{"id":15450,"date":"2018-10-28T08:12:00","date_gmt":"2018-10-28T08:12:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/artigo15450\/"},"modified":"2018-10-28T09:29:51","modified_gmt":"2018-10-28T11:29:51","slug":"artigo15450","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/artigo15450\/","title":{"rendered":"Livro C\u00e9u e o Inferno &#8211;  Segunda Parte &#8211; Cap\u00edtulo III  Esp\u00edritos em Condi\u00e7\u00f5es Medianas &#8211; Allan Karde"},"content":{"rendered":"<p>Jos\u00e9 Br\u00e9<\/p>\n<p>(Falecido em 1840 e evocado em Bord\u00e9us, por sua neta em 1862)<\/p>\n<p>O Homem Honesto Segundo Deus<\/p>\n<p>ou Segundo os Homens<\/p>\n<p>1.<br \/> Caro av\u00f4, o Sr.<br \/> pode dizer-me como vos encontrais no mundo dos Esp\u00edritos e dar-me quaisquer pormenores \u00fateis ao nosso progresso?<\/p>\n<p>R.<br \/> Tudo o que quiser, querida filha.<br \/> Eu expio a minha descren\u00e7a, por\u00e9m grande \u00e9 a bondade de Deus, que atende \u00e0s circunst\u00e2ncias.<br \/> Sofro, mas n\u00e3o como V.<br \/> poderia imaginar; \u00e9 o desgosto de n\u00e3o ter melhor aproveitado o tempo a\u00ed na Terra.<\/p>\n<p>2.<br \/> Como o n\u00e3o empregou? Pois o Sr.<br \/> n\u00e3o viveu sempre honestamente?<\/p>\n<p>R.<br \/> Sim, no ju\u00edzo dos homens; mas h\u00e1 um abismo entre a honestidade perante os homens e a honestidade perante Deus.<br \/> E uma vez que deseja instruir-se procurarei demonstrar-lhe a diferen\u00e7a.<\/p>\n<p>A\u00ed entre v\u00f3s, \u00e9 reputado honesto aquele que respeita as leis do seu pa\u00eds, respeito arbitr\u00e1rio para muitos.<br \/> Honesto \u00e9 aquele que n\u00e3o prejudica o pr\u00f3ximo ostensivamente, embora lhe arranque muitas vezes a felicidade e a honra, visto o c\u00f3digo penal e a opini\u00e3o p\u00fablica n\u00e3o atingirem o culpado hip\u00f3crita.<br \/> Em podendo fazer gravar na pedra do t\u00famulo um epit\u00e1fio de virtude, julgam muitos terem pago sua d\u00edvida \u00e0 Humanidade! Erro! N\u00e3o basta, para ser honesto perante Deus, ter respeitado as leis dos homens; \u00e9 preciso antes de tudo n\u00e3o haver transgredido as leis divinas.<\/p>\n<p>Honesto aos olhos de Deus ser\u00e1 aquele que, possu\u00eddo de abnega\u00e7\u00e3o e amor, consagre a exist\u00eancia ao bem, ao progresso dos semelhantes; aquele que, animado de um zelo sem limites, for ativo no cumprimento dos deveres materiais, ensinando e exemplificando aos outros o amor ao trabalho; ativo nas boas a\u00e7\u00f5es sem esquecer a condi\u00e7\u00e3o do servo ao qual o Senhor pedir\u00e1 contas um dia do emprego do seu tempo; ativo finalmente na pr\u00e1tica do amor de Deus e do pr\u00f3ximo.<\/p>\n<p>Assim, o homem honesto, perante Deus, deve evitar cuidadosamente as palavras mordazes, veneno escondido nas flores, que destr\u00f3i reputa\u00e7\u00f5es e acabrunha o homem, muitas vezes cobrindo-o de rid\u00edculo.<br \/> O homem honesto, segundo Deus, deve ter sempre cerrado o cora\u00e7\u00e3o a quaisquer germes de orgulho, de inveja, de ambi\u00e7\u00e3o; deve ser paciente e ben\u00e9volo para com aqueles que o agredirem; deve perdoar do fundo d alma, sem esfor\u00e7os e sobretudo sem ostenta\u00e7\u00e3o, a quem quer que o ofenda; deve, enfim, praticar o preceito conciso e grandioso que se resume  no amor a Deus sobre todas as coisas e ao pr\u00f3ximo como a si mesmo .<\/p>\n<p>Eis a\u00ed mais ou menos, querida filha, o que deve ser o homem honesto perante Deus.<br \/> Pois bem: te-lo-ia eu sido? N\u00e3o.<br \/> Confesso sem corar que faltei a muitos desses deveres; que n\u00e3o tive a atividade necess\u00e1ria; que o esquecimento de Deus me impeliu a outras faltas, as quais, por n\u00e3o serem pass\u00edveis \u00e0s leis humanas, nem por isso deixam de ser atentat\u00f3rias \u00e0 lei de Deus.<br \/> Compreendo-o, muito sofri e assim \u00e9 que hoje espero mais consolado a miseric\u00f3rdia desse Deus de bondade, que perscruta o meu arrependimento.<\/p>\n<p>Transmite, minha cara filha, repita tudo o que a\u00ed fica a quantos tiverem a consci\u00eancia onerada, para que reparem suas faltas \u00e0 for\u00e7a de boas obras, a fim de que a miseric\u00f3rdia de Deus se estenda por sobre eles.<br \/> Seus olhos paternais lhes calcular\u00e3o as prova\u00e7\u00f5es e a Sua m\u00e3o potente lhes apagar\u00e1 as faltas.<\/p>\n<p>Helena Michel<\/p>\n<p>Mo\u00e7a de 25 anos, falecida subitamente no lar, sem sofrimentos, sem causa previamente conhecida.<br \/> Rica e um tanto fr\u00edvola, a leviandade de car\u00e1ter a predispunha mais para as futilidades da vida do que para as coisas s\u00e9rias.<br \/> N\u00e3o obstante, possu\u00eda um cora\u00e7\u00e3o bondoso e era d\u00f3cil, afetuosa e caritativa.<\/p>\n<p>Evocada por pessoas conhecidas, tr\u00eas dias ap\u00f3s o falecimento, assim se exprimia:<\/p>\n<p> N\u00e3o sei onde estou.<br \/>.<br \/>.<br \/> que turba\u00e7\u00e3o me cerca! Chamou-me e eu vim.<br \/> N\u00e3o compreendo porque n\u00e3o estou em minha casa; choram a minha aus\u00eancia quando presente estou, sem poder fazer-me contudo reconhecida.<br \/> Meu corpo n\u00e3o mais me pertence e no entanto eu lhe sinto a frigidez.<br \/>.<br \/>.<br \/> Quero deix\u00e1-lo e mais a ele me atenho sempre.<br \/>.<br \/>.<br \/> Sou como que duas personalidades.<br \/>.<br \/>.<br \/> Oh! quando chegarei a compreender o que comigo se passa? \u00c9 necess\u00e1rio que v\u00e1 l\u00e1 ainda.<br \/>.<br \/>.<br \/> meu outro  eu , que lhe suceder\u00e1 na minha aus\u00eancia? Adeus.<\/p>\n<p>\u00c9 evidente aqui que o sentimento de dualidade n\u00e3o est\u00e1 destru\u00eddo por completa separa\u00e7\u00e3o.<br \/> Car\u00e1ter vol\u00favel, permitindo-lhe a posi\u00e7\u00e3o e a fortuna a satisfa\u00e7\u00e3o de todos os caprichos, deveria igualmente favorecer as tend\u00eancias de leviandade.<br \/> N\u00e3o admira pois tenha sido lento o seu desprendimento, a ponto de, tr\u00eas dias ap\u00f3s a morte, sentir-se ainda ligada ao inv\u00f3lucro corporal.<br \/> Mas como n\u00e3o possu\u00edsse v\u00edcios s\u00e9rios e fosse de boa \u00edndole, essa situa\u00e7\u00e3o nada tinha de penosa e n\u00e3o deveria prolongar-se por muito tempo.<br \/> Evocada novamente depois de alguns dias, as suas id\u00e9ias estavam j\u00e1 muito modificadas.<br \/> Eis o que disse:<\/p>\n<p> Obrigada por haverdes orado por mim.<br \/> Reconhe\u00e7o a bondade de Deus, que me subtraiu aos sofrimentos e apreens\u00f5es conseq\u00fcentes ao desligamento do meu Esp\u00edrito.<br \/> A minha pobre m\u00e3e ser\u00e1 dific\u00edlimo resignar-se; entretanto ser\u00e1 confortada e o que a seus olhos constitui sens\u00edvel desgra\u00e7a, era fatal e indispens\u00e1vel para que as coisas do C\u00e9u se lhe tornassem no que devem ser: tudo.<br \/> Estarei ao seu lado at\u00e9 o fim da sua prova\u00e7\u00e3o terrestre, e a ajudarei a suport\u00e1-la.<\/p>\n<p> N\u00e3o sou infeliz, por\u00e9m muito tenho ainda que fazer para aproximar-me da situa\u00e7\u00e3o dos bem-aventurados.<br \/> Pedirei a Deus me conceda voltar a essa Terra para repara\u00e7\u00e3o do tempo que a\u00ed perdi nesta \u00faltima exist\u00eancia.<\/p>\n<p> A f\u00e9 vos ampare, meus amigos; confiai na efic\u00e1cia da prece, mormente quando partida do cora\u00e7\u00e3o.<br \/> Deus \u00e9 bom.<\/p>\n<p>P.<br \/> Levou muito tempo reconhecer-se?<\/p>\n<p>R.<br \/> Compreendi a morte no mesmo dia que por mim orastes.<\/p>\n<p>P.<br \/> Era doloroso o estado de perturba\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>R.<br \/> N\u00e3o, eu n\u00e3o sofria, acreditava sonhar e aguardava o despertar.<br \/> Minha vida n\u00e3o foi isenta de dores, porque todo ser encarnado nesse mundo deve sofrer.<br \/> Resignando-se \u00e0 vontade de Deus, a minha resigna\u00e7\u00e3o foi por Ele levada em conta.<br \/> Grata vos sou pelas preces que me auxiliaram no reconhecimento de mim mesma.<br \/> Obrigada; voltarei sempre com prazer.<br \/> Adeus.<\/p>\n<p>Helena.<\/p>\n<p>O Marqu\u00eas de S.<br \/> Paulo<\/p>\n<p>(Falecido em 1860 e evocado, a pedido de sua irm\u00e3, confreira da Sociedade de Paris, em 16 de maio de 1861)<\/p>\n<p>1.<br \/> Evoca\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<p>\u2014 R.<br \/> Eis-me aqui.<\/p>\n<p>2.<br \/> A sua irm\u00e3 pediu-nos para evoc\u00e1-lo, pois que, apesar de ser m\u00e9dium, n\u00e3o est\u00e1 ainda bastante desenvolvida.<\/p>\n<p>R.<br \/> Responder-lhe-ei da melhor forma poss\u00edvel.<\/p>\n<p>3.<br \/> Em primeiro lugar ela deseja saber se o Sr.<br \/> \u00e9 feliz.<\/p>\n<p>R.<br \/> Estou na erraticidade, estado transit\u00f3rio que n\u00e3o proporciona nem felicidade, nem castigo absolutos.<\/p>\n<p>4.<br \/> Permaneceu por muito tempo inconsciente do seu estado?<\/p>\n<p>R.<br \/> Estive muito tempo perturbado e s\u00f3 voltei a mim para bendizer a piedade daqueles que, lembrando-se de mim, por mim oraram.<\/p>\n<p>5.<br \/> E pode precisar o tempo dessa perturba\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>R.<br \/> N\u00e3o.<\/p>\n<p>6.<br \/> Quais os parentes que reconheceu primeiro?<\/p>\n<p>R.<br \/> Minha m\u00e3e e meu pai, os quais me receberam ao despertar, iniciando-me \u00e0 nova vida.<\/p>\n<p>7.<br \/> A que atribuir o fato de parecer que nos \u00faltimos extremos da mol\u00e9stia confabulam com as pessoas caras da Terra?<\/p>\n<p>R.<br \/> Ao conhecimento antecipado pela revela\u00e7\u00e3o do mundo que viria habitar.<br \/> Vidente antes da morte, meus olhos s\u00f3 se turvaram no momento da separa\u00e7\u00e3o do corpo, porque os la\u00e7os carnais eram ainda muito vigorosos.<\/p>\n<p>8.<br \/> Como explicar as recorda\u00e7\u00f5es da inf\u00e2ncia que de prefer\u00eancia lhe ocorriam?<\/p>\n<p>R.<br \/> Ao fato de o princ\u00edpio se identificar mais com o fim, que com o meio da vida.<\/p>\n<p>P.<br \/> Como explicar isso?<\/p>\n<p>R.<br \/> Importa dizer que os moribundos lembram e v\u00eaem como miragem consoladora, a pureza infantil dos primeiros anos.<\/p>\n<p>\u00c9 provavelmente por motivo providencial semelhante que os velhos, \u00e0 propor\u00e7\u00e3o que se aproximam do termo da vida, t\u00eam, por vezes, insignificantes epis\u00f3dios da inf\u00e2ncia.<\/p>\n<p>9.<br \/> Por que, referindo-se ao corpo, falava o Sr.<br \/> sempre na terceira pessoa?<\/p>\n<p>R.<br \/> Porque era evidente como lhe disse, e sentia claramente as diferen\u00e7as entre o f\u00edsico, e o moral; essas diferen\u00e7as, muito religadas entre si pelo fluido vital, tornam-se distint\u00edssimas aos olhos dos moribundos clarividentes.<\/p>\n<p>Eis a\u00ed uma particularidade singular da morte desse senhor.<br \/> Nos seus \u00faltimos momentos dizia sempre: ele tem sede, \u00e9 preciso dar-lhe de beber; tem frio, \u00e9 preciso aquec\u00ea-lo; sofre nessa ou naquela regi\u00e3o etc.<br \/> Quando lhe diziam: Mas \u00e9 o Sr.<br \/> que tem sede? \u2014 respondia:  N\u00e3o, \u00e9 ele .<br \/> Aqui ressaltam perfeitamente as duas exist\u00eancias; o eu Pensante estava no Esp\u00edrito, n\u00e3o no corpo; o Esp\u00edrito, em parte desprendido, considerava o corpo outra individualidade, que a bem dizer n\u00e3o lhe pertencia; era portanto ao seu corpo que se fazia mister dessedentar, e n\u00e3o a ele, Esp\u00edrito.<br \/> O fen\u00f4meno nota-se tamb\u00e9m em alguns son\u00e2mbulos.<\/p>\n<p>10.<br \/> O que o Sr.<br \/> disse da erraticidade do seu esp\u00edrito e sua respectiva perturba\u00e7\u00e3o levar-nos-ia a duvidar da sua felicidade, ao contr\u00e1rio do que se poderia inferir das suas qualidades.<br \/> Demais, h\u00e1 Esp\u00edritos errantes felizes e infelizes.<\/p>\n<p>R.<br \/> Estou num estado transit\u00f3rio; aqui as virtudes humanas passam a ter o seu justo valor.<br \/> Certamente este estado \u00e9 mil vezes prefer\u00edvel ao da minha encarna\u00e7\u00e3o terrestre; mas porque alimentei sempre aspira\u00e7\u00f5es ao verdadeiramente bom e belo, minha alma n\u00e3o ficar\u00e1 satisfeita sen\u00e3o quando se colocar aos p\u00e9s do Criador.<\/p>\n<p>Cardon, m\u00e9dico<\/p>\n<p>Passara uma parte da sua vida na marinha mercante, como m\u00e9dico de navio baleeiro, adquirindo naquele ambiente id\u00e9ias um tanto materialistas; recolhido \u00e0 cidade de J.<br \/>.<br \/>.<br \/>, exerceu a\u00ed a modesta profiss\u00e3o de m\u00e9dico de ro\u00e7a.<br \/> Havia algum tempo, adquirira a certeza de estar tomado de uma hipertrofia do cora\u00e7\u00e3o; sabendo que a mol\u00e9stia era incur\u00e1vel, deixava abater-se pela perspectiva da morte, num estado de melancolia inconsol\u00e1vel.<br \/> Predisse o dia certo do falecimento, com antecipa\u00e7\u00e3o de cerca de dois meses, e, chegando o momento, reuniu a fam\u00edlia para dizer-lhe o \u00faltimo adeus.<\/p>\n<p>Estando abeirados do seu leito a esposa, a m\u00e3e, os tr\u00eas filhos e outros parentes, quando a primeira tentava ergu\u00ea-lo, tornou-se de um roxo l\u00edvido, fechando os olhos pelo que foi julgado morto.<br \/> A esposa colocou-se ent\u00e3o de permeio, para ocultar aos filhos o espet\u00e1culo.<\/p>\n<p>Minutos depois, o doente reabriu os olhos; sua fisionomia, por assim dizer iluminada, tomou radiante express\u00e3o de beatitude, e ele exclamou:<\/p>\n<p> Oh! meus filhos, belo e sublime! Oh! A morte, que benef\u00edcio, que coisa suave! Morto, senti minha alma elevar-se bem alta, por\u00e9m Deus me permitiu voltasse para poder dizer-lhes: n\u00e3o lamentem a minha morte, que \u00e9 a liberta\u00e7\u00e3o.<br \/> Ah! que eu n\u00e3o posso descrever-lhes a magnific\u00eancia de tudo quanto vi, as impress\u00f5es que experimentei! Mas voc\u00eas n\u00e3o poderiam compreend\u00ea-las.<br \/>.<br \/>.<br \/> Oh! meus filhos, comportem-se sempre de modo a merecer esta inef\u00e1vel felicidade reservada aos homens de bem; vivam, de conformidade com os preceitos da caridade; daquilo que tiverem, d\u00eaem sempre uma parte aos necessitados.<\/p>\n<p>Minha querida mulher, deixo-a numa posi\u00e7\u00e3o pouco lisonjeira; temos d\u00edvidas a receber, mas eu a conjuro a n\u00e3o atormentar os nossos devedores; se estiverem em apuros, espera que possam pagar; e aos que n\u00e3o o puderam fazer, perdoe-lhes, Deus a recompensar\u00e1.<br \/> Voc\u00ea, meu filho, trabalhe para manter a m\u00e3e; seja honesto sempre e evite fazer alguma coisa que possa manchar a nossa fam\u00edlia.<br \/> Tome esta cruz, heran\u00e7a de minha m\u00e3e; n\u00e3o a deixe nunca e oxal\u00e1 lhe lembre ela sempre os meus derradeiros conselhos.<br \/> Meus filhos, ajudem-se, os meus apoiem-se reciprocamente para que a boa harmonia reine entre voc\u00eas, n\u00e3o sejam vaidosos nem orgulhosos; perdoem os seus inimigos se quiserem que Deus lhes perdoe.<br \/>.<br \/>.<\/p>\n<p>Depois fazendo-os chegar a si, tomou-lhe as m\u00e3os, acrescentando:<\/p>\n<p> Meus filhos, eu os aben\u00e7oo .<br \/> E seus olhos cerraram-se, desta vez para sempre; seu rosto, por\u00e9m, conservou uma express\u00e3o t\u00e3o imponente que, at\u00e9 o momento de ser amortalhado, numerosa mole humana veio contempl\u00e1-lo, tomada de admira\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Tendo-nos um amigo da fam\u00edlia fornecido estes pormenores assaz interessantes, lembramo-nos que a evoca\u00e7\u00e3o podia tornar-se instrutiva a todos n\u00f3s e \u00fatil ao pr\u00f3prio Esp\u00edrito.<\/p>\n<p>1.<br \/> Evoca\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<p>\u2014 R.<br \/> Estou perto de v\u00f3s.<\/p>\n<p>2.<br \/> Relataram-nos as circunst\u00e2ncias em que se deu a vossa passagem e ficamos cheios de admira\u00e7\u00e3o.<br \/> Quereis ter a bondade de nos descrever ainda mais minuciosamente o que vistes no intervalo do que poder\u00edamos denominar as vossas duas mortes?<\/p>\n<p>R.<br \/> O que vi.<br \/>.<br \/>.<br \/> E podereis compreend\u00ea-lo? N\u00e3o sei, visto como n\u00e3o encontraria express\u00f5es apropriadas \u00e0 compreens\u00e3o do que pude ver durante os instantes em que me foi poss\u00edvel deixar o envolt\u00f3rio mortal.<\/p>\n<p>3.<br \/> E sabeis em que lugar estivestes? Seria longe da Terra, em outro planeta, ou no Espa\u00e7o?<\/p>\n<p>R.<br \/> O Esp\u00edrito n\u00e3o mede dist\u00e2ncias, nem lhes conhece o valor como a v\u00f3s acontece.<br \/> Arrebatado por n\u00e3o sei que agente maravilhoso, eu vi os esplendores de um c\u00e9u, desses que s\u00f3 em sonho podemos imaginar.<br \/> Esse percurso, atrav\u00e9s do infinito, fazia-se com celeridade tamanha que eu n\u00e3o pude precisar os instantes nele empregados pelo meu Esp\u00edrito.<\/p>\n<p>4.<br \/> E fru\u00eds atualmente a felicidade que entrevistes?<\/p>\n<p>R.<br \/> N\u00e3o; bem desejaria poder frui-la, mas Deus n\u00e3o deveria recompensar-me assim.<br \/> Revoltei-me muitas vezes contra os pensamentos aben\u00e7oados que o cora\u00e7\u00e3o me ditava e a morte parecia-me uma injusti\u00e7a.<\/p>\n<p>M\u00e9dico incr\u00e9dulo, eu havia assimilado na arte de curar uma avers\u00e3o profunda \u00e0 segunda natureza, que \u00e9 o nosso impulso inteligente, divino; para mim a imortalidade da alma n\u00e3o passava de fic\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria para seduzir as naturezas pouco instru\u00eddas, embora o nada me espantasse, maldizendo o misterioso agente que atua perenemente.<br \/> A Filosofia desviara-me, sem que eu desse por isto, da compreens\u00e3o da grandeza do Eterno, que sabe distribuir a dor e a alegria para ensino da Humanidade.<\/p>\n<p>5.<br \/> Logo ap\u00f3s o definitivo desprendimento reconheceste o vosso estado?<\/p>\n<p>R.<br \/> N\u00e3o; eu s\u00f3 me reconheci durante a transi\u00e7\u00e3o que o meu Esp\u00edrito experimentou para percorrer a et\u00e9rea regi\u00e3o.<br \/> Isto, por\u00e9m, n\u00e3o ocorreu imediatamente, sendo-me necess\u00e1rios alguns dias para o meu despertar.<\/p>\n<p>Deus concedera-me uma gra\u00e7a, em raz\u00e3o do que vou explicar-vos: a minha primitiva descren\u00e7a n\u00e3o mais existia; tornara-me crente antes da morte, depois de haver cientificamente sondado com gravidade a mat\u00e9ria que me atormentava, de n\u00e3o haver encontrado ao fim das raz\u00f5es terrestres sen\u00e3o a raz\u00e3o divina, que me inspirou e consolou, dando-me coragem mais forte que a dor.<br \/> Assim bendizia aquilo que amaldi\u00e7oara, encarava a morte como uma liberta\u00e7\u00e3o.<br \/> A id\u00e9ia de Deus \u00e9 grande como o mundo! Oh! Que supremo consolo na prece, que nos enternece e comove: ela \u00e9 o elemento mais positivo da nossa natureza imaterial; foi por ela que compreendi, que cri firme, soberanamente, e porisso, Deus, levando em conta os meus atos, houve por bem recompensar-me antes do termo da minha encarna\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>6.<br \/> Poder-se-ia dizer que estivesses morto nessa primeira crise?<\/p>\n<p>R.<br \/> Sim e n\u00e3o: tendo o Esp\u00edrito abandonado o corpo, naturalmente a carne extinguia-se; entretanto retomando posse da morada terrena, a vida voltou ao corpo, que passou por uma transi\u00e7\u00e3o, por um sono.<\/p>\n<p>7.<br \/> E sent\u00edeis ent\u00e3o os la\u00e7os que vos prendiam ao corpo?<\/p>\n<p>R.<br \/> Sem d\u00favida; o Esp\u00edrito tem um grilh\u00e3o fort\u00edssimo que o prende e n\u00e3o entra na vida natural antes que d\u00ea o \u00faltimo estremecimento da carne.<\/p>\n<p>8.<br \/> Como pois, na vossa morte aparente e durante alguns minutos, pode o vosso Esp\u00edrito desprender-se s\u00fabita e imperturbavelmente, ao passo que o desprendimento efetivo se fez acompanhar da perturba\u00e7\u00e3o por alguns dias? Parece-nos que no primeiro caso, os la\u00e7os entre corpo e Esp\u00edrito subsistindo mais que no segundo, o desprendimento deveria ser mais lento, ao contr\u00e1rio justamente do que se deu.<\/p>\n<p>R.<br \/> Tendes muitas vezes evocado um Esp\u00edrito encarnado, recebendo respostas exatas; eu estava nas condi\u00e7\u00f5es desses Esp\u00edritos, porque Deus me chamava e os seus servidores me diziam: \u2014  Vem.<br \/>.<br \/> .<br \/>  Obedeci, agradecendo-lhe o favor especial que houve por bem conceder-me para que pudesse entrever, compreendendo-a, a Sua infinita grandeza.<br \/> Obrigado a v\u00f3s, que antes da morte real me permitistes doutrinar os meus, para que fa\u00e7am boas e justas encarna\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>9.<br \/> Donde provinham as belas palavras que ap\u00f3s o despertar dirigistes \u00e0 vossa fam\u00edlia?<\/p>\n<p>R.<br \/> Eram o reflexo do que tinha visto e ouvido; os bons Esp\u00edritos inspiravam-me a linguagem e davam fulgor \u00e0 minha fisionomia.<\/p>\n<p>10.<br \/> Que impress\u00e3o julgais ter a vossa revela\u00e7\u00e3o produzido nos assistentes, notadamente nos vossos filhos?<\/p>\n<p>R.<br \/> Surpreendente, profunda; uma morte n\u00e3o \u00e9 mentirosa; os filhos, por mais ingratos que possam ser, se curvam sempre \u00e0 encarna\u00e7\u00e3o que termina.<br \/> Se pud\u00e9ssemos penetrar o cora\u00e7\u00e3o dos filhos, junto de um t\u00famulo entreaberto, ve-lo-\u00edamos apenas palpitar de sentimentos verdadeiros, sinceros, tocados pela m\u00e3o secreta dos Esp\u00edritos, que dizem em todos os pensamentos: tremei se duvidais; a morte \u00e9 a repara\u00e7\u00e3o, a justi\u00e7a de Deus, e eu vos asseguro, em que pese aos incr\u00e9dulos, que a minha fam\u00edlia e os amigos creram nas palavras por mim pronunciadas antes da morte.<br \/> Eu era, ao demais, int\u00e9rprete de um outro mundo.<\/p>\n<p>11.<br \/> Dizendo n\u00e3o gozardes da felicidade entrevista, podemos da\u00ed concluir que sejais infeliz?<\/p>\n<p>R.<br \/> N\u00e3o, uma vez que me tornei crente antes da morte, e isto de cora\u00e7\u00e3o e consci\u00eancia.<br \/> A dor acabrunha nesse mundo, mas fortalece sob o ponto de vista do futuro espiritual.<br \/> Notai que Deus teve em conta as minhas preces e a cren\u00e7a n Ele depositada em absoluto; estou firme no caminho da perfei\u00e7\u00e3o e chegarei ao fim que me foi permitido lobrigar.<br \/> Orai, meus amigos, por este mundo invis\u00edvel que preside aos vossos destinos; esta permuta fraternal \u00e9, de caridade; \u00e9 a alavanca que p\u00f5e em comunh\u00e3o os Esp\u00edritos de todos os mundos.<\/p>\n<p>12.<br \/> Acaso querer\u00edeis dirigir algumas palavras \u00e0 vossa mulher e filhos?<\/p>\n<p>R.<br \/> Pe\u00e7o a todos os meus que acreditem no Deus poderoso, justo, imut\u00e1vel; na prece que consola e alivia; na caridade que \u00e9 a mais pura pr\u00e1tica da encarna\u00e7\u00e3o humana; pe\u00e7o-lhes que se lembrem que do pouco tamb\u00e9m se pode dar, pois o obolo do pobre \u00e9 o mais merit\u00f3rio aos olhos de Deus, desse Deus que sabe que muito d\u00e1 um pobre, mesmo que d\u00ea pouco.<\/p>\n<p>O rico precisa dar muito, e repetidamente, para merecer outro tanto.<br \/> O futuro \u00e9 a caridade, a benevol\u00eancia em todos os atos; \u00e9 considerar que todos os Esp\u00edritos s\u00e3o irm\u00e3os, nunca preocupar-se com as mil pueris vaidades da Terra.<\/p>\n<p>Tereis rudes prova\u00e7\u00f5es, querida, amada fam\u00edlia; aceitai-as, por\u00e9m, corajosamente, lembrando-vos de que Deus as v\u00ea.<br \/> Repeti ami\u00fade esta prece: \u2014  Deus de amor e bondade, que tudo e sempre faculta, d\u00e1-nos for\u00e7a superior a todas as vicissitudes, torna-nos bons, humildes e caridosos, pequenos pela fortuna e grandes de cora\u00e7\u00e3o.<br \/> Permite seja esp\u00edrita o nosso Esp\u00edrito na Terra, a fim de melhor Te compreendermos e Te amarmos.<\/p>\n<p>Seja Teu Nome emblema da Liberdade, oh! meu Deus! \u2014 O Consolador de todos os oprimidos, de todos os que necessitam amar, perdoar e crer.<\/p>\n<p>Cardon.<\/p>\n<p>Eric Stanislas<\/p>\n<p>(Comunica\u00e7\u00e3o espont\u00e2nea: Sociedade de Paris, agosto de 1863)<\/p>\n<p> Que ventura nos proporcionam as emo\u00e7\u00f5es vivamente sentidas por valorosos cora\u00e7\u00f5es! Oh! Suaves pensamentos que vindes abrir o caminho da salva\u00e7\u00e3o a tudo que vive, que respira material e espiritualmente.<br \/> N\u00e3o deixe nunca o b\u00e1lsamo consolador de derramar-se profusamente sobre v\u00f3s e sobre n\u00f3s! De que express\u00f5es nos servimos, que traduzam a felicidade dos irm\u00e3os, desencarnados, ao perscrutarem o amor que une a todos?<\/p>\n<p>Ah! irm\u00e3os, quanto bem por toda parte, quantos elementos suaves, elevados e simples como v\u00f3s, como a vossa Doutrina, sois chamados a implantar ao longo da estrada a percorrer; mas, tamb\u00e9m, quanto vos ser\u00e1 outorgado antes mesmo de terdes adquirido direitos!<\/p>\n<p>Assisti a tudo quanto se passou esta noite; ouvi, compreendi e vou procurar por minha vez cumprir o meu dever e instruir a classe dos Esp\u00edritos imperfeitos.<br \/> Ouvi, eu estava longe de ser feliz; abismado na imensidade, no infinito, os meus padecimentos eram tanto mais intensos, quanto dif\u00edcil me era os compreend\u00ea-los.<\/p>\n<p>Bendito seja Deus, que me permitiu vir a um santu\u00e1rio, que n\u00e3o pode ser franqueado impunemente pelos maus.<\/p>\n<p>Amigos, quanto vos agrade\u00e7o, quanto de for\u00e7as entre v\u00f3s recobrei!<\/p>\n<p>Oh! Homens de bem, reuni-vos constantemente; estudai, uma vez que n\u00e3o podeis duvidar dos frutos das reuni\u00f5es s\u00e9rias; os Esp\u00edritos que t\u00eam muito ainda a aprender, os que ficam voluntariamente inativos, pregui\u00e7osos e esquecidos dos seus deveres, podem encontrar-se, em virtude de circunst\u00e2ncias fortuitas ou n\u00e3o, a\u00ed entre v\u00f3s; e ent\u00e3o, fortemente tocados, quantas vezes lhes \u00e9 dado, reconhecendo-se, entreverem o fim, o objetivo cobi\u00e7ado, ao mesmo tempo que procurarem, fortes pelo exemplo que lhes dais, os meios de fugir ao penoso estado que os avassala.<\/p>\n<p>Com grande satisfa\u00e7\u00e3o me constituo int\u00e9rprete das almas sofredoras, porquanto \u00e9 ao homem de cora\u00e7\u00e3o que me dirijo, na certeza de n\u00e3o ser repelido.<\/p>\n<p>Ainda uma vez aceitai, pois, homens generosos, a express\u00e3o do meu reconhecimento em particular, e em geral de todos a quem tanto bem tendes feito, talvez sem o saberdes.<\/p>\n<p>Eric Stanislas.<\/p>\n<p>O guia do m\u00e9dium: \u2014 Meus filhos, este \u00e9 um Esp\u00edrito que sofreu muito tempo, tresmalhado do bom caminho.<br \/> Agora compreendeu os seus erros, arrependeu-se e voltou os olhos para o Deus que negara.<br \/> A sua posi\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 a de um feliz, por\u00e9m ele aspira \u00e0 felicidade e n\u00e3o mais sofre.<br \/> Deus permitiu-lhe esta audi\u00e7\u00e3o para que des\u00e7a depois a uma esfera inferior, a fim de instruir e estimular o progresso de Esp\u00edritos que, como ele, transgrediram a lei.<br \/> \u00c9 a repara\u00e7\u00e3o que lhe compete.<br \/> Afinal, ele conquistar\u00e1 a felicidade, porque tem for\u00e7a de vontade.<\/p>\n<p>Senhora Anna Belleville<\/p>\n<p>Mulher falecida ainda mo\u00e7a aos trinta e cinco anos de idade, ap\u00f3s cruel enfermidade.<br \/> Vivaz, espiritual, dotada de intelig\u00eancia rara, de meticuloso crit\u00e9rio e eminentes qualidades morais; esposa e m\u00e3e de fam\u00edlia devotada, ela possu\u00eda, ao demais, uma integridade de car\u00e1ter pouco comum e uma fecundidade de recursos que a trazia sempre a coberto das mais cr\u00edticas eventualidades da exist\u00eancia.<\/p>\n<p>Sem guardar ressentimentos das pessoas de quem poderia queixar-se, estava sempre pronta a prestar-lhes oportuno servi\u00e7o.<br \/> Intimamente ligados \u00e0 sua pessoa desde longos anos, pudemos acompanhar-lhe todas as fases da exist\u00eancia, bem como todas as perip\u00e9cias do seu fim.<\/p>\n<p>Proveio de um acidente a mol\u00e9stia que havia de lev\u00e1-la, depois de a reter tr\u00eas anos na cama, presa dos mais cru\u00e9is sofrimentos, ali\u00e1s suportados at\u00e9 o fim com uma coragem her\u00f3ica e a despeito dos quais a gra\u00e7a natural do seu Esp\u00edrito jamais a abandonou.<br \/> Ela acreditava firmemente na exist\u00eancia da alma e na vida futura, mas pouco se preocupava com isso; todos os seus pensamentos se relacionavam com o presente, que muito lhe importava, posto n\u00e3o tivesse medo da morte e fosse indiferente aos gozos materiais.<br \/> A sua vida era simples e sem sacrif\u00edcio; abria m\u00e3o do que n\u00e3o podia obter; mas possu\u00eda inato o sentimento do bem e do belo, que apreciava at\u00e9 nas coisas m\u00ednimas.<\/p>\n<p>Queria viver menos para si que para os filhos, avaliando a falta que lhes faria, e era isso que a prendia \u00e0 vida.<br \/> Conhecia o Espiritismo sem o ter estudado a fundo; interessava-se por ele, mas nunca pode fixar as id\u00e9ias sobre o futuro; este era para ela uma realidade, mas n\u00e3o lhe deixava no Esp\u00edrito uma impress\u00e3o profunda.<\/p>\n<p>O que praticava de bom era o resultado de um impulso natural, espont\u00e2neo, sem id\u00e9ia de recompensas ou de penas futuras.<\/p>\n<p>Havia muito era desesperador o seu estado e iminente o desenlace, circunst\u00e2ncia que ela pr\u00f3pria ignorava.<br \/> Um dia, achando-se ausente o marido, sentiu-se desfalecer e compreendeu que a hora era chegada; embaciando-se-lhe a vista, a perturba\u00e7\u00e3o a invadia, sentindo todas as ang\u00fastias da separa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Custava-lhe, contudo, a morte antes da volta do esposo.<br \/> Fazendo supremo esfor\u00e7o sobre si mesma, murmurou:  N\u00e3o, n\u00e3o quero morrer! <\/p>\n<p>Entao sentiu renascer-lhe a vida e recobrou o uso pleno das faculdades.<br \/> Quando o marido chegou, disse-lhe:  Eu ia morrer, mas quis aguardar a sua vinda, pois tinha algumas recomenda\u00e7\u00f5es a fazer-lhe.<br \/>  Assim se prolongou a luta entre a vida e a morte por tr\u00eas meses ainda, tempo que mais n\u00e3o foi que dolorosa agonia.<\/p>\n<p>Evoca\u00e7\u00e3o no dia seguinte ao da morte:<\/p>\n<p>Meus bons amigos, obrigada pelo interesse que vos mere\u00e7o; demais, fostes para mim como bons parentes.<br \/> Pois bem, regozijai-vos porque sou feliz.<br \/> Confortai meu pobre marido e velai por meus filhos.<br \/> Eu segui logo para junto deles, depois que desencarnei.<\/p>\n<p>P.<br \/> Podemos supor que a vossa perturba\u00e7\u00e3o n\u00e3o foi longa, uma vez que nos respondes com lucidez.<\/p>\n<p>R.<br \/> Ah! meus amigos, eu sofri tanto.<br \/>.<br \/>.<br \/> e v\u00f3s bem sabeis que sofria com resigna\u00e7\u00e3o.<br \/> Pois bem, a minha prova\u00e7\u00e3o est\u00e1 conclu\u00edda.<br \/> N\u00e3o direi que esteja completamente libertada, n\u00e3o; mas o certo \u00e9 que n\u00e3o sofro mais e isso para mim \u00e9 um grande al\u00edvio! Desta feita estou radicalmente curada, por\u00e9m, preciso ainda do aux\u00edlio das vossas preces para vir mais tarde colaborar convosco.<\/p>\n<p>P.<br \/> Qual poderia ser a causa dos vossos longos sofrimentos?<\/p>\n<p>R.<br \/> Um passado horr\u00edvel, meu amigo.<\/p>\n<p>P.<br \/> Podeis revelar-nos esse passado?<\/p>\n<p>R.<br \/> Oh! deixai que o esque\u00e7a um pouco.<br \/>.<br \/>.<br \/> paguei-o t\u00e3o caro.<br \/>.<br \/>.<\/p>\n<p>Um m\u00eas depois da morte:<\/p>\n<p>\u2014 P.<br \/> Agora que deveis estar completamente desprendida e que melhor nos reconheceis, muito estimar\u00edamos ter convosco uma palestra mais concludente.<br \/> Poderia, por exemplo, dizer-nos qual a causa da vossa prolongada agonia? Estivestes durante tr\u00eas meses entre a vida e a morte.<br \/>.<br \/>.<\/p>\n<p>R.<br \/> Obrigada, meus amigos, pela vossa lembran\u00e7a como pelas vossas preces! Qu\u00e3o salutares me foram estas e como concorreram para a minha liberta\u00e7\u00e3o! Tenho ainda necessidade de ser confortada; continuai a orar por mim.<br \/> V\u00f3s compreendeis o valor da prece.<br \/> Aquelas que dizeis n\u00e3o s\u00e3o de modo algum f\u00f3rmulas triviais, como as murmuradas por tantos outros que lhes n\u00e3o medem o alcance, o fruto de uma boa prece.<\/p>\n<p>Sofri muito, por\u00e9m os meus sofrimentos foram largamente compensados, sendo-me permitido estar muitas vezes perto dos queridos filhos, que deixei com tanto pesar!<\/p>\n<p>Prolonguei por mim mesma esses sofrimentos; o desejo ardente de viver, por amor dos filhos, fazia com que me agarrasse de alguma sorte \u00e0 mat\u00e9ria, e, ao contr\u00e1rio dos outros, eu n\u00e3o queria abandonar o desgra\u00e7ado corpo com o qual era for\u00e7oso romper, se bem que ele fosse para mim o instrumento de tantas torturas.<\/p>\n<p>Eis a\u00ed a raz\u00e3o da minha longa agonia.<br \/> Quanto \u00e0 mol\u00e9stia e aos padecimentos decorrentes, eram expia\u00e7\u00e3o do passado \u2014 uma d\u00edvida a mais, que paguei.<br \/> Ah! meus bons amigos, se vos tivesse ouvido, quanta mudan\u00e7a na minha vida atual!<\/p>\n<p>Que al\u00edvio experimentaria nos \u00faltimos momentos e como teria sido f\u00e1cil a separa\u00e7\u00e3o, se em vez de a contrariar eu me tivesse abandonado confiadamente \u00e0 vontade de Deus, \u00e0 corrente que me arrastava! Mas em lugar de volver os olhos ao futuro que me aguardava, eu apenas via o presente que ia deixar!<\/p>\n<p>Quando houver de voltar \u00e0 Terra serei esp\u00edrita, vo-lo afirmo.<br \/> Que ci\u00eancia sublime! Assisto constantemente \u00e0s vossas reuni\u00f5es e aos conselhos que vos s\u00e3o transmitidos.<br \/> Se eu, quando na Terra, pudesse compreend\u00ea-los, os meus sofrimentos teriam sido atenuados.<br \/> A ocasi\u00e3o n\u00e3o tinha chegado.<\/p>\n<p>Hoje compreendo a bondade e a justi\u00e7a de Deus, conquanto me n\u00e3o encontre suficientemente adiantada para despreocupar-me das coisas da vida; meus filhos principalmente me atraem, n\u00e3o mais para mim\u00e1-los, por\u00e9m para velar por eles e inculcar neles o caminho que o Esp\u00edrito tra\u00e7a ao presente na Terra.<br \/> Sim meus bons amigos, eu tenho ainda graves preocupa\u00e7\u00f5es, entre as quais avulta aquela da qual depende o futuro dos meus filhos.<\/p>\n<p>P.<br \/> Podeis ministrar-nos quaisquer informa\u00e7\u00f5es sobre o passado que deplorais?<\/p>\n<p>R.<br \/> Ah! meus bons amigos, estou pronta a confessar-me.<br \/> Eu tinha desprezado o sofrimento alheio, vendo indiferente os sofrimentos da minha m\u00e3e, a quem chamava doente imagin\u00e1ria.<br \/> Por n\u00e3o v\u00ea-la de cama, supunha que n\u00e3o sofresse e zombava dos seus queixumes.<br \/> Eis como Deus castiga.<\/p>\n<p>Seis meses depois da morte:<\/p>\n<p>P.<br \/> Agora que um tempo mais longo se passou desde que deixaste o inv\u00f3lucro material, tende a bondade de descrever-nos a vossa posi\u00e7\u00e3o no mundo espiritual.<\/p>\n<p>R.<br \/> Na vida terrestre, eu era o que vulgarmente se chama uma boa pessoa; antes de tudo, por\u00e9m, prezava o meu bem-estar; compassiva por \u00edndole, talvez n\u00e3o fosse capaz de penoso sacrif\u00edcio para minorar um infort\u00fanio.<br \/> Hoje, tudo mudou, e posto seja sempre a mesma, o eu de outrora modificou-se.<\/p>\n<p>Ganhei com a modifica\u00e7\u00e3o e vejo que n\u00e3o h\u00e1 nem categorias nem condi\u00e7\u00f5es al\u00e9m do m\u00e9rito pessoal, no mundo dos invis\u00edveis, onde um pobre caridoso e bom se sobreleva ao rico que o humilhava com a sua esmola.<br \/> Velo especialmente pelos que se afligem com tormentos familiares, com a perda de parentes ou de fortuna.<br \/> A minha miss\u00e3o \u00e9 reanim\u00e1-los e consol\u00e1-los e com isso me sinto feliz.<\/p>\n<p>Anna.<\/p>\n<p>Importante quest\u00e3o decorre dos fatos supra mencionados.<br \/> Ei-la:<\/p>\n<p>Poder\u00e1 uma pessoa, por esfor\u00e7o da pr\u00f3pria vontade, retardar o momento de separa\u00e7\u00e3o da alma do corpo?<\/p>\n<p>Resposta do Esp\u00edrito de S.<br \/> Lu\u00eds: Resolvida afirmativamente, sem restri\u00e7\u00f5es, esta quest\u00e3o poderia dar lugar a conseq\u00fc\u00eancias falsas.<\/p>\n<p>Certamente, em dadas condi\u00e7\u00f5es, pode um Esp\u00edrito encarnado prolongar a exist\u00eancia corporal a fim de terminar instru\u00e7\u00f5es indispens\u00e1veis, ou, ao menos, por ele assim julgadas \u2014 \u00e9 uma concess\u00e3o que se lhe pode fazer, como no caso vertente, al\u00e9m de muitos outros exemplos.<br \/> Esta dila\u00e7\u00e3o de vida n\u00e3o pode, por\u00e9m, deixar de ser breve, visto como \u00e9 defeso ao homem inverter a ordem das leis naturais, bem como retornar por vontade pr\u00f3pria \u00e0 vida, desde que ela tenha atingido o seu fim.<\/p>\n<p>\u00c9 uma situa\u00e7\u00e3o moment\u00e2nea apenas.<br \/> Preciso \u00e9 no entanto que da possibilidade do fato n\u00e3o se conclua a sua generalidade, nem tampouco que dependa de cada qual prolongar por este modo a exist\u00eancia.<br \/> Como prova\u00e7\u00e3o para o Esp\u00edrito ou no interesse de miss\u00e3o a concluir, os \u00f3rg\u00e3os depauperados podem receber um suplemento de fluido vital que lhes permita prolongar por instantes a manifesta\u00e7\u00e3o material do pensamento.<br \/> Tais casos s\u00e3o excepcionais e n\u00e3o fazem regra.<br \/> Tampouco se deve ver nesse fato uma derroga\u00e7\u00e3o de Deus \u00e0 imutabilidade das suas leis, mas apenas uma conseq\u00fc\u00eancia do livre-arb\u00edtrio da alma que, no momento extremo, tem consci\u00eancia de sua miss\u00e3o e quer, a despeito da morte, concluir o que n\u00e3o pode at\u00e9 ent\u00e3o.<br \/> \u00c0s vezes pode ser tamb\u00e9m uma esp\u00e9cie de castigo infligido ao Esp\u00edrito duvidoso do futuro, esse prolongamento de vitalidade com o qual tem necessariamente de sofrer.<\/p>\n<p>S.<br \/> Lu\u00eds.<\/p>\n<p>Poder\u00edamos ainda admirar a rapidez relativa com que se desprendeu este Esp\u00edrito, dado o seu apego \u00e0 vida corporal; cumpre, por\u00e9m, considerar que esse apego nada tinha de material nem sensual, antes possuindo mesmo a sua face moral, motivada como era pelas necessidades dos filhos ainda tenros.<br \/> Enfim, era um Esp\u00edrito adiantado em intelig\u00eancia, um dos Esp\u00edritos dos mais felizes.<\/p>\n<p>N\u00e3o havia, portanto, nos la\u00e7os perispir\u00edticos a tenacidade resultante da identifica\u00e7\u00e3o material; pode dizer-se que a vida, debilitada por longa enfermidade, apenas se prendia por t\u00eanues fios, que ele desejava impedir se rompessem.<br \/> Contudo, a sua resist\u00eancia foi punida com a dila\u00e7\u00e3o dos sofrimentos concernentes \u00e0 pr\u00f3pria mol\u00e9stia e n\u00e3o com a dificuldade do desprendimento.<br \/> Assim, realizado este, eis porque a perturba\u00e7\u00e3o foi breve.<br \/> Um outro fato igualmente importante decorre desta como da maior parte das evoca\u00e7\u00f5es feitas em \u00e9pocas gradativas ao tempo cujo progresso se traduz, n\u00e3o por melhores sentimentos, mas por uma aprecia\u00e7\u00e3o mais justa das coisas.<br \/> O progresso da alma na vida espiritual \u00e9, portanto, um fato demonstrado pela experi\u00eancia.<br \/> A vida corporal \u00e9 a pr\u00e1tica desse progresso, a demonstra\u00e7\u00e3o das suas resolu\u00e7\u00f5es, o cadinho em que ele se depura.<br \/> Desde que a alma progride depois da morte, a sua sorte n\u00e3o pode ser irrevogavelmente fixada, porquanto a fixa\u00e7\u00e3o definitiva da sorte \u00e9, como j\u00e1 o dissemos, a nega\u00e7\u00e3o do progresso.<\/p>\n<p>N\u00e3o podendo coexistir simultaneamente as duas coisas, resta aquela que tem por si a san\u00e7\u00e3o dos fatos e da raz\u00e3o.<\/p>\n<p><\/p>\n<div class=\"pvc_clear\"><\/div>\n<p id=\"pvc_stats_15450\" class=\"pvc_stats all  \" data-element-id=\"15450\" style=\"\"><i class=\"pvc-stats-icon medium\" aria-hidden=\"true\"><svg aria-hidden=\"true\" focusable=\"false\" data-prefix=\"far\" data-icon=\"chart-bar\" role=\"img\" xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\" viewBox=\"0 0 512 512\" class=\"svg-inline--fa fa-chart-bar fa-w-16 fa-2x\"><path fill=\"currentColor\" d=\"M396.8 352h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8V108.8c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v230.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8zm-192 0h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8V140.8c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v198.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8zm96 0h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8V204.8c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v134.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8zM496 400H48V80c0-8.84-7.16-16-16-16H16C7.16 64 0 71.16 0 80v336c0 17.67 14.33 32 32 32h464c8.84 0 16-7.16 16-16v-16c0-8.84-7.16-16-16-16zm-387.2-48h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8v-70.4c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v70.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8z\" class=\"\"><\/path><\/svg><\/i> <img decoding=\"async\" width=\"16\" height=\"16\" alt=\"Loading\" data-src=\"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/wp-content\/plugins\/page-views-count\/ajax-loader-2x.gif\" border=0 src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" class=\"lazyload\" style=\"--smush-placeholder-width: 16px; 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Caro av\u00f4, o Sr. pode dizer-me como vos encontrais no mundo dos Esp\u00edritos e dar-me quaisquer pormenores \u00fateis ao nosso progresso? R. Tudo o que quiser, querida filha. 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