{"id":15315,"date":"2018-09-01T08:12:00","date_gmt":"2018-09-01T08:12:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/artigo15315\/"},"modified":"2018-09-01T08:52:14","modified_gmt":"2018-09-01T11:52:14","slug":"artigo15315","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/artigo15315\/","title":{"rendered":"Livro C\u00e9u e o Inferno &#8211;  Primeira Parte &#8211; CAP\u00cdTULO VI  Doutrina das Penas Eternas &#8211; Allan Kardec"},"content":{"rendered":"<p>Origem da Doutrina das Penas Eternas<\/p>\n<p>1 \u2014 A cren\u00e7a na eternidade das penas perde terreno cada dia, de tal maneira que, mesmo n\u00e3o sendo profeta, podemos prever o seu fim pr\u00f3ximo.<br \/> Ela tem sido combatida por argumentos t\u00e3o poderosos e decisivos, que parece quase sup\u00e9rfluo ocuparmo-nos dela hoje, bastando que a deix\u00e1ssemos extinguir-se por si mesma.<br \/> N\u00e3o se pode, entretanto, esquecer que, por mais caduca que ela pare\u00e7a, ainda permanece como o centro de resist\u00eancia dos advers\u00e1rios das id\u00e9ias novas, o ponto que eles defendem com mais ardor porque \u00e9 um dos seus flancos mais vulner\u00e1veis, e porque prev\u00eaem as conseq\u00fc\u00eancias da sua queda.<\/p>\n<p>Nesse sentido, a quest\u00e3o merece um exame s\u00e9rio.<\/p>\n<p>2 \u2014 A doutrina das penas eternas, como a do inferno material, teve a sua raz\u00e3o de ser quando podia servir de freio para os homens intelectual e moralmente pouco desenvolvidos.<br \/> Da mesma maneira que eles n\u00e3o podiam impressionar-se muito com a id\u00e9ia de penas espirituais, tamb\u00e9m n\u00e3o se impressionariam com penalidades temporais.<br \/> N\u00e3o compreenderiam mesmo a justi\u00e7a das penas graduais e proporcionais, porque n\u00e3o estavam aptos a aprender as nuan\u00e7as quase sempre sutis entre o bem e o mal, nem o valor relativo das circunst\u00e2ncias atenuantes ou agravantes.<\/p>\n<p>3 \u2014 Quanto mais pr\u00f3ximos do estado primitivo, mais materializados s\u00e3o os homens.<br \/> O senso moral \u00e9 o que se desenvolve mais tardiamente.<br \/> Por isso mesmo s\u00f3 podem fazer uma id\u00e9ia muito imperfeita de Deus e de seus atributos, e uma id\u00e9ia igualmente vaga da vida futura.<br \/> Assemelham Deus \u00e0 sua pr\u00f3pria natureza, figurando-o como um soberano absoluto, tanto mais tem\u00edvel quanto \u00e9 invis\u00edvel, como um d\u00e9spota que, oculto no seu pal\u00e1cio, jamais se mostra ao povo.<\/p>\n<p>Deus s\u00f3 \u00e9 ent\u00e3o poderoso pela for\u00e7a material, porque eles n\u00e3o compreendem o poder espiritual.<br \/> S\u00f3 o concebem armado com o raio, em meio aos clar\u00f5es da tempestade, semeando \u00e0 sua passagem a ruina e a desola\u00e7\u00e3o \u00e0 maneira dos conquistadores invenc\u00edveis.<br \/> Um Deus de mansuetude e de miseric\u00f3rdia n\u00e3o seria Deus, mas um ser d\u00e9bil que n\u00e3o poderia fazer-se obedecer.<br \/> A vingan\u00e7a implac\u00e1vel, os castigos terr\u00edveis, eternos, nada tinham de contr\u00e1rio \u00e0 id\u00e9ia que faziam de Deus, nada que lhes repugnasse a raz\u00e3o.<br \/> Implac\u00e1veis eles mesmos nas suas lutas, cru\u00e9is para os inimigos, piedosos para com os vencidos, Deus, que lhes era superior devia ser ainda mais terr\u00edvel do que eles.<\/p>\n<p>Para esses homens eram necess\u00e1rias cren\u00e7as religiosas adequadas \u00e0 sua natureza ainda rude.<br \/> Uma religi\u00e3o inteiramente espiritual, feita de amor e caridade, n\u00e3o poderia harmonizar-se com a brutalidade dos seus costumes e das suas paix\u00f5es.<br \/> N\u00e3o acusemos pois Mois\u00e9s por sua legisla\u00e7\u00e3o draconiana, que era apenas suficiente para conter um povo ind\u00f3cil, nem de haver feito de Deus um ser vingativo.<br \/> Era o necess\u00e1rio para a \u00e9poca.<br \/> A suave doutrina de Jesus n\u00e3o poderia encontrar eco e se mostraria impotente.<\/p>\n<p>4 \u2014 \u00c0 medida que o Esp\u00edrito se desenvolveu, o v\u00e9u material foi-se dissipando aos poucos e os homens se tornaram mais aptos a compreender as quest\u00f5es espirituais.<br \/> Mas tudo isso teve de se fazer gradualmente.<br \/> Quando Jesus veio j\u00e1 pode anunciar um Deus clemente, falar do seu reino que n\u00e3o era deste mundo e dizer aos homens: amai-vos uns aos outros, fazei o bem aos que vos odeiam, enquanto os antigos diziam: olho por olho e dente por dente.<\/p>\n<p>Mas quais eram os homens que viviam no tempo de Jesus? Seriam almas novas, criadas para ali se encarnarem? Se assim fosse, Deus teria criado no tempo de Jesus almas mais adiantadas que as do tempo de Mois\u00e9s e nesse caso, em que se tornariam estas \u00faltimas? Teriam elas adormecido no embrutecimento pela eternidade? O simples bom senso repele esta suposi\u00e7\u00e3o.<br \/> N\u00e3o.<br \/> Eram as mesmas almas que ap\u00f3s terem vivido sob o dom\u00ednio da lei Mosaica, haviam adquirido atrav\u00e9s de muitas exist\u00eancias o desenvolvimento suficiente para compreenderem uma doutrina mais elevada, e que atualmente mostram-se ainda mais adiantadas, podendo receber um ensino mais completo.<\/p>\n<p>5 \u2014 Apesar disso, o Cristo n\u00e3o pode revelar aos seus contempor\u00e2neos todos os mist\u00e9rios do futuro.<br \/> Ele mesmo disse: tenho ainda muitas coisas para vos dizer, mas n\u00e3o as podereis compreender, \u00e9 por isso que vos falo em par\u00e1bolas.<br \/> Quanto aos problemas morais, aos deveres das rela\u00e7\u00f5es humanas, Ele foi bastante preciso, porque, tocando a corda sens\u00edvel dos interesses materiais podia fazer-se compreender.<br \/> Quanto aos outros pontos Ele se limitou a semear, sob forma aleg\u00f3rica, os germes que deveriam desenvolver-se mais tarde.<\/p>\n<p>A doutrina das penas e das recompensas futuras estava neste caso.<br \/> Particularmente no tocante \u00e0s penas Ele n\u00e3o podia romper abruptamente as concep\u00e7\u00f5es tradicionais.<br \/> Vinha revelar aos homens novos deveres: a caridade e o amor do pr\u00f3ximo substituindo o \u00f3dio e a vingan\u00e7a; a abnega\u00e7\u00e3o em lugar do ego\u00edsmo.<br \/> Isto j\u00e1 era muito.<br \/> Ele n\u00e3o podia conscientemente atenuar o medo aos castigos reservados aos prevaricadores sem enfraquecer, ao mesmo tempo, o princ\u00edpio do dever.<\/p>\n<p>Jesus prometia o reino dos c\u00e9us aos bons.<br \/> Esse reino estava portanto interditado aos maus.<br \/> Para onde iriam estes? Era necess\u00e1ria uma contraparte capaz de impressionar as intelig\u00eancias demasiado materiais para compreenderem a vida espiritual.<br \/> N\u00e3o se deve esquecer que Jesus se dirigia ao povo, \u00e0 parte menos esclarecida da popula\u00e7\u00e3o, para a qual tinha de usar imagens de certa maneira palp\u00e1veis e n\u00e3o id\u00e9ias abstratas.<br \/> Eis porque n\u00e3o podia entrar em detalhes sup\u00e9rfluos nesse terreno: bastava-lhe opor uma puni\u00e7\u00e3o \u00e0 recompensa sendo isto o suficiente naquela \u00e9poca.<\/p>\n<p>6 \u2014 Se Jesus amea\u00e7ou os culpados com o fogo eterno, tamb\u00e9m os amea\u00e7ou de serem lan\u00e7ados na Geena.<br \/> Mas o que era a Geena? Um lugar nas cercanias de Jerus\u00e1lem, o dep\u00f3sito de lixo da cidade.<br \/> Seria poss\u00edvel tomar-se isso ao p\u00e9 da letra? Era apenas uma dessas imagens fortes de que se servia para impressionar as massas.<br \/> Acontecia o mesmo com o fogo eterno.<br \/> Se n\u00e3o fosse esse o seu pensamento, Ele estaria em contradi\u00e7\u00e3o consigo mesmo ao exaltar a clem\u00eancia e a miseric\u00f3rdia de Deus, porque a clem\u00eancia e a inexorabilidade se negam reciprocamente.<br \/> Seria pois nos enganarmos estranhamente sobre o sentido das palavras de Jesus, vermos nela a san\u00e7\u00e3o do dogma das penas eternas, quando todo o seu ensino proclama a bondade do criador.<\/p>\n<p>Na ora\u00e7\u00e3o dominical nos ensinou a dizer: Senhor, perdoai as nossas ofensas como perdoamos os nossos ofensores.<br \/> Se o culpado n\u00e3o pudesse esperar nenhum perd\u00e3o, seria in\u00fatil pedi-lo.<br \/> Mas h\u00e1 condi\u00e7\u00f5es para esse perd\u00e3o? \u00c9 ele uma gra\u00e7a, uma anula\u00e7\u00e3o pura e simples da pena em que se incorreu? N\u00e3o.<br \/> A medida desse perd\u00e3o est\u00e1 subordinada \u00e0 maneira porque perdoamos, ou seja, se n\u00e3o perdoamos n\u00e3o seremos perdoados.<br \/> Fazendo do esquecimento das ofensas uma condi\u00e7\u00e3o absoluta, Deus n\u00e3o podia exigir que o homem fr\u00e1gil fizesse o que Ele, todo-poderoso, n\u00e3o faria.<br \/> A ora\u00e7\u00e3o dominical \u00e9 uma nega\u00e7\u00e3o da vingan\u00e7a eterna de Deus.<\/p>\n<p>7 \u2014 Para os homens que s\u00f3 tinham uma no\u00e7\u00e3o confusa da espiritualidade da alma a id\u00e9ia do fogo material n\u00e3o era chocante, tanto mais que ela se encontra na cren\u00e7a popular proveniente do inferno pag\u00e3o e quase universalmente difundida.<br \/> A eternidade das penas nada tinha de repugnante para criaturas submetidas desde s\u00e9culos \u00e0 legisla\u00e7\u00e3o do terr\u00edvel Jeov\u00e1.<br \/> No pensamento de Jesus o fogo eterno s\u00f3 podia ser uma figura.<br \/> Pouco lhe importava que essa figura fosse tomada ao p\u00e9 da letra, desde que devia servir de freio.<br \/> Ele sabia muito bem que o tempo e o progresso se encarregariam de esclarecer o sentido aleg\u00f3rico, sobretudo quando, segundo a sua predi\u00e7\u00e3o, o Esp\u00edrito da Verdade viesse esclarecer todas as coisas aos homens.<\/p>\n<p>A conseq\u00fc\u00eancia essencial das penas irrevog\u00e1veis \u00e9 a inefic\u00e1cia do arrependimento.<br \/> Mas Jesus nunca disse que o arrependimento fosse in\u00fatil perante Deus.<br \/> Em todas as ocasi\u00f5es, pelo contr\u00e1rio, apresentou um Deus clemente, misericordioso, pronto a receber o filho pr\u00f3digo de volta para o lar paterno.<br \/> S\u00f3 o mostrou inflex\u00edvel para o pecador endurecido.<br \/> Mas assim mesmo, se tinha o castigo numa das m\u00e3os, tinha sempre o perd\u00e3o na outra, pronto a dispens\u00e1-lo ao culpado, desde que esse voltasse sinceramente a Ele.<br \/> N\u00e3o \u00e9 verdadeira, pois, a imagem de um Deus impiedoso.<br \/> Devemos observar tamb\u00e9m que Jesus n\u00e3o pronunciou contra ningu\u00e9m, mesmo contra os maiores culpados, a condena\u00e7\u00e3o irremiss\u00edvel.<\/p>\n<p>8 \u2014 Todas as religi\u00f5es primitivas, de acordo com a natureza dos povos tiveram deuses guerreiros que combatiam \u00e0 frente dos ex\u00e9rcitos.<br \/> O Jeov\u00e1 dos Hebreus lhes proporcionava todos os meios necess\u00e1rios para que exterminassem os seus inimigos, e os recompensava pela vit\u00f3ria ou os punia pela derrota.<br \/> Segundo a id\u00e9ia que faziam de Deus, acreditavam honr\u00e1-lo ou apazigu\u00e1-lo com o sangue dos animais ou dos homens.<br \/> V\u00eam da\u00ed os sacrif\u00edcios sangrentos que tiveram papel t\u00e3o consider\u00e1vel em todas as religi\u00f5es antigas.<\/p>\n<p>Os Judeus haviam abolido os sacrif\u00edcios humanos.<br \/> Os crist\u00e3os, apesar dos ensinos do Cristo, acreditavam por muito tempo honrar ao criador entregando ao fogo e \u00e0s torturas milhares daqueles que chamavam de hereges.<br \/> Eram, sob outra forma, verdadeiros sacrif\u00edcios humanos, desde que o faziam para a maior gl\u00f3ria de Deus e com a realiza\u00e7\u00e3o de cerim\u00f4nias religiosas.<br \/> Ainda hoje continuam invocando o Deus dos Ex\u00e9rcitos antes dos combates e o glorificam ap\u00f3s a vit\u00f3ria, e isso frequentemente pelas causas mais injustas e mais anticrist\u00e3s.<\/p>\n<p>9 \u2014 Como o homem custa a se livrar de seus preju\u00edzos, dos seus h\u00e1bitos, das suas id\u00e9ias primitivas!<\/p>\n<p>Quarenta s\u00e9culos nos separam de Mois\u00e9s e nossa gera\u00e7\u00e3o crist\u00e3 ainda conserva os tra\u00e7os de antigas usan\u00e7as b\u00e1rbaras consagradas ou pelo menos aprovadas pela religi\u00e3o atual!<\/p>\n<p>Foi necess\u00e1ria a press\u00e3o da opini\u00e3o dos n\u00e3o-ortodoxos, dos que s\u00e3o olhados como her\u00e9ticos, para se p\u00f4r fim \u00e0s fogueiras e fazer compreender a verdadeira grandeza de Deus.<br \/> Mas, na falta das fogueiras as persegui\u00e7\u00f5es materiais e morais continuaram em vigor, de tal maneira a id\u00e9ia de um Deus cruel est\u00e1 enraizada no homem.<br \/> Alimentado pelos sentimentos que lhes s\u00e3o inculcados na inf\u00e2ncia, poderia o homem estranhar que um Deus que lhe apresentaram honrado, por atos b\u00e1rbaros condene \u00e0s torturas eternas, vendo sem piedade o sofrimento dos condenados?<\/p>\n<p>Foram os fil\u00f3sofos, os \u00edmpios, segundo alguns, que se escandalizaram de ver o nome de Deus profanado por atos indignos dele.<br \/> Foram estes que o mostraram aos homens em toda a sua grandeza, despojando-o das paix\u00f5es e da mesquinhez humana que lhe havia atribu\u00eddo uma cren\u00e7a cega.<br \/> A religi\u00e3o ganhou com isso em dignidade aquilo que havia perdido em prest\u00edgio exterior, porque se h\u00e1 menos homens apegados a ela pela forma, \u00e9 maior o n\u00famero dos que s\u00e3o mais sinceramente religiosos, pelo cora\u00e7\u00e3o e pelos sentimentos.<\/p>\n<p>Mas ao lado desses, quantos foram levados, por ficarem apenas nas apar\u00eancias, \u00e0 nega\u00e7\u00e3o da Provid\u00eancia! Por n\u00e3o haverem feito que as cren\u00e7as religiosas acompanhassem o progresso da raz\u00e3o humana, os respons\u00e1veis por isso levaram uns ao de\u00edsmo, outros \u00e0 incredulidade absoluta, outros ao pante\u00edsmo, o que vale dizer que o homem se fez Deus a si mesmo na falta de outro mais perfeito.<\/p>\n<p>Argumentos a Favor das Penas Eternas<\/p>\n<p>10 \u2014 Voltemos ao dogma da eternidade das penas.<br \/> O principal argumento que se invoca em seu favor \u00e9 o seguinte.<\/p>\n<p>Admite-se entre os homens que a gravidade da ofensa est\u00e1 na raz\u00e3o da qualidade do ofendido.<br \/> Aquela que se comete contra um soberano \u00e9 considerada mais grave do que a cometida contra um simples cidad\u00e3o e punida com maior severidade.<br \/> Ora, Deus \u00e9 mais que um soberano, pois \u00e9 infinito e por isso mesmo a ofensa a ele tamb\u00e9m se torna infinita, merecendo um castigo da mesma natureza, ou seja: eterno.<\/p>\n<p>Refuta\u00e7\u00e3o \u2014 Toda a refuta\u00e7\u00e3o \u00e9 um racioc\u00ednio que deve ter o seu ponto de partida, uma base em que se apoiar, premissas, numa palavra.<br \/> Encontramos essas premissas nos pr\u00f3prios atributos de Deus.<\/p>\n<p>Deus \u00e9 \u00fanico, eterno, imut\u00e1vel, imaterial, todo-poderoso, soberanamente justo e bom, infinito em todas as suas perfei\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>N\u00e3o se pode conceber Deus sem o infinito das suas perfei\u00e7\u00f5es, pois sem isso ele n\u00e3o seria Deus, desde que poder\u00edamos conceber um ser que possu\u00edsse o que lhe falta.<br \/> Para que ele seja o \u00fanico acima de todas os seres \u00e9 necess\u00e1rio que nenhum o possa superar ou igualar seja no que for.<br \/> Portanto, \u00e9 necess\u00e1rio que ele seja infinito em todos os sentidos.<br \/> Os atributos de Deus, sendo infinitos, n\u00e3o podem aumentar nem diminuir.<br \/> Sem isso, eles n\u00e3o seriam infinitos e Deus n\u00e3o seria perfeito.<br \/> Se tir\u00e1ssemos a Deus a m\u00ednima parcela de um s\u00f3 de seus atributos, n\u00e3o mais ter\u00edamos Deus, pois seria poss\u00edvel a exist\u00eancia de um ser mais perfeito.<\/p>\n<p>O infinito de uma qualidade exclue a possibilidade de existir uma qualidade contr\u00e1ria que a anulasse ou diminu\u00edsse.<br \/> Um ser infinitamente bom n\u00e3o pode ter a menor parcela de maldade, e um ser infinitamente mau n\u00e3o pode ter a menor parcela de bondade.<br \/> Isso da mesma maneira que um objeto n\u00e3o poderia ser absolutamente negro com a mais leve nuan\u00e7a de branco, nem absolutamente branco com a m\u00ednima mancha negra.<\/p>\n<p>Colocado esse ponto, podemos opor ao argumento acima o seguinte racioc\u00ednio:<\/p>\n<p>11 \u2014 Somente um ser infinito pode criar o infinito.<br \/> O homem, limitado em suas virtudes, nos seus conhecimentos, nos seus poderes, nas suas aptid\u00f5es, na sua pr\u00f3pria exist\u00eancia terrena, s\u00f3 pode produzir coisas limitadas.<\/p>\n<p>Se o homem pudesse ser infinito no mal que pratica, tamb\u00e9m o poderia ser no bem que faz, e ele seria igual a Deus.<br \/> Mas, se o homem fosse infinito no tocante ao bem, n\u00e3o faria nenhum mal, porque o bem absoluto \u00e9 a exclus\u00e3o de todo o mal.<\/p>\n<p>Admitindo-se que uma ofensa tempor\u00e1ria praticada contra a divindade pudesse ser infinita, Deus, vingando-a por um castigo infinito seria infinitamente vingativo.<br \/> E se ele o for, n\u00e3o pode ser infinitamente bom e misericordioso, pois um dos seus atributos \u00e9 a limita\u00e7\u00e3o do outro.<br \/> Se ele n\u00e3o for infinitamente bom n\u00e3o \u00e9 perfeito, e se n\u00e3o for perfeito n\u00e3o \u00e9 Deus.<\/p>\n<p>Se Deus for inexor\u00e1vel para o culpado arrependido, n\u00e3o \u00e9 misericordioso, e se n\u00e3o \u00e9 misericordioso, n\u00e3o \u00e9 infinitamente bom.<\/p>\n<p>Porque daria Deus ao homem a lei do perd\u00e3o, se ele mesmo n\u00e3o devesse perdoar? Disso resultaria que o homem que perdoa os seus inimigos, retribuindo-lhes o mal com o bem, seria melhor que Deus que permanece surdo ao arrependimento do seu ofensor e lhe recusa, pela eternidade, a mais leve atenua\u00e7\u00e3o da pena.<\/p>\n<p>Deus, que est\u00e1 em toda a parte e tudo v\u00ea, tem de ver as torturas dos condenados.<br \/> Se ele for insens\u00edvel aos seus clamores pela eternidade, ser\u00e1 eternamente impiedoso, e se for impiedoso n\u00e3o \u00e9 infinitamente bom.<\/p>\n<p>12 \u2014 A isto, respondem que o pecador que se arrepende antes de morrer obt\u00e9m a miseric\u00f3rdia de Deus e que o maior culpado pode se beneficiar com a sua gra\u00e7a.<\/p>\n<p>N\u00e3o pode haver d\u00favida quanto a isto.<br \/> Concebe-se que Deus somente perdoe aos arrependidos e seja inflex\u00edvel para os esp\u00edritos endurecidos.<br \/> Mas se ele se mostra cheio de miseric\u00f3rdia para a alma que se arrepende antes de deixar o corpo, porque n\u00e3o faria o mesmo para aquela que se arrepende depois da morte? Qual a raz\u00e3o do arrependimento s\u00f3 ser eficaz durante a vida, representa apenas um instante e n\u00e3o o ser durante a eternidade? Se a bondade e a miseric\u00f3rdia de Deus ficam circunscritas a um determinado tempo, n\u00e3o s\u00e3o infinitas e Deus n\u00e3o \u00e9 infinitamente bom.<\/p>\n<p>13 \u2014 Deus \u00e9 soberanamente justo.<br \/> A soberana justi\u00e7a n\u00e3o \u00e9 a mais inexor\u00e1vel nem a que deixa impunes todas as faltas, mas a que considera da maneira mais rigorosa o bem e o mal, recompensando um e punindo o outro com perfeita equidade, sem jamais se enganar.<\/p>\n<p>Se por uma falta passageira que resulta quase sempre da natureza imperfeita do homem, e muitas vezes decorre do meio em que ele se encontra, a alma pode ser punida eternamente, sem esperan\u00e7as de abrandamento e nem de perd\u00e3o, n\u00e3o existe nenhuma propor\u00e7\u00e3o entre a falta e a puni\u00e7\u00e3o.<br \/> Portanto, n\u00e3o h\u00e1 justi\u00e7a.<\/p>\n<p>Se o culpado se volta para Deus, arrependendo-se e pedindo para reparar o mal cometido, isso equivale a um retorno ao bem, aos bons sentimentos.<br \/> Se o castigo for irrevog\u00e1vel, esse retorno ao bem n\u00e3o produz efeito, desde que Deus n\u00e3o leva em conta o bem e n\u00e3o pratica a justi\u00e7a.<br \/> Entre os homens, o condenado que se emenda v\u00ea a sua pena comutada e \u00e0s vezes perdoada.<br \/> Haveria, pois, na justi\u00e7a humana mais equidade que na justi\u00e7a Divina!<\/p>\n<p>Se a condena\u00e7\u00e3o \u00e9 irrevog\u00e1vel, o arrependimento \u00e9 in\u00fatil.<br \/> Nada podendo esperar do seu retorno ao bem, o culpado persiste no mal, de maneira que Deus n\u00e3o somente o condena a sofrer eternamente mas tamb\u00e9m a permanecer no mal por toda a eternidade.<br \/> N\u00e3o h\u00e1 nisso nem justi\u00e7a, nem bondade.<\/p>\n<p>14 \u2014 Sendo infinito em todas as coisas, Deus deve conhecer tudo no passado e no futuro.<br \/> Deve saber, no momento da cria\u00e7\u00e3o de uma alma, se ela vai falir de maneira grave para ser condenada eternamente.<br \/> Se n\u00e3o o sabe, seu saber n\u00e3o \u00e9 infinito e nesse caso Ele n\u00e3o \u00e9 Deus.<br \/> Se o sabe, cria voluntariamente um ser condenado, desde \u00e0 sua forma\u00e7\u00e3o, \u00e0s torturas sem fim, e nesse caso n\u00e3o \u00e9 bom.<\/p>\n<p>Se Deus, tocado pelo arrependimento de um condenado, pode estender a ele a sua miseric\u00f3rdia e o retirar do inferno, n\u00e3o existe penas eternas e o julgamento feito pelos homens est\u00e1 revogado.<\/p>\n<p>15 \u2014 A doutrina das penas eternas, aceita de maneira absoluta, leva-nos for\u00e7osamente \u00e0 nega\u00e7\u00e3o ou a diminui\u00e7\u00e3o, de alguns atributos de Deus.<br \/> Ela \u00e9, por conseguinte, inconcili\u00e1vel com a perfei\u00e7\u00e3o infinita, pelo que chegamos \u00e0 esta conclus\u00e3o:<\/p>\n<p>Se Deus \u00e9 perfeito, a condena\u00e7\u00e3o eterna n\u00e3o existe; se ela existe, Deus n\u00e3o \u00e9 perfeito.<\/p>\n<p>16 \u2014 Invoca-se ainda em favor do dogma da eternidade das penas o seguinte argumento:<\/p>\n<p>A recompensa concedida aos bons sendo eterna, deve ter como contraparte uma puni\u00e7\u00e3o eterna.<br \/> \u00c9 justo proporcionar a puni\u00e7\u00e3o \u00e0 recompensa.<\/p>\n<p>Refuta\u00e7\u00e3o \u2014 Deus teria criado a alma com o fim de faz\u00ea-Ia feliz ou infeliz.<br \/> \u00c9 evidente que a felicidade das criaturas deve ser o objetivo de sua cria\u00e7\u00e3o, pois de outra maneira Deus n\u00e3o seria bom.<br \/> Ela atinge a felicidade pelo pr\u00f3prio m\u00e9rito.<br \/> Conquistado o m\u00e9rito, ela n\u00e3o pode perder o seu fruto, porque ent\u00e3o degeneraria.<br \/> A eternidade da felicidade \u00e9 pois uma consequ\u00eancia da sua natureza imortal.<\/p>\n<p>Mas antes de chegar \u00e0 perfei\u00e7\u00e3o, ela ter\u00e1 lutas a sustentar, combates a travar com as m\u00e1s paix\u00f5es.<br \/> N\u00e3o a tendo criado perfeita, mas capaz de se aperfei\u00e7oar, a fim de que tenha o m\u00e9rito de suas obras, ela pode falir.<br \/> Suas quedas decorrem de sua fraqueza natural.<br \/> Se ela tivesse de ser condenada eternamente por uma queda, poder\u00edamos perguntar porque Deus n\u00e3o a criou mais forte.<\/p>\n<p>A puni\u00e7\u00e3o sofrida pela alma \u00e9 uma advert\u00eancia de que ela fez o mal.<br \/> Deve ter como resultado reconduzi-la ao bom caminho.<br \/> Mas se a pena fosse irremiss\u00edvel, seu desejo de se corrigir seria in\u00fatil.<br \/> Assim, o fim providencial da cria\u00e7\u00e3o n\u00e3o poderia ser atingido, porque haveria seres predestinados \u00e0 felicidade e outros \u00e0 desgra\u00e7a.<br \/> Se uma alma culpada se arrepende, pode tornar-se boa; podendo tornar-se boa, pode aspirar \u00e0 felicidade.<br \/> Deus seria justo se lhe recusasse esses meios?<\/p>\n<p>Sendo o bem o objetivo final da cria\u00e7\u00e3o, a felicidade, que \u00e9 o seu pr\u00eamio, deve ser eterna.<br \/> Ao mesmo tempo, o castigo que \u00e9 um meio de levar ao bem deve ser tempor\u00e1rio.<br \/> A mais vulgar no\u00e7\u00e3o de justi\u00e7a, mesmo entre os homens, diz que n\u00e3o se pode castigar perpetuamente aquele que tem o desejo do bem e se disp\u00f5e a pratic\u00e1-lo.<\/p>\n<p>17 \u2014 Um \u00faltimo argumento em favor da eternidade das penas \u00e9 o seguinte:<\/p>\n<p>O temor de um castigo eterno \u00e9 o freio.<br \/> Se o eliminarmos, nada mais tendo a temer, o homem se entregar\u00e1 a todos os desregramentos.<\/p>\n<p>Refuta\u00e7\u00e3o \u2014 Esse racioc\u00ednio seria justo se ao eliminarmos a eternidade das penas suprim\u00edssemos toda e qualquer san\u00e7\u00e3o penal.<br \/> A situa\u00e7\u00e3o feliz ou infeliz na vida futura decorre de uma rigorosa consequ\u00eancia da justi\u00e7a de Deus, enquanto uma identidade de situa\u00e7\u00e3o entre o homem bom e o perverso seria a nega\u00e7\u00e3o dessa justi\u00e7a.<br \/> Pelo fato de n\u00e3o ser eterno, o castigo n\u00e3o tem de ser menos penoso.<br \/> Ele se torna tanto mais tem\u00edvel, quanto mais se pode aceit\u00e1-lo, e tanto mais aceit\u00e1vel, quanto mais racional.<br \/> Uma penalidade em que n\u00e3o se pode crer n\u00e3o \u00e9 um freio, e a eternidade das penas est\u00e1 nesse caso.<\/p>\n<p>A cren\u00e7a nas penas eternas, como j\u00e1 dissemos, teve a sua utilidade e a sua raz\u00e3o de ser em certa \u00e9poca.<br \/> Hoje, n\u00e3o somente ela deixou de assustar, como acabou por semear a incredulidade.<br \/> Antes de coloc\u00e1-la como uma necessidade, seria necess\u00e1rio demonstrar a sua realidade.<br \/> Conviria, sobretudo que se pudesse ver a sua efic\u00e1cia no exemplo daqueles que a preconizam e se esfor\u00e7am para a demonstrar.<br \/> Infelizmente, entre eles, s\u00e3o bem poucos os que provam pelos seus atos que realmente est\u00e3o atemorizados.<br \/> Se essa cren\u00e7a \u00e9 impotente para reprimir o mal entre aqueles que dizem acreditar nela, que dom\u00ednio poderia ter sobre os que n\u00e3o acreditam?<\/p>\n<p>Impossibilidade Material das Penas Eternas<\/p>\n<p>18 \u2014 At\u00e9 aqui, o dogma das penas eternas s\u00f3 foi contraditado pelo racioc\u00ednio.<br \/> Vamos agora demonstrar que ele est\u00e1 em contradi\u00e7\u00e3o com os fatos positivos que temos diante dos olhos e que provam a sua impossibilidade.<\/p>\n<p>De acordo com esse dogma, o destino da alma ap\u00f3s a morte \u00e9 fixado de maneira irrevog\u00e1vel.<br \/> Fica assim definitivamente barrado o seu progresso.<br \/> Ora, a alma progride ou n\u00e3o? Eis toda a quest\u00e3o.<br \/> Se ela progride a eternidade das penas \u00e9 inadmiss\u00edvel.<\/p>\n<p>Podemos duvidar desse progresso, quando vemos a imensa variedade de aptid\u00f5es morais e intelectuais existentes na Terra, desde o selvagem at\u00e9 o homem civilizado? Quando se v\u00eaem as diferen\u00e7as que um mesmo povo apresenta de um s\u00e9culo para outro? Se admitirmos que n\u00e3o s\u00e3o mais as mesmas almas, teremos de aceitar que Deus cria as almas em todos os graus de desenvolvimento, de acordo com os tempos e os lugares, favorecendo umas, enquanto relega outras \u00e0 uma inferioridade perp\u00e9tua.<br \/> Isso \u00e9 incompat\u00edvel com a justi\u00e7a, que deve ser a mesma para todas as criaturas.<\/p>\n<p>19 \u2014 \u00c9 incontest\u00e1vel que a alma, intelectual e moralmente n\u00e3o desenvolvida, como a dos povos b\u00e1rbaros, n\u00e3o pode disp\u00f4r das mesmas condi\u00e7\u00f5es de felicidade, das mesmas aptid\u00f5es para gozar dos esplendores do infinito, que tem aquela cujas faculdades j\u00e1 se encontram amplamente desenvolvidas.<br \/> Se essas almas, portanto, n\u00e3o progredirem, n\u00e3o podem, mesmo nas condi\u00e7\u00f5es mais favor\u00e1veis, gozar pela eternidade sen\u00e3o de uma felicidade muito reduzida.<br \/> Chega-se assim for\u00e7osamente, de acordo com uma rigorosa justi\u00e7a, \u00e0 conclus\u00e3o de que as almas mais adiantadas s\u00e3o as mesmas que antes se apresentavam como atrasadas e depois progrediram.<br \/> Aqui tocamos na grave quest\u00e3o da pluralidade das exist\u00eancias, como \u00fanico meio racional de se resolver a dificuldade.<br \/> N\u00e3o obstante, a deixaremos de lado para s\u00f3 considerar a alma numa \u00fanica exist\u00eancia.<\/p>\n<p>20 \u2014 Consideremos, como tantos que existem, um jovem de vinte anos, ignorante, entregue aos instintos inferiores negando Deus e sua alma, desordeiro, cometendo toda esp\u00e9cie de maldades.<br \/> Colocado, entretanto, num meio favor\u00e1vel, trabalha e se instrue, corrige-se pouco a pouco e por fim se transforma numa criatura piedosa.<br \/> N\u00e3o \u00e9 esse um exemplo palp\u00e1vel do progresso da alma durante a vida, e todos os dias n\u00e3o vemos casos semelhantes?<\/p>\n<p>Esse homem morre em santidade numa idade avan\u00e7ada e certamente a sua salva\u00e7\u00e3o est\u00e1 assegurada.<br \/> Mas o que teria sido dele, se um acidente o tivesse levado \u00e0 morte quarenta ou cinq\u00fcenta anos antes? Estaria dentro de todas as condi\u00e7\u00f5es para ser um condenado, e uma vez condenado, estaria impedido de realizar qualquer progresso.<\/p>\n<p>Eis o caso de um homem que se salvou por ter vivido bastante e que, segundo a doutrina das penas eternas, jamais se teria salvado se tivesse vivido menos, o que poderia acontecer por um acidente qualquer.<br \/> Mas desde que a sua alma pode progredir num determinado tempo, porque n\u00e3o progrediria nesse mesmo tempo ap\u00f3s a morte, se uma causa independente da sua vontade a tivesse impedido de faz\u00ea-lo em vida? Porque Deus haveria ent\u00e3o de recusar-lhe os meios? O arrependimento, embora tardio, n\u00e3o \u00e9 menos efetivo do que se viesse em tempo.<br \/> Mas se desde o instante da morte uma condena\u00e7\u00e3o irremiss\u00edvel o atingiu, seu arrependimento n\u00e3o tem mais valor para a eternidade e sua capacidade de progredir ficou para sempre anulada.<\/p>\n<p>21 \u2014 O dogma da eternidade das penas \u00e9 pois inconcili\u00e1vel com o progresso da alma, pois lhe op\u00f5e um obst\u00e1culo insuper\u00e1vel.<br \/> Esses dois princ\u00edpios se anulam for\u00e7osamente um pelo outro.<br \/> Se um existe, o outro n\u00e3o pode existir.<br \/> Qual dos dois realmente existe? A lei do progresso \u00e9 evidente, n\u00e3o \u00e9 uma teoria, mas um fato constatado pelas experi\u00eancias.<br \/> \u00c9 uma lei natural, lei divina, imprescrit\u00edvel.<br \/> Assim, desde que ela existe e n\u00e3o pode se conciliar com a outra, \u00e9 que a outra n\u00e3o existe.<br \/> Se o dogma da eternidade das penas fosse verdadeiro, Santo Agostinho, S\u00e3o Paulo e muitos outros jamais teriam visto o c\u00e9u se houvessem morrido antes do progresso que os levou \u00e0 convers\u00e3o.<\/p>\n<p>A esta afirma\u00e7\u00e3o respondem que a convers\u00e3o desses santos n\u00e3o resultou de nenhum progresso da alma, mas da gra\u00e7a que lhes foi concedida e pela qual se sentiram tocados.<\/p>\n<p>Mas isto \u00e9 jogar com palavras.<br \/> Se eles praticaram o mal e mais tarde se voltaram para o bem \u00e9 que se tornaram melhores.<br \/> Conseq\u00fcentemente: progrediram.<br \/> Deus lhes teria concedido ent\u00e3o, por um favor especial, a gra\u00e7a de se corrigirem? Porque a eles e n\u00e3o a outros? \u00c9 sempre a doutrina dos privil\u00e9gios, incompat\u00edvel com a justi\u00e7a de Deus e seu amor sem distin\u00e7\u00e3o para com todas as criaturas.<\/p>\n<p>Segundo a doutrina esp\u00edrita, segundo as pr\u00f3prias palavras do Evangelho, dentro da l\u00f3gica e da mais rigorosa justi\u00e7a, o homem \u00e9 o que as suas pr\u00f3prias obras o fazem, durante esta vida e ap\u00f3s a morte.<br \/> Nada ele deve a qualquer favoritismo, pois Deus o recompensa de acordo com os seus esfor\u00e7os e o pune pela sua neglig\u00eancia, por tanto tempo quanto durar a neglig\u00eancia.<\/p>\n<p>A Doutrina das Penas Eternas Passou do Tempo<\/p>\n<p>22 \u2014 A cren\u00e7a na eternidade das penas materiais permaneceu como um temor necess\u00e1rio at\u00e9 que os homens pudessem compreender o poder da moral.<br \/> Aconteceu como com as crian\u00e7as que podem ser contidas durante algum tempo pela amea\u00e7a de certos seres fant\u00e1sticos que lhes causam pavor, mas chega o momento em que a raz\u00e3o da crian\u00e7a recusa por si mesma essas est\u00f3rias, e ent\u00e3o seria absurdo pretender govern\u00e1-las pelos mesmos meios.<br \/> Se continuarem a dizer que essas f\u00e1bulas s\u00e3o verdadeiras e devem ser tomadas ao p\u00e9 da letra, elas perder\u00e3o a confian\u00e7a nas pessoas.<\/p>\n<p>\u00c9 o que acontece atualmente com a humanidade.<br \/> Ela saiu da inf\u00e2ncia e se libertou dessas r\u00e9deas artificiais.<br \/> O homem n\u00e3o \u00e9 mais esse instrumento passivo que se curva \u00e0 for\u00e7a material, nem a criatura cr\u00e9dula que tudo aceitava de olhos fechados.<\/p>\n<p>23 \u2014 A cren\u00e7a \u00e9 um ato de entendimento e por isso n\u00e3o pode ser imposta.<br \/> Se, durante um certo per\u00edodo da evolu\u00e7\u00e3o da humanidade, o dogma da eternidade das penas foi inofensivo, salutar mesmo, chegou agora o momento em que ele se torna perigoso.<br \/> Com efeito, desde o momento que lhe imponham esse dogma como verdade absoluta, quando a raz\u00e3o o repele, necessariamente acontecer\u00e1 uma destas coisas: ou o homem que deseja crer procura uma cren\u00e7a mais racional e se afasta da que lhe querem impor, ou deixa inteiramente de crer.<br \/> \u00c9 evidente, para quem quer estudar friamente a quest\u00e3o, que nos nossos dias a eternidade das penas produziu maior n\u00famero de materialistas e ateus do que todos os fil\u00f3sofos.<\/p>\n<p>As id\u00e9ias seguem um curso necessariamente progressivo e n\u00e3o se pode governar os homens sen\u00e3o seguindo esse curso.<br \/> Querer det\u00ea-los ou faz\u00ea-los retroceder, ou simplesmente parar onde se encontram, quando ele est\u00e1 avan\u00e7ando, seria perd\u00ea-los.<br \/> Seguir ou n\u00e3o seguir esse movimento \u00e9 uma quest\u00e3o de vida ou de morte, tanto para as religi\u00f5es como para os governos.<br \/> \u00c9 isso um bem? Ou \u00e9 um mal? Certamente \u00e9 um mal aos olhos dos que, vivendo no passado, percebem que esse passado lhes escapa.<br \/> Para os que v\u00eam o futuro, \u00e9 o cumprimento da lei do progresso que \u00e9 uma lei de Deus.<br \/> E contra as leis de Deus \u00e9 in\u00fatil qualquer resist\u00eancia: lutar contra a sua vontade \u00e9 querer despeda\u00e7ar-se.<\/p>\n<p>Porque, pois, querer a toda for\u00e7a sustentar uma cren\u00e7a que cai em decrepitude e que na verdade produz mais mal do que bem \u00e0 pr\u00f3pria religi\u00e3o? Infelizmente, \u00e9 triste dizer, uma quest\u00e3o material domina neste ponto o problema religioso.<br \/> Essa cren\u00e7a tem sido largamente explorada, gra\u00e7as \u00e0 id\u00e9ia de que as portas do c\u00e9u podem ser abertas com dinheiro, livrando-nos do inferno.<br \/> As somas que ela tem produzido e que ainda produz s\u00e3o incalcul\u00e1veis: \u00e9 o imposto cobrado sobre o medo da eternidade.<br \/> Sendo facultativo, o produto desse imposto \u00e9 proporcional ao dom\u00ednio da cren\u00e7a .<br \/> Se esta n\u00e3o mais existir, a arrecada\u00e7\u00e3o desaparece.<br \/> A crian\u00e7a d\u00e1 o seu doce de boa vontade a quem lhe promete que vai espantar o lobisomem, mas quando a crian\u00e7a n\u00e3o acredita mais no lobisomem, prefere comer o doce.<\/p>\n<p>24 \u2014 A nova revela\u00e7\u00e3o, fornecendo id\u00e9ias mais aceit\u00e1veis sobre a vida futura e demonstrando que a salva\u00e7\u00e3o pode ser alcan\u00e7ada atrav\u00e9s das pr\u00f3prias obras, deve enfrentar uma oposi\u00e7\u00e3o tanto mais forte, quanto ela vem estancar a mais importante fonte de arrecada\u00e7\u00e3o.<br \/> \u00c9 o que sempre acontece quando uma descoberta ou uma inven\u00e7\u00e3o vem modificar as situa\u00e7\u00f5es.<br \/> Os que vivem dos antigos costumes sempre os defendem, procurando desacreditar as novidades, por mais vantajosas que sejam.<\/p>\n<p>Acreditais, por exemplo, que a arte de imprimir, n\u00e3o obstante os benef\u00edcios que devia trazer \u00e0 humanidade, pudesse ser aclamada pela numerosa classe dos copistas? N\u00e3o, certamente.<br \/> Eles deviam maldiz\u00ea-la.<br \/> Assim tamb\u00e9m aconteceu com as m\u00e1quinas, com as estradas de ferro e centenas de outras coisas.<\/p>\n<p>Aos olhos dos incr\u00e9dulos, o dogma da eternidade das penas \u00e9 uma simples futilidade que lhes provoca o riso.<br \/> Aos olhos do fil\u00f3sofo, a quest\u00e3o se torna grave no seu aspecto social pelos abusos a que tem servido, de motivo.<br \/> O homem verdadeiramente religioso considera que a dignidade da religi\u00e3o depende da destrui\u00e7\u00e3o desses abusos e conseq\u00fcentemente das suas causas.<\/p>\n<p>Ezequiel Contra a Eternidade das Penas e o Pecado Original<\/p>\n<p>25 \u2014 Aos que pretendem encontrar na B\u00edblia a justifica\u00e7\u00e3o da eternidade das penas podemos opor os textos contr\u00e1rios, que n\u00e3o permitem nenhuma d\u00favida a respeito.<br \/> As seguintes palavras de Ezequiel s\u00e3o a mais decisiva nega\u00e7\u00e3o, n\u00e3o somente das penas irremiss\u00edveis, mas tamb\u00e9m da possibilidade de recair sobre toda a sua descend\u00eancia a falta cometida pelo pai do g\u00eanero humano:<\/p>\n<p>1) Veio a mim a palavra do Senhor, dizendo: 2) Que tendes v\u00f3s, v\u00f3s que acerca da terra de Israel proferiste este prov\u00e9rbio, dizendo: Os pais comeram uvas verdes, e os dentes dos filhos \u00e9 que se embotaram? 3) T\u00e3o certo como eu vivo, diz o Senhor Deus, jamais direis este prov\u00e9rbio em Israel.<br \/> 4) Eis que todas as almas s\u00e3o minhas; como a alma do pai, tamb\u00e9m a alma do filho \u00e9 minha; a alma que pecar, essa morrer\u00e1.<br \/> 5) Sendo, pois, o homem justo e fazendo ju\u00edzo e justi\u00e7a; 7) n\u00e3o oprimindo a ningu\u00e9m, tornando ao devedor a coisa penhorada, n\u00e3o roubando, dando o seu p\u00e3o ao faminto e cobrindo ao nu com vestes; 8) n\u00e3o dando seu dinheiro \u00e0 usura, n\u00e3o recebendo juros, desviando a sua m\u00e3o da injusti\u00e7a e fazendo verdadeiro ju\u00edzo entre homem e homem; 9) andando nos meus estatutos, guardando os meus ju\u00edzos e procedendo retamente o tal justo certamente viver\u00e1, diz o Senhor Deus.<\/p>\n<p>10) Se ele gerar um filho ladr\u00e3o, derramador de sangue, que fizer a seu irm\u00e3o qualquer destas coisas.<br \/> 13) esse filho morrer\u00e1, por todas estas abomina\u00e7\u00f5es que ele fez e o seu sangue ser\u00e1 sobre ele.<\/p>\n<p>14) Eis que, se ele gerar um filho que veja todos os pecados que seu pai fez e, vendo-os, n\u00e3o cometer coisas semelhantes, 17) n\u00e3o morrer\u00e1 pela iniq\u00fcidade de seu pai, mas certamente viver\u00e1.<br \/> 18) Quanto a seu pai, porque praticou extors\u00e3o, roubou os bens do pr\u00f3ximo e fez o que n\u00e3o era bom no meio do seu povo, eis que morrer\u00e1 por causa de sua iniq\u00fcidade.<\/p>\n<p>19) Mas direis: Por que n\u00e3o leva o filho a iniq\u00fcidade do pai? Porque o filho fez o que era reto e justo e guardou todos os meus estatutos e os praticou, por isso certamente viver\u00e1.<\/p>\n<p>20) A alma que pecar, essa morrer\u00e1; o filho n\u00e3o levar\u00e1 a iniq\u00fcidade do pai, nem o pai a iniq\u00fcidade do filho; a justi\u00e7a do justo ficar\u00e1 sobre ele e a perversidade do perverso cair\u00e1 sobre este.<\/p>\n<p>21) Mas se o perverso se converter de todos os pecados que cometeu e guardar todos os meus estatutos, e fizer o que \u00e9 reto e justo, certamente viver\u00e1, n\u00e3o ser\u00e1 morto.<br \/> 22) De todas as transgress\u00f5es que cometeu n\u00e3o haver\u00e1 lembran\u00e7a contra ele; pela justi\u00e7a que praticou, viver\u00e1.<\/p>\n<p>23) Acaso tenho eu prazer na morte do perverso? diz o Senhor Deus.<br \/> N\u00e3o, desejo eu antes que ele se converta do seu caminho e viva.<br \/> (Ezequiel, cap, XVIII, vs.<br \/> 1 a 23.<br \/>)<\/p>\n<p>11) T\u00e3o certo como eu vivo, diz o Senhor Deus, n\u00e3o tenho prazer na morte do perverso, mas em que o perverso se converta do seu caminho e viva.<br \/> (Ezequiel, cap.<br \/> XXXIII, v.<br \/> 11)(24)<\/p>\n<p>(24) Nota-se a falta do vers\u00edculo 6 do cap.<br \/> XVIII de Ezequiel.<br \/> A omiss\u00e3o foi proposital.<br \/> Kardec deixou de lado esse vers\u00edculo porque ele se refere a ordena\u00e7\u00f5es judaicas da lei de pureza (superadas pelo Evangelho) como se pode ver conferindo-se o texto com a B\u00edblia.<br \/> Como se pode alegar que a omiss\u00e3o oculta segunda inten\u00e7\u00e3o o que se j\u00e1 tem feito, damos aqui esse vers\u00edculo:  N\u00e3o comendo carne sacrificada nos altos, nem levantando os olhos para os \u00eddolos da casa de Israel, nem contaminando a mulher do seu pr\u00f3ximo, nem se chegando \u00e0 mulher na sua menstrua\u00e7\u00e3o.<br \/>  Como se v\u00ea, esse vers\u00edculo quebra a harmonia do texto em sua aplica\u00e7\u00e3o atual.<br \/> Os vs.<br \/> 12, 15 e 16 foram tamb\u00e9m suprimidos porque repetem aquelas ordena\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Tanto no original franc\u00eas, como em todas as tradu\u00e7\u00f5es correntes entre n\u00f3s ocorreu tamb\u00e9m um erro de cita\u00e7\u00e3o, que corrigimos aqui.<br \/> O vers\u00edculo 23 do cap.<br \/> XVIII foi mencionado como pertencente ao cap.<br \/> XXVIII.<br \/> Um pequeno engano, certamente gr\u00e1fico, ainda hoje mantido nas pr\u00f3prias edi\u00e7\u00f5es francesas e belgas.<br \/> (N.<br \/> do T.<br \/>)<\/p>\n<div class=\"pvc_clear\"><\/div>\n<p id=\"pvc_stats_15315\" class=\"pvc_stats all  \" data-element-id=\"15315\" style=\"\"><i class=\"pvc-stats-icon medium\" aria-hidden=\"true\"><svg aria-hidden=\"true\" focusable=\"false\" data-prefix=\"far\" data-icon=\"chart-bar\" role=\"img\" xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\" viewBox=\"0 0 512 512\" class=\"svg-inline--fa fa-chart-bar fa-w-16 fa-2x\"><path fill=\"currentColor\" d=\"M396.8 352h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8V108.8c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v230.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8zm-192 0h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8V140.8c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v198.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8zm96 0h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8V204.8c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v134.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8zM496 400H48V80c0-8.84-7.16-16-16-16H16C7.16 64 0 71.16 0 80v336c0 17.67 14.33 32 32 32h464c8.84 0 16-7.16 16-16v-16c0-8.84-7.16-16-16-16zm-387.2-48h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8v-70.4c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v70.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8z\" class=\"\"><\/path><\/svg><\/i> <img decoding=\"async\" width=\"16\" height=\"16\" alt=\"Loading\" data-src=\"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/wp-content\/plugins\/page-views-count\/ajax-loader-2x.gif\" border=0 src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" class=\"lazyload\" style=\"--smush-placeholder-width: 16px; --smush-placeholder-aspect-ratio: 16\/16;\" \/><\/p>\n<div class=\"pvc_clear\"><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Origem da Doutrina das Penas Eternas 1 \u2014 A cren\u00e7a na eternidade das penas perde terreno cada dia, de tal maneira que, mesmo n\u00e3o sendo profeta, podemos prever o seu fim pr\u00f3ximo. Ela tem sido combatida por argumentos t\u00e3o poderosos e decisivos, que parece quase sup\u00e9rfluo ocuparmo-nos dela hoje, bastando que a deix\u00e1ssemos extinguir-se por&hellip; <br \/> <a class=\"read-more\" href=\"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/artigo15315\/\">Leia mais<\/a><\/p>\n<div class=\"pvc_clear\"><\/div>\n<p id=\"pvc_stats_15315\" class=\"pvc_stats all  \" data-element-id=\"15315\" style=\"\"><i class=\"pvc-stats-icon medium\" aria-hidden=\"true\"><svg aria-hidden=\"true\" focusable=\"false\" data-prefix=\"far\" data-icon=\"chart-bar\" role=\"img\" xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\" viewBox=\"0 0 512 512\" class=\"svg-inline--fa fa-chart-bar fa-w-16 fa-2x\"><path fill=\"currentColor\" d=\"M396.8 352h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8V108.8c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v230.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8zm-192 0h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8V140.8c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v198.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8zm96 0h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8V204.8c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v134.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8zM496 400H48V80c0-8.84-7.16-16-16-16H16C7.16 64 0 71.16 0 80v336c0 17.67 14.33 32 32 32h464c8.84 0 16-7.16 16-16v-16c0-8.84-7.16-16-16-16zm-387.2-48h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8v-70.4c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v70.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8z\" class=\"\"><\/path><\/svg><\/i> <img decoding=\"async\" width=\"16\" height=\"16\" alt=\"Loading\" data-src=\"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/wp-content\/plugins\/page-views-count\/ajax-loader-2x.gif\" border=0 src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" class=\"lazyload\" style=\"--smush-placeholder-width: 16px; --smush-placeholder-aspect-ratio: 16\/16;\" \/><\/p>\n<div class=\"pvc_clear\"><\/div>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[16],"tags":[],"class_list":["post-15315","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-mensagens-diversas"],"a3_pvc":{"activated":true,"total_views":4755,"today_views":1},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15315","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=15315"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15315\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=15315"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=15315"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=15315"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}