{"id":15401,"date":"2018-10-06T13:12:00","date_gmt":"2018-10-06T13:12:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/artigo15401\/"},"modified":"2018-10-06T13:05:35","modified_gmt":"2018-10-06T16:05:35","slug":"artigo15401","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/artigo15401\/","title":{"rendered":"Livro C\u00e9u e o Inferno &#8211;  Primeira Parte &#8211; Cap\u00edtulo XI  Da Proibi\u00e7\u00e3o de Evocar os Mortos &#8211; Allan Kard"},"content":{"rendered":"<p>1 \u2014A Igreja n\u00e3o nega de maneira alguma a exist\u00eancia das manifesta\u00e7\u00f5es.<br \/> Pelo contr\u00e1rio, ela as admite todas, como vimos nas cita\u00e7\u00f5es precedentes, mas atribuindo-as \u00e0 interven\u00e7\u00e3o exclusiva dos dem\u00f4nios.<br \/> \u00c9 por engano que alguns invocam o Evangelho para as proibir, porque o Evangelho n\u00e3o diz uma s\u00f3 palavra nesse sentido.<br \/> O supremo argumento que se apresenta \u00e9 a proibi\u00e7\u00e3o de Mois\u00e9s.<\/p>\n<p>Eis em que termos se refere ao assunto a pastoral mencionada nos cap\u00edtulos precedentes:<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 permitido entrar em rela\u00e7\u00e3o com eles (os Esp\u00edritos) seja imediatamente, seja por interm\u00e9dio dos que os invocam e os interrogam.<br \/> A lei mosaica punia com a morte essas pr\u00e1ticas detest\u00e1veis, em uso entre os gentios.<br \/> \u2014 N\u00e3o procureis os m\u00e1gicos, diz o livro do Lev\u00edtico, e n\u00e3o fa\u00e7ais aos adivinhos nenhuma pergunta, para n\u00e3o incorrerdes na contamina\u00e7\u00e3o de vos dirigirdes a eles.<br \/> (Cap.<br \/> XIX, v.<br \/> 31.<br \/>) \u2014 Se um homem ou uma mulher tem um Esp\u00edrito de P\u00edton ou de adivinha\u00e7\u00e3o, que sejam punidos com a morte; ser\u00e3o lapidados e o seu sangue cair\u00e1 sobre as suas cabe\u00e7as.<br \/> (Cap.<br \/> XX, v.<br \/> 27.<br \/>) E no livro do Deuteron\u00f4mio: Que n\u00e3o haja entre v\u00f3s pessoas que consultem os adivinhos, ou que observem os sonhos e os aug\u00farios, ou que usem de malef\u00edcios, de sortil\u00e9gios ou de encantamentos, ou quem consultem o Esp\u00edrito de P\u00edton e quem pratique a adivinha\u00e7\u00e3o ou interrogue os mortos para saber a verdade; porque o Senhor considera em abomina\u00e7\u00e3o todas essas coisas e destruir\u00e1 com a vossa chegada as na\u00e7\u00f5es que cometem esses crimes.<br \/> (Cap.<br \/> XVIII, v.<br \/> 10, 11, 12.<br \/>)<\/p>\n<p>2 \u2014 \u00c9 conveniente, para compreens\u00e3o do verdadeiro sentido das palavras de Mois\u00e9s, lembrar o texto completo, que foi um tanto abreviado nessas cita\u00e7\u00f5es:<\/p>\n<p>N\u00e3o vos desvieis do vosso Deus para procurar os m\u00e1gicos e n\u00e3o consulteis os adivinhos para n\u00e3o vos contaminardes ao vos dirigir a eles.<br \/> Eu sou o Senhor vosso Deus.<br \/> (Lev\u00edtico, cap.<br \/> XIX, v.<br \/> 31.<br \/>)<\/p>\n<p>Se um homem ou uma mulher tem o Esp\u00edrito de P\u00edton ou um Esp\u00edrito de adivinha\u00e7\u00e3o, que sejam punidos com a morte; eles ser\u00e3o lapidados e o seu sangue cair\u00e1 sobre as suas cabe\u00e7as.<br \/> (Lev\u00edtico, cap.<br \/> XX, v.<br \/> 27.<br \/>)<\/p>\n<p>Quando tiverdes entrado no pa\u00eds que o Senhor vosso Deus vos dar\u00e1, guardai-vos de imitar as abomina\u00e7\u00f5es daqueles povos; \u2014 E que n\u00e3o se encontre entre v\u00f3s quem pretenda purificar seu filho ou sua filha fazendo-os passar pelo fogo ou quem consulte os adivinhos ou observe os sonhos e os aug\u00farios, ou pratique malef\u00edcios, sortil\u00e9gios e encantamentos, ou quem consulte os que t\u00eam o Esp\u00edrito de P\u00edton, e quem se ponha a adivinhar ou a interrogar os mortos para saber a verdade.<br \/> \u2014 Porque o Senhor considera em abomina\u00e7\u00e3o todas essas coisas e exterminar\u00e1 todos esses povos na vossa chegada, por causa dessas esp\u00e9cies de crimes que eles t\u00eam cometido.<br \/> (Deuteron\u00f4mio, cap, XVIII, v.<br \/> 9, 10, 11 e 12.<br \/>)<\/p>\n<p>3 \u2014 Se a lei de M\u00f3is\u00e9s deve ser rigorosamente observada nesse ponto, deve s\u00ea-lo igualmente sobre todos os outros, pois como seria ela boa no concernente \u00e0s evoca\u00e7\u00f5es e m\u00e1 no tocante a outros assuntos? \u00c9 necess\u00e1rio ser conseq\u00fcente: se reconhecermos que essa lei n\u00e3o est\u00e1 mais de acordo com o nosso costume e a nossa \u00e9poca por alguns motivos, n\u00e3o haver\u00e1 raz\u00e3o para que o mesmo n\u00e3o aconte\u00e7a no tocante \u00e0 proibi\u00e7\u00e3o de que tratamos.<\/p>\n<p>\u00c9 necess\u00e1rio que nos reportemos aos motivos determinantes dessa proibi\u00e7\u00e3o, motivos que tinham na ocasi\u00e3o a sua raz\u00e3o de ser, mas que hoje seguramente n\u00e3o existem mais.<br \/> O legislador hebreu desejava que seu povo rompesse com todos os costumes trazidos do Egito, onde as evoca\u00e7\u00f5es eram usadas de maneira abusiva como o provam estas palavras de Isa\u00edas:  O Esp\u00edrito do Egito se aniquilar\u00e1 por si mesmo e eu precipitarei o seu conselho; eles consultaram os seus \u00eddolos, os seus adivinhos, as suas pitonisas e os seus m\u00e1gicos.<br \/>  (Cap.<br \/> XIX, v.<br \/> 3.<br \/>)<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, os israelitas n\u00e3o deviam contrair nenhuma alian\u00e7a com as na\u00e7\u00f5es estrangeiras.<br \/> Eles iriam encontrar as mesmas pr\u00e1ticas entre esses povos a que se dirigiam e que deviam combater.<br \/> Mois\u00e9s devia, assim, por motivos pol\u00edticos, inspirar ao povo hebreu a avers\u00e3o por todos os seus costumes que tivessem pontos de contato com os assimilados no Egito.<br \/> Para motivar essa avers\u00e3o devia apresentar esses costumes como reprovados pelo pr\u00f3prio Deus.<br \/> Eis porque ele dis se:  O Senhor considera em abomina\u00e7\u00e3o todas essas coisas e destruir\u00e1, na vossa chegada, as na\u00e7\u00f5es que cometem esses crimes.<\/p>\n<p>4 \u2014 A defesa de Mois\u00e9s era tanto mais justificada quanto os mortos n\u00e3o eram evocados em virtude do respeito e da afei\u00e7\u00e3o por eles, nem por um sentimento de piedade, mas para fins de adivinha\u00e7\u00e3o, da mesma maneira que se consultavam os aug\u00farios e os press\u00e1gios, explorados pelo charlatanismo e a supersti\u00e7\u00e3o.<br \/> Por mais que fizesse, entretanto, n\u00e3o conseguiu arrancar do povo esses costumes que se haviam transformado em objeto de com\u00e9rcio, como o atestam as seguintes passagens do mesmo profeta:<\/p>\n<p>E quando eles vos disserem: Consultai os m\u00e1gicos e os adivinhos que murmuram nos seus encantamentos; respondei-lhes: cada povo n\u00e3o consulta o seu Deus? E deve-se falar aos mortos do que respeita aos vivos? (Isa\u00edas, cap.<br \/> VII, v.<br \/> 19.<br \/>)<\/p>\n<p>Sou eu que fa\u00e7o ver a falsidade dos prod\u00edgios da magia, que tornam insensatos os que se atrevem a adivinhar, que transtorna o Esp\u00edrito dos s\u00e1bios e converte em loucura a sua ci\u00eancia v\u00e3.<br \/> (Cap.<br \/> XLIV, v.<br \/> 25.<br \/>)<\/p>\n<p>Que esses adivinhos que estudam o c\u00e9u, que contemplam os astros e contam os meses para fazer predi\u00e7\u00f5es, que desejam revelar-vos o futuro, venham agora e vos salvem.<br \/> \u2014 Eles se transformaram como em palha e o fogo os devorou; n\u00e3o puderam livrar suas almas das chamas ardentes; n\u00e3o restar\u00e1 do fogo em que se abrasar\u00e3o nem mesmo os carv\u00f5es com os quais algu\u00e9m se possa esquentar, nem fogo ante o qual algu\u00e9m se possa sentar.<br \/> \u2014 Eis no que se transformar\u00e3o todas essas coisas, \u00e0s quais vos entregastes com tanto trabalho; esses comerciantes que negociaram convosco desde a vossa juventude se foram todos, um de um lado, outro de outro lado, sem que se encontre um s\u00f3 que vos livre dos vossos males.<br \/> (Cap.<br \/> XLVII, v.<br \/> 13, 14, 15.<br \/>)<\/p>\n<p>Nesse cap\u00edtulo Isa\u00edas se dirige aos babil\u00f4nios, usando a figura aleg\u00f3rica da Virgem filha da Babil\u00f4nia, filha dos Caldeus.<br \/> (Vers.<br \/> l.<br \/>) Diz que os encantamentos n\u00e3o impedir\u00e3o a ru\u00edna da sua monarquia.<br \/> No cap\u00edtulo seguinte ele se dirige diretamente aos israelitas:<\/p>\n<p>Vinde aqui, v\u00f3s outros, filhos de uma feiticeira, ra\u00e7a de um homem ad\u00faltero e de uma mulher prostitu\u00edda.<br \/> \u2014 Com quem divertistes? Contra quem abristes a boca e lan\u00e7astes as vossas l\u00ednguas perfurantes? N\u00e3o sois os filhos p\u00e9rfidos e os bastardos rejeitados, v\u00f3s que procurais vossa consola\u00e7\u00e3o nos vossos deuses sob todas as \u00e1rvores frondosas em que sacrificais os vossos filhos pequenos, nas torrentes, ante a rochas elevadas? \u2014 Pusestes a vossa confian\u00e7a nas pedras da torrente; derramastes licores em sua honra; oferecestes sacrif\u00edcios a ela.<br \/> Depois disso a minha indigna\u00e7\u00e3o n\u00e3o devia explodir? (Cap.<br \/> LVII, 3, 4, 5, 6.<br \/>)<\/p>\n<p>Estas palavras s\u00e3o inequ\u00edvocas.<br \/> Elas provam claramente que naquele tempo as evoca\u00e7\u00f5es tinham por fim a adivinha\u00e7\u00e3o, fazendo-se delas um com\u00e9rcio.<br \/> Estavam associadas \u00e0s pr\u00e1ticas m\u00e1gicas e supersticiosas sendo at\u00e9 mesmo acompanhadas de sacrif\u00edcios humanos.<\/p>\n<p>Mois\u00e9s, portanto, tinha raz\u00e3o de proibir estas pr\u00e1ticas, dizendo que Deus as considerava abomin\u00e1veis.<br \/> Ali\u00e1s, essas pr\u00e1ticas supersticiosas sobreviveram at\u00e9 a Idade M\u00e9dia, mas hoje a raz\u00e3o as afugentou e o Espiritismo veio demonstrar que as rela\u00e7\u00f5es com o al\u00e9m-t\u00famulo t\u00eam um sentido exclusivamente moral, consolador e portanto religioso.<br \/> Desde que os esp\u00edritas n\u00e3o fazem sacrif\u00edcios de crian\u00e7as e n\u00e3o derramam licores em homenagem aos deuses, desde que n\u00e3o interrogam os astros, nem os mortos, nem os adivinhos para conhecer o futuro que Deus prudentemente ocultou aos homens, e desde que eles repudiam toda a forma de com\u00e9rcio da faculdade que alguns possuem, de comunicar-se com os Esp\u00edritos, n\u00e3o sendo movidos por curiosidade nem por cupidez, mas por um sentimento de piedade e pelo desejo \u00fanico de se instruirem e se melhorarem e de aliviarem as almas sofredoras, \u2014 a proibi\u00e7\u00e3o de Mois\u00e9s n\u00e3o se refere a eles de maneira alguma.<br \/> Para isso \u00e9 que deviam atentar os que invocam essa proibi\u00e7\u00e3o contra os esp\u00edritas.<br \/> Se eles aprofundassem melhor o sentido dessas palavras b\u00edblicas, teriam reconhecido que n\u00e3o existe nenhuma analogia entre o que se passava com os hebreus e os princ\u00edpios atuais do Espiritismo, tanto mais que o Espiritismo condena precisamente tudo o que dera motivo \u00e0 proibi\u00e7\u00e3o de Mois\u00e9s.<br \/> Mas, cegos pelo desejo de encontrar argumentos contra as id\u00e9ias novas, n\u00e3o chegam a perceber que essas acusa\u00e7\u00f5es soam de maneira completamente falsa.<\/p>\n<p>A lei civil dos nossos dias pune os abusos que Mois\u00e9s queria reprimir.<br \/> Quando Mois\u00e9s estabeleceu a pena de morte contra os delinq\u00fcentes, era porque necessitava de meios rigorosos para governar um povo indisciplinado.<br \/> Ali\u00e1s, essa pena figurava constantemente na sua legisla\u00e7\u00e3o, porque n\u00e3o havia muito que escolher no tocante aos meios de repress\u00e3o.<br \/> N\u00e3o existiam pris\u00f5es nem casas de corre\u00e7\u00e3o no deserto e seu povo n\u00e3o era de natureza a se atemorizar somente com as penas disciplinares.<br \/> Ele n\u00e3o podia estabelecer as gradua\u00e7\u00f5es penais, como fazemos em nossos dias.<\/p>\n<p>\u00c9 err\u00f4neo querer-se apoiar na severidade daquele castigo para provar o grau de culpabilidade da evoca\u00e7\u00e3o dos mortos.<br \/> Dever\u00edamos, simplesmente por respeito \u00e0 lei de Mois\u00e9s, manter a pena capital para todos os casos em que ela a aplicava? Nesse caso, porque reviver com tanta insist\u00eancia apenas esse artigo, passando em sil\u00eancio o come\u00e7o do cap\u00edtulo que pro\u00edbe aos padres possuir bens terrenos e participar de qualquer heran\u00e7a, porque o Senhor \u00e9 em si mesmo a sua heran\u00e7a? (Ver.<br \/> Deuteron\u00f4mio, cap.<br \/> XXVIII, v.<br \/> 1 e 2.<br \/>)<\/p>\n<p>5 \u2014 H\u00e1 duas partes distintas na lei de Mois\u00e9s: a lei de Deus propriamente dita, promulgada no Monte Sinai, e a lei civil ou disciplinar apropriada aos costumes e ao car\u00e1ter do povo.<br \/> Uma \u00e9 invari\u00e1vel, a outra se modifica segundo os tempos e n\u00e3o pode passar pelo pensamento de ningu\u00e9m que tenhamos de ser governados hoje da mesma maneira que os hebreus em sua caminhada atrav\u00e9s do deserto.<br \/> Assim tamb\u00e9m os capitulares de Carlos Magno n\u00e3o poderiam aplicar-se \u00e0 Fran\u00e7a do nosso s\u00e9culo.<br \/> Quem pensaria, por exemplo, em reviver hoje este artigo da lei Mosaica: Se um boi chifrar um homem e uma mulher, que venham a morrer disso, o boi ser\u00e1 lapidado e ningu\u00e9m comer\u00e1 da sua carne, mas o dono do boi ser\u00e1 julgado inocente.<br \/> (\u00caxodo, cap.<br \/> XXI, v.<br \/> 28 e seguintes.<br \/>)<\/p>\n<p>Este artigo que nos parece t\u00e3o absurdo n\u00e3o tinha por objetivo punir o boi e inocentar o seu dono, pois equivalia praticamente \u00e0 confisca\u00e7\u00e3o do animal causador do acidente para obrigar o propriet\u00e1rio a ter maior cuidado.<br \/> A perda do boi representava a puni\u00e7\u00e3o do dono, que devia ser bastante grave num povo de pastores, impedindo os descuidados de ca\u00edrem em outra falta.<br \/> Mas como ela n\u00e3o devia aproveitar a ningu\u00e9m, era proibido comer a carne.<br \/> Outros artigos estipulam penalidades para os donos respons\u00e1veis.<\/p>\n<p>Tudo tinha a sua raz\u00e3o de ser na legisla\u00e7\u00e3o de Mois\u00e9s, porque tudo nela estava previsto, at\u00e9 os menores detalhes.<br \/> Mas a forma e o fundo estavam de acordo com as circunst\u00e2ncias em que os hebreus se encontravam.<br \/> Claro que se Mois\u00e9s voltasse hoje e tivesse de dar um novo c\u00f3digo a uma na\u00e7\u00e3o civilizada da Europa, n\u00e3o recorreria mais \u00e0quele dos hebreus.<\/p>\n<p>6 \u2014 Objeta-se a isso que todas as leis de Mois\u00e9s foram ditadas em nome de Deus, como as recebidas no Sinai.<br \/> Mas se considerarmos todas de origem divina, porque os mandamentos de Deus formam apenas o dec\u00e1logo? \u00c9 que se faz a distin\u00e7\u00e3o.<br \/> Se todas emanassem de Deus, todas seriam igualmente obrigat\u00f3rias.<br \/> Porque, pois, n\u00e3o observar a todas? Porque, por exemplo, n\u00e3o foi observada a circunscri\u00e7\u00e3o que o pr\u00f3prio Jesus sofreu e n\u00e3o aboliu? Esquecem-se de que todos os legisladores antigos, para darem maior autoridade \u00e0s suas leis, diziam t\u00ea-las recebido de uma divindade.<br \/> Mois\u00e9s, mais do que qualquer outro, necessitava desse apoio em virtude do car\u00e1ter do seu povo.<br \/> Se apesar disso lhe foi t\u00e3o dif\u00edcil fazer-se obedecer, quanto pior n\u00e3o seria se tivesse promulgado essas leis em seu pr\u00f3prio nome.<\/p>\n<p>Jesus n\u00e3o veio modificar a lei mosaica, mas a sua lei n\u00e3o \u00e9 hoje o c\u00f3digo dos crist\u00e3os? N\u00e3o disse ele:  Sabeis que foi dito aos antigos tal e tal coisa, mas eu vos digo esta outra coisa? Mas, assim dizendo, tocou ele na lei do Sinai? De maneira alguma, pois a sancionou e toda a sua doutrina moral n\u00e3o \u00e9 mais do que o desenvolvimento daquela.<br \/> Ora, em nenhum momento ele se refere \u00e0 proibi\u00e7\u00e3o de evocar os mortos, entretanto era essa uma quest\u00e3o bastante grave para que ele a tivesse omitido nas suas instru\u00e7\u00f5es, quando tratou de outros assuntos de natureza secund\u00e1ria.<\/p>\n<p>7 \u2014 Em resumo, trata-se de saber se a Igreja coloca a lei mosaica acima da lei evang\u00e9lica, ou melhor dito, se ela \u00e9 mais Judia do que Crist\u00e3.<br \/> \u00c9 mesmo de se notar que de todas as religi\u00f5es a que menos se op\u00f4s ao Espiritismo foi a Judia, que n\u00e3o invocou contra as rela\u00e7\u00f5es com os mortos a lei de Mois\u00e9s, sobre a qual entretanto se apoiam as seitas Crist\u00e3s.<br \/>(44)<\/p>\n<p>8 \u2014 H\u00e1 outra contradi\u00e7\u00e3o.<br \/> Se Mois\u00e9s proibiu a evoca\u00e7\u00e3o dos Esp\u00edritos dos mortos, \u00e9 que esses Esp\u00edritos podem manifestar-se, pois de outra maneira a sua proibi\u00e7\u00e3o seria in\u00fatil.<br \/> Se eles podiam manifestar-se no seu tempo, \u00e9 claro que o podem ainda hoje.<br \/> Se se trata dos Esp\u00edritos dos mortos, n\u00e3o s\u00e3o exclusivamente os dem\u00f4nios que se manifestam.<br \/> De resto, Mois\u00e9s n\u00e3o faz nenhuma refer\u00eancia a esses \u00faltimos.<\/p>\n<p>\u00c9 pois evidente que n\u00e3o se poderia apoiar logicamente na lei de Mois\u00e9s nesta circunst\u00e2ncia, pelo duplo motivo de que ela n\u00e3o rege o Cristianismo e n\u00e3o \u00e9 apropriada aos costumes da nossa \u00e9poca.<br \/> Mas, mesmo supondo-se que tenha toda a autoridade que alguns lhe d\u00e3o, ela n\u00e3o pode, como acabamos de ver, aplicar-se ao Espiritismo.<br \/>(45)<\/p>\n<p>Mois\u00e9s, \u00e9 verdade, abrange na sua proibi\u00e7\u00e3o a interroga\u00e7\u00e3o dos mortos.<br \/> Mas isso apenas de maneira secund\u00e1ria, como um acess\u00f3rio das pr\u00e1ticas de feiti\u00e7aria.<br \/> A palavra interrogar, colocada ao lado das palavras adivinhos e \u00e1ugures, prova que entre os hebreus as evoca\u00e7\u00f5es constitu\u00edam um meio de adivinha\u00e7\u00e3o.<br \/> Ora, os esp\u00edritas n\u00e3o evocam os mortos para obter revela\u00e7\u00f5es il\u00edcitas, mas para receberem os seus conselhos e procurar o al\u00edvio dos que sofrem.<br \/> \u00c9 claro que se os hebreus n\u00e3o se tivessem servido das comunica\u00e7\u00f5es de al\u00e9m-t\u00famulo com esse fim, longe de as proibir, Mois\u00e9s as encorajaria, porque elas teriam tornado melhor o seu povo.<\/p>\n<p>9 \u2014 Se alguns cr\u00edticos ir\u00f4nicos ou mal intencionados t\u00eam apresentado as reuni\u00f5es esp\u00edritas como assembl\u00e9ias de feiti\u00e7eiros e necromantes, e os m\u00e9diuns como ledores da sorte; se, por outro lado, alguns charlat\u00e3es misturam o nome do Espiritismo a pr\u00e1ticas rid\u00edculas que ele desaprova, entretanto muita gente sabe como considerar o car\u00e1ter essencialmente moral e s\u00e9rio das reuni\u00f5es esp\u00edritas.<br \/> Ali\u00e1s, a doutrina escrita e divulgada por todo o mundo protesta suficientemente contra os abusos de toda esp\u00e9cie para que a cal\u00fania possa recair sobre quem realmente a merece.<\/p>\n<p>10 \u2014 Dizem que a evoca\u00e7\u00e3o \u00e9 uma falta de respeito para com os mortos, cujas cinzas n\u00e3o devemos perturbar.<br \/> Quem diz isso? Os advers\u00e1rios dos dois campos opostos, que nesse momento se d\u00e3o as m\u00e3os: os incr\u00e9dulos que n\u00e3o cr\u00eaem nas almas e os que, embora crendo, pretendem que elas n\u00e3o podem manifestar-se e que o dem\u00f4nio \u00e9 quem se manifesta.<\/p>\n<p>(44) Esta observa\u00e7\u00e3o de Kardec \u00e9 das mais significativas e tem a sua explica\u00e7\u00e3o na pr\u00f3pria Hist\u00f3ria da religi\u00e3o judaica, toda ela, como se v\u00ea na B\u00edblia, na Kabala, no Talmud e na Literatura do povo hebreu, antiga e moderna, \u2014 fundada nas manifesta\u00e7\u00f5es espirituais.<br \/> O teatro e a fic\u00e7\u00e3o modernas de Israel, como a antiga literatura hebraica e a moderna literatura \u00eddiche n\u00e3o escapam \u00e0 tradi\u00e7\u00e3o das vis\u00f5es, das apari\u00e7\u00f5es e at\u00e9 mesmo das materializa\u00e7\u00f5es, que marcam toda a cultura judaica.<br \/> No pr\u00f3prio texto b\u00edblico encontramos passagens em que Mois\u00e9s, como no caso t\u00edpico de Eldad e Medad (N\u00fameros, cap.<br \/>13 v.<br \/> 24 a 29) se declara francamente favor\u00e1vel \u00e0 mediunidade.<br \/> Al\u00e9m disso, sabe-se que a tenda de Mois\u00e9s era uma c\u00e2mara medi\u00fanica em que o Esp\u00edrito de Jeov\u00e1 chegava a materializar-se.<br \/> (N.<br \/> do T.<br \/>)<\/p>\n<p>(45) As leis civis de Mois\u00e9s pertencem a uma \u00e9poca bem definida da Hist\u00f3ria, que \u00e9 a das civiliza\u00e7\u00f5es agr\u00e1rias.<br \/> O pr\u00f3prio dec\u00e1logo traz as marcas dessa fase hist\u00f3rica e em nossos dias \u00e9 divulgado com a supress\u00e3o dos pormenores que o tornariam rid\u00edculo aos nossos olhos.<br \/> Trata-se, pois, de legisla\u00e7\u00e3o anacr\u00f4nica.<br \/> (N.<br \/> do T.<br \/>)<\/p>\n<p>Quando a evoca\u00e7\u00e3o \u00e9 feita religiosamente, com o devido recolhimento; quando os Esp\u00edritos s\u00e3o chamados com afeto e simpatia, pelo desejo sincero de instru\u00e7\u00e3o e de aperfei\u00e7oamento moral, e n\u00e3o por curiosidade; n\u00e3o se percebe o que haveria de falta de respeito, e isso tanto ao chamar as pessoas depois de mortas como durante a vida.<\/p>\n<p>Mas h\u00e1 uma outra resposta decisiva a essa obje\u00e7\u00e3o.<br \/> \u00c9 que os Esp\u00edritos se manifestam livremente e n\u00e3o de maneira for\u00e7ada.<br \/> Eles costumam vir espontaneamente at\u00e9 n\u00f3s, sem serem chamados, e revelam a satisfa\u00e7\u00e3o de poderem comunicar-se com os homens, lamentando freq\u00fcentemente o esquecimento em que \u00e0s vezes os deixam.<br \/> Se eles fossem perturbados na sua paz ou n\u00e3o gostassem de ser chamados, declarariam isso ou n\u00e3o nos atenderiam.<br \/> Desde que s\u00e3o livres, quando nos atendem \u00e9 porque isso lhes conv\u00e9m.<\/p>\n<p>11 \u2014 Alega-se ainda:  As almas moram no lugar que a justi\u00e7a de Deus lhes determinou, seja no Inferno ou no Para\u00edso.<br \/>  Assim, as que est\u00e3o no inferno n\u00e3o podem sair, embora toda liberdade seja dada aos dem\u00f4nios nesse sentido.<br \/> As que est\u00e3o no Para\u00edso acham-se inteiramente entregues \u00e0 beatitude e est\u00e3o muito acima dos mortais para se preocuparem conosco, sendo muito felizes para voltar a esta Terra de mis\u00e9rias, interessando-se pelos parentes e amigos que aqui deixaram.<br \/> Essas almas seriam como os ricos que desviam a vista dos pobres, com receio de que eles lhes perturbem a digest\u00e3o? Se assim fosse, elas seriam bem pouco dignas da felicidade suprema, que seria, por sua vez, o pr\u00eamio do ego\u00edsmo.<\/p>\n<p>Restam aquelas que est\u00e3o no Purgat\u00f3rio.<br \/> Mas essas s\u00e3o almas sofredoras e t\u00eam de pensar antes de tudo na pr\u00f3pria salva\u00e7\u00e3o.<br \/> Dessa maneira, nenhuma delas podendo nos atender, \u00e9 somente o diabo que se apresenta.<br \/> Mas se elas n\u00e3o podem vir, n\u00e3o h\u00e1 nenhum motivo para temermos perturbar o seu repouso.<\/p>\n<p>12 \u2014 Aqui se apresenta outra dificuldade.<br \/> Se as almas que est\u00e3o na beatitude n\u00e3o podem abandonar a sua morada feliz para socorrer os mortais, porque a Igreja invoca a assist\u00eancia dos santos, que devem gozar da maior soma poss\u00edvel de beatitude? Por que aconselha ela aos fi\u00e9is que os invoquem nas doen\u00e7as, afli\u00e7\u00f5es e para se preservarem dos flagelos? Por que, segundo ela, os santos, a pr\u00f3pria Virgem mostram-se aos homens atrav\u00e9s de vis\u00f5es e fazem milagres? Eles deixam, ent\u00e3o, o c\u00e9u para vir \u00e0 Terra.<br \/> Se esses Esp\u00edritos que se encontram no mais alto dos c\u00e9us podem deix\u00e1-lo, por que motivo os que est\u00e3o mais em baixo n\u00e3o o poderiam?<\/p>\n<p>13 \u2014Que os incr\u00e9dulos neguem a manifesta\u00e7\u00e3o das almas, isso se concebe em raz\u00e3o da sua pr\u00f3pria descren\u00e7a.<br \/> Mas o que estranha \u00e9 ver aqueles cuja cren\u00e7a repousa precisamente na exist\u00eancia da alma e no seu futuro, se encarni\u00e7arem contra os meios de se provar que ela existe, esfor\u00e7ando-se por demonstrar que isso \u00e9 imposs\u00edvel.<br \/> Pareceria natural, ao contr\u00e1rio, que os que t\u00eam maior interesse na sua exist\u00eancia aceitassem com alegria e como uma gra\u00e7a da Provid\u00eancia o aparecimento dos meios de confundir os negadores por provas irrecus\u00e1veis, desde que s\u00e3o eles os negadores da pr\u00f3pria religi\u00e3o.<\/p>\n<p>Deploram essas pessoas, incessantemente, a propaga\u00e7\u00e3o da incredulidade que aniquila o rebanho de fi\u00e9is, mas quando se lhes apresenta o mais poderoso meio de combat\u00ea-Ia, repelem-no com mais obstina\u00e7\u00e3o do que os pr\u00f3prios incr\u00e9dulos.<br \/> Depois, quando as provas se multiplicam a ponto de n\u00e3o deixarem nenhuma d\u00favida, recorrem como argumento supremo \u00e0 proibi\u00e7\u00e3o de tratar do assunto, e procuram para justific\u00e1-la um artigo da lei de Mois\u00e9s de que ningu\u00e9m se lembrava e ao qual pretendem dar, de qualquer maneira, uma aplica\u00e7\u00e3o que n\u00e3o pode ter.<br \/> E ficam muito felizes com essa descoberta, sem perceberem que esse mesmo artigo constitui uma justifica\u00e7\u00e3o da Doutrina Esp\u00edrita.<\/p>\n<p>14 \u2014Todos os motivos alegados contra as rela\u00e7\u00f5es com os Esp\u00edritos n\u00e3o podem suportar um exame s\u00e9rio.<br \/> Do pr\u00f3prio empenho com que se entregam a essa luta pode-se deduzir que a quest\u00e3o envolve grandes interesses, pois do contr\u00e1rio n\u00e3o haveria tamanha insist\u00eancia.<br \/> Ao ver esta cruzada de todos os cultos contra as manifesta\u00e7\u00f5es, poder\u00edamos dizer que eles est\u00e3o atemorizados.<br \/> O verdadeiro motivo poderia ser o temor de que os Esp\u00edritos, demasiado clarividentes, viessem esclarecer os homens sobre os pontos que eles tentam manter na obscuridade, fazendo os homens conhecerem de maneira precisa o que se refere ao outro mundo e \u00e0s verdadeiras condi\u00e7\u00f5es para nele serem felizes ou infelizes.<\/p>\n<p>\u00c9 por isso que, da mesma maneira que se diz a uma crian\u00e7a: n\u00e3o v\u00e1 l\u00e1 porque existe um lobisomem, dizem aos homens: n\u00e3o evoqueis os Esp\u00edritos, pois quem atende \u00e9 o Diabo.<br \/> Mas n\u00e3o haver\u00e1 dificuldade: se proibirem aos homens de evocar os Esp\u00edritos, n\u00e3o poder\u00e3o impedir os Esp\u00edritos de virem at\u00e9 os homens para tirar a l\u00e2mpada debaixo do alqueire.<\/p>\n<p>O culto religioso que estiver de posse da verdade absoluta nada ter\u00e1 a temer da luz, porque a luz far\u00e1 ressaltar a verdade e o dem\u00f4nio n\u00e3o poderia prevalecer contra a verdade.<\/p>\n<p>15 \u2014 Repelir as comunica\u00e7\u00f5es de al\u00e9m-t\u00famulo seria rejeitar o poderoso meio de instru\u00e7\u00e3o que resulta da inicia\u00e7\u00e3o no conhecimento da vida futura e dos exemplos que elas nos fornecem.<br \/> A experi\u00eancia nos ensina, al\u00e9m disso, como podemos fazer o bem desviando do mal os Esp\u00edritos imperfeitos, ajudando os sofredores a se libertarem da mat\u00e9ria e a se melhorarem, e proibir isso seria privar as almas infelizes da assist\u00eancia que lhes podemos dar.<br \/> A seguinte comunica\u00e7\u00e3o de um Esp\u00edrito resume admiravelmente os efeitos da evoca\u00e7\u00e3o, quando praticada com uma finalidade caridosa.<\/p>\n<p>Cada Esp\u00edrito sofredor e desesperado vos contar\u00e1 a causa de sua queda, os arrastamentos a que n\u00e3o resistiu, e vos dir\u00e1 das suas esperan\u00e7as, das suas lutas, dos seus terrores.<br \/> Ele vos dir\u00e1 tamb\u00e9m dos seus remorsos, das suas dores, dos seus desesperos, e vos mostrar\u00e1 Deus, justamente irritado, punindo o culpado com toda a severidade da sua justi\u00e7a.<\/p>\n<p>Ao escut\u00e1-lo, sereis movidos de compaix\u00e3o por ele e de temor por v\u00f3s mesmos.<br \/> Ao seguir os seus lamentos, vereis Deus n\u00e3o o perdendo de vista, esperando o pecador arrependido, abrindo os bra\u00e7os t\u00e3o logo ele comece a avan\u00e7ar em sua dire\u00e7\u00e3o.<br \/> Vereis os progressos do culpado, para os quais tereis a felicidade e a gl\u00f3ria de haver contribu\u00eddo.<br \/> Acompanhareis com solicitude a sua reforma; como o cirurgi\u00e3o acompanha a cicatriza\u00e7\u00e3o da ferida de que cuida diariamente.<br \/> (Bordeus, 1861.<br \/>)(46)<\/p>\n<p>O Prof.<br \/> Ernesto Bozzano, apoiado especialmente em pesquisas etnol\u00f3gicas de Andrew Lang e Max Freedon Long, em seu livro Popoli primitivi e manifestazione supernormale, formulou a tese da origem medi\u00fanica das religi\u00f5es.<br \/> Os fundamentos dessa tese s\u00e3o cient\u00edficos e filos\u00f3ficos.<br \/> As pesquisas metaps\u00edquicas e parapsicol\u00f3gicas v\u00eam confirmando a sua validade ao provarem que as fun\u00e7\u00f5es psi (ou medi\u00fanicas) s\u00e3o uma faculdade humana natural.<br \/> Os avan\u00e7os da Ci\u00eancia em nosso tempo, e particularmente os da F\u00edsica \u2014 revela\u00e7\u00e3o da estrutura at\u00f4mica da mat\u00e9ria, descoberta da antimat\u00e9ria e aceita\u00e7\u00e3o te\u00f3rica da exist\u00eancia do antiuniverso \u2014 ampliam no plano f\u00edsico as conseq\u00fc\u00eancias das investiga\u00e7\u00f5es psicofisiol\u00f3gicas.<br \/> \u00c9 hoje ineg\u00e1vel que vivemos num Universo fechado pelas limita\u00e7\u00f5es de nossas percep\u00e7\u00f5es sensoriais, mas que se abre ante as possibilidades da percep\u00e7\u00e3o extra-sensorial e dos novos recursos da Ci\u00eancia para penetrar nos arcanos da Natureza.<\/p>\n<p>Quando Pasteur descobriu o mundo invis\u00edvel dos micr\u00f3bios teve de lutar contra a ignor\u00e2ncia dos doutos e s\u00e1bios do tempo.<br \/> Kardec \u00e9 o Pasteur do Esp\u00edrito \u2014 descobriu o mundo invis\u00edvel dos esp\u00edritos e demonstrou que estes, \u00e0 maneira das bact\u00e9rias, dividem-se em ben\u00e9ficos e mal\u00e9ficos, podendo produzir infesta\u00e7\u00f5es (que s\u00e3o infec\u00e7\u00f5es espirituais) ocasionando doen\u00e7as mentais e org\u00e2nicas.<br \/> Contra ele se levantaram da mesma maneira os doutos e os s\u00e1bios do tempo, mas ainda mais fortemente apoiados pelos cl\u00e9rigos e te\u00f3logos das religi\u00f5es dominantes do que no caso de Pasteur.<br \/> A luta era mais dif\u00edcil, porque contra Kardec se conjugavam preconceitos, supersti\u00e7\u00f5es e interesses materiais muito maiores e mais arraigados.<br \/> Mas mesmo assim a verdade n\u00e3o pode ser obscurecida.<\/p>\n<p>Mas deixando de lado a quest\u00e3o cient\u00edfica \u2014 e tamb\u00e9m a quest\u00e3o filos\u00f3fica, a que nem nos referimos aqui \u2014 para tratar da quest\u00e3o religiosa, que \u00e9 o assunto deste livro, podemos assegurar que a condena\u00e7\u00e3o de Mois\u00e9s, erroneamente aplicada ao Espiritismo, redundaria na elimina\u00e7\u00e3o pura e simples de todas as religi\u00f5es.<br \/> Porque todas elas, desde as primitivas at\u00e9 as mais culturalmente refinadas, apoiam-se na rela\u00e7\u00e3o do homem com o mundo invis\u00edvel e dela se alimentam.<br \/> Os fatos esp\u00edritas est\u00e3o na raiz e na seiva da Religi\u00e3o, que tem sua origem na Revela\u00e7\u00e3o e se desenvolve gra\u00e7as \u00e0 seiva medi\u00fanica da permanente comunica\u00e7\u00e3o dos homens com os esp\u00edritos.<\/p>\n<p>A evoca\u00e7\u00e3o \u2014 contra a qual se levantam os maiores protestos \u2014 \u00e9 tamb\u00e9m uma constante na hist\u00f3ria, na teoria e na pr\u00e1tica das religi\u00f5es.<br \/> Como Kardec explica, basta pensarmos num esp\u00edrito para o evocarmos.<br \/> Mas isso n\u00e3o o obriga a atender-nos.<br \/> Os esp\u00edritos s\u00e3o mais livres do que n\u00f3s, os encarnados, e a evoca\u00e7\u00e3o \u00e9 um simples apelo, nunca uma tentativa m\u00e1gica de sujeitar o esp\u00edrito ao homem.<br \/> Ao contr\u00e1rio disso, h\u00e1 pr\u00e1ticas religiosas em nosso tempo que pretendem sujeitar o pr\u00f3prio Deus \u00e0s exig\u00eancias formalistas e convencionais de um sacerdote.<br \/> Proibir essas pr\u00e1ticas seria mais f\u00e1cil, porque s\u00e3o cria\u00e7\u00f5es humanas e dependem apenas dos homens, mas proibir as evoca\u00e7\u00f5es esp\u00edritas e as manifesta\u00e7\u00f5es espont\u00e2neas que se d\u00e3o por toda parte atrav\u00e9s da mediunidade \u00e9 imposs\u00edvel, porque estas dependem dos esp\u00edritos, que n\u00e3o est\u00e3o ao alcance das determina\u00e7\u00f5es humanas.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso \u00e9 preciso considerar o problema da evolu\u00e7\u00e3o espiritual do homem, que cada dia mais o aproxima dos esp\u00edritos, abrindo-lhe as possibilidades da percep\u00e7\u00e3o extra-sensorial.<br \/> Rompendo a clausura dos sentidos, a rede do sens\u00f3rio org\u00e2nico, o homem de hoje aumenta cada vez mais, e com evidente acelera\u00e7\u00e3o evolutiva, as suas possibilidades de comunica\u00e7\u00e3o com o mundo invis\u00edvel.<br \/> Os dois planos da vida humana \u2014 o vis\u00edvel e o invis\u00edvel \u2014 tornam-se mais pr\u00f3ximos e se familiarizam na propor\u00e7\u00e3o em que a alma (esp\u00edrito encarnado) agu\u00e7a as suas faculdades para uma percep\u00e7\u00e3o mais din\u00e2mica e real do mundo em que vive.<br \/> (N.<br \/> do T.<br \/>)<\/p>\n<p>(46) Proibir as rela\u00e7\u00f5es do homem com o mundo invis\u00edvel \u00e9 um contrasenso e revela ignor\u00e2ncia da natureza humana e da pr\u00f3pria Hist\u00f3ria Universal.<br \/> Em todos os tempos, desde os primitivos, como o atestam de maneira ineg\u00e1vel as pesquisas paleontol\u00f3gicas, arqueol\u00f3gicas, antropol\u00f3gicas, etnol\u00f3gicas e hist\u00f3ricas, os homens mantiveram rela\u00e7\u00f5es com entidades espirituais, sempre considerando-as humanas, diab\u00f3licas e divinas.<br \/> O que s\u00e3o as religi\u00f5es sen\u00e3o as formas institucionalizadas dessas rela\u00e7\u00f5es? O que \u00e9 a B\u00edblia, no seu conjunto e em cada um dos seus livros, sen\u00e3o um testemunho maci\u00e7o e imponente dessa realidade ineg\u00e1vel? E poderemos acaso negar que os pr\u00f3prios Evangelhos testemunham esse fato e nos instruem a respeito da maneira por que devemos proceder nessas rela\u00e7\u00f5es? (Veja-se I Cor\u00edntios, cap.<br \/> 12 e I Jo\u00e3o 4:1-6).<\/p>\n<div class=\"pvc_clear\"><\/div>\n<p id=\"pvc_stats_15401\" class=\"pvc_stats all  \" data-element-id=\"15401\" style=\"\"><i class=\"pvc-stats-icon medium\" aria-hidden=\"true\"><svg aria-hidden=\"true\" focusable=\"false\" data-prefix=\"far\" data-icon=\"chart-bar\" role=\"img\" xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\" viewBox=\"0 0 512 512\" class=\"svg-inline--fa fa-chart-bar fa-w-16 fa-2x\"><path fill=\"currentColor\" d=\"M396.8 352h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8V108.8c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v230.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8zm-192 0h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8V140.8c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v198.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8zm96 0h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8V204.8c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v134.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8zM496 400H48V80c0-8.84-7.16-16-16-16H16C7.16 64 0 71.16 0 80v336c0 17.67 14.33 32 32 32h464c8.84 0 16-7.16 16-16v-16c0-8.84-7.16-16-16-16zm-387.2-48h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8v-70.4c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v70.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8z\" class=\"\"><\/path><\/svg><\/i> <img decoding=\"async\" width=\"16\" height=\"16\" alt=\"Loading\" data-src=\"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/wp-content\/plugins\/page-views-count\/ajax-loader-2x.gif\" border=0 src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" class=\"lazyload\" style=\"--smush-placeholder-width: 16px; --smush-placeholder-aspect-ratio: 16\/16;\" \/><\/p>\n<div class=\"pvc_clear\"><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>1 \u2014A Igreja n\u00e3o nega de maneira alguma a exist\u00eancia das manifesta\u00e7\u00f5es. Pelo contr\u00e1rio, ela as admite todas, como vimos nas cita\u00e7\u00f5es precedentes, mas atribuindo-as \u00e0 interven\u00e7\u00e3o exclusiva dos dem\u00f4nios. \u00c9 por engano que alguns invocam o Evangelho para as proibir, porque o Evangelho n\u00e3o diz uma s\u00f3 palavra nesse sentido. O supremo argumento que&hellip; <br \/> <a class=\"read-more\" href=\"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/artigo15401\/\">Leia mais<\/a><\/p>\n<div class=\"pvc_clear\"><\/div>\n<p id=\"pvc_stats_15401\" class=\"pvc_stats all  \" data-element-id=\"15401\" style=\"\"><i class=\"pvc-stats-icon medium\" aria-hidden=\"true\"><svg aria-hidden=\"true\" focusable=\"false\" data-prefix=\"far\" data-icon=\"chart-bar\" role=\"img\" xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\" viewBox=\"0 0 512 512\" class=\"svg-inline--fa fa-chart-bar fa-w-16 fa-2x\"><path fill=\"currentColor\" d=\"M396.8 352h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8V108.8c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v230.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8zm-192 0h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8V140.8c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v198.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8zm96 0h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8V204.8c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v134.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8zM496 400H48V80c0-8.84-7.16-16-16-16H16C7.16 64 0 71.16 0 80v336c0 17.67 14.33 32 32 32h464c8.84 0 16-7.16 16-16v-16c0-8.84-7.16-16-16-16zm-387.2-48h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8v-70.4c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v70.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8z\" class=\"\"><\/path><\/svg><\/i> <img decoding=\"async\" width=\"16\" height=\"16\" alt=\"Loading\" data-src=\"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/wp-content\/plugins\/page-views-count\/ajax-loader-2x.gif\" border=0 src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" class=\"lazyload\" style=\"--smush-placeholder-width: 16px; --smush-placeholder-aspect-ratio: 16\/16;\" \/><\/p>\n<div class=\"pvc_clear\"><\/div>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[16],"tags":[],"class_list":["post-15401","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-mensagens-diversas"],"a3_pvc":{"activated":true,"total_views":2596,"today_views":0},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15401","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=15401"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15401\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=15401"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=15401"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=15401"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}