> Por que, se se trata de coisa t\u00e3o s\u00e9ria?<\/p>\n<p>A.<br \/> K.<br \/> \u2014 Porque as mesas girantes foram o ponto de partida de uma coisa mais s\u00e9ria ainda.<br \/> Delas saiu toda uma ci\u00eancia, toda uma doutrina filos\u00f3fica, do maior interesse para os pensadores.<br \/> Quando estes esgotaram a fonte de observa\u00e7\u00f5es das mesas em movimento, delas n\u00e3o se ocuparam mais.<br \/> Para as pessoas f\u00fateis, que n\u00e3o se importam em aprofundar as coisas, o fen\u00f3meno era um passatempo, um divertimento que abandonaram quando se aborreceram dele.<br \/> Essas pessoas s\u00e3o um ponto morto na ci\u00eancia.<br \/> O per\u00edodo de curiosidade teve o seu tempo.<br \/> Sucede-o o da observa\u00e7\u00e3o.<br \/> O Espiritismo passou ent\u00e3o ao dom\u00ednio de indiv\u00edduos criteriosos, que nele n\u00e3o encontraram motivo de divertimento, mas de instru\u00e7\u00e3o.<br \/> Tamb\u00e9m essas pessoas, que o consideram coisa s\u00e9ria, n\u00e3o se prestam a quaisquer experi\u00eancias visando satisfazer \u00e0 curiosidade e, menos ainda, destinadas \u00e0 observa\u00e7\u00e3o de pessoas movidas por inten\u00e7\u00f5es hostis.<br \/> Como eles pr\u00f3prios n\u00e3o se divertem, n\u00e3o procuram divertir os outros.<br \/> Eu perten\u00e7o a esse n\u00famero.<\/p>\n<p>V.<br \/> \u2014 Entretanto, s\u00f3 a experi\u00eancia pode convencer mesmo aqueles que de come\u00e7o eram movidos pela curiosidade.<br \/> Se o senhor trabalha exclusivamente em presen\u00e7a de pessoas convictas, permita que lhe diga que faz pr\u00e9dica a convertidos.<\/p>\n<p>A.<br \/>K.<br \/> \u2014 Uma coisa \u00e9 estar convencido e outra estar disposto a ser convencido.<br \/> A estes \u00faltimos \u00e9 que me dedico e n\u00e3o aos que julgam rebaixar sua capacidade de racioc\u00ednio, vindo escutar o que classificam de fantasias.<br \/> Com estes n\u00e3o me preocupo, absolutamente.<br \/> Quanto aos que dizem ter o mais sincero desejo de se esclarecerem, a melhor maneira que t\u00eam de o provar \u00e9 demonstrar perseveran\u00e7a.<br \/> Reconhecemo-los, n\u00e3o pelo desejo de assistir a uma ou duas sess\u00f5es, mas pelo desejo sincero de trabalhar.<\/p>\n<p>A convic\u00e7\u00e3o s\u00f3 se adquire com o tempo, atrav\u00e9s de uma s\u00e9rie de observa\u00e7\u00f5es feitas com zelo todo especial.<br \/> Os fen\u00f3menos esp\u00edritas diferem essencialmente dos que se nos apresentam nas ci\u00eancias exatas: n\u00e3o se produzem \u00e0 vontade do experimentador.<br \/> \u00c9 preciso colh\u00ea-los quando se apresentam.<br \/> S\u00f3 observando muito e longamente, se descobre a infinidade de provas que escapam \u00e0 primeira vista, principalmente quando n\u00e3o se est\u00e1 familiarizado com as condi\u00e7\u00f5es em que se podem dar, e se as sondarmos com esp\u00edrito de preven\u00e7\u00e3o.<br \/> Para o observador agudo e constante, as provas abundam: uma palavra, um fato aparentemente sem significa\u00e7\u00e3o podem constituir um raio de luz, uma confirma\u00e7\u00e3o.<br \/> Para o observador superficial ou advent\u00edcio, para o que \u00e9 movido por simples curiosidade, nada seria.<br \/> Eis porque n\u00e3o me presto \u00e0s experi\u00eancias cujo resultado n\u00e3o pode ser assegurado.<\/p>\n<p>V.<br \/> \u2014 Mas, enfim, tudo quer um princ\u00edpio.<br \/> Que pode fazer o estreante que n\u00e3o sabe nada, que n\u00e3o viu coisa nenhuma e que deseja esclarecer-se, se o senhor lhe nega os meios?<\/p>\n<p>A.<br \/>K.<br \/> \u2014 Fa\u00e7o uma distin\u00e7\u00e3o consider\u00e1vel entre o incr\u00e9dulo por ignor\u00e2ncia e o incr\u00e9dulo sistem\u00e1tico.<br \/> Quando vejo disposi\u00e7\u00f5es favor\u00e1veis em algu\u00e9m, nada me custa esclarec\u00ea-lo.<br \/> Pessoas h\u00e1, entretanto, em quem o desejo de instruir-se \u00e9 apenas uma falsa apar\u00eancia.<br \/> Com esses, a gente perde tempo porque, se n\u00e3o encontrarem imediatamente aquilo que parecem procurar, e que, muito provavelmente, os aborreceria se encontrassem, o pouco que v\u00eaem \u00e9 sempre insuficiente para lhes destruir as preven\u00e7\u00f5es.<br \/> Julgam mal o que viram e a\u00ed encontram motivos para ca\u00e7oadas.<br \/> Donde se conclui que \u00e9 um contra-senso fornecer esses motivos.<br \/> Direi ao que tiver o desejo de instruir-se:  N\u00e3o se pode fazer um curso de Espiritismo experimental como se faz um curso de F\u00edsica ou de Qu\u00edmica, pois a ningu\u00e9m \u00e9 dado provocar os fen\u00f3menos \u00e0 vontade.<br \/> Al\u00e9m disso, as intelig\u00eancias que s\u00e3o os seus agentes muitas vezes frustram nossas previs\u00f5es.<br \/> Os que, acidentalmente, poder\u00e1 ver, n\u00e3o apresentam continuidade nem a necess\u00e1ria liga\u00e7\u00e3o, e seriam pouco intelig\u00edveis para o senhor.<br \/> Instrua-se primeiro pela teoria.<br \/> Leia as obras que tratam dessa ci\u00eancia e medite.<br \/> Nelas encontrar\u00e1 os princ\u00edpios fundamentais, a descri\u00e7\u00e3o de todos os fen\u00f3menos.<br \/> O senhor compreender\u00e1 sua possibilidade pela explica\u00e7\u00e3o dada e pela descri\u00e7\u00e3o de inumer\u00e1veis fen\u00f3menos espont\u00e2neos de que, muito possivelmente, mais de uma vez foi testemunha involunt\u00e1ria, e que lhe retornar\u00e3o \u00e0 mem\u00f3ria.<br \/> Ir\u00e1 assim se inteirando de todas as dificuldades que ocasionalmente se lhe podem apresentar e adquirir\u00e1 uma convic\u00e7\u00e3o moral preliminar.<br \/> Ent\u00e3o, quando se lhe apresentarem as circunst\u00e2ncias de ver ou de operar por si mesmo, saber\u00e1 agir, qualquer que seja a ordem em que os fatos se apresentem, visto j\u00e1 nada mais lhe ser estranho .<\/p>\n<p>Senhores: eis o que aconselho a todo aquele que desejar instruir-se; e, pela resposta, f\u00e1cil me \u00e9 conhecer se o move alguma coisa mais que simples curiosidade.<\/p>\n<p> <\/p>\n<div class=\"pvc_clear\"><\/div>\n<p id=\"pvc_stats_15216\" class=\"pvc_stats all  \" data-element-id=\"15216\" style=\"\"><i class=\"pvc-stats-icon medium\" aria-hidden=\"true\"><svg aria-hidden=\"true\" focusable=\"false\" data-prefix=\"far\" data-icon=\"chart-bar\" role=\"img\" xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\" viewBox=\"0 0 512 512\" class=\"svg-inline--fa fa-chart-bar 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Entretanto, temos que nos inclinar ante \u00e0 evid\u00eancia; e isso eu faria se tivesse provas incontest\u00e1veis. Venho, pois, solicitar de sua bondade a permiss\u00e3o para assistir,&hellip; <br \/> <a class=\"read-more\" href=\"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/artigo15216\/\">Leia mais<\/a><\/p>\n<div class=\"pvc_clear\"><\/div>\n<p id=\"pvc_stats_15216\" class=\"pvc_stats all  \" data-element-id=\"15216\" style=\"\"><i class=\"pvc-stats-icon medium\" aria-hidden=\"true\"><svg aria-hidden=\"true\" focusable=\"false\" data-prefix=\"far\" data-icon=\"chart-bar\" role=\"img\" xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\" viewBox=\"0 0 512 512\" class=\"svg-inline--fa fa-chart-bar fa-w-16 fa-2x\"><path fill=\"currentColor\" d=\"M396.8 352h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8V108.8c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v230.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8zm-192 0h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8V140.8c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v198.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8zm96 0h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8V204.8c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v134.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8zM496 400H48V80c0-8.84-7.16-16-16-16H16C7.16 64 0 71.16 0 80v336c0 17.67 14.33 32 32 32h464c8.84 0 16-7.16 16-16v-16c0-8.84-7.16-16-16-16zm-387.2-48h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8v-70.4c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v70.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8z\" class=\"\"><\/path><\/svg><\/i> <img decoding=\"async\" width=\"16\" height=\"16\" alt=\"Loading\" data-src=\"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/wp-content\/plugins\/page-views-count\/ajax-loader-2x.gif\" border=0 src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" class=\"lazyload\" style=\"--smush-placeholder-width: 16px; --smush-placeholder-aspect-ratio: 16\/16;\" \/><\/p>\n<div class=\"pvc_clear\"><\/div>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[16],"tags":[],"class_list":["post-15216","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-mensagens-diversas"],"a3_pvc":{"activated":true,"total_views":2183,"today_views":0},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15216","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=15216"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15216\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=15216"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=15216"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=15216"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}