{"id":15417,"date":"2018-10-13T15:12:00","date_gmt":"2018-10-13T15:12:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/artigo15417\/"},"modified":"2018-10-13T15:29:41","modified_gmt":"2018-10-13T18:29:41","slug":"artigo15417","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/artigo15417\/","title":{"rendered":"Livro C\u00e9u e o Inferno &#8211;  Segunda Parte &#8211; Cap\u00edtulo I  A Transi\u00e7\u00e3o &#8211; Allan Kardec"},"content":{"rendered":"<p>1 \u2014 A confian\u00e7a na exist\u00eancia da vida futura n\u00e3o exclui as apreens\u00f5es pela transi\u00e7\u00e3o desta vida para a outra.<br \/> Muitas pessoas n\u00e3o temem propriamente a morte, o que temem \u00e9 o momento da transi\u00e7\u00e3o.<br \/> Sofremos ou n\u00e3o ao fazer essa passagem? \u00c9 isso o que as inquieta e com tanto mais raz\u00e3o quanto ningu\u00e9m pode escapar a esse momento.<br \/> Podemos deixar de fazer qualquer outra viagem, mas quanto a esta, tanto os ricos como os pobres ter\u00e3o de faz\u00ea-Ia e se ela for dolorosa, nem a posi\u00e7\u00e3o e nem a fortuna poderiam suavizar a sua amargura.<\/p>\n<p>2 \u2014 Ao ver a tranq\u00fcilidade de algumas mortes e as terr\u00edveis convuls\u00f5es da agonia em outras, j\u00e1 podemos perceber que as sensa\u00e7\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o sempre as mesmas, mas quem pode nos esclarecer a respeito? Quem nos descrever\u00e1 o fen\u00f4meno fisiol\u00f3gico da separa\u00e7\u00e3o da alma e do corpo? Quem nos relatar\u00e1 as sensa\u00e7\u00f5es desse instante supremo? Sobre isso, a Ci\u00eancia e a Religi\u00e3o se calam.<\/p>\n<p>Mas por que se calam? Porque falta a uma e a outra o conhecimento das leis que regem as rela\u00e7\u00f5es do Esp\u00edrito com a mat\u00e9ria.<br \/> Uma p\u00e1ra no limiar da vida espiritual, a outra no da vida material.<br \/> O Espiritismo \u00e9 o tra\u00e7o de uni\u00e3o entre as duas.<br \/> Somente ele pode revelar como se opera a transi\u00e7\u00e3o, seja em virtude das no\u00e7\u00f5es positivas que oferece sobre a natureza da alma, seja com as informa\u00e7\u00f5es dadas pelos que deixaram a vida.<br \/> O conhecimento do elemento flu\u00eddico que une a alma ao corpo \u00e9 a chave desse fen\u00f4meno, como de muitos outros.<\/p>\n<p>3 \u2014 A mat\u00e9ria inerte \u00e9 insens\u00edvel: este \u00e9 um fato positivo.<br \/> S\u00f3 a alma experimenta as sensa\u00e7\u00f5es de prazer e dor.<br \/> Durante a vida qualquer desagrega\u00e7\u00e3o da mat\u00e9ria repercute na alma atrav\u00e9s de uma impress\u00e3o mais ou menos dolorosa.<br \/> \u00c9 a alma que sofre e n\u00e3o o corpo, pois este \u00e9 apenas o instrumento da dor e a alma \u00e9 o paciente.<br \/> Ap\u00f3s a morte, estando o corpo separado da alma, pode ser livremente mutilado que nada sente.<br \/> A alma, estando isolada do corpo, n\u00e3o \u00e9 atingida por nenhum efeito da destrui\u00e7\u00e3o deste.<br \/> Ela tem as suas pr\u00f3prias sensa\u00e7\u00f5es, cuja fonte n\u00e3o est\u00e1 na mat\u00e9ria tang\u00edvel.<\/p>\n<p>O perisp\u00edrito \u00e9 o envolt\u00f3rio f\u00edsico da alma, da qual n\u00e3o se separa nem antes nem depois da morte, e com a qual se pode dizer que forma um todo.<br \/> Porque n\u00e3o se pode conceber um sem a outra.<br \/> Durante a vida o fluido perispiritual impregna todo o corpo, servindo de ve\u00edculo das sensa\u00e7\u00f5es f\u00edsicas para a alma.<br \/> \u00c9 tamb\u00e9m por esse intermedi\u00e1rio que a alma age sobre o corpo e dirige os seus movimentos.<br \/>(47)<\/p>\n<p>4 \u2014 A extin\u00e7\u00e3o da vida org\u00e2nica produz a separa\u00e7\u00e3o da alma e do corpo pelo rompimento da liga\u00e7\u00e3o flu\u00eddica, mas essa separa\u00e7\u00e3o nunca se verifica de maneira brusca.<br \/> O fluido perispiritual se desprende pouco a pouco de todos os \u00f3rg\u00e3os, de maneira que a separa\u00e7\u00e3o s\u00f3 se completa quando n\u00e3o resta mais um \u00fanico \u00e1tomo, do perisp\u00edrito unido a uma mol\u00e9cula do corpo.<br \/> A sensa\u00e7\u00e3o dolorosa que a alma experimenta nesse momento est\u00e1 na raz\u00e3o da quantidade de pontos de contato existentes entre o corpo e o perisp\u00edrito, determinando a maior ou menor dificuldade ou lentid\u00e3o da separa\u00e7\u00e3o.<br \/> N\u00e3o se deve pois querer dissimular que, segundo as circunst\u00e2ncias, a morte pode ser mais ou menos penosa.<br \/> S\u00e3o essas diversas circunst\u00e2ncias que vamos examinar.<\/p>\n<p>5 \u2014 Coloquemos primeiramente, em princ\u00edpio, os quatro casos seguintes, que podemos encarar como as situa\u00e7\u00f5es extremas entre as quais existe uma infinidade de varia\u00e7\u00f5es:<\/p>\n<p>1\u00ba) Se no momento de extin\u00e7\u00e3o da vida org\u00e2nica o desprendimento do perisp\u00edrito j\u00e1 se tiver completado, a alma n\u00e3o sentir\u00e1 absolutamente nada;<\/p>\n<p>2\u00ba) Se nesse momento a uni\u00e3o dos dois elementos ainda estiver em toda a sua for\u00e7a, se verificar\u00e1 uma esp\u00e9cie de ruptura;<\/p>\n<p>3\u00ba) Se a uni\u00e3o j\u00e1 estiver enfraquecida, a separa\u00e7\u00e3o ser\u00e1 f\u00e1cil e se dar\u00e1 sem choque;<\/p>\n<p>4\u00ba) Se, ap\u00f3s a completa extin\u00e7\u00e3o da vida org\u00e2nica ainda existirem numerosos pontos de contato entre o corpo e o perisp\u00edrito, a alma poder\u00e1 sentir os efeitos da decomposi\u00e7\u00e3o do corpo at\u00e9 que as liga\u00e7\u00f5es sejam completamente rompidas.<\/p>\n<p>Disso resulta que o sofrimento que acompanha a morte decorre do estado de ader\u00eancia do perisp\u00edrito ao corpo, e que tudo o que possa facilitar a diminui\u00e7\u00e3o desse estado e acelerar a separa\u00e7\u00e3o torna a passagem menos penosa.<br \/> Enfim, que se o desprendimento se verificar sem nenhuma dificuldade, a alma n\u00e3o experimenta nenhuma sensa\u00e7\u00e3o desagrad\u00e1vel.<\/p>\n<p>(47) Somente agora, mais de um s\u00e9culo ap\u00f3s a explica\u00e7\u00e3o cient\u00edfica do Espiritismo a esse respeito, as Ci\u00eancias materiais conseguiram confirm\u00e1-la atrav\u00e9s de suas pesquisas.<br \/> Apesar das provas obtidas, entretanto, a cegueira materialista levantou celeumas a prop\u00f3sito e os religiosos anti-esp\u00edritas, por mero sectarismo, fazer coro com os negativistas.<br \/> A escola parapsicol\u00f3gica liderada pelo prof.<br \/> Joseph Banks Rhine, da Duke University, Estados Unidos, sustenta a exist\u00eancia no homem de um elemento extra-f\u00edsico e defende a tese de que a mente, que n\u00e3o \u00e9 f\u00edsica, age sobre a mat\u00e9ria por vias n\u00e3o f\u00edsicas.<br \/> Esta \u00e9 uma das asser\u00e7\u00f5es mais graves de Rhine e que maiores controv\u00e9rsias provocou no meio cient\u00edfico de todo o mundo.<br \/> Whately Carington, na Universidade de Cambridge, Inglaterra, formulou uma teoria da sobreviv\u00eancia da mente ap\u00f3s a morte e da sua possibilidade de agir sobre a mat\u00e9ria produzindo os fen\u00f4menos f\u00edsicos paranormais.<br \/> O prof.<br \/> S.<br \/> G.<br \/> Soal, da Universidade de Londres, formulou tamb\u00e9m uma hip\u00f3tese da sobreviv\u00eancia da alma.<br \/> Em pesquisas realizadas a partir de 1965 os f\u00edsicos e bi\u00f3logos sovi\u00e9ticos conseguiram obter provas concretas (fotografias e vis\u00e3o atrav\u00e9s de aparelhos \u00f3ticos especiais) da exist\u00eancia do perisp\u00edrito, a que deram o nome de corpo biopl\u00e1stico.<br \/> (N.<br \/> do T.<br \/>)<\/p>\n<p>6 \u2014 Na passagem da vida corp\u00f3rea para a vida espiritual ocorre ainda outro fen\u00f4meno de capital import\u00e2ncia: o da perturba\u00e7\u00e3o.<br \/> Nesse momento a alma experimenta um entorpecimento que paralisa momentaneamente as suas faculdades e neutraliza, pelo menos em parte, as suas sensa\u00e7\u00f5es.<br \/> Ela fica, por assim dizer, em estado catal\u00e9ptico, de maneira que quase nunca tem consci\u00eancia do seu derradeiro suspiro.<br \/> Dizemos quase nunca porque h\u00e1 um caso em que ela pode ter consci\u00eancia desse \u00faltimo instante, como logo veremos.<\/p>\n<p>A perturba\u00e7\u00e3o pode, pois, ser considerada como um fato normal no momento da morte.<br \/> Sua dura\u00e7\u00e3o \u00e9 indeterminada, pois ela varia de algumas horas para alguns anos.<br \/> \u00c0 medida que ela se dissipa a alma se sente na situa\u00e7\u00e3o de um homem que acorda de um sono profundo.<br \/> Suas id\u00e9ias s\u00e3o confusas, vagas e incertas, a sua vis\u00e3o \u00e9 como se ela estivesse num nevoeiro; pouco a pouco a vis\u00e3o vai-se esclarecendo, a mem\u00f3ria se reaviva, mas isso de acordo com as situa\u00e7\u00f5es individuais.<br \/> Para uns, esse despertar \u00e9 calmo e proporciona uma sensa\u00e7\u00e3o deliciosa, mas para outros \u00e9 bem diferente, cheio de terror e ang\u00fastia, semelhante a horr\u00edvel pesadelo.<\/p>\n<p>7 \u2014 O momento do derradeiro suspiro n\u00e3o \u00e9, pois, o mais penoso, porque em geral a alma n\u00e3o chega a perceb\u00ea-lo.<br \/> Mas antes ela sofre os efeitos da desagrega\u00e7\u00e3o da mat\u00e9ria durante as convuls\u00f5es da agonia, e depois as ang\u00fastias da perturba\u00e7\u00e3o.<br \/> Apressemo-nos a esclarecer que essa situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 generalizada.<br \/> A intensidade e a dura\u00e7\u00e3o de sofrimento, como dissemos, est\u00e3o na raz\u00e3o da afinidade existente entre o corpo e o perisp\u00edrito.<br \/> Quanto maior for essa afinidade, mais demorados e penosos ser\u00e3o os esfor\u00e7os do Esp\u00edrito para se libertar.<br \/> Mas h\u00e1 casos em que a uni\u00e3o \u00e9 t\u00e3o fraca que a liberta\u00e7\u00e3o se realiza naturalmente, sem dificuldades.<br \/> O Esp\u00edrito se separa do corpo como um fruto maduro que cai do ramo.<br \/> \u00c9 o caso das mortes tranq\u00fcilas que levam a um despertar pac\u00edfico.<\/p>\n<p>8 \u2014 O estado moral da alma \u00e9 a causa principal que determina a maior ou menor facilidade de desprendimento.<br \/> A afinidade entre o corpo e o perisp\u00edrito decorre do apego do Esp\u00edrito \u00e0 mat\u00e9ria.<br \/> Chega ao m\u00e1ximo no homem que concentra todas as suas preocupa\u00e7\u00f5es na vida e nos prazeres materiais que ela oferece.<br \/> \u00c9 quase nula naquele cuja alma purificada se identifica por antecipa\u00e7\u00e3o com a vida espiritual.<br \/> Como a lentid\u00e3o e a dificuldade da separa\u00e7\u00e3o resultam do grau de depura\u00e7\u00e3o e desmaterializa\u00e7\u00e3o da alma, depende de cada um tornar mais f\u00e1cil ou mais penoso, agrad\u00e1vel ou doloroso o momento de sua passagem.<\/p>\n<p>Assim posta a quest\u00e3o, ao mesmo tempo no plano te\u00f3rico e como resultado da observa\u00e7\u00e3o, resta-nos examinar a influ\u00eancia do g\u00eanero de morte sobre as sensa\u00e7\u00f5es da alma no derradeiro momento.<\/p>\n<p>9 \u2014 Na morte natural, a que resulta da extin\u00e7\u00e3o das for\u00e7as vitais pela idade ou pela doen\u00e7a, o desprendimento se opera gradualmente.<br \/> No homem cuja alma se desmaterializou e cujos pensamentos se desprenderam da atra\u00e7\u00e3o das coisas terrenas, o desprendimento quase que se completa antes da morte real.<br \/> O corpo vive ainda a vida org\u00e2nica, mas a alma j\u00e1 penetrou na vida espiritual e somente a ligam ao corpo liames t\u00e3o fr\u00e1geis que se rompem sem dificuldade com a \u00faltima pancada do cora\u00e7\u00e3o.<br \/> Nessa situa\u00e7\u00e3o o Esp\u00edrito j\u00e1 pode haver recobrado a lucidez e testemunhar conscientemente a extin\u00e7\u00e3o da vida no seu pr\u00f3prio corpo, do qual se sente feliz por se livrar.<br \/> Para ele quase n\u00e3o existe perturba\u00e7\u00e3o.<br \/> Este n\u00e3o \u00e9 mais do que um momento de sono tranq\u00fcilo do qual ele acorda com uma indiz\u00edvel sensa\u00e7\u00e3o de felicidade e de esperan\u00e7a.<\/p>\n<p>No homem material e sensual, que viveu mais para o corpo do que para as coisas espirituais, para quem a vida espiritual nada era, que nem mesmo a admitia em pensamento, tudo contribui para estreitar os la\u00e7os que ligam a alma \u00e0 mat\u00e9ria, pois nada contribuiu para os relaxar durante a vida.<br \/> \u00c0 aproxima\u00e7\u00e3o da morte, o desprendimento se opera tamb\u00e9m de maneira gradual, mas atrav\u00e9s de cont\u00ednuos esfor\u00e7os.<br \/> As convuls\u00f5es da agonia revelam a luta que o Esp\u00edrito sustenta, tentando \u00e0s vezes romper os la\u00e7os que o seguram e de outras vezes apegando-se ao corpo do qual uma for\u00e7a irresist\u00edvel o vai arrancando com viol\u00eancia, mas parte a parte.<\/p>\n<p>10 \u2014 O Esp\u00edrito se apega tanto mais \u00e0 vida material quando nada v\u00ea al\u00e9m dela.<br \/> Sente que ela lhe escapa e quer ret\u00ea-la.<br \/> Ao inv\u00e9s de se entregar \u00e0s for\u00e7as que o arrastam, resiste com todas as suas energias.<br \/> Essa luta pode se prolongar por dias, semanas e meses.<br \/> N\u00e3o h\u00e1 d\u00favida, nesse momento o Esp\u00edrito n\u00e3o goza de toda a sua lucidez.<br \/> A perturba\u00e7\u00e3o j\u00e1 ter\u00e1 come\u00e7ado bem antes da morte, mas nem por isso \u00e9 menor o seu sofrimento, e o estado de vacuidade mental em que se encontra, a incerteza quanto ao que lhe acontecer\u00e1 depois aumentam as suas ang\u00fastias.<br \/> A morte chega e nada se acabou, pois a perturba\u00e7\u00e3o continua.<br \/> Ele sente que est\u00e1 vivo, mas n\u00e3o sabe se essa vida \u00e9 a material ou a espiritual.<br \/> Luta ainda at\u00e9 que as \u00faltimas liga\u00e7\u00f5es do perisp\u00edrito com o corpo sejam rompidas.<br \/> A morte p\u00f4s termo \u00e0 mol\u00e9stia que ele sofria, mas n\u00e3o sustou as suas conseq\u00fc\u00eancias, de maneira que enquanto existirem pontos de contato entre o corpo e o perisp\u00edrito, o Esp\u00edrito \u00e9 atingido por essas conseq\u00fc\u00eancias e sofre com elas.<\/p>\n<p>Bem diferente a situa\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito que j\u00e1 se desmaterializou, mesmo no caso das doen\u00e7as mais cru\u00e9is.<br \/> As liga\u00e7\u00f5es flu\u00eddicas com o corpo tendo-se enfraquecido, rompem-se sem nenhuma dificuldade, e al\u00e9m disso a sua confian\u00e7a no futuro, que ele j\u00e1 entrev\u00ea mentalmente e \u00e0s vezes mesmo de maneira real, o leva a encarar a morte como uma liberta\u00e7\u00e3o e os seus males como uma prova.<br \/> Da\u00ed a tranq\u00fcilidade moral e a resigna\u00e7\u00e3o que suavizam os seus sofrimentos.<br \/> Ap\u00f3s a morte, tendo as liga\u00e7\u00f5es sido rompidas de maneira instant\u00e2nea, ele n\u00e3o sente nenhuma rea\u00e7\u00e3o dolorosa.<br \/> Pelo contr\u00e1rio, ao despertar sente-se livre, disposto, aliviado de um grande peso e muito feliz por n\u00e3o estar mais sofrendo.<\/p>\n<p>12 \u2014 Na morte violenta as condi\u00e7\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o sempre as mesmas.<br \/> Nenhuma desagrega\u00e7\u00e3o parcial tendo podido levar a uma separa\u00e7\u00e3o antecipada entre o corpo e o perisp\u00edrito, a vida org\u00e2nica \u00e9 subitamente sustada, ainda na plenitude da sua for\u00e7a.<br \/> O desprendimento do perisp\u00edrito s\u00f3 come\u00e7a depois da morte.<br \/> Nesse caso como nos outros n\u00e3o pode realizar-se instantaneamente.<br \/> O Esp\u00edrito, colhido de surpresa, sente-se como aturdido, mas ao perceber que pensa ainda, acredita-se vivo.<br \/> Essa ilus\u00e3o dura at\u00e9 que ele possa tomar conhecimento de sua nova situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Esse estado intermedi\u00e1rio entre a vida corp\u00f3rea e a vida espiritual \u00e9 um dos mais interessantes como objeto de estudo, pois apresenta a singular situa\u00e7\u00e3o de um Esp\u00edrito que toma o seu corpo flu\u00eddico pelo seu corpo material, experimentando todas as sensa\u00e7\u00f5es da vida org\u00e2nica.<br \/> Apresenta-se uma variedade de nuan\u00e7as que dependem do car\u00e1ter, dos conhecimentos e do grau do desenvolvimento moral do Esp\u00edrito.<br \/> \u00c9 de curta dura\u00e7\u00e3o para aqueles de alma mais pura, porque nestes sempre h\u00e1 um desprendimento antecipado que a morte, mesmo a mais inesperada, vem apenas completar.<br \/> Para outros pode prolongar-se durante anos.<br \/> Esse estado \u00e9 tamb\u00e9m muito freq\u00fcente nos casos de morte ordin\u00e1ria, mas para alguns nada tem de penoso, dependendo das qualidades do Esp\u00edrito, enquanto para outros representa uma situa\u00e7\u00e3o terr\u00edvel.<\/p>\n<p>\u00c9 sobretudo nos casos de suic\u00eddios que essa situa\u00e7\u00e3o se faz penosa.<br \/> O corpo continuando ligado ao perisp\u00edrito por todas as suas fibras, faz que repercutam na alma todas as suas convuls\u00f5es, produzindo-lhes sofrimentos atrozes.<\/p>\n<p>13 \u2014 A situa\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito no momento da morte pode se resumir assim:<\/p>\n<p>O Esp\u00edrito sofre tanto mais, quanto mais lento for o desprendimento do perisp\u00edrito.<br \/> A presteza do desprendimento depende do grau de desenvolvimento moral do Esp\u00edrito.<br \/> Para o Esp\u00edrito desmaterializado, cuja consci\u00eancia \u00e9 pura, a morte \u00e9 apenas um sono passageiro, sem nenhum sofrimento, e o seu despertar \u00e9 cheio de suavidade.<\/p>\n<p>14 \u2014 Para que a gente se esforce pela pr\u00f3pria purifica\u00e7\u00e3o, reprimindo as m\u00e1s tend\u00eancias e vencendo as paix\u00f5es, \u00e9 necess\u00e1rio conhecer as vantagens do futuro.<br \/> Para se identificar com a vida futura, desejando-a e preferindo-a \u00e0 vida terrena, n\u00e3o basta acreditar que ela existe, mas \u00e9 preciso compreend\u00ea-Ia.<br \/> E para tudo isso \u00e9 necess\u00e1rio apresent\u00e1-la sob um aspecto satisfat\u00f3rio para a raz\u00e3o, de pleno acordo com a l\u00f3gica, o bom senso e a id\u00e9ia que se faz da grandeza, da bondade e da justi\u00e7a de Deus.<br \/> De todas as doutrinas filos\u00f3ficas, o Espiritismo \u00e9 a que exerce, a respeito, a mais poderosa influ\u00eancia, gra\u00e7as \u00e0 f\u00e9 inabal\u00e1vel que proporciona.<\/p>\n<p>O esp\u00edrita s\u00e9rio n\u00e3o se contenta em crer: ele cr\u00ea porque compreende, e s\u00f3 pode compreender recorrendo ao racioc\u00ednio.<br \/> A vida futura \u00e9 ent\u00e3o uma realidade que se desenrola incessantemente aos seus olhos.<br \/> Ele a v\u00ea e a toca, por assim dizer, a todos os instantes.<br \/> A d\u00favida n\u00e3o pode penetrar na sua mente.<br \/> A vida corp\u00f3rea, demasiado limitada, se apaga para ele ante a vida espiritual que se apresenta como a verdadeira vida.<br \/> Essa a raz\u00e3o da pouca import\u00e2ncia que d\u00e1 aos incidentes do caminho, e de enfrentar com resigna\u00e7\u00e3o todas as vicissitudes, compreendendo as suas causas e a sua utilidade.<br \/> As rela\u00e7\u00f5es diretas que mant\u00e9m com o mundo invis\u00edvel elevam-lhe a alma.<br \/> As liga\u00e7\u00f5es flu\u00eddicas que o ligam \u00e0 mat\u00e9ria se enfraquecem.<br \/> E \u00e9 assim que vai se operando o desligamento parcial que facilita a sua passagem desta vida para a outra.<br \/> A perturba\u00e7\u00e3o que \u00e9 insepar\u00e1vel da transi\u00e7\u00e3o torna-se de curta dura\u00e7\u00e3o porque, t\u00e3o pronto atravessou a fronteira logo se reconhece: nada lhe \u00e9 estranho e ele compreende a sua nova situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>15 \u2014 O Espiritismo n\u00e3o \u00e9 certamente indispens\u00e1vel para se chegar a esse resultado.<br \/> Nem tem a pretens\u00e3o de ser o \u00fanico a assegurar a salva\u00e7\u00e3o da alma.<br \/> Mas a facilita, pelos conhecimentos que proporciona, pelos sentimentos que inspira e pelas disposi\u00e7\u00f5es que d\u00e1 ao esp\u00edrito, fazendo-o compreender a necessidade de melhorar-se.<br \/> Al\u00e9m disso, d\u00e1 a cada um os meios de facilitar o desprendimento alheio na hora da partida e os meios de abreviar o tempo de perturba\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s da prece e da evoca\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Por meio da prece sincera, que \u00e9 uma forma de magnetiza\u00e7\u00e3o espiritual, provoca-se uma desagrega\u00e7\u00e3o, mais r\u00e1pida do fluido perispiritual.<br \/> Por uma evoca\u00e7\u00e3o dirigida com conhecimento e prud\u00eancia, atrav\u00e9s de palavras de benevol\u00eancia e encorajamento, tira-se o Esp\u00edrito do entorpecimento em que se encontra e consegue-se ajud\u00e1-lo a compreender mais rapidamente o que se passa.<br \/> Se for um Esp\u00edrito sofredor, provoca-se o arrependimento que \u00e9 o \u00fanico meio de abreviar os seus sofrimentos.<br \/>(48)<\/p>\n<p>Quanto mais a exist\u00eancia terrena dos Esp\u00edritos se aproxima da nossa, seja pela posi\u00e7\u00e3o social ou pelas rela\u00e7\u00f5es ou la\u00e7os de parentescos, mais nos interessam e mais f\u00e1cil se torna controlar a identidade dos comunicantes.<br \/> As situa\u00e7\u00f5es vulgares s\u00e3o naturalmente em maior n\u00famero e \u00e9 por isso que delas todos podem tirar mais facilmente as aplica\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias.<br \/> As situa\u00e7\u00f5es excepcionais nos tocam menos, por escaparem \u00e0 esfera dos nossos h\u00e1bitos.<br \/> N\u00e3o s\u00e3o essas, portanto, as ilustra\u00e7\u00f5es que procuramos.<br \/> Se nesses exemplos se encontram algumas individualidades conhecidas, a maioria \u00e9 de criaturas inteiramente obscuras.<br \/> Os nomes retumbantes nada acrescentariam no tocante \u00e0 instru\u00e7\u00e3o e poderiam ferir suscetibilidades.<br \/> N\u00e3o nos dirigimos aos curiosos nem aos amantes de esc\u00e2ndalos, mas aos que desejam seriamente instruir-se.<\/p>\n<p>Esses exemplos poderiam ser multiplicados ao infinito, mas, for\u00e7ados a limitar o seu n\u00famero, escolhemos os que pudessem lan\u00e7ar mais luz sobre o estado do mundo espiritual, seja em virtude da situa\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito, seja pelas explica\u00e7\u00f5es que ele estava em condi\u00e7\u00f5es de dar.<br \/> Na maioria essas comunica\u00e7\u00f5es s\u00e3o in\u00e9ditas.<br \/> Apenas algumas foram publicadas na Revista Esp\u00edrita.<br \/> Dessas, suprimimos os detalhes sup\u00e9rfluos, conservando apenas os pontos essenciais ao objetivo que nos propusemos aqui.<\/p>\n<p>Acrescentamos a elas as instru\u00e7\u00f5es complementares que provocaram posteriormente.<br \/> (N.<br \/> de Kardec)<\/p>\n<p>(48) Os exemplos que vamos citar apresentam os Esp\u00edritos nas diferentes fases de felicidade e de infelicidade da vida espiritual.<br \/> N\u00e3o os procuramos entre os personagens mais ou menos ilustres da Antig\u00fcidade, cuja situa\u00e7\u00e3o se poderia considerar modificada ap\u00f3s a exist\u00eancia em que foram conhecidos, n\u00e3o oferecendo, por isso mesmo, provas suficientes de autenticidade.<br \/> Tomamo-los das circunst\u00e2ncias mais comuns da vida contempor\u00e2nea, por serem aquelas em que podemos encontrar maiores possibilidades de compara\u00e7\u00f5es e das quais se podem tirar as mais aproveit\u00e1veis instru\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<div class=\"pvc_clear\"><\/div>\n<p id=\"pvc_stats_15417\" class=\"pvc_stats all  \" data-element-id=\"15417\" style=\"\"><i class=\"pvc-stats-icon medium\" aria-hidden=\"true\"><svg aria-hidden=\"true\" focusable=\"false\" data-prefix=\"far\" data-icon=\"chart-bar\" role=\"img\" xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\" viewBox=\"0 0 512 512\" class=\"svg-inline--fa fa-chart-bar fa-w-16 fa-2x\"><path fill=\"currentColor\" d=\"M396.8 352h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8V108.8c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v230.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8zm-192 0h22.4c6.4 0 12.8-6.4 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Muitas pessoas n\u00e3o temem propriamente a morte, o que temem \u00e9 o momento da transi\u00e7\u00e3o. Sofremos ou n\u00e3o ao fazer essa passagem? \u00c9 isso o que as inquieta e com tanto mais raz\u00e3o quanto ningu\u00e9m&hellip; <br \/> <a class=\"read-more\" href=\"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/artigo15417\/\">Leia mais<\/a><\/p>\n<div class=\"pvc_clear\"><\/div>\n<p id=\"pvc_stats_15417\" class=\"pvc_stats all  \" data-element-id=\"15417\" style=\"\"><i class=\"pvc-stats-icon medium\" aria-hidden=\"true\"><svg aria-hidden=\"true\" focusable=\"false\" data-prefix=\"far\" data-icon=\"chart-bar\" role=\"img\" xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\" viewBox=\"0 0 512 512\" class=\"svg-inline--fa fa-chart-bar fa-w-16 fa-2x\"><path fill=\"currentColor\" d=\"M396.8 352h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8V108.8c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v230.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8zm-192 0h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8V140.8c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v198.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8zm96 0h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8V204.8c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v134.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8zM496 400H48V80c0-8.84-7.16-16-16-16H16C7.16 64 0 71.16 0 80v336c0 17.67 14.33 32 32 32h464c8.84 0 16-7.16 16-16v-16c0-8.84-7.16-16-16-16zm-387.2-48h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8v-70.4c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v70.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8z\" class=\"\"><\/path><\/svg><\/i> <img decoding=\"async\" width=\"16\" height=\"16\" alt=\"Loading\" data-src=\"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/wp-content\/plugins\/page-views-count\/ajax-loader-2x.gif\" border=0 src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" class=\"lazyload\" style=\"--smush-placeholder-width: 16px; --smush-placeholder-aspect-ratio: 16\/16;\" \/><\/p>\n<div class=\"pvc_clear\"><\/div>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[16],"tags":[],"class_list":["post-15417","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-mensagens-diversas"],"a3_pvc":{"activated":true,"total_views":2503,"today_views":0},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15417","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=15417"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15417\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=15417"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=15417"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=15417"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}