{"id":15369,"date":"2018-09-22T09:12:00","date_gmt":"2018-09-22T09:12:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/artigo15369\/"},"modified":"2018-09-22T09:28:12","modified_gmt":"2018-09-22T12:28:12","slug":"artigo15369","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/artigo15369\/","title":{"rendered":"Livro C\u00e9u e o Inferno &#8211;  Primeira Parte &#8211; Cap\u00edtulo IX  Os Dem\u00f4nios &#8211; Allan Kardec"},"content":{"rendered":"<p>Origem da cren\u00e7a nos Dem\u00f4nios<\/p>\n<p>1 \u2014 Os dem\u00f4nios desempenharam em todas as \u00e9pocas um papel nas diversas teogonias.<br \/> Embora consideravelmente deca\u00eddos na opini\u00e3o geral, a import\u00e2ncia que ainda lhes atribuem em nossos dias d\u00e1 a esta quest\u00e3o uma certa gravidade, porque ela se refere ao pr\u00f3prio fundamento das cren\u00e7as religiosas.<br \/> \u00c9 portanto conveniente que a examinemos em todos os seus aspectos.<\/p>\n<p>A cren\u00e7a na exist\u00eancia de um poder superior \u00e9 instintiva e podemos encontr\u00e1-la entre os homens sob as mais diferentes formas, em todas as \u00e9pocas.<br \/> Mas se, no grau de adiantamento intelectual em que hoje se encontram, ainda discutem a natureza e os atributos dessa pot\u00eancia, quanto mais imperfeitas deviam ser suas no\u00e7\u00f5es a respeito nas fases iniciais da humanidade!<\/p>\n<p>2 \u2014 A representa\u00e7\u00e3o que hoje fazemos dos povos primitivos deslumbrados com as belezas da Natureza, nas quais admiram a bondade do Criador, \u00e9 sem d\u00favida muito po\u00e9tica, mas desprovida de realidade.<\/p>\n<p>Quanto mais pr\u00f3ximo se encontra o homem do estado natural, mais \u00e9 dominado pelo instinto, como ainda podemos ver entre os povos selvagens e b\u00e1rbaros dos nossos dias.<br \/> O que mais o preocupa, ou melhor, o que exclusivamente o preocupa \u00e9 a satisfa\u00e7\u00e3o das suas necessidades vitais, pois na verdade n\u00e3o possui outras.<br \/> O senso moral, que lhe torna poss\u00edvel gozar os prazeres dessa ordem, s\u00f3 se desenvolve aos poucos e demoradamente.<\/p>\n<p>A alma tem a sua inf\u00e2ncia, sua adolesc\u00eancia e sua virilidade, como acontece na vida corp\u00f3rea.<br \/> Mas, para atingir a virilidade, que a torna capaz de compreender as coisas abstratas, quanto deve ainda percorrer no caminho da evolu\u00e7\u00e3o humana! Quantas exist\u00eancias ter\u00e1 ainda de cumprir!<\/p>\n<p>Sem remontarmos aos tempos primitivos, vejamos ao nosso redor as popula\u00e7\u00f5es camponesas e perguntemos que sentimentos de admira\u00e7\u00e3o despertam nelas o nascer do sol com seu esplendor, o c\u00e9u estrelado, o gorjeio dos p\u00e1ssaros, o marulhar das ondas, os prados verdejantes e floridos.<br \/> Para elas, o sol se levanta porque isso \u00e9 habitual e \u00e9 necess\u00e1rio que d\u00ea o calor para amadurecer as colheitas sem as queimar.<br \/> \u00c9 tudo quanto lhes interessa.<br \/> Se olham o c\u00e9u \u00e9 para saber se far\u00e1 bom ou mau tempo no dia seguinte.<br \/> Que os p\u00e1ssaros cantem ou n\u00e3o, isso pouco lhes interessa, desde que n\u00e3o v\u00e3o comer os gr\u00e3os das semeaduras.<br \/> \u00c0s melodias do rouxinol preferem o cacarejar das galinhas e os grunhidos dos porcos.<br \/> O que interessa nas ondas claras ou borbulhantes dos riachos, \u00e9 que n\u00e3o sequem e n\u00e3o produzam inunda\u00e7\u00f5es.<br \/> Quanto aos prados, que lhes d\u00eaem boa pastagem, com ou sem flores.<br \/> \u00c9 tudo quanto desejam, diremos mais, tudo o que compreendem da Natureza, e no entanto est\u00e3o j\u00e1 bem distantes dos homens primitivos!<\/p>\n<p>3 \u2014 Se nos reportamos aos primitivos, vemo-los ainda mais inteiramente preocupados com a satisfa\u00e7\u00e3o de seus interesses materiais.<br \/> Tudo o que serve para os ajudar e tudo o que possa prejudic\u00e1-los resumem para eles o bem e o mal neste mundo.<br \/> Cr\u00eaem num poder extra-humano, mas como o que acarreta preju\u00edzo material \u00e9 o que mais lhes toca, atribuem esses preju\u00edzos ao poder de que fazem, ali\u00e1s, uma id\u00e9ia muito vaga.<br \/> Nada podendo ainda conceber fora do mundo vis\u00edvel e tang\u00edvel, imaginam que esse poder se constitui dos seres e das coisas que lhes s\u00e3o prejudiciais.<\/p>\n<p>Os animais daninhos s\u00e3o, assim, para eles, os agentes naturais e diretos desse poder.<br \/> Pela mesma raz\u00e3o, imaginam a personifica\u00e7\u00e3o do bem nas coisas \u00fateis.<br \/> Vem da\u00ed o culto de certos animais, de certas plantas e mesmo de objetos inanimados.<br \/> Mas o homem \u00e9 geralmente mais sens\u00edvel ao mal do que ao bem, de maneira que o bem lhe parece natural enquanto o mal lhe parece extraordin\u00e1rio.<br \/> \u00c9 por isso que, em todos os cultos primitivos, as cerim\u00f4nias em honra ao poder malfazejo s\u00e3o as mais numerosas: o medo \u00e9 mais dominante que a gratid\u00e3o.<\/p>\n<p>Por muito tempo o homem s\u00f3 compreende o bem e o mal do ponto de vista f\u00edsico.<br \/> O sentimento do bem moral e do mal moral assinala um progresso da alma humana.<br \/> Somente ent\u00e3o o homem entrev\u00ea a espiritualidade e compreende que o poder sobre-humano est\u00e1 fora do mundo vis\u00edvel e n\u00e3o nas coisas materiais.<br \/> Essa conquista pertence a algumas intelig\u00eancias privilegiadas, mas que assim mesmo n\u00e3o conseguem ir al\u00e9m de certos limites.<\/p>\n<p>4 \u2014 Vendo-se uma luta incessante entre o bem e o mal, este freq\u00fcentemente vencendo aquele, e n\u00e3o se podendo racionalmente admitir que o mal seja um poder benfazejo, conclui-se pela exist\u00eancia de dois poderes rivais que governam o mundo.<br \/> Foi assim que nasceu a doutrina dos dois princ\u00edpios: o do bem e o do mal, doutrina l\u00f3gica na ocasi\u00e3o, porque o homem era ainda incapaz de conceber outra e de compreender a natureza do Ser supremo.<br \/> Como poderia compreender que o mal \u00e9 uma ocorr\u00eancia passageira da qual pode sair o bem e que os males que o afligiam deviam lev\u00e1-lo \u00e0 felicidade, ajudando o seu adiantamento?<\/p>\n<p>Os limites do seu horizonte moral nada lhe permitiam ver al\u00e9m da vida presente, nem quanto ao futuro, nem quanto ao passado.<br \/> Ele n\u00e3o podia compreender que havia progredido, nem que teria ainda de progredir individualmente, e menos ainda que as vicissitudes da vida resultam da imperfei\u00e7\u00e3o do seu pr\u00f3prio ser espiritual, que preexiste e sobrevive ao corpo, depurando-se numa s\u00e9rie de exist\u00eancias at\u00e9 chegar \u00e0 perfei\u00e7\u00e3o.<br \/> Para compreender que o bem pode sair do mal n\u00e3o lhe bastava ver apenas uma exist\u00eancia, era necess\u00e1rio abranger o conjunto, pois s\u00f3 ent\u00e3o se tornam claras as verdadeiras causas e os seus efeitos.<\/p>\n<p>5 \u2014 O duplo princ\u00edpio do bem e do mal foi, durante longos s\u00e9culos, sob diferentes nomes, a base de todas as cren\u00e7as religiosas.<br \/> Foi personificado com os nomes de Ormuz e Arim\u00e3 entre os persas e de Jeov\u00e1 e Sat\u00e3 entre os hebreus.<br \/> Mas, como todo soberano deve ter os seus ministros, todas as religi\u00f5es admitiram a exist\u00eancia de poderes secund\u00e1rios que s\u00e3o os g\u00eanios bons ou maus.<br \/> Os pag\u00e3os personificaram esses poderes numa multid\u00e3o de individualidades, tendo cada uma atribui\u00e7\u00f5es especiais no tocante ao bem e ao mal, as virtudes e aos v\u00edcios, dando-lhes a denomina\u00e7\u00e3o geral de deuses.<br \/> Os Crist\u00e3os e os Mu\u00e7ulmanos herdaram dos Hebreus os anjos e os dem\u00f4nios.<\/p>\n<p>6 \u2014 A doutrina dos dem\u00f4nios tem portanto a sua origem na antiga cren\u00e7a no princ\u00edpio do bem e do mal.<br \/> Vamos examin\u00e1-la aqui somente do ponto de vista crist\u00e3o, procurando ver se ela est\u00e1 em rela\u00e7\u00e3o com o conhecimento mais exato que hoje possu\u00edmos dos atributos da Divindade.<\/p>\n<p>Esses atributos s\u00e3o o ponto de partida, a base de todas as doutrinas religiosas.<br \/> Os dogmas, o culto, as cerim\u00f4nias, as pr\u00e1ticas, a moral, tudo nelas se relaciona com a id\u00e9ia mais ou menos justa, mais ou menos elevada que fazem de Deus, desde o fetichismo at\u00e9 o Cristianismo.<br \/> Se a natureza de Deus \u00e9 ainda um mist\u00e9rio para a nossa intelig\u00eancia, entretanto j\u00e1 a compreendemos melhor do que nunca, gra\u00e7as aos ensinamentos do Cristo.<br \/> O Cristianismo, concordando nisso com os princ\u00edpios racionais, nos ensina que:<\/p>\n<p>Deus \u00e9 \u00fanico, eterno, imut\u00e1vel, imaterial, todo-poderoso, soberanamente justo e bom, e todas as suas perfei\u00e7\u00f5es s\u00e3o infinitas.<\/p>\n<p>Como dissemos atr\u00e1s (Cap.<br \/> VI.<br \/> Penas Eternas):  Se tirarmos a menor parcela de um s\u00f3 dos atributos de Deus, n\u00e3o teremos mais Deus, pois poderia existir um ser mais perfeito.<br \/>  Esses atributos, compreendidos na sua mais absoluta plenitude, constituem o crit\u00e9rium de todas as religi\u00f5es, a medida de verdade de cada um dos princ\u00edpios que elas ensinam.<br \/> Para que um desses princ\u00edpios seja verdadeiro \u00e9 preciso que n\u00e3o atente contra nenhuma das perfei\u00e7\u00f5es de Deus.<br \/> Vejamos se isso acontece no tocante \u00e0 doutrina vulgar dos dem\u00f4nios.<\/p>\n<p>Os dem\u00f4nios segundo a Igreja<\/p>\n<p>7 \u2014 Segundo a Igreja, Sat\u00e3, o chefe ou rei dos dem\u00f4nios, n\u00e3o \u00e9 uma personifica\u00e7\u00e3o aleg\u00f3rica do mal, mas um ser real que pratica exclusivamente o mal, enquanto Deus faz exclusivamente o bem.<br \/> Tomemo-lo, pois, exatamente como no-lo apresentam.<\/p>\n<p>Sat\u00e3 existe desde toda a eternidade, como Deus, ou \u00e9 posterior a Deus? Se sempre existiu, \u00e9 incriado e portanto igual a Deus.<br \/> Nesse caso, Deus n\u00e3o \u00e9 \u00fanico, pois h\u00e1 o Deus do bem e o Deus do mal.<\/p>\n<p>Sat\u00e3 \u00e9 posterior? Ent\u00e3o \u00e9 uma criatura de Deus.<br \/> E desde que s\u00f3 faz o mal, sendo incapaz de praticar o bem e de se arrepender, Deus criou um ser destinado perpetuamente ao mal.<br \/> Se o mal n\u00e3o \u00e9 obra de Deus, mas de uma de suas criaturas predestinada a faz\u00ea-lo, Deus ser\u00e1 sempre o seu primeiro autor e nesse caso n\u00e3o \u00e9 infinitamente bom.<br \/> Acontece o mesmo com todos os seres maus chamados dem\u00f4nios.<\/p>\n<p>8 \u2014 Foi essa durante muito tempo a cren\u00e7a a respeito dos dem\u00f4nios.<br \/> Atualmente se diz:<\/p>\n<p>Deus, que \u00e9 a bondade e a santidade em ess\u00eancia, n\u00e3o os havia criado maus e malfazejos.<br \/> Sua m\u00e3o paternal, que se apraz em expandir sobre todas as suas obras um reflexo das suas infinitas perfei\u00e7\u00f5es, lhes havia dado os seus dons mais esplendentes.<br \/> \u00c0s qualidades super-excelentes de sua natureza, acrescentou as abund\u00e2ncias da sua gra\u00e7a: f\u00ea-los em tudo semelhantes aos Esp\u00edritos sublimes que est\u00e3o na sua gl\u00f3ria e felicidade.<br \/> Distribu\u00eddos por todas as ordens e misturados a todos os graus, tinham eles o mesmo objetivo e os mesmos destinos.<br \/> Seu chefe foi o mais belo dos arcanjos.<br \/> Eles mesmos teriam podido merecer a sua confirma\u00e7\u00e3o de justos para sempre e a sua admiss\u00e3o no eterno gozo da felicidade dos c\u00e9us.<br \/> Esta \u00faltima gra\u00e7a teria completado todos os favores que at\u00e9 ent\u00e3o lhes tinham sido feitos, mas deveria ser o pre\u00e7o de sua docilidade e eles se tornaram indignos dela.<br \/> Perderam-se por uma revolta audaciosa e insensata.<\/p>\n<p>O que os impediu de serem perseverantes? Qual a verdade que n\u00e3o haviam conhecido? Que ato de f\u00e9 e de adora\u00e7\u00e3o recusaram a Deus? A Igreja e os anais da hist\u00f3ria santa nada dizem a respeito de maneira positiva, mas parece certo que n\u00e3o aceitaram a media\u00e7\u00e3o do Filho de Deus para eles mesmos nem a exalta\u00e7\u00e3o da natureza humana em Jesus Cristo.<\/p>\n<p>O Verbo Divino, que fez todas as coisas, \u00e9 tamb\u00e9m o \u00fanico mediador e salvador no C\u00e9u e na Terra.<br \/> O destino sobrenatural s\u00f3 foi dado aos anjos e aos homens na previs\u00e3o de sua encarna\u00e7\u00e3o e de seus m\u00e9ritos.<br \/> Porque n\u00e3o h\u00e1 nenhuma propor\u00e7\u00e3o entre as obras dos Esp\u00edritos mais eminentes e essa recompensa que \u00e9 o pr\u00f3prio Deus em si mesmo.<br \/> Nenhuma criatura teria podido chegar at\u00e9 esse ponto sem essa interven\u00e7\u00e3o maravilhosa e sublime de caridade.<br \/> Ora, para cobrir a dist\u00e2ncia infinita que separa a ess\u00eancia divina das obras de suas pr\u00f3prias m\u00e3os, era necess\u00e1rio que ele reunisse na sua pessoa os dois extremos e associasse a sua divindade \u00e0 natureza do anjo ou \u00e0 do homem: ele preferiu a natureza humana.<\/p>\n<p>Esse plano, concebido desde toda a eternidade, foi revelado aos anjos muito tempo antes da sua realiza\u00e7\u00e3o.<br \/> O Homem-Deus lhes foi mostrado no futuro como Aquele que devia confirm\u00e1-los na gra\u00e7a e introduzi-los na gl\u00f3ria, com a condi\u00e7\u00e3o de que o adorassem na Terra durante a sua miss\u00e3o, e no C\u00e9u pelos s\u00e9culos dos s\u00e9culos.<br \/> Revela\u00e7\u00e3o inesperada, vis\u00e3o arrebatadora para os cora\u00e7\u00f5es generosos e reconhecidos, mas mist\u00e9rio profundo e humilhante para os Esp\u00edritos soberbos!<\/p>\n<p>Este destino sobrenatural, o peso imenso dessa gl\u00f3ria que lhes era proposta n\u00e3o seria unicamente a recompensa de seus m\u00e9ritos pessoais! Jamais se poderiam atribuir, por si mesmos, os t\u00edtulos da sua posse! Um mediador entre eles e Deus, que ofensa feita \u00e0 sua dignidade! A prefer\u00eancia gratuita pela natureza humana, que injusti\u00e7a! Que atentado aos seus direitos! Essa humanidade que lhes era t\u00e3o inferior, teriam de v\u00ea-Ia um dia endeusada pela sua uni\u00e3o com o Verbo e assentada \u00e0 direita de Deus, sobre um trono resplandecente? Concordar\u00e3o eles a prestar-lhe eternamente as suas homenagens e a sua adora\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>L\u00facifer e a terceira parte dos anjos sucumbiram a esses pensamentos de inveja e de orgulho.<br \/> S\u00e3o Miguel, e com ele a maioria, exclamaram: quem \u00e9 semelhante a Deus? Ele \u00e9 o senhor de seus dons e o soberano Senhor de todas as coisas.<br \/> Gl\u00f3ria a Deus e ao Cordeiro que ser\u00e1 imolado para a salva\u00e7\u00e3o do mundo! Mas o chefe dos rebeldes, esquecendo que devia ao seu criador a sua pr\u00f3pria nobreza e as suas prerrogativas, preferiu escutar a sua pr\u00f3pria temeridade e respondeu: eu mesmo subirei ao c\u00e9u, estabelecerei a minha morada acima dos astros, me assentarei sobre a montanha da Alian\u00e7a, nos flancos do Arquil\u00e3o, dominarei as nuvens mais elevadas e serei semelhante ao Alt\u00edssimo.<br \/> \u2014 Os que partilhavam os seus sentimentos acolheram essas palavras com um murmurar de aprova\u00e7\u00e3o, e eles estavam em todas as ordens da hierarquia, mas a sua multid\u00e3o n\u00e3o os livrou do castigo.<\/p>\n<p>9 \u2014 Essa doutrina provoca numerosas obje\u00e7\u00f5es:<\/p>\n<p>1\u00aa) Se Sat\u00e3 e os dem\u00f4nios eram anjos, \u00e9 que eram perfeitos; como, sendo perfeitos, puderam falir, desconhecendo dessa maneira a autoridade de Deus em cuja presen\u00e7a se encontravam? Poder-se-ia ainda conceber que, se tivessem chegado \u00e0 esta emin\u00eancia de maneira gradual, ap\u00f3s haver passado pelos planos da imperfei\u00e7\u00e3o, pudessem ter sofrido uma queda dolorosa.<br \/> Mas o que torna o problema mais incompreens\u00edvel \u00e9 que s\u00e3o apresentados como tendo sido criados perfeitos.<br \/>(36)<\/p>\n<p>A conseq\u00fc\u00eancia dessa teoria \u00e9 a seguinte: Deus quiz faz\u00ea-los seres perfeitos, desde que os cumulou de todos os dons, mas se enganou.<br \/> Assim, segundo a Igreja, Deus n\u00e3o \u00e9 infal\u00edvel.<br \/>(37)<\/p>\n<p>2\u00aa) Desde que nem a Igreja nem os anais da Hist\u00f3ria Sagrada explicam a causa da revolta dos anjos contra Deus, que somente parece certo que foi a recusa de reconhecer a miss\u00e3o futura do Cristo, que valor pode ter o quadro t\u00e3o preciso e detalhado da cena que ent\u00e3o se passou? Em que fonte encontrou ela as express\u00f5es t\u00e3o precisas que reproduziu, como tendo sido pronunciadas na ocasi\u00e3o e at\u00e9 mesmo os simples murm\u00farios? De duas, uma: ou a cena \u00e9 verdadeira ou n\u00e3o \u00e9.<br \/> Se \u00e9 verdadeira, n\u00e3o h\u00e1 qualquer incerteza.<br \/> Ent\u00e3o, porque a Igreja n\u00e3o decidiu a quest\u00e3o? Se a Igreja e a Hist\u00f3ria se calam, a causa apenas parece certa, tudo n\u00e3o passa de suposi\u00e7\u00e3o e a descri\u00e7\u00e3o da cena \u00e9 simples obra de imagina\u00e7\u00e3o.<br \/>(38,39)<\/p>\n<p>Como sabemos hoje, as nuvens n\u00e3o se encontram al\u00e9m de duas l\u00e9guas acima da Terra.<br \/> Para dizer que dominariam as nuvens mais elevadas, referindo-se \u00e0s montanhas, era necess\u00e1rio que as cenas se passassem na face da Terra e que nesta, portanto, estivesse a morada dos anjos.<br \/> Se essa morada estiver nas regi\u00f5es superiores, estaria claro que devia situar-se muito al\u00e9m das nuvens.<br \/> Atribuir aos anjos uma linguagem tomada de empr\u00e9stimo \u00e0 ignor\u00e2ncia dos homens seria declarar que estes, hoje, sabem mais do que os anjos.<br \/> A Igreja sempre cometeu o erro de n\u00e3o levar em considera\u00e7\u00e3o os progressos da ci\u00eancia.<\/p>\n<p>(36) Essa doutrina monstruosa foi dada por Mois\u00e9s quando disse (G\u00eanese, Cap, VI, v.<br \/> 6,7):  Ele se arrependeu de haver criado o homem na Terra.<br \/> E, tocado de dor at\u00e9 o mais fundo do cora\u00e7\u00e3o, disse: exterminarei da Terra o homem que criei, exterminarei tudo, desde o homem at\u00e9 os animais, desde os que rastejam no solo at\u00e9 os p\u00e1ssaros do c\u00e9u, porque eu me arrependo de os haver feito.<\/p>\n<p>Um Deus que se arrepende daquilo que fez n\u00e3o \u00e9 perfeito nem infal\u00edvel: portanto, n\u00e3o \u00e9 Deus.<br \/> Essas s\u00e3o, n\u00e3o obstante, as palavras que a Igreja proclama como verdades sagradas.<br \/> Por outro lado, n\u00e3o se percebe, de maneira alguma, o que havia de comum entre os animais e a perversidade dos homens, para merecerem aqueles a sua extermina\u00e7\u00e3o.<br \/> (N.<br \/> de Kardec).<\/p>\n<p>(37) A revolu\u00e7\u00e3o teol\u00f3gica atualmente em curso d\u00e1 pouca import\u00e2ncia ao problema dos anjos, preocupada quase exclusivamente com o homem.<br \/> No Catecismo Holand\u00eas, que apresenta a f\u00e9 para adultos, a distin\u00e7\u00e3o entre os anjos e os homens permanece a mesma do tempo de Kardec.<br \/> Definindo-os, diz o Catecismo:  S\u00e3o mensageiros ou virtudes que prov\u00eam de Deus, esp\u00edritos servidores (Hebreus 1,14) freq\u00fcentemente apresentados na B\u00edblia em forma humana.<br \/> D\u00e3o forma \u00e0 bondade de Deus e constituem as grandes virtudes boas que colaboram conosco nesta cria\u00e7\u00e3o.<br \/> Seria a exist\u00eancia deles, hip\u00f3tese pertencente \u00e0 concep\u00e7\u00e3o do mundo que reina na Sagrada Escritura? Ou faz esta exist\u00eancia parte integrante da revela\u00e7\u00e3o de Deus?  \u2014 Como se v\u00ea, os anjos s\u00e3o um mist\u00e9rio.<br \/> (N.<br \/> do T.<br \/>)<\/p>\n<p>3\u00aa) As palavras atribu\u00eddas a L\u00facifer revelam uma ignor\u00e2ncia que nos assustamos de ver num arcanjo que por sua pr\u00f3pria natureza e pelo grau que havia alcan\u00e7ado, n\u00e3o devia participar, no tocante \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o do Universo, dos erros e dos preconceitos que os homens professaram at\u00e9 o momento em que a Ci\u00eancia veio esclarec\u00ea-los.<br \/> Como poderia ele dizer:  Estabelecerei a minha morada acima dos astros, dominarei as nuvens mais elevadas ? \u00c9 sempre a antiga cren\u00e7a que tem a Terra como centro do Universo, o c\u00e9u de nuvens que se estende at\u00e9 as estrelas, a regi\u00e3o limitada das estrelas formando a c\u00fapula que a Astronomia nos mostra aberta ao espa\u00e7o infinito, onde as estrelas se espalham.<\/p>\n<p>(38) Encontra-se em Isaias, cap.<br \/> XVI, v.<br \/> 11 e seguintes:  Teu orgulho foi precipitado nos infernos, teu corpo morto tombou na Terra, tua cama ser\u00e1 a podrid\u00e3o e tua vestimenta ser\u00e1 de vermes.<br \/> Como tombaste do c\u00e9u, L\u00facifer, tu que parecias t\u00e3o brilhante como o sol ao meio-dia? Como foste lan\u00e7ado sobre a Terra, tu que golpeavas e ferias as na\u00e7\u00f5es, que dizias no teu cora\u00e7\u00e3o: eu subirei ao c\u00e9u e estabelecerei meu trono sobre os astros de Deus, e me assentarei sobre a montanha da Alian\u00e7a, nos flancos do Aquil\u00e3o, me colocarei sobre as nuvens mais elevadas e serei semelhante ao Alt\u00edssimo? \u2014 E no entanto foste precipitado desta gl\u00f3ria para o inferno, at\u00e9 os mais fundos dos abismos.<br \/> \u2014 Os que puderem ver-te, aproximando-se de ti, depois de te encararem, dir\u00e3o: \u00e9 este o homem que atemorizou a Terra, que encheu de terror os reinos e transformou o mundo num deserto, destruiu as cidades e prendeu em cadeias os que fez prisioneiros? <\/p>\n<p>Essas palavras do profeta n\u00e3o se referem \u00e0 revolta dos anjos, mas aludiam ao orgulho e \u00e0 queda do rei de Babil\u00f4nia que mantinha os judeus no cativeiro, como o provam os \u00faltimos vers\u00edculos.<br \/> O Rei de Babil\u00f4nia \u00e9 designado, por alegoria, sob o nome de L\u00facifer, mas n\u00e3o se faz nenhuma refer\u00eancia \u00e0 cena acima descrita.<br \/> Essas palavras s\u00e3o do Rei, que as dizia no seu cora\u00e7\u00e3o e se colocava, pelo seu orgulho, acima de Deus, cujo povo retinha cativo.<br \/> A predi\u00e7\u00e3o da liberta\u00e7\u00e3o dos judeus, da ruina de Babil\u00f4nia e da derrota dos ass\u00edrios \u00e9, ali\u00e1s, o objeto exclusivo desse cap\u00edtulo.<br \/> (N.<br \/> de Kardec).<\/p>\n<p>(39) Tratando de Satan\u00e1s, diz o Catecismo Holand\u00eas simplesmente que ele pode ser considerado da mesma maneira que os anjos   .<br \/>.<br \/>.<br \/>mas em dire\u00e7\u00e3o oposta: ele \u00e9 a for\u00e7a reacion\u00e1ria.<br \/> N\u00e3o em p\u00e9 de igualdade, n\u00e3o t\u00e3o original nem t\u00e3o poderoso quanto Deus, como bem nos revela expressamente a Escritura.<br \/> \u00c9 ele a mal\u00edcia tremenda que vemos agir eficazmente na Humanidade.<br \/> Ultrapassa de t\u00e3o longe a mal\u00edcia individual que nos perguntamos: qual \u00e9 a for\u00e7a que est\u00e1 agindo aqui? Uma for\u00e7a meramente humana?  \u2014 Como se v\u00ea, a posi\u00e7\u00e3o teol\u00f3gica dos nossos dias continua amb\u00edgua em refer\u00eancia ao problema dos anjos e dem\u00f4nios.<br \/> A Igreja ainda n\u00e3o conseguiu escapar da dualidade mazdeista, considerando Deus como sendo ao mesmo tempo o Poder Supremo e a sua pr\u00f3pria oposi\u00e7\u00e3o.<br \/> A cr\u00edtica de Kardec, portanto, continua v\u00e1lida.<br \/> \u2014 (O Novo Catecismo, Editora Herder, S\u00e3o Paulo, 1969, com parecer para o Nihil Obstat e Imprimatur, do Cardeal Arcebispo, por Mons.<br \/> Dr.<br \/> Roberto Mascarenhas Roxo.<br \/> O parecer lembra que o Conc\u00edlio Vaticano reafirmou a tese do IV Conc\u00edlio de Latr\u00e3o e esclarece:  A f\u00e9 n\u00e3o define a natureza  filos\u00f3fica  desses seres.<br \/> Afirma-os  esp\u00edritos , i.<br \/> e.<br \/>, de natureza diversa, do homem enquanto simultaneamente espiritual e material ).<br \/> (N.<br \/> do T.<br \/>)<\/p>\n<p>10 \u2014 A resposta \u00e0 primeira obje\u00e7\u00e3o se encontra na passagem seguinte:<\/p>\n<p>A Escritura e a Tradi\u00e7\u00e3o designam o C\u00e9u como o lugar em que os anjos foram colocados no momento da sua cria\u00e7\u00e3o.<br \/> Mas esse n\u00e3o \u00e9 o c\u00e9u dos c\u00e9us, o c\u00e9u da vis\u00e3o beat\u00edfica, onde Deus se mostra aos seus eleitos face a face e onde esses eleitos o contemplam sem dificuldades e sem esfor\u00e7os, porque l\u00e1 n\u00e3o existem mais perigos nem possibilidades de pecar; a tenta\u00e7\u00e3o e a fraqueza s\u00e3o ali desconhecidas; a justi\u00e7a, a alegria e a paz reinam com seguran\u00e7a absoluta; a santidade e a gl\u00f3ria s\u00e3o imperec\u00edveis.<br \/> Era portanto outra regi\u00e3o celeste, uma esfera luminosa e afortunada em que essas nobres criaturas, largamente favorecidas pelas comunica\u00e7\u00f5es divinas, deviam receb\u00ea-las e aceit\u00e1-las pela humildade da f\u00e9, antes de serem admitidas \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de verem claramente a realidade na pr\u00f3pria ess\u00eancia de Deus.<\/p>\n<p>Disto resulta que os anjos falidos pertencem a uma categoria menos elevada, menos perfeita, de maneira que ainda n\u00e3o haviam atingido a regi\u00e3o suprema em que a falta \u00e9 imposs\u00edvel.<br \/> Seja, mas ent\u00e3o h\u00e1 uma contradi\u00e7\u00e3o manifesta porque est\u00e1 dito no texto que:  Deus os havia criado em tudo semelhantes aos Esp\u00edritos sublimes; que, distribu\u00eddos em todas as ordens e misturados a todos os graus, eles tinham o mesmo objetivo e a mesma destina\u00e7\u00e3o; que o seu chefe era o mais belo dos arcanjos .<br \/> Se eles foram feitos em tudo semelhantes aos outros, n\u00e3o podiam ter uma natureza inferior, e se estavam misturados a todos os graus, n\u00e3o podiam estar num lugar especial.<br \/> A obje\u00e7\u00e3o, portanto, subsiste em toda a sua inteireza.<\/p>\n<p>11 \u2014 H\u00e1 ainda outra que \u00e9, inegavelmente, a mais grave e a mais s\u00e9ria.<\/p>\n<p>Est\u00e1 escrito:  Esse plano (a media\u00e7\u00e3o de Cristo) concebido desde toda a eternidade, foi revelado aos anjos muito tempo antes da sua realiza\u00e7\u00e3o.<br \/>  Deus sabia, portanto, desde toda a eternidade, que os anjos, tanto quanto os homens, tinham necessidade dessa media\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Sabia, ou n\u00e3o sabia que certos anjos falhariam, que a sua queda acarretaria para eles a condena\u00e7\u00e3o eterna e sem esperan\u00e7a de retorno; que eles seriam destinados a tentar os homens e que estes, os que se deixassem seduzir, teriam a mesma sorte.<\/p>\n<p>Se Deus sabia tudo isso, ent\u00e3o criou os anjos, em conhecimento de causa, para a perda irrevog\u00e1vel e para por a perder a maior parte do g\u00eanero humano.<br \/> Por mais que se fa\u00e7a, \u00e9 imposs\u00edvel conciliar a sua cria\u00e7\u00e3o, em face de semelhante previs\u00e3o, com a sua soberana bondade.<br \/> Se, por outro lado, ele nada sabia, n\u00e3o era onisciente nem todo-poderoso.<br \/> Num e noutro caso, temos a nega\u00e7\u00e3o de atributos sem a plenitude dos quais Deus n\u00e3o seria Deus.<\/p>\n<p>12 \u2014 Se admitirmos a falibilidade dos anjos, semelhante \u00e0 dos homens, a puni\u00e7\u00e3o \u00e9 uma conseq\u00fc\u00eancia natural e justa da falta cometida, desde que se admita ao mesmo tempo a possibilidade do resgate para o retorno ao bem, \u00e0 reintegra\u00e7\u00e3o na gra\u00e7a ap\u00f3s o arrependimento e a expia\u00e7\u00e3o.<br \/> N\u00e3o haveria nada que ent\u00e3o desmentisse a bondade de Deus.<br \/> Deus sabia que eles faliriam e seriam punidos, mas sabia tamb\u00e9m que o castigo tempor\u00e1rio seria um meio de faz\u00ea-los compreender a pr\u00f3pria falta e portanto reverteria em seu benef\u00edcio.<\/p>\n<p>Assim se cumpririam estas palavras do profeta Ezequiel:  Deus n\u00e3o quer a morte do pecador, mas a sua salva\u00e7\u00e3o.<br \/>  (Ver cap.<br \/> VII, n\u00ba 20).<br \/> O que seria a nega\u00e7\u00e3o da bondade de Deus \u00e9 a inutilidade do arrependimento e a impossibilidade do retorno ao bem.<br \/> Nessa hip\u00f3tese \u00e9 rigorosamente exato dizer-se que:  Esses anjos, desde a sua cria\u00e7\u00e3o, pois que Deus n\u00e3o o podia ignorar, foram destinados ao mal pela eternidade e predestinados a se transformarem em dem\u00f4nios para arrastar os homens ao mal .<\/p>\n<p>13 \u2014 Vejamos agora qual \u00e9 a sorte destes anjos e o que eles fazem:<\/p>\n<p>Mal eclodira a revolta na linguagem dos Esp\u00edritos, quer dizer, nos impulsos dos seus pensamentos, foram eles banidos irrevogavelmente da cidade celeste e precipitados no abismo.<\/p>\n<p>Por essas palavras entendemos que eles foram relegados a um lugar de supl\u00edcios onde tivessem de sofrer a penalidade do fogo, conforme o que diz o texto do Evangelho, que procede das pr\u00f3prias palavras do Salvador:  Ide, malditos, ao fogo eterno que foi preparado para o dem\u00f4nio e seus anjos.<br \/>  S\u00e3o Pedro diz expressamente:  Que Deus os enviou \u00e0s cadeias e \u00e0s torturas do inferno; mas nem todos ficam ali perpetuamente; somente no fim do mundo \u00e9 que ser\u00e3o encerrados para sempre com os condenados.<br \/> Atualmente Deus ainda permite que eles ocupem um lugar na cria\u00e7\u00e3o a que pertencem, ordem das coisas \u00e0 qual se liga a sua exist\u00eancia, nas rela\u00e7\u00f5es enfim que eles devem ter com os homens e das quais abusam da maneira mais perniciosa.<br \/> Enquanto uns permanecem na sua morada tenebrosa, servindo de instrumento \u00e0 justi\u00e7a divina, contra as almas infortunadas que seduziram, numerosos outros, formando legi\u00f5es infinitas e invis\u00edveis, sob a conduta de seus chefes, moram nas camadas inferiores da nossa atmosfera e percorrem todas as partes do globo.<br \/> Est\u00e3o infiltrados em tudo que se passa neste mundo e na maioria das vezes desempenham o papel mais ativo.<\/p>\n<p>No que concerne \u00e0s palavras do Cristo sobre o supl\u00edcio do fogo eterno, ver o cap\u00edtulo IV, intitulado O Inferno.<\/p>\n<p>14 \u2014 Segundo esta doutrina, uma parte dos dem\u00f4nios fica somente no inferno enquanto a outra erra em liberdade, intrometendo-se em tudo que se passa neste mundo, divertindo-se em praticar o mal, e isso at\u00e9 o fim do mundo, cuja data indeterminada n\u00e3o chegar\u00e1 provavelmente t\u00e3o cedo.<br \/> Mas por que essa diversidade? S\u00e3o estes menos culpados? Seguramente n\u00e3o.<br \/> A menos que se revezem nos seus pap\u00e9is, o que parece resultar desta passagem:  Enquanto uns permanecem na sua morada tenebrosa e servem de instrumento \u00e0 justi\u00e7a divina contra as almas infortunadas que seduziram .<\/p>\n<p>Suas fun\u00e7\u00f5es consistem, pois, em atormentar as almas que seduziram.<br \/> Assim, n\u00e3o est\u00e3o encarregados de punir as que s\u00e3o culpadas de faltas livre e involuntariamente cometidas, mas aquelas que cairam pelas suas pr\u00f3prias provoca\u00e7\u00f5es.<br \/> S\u00e3o, ao mesmo tempo, a causa da falta, e o instrumento do castigo.<br \/> E, coisa que a justi\u00e7a humana por mais imperfeita n\u00e3o admitiria, a v\u00edtima que sucumbe por fraqueza, na ocasi\u00e3o preparada para isso, \u00e9 punida t\u00e3o severamente como o agente provocador que empregou contra ela a artimanha e a ast\u00facia.<br \/> A puni\u00e7\u00e3o \u00e9 at\u00e9 mais severa, porque ela vai ao inferno ao deixar a Terra, para dali nunca mais sair, sofrendo sem tr\u00e9gua nem perd\u00e3o pela eternidade, enquanto aquele que foi a causa da sua queda goza de uma dila\u00e7\u00e3o de prazo, em liberdade at\u00e9 o fim do mundo! A justi\u00e7a de Deus n\u00e3o seria ent\u00e3o mais perfeita que a dos homens?<\/p>\n<p>15 \u2014 Isso n\u00e3o \u00e9 tudo.<br \/>  Deus permite que eles ocupem ainda um lugar na cria\u00e7\u00e3o, nas rela\u00e7\u00f5es que devem ter com os homens e das quais abusam da maneira mais perniciosa.<br \/>  Deus poderia ignorar que eles iam abusar da liberdade que lhes concedia? Ent\u00e3o porque a concedeu? Foi pois em conhecimento de causa que deixou as suas criaturas \u00e0 merc\u00ea dos dem\u00f4nios, sabendo, em virtude da sua infinita presci\u00eancia, que elas sucumbiriam e teriam a mesma sorte dos tentadores.<\/p>\n<p>N\u00e3o tinham elas a sua pr\u00f3pria fraqueza, sem a necessidade de que fossem excitadas ao mal por um inimigo tanto mais perigoso, quanto invis\u00edvel? Ainda se o castigo fosse apenas tempor\u00e1rio e o culpado pudesse salvar-se pela repara\u00e7\u00e3o! Mas n\u00e3o: ele \u00e9 condenado pela eternidade.<br \/> Seu arrependimento, seu retorno ao bem, suas lamenta\u00e7\u00f5es, tudo \u00e9 sem valor.<\/p>\n<p>Os dem\u00f4nios s\u00e3o assim agentes provocadores predestinados a recrutar almas para o inferno, e isso com a permiss\u00e3o de Deus, que sabia, ao criar essas almas, a sorte que lhes estava reservada.<br \/> Que se diria, aqui na Terra, de um juiz que usasse semelhantes meios para encher as pris\u00f5es? Estranha id\u00e9ia que nos d\u00e3o da Divindade de um Deus cujos atributos essenciais s\u00e3o a soberana justi\u00e7a e a soberana bondade!<\/p>\n<p>E \u00e9 em nome de Jesus Cristo, daquele que s\u00f3 pregou o amor, a caridade e o perd\u00e3o, que se ensinam semelhantes doutrinas! Houve um tempo em que esses absurdos passavam despercebidos.<br \/> N\u00e3o podiam ser compreendidos, n\u00e3o chocavam os sentimentos.<br \/> O homem, arcado ao jugo do despotismo, submetia a sua raz\u00e3o de maneira cega, ou melhor, abdicava da raz\u00e3o.<br \/> Mas hoje a hora da emancipa\u00e7\u00e3o j\u00e1 soou.<br \/> Ele compreende a justi\u00e7a e deseja t\u00ea-la durante a sua vida e ap\u00f3s a sua morte.<br \/> Eis porque ele clama: isso n\u00e3o \u00e9 assim, n\u00e3o pode ser assim ou Deus n\u00e3o \u00e9 Deus!<\/p>\n<p>16 \u2014 O castigo segue por toda a parte esses seres deca\u00eddos e malvistos, que levam sempre consigo o seu pr\u00f3prio inferno: eles n\u00e3o t\u00eam paz nem repouso; as pr\u00f3prias do\u00e7uras da esperan\u00e7a foram transformadas para eles em amarguras.<br \/> A esperan\u00e7a lhes \u00e9 odiosa.<br \/> A m\u00e3o de Deus os feriu no ato mesmo do pecado e a sua vontade se obstinou no mal.<br \/> Tornados perversos, n\u00e3o querem mais deixar de s\u00ea-lo e o s\u00e3o para sempre.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s o pecado eles s\u00e3o o que o homem \u00e9 depois da morte.<br \/> A reabilita\u00e7\u00e3o dos que ca\u00edram \u00e9 pois imposs\u00edvel.<br \/> Sua perda \u00e9 sem repara\u00e7\u00e3o e eles perseveram no seu orgulho face a face com Deus, no seu \u00f3dio contra Cristo, na sua inveja da humanidade.<\/p>\n<p>N\u00e3o tendo podido conquistar a gl\u00f3ria do c\u00e9u, pelo excesso de suas ambi\u00e7\u00f5es, procuram estabelecer o seu imp\u00e9rio na Terra e dela afastar o reino de Deus.<br \/> O Verbo feito carne cumpriu, apesar deles, os seus des\u00edgnios para a salva\u00e7\u00e3o e a gl\u00f3ria da humanidade.<br \/> Empregam, pois, todos os seus meios para levar \u00e0 perdi\u00e7\u00e3o \u00e0s almas resgatadas.<br \/> A ast\u00facia e a importuna\u00e7\u00e3o, a mentira e a sedu\u00e7\u00e3o s\u00e3o utilizadas para as conduzir ao mal e \u00e0 ru\u00edna completa.<\/p>\n<p>Com tais inimigos, a vida do homem, desde o ber\u00e7o at\u00e9 o t\u00famulo, n\u00e3o pode ser, desgra\u00e7adamente, sen\u00e3o uma luta perp\u00e9tua, porque eles s\u00e3o poderosos e infatig\u00e1veis.<\/p>\n<p>Esses inimigos, com efeito, s\u00e3o os mesmos que, depois de introduzirem o mal no mundo, cobriram a Terra com as trevas espessas do erro e do v\u00edcio.<br \/> S\u00e3o os que, durante muitos s\u00e9culos, fizeram adorar-se como deuses reinando como senhores sobre os povos da Antig\u00fcidade.<br \/> S\u00e3o, enfim os que ainda exercem o seu imp\u00e9rio tir\u00e2nico sobre as regi\u00f5es id\u00f3latras, fomentando a desordem e o esc\u00e2ndalo at\u00e9 mesmo no seio das sociedades crist\u00e3s.<\/p>\n<p>Para se compreender todos os recursos de que eles disp\u00f5em para o servi\u00e7o da sua maldade, basta notar que eles nada perderam das prodigiosas faculdades, que s\u00e3o o apan\u00e1gio da natureza ang\u00e9lica.<br \/> Sem d\u00favida, o futuro e sobretudo a ordem sobrenatural tem mist\u00e9rios que Deus se reserva e que eles n\u00e3o podem descobrir.<br \/> Mas a sua intelig\u00eancia \u00e9 muito superior \u00e0 nossa, porque eles percebem num simples olhar os efeitos ainda nas suas causas, e as causas nos seus efeitos.<br \/> Essa penetra\u00e7\u00e3o lhes permite anunciar com anteced\u00eancia acontecimentos que escapam \u00e0s nossas conjeturas.<br \/> A diversidade e a dist\u00e2ncia dos lugares desaparecem diante da sua agilidade.<br \/> Mais r\u00e1pidos que o raio, mais instant\u00e2neos que os pensamentos, eles se encontram quase ao mesmo tempo sobre diversos pontos do globo e podem descrever de longe os acontecimentos que testemunham na mesma hora em que eles se verificam.<\/p>\n<p>As leis gerais pelas quais Deus rege e governa o universo n\u00e3o est\u00e3o ao seu sabor: eles n\u00e3o podem interrog\u00e1-las, nem portanto predizer ou operar verdadeiros milagres, mas possuem a arte de imitar e falsificar as obras divinas dentro de certos limites.<br \/> Sabem quais os fen\u00f4menos que resultam da combina\u00e7\u00e3o dos elementos e predizem com seguran\u00e7a os resultados de combina\u00e7\u00f5es naturais como os das combina\u00e7\u00f5es que podem fazer por si mesmos.<br \/> Da\u00ed esses or\u00e1culos numerosos, os vatic\u00ednios extraordin\u00e1rios de que os livros sagrados e profanos nos guardaram a lembran\u00e7a e que serviram de base e de alimento para todas as supersti\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>A sua subst\u00e2ncia simples e imaterial escapa aos nossos olhos.<br \/> Eles est\u00e3o ao nosso lado sem que os percebamos; tocam a nossa alma sem tocar os nossos ouvidos; cremos obedecer ao nosso pr\u00f3prio pensamento, quando estamos sofrendo as suas tenta\u00e7\u00f5es e a sua funesta influ\u00eancia.<br \/> Ao contr\u00e1rio disso, as nossas disposi\u00e7\u00f5es s\u00e3o conhecidas por eles, atrav\u00e9s das impress\u00f5es que nos fazem sentir, o que lhes permite nos atacarem, em geral pelo nosso lado mais fraco.<br \/> Para nos seduzirem com mais seguran\u00e7a costumam apresentar-nos id\u00e9ias e sugest\u00f5es de acordo com as nossas tend\u00eancias.<br \/> Modificam a sua atitude segundo as circunst\u00e2ncias e de acordo com os tra\u00e7os caracter\u00edsticos de cada temperamento.<br \/> Mas as suas armas favoritas s\u00e3o a mentira e a hipocrisia.<\/p>\n<p>17 \u2014 O castigo, dizem, os segue por toda parte.<br \/> N\u00e3o t\u00eam mais nem paz nem repouso.<br \/> Isso n\u00e3o destr\u00f3i a observa\u00e7\u00e3o referente ao descanso dos que n\u00e3o est\u00e3o no inferno, descanso tanto menos justificado, quanto, estando de fora praticam ainda muito maior mal.<br \/> Sem d\u00favida, eles n\u00e3o s\u00e3o felizes como os anjos bons, mas seria contada a liberdade de que gozam? Se eles n\u00e3o t\u00eam a felicidade moral que a virtude proporciona, s\u00e3o entretanto menos infelizes que os seus c\u00famplices que se acham nas chamas.<br \/> Al\u00e9m disso o malvado sempre desfruta uma esp\u00e9cie de prazer ao praticar o mal com toda a liberdade.<br \/> Pergunte-se a um criminoso se para ele tanto faz estar na pris\u00e3o ou percorrer os campos cometendo os seus crimes \u00e0 vontade.<br \/> A situa\u00e7\u00e3o \u00e9 exatamente a mesma?<\/p>\n<p>O remorso, dizem, o persegue sem tr\u00e9guas nem piedade.<br \/> Mas se esquecem de que o remorso \u00e9 precursor imediato do arrependimento, quando j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 o pr\u00f3prio arrependimento.<br \/> Dizem:  Tornando-se perversos, eles n\u00e3o querem mais deixar esse caminho e o seguem para sempre.<br \/>  Mas ent\u00e3o, se eles n\u00e3o querem deixar de ser perversos, \u00e9 que n\u00e3o sofrem remorsos.<br \/> Se tivessem o menor pesar, cessariam de praticar o mal e clamariam pelo perd\u00e3o.<br \/> Assim, o remorso n\u00e3o \u00e9 um castigo para eles.<\/p>\n<p>18 \u2014  Eles est\u00e3o ap\u00f3s o pecado como o homem ap\u00f3s a morte.<br \/> A reabilita\u00e7\u00e3o.<br \/> dos que cairam \u00e9 pois imposs\u00edvel.<br \/>  De onde vem essa impossibilidade? N\u00e3o se compreende que decorra da semelhan\u00e7a de situa\u00e7\u00e3o com a do homem ap\u00f3s a morte, proposi\u00e7\u00e3o que, ali\u00e1s, n\u00e3o \u00e9 bastante clara.<br \/> Essa impossibilidade vir\u00e1 da sua pr\u00f3pria vontade ou da vontade de Deus? Se for da sua vontade, denota extrema perversidade, um endurecimento absoluto no mal.<br \/> Nesse caso, n\u00e3o se compreende que seres t\u00e3o essencialmente maus tenham jamais podido estar entre os anjos virtuosos e que, durante o tempo infinito que passaram entre eles, n\u00e3o tenham deixado perceber nenhum sinal de sua maldade natural.<br \/> Se for da vontade de Deus, ainda menos se compreende que lhes possa ser dado, como castigo, a impossibilidade de voltar ao bem, ap\u00f3s a pr\u00e1tica da primeira falta.<br \/> O Evangelho n\u00e3o ensina nada semelhante.<\/p>\n<p>19 \u2014  Sua perda, acrescenta, \u00e9 desde ent\u00e3o irremedi\u00e1vel e eles perseveram no seu orgulho face a face com Deus.<br \/>  De que lhes serviria n\u00e3o perseverar desde que todo o arrependimento \u00e9 in\u00fatil ? Se tivessem a esperan\u00e7a de uma reabilita\u00e7\u00e3o, a qualquer pre\u00e7o que fosse, o bem poderia ser alguma coisa para eles, enquanto dessa maneira n\u00e3o \u00e9 nada.<br \/> Se perseveram no mal \u00e9 porque a porta da esperan\u00e7a foi fechada para eles.<br \/> E porque Deus a fechou? Para se vingar da ofensa que lhe fizeram ao faltarem com a submiss\u00e3o.<br \/> Assim, para vingar o seu ressentimento contra alguns culpados, Deus prefere v\u00ea-los, n\u00e3o somente sofrer, mas continuarem a praticar o mal em lugar do bem, induzindo ao mal e lan\u00e7ando \u00e0 perdi\u00e7\u00e3o eterna todas as criaturas do g\u00eanero humano, quando bastaria um simples ato de clem\u00eancia para evitar tamanho desastre, um desastre j\u00e1 predeterminado desde toda a eternidade?<\/p>\n<p>Seria, por acaso, esse ato de clem\u00eancia uma gra\u00e7a pura e simples, que pudesse reverter em encorajamento ao mal? N\u00e3o, mas um perd\u00e3o condicional, subordinado a um futuro e sincero retorno ao bem.<br \/> Em lugar de uma palavra de esperan\u00e7a e miseric\u00f3rdia, fizeram Deus dizer: pere\u00e7a toda a ra\u00e7a humana, ante a minha vingan\u00e7a! E admiram-se que com uma tal doutrina haja incr\u00e9dulos e ateus! Foi assim que Jesus nos apresentou o seu Pai? Ele que nos fez do esquecimento e do perd\u00e3o das ofensas uma lei expressa, que nos ensinou a pagar o mal com o bem, que colocou o amor pelos inimigos no primeiro lugar entre as virtudes que devem nos conduzir ao c\u00e9u, quereria ent\u00e3o que os homens fossem mais justos, melhores, mais compassivos que o pr\u00f3prio Deus?<\/p>\n<p>Os dem\u00f4nios segundo o Espiritismo<\/p>\n<p>20 \u2014 Segundo o Espiritismo, nem os anjos nem os dem\u00f4nios s\u00e3o seres \u00e0 parte: a cria\u00e7\u00e3o dos seres inteligentes \u00e9 una.<br \/> Ligados a corpos materiais, esses seres constituem a humanidade que povoa a Terra e os outros planetas habitados; sem esses corpos, constitui o mundo espiritual ou dos Esp\u00edritos, que povoam os espa\u00e7os.<br \/> Deus os criou perfect\u00edveis, dando-lhes por objetivo a perfei\u00e7\u00e3o com uma conseq\u00fcente felicidade, mas n\u00e3o lhes deu a perfei\u00e7\u00e3o.<br \/> Deus quiz que eles devessem a perfei\u00e7\u00e3o ao seu esfor\u00e7o pessoal, a fim de que tivessem o seu pr\u00f3prio m\u00e9rito.<br \/> Desde o instante da sua forma\u00e7\u00e3o eles come\u00e7am a progredir, seja atrav\u00e9s da encarna\u00e7\u00e3o, seja no estado espiritual.<br \/> Chegados ao apogeu, tornam-se Esp\u00edritos puros ou anjos, segundo a denomina\u00e7\u00e3o vulgar.<br \/> Dessa maneira, desde o embri\u00e3o do ser inteligente at\u00e9 o anjo, h\u00e1 uma cadeia cont\u00ednua em que cada elo representa um grau de progresso.<\/p>\n<p>Disso resulta que existem esp\u00edritos em todos os graus de adiantamento moral e intelectual, segundo os quais eles se encontram no alto, em baixo ou no meio da escala.<br \/> H\u00e1 esp\u00edritos, portanto, em todos os graus de saber e de ignor\u00e2ncia, de bondade e de maldade.<br \/> Nas camadas inferiores h\u00e1 os que s\u00e3o ainda profundamente inclinados ao mal e nele se comprazem.<br \/> Podem cham\u00e1-los dem\u00f4nios, se o quizerem porque s\u00e3o capazes de todas as maldades atribu\u00eddas a estes.<br \/> Se o Espiritismo n\u00e3o lhes d\u00e1 esse nome \u00e9 para n\u00e3o lig\u00e1-los \u00e0 id\u00e9ia de seres distintos da humanidade, de uma natureza essencialmente perversa, destinada eternamente ao mal e incapazes de progredir para o bem.<\/p>\n<p>21 \u2014 Segundo a doutrina da Igreja, os dem\u00f4nios foram criados bons e se tornaram maus por sua desobedi\u00eancia: s\u00e3o os anjos deca\u00eddos, que tentaram colocar-se em lugar de Deus no alto da escala e dela ca\u00edram.<br \/> Segundo o Espiritismo, s\u00e3o esp\u00edritos imperfeitos mas que ter\u00e3o de melhorar-se; encontram-se ainda embaixo da escala, mas subir\u00e3o.<\/p>\n<p>Os que, por sua apatia, sua neglig\u00eancia, sua obstina\u00e7\u00e3o e m\u00e1 vontade permanecem por mais tempo nos planos inferiores, sofrem as conseq\u00fc\u00eancias dessa situa\u00e7\u00e3o e o h\u00e1bito do mal lhes torna mais dif\u00edcil sairem dali.<br \/> Mas chega o tempo em que se cansam dessa exist\u00eancia penosa e dos sofrimentos que nela enfrentam.<br \/> \u00c9 ent\u00e3o que, comparando sua situa\u00e7\u00e3o \u00e0 dos bons Esp\u00edritos, compreendem que o seu interesse est\u00e1 na pr\u00e1tica do bem e procuram melhorar-se.<br \/> Mas o fazem de sua pr\u00f3pria vontade, sem serem constrangidos a isso.<\/p>\n<p>Eles est\u00e3o submetidos \u00e0 lei do progresso em virtude da sua pr\u00f3pria aptid\u00e3o para progredir, mas n\u00e3o podem progredir contra a sua pr\u00f3pria vontade.<br \/> Deus lhes concede incessantemente os meios de progredir, mas eles s\u00e3o livres de os aproveitar ou n\u00e3o.<br \/> Se o progresso fosse obrigat\u00f3rio, eles n\u00e3o teriam m\u00e9rito algum, e Deus quer que eles tenham o m\u00e9rito de seus esfor\u00e7os.<br \/> Ele n\u00e3o eleva ningu\u00e9m por meio de privil\u00e9gio, mas o primeiro lugar est\u00e1 sempre aberto a todos e ningu\u00e9m chega a ele sem os pr\u00f3prios esfor\u00e7os.<br \/> Os anjos mais elevados conquistaram o seu grau como os outros, passando pela rota comum.<\/p>\n<p>22 \u2014 Chegados a um certo grau de evolu\u00e7\u00e3o, os Esp\u00edritos recebem miss\u00f5es que est\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o com seu adiantamento.<br \/> Cumprem todas aquelas que s\u00e3o atribu\u00eddas aos anjos das diversas ordens.<br \/> Como Deus tem sempre criado, desde toda a eternidade, tamb\u00e9m de toda a eternidade se encontram esp\u00edritos em condi\u00e7\u00f5es de satisfazer a todas as necessidades do governo universal.<br \/> Uma s\u00f3 esp\u00e9cie de seres inteligentes, submetidos \u00e0 lei do progresso, \u00e9 pois suficiente.<br \/> Essa unidade da cria\u00e7\u00e3o, tendo todos o mesmo ponto de partida, o mesmo caminho a seguir e elevando-se pelo seu m\u00e9rito, corresponde bem melhor \u00e0 justi\u00e7a de Deus que a cria\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies diferentes, mais ou menos favorecidas de dons naturais que representariam outros tantos privil\u00e9gios.<\/p>\n<p>23 \u2014 A doutrina vulgar sobre a natureza dos anjos, dos dem\u00f4nios e das almas, n\u00e3o admitindo a lei do progresso e considerando os seres, n\u00e3o obstante, em diversos graus, nos leva \u00e0 conclus\u00e3o de que eles s\u00e3o o produto de diversas cria\u00e7\u00f5es especiais.<br \/> Ela faz assim, de Deus, um Pai parcial, concedendo tudo a alguns de seus filhos, enquanto imp\u00f5e a outros o mais rude trabalho.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 de se admirar que durante muito tempo os homens nada tenham visto de chocante nessas prefer\u00eancias, pois que eles tamb\u00e9m procediam assim com seus pr\u00f3prios filhos atrav\u00e9s do direito da primogenitura e dos privil\u00e9gios de nascen\u00e7a.<br \/> Poderiam eles pensar que erravam mais do que Deus? Mas hoje as id\u00e9ias se ampliaram e eles v\u00eaem as coisas com mais clareza, t\u00eam no\u00e7\u00f5es mais precisas de justi\u00e7a e as desejam para si mesmos.<br \/> Se n\u00e3o encontram sempre essa justi\u00e7a na Terra, esperam pelo menos encontr\u00e1-la no c\u00e9u.<br \/> Eis porque toda doutrina cuja justi\u00e7a divina n\u00e3o lhes seja apresentada na sua maior pureza repugna-lhes a raz\u00e3o.<br \/>(40)<\/p>\n<p>(40) N\u00e3o houve modifica\u00e7\u00f5es fundamentais na Teologia Cat\u00f3lica no tocante a essas quest\u00f5es.<br \/> Se Teilhar de Chardin admite, na sua revolu\u00e7\u00e3o teol\u00f3gica, que a alma condenada fica em tempo de espera, n\u00e3o \u00e9 expulsa do  pleroma , o mesmo n\u00e3o acontece na doutrina oficial.<br \/> O Catecismo Holand\u00eas avan\u00e7ou um pouco, mas o parecer da Comiss\u00e3o Cardinal\u00edcia, assinado por Monsenhor Mascarenhas Roxo, \u00e9 taxativo a respeito:  Em resumo as almas que n\u00e3o necessitam de purifica\u00e7\u00e3o entram na posse imediata da vida eterna, como presen\u00e7a  face a face  com a Trindade (a vis\u00e3o beat\u00edfica).<br \/> Aquelas que necessitam de purifica\u00e7\u00e3o devem cumpri-Ia no purgat\u00f3rio.<br \/> As que s\u00e3o afetadas por pecado grave ou mortal sofrem imediatamente a condena\u00e7\u00e3o eterna do inferno.<br \/>  \u2014 O relator acentua que o Catecismo n\u00e3o nega nem p\u00f5e em d\u00favida  nada disso , mas adverte que  a ressurrei\u00e7\u00e3o final ser\u00e1 no fim da Hist\u00f3ria , o que vale dizer, no fim do mundo, quando se dar\u00e1 a  parusia ou segunda vinda do Senhor .<br \/> Porque isso o Catecismo p\u00f4s em d\u00favida.<br \/> A cr\u00edtica de Kardec, portanto, permanece v\u00e1lida.<br \/> (N.<br \/> do T.<br \/>)<\/p>\n<div class=\"pvc_clear\"><\/div>\n<p id=\"pvc_stats_15369\" class=\"pvc_stats all  \" data-element-id=\"15369\" style=\"\"><i class=\"pvc-stats-icon medium\" aria-hidden=\"true\"><svg aria-hidden=\"true\" focusable=\"false\" data-prefix=\"far\" data-icon=\"chart-bar\" role=\"img\" xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\" viewBox=\"0 0 512 512\" class=\"svg-inline--fa fa-chart-bar fa-w-16 fa-2x\"><path fill=\"currentColor\" d=\"M396.8 352h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8V108.8c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v230.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8zm-192 0h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8V140.8c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v198.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8zm96 0h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8V204.8c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v134.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8zM496 400H48V80c0-8.84-7.16-16-16-16H16C7.16 64 0 71.16 0 80v336c0 17.67 14.33 32 32 32h464c8.84 0 16-7.16 16-16v-16c0-8.84-7.16-16-16-16zm-387.2-48h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8v-70.4c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v70.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8z\" class=\"\"><\/path><\/svg><\/i> <img decoding=\"async\" width=\"16\" height=\"16\" alt=\"Loading\" data-src=\"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/wp-content\/plugins\/page-views-count\/ajax-loader-2x.gif\" border=0 src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" class=\"lazyload\" style=\"--smush-placeholder-width: 16px; --smush-placeholder-aspect-ratio: 16\/16;\" \/><\/p>\n<div class=\"pvc_clear\"><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Origem da cren\u00e7a nos Dem\u00f4nios 1 \u2014 Os dem\u00f4nios desempenharam em todas as \u00e9pocas um papel nas diversas teogonias. Embora consideravelmente deca\u00eddos na opini\u00e3o geral, a import\u00e2ncia que ainda lhes atribuem em nossos dias d\u00e1 a esta quest\u00e3o uma certa gravidade, porque ela se refere ao pr\u00f3prio fundamento das cren\u00e7as religiosas. \u00c9 portanto conveniente que&hellip; <br \/> <a class=\"read-more\" href=\"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/artigo15369\/\">Leia mais<\/a><\/p>\n<div class=\"pvc_clear\"><\/div>\n<p id=\"pvc_stats_15369\" class=\"pvc_stats all  \" data-element-id=\"15369\" style=\"\"><i class=\"pvc-stats-icon medium\" aria-hidden=\"true\"><svg aria-hidden=\"true\" focusable=\"false\" data-prefix=\"far\" data-icon=\"chart-bar\" role=\"img\" xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\" viewBox=\"0 0 512 512\" class=\"svg-inline--fa fa-chart-bar fa-w-16 fa-2x\"><path fill=\"currentColor\" d=\"M396.8 352h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8V108.8c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v230.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8zm-192 0h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8V140.8c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v198.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8zm96 0h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8V204.8c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v134.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8zM496 400H48V80c0-8.84-7.16-16-16-16H16C7.16 64 0 71.16 0 80v336c0 17.67 14.33 32 32 32h464c8.84 0 16-7.16 16-16v-16c0-8.84-7.16-16-16-16zm-387.2-48h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8v-70.4c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v70.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8z\" class=\"\"><\/path><\/svg><\/i> <img decoding=\"async\" width=\"16\" height=\"16\" alt=\"Loading\" data-src=\"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/wp-content\/plugins\/page-views-count\/ajax-loader-2x.gif\" border=0 src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" class=\"lazyload\" style=\"--smush-placeholder-width: 16px; --smush-placeholder-aspect-ratio: 16\/16;\" \/><\/p>\n<div class=\"pvc_clear\"><\/div>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[16],"tags":[],"class_list":["post-15369","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-mensagens-diversas"],"a3_pvc":{"activated":true,"total_views":1964,"today_views":0},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15369","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=15369"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15369\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=15369"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=15369"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=15369"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}