{"id":15468,"date":"2018-11-03T10:12:00","date_gmt":"2018-11-03T10:12:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/artigo15468\/"},"modified":"2018-11-03T11:43:10","modified_gmt":"2018-11-03T13:43:10","slug":"artigo15468","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/artigo15468\/","title":{"rendered":"Livro C\u00e9u e o Inferno &#8211;  Segunda Parte -Capitulo IV  Esp\u00edritos Sofredores &#8211; Allan Kardec"},"content":{"rendered":"<p>O Castigo<\/p>\n<p>Exposi\u00e7\u00e3o geral do estado dos culpados por ocasi\u00e3o da entrada no mundo dos Esp\u00edritos, ditada \u00e0 Sociedade Esp\u00edrita de Paris, em outubro de 1860.<\/p>\n<p> Depois da morte, os Esp\u00edritos endurecidos, ego\u00edstas e maus s\u00e3o logo tomados de uma d\u00favida cruel a respeito do seu destino, no presente e no futuro.<br \/> Olham em torno de si e nada v\u00eaem que possa aproveitar ao exerc\u00edcio da sua maldade \u2014 o que os desespera, visto como o insulamento e a in\u00e9rcia s\u00e3o intoler\u00e1veis aos maus Esp\u00edritos.<\/p>\n<p>N\u00e3o levantam o olhar \u00e0s moradas dos Esp\u00edritos elevados, consideram aquilo que os cerca e, ent\u00e3o, compreendendo o abatimento dos Esp\u00edritos fracos e punidos, se agarrar\u00e3o a eles como a uma presa, utilizando-se da lembran\u00e7a de suas faltas passadas, que eles p\u00f5em continuamente em a\u00e7\u00e3o pelos seus gestos rid\u00edculos.<\/p>\n<p>N\u00e3o lhes bastando esse motejo, atiram-se para a Terra como abutres famintos, procurando entre os homens uma alma que lhes d\u00ea f\u00e1cil acesso \u00e0s tenta\u00e7\u00f5es.<br \/> Encontrando-a, dela se apoderam exaltando-lhes a cobi\u00e7a e procurando extinguir-lhe a f\u00e9 em Deus, at\u00e9 que por fim, senhores de uma consci\u00eancia e vendo segura a presa, estendem a tudo quanto se lhe aproxime a fatalidade do seu cont\u00e1gio.<\/p>\n<p>O mau Esp\u00edrito, no exerc\u00edcio da sua c\u00f3lera, \u00e9 quase feliz, sofrendo apenas nos momentos em que deixa de atuar, ou nos casos em que o bem triunfa do mal.<br \/> Passam no entanto os s\u00e9culos e, de repente, o mau Esp\u00edrito pressente que as trevas acabar\u00e3o por envolv\u00ea-lo; o c\u00edrculo de a\u00e7\u00e3o se lhe restringe e a consci\u00eancia, muda at\u00e9 ent\u00e3o, faz-lhe sentir os acerados espinhos do remorso.<\/p>\n<p>Inerte, arrastado no turbilh\u00e3o, ele vagueia, como dizem as Escrituras, sentindo a pele arrepiar-se-lhe de terror.<br \/> N\u00e3o tarda, ent\u00e3o, que um grande v\u00e1cuo se fa\u00e7a nele e em torno dele: chega o momento em que deve expiar; a reencarna\u00e7\u00e3o a\u00ed est\u00e1 amea\u00e7adora.<br \/>.<br \/>.<br \/> e ele v\u00ea como num espelho as prova\u00e7\u00f5es terr\u00edveis que o aguardam; quereria recuar, mas avan\u00e7a e, precipitado no abismo da vida, rola em sobressalto, at\u00e9 que o v\u00e9u da ignor\u00e2ncia lhe recaia nos olhos.<\/p>\n<p>Vive, age, \u00e9 ainda culpado, sentindo em si n\u00e3o sei que lembran\u00e7a inquietadora, pressentimentos que o fazem tremer, sem recuar, por\u00e9m, da senda do mal.<br \/> Por fim extenuado de for\u00e7as e de crimes, vai morrer.<br \/> Estendido numa enxerga (ou num leito, que importa?!), o homem culpado sente, sob aparente imobilidade, resolver-se e viver dentro de si mesmo um mundo de esquecidas sensa\u00e7\u00f5es.<br \/> Fechadas as pupilas, ele v\u00ea um clar\u00e3o que desponta, ouve estranhos sons; a alma, prestes a deixar o corpo, agita-se impaciente, enquanto as m\u00e3os crispadas tentam agarrar as cobertas.<br \/>.<br \/>.<br \/> Quereria falar, gritar \u00e0queles que o cercam: \u2014 Retenham-me! eu vejo o castigo! \u2014 Imposs\u00edvel! A morte sela-lhe os l\u00e1bios esmaecidos, enquanto os assistentes dizem: Descansa em paz!<\/p>\n<p>E contudo ele ouve, flutuando em torno do corpo que n\u00e3o deseja abandonar.<br \/> Uma for\u00e7a misteriosa o atrai; v\u00ea e reconhece finalmente o que j\u00e1 vira.<br \/> Espavorido, ei-lo que se lan\u00e7a no Espa\u00e7o onde desejaria ocultar-se, e nada de abrigo, nada de repouso.<\/p>\n<p>Retribuem-lhe outros Esp\u00edritos o mal que fez; castigado, confuso e escarnecido, por sua vez vagueia e vagueiar\u00e1 at\u00e9 que a divina luz o penetre e esclare\u00e7a, mostrando-lhe o Deus vingador, o Deus triunfante de todo o mal, e ao qual n\u00e3o poder\u00e1 apaziguar sen\u00e3o \u00e0 for\u00e7a de expia\u00e7\u00e3o e gemidos.<\/p>\n<p>Jorge.<\/p>\n<p>Nunca se tra\u00e7ou quadro mais horr\u00edvel e verdadeiro \u00e0 sorte do mau: ser\u00e1 ainda necess\u00e1ria a fantasmagoria das chamas e das torturas f\u00edsicas?<\/p>\n<p>Novel<\/p>\n<p>O Esp\u00edrito dirige-se ao m\u00e9dium, que em vida o conhecera.<\/p>\n<p> Vou contar-lhe o meu sofrimento quando morri.<br \/> Meu Esp\u00edrito, preso ao corpo por elos materiais, teve grande dificuldade em desembara\u00e7ar-se \u2014 o que j\u00e1 foi, por si, uma rude ang\u00fastia.<\/p>\n<p>A vida que deixava aos 21 anos era ainda t\u00e3o vigorosa que eu n\u00e3o podia crer na sua perda.<br \/> Por isso procurava o corpo, estava admirado, apavorado por me ver perdido num turbilh\u00e3o de sombras.<br \/> Por fim, a consci\u00eancia do meu estado e a revela\u00e7\u00e3o das faltas cometidas, em todas as minhas encarna\u00e7\u00f5es, feriram-me subitamente, enquanto uma luz implac\u00e1vel me iluminava os mais secretos rec\u00f4nditos da alma, que se sentia desnudada e logo possu\u00edda de vergonha acabrunhante.<\/p>\n<p>Procurava fugir a essa influ\u00eancia interessando-me pelos objetos que me cercavam, novos, mas que, no entanto, j\u00e1 conhecia; os Esp\u00edritos luminosos, flutuando no \u00e9ter, davam-me a id\u00e9ia de uma ventura a que eu n\u00e3o podia aspirar; formas sombrias e desoladas, mergulhadas umas em tedioso desespero; furiosas ou ir\u00f4nicas outras, deslizavam em torno de mim ou por sobre a terra a que me chumbava.<\/p>\n<p>Eu via agitarem-se os humanos cuja ignor\u00e2ncia invejava; toda uma ordem de sensa\u00e7\u00f5es desconhecidas, ou antes reencontradas, invadiram-me simultaneamente.<br \/> Como que arrastado por for\u00e7a irresist\u00edvel, procurando fugir \u00e0 dor encarni\u00e7ada, franqueava as dist\u00e2ncias, os elementos, os obst\u00e1culos materiais, sem que as belezas naturais nem os esplendores celestes pudessem acalmar um instante a dor acerba da consci\u00eancia, nem o pavor causado pela revela\u00e7\u00e3o da eternidade.<br \/> Pode um mortal prejulgar as torturas materiais pelos arrepios da carne; mas as vossas fr\u00e1geis dores, amenizadas pela esperan\u00e7a, atenuadas por distra\u00e7\u00f5es ou mortas pelo esquecimento, n\u00e3o vos dar\u00e3o nunca a id\u00e9ia das ang\u00fastias de uma alma que sofre sem tr\u00e9guas, sem esperan\u00e7a, sem arrependimento.<\/p>\n<p>Decorrido um tempo cuja dura\u00e7\u00e3o n\u00e3o posso precisar, invejando os eleitos cujos esplendores entrevia, detestando os maus Esp\u00edritos que me perseguiam com remoques, desprezando os humanos cujas torpezas eu via, passei de profundo abatimento a uma revolta insensata.<\/p>\n<p>Chamaste-me finalmente, e pela primeira vez um sentimento suave e terno me acalmou; escutei os ensinos que te d\u00e3o os teus Guias, a verdade me foi imposta, orei; Deus ouviu-me, revelou-se-me por Sua clem\u00eancia, como j\u00e1 se me havia revelado por Sua Justi\u00e7a.<\/p>\n<p>Novel.<\/p>\n<p>Augusto Michel<\/p>\n<p>(Havre, mar\u00e7o de 1863)<\/p>\n<p>Era um mo\u00e7o rico, bo\u00eamio, gozando larga e exclusivamente a vida material.<br \/> Conquanto inteligente, o indiferentismo pelas coisas s\u00e9rias era-lhe o tra\u00e7o caracter\u00edstico.<\/p>\n<p>Sem maldade, antes bom que mau, fazia-se estimar por seus companheiros de p\u00e2ndegas, sendo apontado na sociedade por suas qualidades de homem mundano.<br \/> N\u00e3o fez o bem, mas tamb\u00e9m n\u00e3o fez o mal.<br \/> Faleceu em conseq\u00fc\u00eancia de uma queda da carruagem em que passeava.<br \/> Evocado alguns dias depois da morte por um m\u00e9dium que indiretamente o conhecia, deu sucessivamente as seguintes comunica\u00e7\u00f5es:<\/p>\n<p>8 de mar\u00e7o de 1860 \u2014  Por enquanto apenas consegui desprender-me e dificilmente vos posso falar.<br \/> A queda que me ocasionou a morte do corpo perturbou profundamente o meu Esp\u00edrito.<\/p>\n<p>Inquieta-me esta incerteza cruel do meu futuro.<br \/> O doloroso sofrimento corporal experimentado nada \u00e9 comparativamente a esta perturba\u00e7\u00e3o.<br \/> Orai para que Deus me perdoe.<\/p>\n<p>Oh! Que dor! Oh! Gra\u00e7as, meu Deus! Que dor! Adeus.<\/p>\n<p>18 de mar\u00e7o \u2014  J\u00e1 vim a v\u00f3s, mas apenas pude falar dificilmente.<br \/> Presentemente, ainda mal me posso comunicar convosco.<br \/> Sois o \u00fanico m\u00e9dium, ao qual posso pedir preces para que a bondade de Deus me subtraia a esta perturba\u00e7\u00e3o.<br \/> Por que sofrer ainda, quando o corpo n\u00e3o mais sofre? Por que existir, sempre esta dor horrenda, esta ang\u00fastia terr\u00edvel? Orai, oh! Orai para que Deus me conceda repouso.<br \/>.<br \/>.<br \/> oh! Que cruel incerteza! Ainda estou ligado ao corpo.<br \/> Apenas com dificuldade posso ver onde devo encontrar-me; meu corpo l\u00e1 est\u00e1, e porque tamb\u00e9m l\u00e1 permane\u00e7o sempre? Vinde orar sobre ele para que eu me desvencilhe dessa pris\u00e3o cruel.<br \/>.<br \/>.<br \/> Deus me perdoar\u00e1, espero.<br \/> Vejo os Esp\u00edritos que est\u00e3o junto de v\u00f3s e por eles posso falar-vos.<br \/> Orai por mim.<\/p>\n<p>6 de abril \u2014  Sou eu quem vem pedir que oreis por mim.<\/p>\n<p>Ser\u00e1 preciso irdes ao lugar em que jaz meu corpo, a fim de implorar do Onipotente que me acalme os sofrimentos?<\/p>\n<p>Sofro! Oh! Se sofro! Ide a esse lugar \u2014 assim \u00e9 preciso e dirigi ao Senhor uma prece para que me perdoe.<\/p>\n<p>Vejo que poderei ficar mais tranq\u00fcilo, mas volto incessantemente ao lugar em que depositaram o que me pertencia .<\/p>\n<p>O m\u00e9dium, n\u00e3o dando import\u00e2ncia ao pedido que lhe faziam de orar sobre o t\u00famulo, deixara de atender.<br \/> Todavia, indo a\u00ed, mais tarde, l\u00e1 mesmo recebeu uma comunica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>11 de maio \u2014  Aqui vos esperava.<br \/> Aguardava que vi\u00e9sseis ao lugar em que meu Esp\u00edrito parece preso ao seu invol\u00facro, a fim de implorar ao Deus de miseric\u00f3rdia e bondade acalmar os meus sofrimentos.<br \/> Podeis beneficiar-me com as vossas preces, n\u00e3o o esque\u00e7ais, eu vo-lo suplico.<br \/> Vejo quanto a minha vida foi contr\u00e1ria ao que deveria ser; vejo as faltas cometidas.<\/p>\n<p>Fui no mundo um ser in\u00fatil; n\u00e3o fiz uso proveitoso das minhas faculdades; a fortuna serviu apenas \u00e0 satisfa\u00e7\u00e3o das minhas paix\u00f5es, aos meus caprichos de luxo e \u00e0 minha vaidade; n\u00e3o pensei sen\u00e3o nos gozos do corpo, desprezando os da alma e a pr\u00f3pria alma.<br \/> Descer\u00e1 a miseric\u00f3rdia de Deus at\u00e9 mim, pobre Esp\u00edrito que sofre as conseq\u00fc\u00eancias das suas faltas terrenas? Orai para que Ele me perdoe, libertan do-me das dores que ainda me pungem.<br \/> Agrade\u00e7o-vos o terdes vindo aqui orar por mim.<\/p>\n<p>8 de junho \u2014  Posso falar e agrade\u00e7o a Deus que faculta a oportunidade.<\/p>\n<p>Compreendi as minhas faltas e espero que Deus me perdoe.<\/p>\n<p>Trilhai sempre a vida de conformidade com a cren\u00e7a que vos alenta, porque ela vos reserva de futuro um repouso que eu ainda n\u00e3o tenho.<br \/> Obrigado pelas vossas preces.<br \/> At\u00e9 outra vista.<\/p>\n<p>A insist\u00eancia do Esp\u00edrito, para que se orasse sobre o seu t\u00famulo \u00e9 uma particularidade not\u00e1vel, mas que tinha a sua raz\u00e3o de ser se levarmos em conta a tenacidade dos la\u00e7os que ao corpo o prendiam, \u00e0 dificuldade do desprendimento, em conseq\u00fc\u00eancia da materialidade da sua exist\u00eancia.<br \/> Compreende-se que, mais pr\u00f3xima, a prece pudesse exercer uma esp\u00e9cie de a\u00e7\u00e3o magn\u00e9tica mais poderosa no sentido de auxiliar o desprendimento.<br \/> O costume quase geral de orar junto aos cad\u00e1veres n\u00e3o provir\u00e1 da intui\u00e7\u00e3o inconsciente de efeito, assim? Nesse caso, a efic\u00e1cia da prece alcan\u00e7aria um resultado simultaneamente moral e material.<\/p>\n<p>Exprobra\u00e7\u00f5es de um Bo\u00eamio<\/p>\n<p>(Bord\u00e9us, 19 de abril de 1862)<\/p>\n<p>30 de julho \u2014  Presentemente sou menos infeliz, visto n\u00e3o mais sentir a pesada cadeia que me jungia ao corpo.<br \/> Estou livre, enfim, mas ainda n\u00e3o expiei e preciso \u00e9 que repare o tempo perdido se eu n\u00e3o quiser prolongar os sofrimentos.<br \/> Espero que Deus, tendo em conta a sinceridade do arrependimento, me conceda a gra\u00e7a do perd\u00e3o.<br \/> Pedi ainda por mim, eu vo-lo suplico.<br \/> Homens, meus irm\u00e3os, eu vivi s\u00f3 para mim e agora expio e sofro! Conceda-vos Deus a gra\u00e7a de evitardes os espinhos que ora me laceram.<br \/> Prossegui na senda larga do Senhor e orai por mim, pois abusei dos favores que Deus faculta \u00e0s criaturas!<\/p>\n<p>Quem sacrifica aos instintos brutos a intelig\u00eancia e os bons sentimentos que Deus lhe d\u00e1, assemelha-se ao animal que muitas vezes se maltrata.<br \/> O homem deve utilizar-se sobriamente dos bens de que \u00e9 deposit\u00e1rio, habituando-se a visar a eternidade que o espera, abrindo m\u00e3o por conseq\u00fc\u00eancia, dos gozos materiais.<br \/> A sua alimenta\u00e7\u00e3o deve ter por exclusivo fim a vitalidade; o luxo deve apenas restringir-se \u00e0s necessidades da sua posi\u00e7\u00e3o; os gostos, os pendores, mesmo os mais naturais, devem obedecer ao s\u00e3o racioc\u00ednio, sem o que ele se materializa em vez de se purificar.<\/p>\n<p>As paix\u00f5es humanas s\u00e3o estreitos grilh\u00f5es que se enroscam na carne; assim sendo, n\u00e3o lhes deis abrigo.<br \/> V\u00f3s n\u00e3o sabeis o pre\u00e7o quando regressamos \u00e0 p\u00e1tria! As paix\u00f5es humanas vos despem antes mesmo de vos deixarem, de modo que chegareis nus, completamente nus, ante o Senhor.<br \/> Ah! Cobri-vos de boas obras que vos ajudem a franquear o Espa\u00e7o entre v\u00f3s e a eternidade.<br \/> Manto brilhante, elas escondem as vossas torpezas humanas.<br \/> Envolvei-vos na caridade e no amor, vestes divinas que duram eternamente.<\/p>\n<p>Instru\u00e7\u00f5es do Guia do m\u00e9dium \u2014 Este Esp\u00edrito est\u00e1 num bom caminho, porquanto, al\u00e9m do arrependimento, deduz conselhos tendentes a evitar os perigos da senda por ele trilhada.<\/p>\n<p>Reconhecer os erros \u00e9 j\u00e1 um m\u00e9rito e um passo efetivo para o bem; tamb\u00e9m por isso, a sua situa\u00e7\u00e3o, sem ser venturosa, deixa de ser a de um Esp\u00edrito infeliz.<\/p>\n<p>Arrependendo-se, resta-lhe a repara\u00e7\u00e3o de uma outra exist\u00eancia.<br \/> Mas antes de l\u00e1 chegar, sabeis qual a exist\u00eancia desses homens de vida sensual que n\u00e3o deram ao Esp\u00edrito outra atividade al\u00e9m da inven\u00e7\u00e3o de novos prazeres?<\/p>\n<p>A influ\u00eancia da mat\u00e9ria segue-os al\u00e9m-t\u00famulo, sem que a morte lhes ponha termo aos apetites que a sua vista, t\u00e3o limitada como quando na Terra, procura em v\u00e3o os meios de os saciar.<br \/> Por n\u00e3o terem nunca procurado alimento espiritual, a alma erra no v\u00e1cuo, sem norte, sem esperan\u00e7a, presa dessa ansiedade de quem n\u00e3o tem diante de si mais que um deserto sem limites.<br \/> A inexist\u00eancia das lucubra\u00e7\u00f5es espirituais acarreta naturalmente a nulidade do trabalho espiritual depois da morte; e porque n\u00e3o lhe restem meios de saciar o corpo, nada restar\u00e1 para satisfazer o Esp\u00edrito.<\/p>\n<p>Da\u00ed, um t\u00e9dio mortal cujo fim n\u00e3o prev\u00eaem e ao qual prefeririam o nada.<br \/> Mas o nada n\u00e3o existe.<br \/>.<br \/>.<br \/> Puderam matar o corpo, mas n\u00e3o podem aniquilar o Esp\u00edrito.<br \/> Importa pois que vivam nessas torturas morais at\u00e9 que, vencidos pelo cansa\u00e7o, se decidam a volver os olhos para Deus.<\/p>\n<p>Lisbeth<\/p>\n<p>(Bord\u00e9us, 13 de fevereiro de 1862)<\/p>\n<p>Um Esp\u00edrito sofredor inscreve-se com o nome de Lisbeth.<\/p>\n<p>1.<br \/> Quereis dar-nos algumas informa\u00e7\u00f5es a respeito da vossa posi\u00e7\u00e3o, assim como da causa dos vossos sofrimentos?<\/p>\n<p>R.<br \/> Sede humilde de cora\u00e7\u00e3o, submisso a vontade de Deus, paciente na prova\u00e7\u00e3o, caridoso para com o pobre, consolador do fraco, sens\u00edvel a todos os sofrimentos e n\u00e3o sofrereis as torturas porque passo.<\/p>\n<p>2.<br \/> Pareceis sentir as faltas decorrentes de contr\u00e1rio procedimento.<br \/>.<br \/>.<br \/> O arrependimento dever\u00e1 dar-vos al\u00edvio?<\/p>\n<p>R.<br \/> N\u00e3o.<br \/> \u2014 O arrependimento \u00e9 in\u00fatil quando apenas produzido pelo sofrimento.<br \/> O arrependimento prof\u00edcuo tem por base a m\u00e1goa de haver ofendido a Deus e importa no desejo ardente de uma repara\u00e7\u00e3o.<br \/> Ainda n\u00e3o posso tanto, infelizmente.<br \/> Recomendai-me \u00e0s preces de quantos se interessam pelos sofrimentos alheios, porque delas tenho necessidade.<\/p>\n<p>Este ensinamento \u00e9 uma grande verdade; \u00e0s vezes o sofrimento provoca um brado de arrependimento menos sincero, que n\u00e3o \u00e9 a express\u00e3o de pesar pela pr\u00e1tica do mal, visto como, se o Esp\u00edrito deixasse de sofrer, n\u00e3o duvidaria reencet\u00e1-la.<br \/> Eis porque o arrependimento nem sempre acarreta a imediata liberta\u00e7\u00e3o de Esp\u00edrito.<br \/> Predisp\u00f5e-no, por\u00e9m, para ela \u2014 eis tudo.<br \/> \u00c9-lhe preciso, al\u00e9m disso, provar a sinceridade e firmeza da resolu\u00e7\u00e3o, por meio de novas prova\u00e7\u00f5es reparadoras do mal praticado.<\/p>\n<p>Meditando cuidadosamente sobre todos os exemplos citados, encontraremos nas palavras dos Esp\u00edritos \u2014 mesmo dos mais inferiores \u2014 profundos ensinamentos, pondo-nos a par dos mais \u00edntimos pormenores da vida espiritual.<br \/> O homem superficial pode n\u00e3o ver nesses exemplos mais que pitorescas narrativas; mas o homem s\u00e9rio e refletido encontrar\u00e1 neles abundante manancial de estudos.<\/p>\n<p>3.<br \/> Farei o que desejais.<br \/> Podereis dar-me alguns pormenores da vossa \u00faltima exist\u00eancia corporal? Da\u00ed talvez nos advenha ensinamento \u00fatil e assim tornareis proveitoso o arrependimento.<\/p>\n<p>(O Esp\u00edrito vacila na resposta, n\u00e3o s\u00f3 desta pergunta, como de algumas das que se seguem.<br \/>)<\/p>\n<p>R.<br \/> Tive um nascimento de elevada condi\u00e7\u00e3o.<br \/> Possu\u00eda tudo o que os homens julgam a fonte da felicidade.<br \/> Rica, tornei-me ego\u00edsta; bela, fui vaidosa, insens\u00edvel, hip\u00f3crita; nobre, era ambiciosa.<br \/> Calquei ao meu poderio aqueles que n\u00e3o se me arrojavam aos p\u00e9s e oprimia ainda mais os que sob eles se colocavam, esquecida de que tamb\u00e9m a c\u00f3lera do Senhor esmaga, cedo ou tarde, as mais altivas frontes.<\/p>\n<p>4.<br \/> Em que \u00e9poca vivestes?<\/p>\n<p>R.<br \/> H\u00e1 cento e cinq\u00fcenta anos, na Pr\u00fassia.<\/p>\n<p>5.<br \/> Desde ent\u00e3o n\u00e3o fizeste progresso algum como Esp\u00edrito?<\/p>\n<p>R.<br \/> N\u00e3o; a mat\u00e9ria revoltava-se sempre e tu n\u00e3o podes avaliar a influ\u00eancia que ela ainda exerce sobre mim, a despeito da separa\u00e7\u00e3o do corpo.<\/p>\n<p>O orgulho agrilhoa-nos a br\u00f4nzeas cadeias, cujos an\u00e9is mais e mais comprimem o m\u00edsero que lhe hipoteca o cora\u00e7\u00e3o.<br \/> O orgulho, hidra de cem cabe\u00e7as que se renovam incessantemente, modulando silvos empe\u00e7onhados que chegam a parecer celeste harmonia! O orgulho \u2014 esse dem\u00f4nio multiforme que se amolda a todas as aberra\u00e7\u00f5es do Esp\u00edrito que se oculta em todos os refolhos do cora\u00e7\u00e3o; que penetra as veias; que absorve e arrasta \u00e0s trevas da eterna geena!.<br \/>.<br \/>.<br \/> Oh! sim.<br \/>.<br \/>.<br \/> eterna!<\/p>\n<p>Provavelmente, o Esp\u00edrito diz n\u00e3o ter feito progresso algum, por ser a sua situa\u00e7\u00e3o sempre penosa; a maneira pela qual descreve o orgulho e lhe deplora as conseq\u00fc\u00eancias \u00e9, incontestavelmente, um progresso.<br \/> Decerto que, quando encarnado e mesmo logo ap\u00f3s a morte, ele n\u00e3o poderia raciocinar assim.<br \/> Compreende o mal, o que j\u00e1 \u00e9 alguma coisa, e a coragem e o prop\u00f3sito de o evitar lhe advir\u00e3o mais tarde.<\/p>\n<p>6.<br \/> Deus \u00e9 muito bom para n\u00e3o condenar seus filhos a penas eternas.<br \/> Confiais na Sua miseric\u00f3rdia.<\/p>\n<p>R.<br \/> Dizem que isto pode ter um termo, mas onde e quando? H\u00e1 muito que o procuro e s\u00f3 vejo sofrimento, sempre, sempre, sempre!<\/p>\n<p>7.<br \/> Como viestes hoje aqui?<\/p>\n<p>R.<br \/> Conduzida por um Esp\u00edrito que me acompanha muitas vezes.<\/p>\n<p>P.<br \/> Desde quando o vedes, a esse Esp\u00edrito?<\/p>\n<p>R.<br \/> N\u00e3o h\u00e1 muito tempo.<\/p>\n<p>P.<br \/> \u00c9 desde quando tendes consci\u00eancia das faltas que cometestes?<\/p>\n<p>R.<br \/> (Depois de longa reflex\u00e3o) Sim, tendes raz\u00e3o; foi da\u00ed para c\u00e1 que principiei a v\u00ea-lo.<\/p>\n<p>8.<br \/> Compreendeis agora a rela\u00e7\u00e3o existente entre o arrependimento e o aux\u00edlio prestado por vosso protetor? Tomai por origem desse apoio o amor de Deus, cujo fim ser\u00e1 o seu perd\u00e3o e miseric\u00f3rdia infinitos.<\/p>\n<p>R.<br \/> Oh! como desejaria que assim fosse.<br \/> Creio poder prometer no nome, ali\u00e1s sacrat\u00edssimo, d Aquele que jamais foi surdo \u00e0 voz dos filhos aflitos.<\/p>\n<p>9.<br \/> Pedi de cora\u00e7\u00e3o e sereis ouvida.<\/p>\n<p>R.<br \/> N\u00e3o posso; tenho medo.<\/p>\n<p>P.<br \/> Oremos juntos, Ele nos atender\u00e1.<br \/> (Depois da prece).<br \/> Ainda estais a\u00ed?<\/p>\n<p>R.<br \/> Sim, Obrigada! N\u00e3o me esque\u00e7ais.<\/p>\n<p>10.<br \/> Vinde inscrever-vos aqui todos os dias.<\/p>\n<p>R.<br \/> Sim, sim, virei sempre.<\/p>\n<p>O Guia do m\u00e9dium \u2014 Nunca vos esque\u00e7ais dos ensinos que bebeis nos sofrimentos dos vossos protegidos e notadamente nas suas causas, visto serem li\u00e7\u00e3o que a todos aproveita no sentido de se preservarem dos mesmos perigos e de id\u00eanticos castigos.<\/p>\n<p>Purificai os cora\u00e7\u00f5es, sede humildes, amai-vos e ajudai-vos sem esquecerdes jamais a fonte de todas as gra\u00e7as, fonte inesgot\u00e1vel na qual podem todos saciar-se \u00e0 vontade, fonte de \u00e1gua viva que desaltera e alimenta igualmente, fonte de vida e ventura eterna.<br \/> Ide a ela, meus amigos, e bebei com f\u00e9.<br \/> Mergulhai nela as vossas vasilhas, que sair\u00e3o de suas ondas, pejadas de b\u00ean\u00e7\u00e3os.<\/p>\n<p>Adverti vossos irm\u00e3os dos perigos em que podem incorrer.<br \/> Difundi as b\u00ean\u00e7\u00e3os do Senhor, que se reproduzem incessantemente; e quanto mais as propagardes, tanto mais se multiplicar\u00e3o.<br \/> Est\u00e1 em vossas m\u00e3os a tarefa, porquanto, dizendo aos vossos irm\u00e3os \u2014 a\u00ed est\u00e3o os perigos, l\u00e1 os escolhidos; vinde conosco a fim de os evitar; imitai-nos a n\u00f3s que damos o exemplo \u2014 assim difundireis as b\u00ean\u00e7\u00e3os do Senhor sobre aqueles que vos ouvirem.<\/p>\n<p>Aben\u00e7oados sejam os vossos esfor\u00e7os.<br \/> O Senhor ama os cora\u00e7\u00f5es puros: fazei por merecer-lhe amor.<\/p>\n<p>S.<br \/> Paulino.<\/p>\n<p>Pr\u00edncipe Ouran<\/p>\n<p>(Bord\u00e9us, 1862)<\/p>\n<p>Um Esp\u00edrito sofredor apresentou-se dando o nome de Ouran, pr\u00edncipe russo de outros tempos.<\/p>\n<p>P.<br \/> Quereis dar-nos alguns pormenores sobre a vossa situa\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>R.<br \/> Oh! Felizes os humildes de cora\u00e7\u00e3o, porque deles \u00e9 o reino do c\u00e9u! Orai por mim.<br \/> Felizes os humildes de cora\u00e7\u00e3o que escolhem uma posi\u00e7\u00e3o modesta a fim de cumprirem a prova\u00e7\u00e3o.<br \/> V\u00f3s todos, a quem devora a inveja, n\u00e3o sabeis o estado a que ficou reduzido um desses que na Terra s\u00e3o considerados felizes; n\u00e3o avaliais o fogo que o abrasa nem os sacrif\u00edcios impostos pela riqueza quando por ela se quer obter a salva\u00e7\u00e3o!<\/p>\n<p>Permita-me o Senhor a mim, d\u00e9spota orgulhoso, expiar os crimes derivados do meu orgulho entre aqueles mesmos a quem oprim\u00ed com a tirania!<\/p>\n<p>Orgulho! Repita-se constantemente a palavra para que se n\u00e3o esque\u00e7a nunca que ele \u00e9 a fonte de todos os sofrimentos que nos acabrunham.<br \/> Sim, eu abusei do poderio e favores de que dispunha; fui duro e cruel para com os inferiores, os quais tiveram de curvar-se a todos os meus caprichos, satisfazer a todas as minhas deprava\u00e7\u00f5es.<br \/> Quis a nobreza, a fortuna, as honras e sucumbi ao encargo superior \u00e0s pr\u00f3prias for\u00e7as.<\/p>\n<p>Os Esp\u00edritos que sucumbem s\u00e3o geralmente levados a alegar um compromisso superior \u00e0s pr\u00f3prias for\u00e7as \u2014 o que \u00e9 ainda um resto de orgulho e um meio de se desculparem para consigo pr\u00f3prios, n\u00e3o se conformando com a pr\u00f3pria fraqueza.<br \/> Deus n\u00e3o d\u00e1 a ningu\u00e9m mais do que possa suportar, n\u00e3o exige da \u00e1rvore nascente os frutos dados pelo tronco desenvolvido.<br \/> Demais, os Esp\u00edritos t\u00eam liberdade; o que lhes falta \u00e9 a vontade, e esta depende deles exclusivamente.<br \/> Com for\u00e7a de vontade n\u00e3o h\u00e1 tend\u00eancias viciosas insuper\u00e1veis; mas, quando um v\u00edcio nos apraz, \u00e9 natural que n\u00e3o fa\u00e7amos esfor\u00e7os por dom\u00e1-lo.<br \/> Assim, somente a n\u00f3s devemos atribuir as respectivas conseq\u00fc\u00eancias.<\/p>\n<p>P.<br \/> Tendes consci\u00eancia das vossas faltas e isto \u00e9 j\u00e1 um passo para a regenera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>R.<br \/> Esta consci\u00eancia \u00e9 ainda um sofrimento.<br \/> Para muitos Esp\u00edritos o sofrimento \u00e9 um efeito quase material, visto como, atendo-se \u00e0 humanidade de sua \u00faltima encarna\u00e7\u00e3o, n\u00e3o experimentam nem apreendem as sensa\u00e7\u00f5es morais.<br \/> Liberto da mat\u00e9ria, o sentimento moral aumentou-se, para mim, de tudo quanto as cru\u00e9is sensa\u00e7\u00f5es f\u00edsicas tinham de horr\u00edvel.<\/p>\n<p>P.<br \/> Lobrigais um termo aos vossos padecimentos?<\/p>\n<p>R.<br \/> Sei que n\u00e3o ser\u00e3o eternos, mas n\u00e3o lhes entrevejo o fim, sendo-me antes preciso recome\u00e7ar a prova\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>P.<br \/> E esperais faz\u00ea-lo em breve?<\/p>\n<p>R.<br \/> N\u00e3o sei nada.<\/p>\n<p>P.<br \/> Lembrai-vos dos vossos antecedentes? Fa\u00e7o-vos este pedido no intuito de me instruir.<\/p>\n<p>R.<br \/> Vossos Guias a\u00ed est\u00e3o e sabem do que precisais.<br \/> Vivi no tempo de Marco Aur\u00e9lio.<br \/> Poderoso ent\u00e3o, sucumbi ao orgulho, causa de todas as quedas.<br \/> Depois de uma erraticidade de s\u00e9culos, quis experimentar uma exist\u00eancia obscura.<\/p>\n<p> Pobre estudante, mendiguei o p\u00e3o, mas o orgulho possu\u00eda-me sempre: o Esp\u00edrito ganhara em ci\u00eancia, mas n\u00e3o em virtude.<br \/> S\u00e1bio ambicioso, vendi a consci\u00eancia a quem mais dava, servindo a todas as vingan\u00e7as, a todos os \u00f3dios.<br \/> Sentia-me culpado, mas a sede de gl\u00f3rias e riquezas estrangulava a voz da consci\u00eancia.<\/p>\n<p>A expia\u00e7\u00e3o ainda foi longa e cruel.<br \/> Eu quis enfim, na minha \u00faltima encarna\u00e7\u00e3o, reencetar uma vida de luxo e poderio, no intuito de dominar os trope\u00e7os, sem atender a conselhos.<br \/> Era ainda o orgulho levando-me a confiar mais em mim mesmo do que no conselho dos protetores amigos que sempre velam por n\u00f3s.<\/p>\n<p>Sabeis o resultado desta \u00faltima tentativa.<br \/> Hoje, enfim, compreendo e aguardo a miseric\u00f3rdia do Senhor.<br \/> Deponho a seus p\u00e9s, o meu arrasado orgulho e pe\u00e7o-Lhe que me sobrecarregue com o mais pesado tributo de humildade, pois com o aux\u00edlio da Sua gra\u00e7a o peso me parecer\u00e1 leve.<\/p>\n<p>Orai comigo e por mim: orai tamb\u00e9m para que esse fogo diab\u00f3lico n\u00e3o devore os instintos que vos encaminham para Deus.<br \/> Irm\u00e3os de sofrimentos, o orgulho \u00e9 o inimigo da felicidade.<br \/> \u00c9 dele que promanam todos os males que acometem a Humanidade e a perseguem at\u00e9 nas regi\u00f5es celestes.<\/p>\n<p>O Guia do m\u00e9dium \u2014 Concebestes d\u00favidas sobre a identidade deste Esp\u00edrito, por vos parecer a sua linguagem em desacordo com o estado de sofrimento acusando inferioridade.<\/p>\n<p>Desvanecei essas d\u00favidas, porque recebestes uma comunica\u00e7\u00e3o s\u00e9ria.<br \/> Por mais sofredor, este Esp\u00edrito tem assaz culta intelig\u00eancia para exprimir-se de tal maneira.<br \/> O que lhe faltava era apenas a humildade, sem a qual nenhum Esp\u00edrito pode chegar a Deus.<br \/> Essa humildade conquistou-a agora, e n\u00f3s esperamos que, com perseveran\u00e7a, ele sair\u00e1 triunfante de uma nova prova\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Nosso Pai celestial \u00e9 just\u00edssimo na sua Sabedoria e leva em conta os esfor\u00e7os da criatura para dominar os maus instintos.<br \/> Cada vit\u00f3ria sobre v\u00f3s mesmos \u00e9 um degrau franqueado nessa escada que tem uma extremidade na Terra e outra aos p\u00e9s do Juiz supremo.<\/p>\n<p>Al\u00e7ai-vos por esses degraus resolutamente, porque a subida \u00e9 tanto mais suave quanto firme a vontade.<br \/> Olhai sempre para cima a fim de vos encorajardes, porque ai daquele que p\u00e1ra e se volta.<br \/> Depressa o atinge a vertigem, espanta-se do v\u00e1cuo que o cerca, desanima e diz: para que mais caminhar, se t\u00e3o pouco o tenho feito e tanto me falta? N\u00e3o, meus amigos, n\u00e3o vos volteis.<\/p>\n<p>O orgulho est\u00e1 incorporado no homem; pois bem, aproveitai-o na for\u00e7a e na coragem de terminar a vossa ascens\u00e3o.<br \/> Empregai-o ainda em dominar as fraquezas e galgai o cume da montanha eterna.<\/p>\n<p>Pascal Lavic<\/p>\n<p>(Havre, 9 de agosto de 1863)<\/p>\n<p>Este Esp\u00edrito, sem que o m\u00e9dium o conhecesse em vida, mesmo de nome, comunicou-se espontaneamente.<\/p>\n<p> Creio na bondade de Deus que, na sua miseric\u00f3rdia, se compadecer\u00e1 do meu Esp\u00edrito.<br \/> Tenho sofrido muito, muito, pereci no mar.<br \/> Meu Esp\u00edrito, ligado ao corpo, vagou por muito tempo sobre as ondas, Deus.<br \/>.<br \/>.<\/p>\n<p>(A comunica\u00e7\u00e3o foi interrompida, e no dia seguinte o Esp\u00edrito prosseguiu.<br \/>)<\/p>\n<p>.<br \/>.<br \/>.<br \/>houve por bem permitir que as preces daqueles que ficaram na Terra me tirassem do estado de perturba\u00e7\u00e3o e incerteza em que me achava imerso.<br \/> Esperaram-me por muito tempo e puderam enfim achar meu corpo.<br \/> Esse repousa atualmente, ao passo que o Esp\u00edrito, dificilmente libertado, v\u00ea as faltas cometidas.<br \/> Consumada a prova\u00e7\u00e3o, Deus julga com justi\u00e7a, a sua bondade estende-se aos arrependidos.<\/p>\n<p>Por muito tempo, juntos erraram o corpo e o Esp\u00edrito, sendo essa a minha expia\u00e7\u00e3o.<br \/> Segui o caminho reto, se quiserdes que Deus facilite o desprendimento de vosso Esp\u00edrito.<br \/> Vivei no Seu amor, orai, e a morte, para tantos temerosa, vos ser\u00e1 suavizada pelo conhecimento da vida que vos espera.<br \/> Sucumbi no mar, e por muito tempo me esperaram.<br \/> N\u00e3o poder desligar-me do corpo era para mim uma terr\u00edvel prova\u00e7\u00e3o, eis porque, necessito das preces de quem, como v\u00f3s, possui as cren\u00e7as salvadoras e pode pedir por mim ao Deus de justi\u00e7a.<br \/> Arrependo-me e espero ser perdoado.<br \/> A 6 de agosto foi meu corpo encontrado.<br \/> Eu era um pobre marinheiro e h\u00e1 muito tempo que morri.<br \/> Orai por mim.<\/p>\n<p>Pascal Lavic<\/p>\n<p>P.<br \/> Onde foi achado o vosso corpo?<\/p>\n<p>R.<br \/> N\u00e3o muito longe de v\u00f3s.<\/p>\n<p>O jornal do Havre, de 11 de agosto de 1863, trazia o seguinte t\u00f3pico, do qual o m\u00e9dium n\u00e3o podia ter ci\u00eancia:<\/p>\n<p> Noticiamos que a 6 do corrente se encontrara um resto de cad\u00e1ver encalhado entre Bl\u00e9ville e La H\u00e8ve.<br \/> A cabe\u00e7a, os bra\u00e7os e o busto tinham desaparecido, mas, apesar disso, pode verificar-se a sua identidade pelos sapatos ainda presos aos p\u00e9s.<br \/> Foi reconhecido o corpo do pescador Lavic, que fora arrebatado a 11 de dezembro de bordo do navio  O Alerta , por uma rajada de mar.<br \/> Lavic tinha 49 anos de idade e era natural da cidade de Calais.<br \/> Foi a vi\u00fava quem lhe reconheceu a identidade.<\/p>\n<p>A 12 de agosto, como se tratasse desse acontecimento no Centro em que o Esp\u00edrito se manifestara pela primeira vez, deu este de novo, e espontaneamente, a seguinte comunica\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<p> Sou efetivamente Pascal Lavic, que tem necessidade das vossas preces.<br \/> Podeis beneficiar-me, pois terr\u00edvel foi a prova\u00e7\u00e3o por mim experimentada.<br \/> A separa\u00e7\u00e3o do meu Esp\u00edrito do corpo s\u00f3 se deu depois que reconheci as minhas faltas; e depois disso, ainda n\u00e3o totalmente destacado, acompanhava-o no oceano que o tragara.<br \/> Orai pois, para que Deus me perdoe e me conceda repouso.<br \/> Orai por mim, eu vo-lo suplico.<br \/> Oxal\u00e1 este desastrado fim de uma infeliz vida terrena vos sirva de grande ensinamento! Deveis ter sempre em vista a vida futura, n\u00e3o deixando jamais de implorar a Deus a Sua divina miseric\u00f3rdia.<br \/> Orai por mim, tenho necessidade que Deus de mim se compade\u00e7a.<\/p>\n<p>Pascal Lavic.<\/p>\n<p>Ferdinando Bertin<\/p>\n<p>Evocando um m\u00e9dium do Havre o Esp\u00edrito de pessoa dele conhecida, foi-lhe por esta respondido:  Quero comunicar-me, por\u00e9m n\u00e3o posso vencer o obst\u00e1culo existente entre n\u00f3s e sou for\u00e7ada a deixar que se aproximem estes infelizes sofredores.<\/p>\n<p>Seguiu-se ent\u00e3o a seguinte comunica\u00e7\u00e3o espont\u00e2nea:<\/p>\n<p> Estou num medonho abismo! Auxiliai-me.<br \/>.<br \/>.<br \/> Oh! meu Deus! Quem me tirar\u00e1 deste abismo? Quem socorrer\u00e1 com m\u00e3o piedosa o infeliz tragado pelas ondas? Por toda parte o marulho das vagas, e nem uma palavra amiga que me console e ajude neste momento supremo.<br \/> Entretanto, esta noite profunda \u00e9 bem a morte com seus horrores, quando eu n\u00e3o quero morrer! .<br \/>.<br \/>.<\/p>\n<p>Oh! meu Deus! N\u00e3o \u00e9 a morte futura, \u00e9 a passada! Estou para sempre separado dos que me s\u00e3o caros.<br \/>.<br \/>.<br \/> Vejo o meu corpo e o que h\u00e1 pouco sentia era apenas a lembran\u00e7a da angustiosa separa\u00e7\u00e3o.<br \/>.<br \/>.<br \/> Tende piedade de mim, v\u00f3s que conheceis o meu sofrimento; orai por mim, pois n\u00e3o quero mais sentir as lacera\u00e7\u00f5es da agonia, como tem acontecido desde a noite fatal!.<br \/>.<br \/>.<br \/> \u00c9 essa, no entanto, a puni\u00e7\u00e3o, bem a pressinto.<br \/>.<br \/>.<br \/> Conjuro-vos a orar! .<br \/>.<br \/>.<br \/> Oh! o mar.<br \/>.<br \/>.<br \/> o frio.<br \/>.<br \/>.<br \/> vou ser tragado pelas ondas!.<br \/>.<br \/>.<br \/> Socorro!.<br \/>.<br \/>.<br \/> Tende piedade; n\u00e3o me repilais! N\u00e3o nos salvaremos os dois sobre esta t\u00e1bua!.<br \/>.<br \/>.<\/p>\n<p>Oh! Afogo-me! As vagas v\u00e3o tragar-me sem que aos meus reste o consolo de me tornarem a ver.<br \/>.<br \/>.<br \/> Mas n\u00e3o! Que vejo? Meu corpo balan\u00e7ado pelas ondas.<br \/>.<br \/>.<br \/> As preces de minha m\u00e3e ser\u00e3o ouvidas.<br \/>.<br \/>.<br \/> Pobre m\u00e3e! Se ela pudesse supor seu filho t\u00e3o miser\u00e1vel como realmente o \u00e9, decerto pediria mais; acredita, por\u00e9m, que a morte santificou o passado e chora-me como m\u00e1rtir e n\u00e3o como infeliz castigado!.<br \/>.<br \/>.<br \/> Oh! v\u00f3s que o sabeis, sereis implac\u00e1veis? M\u00e3e, por certo intercedereis por mim.<\/p>\n<p>Ferdinando Bertin.<\/p>\n<p>Desconhecido inteiramente esse nome, n\u00e3o sugeria sequer \u00e0 mem\u00f3ria do m\u00e9dium uma vaga lembran\u00e7a, pelo que sup\u00f4s fosse de algum desgra\u00e7ado n\u00e1ufrago que se lhe viesse manifestar espontaneamente, como sucedia v\u00e1rias vezes.<br \/> Mais tarde soube ser, efetivamente, o nome de uma das v\u00edtimas da grande cat\u00e1strofe mar\u00edtima ocorrida nessas paragens a 2 de dezembro de 1863.<br \/> A continua\u00e7\u00e3o foi dada a 8 do mesmo m\u00eas, 6 dias, portanto, depois do sinistro.<\/p>\n<p>O indiv\u00edduo perecera fazendo tentativas inauditas para salvar a equipagem e no momento em que se julgava ao abrigo da morte.<br \/> N\u00e3o tendo qualquer parentesco com o m\u00e9dium, nem mesmo conhecimento, por que se teria manifestado a este em vez de o fazer a qualquer membro da fam\u00edlia? \u00c9 que os Esp\u00edritos n\u00e3o encontram em todas as pessoas condi\u00e7\u00f5es flu\u00eddicas imprescind\u00edveis \u00e0 manifesta\u00e7\u00e3o.<br \/> Este, na perturba\u00e7\u00e3o em que estava, nem mesmo tinha a liberdade da escolha, sendo conduzido instintiva e atrativamente para o m\u00e9dium, dotado, ao que parece, de aptid\u00e3o essencial para as comunica\u00e7\u00f5es deste g\u00eanero.<br \/> Tamb\u00e9m \u00e9 de supor que pressentisse uma simpatia particular, como outros a encontraram em id\u00eanticas circunst\u00e2ncias.<br \/> A fam\u00edlia, estranha ao Espiritismo, talvez infensa mesmo a esta cren\u00e7a, n\u00e3o teria acolhido a manifesta\u00e7\u00e3o como esse m\u00e9dium.<\/p>\n<p>Posto que a morte remontasse a alguns dias, o Esp\u00edrito lhe experimentava ainda todas as ang\u00fastias.<br \/> Evidente, portanto, que n\u00e3o tinha consci\u00eancia da situa\u00e7\u00e3o; acreditava que estava vivo, lutando com as ondas, mas ao mesmo tempo se referindo ao corpo como se dele estivesse separado; grita por socorro, diz que n\u00e3o quer morrer e fala logo ap\u00f3s da causa da sua morte, reconhecendo nela um castigo.<\/p>\n<p>Toda essa incoer\u00eancia denota a confus\u00e3o das id\u00e9ias, fato comum em quase todas as mortes violentas.<\/p>\n<p>Dois meses mais tarde, a 2 de fevereiro de 1864, o Esp\u00edrito de novo se comunicou espontaneamente pelo mesmo m\u00e9dium, dizendo-lhe o seguinte:<\/p>\n<p> A piedade que tivestes dos meus t\u00e3o horr\u00edveis sofrimentos aliviou-me.<br \/> Compreendo a esperan\u00e7a, entrevejo o perd\u00e3o, mas depois do castigo da falta cometida.<br \/> Sofro continuamente e, se por momentos permite Deus que eu entreveja o fim da minha desventura, devo-o \u00e0s preces de caridosas almas apiedadas da minha situa\u00e7\u00e3o.<br \/> Oh! Esperan\u00e7a, raio celeste, qu\u00e3o bendita \u00e9s quando te sinto despontar-me na alma!.<br \/>.<br \/>.<br \/> Mas, oh! O abismo escancara-se, o terror e o sofrimento absorvem o pensamento de miseric\u00f3rdia.<br \/>.<br \/>.<\/p>\n<p>A noite, sempre a noite!.<br \/>.<br \/>.<br \/> a \u00e1gua, o bramir das ondas que me tragaram, s\u00e3o apenas p\u00e1lida imagem do horror, em que se envolve o meu Esp\u00edrito.<br \/>.<br \/>.<br \/> Fico mais calmo quando posso permanecer junto de v\u00f3s, pois assim como a confid\u00eancia de um segredo ao peito amigo nos alivia, assim a vossa piedade, motivada pela confid\u00eancia da minha pen\u00faria, acalma o sofrimento e d\u00e1 repouso ao meu Esp\u00edrito.<br \/>.<br \/>.<\/p>\n<p>Fazem-me bem as vossas preces, n\u00e3o mais recuseis.<br \/> N\u00e3o quero reapossar-me desse horroroso sonho que se transforma em realidade quando o vejo.<br \/>.<br \/>.<br \/> Tomai o l\u00e1pis mais vezes.<br \/> Muito me aliviar\u00e1 o comunicar convosco.<\/p>\n<p>Dias depois, numa reuni\u00e3o esp\u00edrita em Paris, dirigiram-se a este Esp\u00edrito as seguintes perguntas, por ele englobadas numa \u00fanica comunica\u00e7\u00e3o e mediante outro m\u00e9dium, na forma abaixo.<\/p>\n<p>Eis as perguntas:<\/p>\n<p>Quem vos levou a comunicar espontaneamente pelo outro m\u00e9dium? De que tempo datava a vossa morte quando vos manifestasses?<\/p>\n<p>Quando o fizestes parec\u00edeis duvidar ainda do vosso estado, ao mesmo tempo que extern\u00e1veis ang\u00fastias de uma morte horr\u00edvel; tendes agora melhor compreens\u00e3o dessa situa\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>Dissestes positivamente que a vossa morte era uma expia\u00e7\u00e3o: podereis dizer-nos o motivo dessa afirmativa?<\/p>\n<p>Isso constituir\u00e1 ensinamento para n\u00f3s e ser-vos-\u00e1 um al\u00edvio.<br \/> Por uma confiss\u00e3o sincera fareis jus \u00e0 miseric\u00f3rdia de Deus, a qual solicitaremos em nossas preces.<\/p>\n<p>Resposta.<br \/>  Em primeiro lugar parece imposs\u00edvel que uma criatura humana possa sofrer t\u00e3o cruelmente.<br \/> Deus! Como \u00e9 penoso ver-se a gente constantemente envolta nas vagas da f\u00faria, provando incessantemente este supl\u00edcio, este frio glacial que sobe ao est\u00f4mago e o constringe!<\/p>\n<p>Mas de que serve entreter-vos com tais cenas? N\u00e3o devo eu come\u00e7ar por obedecer \u00e0s leis da gratid\u00e3o, agradecendo-vos a v\u00f3s todos que vos interessastes pelos meus tormentos? Perguntastes se me manifestei muito tempo depois da morte?<\/p>\n<p>N\u00e3o posso responder facilmente.<br \/> Refletindo, avaliareis em que situa\u00e7\u00e3o horr\u00edvel estou ainda.<br \/> Penso que para junto do m\u00e9dium fui trazido por for\u00e7a estranha \u00e0 minha vontade e coisa inexplic\u00e1vel \u2014 servia-me do seu bra\u00e7o com a mesma facilidade com que sirvo neste momento do vosso, persuadido de que ele me pertencesse.<br \/> Agora experimento mesmo um grande prazer, como que um al\u00edvio particular, que.<br \/>.<br \/>.<br \/> mas ah! Ei-lo que vai cessar.<br \/> Mas, meu Deus! Terei for\u00e7as para fazer a confiss\u00e3o que me cumpre? <\/p>\n<p>Depois de ser muito animado, o Esp\u00edrito ajuntou:  Eu era muito culpado e o que mais me tortura \u00e9 ser tido por m\u00e1rtir, quando em verdade n\u00e3o o fui.<br \/>.<br \/>.<br \/> Na precedente exist\u00eancia eu mandara ensacar v\u00e1rias v\u00edtimas e atir\u00e1-las ao mar.<br \/>.<br \/>.<br \/> Orai por mim!.<br \/>.<br \/>.<\/p>\n<p>Coment\u00e1rio de S.<br \/> Lu\u00eds<\/p>\n<p>Esta confiss\u00e3o trar\u00e1 grande al\u00edvio ao Esp\u00edrito, que efetivamente foi bem culpado! Honrosa, por\u00e9m, foi a exist\u00eancia que vem de deixar: era muito estimado dos chefes.<br \/> Essa circunst\u00e2ncia era o fruto do arrependimento e das boas resolu\u00e7\u00f5es que tomou antes de voltar \u00e0 Terra, onde, tanto quanto fora cruel, desejara ser humano.<br \/> O devotamento que demonstrou era uma repara\u00e7\u00e3o, sendo-lhe por\u00e9m preciso resgatar as passadas faltas por uma expia\u00e7\u00e3o final \u2014 a da morte que teve.<br \/> Ele mesmo quis purificar-se pelo sofrimento das torturas que a outros infligira e reparai que uma id\u00e9ia o persegue: o pesar de ser tido como m\u00e1rtir.<br \/> Ser\u00e1 tomada em considera\u00e7\u00e3o essa humildade.<br \/> Enfim, ele deixou o caminho da expia\u00e7\u00e3o para entrar no da reabilita\u00e7\u00e3o, no qual por vossas preces podereis sustent\u00e1-lo, fazendo que o trilhe a passo mais firme e resoluto.<\/p>\n<p>Francisco Riquier<\/p>\n<p>Era um velho celibat\u00e1rio, avarento e muito popular, falecido em C.<br \/>.<br \/>.<br \/> em 1857, legando aos parentes colaterais consider\u00e1vel fortuna.<br \/> Em tempo fora locador de uma inquilina, que mais tarde o esquecera completamente, ignorando at\u00e9 se ainda, ou n\u00e3o, vivia.<br \/> Em 1862, seguida de espont\u00e2neo sono magn\u00e9tico e tamb\u00e9m boa m\u00e9dium escrevente, viu, num desses sonos, o Sr.<br \/> Riquier, o qual, assegurava, pretendia dirigir-se \u00e0 m\u00e3e dela.<\/p>\n<p>Passados alguns dias, uma vez que se manifestara espontaneamente confirmando aquele intuito, entretiveram com ele a seguinte conversa\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<p>P .<br \/> Que pretendeis de n\u00f3s?<\/p>\n<p>R.<br \/> O dinheiro do qual se apossaram, os miser\u00e1veis, a fim de o repartirem! Venderam fazendas, casas, tudo para se locupletarem! Desbarataram meus bens como se n\u00e3o mais me pertencessem.<br \/> Fazei com que haja justi\u00e7a, j\u00e1 que a mim n\u00e3o me ouvem, e n\u00e3o quero presenciar essas inf\u00e2mias.<br \/> Dizem que eu era usur\u00e1rio, e guardaram-me o dinheiro.<br \/> Por que n\u00e3o me querem restituir? Achar\u00e3o que foi mal ganho?<\/p>\n<p>P.<br \/> Mas v\u00f3s estais morto, meu caro senhor, e n\u00e3o tendes mais necessidade alguma de dinheiro.<br \/> Implorai a Deus para vos conceder uma nova exist\u00eancia de pobreza a fim de expiardes a usura desta \u00faltima.<\/p>\n<p>R.<br \/> N\u00e3o, eu n\u00e3o poderei viver na pobreza.<br \/> Preciso do meu dinheiro, sem o qual n\u00e3o posso viver.<br \/> Demais, n\u00e3o preciso de outra exist\u00eancia, porque vivo estou atualmente.<\/p>\n<p>P.<br \/> (Foi-lhe feita a seguinte pergunta no intuito de cham\u00e1-lo \u00e0 realidade) Sofreis?<\/p>\n<p>R.<br \/> Oh! sim.<br \/> Sofro piores torturas que as da mais cruel enfermidade, pois \u00e9 minha alma quem as padece.<br \/> Tendo sempre em mente a iniq\u00fcidade de uma vida que foi para muitos motivo de esc\u00e2ndalos, tenho a consci\u00eancia de ser um miser\u00e1vel indigno de piedade, mas o meu sofrimento \u00e9 t\u00e3o grande que mister se faz que me auxiliem a sair desta situa\u00e7\u00e3o deplor\u00e1vel.<\/p>\n<p>P.<br \/> Oraremos por v\u00f3s.<\/p>\n<p>R.<br \/> Obrigado! Orai para que eu esque\u00e7a os meus bens terrenos, sem o que n\u00e3o poderei arrepender-me.<\/p>\n<p>Adeus e obrigado.<\/p>\n<p>Francisco Riquier, Rue de la Charit\u00e9 n\u00ba 14.<\/p>\n<p>\u00c9 curioso ver-se este Esp\u00edrito indicar a moradia como se estivesse vivo.<\/p>\n<p>A senhora deu-se pressa em verific\u00e1-la e ficou muito surpreendida por ver que era justamente a \u00faltima casa que Riquier habitara.<br \/> Eis, como, ap\u00f3s cinco anos, ainda ele n\u00e3o se considerava morto, antes experimentava a ansiedade, bem cruel para um usur\u00e1rio, de ver os bens partilhados pelos herdeiros.<br \/> A evoca\u00e7\u00e3o, provocada indubitavelmente por qualquer Esp\u00edrito bom, teve por fim fazer-lhe compreender o seu estado e predispo-lo ao arrependimento.<\/p>\n<p>Clara<\/p>\n<p>(Sociedade de Paris, 1861)<\/p>\n<p>O Esp\u00edrito que forneceu as comunica\u00e7\u00f5es seguintes pertenceu a uma senhora que o m\u00e9dium conhecera quando na Terra.<\/p>\n<p>A sua conduta, como o seu car\u00e1ter, justificam plenamente os tormentos que lhe sobrevieram.<br \/> Al\u00e9m do mais, ela era dominada por um sentimento exagerado de orgulho e ego\u00edsmo pessoais, sentimento que se patenteia na terceira das mensagens, quando pretende que o m\u00e9dium apenas se ocupe com ela.<br \/> As comunica\u00e7\u00f5es foram obtidas em diferentes \u00e9pocas, sendo que as tr\u00eas \u00faltimas j\u00e1 denotam sens\u00edvel progresso nas disposi\u00e7\u00f5es do Esp\u00edrito, gra\u00e7as ao cuidado do m\u00e9dium, que lhe empreendera a educa\u00e7\u00e3o moral.<\/p>\n<p>1.<br \/> Eis-me aqui, eu, a desgra\u00e7ada Clara.<br \/> Que queres tu que te diga? A resigna\u00e7\u00e3o e a esperan\u00e7a n\u00e3o passam de palavras, para os que sabem que, inumer\u00e1veis como as pedras da saraivada, os sofrimentos lhe perdurar\u00e3o na sucess\u00e3o intermin\u00e1vel dos s\u00e9culos.<br \/> Posso suaviz\u00e1-los, dizes tu.<br \/>.<br \/>.<br \/> Que vagas palavras! Onde encontrar coragem e esperan\u00e7a para tanto? Procura, pois, intelig\u00eancia obtusa, compreender o que seja um dia eterno.<br \/> Um dia, um ano, um s\u00e9culo.<br \/>.<br \/>.<br \/> que sei eu? Se as horas o n\u00e3o dividem, as esta\u00e7\u00f5es variam; eterno e lento como a \u00e1gua que o rochedo roreja, esse dia execrando, maldito, pesa sobre mim, apenas sombras silenciosas e indiferentes.<br \/>.<br \/>.<br \/> Eu sofro!<\/p>\n<p>Contudo, sei que acima desta mis\u00e9ria reina o Deus Pai, para o qual tudo se encaminha.<br \/> Quero pensar n Ele, quero implorar-Lhe miseric\u00f3rdia.<br \/> Debato-me e vivo de rojo como o estropiado que rasteja ao longo do caminho.<br \/> N\u00e3o sei que poder me atrai para ti; talvez sejas a salva\u00e7\u00e3o.<br \/> Quando te deixo sou mais calma e reanimada, como anci\u00e3 enregelada que se aquecesse a um raio de sol.<br \/> G\u00e9lida, minha alma se reanima \u00e0 tua aproxima\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>2.<br \/> A minha desgra\u00e7a aumenta dia-a-dia, proporcionalmente ao conhecimento da eternidade.<br \/> Oh! Mis\u00e9ria! Malditas sejam as horas de ego\u00edsmo e in\u00e9rcia, nas quais, esquecida de toda a caridade, de todo o afeto, eu s\u00f3 pensava no meu bem-estar! Malditos interesses humanos, preocupa\u00e7\u00f5es materiais que me cegaram e perderam! Agora o remorso do tempo perdido.<br \/> Que te direi a ti, que me ouves? Olha, vela constantemente, ama os outros mais que a ti mesmo, n\u00e3o retardes a marcha nem engordes o corpo em detrimento da alma.<br \/> Vela, conforme pregava o Salvador aos seus disc\u00edpulos.<br \/> N\u00e3o me agrade\u00e7as estes conselhos, porque se o meu Esp\u00edrito os concebe, o cora\u00e7\u00e3o nunca os ouviu.<br \/> Como o c\u00e3o escorra\u00e7ado rastejando de medo, assim me humilho sem conhecer ainda o volunt\u00e1rio amor.<br \/> Muito tarda a sua divina aurora a despontar! Ora por minha alma dessecada e t\u00e3o miser\u00e1vel!<\/p>\n<p>3.<br \/> Porque me esqueces, at\u00e9 aqui venho procurar-te.<br \/> Acreditas que preces isoladas e a simples pron\u00fancia do meu nome bastar\u00e3o ao apaziguamento das minhas penas? N\u00e3o, cem vezes n\u00e3o.<br \/> Eu urro de dor, errante, sem repouso, sem asilo, que se me enterra na alma revoltada.<br \/> Quando ou\u00e7o os vossos lamentos, rio-me, assim como quando vos vejo abatido.<br \/> As vossas ef\u00eameras mis\u00e9rias, as l\u00e1grimas, tormentos que o sono susta, que s\u00e3o? Durmo eu aqui? Quero, (ouviste?) quero que, deixando as tuas lucubra\u00e7\u00f5es filos\u00f3ficas, te ocupes de mim, al\u00e9m de fazeres com que outros mais tamb\u00e9m se ocupem.<br \/> N\u00e3o tenho express\u00f5es para definir esse tempo que se escoa, sem que as horas lhe assinalem per\u00edodos.<br \/> Vejo apenas um t\u00eanue raio de esperan\u00e7a, foste tu que me deste: n\u00e3o me abandones pois.<\/p>\n<p>4.<br \/> O Esp\u00edrito de S.<br \/> Lu\u00eds \u2014 Este quadro \u00e9 de todo verdadeiro e em nada exagerado.<br \/> Perguntar-se-\u00e1 talvez o que fez essa mulher para ser assim t\u00e3o miser\u00e1vel? Cometeu ela algum crime horr\u00edvel? Roubou? Assassinou? N\u00e3o; ela nada fez que afrontasse a justi\u00e7a dos homens.<br \/> Ao contr\u00e1rio, divertia-se com o que chamais felicidade terrena; beleza, gozos, adula\u00e7\u00f5es, tudo lhe sorria, nada lhe faltava, a ponto de dizerem aqueles que a viam: \u2014 Que mulher feliz! E invejavam-lhe a sorte.<br \/> Mas quereis saber?<\/p>\n<p>Foi ego\u00edsta; possu\u00eda tudo, exceto um bom cora\u00e7\u00e3o.<br \/> N\u00e3o violou a lei dos homens, mas a de Deus, visto como esqueceu a primeira das virtudes \u2014 a caridade.<br \/> N\u00e3o tendo amado sen\u00e3o a si mesma, agora n\u00e3o encontra ningu\u00e9m que a ame e v\u00ea-la insulada, abandonada, ao desamparo no Espa\u00e7o, onde ningu\u00e9m pensa nela nem dela se ocupa.<\/p>\n<p>Eis o que constitui o seu tormento.<br \/> Tendo apenas procurado os gozos mundanos que hoje n\u00e3o mais existem, o v\u00e1cuo se lhe fez em volta e como v\u00ea apenas o nada, este lhe parece eterno.<br \/> Ela n\u00e3o sofre torturas f\u00edsicas; n\u00e3o v\u00eam atorment\u00e1-la os dem\u00f4nios, o que \u00e9 ali\u00e1s desnecess\u00e1rio, uma vez que se atormenta a si mesma, e isso lhe \u00e9 mais doloroso, porquanto, se tal acontecesse, os dem\u00f4nios seriam seres que se ocupariam dela.<br \/> O ego\u00edsmo foi a sua alegria na Terra; pois bem, \u00e9 ainda ele que a persegue \u2014 verme a corroer-lhe o cora\u00e7\u00e3o, seu verdadeiro dem\u00f4nio.<\/p>\n<p>S.<br \/> Lu\u00eds.<\/p>\n<p>5.<br \/> Falar-vos-ei da importante diferen\u00e7a existente entre a moral divina e a moral humana.<br \/> A primeira assiste a mulher ad\u00faltera no seu abandono e diz aos pecadores: arrependei-vos e franqueado ser\u00e1 o reino dos c\u00e9us.<\/p>\n<p>Finalmente, a moral divina aceita todo arrependimento, todas as faltas confessadas, ao passo que a moral humana rejeita todos e sorri aos pecados ocultos que, diz, s\u00e3o em parte perdoados.<br \/> Cabe a uma a gra\u00e7a do perd\u00e3o, e a outra a hipocrisia.<br \/> Escolhei, esp\u00edritos \u00e1vidos da verdade! Escolhei entre os c\u00e9us abertos ao arrependimento e \u00e0 toler\u00e2ncia que admite o mal, repelindo os solu\u00e7os do arrependimento francamente patenteado, s\u00f3 para n\u00e3o ferir o seu ego\u00edsmo e preconceitos.<br \/> Arrependei-vos todos v\u00f3s que pecais; renunciem ao mal e principalmente \u00e0 hipocrisia \u2014 v\u00e9u que \u00e9 de torpezas, m\u00e1scara risonha de rec\u00edprocas conveni\u00eancias.<\/p>\n<p>6.<br \/> Estou mais calma e resignada \u00e0 expia\u00e7\u00e3o das minhas faltas.<br \/> O mal n\u00e3o est\u00e1 fora de mim, reside em mim, devendo ser eu que me transforme e n\u00e3o as coisas exteriores.<\/p>\n<p>Em n\u00f3s e conosco trazemos o c\u00e9u e o inferno; as nossas faltas, gravadas na consci\u00eancia, s\u00e3o lidas correntemente no dia da ressurrei\u00e7\u00e3o.<br \/> E uma vez que o estado da alma nos abate ou eleva, somos n\u00f3s os ju\u00edzes de n\u00f3s mesmos.<\/p>\n<p>Explico-me; um Esp\u00edrito impuro e sobrecarregado de culpas n\u00e3o pode conceber nem anular uma eleva\u00e7\u00e3o que lhe seria insuport\u00e1vel.<br \/> Assim como as diferentes esp\u00e9cies de seres vivem, cada um, na esfera que lhes \u00e9 pr\u00f3pria, assim os Esp\u00edritos, segundo o grau de adiantamento, movem-se no meio adequado \u00e0s suas faculdades e n\u00e3o concebem outro sen\u00e3o quando o progresso (instrumento da lenta transforma\u00e7\u00e3o das almas) lhes subtrai as baixas tend\u00eancias, despojando-os da cris\u00e1lida do pecado, a fim de que possam adejar antes de se lan\u00e7arem, r\u00e1pidos como flechas, para o fim \u00fanico e almejado \u2014 Deus! Ah! Rastejo ainda, mas n\u00e3o odeio mais e concebo a indiz\u00edvel felicidade do amor divino.<br \/> Orai, pois, sempre por mim, que espero e aguardo.<\/p>\n<p>Na comunica\u00e7\u00e3o a seguir, Clara fala do marido, que muito a martirizara, e da posi\u00e7\u00e3o em que ela se encontra no mundo espiritual.<br \/> Esse quadro, que ela por si n\u00e3o pode completar, foi conclu\u00eddo pelo Guia espiritual do m\u00e9dium.<\/p>\n<p>7.<br \/> Venho procurar-te, a ti, que por tanto tempo me deixas no esquecimento.<br \/> Tenho, por\u00e9m, adquirido paci\u00eancia e n\u00e3o mais me desespero.<br \/> Queres saber qual a situa\u00e7\u00e3o do pobre F\u00e9lix? Erra nas trevas entregue \u00e0 profunda nudez de sua alma.<br \/> Superficial e leviano, aviltado pelo sensualismo, nunca soube o que eram o amor e a amizade.<br \/> Nem mesmo a paix\u00e3o esclareceu suas sombrias luzes.<br \/> Seu estado presente \u00e9 compar\u00e1vel ao da crian\u00e7a inapta para as fun\u00e7\u00f5es da vida e privada de todo o amparo.<br \/> F\u00e9lix vaga aterrorizado nesse mundo estranho onde tudo fulgura ao brilho desse Deus por ele negado.<\/p>\n<p>8.<br \/> O Guia do m\u00e9dium \u2014 Vou falar por Clara, uma vez que ela n\u00e3o pode continuar a an\u00e1lise dos sofrimentos do marido, sem compartilh\u00e1-los:<\/p>\n<p> F\u00e9lix \u2014 superficial nas id\u00e9ias como nos sentimentos; violento por fraqueza; devasso por frivolidade \u2014 entrou no mundo espiritual t\u00e3o nu relativamente \u00e0 moral como quanto ao f\u00edsico.<br \/> Em reencarnar nada adquiriu e, conseq\u00fcentemente, tem de recome\u00e7ar toda a obra.<\/p>\n<p>Qual homem ao despertar de prolongado sonho, reconhecendo a profunda agita\u00e7\u00e3o dos seus nervos, esse pobre ser, saindo da perturba\u00e7\u00e3o, reconhecer\u00e1 que viveu de quimeras, que lhe desvirtuaram a exist\u00eancia.<br \/> Ent\u00e3o, maldir\u00e1 do materialismo que lhe dera o v\u00e1cuo pela realidade; apostrofar\u00e1 o positivismo que lhe fizera ter por desvarios as id\u00e9ias sobre a vida futura, como por loucura a sua aspira\u00e7\u00e3o, como por fraqueza a cren\u00e7a em Deus.<br \/> O desgra\u00e7ado, ao despertar, ver\u00e1 que esses nomes por ele escarnecidos s\u00e3o a f\u00f3rmula da verdade, e que, ao contr\u00e1rio da f\u00e1bula, a ca\u00e7a da presa foi menos proveitosa que a da sombra.<\/p>\n<p>Georges.<\/p>\n<p>Estudo Sobre as comunica\u00e7\u00f5es de Clara<\/p>\n<p>Estas comunica\u00e7\u00f5es s\u00e3o instrutivas por nos mostrarem principalmente uma das fei\u00e7\u00f5es mais comuns da vida \u2014 a do ego\u00edsmo.<br \/> Delas n\u00e3o resultam esses grandes crimes que atordoam mesmo os mais perversos, mas a condi\u00e7\u00e3o de uma turba enorme que vive neste mundo, honrada e venerada, somente por ter um certo verniz e isentar-se do opr\u00f3brio da repress\u00e3o das leis sociais.<\/p>\n<p>Essa gente n\u00e3o vai encontrar castigos excepcionais no mundo espiritual, mas uma situa\u00e7\u00e3o simples, natural e consent\u00e2nea com o estado de sua alma e maneira de viver.<br \/> O insulamento, o abandono, o desamparo, eis a puni\u00e7\u00e3o daquele que s\u00f3 viveu para si.<br \/> Clara era, como vimos, um Esp\u00edrito assaz inteligente, mas de \u00e1rido cora\u00e7\u00e3o.<br \/> A posi\u00e7\u00e3o social, a fortuna, os dotes f\u00edsicos que na Terra possu\u00eda, lhe atra\u00edram homenagens gratas \u00e0 sua vaidade, o que lhe bastava; hoje onde se encontra, s\u00f3 v\u00ea indiferen\u00e7a e vacuidade em torno de si.<\/p>\n<p>Essa puni\u00e7\u00e3o \u00e9 n\u00e3o somente mais mortificante do que a dor que inspira piedade e compaix\u00e3o: mas \u00e9 tamb\u00e9m um meio de obrig\u00e1-la a despertar o interesse de outrem a seu respeito, pela sua morte.<\/p>\n<p>A sexta mensagem encerra uma id\u00e9ia perfeitamente verdadeira relativa \u00e0 obstina\u00e7\u00e3o de certos Esp\u00edritos na pr\u00e1tica do mal.<\/p>\n<p>Admiramo-nos de ver como alguns deles s\u00e3o insens\u00edveis \u00e0 id\u00e9ia e mesmo ao espet\u00e1culo da felicidade dos bons Esp\u00edritos.<br \/> \u00c9 exatamente a situa\u00e7\u00e3o dos homens degradados que se deleitam na deprava\u00e7\u00e3o como nas pr\u00e1ticas grosseiramente sensuais.<br \/> Esses homens est\u00e3o, por assim dizer, no seu elemento; n\u00e3o concebem os prazeres delicados, preferindo farrapos andrajosos a vestes limpas e brilhantes, por se acharem naqueles mais \u00e0 vontade.<br \/> Da\u00ed a preteri\u00e7\u00e3o de boas companhias por orgias b\u00e1quicas e deprava\u00e7\u00f5es.<br \/> E de tal modo esses Esp\u00edritos se identificam com esse modo de vida, que ela chega a constituir-lhes uma segunda natureza, acreditando-se incapazes mesmo de se elevarem acima da sua esfera.<br \/> E assim se conservam at\u00e9 que radical transforma\u00e7\u00e3o do ser lhes reavive a intelig\u00eancia, lhes devolva o senso moral e os torne acess\u00edveis \u00e0s mais sutis sensa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Esses esp\u00edritos, quando desencarnados, n\u00e3o podem prontamente adquirir a delicadeza dos sentimentos e, durante um tempo mais ou menos longo, ocupar\u00e3o as camadas inferiores do mundo espiritual, tal como acontece na Terra; assim permanecer\u00e3o enquanto rebeldes ao progresso, mas, com o tempo, a experi\u00eancia, as tribula\u00e7\u00f5es e mis\u00e9rias das sucessivas encarna\u00e7\u00f5es, chegar\u00e1 o momento de conceberem algo de melhor do que at\u00e9 ent\u00e3o possu\u00edam.<br \/> Elevam-se-lhes por fim as aspira\u00e7\u00f5es, come\u00e7am a compreender o que lhes falta e principiam os esfor\u00e7os da regenera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Uma vez nesse caminho, a marcha \u00e9 r\u00e1pida, visto como compreenderam um bem superior, comparado ao qual os outros, que n\u00e3o passam de grosseiras sensa\u00e7\u00f5es, acabam por inspirar-lhes repugn\u00e2ncia.<\/p>\n<p>P.<br \/> (a S.<br \/> Lu\u00eds) Que devemos entender por trevas em que se acham mergulhadas certas almas sofredoras? Ser\u00e3o as referidas tantas vezes na Escritura?<\/p>\n<p>R.<br \/> Sim, efetivamente, as designadas por Jesus e pelos profetas em refer\u00eancia ao castigo dos maus.<\/p>\n<p>Mas isso n\u00e3o passava de alegoria destinada a ferir os sentidos materializados dos seus contempor\u00e2neos, os quais jamais poderiam compreender a puni\u00e7\u00e3o de maneira espiritual.<br \/> Determinados Esp\u00edritos est\u00e3o imersos em trevas, mas deve-se depreender da\u00ed uma verdadeira noite da alma compar\u00e1vel \u00e0 obscuridade intelectual do idiota.<br \/> N\u00e3o \u00e9 uma loucura da alma, por\u00e9m uma inconsci\u00eancia daquele e do que o rodeia, a qual se produz quer na presen\u00e7a, quer na aus\u00eancia da luz material.<\/p>\n<p>\u00c9 principalmente, a puni\u00e7\u00e3o dos que duvidaram do seu destino.<br \/> Pois que acreditaram em o nada, as apar\u00eancias desse nada os supliciam, at\u00e9 que a alma, caindo em si, quebra as malhas de enervamento que a prostava e envolvia, tal qual o homem oprimido por penoso sonhar luta em dado momento, com todo o vigor das suas faculdades, contra os terrores que do come\u00e7o o dominaram.<br \/> Esta moment\u00e2nea redu\u00e7\u00e3o da alma a um nada fict\u00edcio e consciente de sua exist\u00eancia \u00e9 sentimento mais cruel do que se pode imaginar, em raz\u00e3o da apar\u00eancia de repouso que a acomete: \u00e9 esse repouso for\u00e7ado, essa nulidade de ser, essa incerteza que lhe fazem o supl\u00edcio.<br \/> O aborrecimento que a invade \u00e9 o mais terr\u00edvel dos castigos, uma vez que coisa alguma percebe em torno \u2014 nem coisas, nem seres.<br \/> Isso tudo \u00e9 para ela verdadeira treva.<\/p>\n<p>S.<br \/> Lu\u00eds.<\/p>\n<p>(Clara) \u2014 Eis-me aqui.<br \/> Tamb\u00e9m eu posso responder \u00e0 pergunta relativa \u00e0s trevas, pois vaguei e sofri, por muito tempo nesses limbos onde tudo \u00e9 solu\u00e7o e mis\u00e9rias.<\/p>\n<p>Sim, existem as trevas vis\u00edveis de que fala a Escritura, e os desgra\u00e7ados que deixam a vida, ignorantes ou culpados, depois das prova\u00e7\u00f5es terrenas s\u00e3o impelidos a fria regi\u00e3o, inconscientes de si mesmos e do seu destino.<br \/> Acreditando na perenidade dessa situa\u00e7\u00e3o, a sua linguagem \u00e9 ainda a da vida que os seduziu, e admiram-se e espantam-se da profunda solid\u00e3o, trevas s\u00e3o pois, esses lugares povoados e ao mesmo tempo desertos, espa\u00e7os em que erram obscuros Esp\u00edritos lastimosos, sem consolo, sem afei\u00e7\u00f5es, sem socorro de esp\u00e9cie alguma.<\/p>\n<p>A quem se dirigirem.<br \/>.<br \/>.<br \/> se sentem a eternidade, esmagadora, sobre eles?.<br \/>.<br \/>.<br \/> Tremem e lamentam os interesses mesquinhos que lhes mediam as horas; deploram a aus\u00eancia das noites que, muitas vezes, lhe traziam, num sonho feliz, o esquecimento dos pesares.<br \/> As trevas para o Esp\u00edrito s\u00e3o: a ignor\u00e2ncia, o v\u00e1cuo, o horror ao desconhecido.<br \/>.<br \/>.<br \/> N\u00e3o posso continuar.<br \/>.<br \/>.<\/p>\n<p>Clara.<\/p>\n<p>Ainda sobre este ponto obtivemos a seguinte explica\u00e7\u00e3o:  Por sua natureza, possui o perisp\u00edrito uma propriedade luminosa que se desenvolve sob o influxo da atividade e das qualidades da alma.<br \/> Poder-se-ia dizer que essas qualidades est\u00e3o para o fluido perispiritual como o friccionamento para o f\u00f3sforo.<br \/> A intensidade da luz est\u00e1 na raz\u00e3o da pureza do Esp\u00edrito: as menores imperfei\u00e7\u00f5es morais atenuam-na e enfraquecem-na.<br \/> A luz irradiada por um Esp\u00edrito ser\u00e1 tanto mais viva, quanto maior o seu adiantamento.<br \/> Assim sendo o Esp\u00edrito, de alguma sorte, o seu pr\u00f3prio farol, ver\u00e1 proporcionalmente a luz que produz, do que resulta que os Esp\u00edritos que n\u00e3o a produzem se acham na obscuridade.<\/p>\n<p>Esta teoria \u00e9 perfeitamente exata quanto \u00e0 irradia\u00e7\u00e3o de fluidos luminosos pelos Esp\u00edritos superiores e \u00e9 confirmada pela observa\u00e7\u00e3o, conquanto se n\u00e3o possa inferir seja aquela a verdadeira causa, ou pelo menos, a \u00fanica causa do fen\u00f4meno; primeiro, porque nem todos os Esp\u00edritos inferiores est\u00e3o em trevas; segundo, porque um mesmo Esp\u00edrito pode achar-se alternadamente na luz e na obscuridade; e terceiro, finalmente, porque a luz tamb\u00e9m \u00e9 castigo para os Esp\u00edritos muito imperfeitos.<br \/> Se a obscuridade em que jazem certos Esp\u00edritos fosse inerente \u00e0 sua personalidade, essa obscuridade seria permanente e geral para todos os maus Esp\u00edritos, o que ali\u00e1s n\u00e3o acontece.<br \/> \u00c0s vezes os perversos mais requintados v\u00eaem perfeitamente, ao passo que outros, que assim n\u00e3o podem ser qualificados, jazem, temporariamente, em trevas profundas.<\/p>\n<p>Assim, tudo indica que, independente da luz que lhes \u00e9 pr\u00f3pria, os Esp\u00edritos recebem uma luz exterior que lhes falta segundo as circunst\u00e2ncias, donde for\u00e7oso \u00e9 concluir que a obscuridade depende de uma causa ou de uma vontade estranha, constituindo puni\u00e7\u00e3o especial da soberana justi\u00e7a, para casos determinados.<\/p>\n<p>P.<br \/> (A S.<br \/> Lu\u00eds).<br \/> \u2014 Qual a causa da maior facilidade da educa\u00e7\u00e3o moral dos desencarnados, do que dos encarnados? As rela\u00e7\u00f5es pelo Espiritismo estabelecidos entre homens e Esp\u00edritos, d\u00e3o caso a que estes \u00faltimos se corrijam mais rapidamente sob a influ\u00eancia dos conselhos salutares, mais do que acontece em rela\u00e7\u00e3o aos encarnados, como se v\u00ea na cura das obsess\u00f5es?<\/p>\n<p>R.<br \/> (Sociedade de Paris).<br \/> \u2014 O encarnado, em virtude da pr\u00f3pria natureza, est\u00e1 numa luta incessante devido aos elementos contr\u00e1rios de que se comp\u00f5e e os quais devem conduzi-lo ao seu fim providencial, reagindo reciprocamente.<\/p>\n<p>A mat\u00e9ria facilmente sofre o predom\u00ednio de um fluido exterior; se a alma, com todo o poder moral de que \u00e9 capaz, n\u00e3o reagir, deixar-se-\u00e1 dominar pelo intermedi\u00e1rio do seu corpo, seguindo o impulso das influ\u00eancias perversas que o rodeiam, e isso com facilidade tanto maior quanto os invis\u00edveis, que a subjugavam, atacam de prefer\u00eancia os pontos mais vulner\u00e1veis, as tend\u00eancias para a paix\u00e3o dominante.<\/p>\n<p>Outro tanto se n\u00e3o d\u00e1 com o desencarnado que, posto sob a influ\u00eancia, semi-material, n\u00e3o se compara por seu estado ao encarnado.<br \/> O respeito humano, t\u00e3o preponderante no homem, n\u00e3o existe para aquele, e s\u00f3 este pensamento \u00e9 bastante para compeli-lo a n\u00e3o resistir longamente \u00e0s raz\u00f5es que o pr\u00f3prio interesse lhe aponta como boas.<\/p>\n<p>Ele pode lutar, e o faz mesmo geralmente com mais viol\u00eancia do que o encarnado, visto ser mais livre.<br \/> Nenhuma cogita\u00e7\u00e3o de interesse material, de posi\u00e7\u00e3o social se lhe antep\u00f5e ao racioc\u00ednio.<br \/> Luta por amor do mal, por\u00e9m cedo adquire a convic\u00e7\u00e3o da sua impot\u00eancia, em face da superioridade moral que o domina; a perspectiva de melhor futuro lhe \u00e9 mais acess\u00edvel por se reconhecer na mesma vida em que se deve completar esse futuro; e essa vis\u00e3o n\u00e3o se turva no turbilh\u00e3o dos prazeres humanos.<br \/> Em uma palavra, a independ\u00eancia da carne \u00e9 que facilita a convers\u00e3o, principalmente quando se tem adquirido um tal ou qual desenvolvimento pelas prova\u00e7\u00f5es cumpridas.<\/p>\n<p>Um Esp\u00edrito inteiramente primitivo seria pouco acess\u00edvel ao racioc\u00ednio, o que ali\u00e1s n\u00e3o se d\u00e1 com o que j\u00e1 tem experi\u00eancia da vida.<br \/> Demais, no encarnado como no desencarnado, \u00e9 sobre a alma, \u00e9 sobre o sentimento que se faz necess\u00e1rio atuar.<\/p>\n<p>Toda a\u00e7\u00e3o material pode sustar momentaneamente os sofrimentos do homem vicioso, mas o que ela n\u00e3o pode \u00e9 destruir o princ\u00edpio m\u00f3rbido residente na alma.<\/p>\n<p>Todo e qualquer ato, que n\u00e3o visa aperfei\u00e7oar a alma, n\u00e3o poder\u00e1 desvi\u00e1-la do mal.<\/p>\n<p>S.<br \/> Lu\u00eds<\/p>\n<div class=\"pvc_clear\"><\/div>\n<p id=\"pvc_stats_15468\" class=\"pvc_stats all  \" data-element-id=\"15468\" style=\"\"><i class=\"pvc-stats-icon medium\" aria-hidden=\"true\"><svg aria-hidden=\"true\" focusable=\"false\" data-prefix=\"far\" data-icon=\"chart-bar\" role=\"img\" xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\" viewBox=\"0 0 512 512\" class=\"svg-inline--fa fa-chart-bar fa-w-16 fa-2x\"><path fill=\"currentColor\" d=\"M396.8 352h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8V108.8c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v230.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8zm-192 0h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8V140.8c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v198.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8zm96 0h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8V204.8c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v134.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8zM496 400H48V80c0-8.84-7.16-16-16-16H16C7.16 64 0 71.16 0 80v336c0 17.67 14.33 32 32 32h464c8.84 0 16-7.16 16-16v-16c0-8.84-7.16-16-16-16zm-387.2-48h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8v-70.4c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v70.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8z\" class=\"\"><\/path><\/svg><\/i> <img decoding=\"async\" width=\"16\" height=\"16\" alt=\"Loading\" data-src=\"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/wp-content\/plugins\/page-views-count\/ajax-loader-2x.gif\" border=0 src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" class=\"lazyload\" style=\"--smush-placeholder-width: 16px; --smush-placeholder-aspect-ratio: 16\/16;\" \/><\/p>\n<div class=\"pvc_clear\"><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Castigo Exposi\u00e7\u00e3o geral do estado dos culpados por ocasi\u00e3o da entrada no mundo dos Esp\u00edritos, ditada \u00e0 Sociedade Esp\u00edrita de Paris, em outubro de 1860. Depois da morte, os Esp\u00edritos endurecidos, ego\u00edstas e maus s\u00e3o logo tomados de uma d\u00favida cruel a respeito do seu destino, no presente e no futuro. Olham em torno&hellip; <br \/> <a class=\"read-more\" href=\"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/artigo15468\/\">Leia mais<\/a><\/p>\n<div class=\"pvc_clear\"><\/div>\n<p id=\"pvc_stats_15468\" class=\"pvc_stats all  \" data-element-id=\"15468\" style=\"\"><i class=\"pvc-stats-icon medium\" aria-hidden=\"true\"><svg aria-hidden=\"true\" focusable=\"false\" data-prefix=\"far\" data-icon=\"chart-bar\" role=\"img\" xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\" viewBox=\"0 0 512 512\" class=\"svg-inline--fa fa-chart-bar fa-w-16 fa-2x\"><path fill=\"currentColor\" d=\"M396.8 352h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8V108.8c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v230.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8zm-192 0h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8V140.8c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v198.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8zm96 0h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8V204.8c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v134.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8zM496 400H48V80c0-8.84-7.16-16-16-16H16C7.16 64 0 71.16 0 80v336c0 17.67 14.33 32 32 32h464c8.84 0 16-7.16 16-16v-16c0-8.84-7.16-16-16-16zm-387.2-48h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8v-70.4c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v70.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8z\" class=\"\"><\/path><\/svg><\/i> <img decoding=\"async\" width=\"16\" height=\"16\" alt=\"Loading\" data-src=\"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/wp-content\/plugins\/page-views-count\/ajax-loader-2x.gif\" border=0 src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" class=\"lazyload\" style=\"--smush-placeholder-width: 16px; --smush-placeholder-aspect-ratio: 16\/16;\" \/><\/p>\n<div class=\"pvc_clear\"><\/div>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[16],"tags":[],"class_list":["post-15468","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-mensagens-diversas"],"a3_pvc":{"activated":true,"total_views":3334,"today_views":0},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15468","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=15468"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15468\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=15468"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=15468"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=15468"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}