{"id":15485,"date":"2018-11-10T21:12:00","date_gmt":"2018-11-10T21:12:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/artigo15485\/"},"modified":"2018-11-10T21:04:20","modified_gmt":"2018-11-10T23:04:20","slug":"artigo15485","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/artigo15485\/","title":{"rendered":"Livro C\u00e9u e o Inferno &#8211;  Segunda Parte -Cap\u00edtulo V  Suicidas &#8211; Allan Kardec"},"content":{"rendered":"<p>O Suicida da Samaritana<\/p>\n<p>A 7 de abril de 1858, pelas 7 horas da noite, um homem de cerca de 50 anos e decentemente trajado apresentou-se no estabelecimento da Samaritana, de Paris, e mandou que lhe preparassem um banho.<br \/> Decorridas perto de 2 horas, o criado de servi\u00e7o, admirado pelo sil\u00eancio do fregu\u00eas, resolveu entrar no seu c\u00f4modo, a fim de verificar o que ocorria.<\/p>\n<p>Deparou ent\u00e3o com um quadro horroroso: o infeliz degolara-se com uma navalha e todo o seu sangue misturava-se \u00e0 \u00e1gua da banheira.<br \/> E como a identidade do suicida n\u00e3o p\u00f4de ser averiguada, foi o cad\u00e1ver removido para o necrot\u00e9rio.<\/p>\n<p>1.<br \/> Evoca\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>(Resposta do Guia do m\u00e9dium) \u2014 Esperai, ele a\u00ed est\u00e1.<\/p>\n<p>2.<br \/> Onde vos achais hoje?<\/p>\n<p>R.<br \/> N\u00e3o sei.<br \/>.<br \/>.<br \/> dizei-me.<\/p>\n<p>3.<br \/> Estais numa reuni\u00e3o de pessoas que estudam o Espiritismo e que s\u00e3o ben\u00e9volas para convosco.<\/p>\n<p>R.<br \/> Dizei-me se vivo, pois este ambiente me sufoca.<\/p>\n<p>Sua alma, posto que separada do corpo, est\u00e1 ainda completamente imersa no que poderia chamar-se o turbilh\u00e3o da mat\u00e9ria corporal; vivazes lhe s\u00e3o as id\u00e9ias terrenas, a ponto de se acreditar encarnado.<\/p>\n<p>4.<br \/> Quem vos impeliu a vir aqui?<\/p>\n<p>R.<br \/> Sinto-me aliviado.<\/p>\n<p>5.<br \/> Qual motivo que vos arrastou ao suic\u00eddio?<\/p>\n<p>R.<br \/> Morto? Eu? N\u00e3o.<br \/>.<br \/>.<br \/> que habito o meu corpo.<br \/>.<br \/>.<br \/> N\u00e3o sabeis como sofro!.<br \/>.<br \/>.<br \/> Sufoco-me.<br \/>.<br \/>.<br \/> Oxal\u00e1 que m\u00e3o compassiva me aniquilasse de vez!<\/p>\n<p>6.<br \/> Por que n\u00e3o deixaste ind\u00edcios que pudessem tornar-vos reconhec\u00edvel?<\/p>\n<p>R.<br \/> Estou abandonado; fugi ao sofrimento para entregar-me \u00e0 tortura.<\/p>\n<p>7.<br \/> Tendes ainda os mesmos motivos para ficar inc\u00f3gnito?<\/p>\n<p>R.<br \/> Sim; n\u00e3o revolvais com ferro candente a ferida que sangra.<\/p>\n<p>8.<br \/> Podereis dar-nos o vosso nome, idade, profiss\u00e3o e domic\u00edlio?<\/p>\n<p>R.<br \/> N\u00e3o, de forma alguma.<\/p>\n<p>9.<br \/> Tinheis fam\u00edlia, mulher, filhos?<\/p>\n<p>R.<br \/> Era um desprezado, ningu\u00e9m me amava.<\/p>\n<p>10.<br \/> Que fizestes para ser assim repudiado?<\/p>\n<p>R.<br \/> Quantos o s\u00e3o como eu!.<br \/>.<br \/>.<br \/> Um homem quando ningu\u00e9m o preza, pode viver abandonado no seio da fam\u00edlia.<\/p>\n<p>11.<br \/> No momento de vos suicidardes n\u00e3o experimentastes qualquer hesita\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>R.<br \/> Ansiava pela morte.<br \/>.<br \/>.<br \/> Esperava repousar.<\/p>\n<p>12.<br \/> Como \u00e9 que a id\u00e9ia do futuro n\u00e3o vos fez renunciar a um projeto?<\/p>\n<p>R.<br \/> N\u00e3o acreditava nele, em absoluto.<br \/> Era um desiludido.<br \/> O futuro \u00e9 a esperan\u00e7a.<\/p>\n<p>13.<br \/> Que reflex\u00f5es vos ocorreram ao sentirdes a extin\u00e7\u00e3o da vida?<\/p>\n<p>R.<br \/> N\u00e3o refleti, senti.<br \/>.<br \/>.<br \/> Mas a vida n\u00e3o se extinguiu.<br \/>.<br \/>.<br \/> minha alma est\u00e1 ligada ao corpo.<br \/>.<br \/>.<br \/> Sinto os vermes a corroer-me.<\/p>\n<p>14.<br \/> Que sensa\u00e7\u00e3o experimentastes no momento decisivo da morte?<\/p>\n<p>R.<br \/> Pois ela se completou?<\/p>\n<p>15.<br \/> Foi doloroso o momento em que a vida se vos apagou?<\/p>\n<p>R.<br \/> Menos doloroso que depois, s\u00f3 o corpo sofreu.<\/p>\n<p>16.<br \/> (Ao Esp\u00edrito de S.<br \/> Lu\u00eds) \u2014 Que quer dizer o Esp\u00edrito afirmando que o momento da morte foi menos doloroso que depois?<\/p>\n<p>R.<br \/> O Esp\u00edrito descarregou o fardo que o oprimia, ressentia-se da voluptuosidade da dor.<\/p>\n<p>17.<br \/> Esse estado sobrev\u00e9m sempre ao suic\u00eddio?<\/p>\n<p>R.<br \/> Sim.<br \/> O Esp\u00edrito do suicida fica ligado ao corpo at\u00e9 o termo da vida.<br \/> A morte natural \u00e9 o livramento da vida; o suicida a intercepta completamente.<\/p>\n<p>18.<br \/> Dar-se-\u00e1 o mesmo nas mortes acidentais, embora involunt\u00e1rias, mas que abreviam a exist\u00eancia?<\/p>\n<p>R.<br \/> N\u00e3o.<br \/> Que entendeis por suic\u00eddio? O Esp\u00edrito s\u00f3 responde pelos seus atos.<\/p>\n<p>Esta d\u00favida da morte \u00e9 muito comum nas pessoas recentemente desencarnadas e sobretudo naquelas que, durante a vida, n\u00e3o elevam a alma acima da mat\u00e9ria.<br \/> \u00c9 um fen\u00f4meno que parece singular \u00e0 primeira vista, mas que se explica naturalmente.<\/p>\n<p>Se a um indiv\u00edduo, pela primeira vez posto em estado sonamb\u00falico, perguntarmos se dorme, ele responder\u00e1 quase sempre que n\u00e3o e essa resposta \u00e9 l\u00f3gica: o interlocutor parece que faz mal a pergunta, servindo-se de um termo impr\u00f3prio.<br \/> Na linguagem comum, a id\u00e9ia do sono prendeu-se \u00e0 suspens\u00e3o de todas as faculdades sensitivas; ora, o son\u00e2mbulo que pensa, que v\u00ea e sente, que tem consci\u00eancia da sua liberdade, n\u00e3o se cr\u00ea adormecido e de fato n\u00e3o dorme, na acep\u00e7\u00e3o vulgar do voc\u00e1bulo.<br \/> Eis a raz\u00e3o porque responde n\u00e3o, at\u00e9 que se familiariza com essa maneira de apreender o fato.<\/p>\n<p>O mesmo acontece com o homem que acaba de desencarnar; para ele a morte era o aniquilamento do ser e, tal como o son\u00e2mbulo, ele v\u00ea, sente e fala, e assim n\u00e3o se considera morto e isto afirma at\u00e9 que adquira a intui\u00e7\u00e3o de seu novo estado.<br \/> Essa ilus\u00e3o \u00e9 sempre mais ou menos dolorosa, uma vez que nunca \u00e9 completa e d\u00e1 ao Esp\u00edrito uma tal ou qual ansiedade.<br \/> No exemplo em apre\u00e7o ela constitui verdadeiro supl\u00edcio pela sensa\u00e7\u00e3o dos vermes que corroem o corpo, sem falarmos da sua dura\u00e7\u00e3o, que dever\u00e1 equivaler ao tempo de vida abreviada.<br \/> Esse estado \u00e9 comum nos suicidas, ainda que nem sempre se apresente em id\u00eanticas condi\u00e7\u00f5es, variando de dura\u00e7\u00e3o e intensidade, conforme as circunst\u00e2ncias atenuantes ou agravantes da falta.<\/p>\n<p>A sensa\u00e7\u00e3o dos vermes e da decomposi\u00e7\u00e3o do corpo n\u00e3o \u00e9 tampouco privativa dos suicidas: sobrev\u00e9m igualmente aos que viveram mais da mat\u00e9ria que do esp\u00edrito.<br \/> Em tese, n\u00e3o h\u00e1 falta isenta de penalidade, mas tamb\u00e9m n\u00e3o h\u00e1 regra absoluta e uniforme nos meios de puni\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O Pai e o Conscrito<\/p>\n<p>No come\u00e7o da guerra da It\u00e1lia, em 1859, um negociante de Paris, pai de fam\u00edlia, gozando de estima geral por parte dos seus vizinhos, tinha um filho que fora sorteado para o servi\u00e7o militar.<br \/> Impossibilitado de o eximir desse servi\u00e7o, ocorreu-lhe a id\u00e9ia de suicidar-se a fim de o isentar dele, como filho \u00fanico de mulher vi\u00fava.<br \/> Um ano mais tarde foi evocado na Sociedade de Paris a pedido de pessoa que o conhecera, desejosa de certificar-se do seu destino no mundo espiritual.<\/p>\n<p>(A S.<br \/> Lu\u00eds).<br \/> \u2014 Podereis dizer-nos se \u00e9 poss\u00edvel evocar o Esp\u00edrito a que vimos de nos referir?<\/p>\n<p>R.<br \/> Sim, e ele ganhar\u00e1 com isso, porque ficar\u00e1 mais aliviado.<\/p>\n<p>1.<br \/> Evoca\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u2014 R.<br \/> Oh! obrigado! Sofro muito, mas.<br \/>.<br \/>.<br \/> \u00e9 justo.<br \/> Contudo, ele me perdoar\u00e1.<\/p>\n<p>O Esp\u00edrito escreve com grande dificuldade; os caracteres s\u00e3o irregulares e mal formados; depois da palavra mas, ele p\u00e1ra, e, procurando em v\u00e3o escrever, apenas consegue fazer alguns tra\u00e7os indecifr\u00e1veis e pontos.<br \/> \u00c9 evidente que foi a palavra Deus que ele n\u00e3o conseguiu escrever.<\/p>\n<p>2.<br \/> Tende a bondade de preencher a lacuna com a palavra que deixastes de escrever.<\/p>\n<p>R.<br \/> Sou indigno de escrev\u00ea-la.<\/p>\n<p>3.<br \/> Dissestes que sofreis; compreendeis que fizestes muito mal em vos suicidar; mas o motivo que vos acarretou esse ato n\u00e3o provocou qualquer indulg\u00eancia?<\/p>\n<p>R.<br \/> A puni\u00e7\u00e3o ser\u00e1 menos longa, mas nem por isso a a\u00e7\u00e3o deixa de ser m\u00e1.<\/p>\n<p>4.<br \/> Podereis descrever-nos essa puni\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>R.<br \/> Sofro duplamente, na alma e no corpo; e sofro neste \u00faltimo, conquanto o n\u00e3o possua, como sofre o operado de um membro amputado.<\/p>\n<p>5.<br \/> A realiza\u00e7\u00e3o do vosso suic\u00eddio teve por causa unicamente a isen\u00e7\u00e3o do vosso filho ou concorreram para ele outras raz\u00f5es?<\/p>\n<p>R.<br \/> Fui completamente inspirado pelo amor paterno, por\u00e9m, mal inspirado.<br \/> Em aten\u00e7\u00e3o a isso, a minha pena ser\u00e1 abreviada.<\/p>\n<p>6.<br \/> Podeis precisar a dura\u00e7\u00e3o dos vossos padecimentos?<\/p>\n<p>R.<br \/> N\u00e3o lhes entrevejo o fim, mas tenho certeza de que ele existe, o que \u00e9 um al\u00edvio para mim.<\/p>\n<p>7.<br \/> H\u00e1 pouco n\u00e3o vos foi poss\u00edvel escrever a palavra Deus, e no entanto temos visto Esp\u00edritos, muito sofredores faz\u00ea-lo; ser\u00e1 isso uma conseq\u00fc\u00eancia da vossa puni\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>R.<br \/> Poderei faz\u00ea-lo com grandes esfor\u00e7os de arrependimento.<\/p>\n<p>8.<br \/> Pois ent\u00e3o fazei esses esfor\u00e7os para escrev\u00ea-lo, porque estamos certos de que sereis aliviado.<br \/> (O Esp\u00edrito acabou por tra\u00e7ar esta frase com caracteres grossos, irregulares e tr\u00eamulos: \u2014 Deus \u00e9 muito bom).<\/p>\n<p>9.<br \/> Estamos satisfeitos pela boa vontade com que correspondentes \u00e0 nossa evoca\u00e7\u00e3o e vamos exorar a Deus para que estenda sobre v\u00f3s a sua miseric\u00f3rdia.<\/p>\n<p>R.<br \/> Sim, obrigado.<\/p>\n<p>10.<br \/> (A.<br \/> S.<br \/> Lu\u00eds).<br \/> Podereis ministrar-nos a vossa aprecia\u00e7\u00e3o sobre esse suic\u00eddio?<\/p>\n<p>R.<br \/> Este Esp\u00edrito sofre justamente, pois lhe faltou a confian\u00e7a em Deus, falta que \u00e9 sempre pun\u00edvel.<br \/> A puni\u00e7\u00e3o seria maior e mais duradoura, se n\u00e3o houvera como atenuante o motivo louv\u00e1vel de evitar que o filho se expusesse \u00e0 morte na guerra.<br \/> Deus, que \u00e9 justo e v\u00ea o fundo dos cora\u00e7\u00f5es, n\u00e3o o pune sen\u00e3o de acordo com suas obras.<\/p>\n<p>Observa\u00e7\u00f5es: \u00c0 primeira vista, como ato de abnega\u00e7\u00e3o, este suic\u00eddio poder-se-ia considerar desculp\u00e1vel.<br \/> Efetivamente assim \u00e9, mas n\u00e3o de modo absoluto.<br \/> A esse homem faltou a confian\u00e7a em Deus, como disse o Esp\u00edrito de S.<br \/> Lu\u00eds.<br \/> A sua a\u00e7\u00e3o talvez impediu a realiza\u00e7\u00e3o dos destinos do filho; ao demais, ele n\u00e3o tinha a certeza de que aquele sucumbiria na guerra e a carreira militar talvez lhe fornecesse ocasi\u00e3o de adiantar-se.<br \/> A inten\u00e7\u00e3o era boa, e isso lhe atenua o mal provocado e merece indulg\u00eancia; mas o mal \u00e9 sempre mal e se o n\u00e3o fora, poder-se-ia, escudado no racioc\u00ednio, desculpar-se todos os crimes e at\u00e9 matar a pretexto de prestar servi\u00e7os.<\/p>\n<p>A m\u00e3e que mata o filho, certa de o enviar ao c\u00e9u, seria menos culpada por t\u00ea-lo feito com boa inten\u00e7\u00e3o? A\u00ed est\u00e1 um sistema que chegaria a justificar todos os crimes cometidos pelo cego fanatismo das guerras religiosas.<br \/> Esta lhe foi dada visando deveres a cumprir na Terra, raz\u00e3o bastante para que n\u00e3o a abrevie volunta riamente, sob pretexto algum.<br \/> Mas ao homem \u2014 uma vez que tem o seu livre-arb\u00edtrio \u2014 ningu\u00e9m impede a infra\u00e7\u00e3o dessa lei.<br \/> Sujeita-se por\u00e9m \u00e0s suas conseq\u00fc\u00eancias.<\/p>\n<p>O suic\u00eddio mais severamente punido \u00e9 o resultado do desespero, que visa a reden\u00e7\u00e3o das mis\u00e9rias terrenas, mis\u00e9rias que s\u00e3o ao mesmo tempo expia\u00e7\u00f5es e prova\u00e7\u00f5es.<br \/> Furtar-se a elas \u00e9 recuar ante a tarefa aceita e, \u00e0s vezes, ante a miss\u00e3o que se deveria cumprir.<\/p>\n<p>O suic\u00eddio n\u00e3o consiste somente no ato volunt\u00e1rio que produz a morte instant\u00e2nea, mas em tudo quanto se fa\u00e7a conscientemente para apressar a extin\u00e7\u00e3o das for\u00e7as vitais.<br \/> N\u00e3o se pode chamar de suicida aquele que dedicadamente se exp\u00f5e \u00e0 morte para salvar o seu semelhante, primeiro, porque, no caso, n\u00e3o h\u00e1 inten\u00e7\u00e3o de se privar da vida e, segundo, porque n\u00e3o h\u00e1 perigo do qual a Provid\u00eancia nos n\u00e3o possa subtrair, quando a hora n\u00e3o seja chegada.<br \/> A morte nessas circunst\u00e2ncias \u00e9 sacrif\u00edcio merit\u00f3rio, como ato de abnega\u00e7\u00e3o em proveito de outrem.<br \/> (O Evangelho Segundo o Espiritismo, cap.<br \/> V, n\u00ba 55, 65, 66 e 67.<br \/>)<\/p>\n<p>Fran\u00e7ois Simon-Louvet<\/p>\n<p>(Do Havre)<\/p>\n<p>A seguinte comunica\u00e7\u00e3o foi dada espontaneamente, em uma reuni\u00e3o esp\u00edrita no Havre, a 12 de fevereiro de 1863.<\/p>\n<p> Tereis piedade de um pobre miser\u00e1vel que passa h\u00e1 muito por cru\u00e9is torturas?! Oh! o v\u00e1cuo.<br \/>.<br \/>.<br \/> o Espa\u00e7o.<br \/>.<br \/>.<br \/> despenho-me.<br \/>.<br \/>.<br \/> caio.<br \/>.<br \/>.<br \/> morro.<br \/>.<br \/>.<br \/> Acudi-me! Deus, eu tive uma exist\u00eancia t\u00e3o miser\u00e1vel.<br \/>.<br \/>.<br \/> Pobre diabo, sofri fome muitas vezes na velhice e foi por isso que me habituei a beber, a ter vergonha e desgosto de tudo.<\/p>\n<p>Quis morrer, e atirei-me.<br \/>.<br \/>.<br \/> Oh! meu Deus! Que momento! E para que esse desejo, quando o termo estava t\u00e3o pr\u00f3ximo? Orai para que eu n\u00e3o veja incessantemente este v\u00e1cuo debaixo de mim.<br \/>.<br \/>.<br \/> Vou despeda\u00e7ar-me de encontro a essas pedras! Eu vo-lo suplico, a v\u00f3s que conheceis as mis\u00e9rias daqueles que n\u00e3o mais pertencem a esse mundo.<\/p>\n<p>N\u00e3o me conheceis, mas eu sofro tanto.<br \/>.<br \/>.<br \/> Para que mais provas? Sofro! N\u00e3o, ser\u00e1 isso o bastante? Se eu tiver fome em vez deste sofrimento mais terr\u00edvel e ali\u00e1s impercept\u00edvel para v\u00f3s, n\u00e3o vacilar\u00edeis em aliviar-me com uma migalha de p\u00e3o.<br \/> Pois eu vos pe\u00e7o que oreis por mim.<br \/>.<br \/>.<br \/> N\u00e3o posso permanecer por mais tempo neste estado.<br \/>.<br \/>.<br \/> Perguntai a qualquer desses felizes que aqui est\u00e3o e sabereis quem fui.<br \/> Orai por mim.<\/p>\n<p>Fran\u00e7ois Simon-Louvet.<\/p>\n<p>O Guia do m\u00e9dium.<br \/> \u2014  Esse que acaba de se dirigir a v\u00f3s foi um pobre infeliz que teve na Terra a prova da mis\u00e9ria; vencido pelo desgosto, faltou-lhe a coragem e, em vez de olhar para o c\u00e9u como devia, entregou-se \u00e0 embriaguez; desceu aos extremos \u00faltimos do desespero, pondo termo \u00e0 sua triste prova\u00e7\u00e3o atirando-se da Torre Francisco I, no dia 22 de julho de 1857.<br \/> Tende piedade de sua pobre alma, que n\u00e3o \u00e9 adiantada, mas que lobriga da vida futura o suficiente para sofrer e desejar uma repara\u00e7\u00e3o.<br \/> Rogai a Deus lhe conceda essa gra\u00e7a e com isso tereis feito obra merit\u00f3ria.<\/p>\n<p>Buscando-se informes a prop\u00f3sito do assunto, encontrou-se no Journal du Havre, de 23 de julho de 1857, a seguinte not\u00edcia, que resumimos.<\/p>\n<p> Ontem, \u00e0s 4 horas da tarde, os transeuntes dos cais foram dolorosamente impressionados por um horr\u00edvel acidente: um homem atirou-se da torre, vindo despeda\u00e7ar-se nas pedras.<br \/> Era um velho puxador de cordas, cujo pendor \u00e0 embriaguez o arrastara ao suic\u00eddio.<br \/> Chamava-se Fran\u00e7ois-Vietor-Simon-Louvet.<br \/> O corpo foi transportado para a casa de uma das filhas, na Rua Corderie.<\/p>\n<p>Tinha 67 anos de idade.<\/p>\n<p>Seis anos fazia que esse homem morrera e ele se via ainda cair da torre, despeda\u00e7ando-se nas pedras.<br \/>.<br \/>.<br \/> Aterra-o o v\u00e1cuo horrorizado e a perspectiva da queda.<br \/>.<br \/>.<br \/> e isso h\u00e1 6 anos! Quanto tempo durar\u00e1 esse estado? Ele n\u00e3o o sabe e essa incerteza lhe aumenta as ang\u00fastias.<br \/> Isso n\u00e3o equivale ao inferno com suas chamas?<\/p>\n<p>Quem revelou e inventou esses castigos? Pois s\u00e3o os pr\u00f3prios padecentes que os vem descrever, como outros o fazem das suas alegrias.<br \/> E fazem-no muita vez, espontaneamente, sem que neles se pense \u2014 o que exclui toda hip\u00f3tese de sermos n\u00f3s o joguete da pr\u00f3pria imagina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>M\u00e3e e Filho<\/p>\n<p>Em mar\u00e7o de 1865 o Sr.<br \/> C.<br \/>, negociante em pequena cidade perto de Paris, tinha em sua casa, gravemente enfermo, o mais velho dos filhos, que contava 21 anos de idade.<br \/> Este mo\u00e7o, prevendo o desenlace, chamou a m\u00e3e e teve for\u00e7as ainda para abra\u00e7\u00e1-la.<br \/> Esta, vertendo copiosas l\u00e1grimas, disse-lhe:  Vai, meu filho, precede-me, que n\u00e3o tardarei a seguir-te .<br \/> Dito isto, retirou-se, escondendo o rosto entre as m\u00e3os.<\/p>\n<p>As pessoas presentes a essa cena contristadora, consideravam simples explos\u00e3o de dor as palavras da Sra.<br \/> C.<br \/>, dor que o tempo acalmaria.<br \/> Morto o doente, procuraram-na por toda a casa e foram encontr\u00e1-la enforcada num celeiro.<br \/> O enterro da suicida foi juntamente feito com o do filho.<\/p>\n<p>Evoca\u00e7\u00e3o deste, muitos dias depois do fato.<\/p>\n<p>\u2014 P.<br \/> Sabeis do suic\u00eddio de vossa m\u00e3e, em conseq\u00fc\u00eancia do desespero que lhe causou a vossa perda?<\/p>\n<p>R.<br \/> Sim e, sem o pesar causado por essa fatal resolu\u00e7\u00e3o da parte dela, julgar-me-ia completamente feliz.<br \/> Pobre, excelente m\u00e3e! N\u00e3o pode suportar a prova dessa separa\u00e7\u00e3o moment\u00e2nea e tomou, para se unir ao filho, o caminho que dele mais deveria afast\u00e1-la.<br \/> E por quanto tempo! Assim, retardou indefinidamente uma reuni\u00e3o que t\u00e3o pronta teria sido se sua alma se conformasse submissa \u00e0s vontades do Senhor; se fosse resignada, humilde, arrependida ante a prova\u00e7\u00e3o que se lhe impunha, da expia\u00e7\u00e3o que deveria purific\u00e1-la! Orai, oh! Orai por ela!.<br \/>.<br \/>.<br \/> e sobretudo n\u00e3o a imiteis, v\u00f3s outras, m\u00e3es que vos comoveis com a narrativa da sua morte.<br \/> N\u00e3o acrediteis que ela amasse mais que as outras m\u00e3es a esse filho que era o seu orgulho, n\u00e3o; \u00e9 que lhe faltaram a coragem e a resigna\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>M\u00e3es, que me ouvis, quando a agonia empanar o olhar dos vossos filhos, lembrai-vos de que, como o Cristo, eles sobem ao cimo do Calv\u00e1rio, de onde dever\u00e3o elevar-se \u00e0 gl\u00f3ria eterna.<\/p>\n<p>Benjamin C.<br \/>.<br \/>.<\/p>\n<p>Evoca\u00e7\u00e3o da m\u00e3e.<\/p>\n<p>\u2014 R.<br \/> Quero ver meu filho.<br \/> Tendes o poder de dar-me? Cru\u00e9is!.<br \/>.<br \/>.<br \/> Tomaram-me para lev\u00e1-lo \u00e0 luz e a mim me deixaram em trevas.<br \/> Quero-o, quero-o porque me pertence!.<br \/>.<br \/>.<br \/> Nada vale ent\u00e3o o amor materno? Pois qu\u00ea! T\u00ea-lo carregado no ventre por nove meses, t\u00ea-lo amamentado, nutrido a carne da sua carne, sangue do seu sangue, guiado os seus primeiros passos; ensinado a balbuciar o sagrado nome de Deus e o doce nome de m\u00e3e; ter feito dele um homem cheio de atividade, de intelig\u00eancia, de probidade, de amor filial, para perd\u00ea-lo quando realizava as esperan\u00e7as concebidas a seu respeito, quando brilhante futuro se lhe antolhava!<\/p>\n<p>N\u00e3o, Deus n\u00e3o \u00e9 justo; n\u00e3o \u00e9 Deus das m\u00e3es, n\u00e3o lhes compreende as dores e desesperos.<br \/>.<br \/>.<br \/> E quando me dava \u00e0 morte para me n\u00e3o separar de meu filho, eis que novamente me roubam!.<br \/>.<br \/>.<br \/> Meu filho! Meu filho, onde est\u00e1s?<\/p>\n<p>Evocador.<br \/> \u2014 Pobre m\u00e3e, compartilhamos da vossa dor.<br \/> Buscastes, no entanto, um triste recurso para vos reunirdes ao vosso filho: o suic\u00eddio \u00e9 um crime aos olhos de Deus e deveis saber que Deus pune toda infra\u00e7\u00e3o das suas leis.<br \/> A aus\u00eancia do vosso filho \u00e9 a vossa puni\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Ela.<br \/> \u2014 N\u00e3o; eu julgava Deus melhor que os homens; n\u00e3o acreditava no seu inferno, por\u00e9m cria na reuni\u00e3o das almas que se amaram como n\u00f3s nos am\u00e1vamos.<br \/>.<br \/>.<br \/> Enganei-me.<br \/>.<br \/>.<br \/> Deus n\u00e3o \u00e9 justo nem bom, por isso que n\u00e3o compreende a grandeza da minha dor como do meu amor!.<br \/>.<br \/>.<br \/> Oh! quem me dar\u00e1 meu filho! T\u00ea-lo-ei perdido para sempre? Piedade! Piedade, meu Deus!<\/p>\n<p>Evocador.<br \/> \u2014 Vamos, acalmai o vosso desespero; considerai que se h\u00e1 um meio de ver vosso filho, n\u00e3o \u00e9 blasfemando contra Deus, como ora o fazeis.<br \/> Com isso, em vez de atrairdes a sua miseric\u00f3rdia, fazei jus a maior severidade.<\/p>\n<p>Ela.<br \/> \u2014 Disseram-me que n\u00e3o mais o tornaria a ver e compreendi que o haviam levado ao Para\u00edso.<br \/> E eu estarei, acaso, no inferno? No inferno das m\u00e3es? Ele existe, demais o vejo.<br \/>.<br \/>.<\/p>\n<p>Evocador.<br \/> \u2014 Vamos, acalmai o vosso desespero; considerai naturalmente que o tornareis a ver, mas \u00e9 preciso merec\u00ea-lo pela submiss\u00e3o \u00e0 vontade de Deus, ao passo que a revolta poder\u00e1 retardar indefinidamente esse momento.<\/p>\n<p>Ouvi-me: Deus \u00e9 infinitamente bom, mas \u00e9 tamb\u00e9m infinitamente justo.<br \/> Assim ningu\u00e9m \u00e9 punido sem causa sobre a Terra.<br \/> Se ele vos infligiu grandes dores, \u00e9 porque as merecestes.<br \/> A morte de vosso filho era uma prova \u00e0 vossa resigna\u00e7\u00e3o; infelizmente a ela sucumbistes quando em vida e eis que ap\u00f3s a morte de novo sucumbis; como pretendes que Deus recompense os filhos rebeldes?<\/p>\n<p>A senten\u00e7a n\u00e3o \u00e9 por\u00e9m inexor\u00e1vel e o arrependimento do culpado \u00e9 sempre acolhido.<br \/> Se tiv\u00e9sseis aceito a prova\u00e7\u00e3o com humildade; se houv\u00e9sseis esperado com paci\u00eancia o momento da vossa desencarna\u00e7\u00e3o, ao entrardes no mundo espiritual, em que vos achais, ter\u00edeis imediatamente avistado vosso filho, o qual vos receberia de bra\u00e7os abertos.<br \/> Depois da aus\u00eancia, ve-lo-ia radiante.<br \/> Mas o que fizestes e ainda agora fazeis, coloca entre v\u00f3s e ele uma barreira.<br \/> N\u00e3o o julgueis perdido nas profundezas do Espa\u00e7o, antes mais perto do que supondes \u2014 \u00e9 que v\u00e9u impenetr\u00e1vel o subtrai \u00e0 vossa vista.<\/p>\n<p>Ele vos v\u00ea e ama sempre, deplorando a triste condi\u00e7\u00e3o em que ca\u00edstes pela falta de confian\u00e7a em Deus e aguardando ansioso o momento feliz de se vos apresentar.<br \/> De v\u00f3s, somente, depende abreviar ou retardar esse momento.<br \/> Orai a Deus e dizei comigo:  Meu Deus, perdoai-me o ter duvidado da vossa justi\u00e7a e bondade; se me punistes, reconhe\u00e7o merecida a puni\u00e7\u00e3o.<br \/> Dignai-vos aceitar meu arrependimento e submiss\u00e3o \u00e0 vossa santa vontade .<\/p>\n<p>Ela.<br \/> \u2014 Que luz de esperan\u00e7a acabais de fazer despontar em minha alma! \u00c9 como rel\u00e2mpago em a noite que me cerca.<br \/> Obrigada, vou orar.<br \/>.<br \/>.<br \/> Adeus.<\/p>\n<p>A morte, mesmo pelo suic\u00eddio, n\u00e3o produziu nesses Esp\u00edritos a ilus\u00e3o de se julgar ainda vivo.<br \/> Ele apresenta-se consciente do seu estado \u2014 \u00e9 que para outros o castigo consiste naquela ilus\u00e3o, pelos la\u00e7os que os prendem ao corpo.<br \/> Essa mulher quis deixar a Terra para seguir o filho na outra vida, era pois necess\u00e1rio que soubesse a\u00ed estar realmente, na certeza da desencarna\u00e7\u00e3o, no conhecimento exato da sua situa\u00e7\u00e3o.<br \/> Assim \u00e9 que cada falta \u00e9 punida de acordo com as circunst\u00e2ncias que a determinam e que n\u00e3o h\u00e1 puni\u00e7\u00e3o uniforme para as faltas do mesmo g\u00eanero.<\/p>\n<p>Duplo Suic\u00eddio por Amor e por Dever<\/p>\n<p>\u00c9 de um jornal de 13 de junho de 1862 a seguinte narrativa:<\/p>\n<p> A jovem Palmira, modista que residia com seus pais, era dotada de apar\u00eancia encantadora e de car\u00e1ter af\u00e1vel.<br \/> Por isso tamb\u00e9m muito requestada a sua m\u00e3o.<br \/> Entre todos os pretendentes ela escolheu o Sr.<br \/> B.<br \/>, que lhe retribu\u00eda essa prefer\u00eancia com a mais viva das paix\u00f5es.<br \/> N\u00e3o obstante essa afei\u00e7\u00e3o, por defer\u00eancia aos pais, Palmira consentiu em desposar o Sr.<br \/> D.<br \/>, cuja posi\u00e7\u00e3o social se afigurava mais vantajosa do que a do seu rival.<\/p>\n<p>Os Srs.<br \/> B.<br \/> e D.<br \/> eram amigos \u00edntimos e posto n\u00e3o houvesse entre eles quaisquer rela\u00e7\u00f5es de interesse, jamais deixaram de se avistar.<br \/> O amor rec\u00edproco de B.<br \/> e Palmira, que passou a ser a Sra.<br \/> D.<br \/>, de modo algum se atenuara e como se esfor\u00e7assem ambos por cont\u00ea-lo, aumentava-se ele de intensidade na raz\u00e3o direta daquele esfor\u00e7o.<\/p>\n<p>Visando extingui-lo, B.<br \/> tomou o partido de se casar, e desposou, de fato, uma jovem possuidora de eminentes predicados, fazendo o poss\u00edvel por am\u00e1-la.<\/p>\n<p>Cedo, contudo, percebeu a impossibilidade do expediente.<br \/> Decorreram quatro anos sem que B.<br \/> ou a Sra.<br \/> D.<br \/> faltassem aos seus deveres.<\/p>\n<p>O que padeceram, s\u00f3 eles o sabem, pois D.<br \/>, que estimava deveras o seu amigo, atra\u00eda-o sempre ao seu lar, insistindo para que nele ficasse quando tentava retirar-se.<\/p>\n<p>Aproximados um dia por circunst\u00e2ncias fortuitas e independentes da pr\u00f3pria vontade os dois amantes deram-se ci\u00eancia do mal que os torturava e acharam que a morte era, no caso, o \u00fanico rem\u00e9dio que se lhes antolhava.<br \/> Assentaram que se suicidariam juntamente, no dia seguinte, em que o Sr.<br \/> D.<br \/>, estaria ausente de casa mais prolongadamente.<\/p>\n<p>Feitos os \u00faltimos preparativos, escreveram longa e tocante missiva, explicando a causa da sua resolu\u00e7\u00e3o, para n\u00e3o prevaricarem.<br \/> Essa carta terminava pedindo que lhes perdoassem e, mais, que os enterrassem na mesma sepultura.<\/p>\n<p>De regresso \u00e0 casa, o Sr.<br \/> D.<br \/> encontrou-os asfixiados.<br \/> Respeitou-lhes os \u00faltimos desejos, e, assim, n\u00e3o consentiu fossem os corpos separados no cemit\u00e9rio.<\/p>\n<p>Sendo esta ocorr\u00eancia submetida \u00e0 Sociedade de Paris, como assunto de estudo, um Esp\u00edrito respondeu:<\/p>\n<p> Os dois amantes suicidas n\u00e3o vos podem responder ainda.<br \/> Vejo-os imersos na perturba\u00e7\u00e3o e aterrorizados pela perspectiva da eternidade.<br \/> As conseq\u00fc\u00eancias morais da falta cometida lhes pesar\u00e3o por migra\u00e7\u00f5es sucessivas, durante as quais suas almas separadas se buscar\u00e3o incessantemente, sujeitas ao duplo suic\u00eddio de se pressentirem e desejarem em v\u00e3o.<\/p>\n<p>Completada a expia\u00e7\u00e3o, ficar\u00e3o reunidos, no seio do amor eterno.<br \/> Dentro de oito dias, na pr\u00f3xima sess\u00e3o, podereis evoc\u00e1-los.<br \/> Eles aqui vir\u00e3o sem contudo se avistarem, porque profundas trevas os separar\u00e3o por muito tempo.<\/p>\n<p>1.<br \/> Evoca\u00e7\u00e3o da suicida.<br \/> \u2014 Vedes o vosso amado, com o qual vos suicidastes?<\/p>\n<p>R.<br \/> Nada vejo, nem mesmo os Esp\u00edritos que comigo erram neste mundo.<br \/> Que noite! Que noite! E que v\u00e9u espesso me circunda a fronte!<\/p>\n<p>2.<br \/> Que sensa\u00e7\u00e3o experimentastes ao despertar no outro mundo?<\/p>\n<p>R.<br \/> Singular! Tinha frio e escaldava.<br \/> Tinha gelo nas veias e fogo na fronte! Coisa estranha, conjunto inaudito! Fogo e gelo pareciam consumir-me! E eu julgava que ia sucumbir uma segunda vez!.<br \/>.<br \/>.<\/p>\n<p>3.<br \/> Experimentais qualquer dor f\u00edsica?<\/p>\n<p>R.<br \/> Todo o meu sofrimento reside aqui, aqui.<br \/>.<br \/>.<\/p>\n<p>\u2014 Que quereis dizer por aqui, aqui?<\/p>\n<p>R.<br \/> Aqui no meu c\u00e9rebro, aqui no cora\u00e7\u00e3o.<br \/>.<br \/>.<\/p>\n<p>\u00c9 prov\u00e1vel que, vis\u00edvel, o Esp\u00edrito levasse a m\u00e3o \u00e0 cabe\u00e7a e ao cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>4.<br \/> Acreditais na perenidade dessa situa\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>R.<br \/> Oh! Sempre! Sempre! Ou\u00e7o \u00e0s vezes risos infernais, vozes horr\u00edficas que bradam sempre assim!<\/p>\n<p>5.<br \/> Pois bem, podemos com seguran\u00e7a dizer-vos que nem sempre assim ser\u00e1.<br \/> Pelo arrependimento obtereis o perd\u00e3o.<\/p>\n<p>R.<br \/> Que dizeis? N\u00e3o ou\u00e7o.<\/p>\n<p>6.<br \/> Repetimos que os vossos sofrimentos ter\u00e3o um termo, que os podereis abreviar pelo arrependimento, sendo-nos poss\u00edvel auxiliar-vos com a prece.<\/p>\n<p>R.<br \/> N\u00e3o ouvi, al\u00e9m de sons confusos, mais que uma palavra.<br \/> Essa palavra \u00e9 \u2014 gra\u00e7a! Seria efetivamente gra\u00e7a o que pronunciastes? Falastes em gra\u00e7a, mas sem d\u00favida o fizestes \u00e0 alma que por aqui passou junto de mim, pobre crian\u00e7a que chora e espera.<\/p>\n<p>Uma senhora, presente \u00e0 reuni\u00e3o, declarou que fizera fervorosa prece pela infeliz, o que sem d\u00favida a comoveu, e que de fato, mentalmente, havia implorado em seu favor a gra\u00e7a de Deus.<\/p>\n<p>7.<br \/> Dissestes estar em trevas e nada ouvir?<\/p>\n<p>R.<br \/> Me \u00e9 permitido ouvir algumas das vossas palavras, mas o que vejo \u00e9 apenas um crepe negro, no qual de quando em quando se desenha um semblante que chora.<\/p>\n<p>8.<br \/> Mas, uma vez que ele aqui est\u00e1 sem o avistardes, nem sequer vos apercebeis da presen\u00e7a do vosso amado?<\/p>\n<p>R.<br \/> Ah! N\u00e3o me faleis dele.<br \/> Devo esquec\u00ea-lo presentemente para que do crepe se extinga a imagem retratada.<\/p>\n<p>9.<br \/> Que imagem \u00e9 essa?<\/p>\n<p>R.<br \/> A de um homem que sofre e cuja exist\u00eancia moral na Terra aniquilei por muito tempo.<\/p>\n<p>Da leitura dessa narrativa logo se depreende haver neste suic\u00eddio circunst\u00e2ncias atenuantes, encarando-o como ato her\u00f3ico provocado pelo cumprimento do dever.<br \/> Mas reconhecesse, tamb\u00e9m, que, contrariamente ao julgado, longa e terr\u00edvel deve ser a pena dos culpados por se terem voluntariamente refugiado na morte para evitar a luta.<br \/> A inten\u00e7\u00e3o de n\u00e3o faltar aos deveres era, efetivamente, honrosa, e lhes ser\u00e1 levada em conta mais tarde, mas o verdadeiro m\u00e9rito consistiria na resist\u00eancia, tendo eles procedido como o desertor que se esquiva no momento do perigo.<\/p>\n<p>A pena consistir\u00e1, como se v\u00ea, em se procurarem debalde e por muito tempo, quer no mundo espiritual, quer noutras encarna\u00e7\u00f5es terrestres; pena que ora \u00e9 agravada pela perspectiva da sua eterna dura\u00e7\u00e3o.<br \/> Essa perspectiva, aliada ao castigo, faz que lhes seja defeso ouvirem palavras de esperan\u00e7a que porventura lhes dirijam.<br \/> Aos que acharem esta pena longa e terr\u00edvel, tanto mais quanto n\u00e3o dever\u00e1 cessar sen\u00e3o depois de v\u00e1rias encarna\u00e7\u00f5es, diremos que essa dura\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 absoluta, mas depende da maneira porque suportarem as futuras prova\u00e7\u00f5es, al\u00e9m do que podem eles ser auxiliados pela prece.<br \/> E ser\u00e3o assim, como todos, os \u00e1rbitros do seu destino.<br \/> N\u00e3o ser\u00e1 isso, ainda assim, prefer\u00edvel \u00e0 eterna condena\u00e7\u00e3o, sem esperan\u00e7a, a que ficam irrevogavelmente submetidos segundo a doutrina da Igreja, que os considera votados ao inferno e para sempre, a ponto de lhes recusar, com certeza por in\u00fateis, as \u00faltimas preces?<\/p>\n<p>Lu\u00eds e a Prespontadeira de Botinas<\/p>\n<p>Havia sete para oito meses que Lu\u00eds G.<br \/>, oficial-sapateiro, namorava uma jovem, Vitorina R.<br \/>, com a qual em breve deveria casar-se, j\u00e1 tendo mesmo corrido os proclamas do casamento.<\/p>\n<p>Estando neste p\u00e9 as coisas, consideravam-se quase definitivamente ligados e, como medida econ\u00f4mica, diariamente vinha o sapateiro almo\u00e7ar e jantar em casa da noiva.<\/p>\n<p>Um dia, ao jantar, sobreveio uma controv\u00e9rsia a prop\u00f3sito de qualquer futilidade e, obstinando-se os dois nas opini\u00f5es, foram as coisas ao ponto de Lu\u00eds abandonar a mesa, protestando n\u00e3o mais voltar.<\/p>\n<p>Apesar disso, no dia seguinte veio pedir perd\u00e3o.<br \/> A noite \u00e9 boa conselheira, como se sabe, mas a mo\u00e7a, prejulgando talvez pela cena da v\u00e9spera o que poderia acontecer quando n\u00e3o h\u00e1 mais tempo de remediar o mal, recusou-se \u00e0 reconcilia\u00e7\u00e3o.<br \/> Nem protestos, nem l\u00e1grimas, nem desesperos puderam demov\u00ea-la.<br \/> Muitos dias ainda se passaram, esperando Lu\u00eds que a sua amada fosse mais razo\u00e1vel, at\u00e9 que resolveu fazer uma \u00faltima tentativa.<\/p>\n<p>Chegando \u00e0 casa da mo\u00e7a, bateu de modo que fosse reconhecido, mas a porta permaneceu fechada, recusaram abrir-lhe.<\/p>\n<p>Novas s\u00faplicas do repelido, novos protestos n\u00e3o ecoaram no cora\u00e7\u00e3o da sua pretendida.<br \/>  Adeus, pois, cruel! \u2014 exclamou o pobre mo\u00e7o \u2014 adeus para sempre.<br \/> Trata de procurar um marido que te estime tanto como eu .<br \/> Ao mesmo tempo a mo\u00e7a ouvia um gemido abafado e logo ap\u00f3s o baque como que de um corpo escorregando pela porta.<br \/> Pelo sil\u00eancio que se seguiu, a mo\u00e7a julgou que Lu\u00eds se assentara \u00e0 soleira da porta e protestou a si mesma n\u00e3o sair enquanto ele ali se conservasse.<\/p>\n<p>Decorrido um quarto de hora \u00e9 que um locat\u00e1rio, passando pela cal\u00e7ada e levando luz, soltou um grito de espanto e pediu socorro.<\/p>\n<p>Depressa acorre a vizinhan\u00e7a, e Vitorina, abrindo ent\u00e3o a porta, deu um grito de horror, reconhecendo estendido sobre o lajedo, p\u00e1lido, inanimado, o seu noivo.<br \/> Cada qual se apressou em socorr\u00ea-lo, mas para logo se percebeu que tudo seria in\u00fatil, visto como ele deixara de existir.<br \/> O desgra\u00e7ado mo\u00e7o enterrara uma faca na regi\u00e3o do cora\u00e7\u00e3o e o ferro ficara-lhe cravado na ferida.<\/p>\n<p>(Sociedade Esp\u00edrita de Paris, agosto de 1858)<\/p>\n<p>1.<br \/> Ao Esp\u00edrito de S.<br \/> Lu\u00eds \u2014 A mo\u00e7a, causadora involunt\u00e1ria do suic\u00eddio, tem responsabilidade?<\/p>\n<p>R.<br \/> Sim, porque o n\u00e3o amava.<\/p>\n<p>2.<br \/> Ent\u00e3o para prevenir a desgra\u00e7a deveria despos\u00e1-lo a despeito da repugn\u00e2ncia que lhe causava?<\/p>\n<p>R.<br \/> Ela procurava uma ocasi\u00e3o de descartar-se e assim fez em come\u00e7o da liga\u00e7\u00e3o, o que viria a fazer mais tarde.<\/p>\n<p>3.<br \/> Neste caso, a sua responsabilidade decorre de haver alimentado sentimentos dos quais n\u00e3o participava e que deram em resultado o suic\u00eddio do mo\u00e7o?<\/p>\n<p>R.<br \/> Sim, exatamente.<\/p>\n<p>4.<br \/> Mas ent\u00e3o essa responsabilidade deve ser proporcional \u00e0 falta e n\u00e3o tao grande como se consciente e voluntariamente houvesse provocado o suic\u00eddio.<\/p>\n<p>R.<br \/> \u00c9 evidente.<\/p>\n<p>5.<br \/> E o suic\u00eddio de Lu\u00eds tem desculpa pelo desvario que lhe acarretou a obstina\u00e7\u00e3o de Vitorina?<\/p>\n<p>R.<br \/> Sim, pois o suic\u00eddio oriundo do amor \u00e9 menos criminoso aos olhos de Deus, de que o suic\u00eddio de quem procura libertar-se da vida por motivos de covardia.<\/p>\n<p>(Ao Esp\u00edrito de Lu\u00eds G.<br \/>, evocado mais tarde, foram feitas as seguintes perguntas) :<\/p>\n<p>1.<br \/> Que julgais da a\u00e7\u00e3o que praticastes?<\/p>\n<p>R.<br \/> Vitorina era uma ingrata e eu fiz mal em suicidar-me por sua causa, pois ela n\u00e3o o merecia.<\/p>\n<p>2.<br \/> Ent\u00e3o n\u00e3o vos amara?<\/p>\n<p>R.<br \/> N\u00e3o.<br \/> A princ\u00edpio iludia-se, mas a desaven\u00e7a que tivemos abriu-lhe os olhos e ela at\u00e9 se deu por feliz achando um pretexto para se livrar de mim.<\/p>\n<p>3.<br \/> E o vosso amor por ela era sincero?<\/p>\n<p>R.<br \/> Paix\u00e3o somente, creia; pois se o amor fosse puro eu me teria poupado de lhe causar um desgosto.<\/p>\n<p>4.<br \/> E se acaso ela adivinhasse a vossa inten\u00e7\u00e3o, persistiria na sua recusa?<\/p>\n<p>R.<br \/> N\u00e3o sei, penso mesmo que n\u00e3o, porque ela n\u00e3o \u00e9 m\u00e1.<br \/> Mas, ainda assim, n\u00e3o seria feliz, e melhor foi para ela que as coisas se passassem dessa forma.<\/p>\n<p>5.<br \/> Batendo-lhe \u00e0 porta, t\u00ednheis j\u00e1 a id\u00e9ia de vos matar, caso se desse a recusa?<\/p>\n<p>R.<br \/> N\u00e3o pensava naquilo ainda, porque tamb\u00e9m n\u00e3o contava com a sua obstina\u00e7\u00e3o.<br \/> Foi somente \u00e0 vista desta que perdi a raz\u00e3o.<\/p>\n<p>6.<br \/> Parece que n\u00e3o lamentais o suic\u00eddio sen\u00e3o pelo fato de Vitorina o n\u00e3o merecer.<br \/>.<br \/>.<br \/> \u00c9 realmente o vosso \u00fanico pesar?<\/p>\n<p>R.<br \/> Neste momento, sim; estou ainda perturbado, afigura-se-me estar ainda \u00e0 porta, conquanto tamb\u00e9m experimente outra sensa\u00e7\u00e3o que n\u00e3o posso definir.<\/p>\n<p>7.<br \/> Chegareis a compreend\u00ea-la mais tarde.<\/p>\n<p>R.<br \/> Sim, quando estiver livre desta perturba\u00e7\u00e3o.<br \/> Fiz mal, deveria resignar-me.<br \/>.<br \/>.<br \/> Fui fraco e sofro as conseq\u00fc\u00eancias da minha fraqueza.<br \/> A paix\u00e3o cega o homem a ponto de obrig\u00e1-lo a praticar loucuras e infelizmente ele s\u00f3 o compreende muito tarde.<\/p>\n<p>8.<br \/> Dizeis que tendes um desgosto.<br \/>.<br \/>.<br \/> qual \u00e9?<\/p>\n<p>R.<br \/> Fiz mal em abreviar a vida.<br \/> N\u00e3o deveria faz\u00ea-lo.<br \/> Era prefer\u00edvel tudo suportar a morrer antes do tempo.<br \/> Sou portanto infeliz; sofro e \u00e9 sempre ela que me faz sofrer, a ingrata.<br \/> Parece-me estar sempre \u00e0 sua porta, mas.<br \/>.<br \/>.<br \/> n\u00e3o falemos nem pensemos mais nisso, que me incomoda muito.<br \/> Adeus.<\/p>\n<p>Por isto se v\u00ea ainda uma nova confirma\u00e7\u00e3o da justi\u00e7a que preside \u00e0 distribui\u00e7\u00e3o das penas, conforme o grau de responsabilidade dos culpados.<br \/> Neste caso, \u00e9 \u00e0 mo\u00e7a que cabe a maior responsabilidade, por haver entretido em Lu\u00eds um amor que n\u00e3o sentia, por brincadeira.<br \/> Quanto ao mo\u00e7o, este j\u00e1 \u00e9 de sobejo, punido pelo sofrimento por que passa, mas a sua pena \u00e9 leve, porquanto apenas cedeu a um movimento irrefletido, em momento de exalta\u00e7\u00e3o e n\u00e3o \u00e0 fria premedita\u00e7\u00e3o dos suicidas que ousam subtrair-se \u00e0s prova\u00e7\u00f5es da vida.<\/p>\n<p>Um Ateu<\/p>\n<p>O Sr.<br \/> M.<br \/> J.<br \/> B.<br \/> D.<br \/>, era um homem instru\u00eddo, por\u00e9m em extremo saturado de id\u00e9ias materialistas, n\u00e3o acreditando em Deus nem na exist\u00eancia da alma.<br \/> A pedido de um parente, foi evocado na Sociedade Esp\u00edrita de Paris, dois anos depois de desencarnado.<\/p>\n<p>1.<br \/> Evoca\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>\u2014 R.<br \/> Sofro.<br \/> Sou um r\u00e9probo.<\/p>\n<p>2.<br \/> Fomos levados a evocar-vos em nome de parentes que, como parentes, desejam saber da vossa sorte.<br \/> Podereis dizer-nos se esta nossa evoca\u00e7\u00e3o vos \u00e9 penosa ou agrad\u00e1vel?<\/p>\n<p>R.<br \/> Penosa.<\/p>\n<p>3.<br \/> A vossa morte foi volunt\u00e1ria?<\/p>\n<p>R.<br \/> Sim.<\/p>\n<p>4.<br \/> Tende calma, que n\u00f3s todos pediremos a Deus por v\u00f3s.<\/p>\n<p>R.<br \/> Sou for\u00e7ado a crer nesse Deus.<\/p>\n<p>5.<br \/> Que motivo poderia t\u00ear-vos levado ao suic\u00eddio?<\/p>\n<p>R.<br \/> O t\u00e9dio de uma vida sem esperan\u00e7a.<\/p>\n<p>Concebe-se o suic\u00eddio quando a vida \u00e9 sem esperan\u00e7a; procura-se fugir ent\u00e3o dela a qualquer pre\u00e7o.<br \/> Com o Espiritismo, ao contr\u00e1rio, a esperan\u00e7a fortalece-se porque o futuro se nos desdobra.<br \/> O suic\u00eddio deixa de ser objetivo, uma vez reconhecido que apenas se isenta a gente do mal para arrostar com um mal cem vezes pior.<br \/> Eis porque o Espiritismo tem subtra\u00eddo muita gente a uma morte volunt\u00e1ria.<br \/> Grandemente culpados s\u00e3o aqueles que se esfor\u00e7am por acreditar, com sofismas cient\u00edficos e a pretexto de uma falsa raz\u00e3o, nessa id\u00e9ia desesperadora, fonte de tantos crimes e males, de que tudo acaba com a vida.<br \/> Esses ser\u00e3o respons\u00e1veis n\u00e3o s\u00f3 pelos pr\u00f3prios erros, como igualmente por todos os males a que os mesmos deram causa.<\/p>\n<p>6.<br \/> Quisestes escapar \u00e0s vicissitudes da vida.<br \/>.<br \/>.<br \/> Ganhastes alguma coisa? Sois agora mais feliz?<\/p>\n<p>R.<br \/> Por que n\u00e3o existe o nada?<\/p>\n<p>7.<br \/> Tende a bondade de nos descrever do melhor modo poss\u00edvel a vossa atual situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>R.<br \/> Sofro pelo constrangimento em que estou de crer em tudo quanto negava.<br \/> Meu Esp\u00edrito est\u00e1 como um braseiro, horrivelmente atormentado.<\/p>\n<p>8.<br \/> De onde provinham as vossas id\u00e9ias materialistas de outrora?<\/p>\n<p>R.<br \/> Em anterior encarna\u00e7\u00e3o eu fora mau e por isso condenei-me na seguinte aos tormentos da incerteza e assim foi que me suicidei.<\/p>\n<p>Aqui h\u00e1 todo um corol\u00e1rio de id\u00e9ias.<br \/> Muitas vezes nos perguntamos como pode haver materialistas quando, tendo eles passado pelo mundo espiritual deveriam ter dele a intui\u00e7\u00e3o; ora, \u00e9 precisamente essa intui\u00e7\u00e3o que \u00e9 recusada a alguns Esp\u00edritos que, conservando o orgulho, n\u00e3o se arrependeram das pr\u00f3prias faltas.<br \/> Para esses, a prova consiste na aquisi\u00e7\u00e3o, durante a vida corporal e \u00e0 custa do pr\u00f3prio racioc\u00ednio, da prova da exist\u00eancia de Deus e da vida futura que tem, por assim dizer, incessantemente debaixo dos olhos.<br \/> Muitas vezes, por\u00e9m, a presun\u00e7\u00e3o de nada admitir, acima de si, os empolga e absorve.<br \/> Assim sofrem eles a pena at\u00e9 que, domado o orgulho, se rendem \u00e0 evid\u00eancia.<\/p>\n<p>9.<br \/> Quando vos afogastes, que id\u00e9ia t\u00ednheis das conseq\u00fc\u00eancias? Que reflex\u00f5es fizestes nesse momento?<\/p>\n<p>R.<br \/> Nenhuma, pois tudo era o nada para mim.<br \/> Depois de que vi que, tendo cumprido toda a senten\u00e7a, teria de sofrer mais ainda.<\/p>\n<p>10.<br \/> Estais bem convencido agora da exist\u00eancia de Deus, da alma, da vida futura?<\/p>\n<p>R.<br \/> Ah! Tudo isso muito me atormenta!<\/p>\n<p>11.<br \/> Tornastes a ver vosso irm\u00e3o?<\/p>\n<p>R.<br \/> Oh! n\u00e3o.<\/p>\n<p>12.<br \/> E por que n\u00e3o?<\/p>\n<p>R.<br \/> Para que confundir os nossos desesperos? Exila-se a gente na desgra\u00e7a e na ventura se reune, eis o que \u00e9.<\/p>\n<p>13.<br \/> Incomodar-vos-ia a presen\u00e7a de vosso irm\u00e3o, que poder\u00edamos atrair a\u00ed para junto de v\u00f3s?<\/p>\n<p>R.<br \/> N\u00e3o o fa\u00e7ais, que n\u00e3o o mere\u00e7o.<\/p>\n<p>14.<br \/> Por que vos opondes?<\/p>\n<p>R.<br \/> Porque ele tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 feliz.<\/p>\n<p>15.<br \/> Receiais a sua presen\u00e7a e no entanto ela s\u00f3 poderia ser ben\u00e9fica para v\u00f3s.<\/p>\n<p>R.<br \/> N\u00e3o; mais tarde.<br \/>.<br \/>.<\/p>\n<p>16.<br \/> Tendes algum recado para os vossos parentes?<\/p>\n<p>R.<br \/> Que orem por mim.<\/p>\n<p>17.<br \/> Parece que na roda das vossas rela\u00e7\u00f5es h\u00e1 quem partilhe das vossas opini\u00f5es.<br \/> Quereis que lhes digamos alguma coisa do assunto?<\/p>\n<p>R.<br \/> Oh! Os desgra\u00e7ados! Assim possam eles crer em outra exist\u00eancia, eis quanto lhes posso desejar.<br \/> Se eles pudessem avaliar a minha triste posi\u00e7\u00e3o, muito refletiriam.<\/p>\n<p>(Evoca\u00e7\u00e3o de um irm\u00e3o do precedente, que professava as mesmas teorias, mas que n\u00e3o se suicidou.<br \/> Posto que tamb\u00e9m infeliz, este se apresenta mais calmo; a sua escrita \u00e9 clara e leg\u00edvel.<br \/>)<\/p>\n<p>18.<br \/> Evoca\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>\u2014 R.<br \/> Possa o quadro dos nossos sofrimentos ser \u00fatil li\u00e7\u00e3o, persuadindo-vos da realidade de outra exist\u00eancia, na qual se expiam as faltas oriundas da incredulidade.<\/p>\n<p>19.<br \/> V\u00f3s, e vosso irm\u00e3o que acabamos de evocar, vos vedes reciprocamente?<\/p>\n<p>R.<br \/> N\u00e3o; ele me foge.<\/p>\n<p>Poder-se-ia perguntar como \u00e9 que os Esp\u00edritos se podem evitar no mundo espiritual, uma vez que a\u00ed n\u00e3o existem obst\u00e1culos materiais nem ref\u00fagios impenetr\u00e1veis \u00e0 vista.<br \/> Tudo \u00e9, por\u00e9m, relativo nesse mundo e conforme a natureza flu\u00eddica dos seres que o habitam.<br \/> S\u00f3 os Esp\u00edritos superiores t\u00eam percep\u00e7\u00f5es indefinidas, que nos inferiores s\u00e3o limitadas.<br \/> Para estes, os obst\u00e1culos flu\u00eddicos equivalem a obst\u00e1culos materiais.<\/p>\n<p>Os Esp\u00edritos furtam-se \u00e0s vistas dos semelhantes por efeito volitivo, que atua sobre o envolt\u00f3rio perispiritual e fluidos ambientes.<br \/> A Provid\u00eancia, por\u00e9m, como m\u00e3e, por todos os seus filhos vela e individualmente lhes concede ou nega essa faculdade, conforme as suas disposi\u00e7\u00f5es morais, o que constitui, conforme as circunst\u00e2ncias, um castigo ou uma recompensa.<\/p>\n<p>20.<br \/> Estais mais calmo do que vosso irm\u00e3o.<br \/> Podereis dar uma descri\u00e7\u00e3o mais precisa dos vossos sofrimentos?<\/p>\n<p>R.<br \/> N\u00e3o sofreis a\u00ed na Terra no vosso orgulho, no vosso amor pr\u00f3prio, quando obrigados a reconhecer os vossos erros?<\/p>\n<p>O vosso Esp\u00edrito n\u00e3o se revolta com a id\u00e9ia de vos humilhardes a quem vos demonstre o vosso erro? Pois bem! Julgai quanto deve sofrer o Esp\u00edrito que por toda a sua vida se persuadiu de que nada existia al\u00e9m dele e que sobre todos prevalecia sempre a sua raz\u00e3o.<\/p>\n<p>Encontrando-se de s\u00fabito em face da verdade imponente, esse Esp\u00edrito sente-se aniquilado, humilhado.<br \/> A isso vem ainda juntar-se o remorso de haver por tanto tempo esquecido a exist\u00eancia de um Deus t\u00e3o bom, t\u00e3o indulgente.<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o \u00e9 insuport\u00e1vel; n\u00e3o h\u00e1 calma nem repouso; n\u00e3o se encontra um pouco de tranq\u00fcilidade sen\u00e3o no momento em que a gra\u00e7a divina, isto \u00e9, o amor de Deus, nos toca, pois o orgulho de tal modo se apodera de n\u00f3s, que de todo nos embota, a ponto de ser preciso ainda muito tempo para que nos despojemos completamente dessa roupagem fatal.<br \/> S\u00f3 a prece dos nossos irm\u00e3os pode ajudar-nos nesses transes.<\/p>\n<p>21.<br \/> Quereis falar dos irm\u00e3os encarnados, ou dos Esp\u00edritos?<\/p>\n<p>R.<br \/> De uns e outros.<\/p>\n<p>22.<br \/> Enquanto nos entret\u00ednhamos com o vosso irm\u00e3o, uma das pessoas aqui presentes orou por ele: essa prece lhe foi proveitosa?<\/p>\n<p>R.<br \/> Ela n\u00e3o se perder\u00e1.<br \/> Se ele agora recusa a gra\u00e7a, outro tanto n\u00e3o far\u00e1 quando estiver em condi\u00e7\u00f5es de recorrer a essa divina panac\u00e9ia.<\/p>\n<p>Aqui lobrigamos outro g\u00eanero de castigo, mas que n\u00e3o \u00e9 o mesmo em todos os c\u00e9ticos.<br \/> Para este Esp\u00edrito \u00e9 independente do sofrimento a necessidade de apregoar verdades, que repudiara quando encarnado.<\/p>\n<p>As suas id\u00e9ias atuais revelam certo grau de adiantamento, comparado ao de outros Esp\u00edritos persistentes na nega\u00e7\u00e3o de Deus.<br \/> Confessar o pr\u00f3prio erro \u00e9 j\u00e1 alguma coisa, porque \u00e9 premissa de humildade.<\/p>\n<p>Na subseq\u00fcente encarna\u00e7\u00e3o \u00e9 mais que prov\u00e1vel que a incredulidade ceda lugar ao sentimento inato da f\u00e9.<\/p>\n<p>Transmitindo \u00e0 pessoa que no-la havia solicitado o resultado das duas evoca\u00e7\u00f5es, tivemos dela a seguinte resposta:<\/p>\n<p> N\u00e3o podeis imaginar, meu caro senhor, o grande benef\u00edcio advindo da evoca\u00e7\u00e3o de meu sogro e de meu tio.<br \/> Reconhecemo-los perfeitamente.<br \/> A letra do primeiro, sobretudo, \u00e9 uma analogia not\u00e1vel com a que ele tinha em vida, tanto mais quanto, durante os \u00faltimos meses que conosco passou, essa letra era sofreada e indecifr\u00e1vel.<br \/> A\u00ed se verificam a mesma forma de pernas, do etc.<br \/> e de certas letras.<br \/> Quanto ao vocabul\u00e1rio e ao estilo, a semelhan\u00e7a \u00e9 ainda mais frisante; para n\u00f3s, a analogia \u00e9 completa, apenas com maior conhecimento de Deus, da alma e da eternidade que ele t\u00e3o formalmente negava outrora.<br \/> N\u00e3o nos restam d\u00favidas, portanto, acerca da sua identidade.<\/p>\n<p>Deus ser\u00e1 glorificado pela maior firmeza das nossas cren\u00e7as no Espiritismo e os nossos irm\u00e3os encarnados e desencarnados se tornar\u00e3o melhores.<br \/> A identidade de seu irm\u00e3o tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 menos evidente, na mudan\u00e7a de ateu em crente, reconhecemos-lhe o car\u00e1ter, o estilo, o contorno da frase.<br \/> Uma palavra, sobre todas, nos despertou aten\u00e7\u00e3o \u2014 panac\u00e9ia \u2014 predileta dele, que a todo o instante a repetia.<\/p>\n<p>Mostrei essas duas comunica\u00e7\u00f5es a v\u00e1rias pessoas, que n\u00e3o menos se admiraram da sua veracidade, mas os incr\u00e9dulos, com as mesmas opini\u00f5es dos meus parentes, esses desejariam respostas ainda mais categ\u00f3ricas.<\/p>\n<p>Queriam, por exemplo, que M.<br \/> D.<br \/> se referisse ao lugar em que foi enterrado, onde se afogou, como foi encontrado etc.<br \/> A fim de os convencer, n\u00e3o vos seria poss\u00edvel fazer nova evoca\u00e7\u00e3o perguntando onde e como se suicidou, quanto tempo esteve submergido, em que lugar acharam o cad\u00e1ver, onde foi inumado, de que modo, se civil ou religiosamente, foi sepultado?<\/p>\n<p>Dignai-vos, caro senhor, insistir pela resposta categ\u00f3rica a essas perguntas, pois s\u00e3o essenciais para aqueles que ainda duvidam.<br \/> Estou convencido de que dar\u00e3o, nesse caso, imensos resultados.<\/p>\n<p>Dou-me pressa a fim de esta vos ser entregue na sexta-feira de manh\u00e3, de modo que se possa fazer a evoca\u00e7\u00e3o na sess\u00e3o da Sociedade desse mesmo dia.<br \/>.<br \/>.<br \/> etc.<\/p>\n<p>Reproduzimos esta carta pelo fato da confirma\u00e7\u00e3o da identidade e aqui lhe anexamos a nossa resposta para ensino das pessoas n\u00e3o familiarizadas com as comunica\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p> As perguntas que nos pediram para novamente endere\u00e7ar ao Esp\u00edrito de vosso sogro s\u00e3o inconstestavelmente, ditadas por inten\u00e7\u00e3o louv\u00e1vel, como a de convencer incr\u00e9dulos, visto como em v\u00f3s n\u00e3o mais existe qualquer sentimento de d\u00favida ou curiosidade.<br \/> Contudo, um conhecimento mais aprofundado da ci\u00eancia esp\u00edrita, vos faria julgar sup\u00e9rfluas essas perguntas.<br \/> Em primeiro lugar, solicitando-me conseguir resposta categ\u00f3rica, mostrais ignorar a circunst\u00e2ncia de n\u00e3o podermos governar os Esp\u00edritos, a nosso bel-prazer.<br \/> Ficai sabendo que eles nos respondem quando e como querem e tamb\u00e9m como podem.<br \/> A liberdade da sua a\u00e7\u00e3o \u00e9 maior ainda do que quando encarnados, possuindo meios mais eficazes de se furtarem ao constrangimento moral que por acaso sobre eles queiramos exercer.<\/p>\n<p>As melhores provas de identidade s\u00e3o as que fornecem espontaneamente, por si mesmos, ou ent\u00e3o as oriundas das pr\u00f3prias circunst\u00e2ncias.<br \/> Estas, \u00e9 quase sempre in\u00fatil provoc\u00e1-las.<br \/> Segundo afirmais, o vosso parente provou a sua identidade de modo inconcusso; por conseguinte, \u00e9 mais que prov\u00e1vel a sua recusa em responder a perguntas que podem por ele ser com raz\u00e3o consideradas sup\u00e9rfluas, visando satisfazer \u00e0 curiosidade de pessoas que lhe s\u00e3o indiferentes.<br \/> A resposta bem poderia ser a que outros t\u00eam dado em casos semelhantes, isto \u00e9; \u2014  para que perguntar coisas que j\u00e1 sabeis ?<\/p>\n<p>A isto acrescentarei que a perturba\u00e7\u00e3o e os sofrimentos de que est\u00e1 tomado devem agravar-se com as investiga\u00e7\u00f5es desse g\u00eanero, que correspondem exatamente ao fato de se querer constranger um doente, que mal pode pensar e falar, a historiar as min\u00facias da sua vida, faltando-se assim \u00e0s considera\u00e7\u00f5es inspiradas pelo seu pr\u00f3prio estado.<\/p>\n<p>Quanto ao objetivo por v\u00f3s alegado, ficai certo de que tudo seria negativo.<br \/> As provas de identidade fornecida s\u00e3o bem mais valiosas, por isso que foram espont\u00e2neas, e n\u00e3o de antem\u00e3o premeditadas.<br \/> Ora, se estas n\u00e3o puderam contentar os incr\u00e9dulos, muito menos o fariam interrogativas j\u00e1 preestabelecidas, de cuja coniv\u00eancia, poderiam suspeitar.<\/p>\n<p>H\u00e1 pessoas a quem coisa alguma pode convencer.<br \/> Essas poderiam ver o vosso parente, com os pr\u00f3prios olhos, e continuariam a supor-se v\u00edtimas de uma alucina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Duas palavras ainda, quanto ao pedido que me fizestes no sentido de promover essa evoca\u00e7\u00e3o no mesmo dia do recebimento de vossa carta.<br \/> As evoca\u00e7\u00f5es n\u00e3o se fazem assim de momento; os Esp\u00edritos nem sempre correspondem ao nosso apelo; \u00e9 preciso que queiram, e n\u00e3o s\u00f3 isso, mas que tamb\u00e9m possam faz\u00ea-lo.<br \/> \u00c9 preciso, ainda, que encontrem um m\u00e9dium que lhes convenha, com as aptid\u00f5es especiais necess\u00e1rias e que esse m\u00e9dium esteja dispon\u00edvel em dado momento.<br \/> \u00c9 preciso, enfim, que o meio lhes seja simp\u00e1tico, etc.<br \/> Pela concorr\u00eancia dessas circunst\u00e2ncias nem sempre se pode responder e importa muito conhec\u00ea-las quando se quer cuidar dessas coisas com seriedade e seguran\u00e7a.<\/p>\n<p>Feliciano<\/p>\n<p>Era um homem rico, instru\u00eddo, poeta espirituoso, possuidor de car\u00e1ter s\u00e3o, obsequioso e ameno, de perfeita honradez.<\/p>\n<p>Falsas especula\u00e7\u00f5es comprometeram-lhe a fortuna e, n\u00e3o lhe sendo poss\u00edvel repar\u00e1-la em raz\u00e3o da idade avan\u00e7ada, cedeu ao des\u00e2nimo, enforcando-se em dezembro de 1864, no seu quarto de dormir.<\/p>\n<p>N\u00e3o era materialista nem ateu, mas um homem de g\u00eanio um tanto superficial, ligando pouca import\u00e2ncia ao problema da vida de al\u00e9m-t\u00famulo.<br \/> Conhecendo-o intimamente, evocamo-lo, quatro meses ap\u00f3s o suic\u00eddio, inspirados pela simpatia que lhe dedic\u00e1vamos.<\/p>\n<p>Evoca\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u2014 Choro a Terra na qual tive decep\u00e7\u00f5es, por\u00e9m menores do que as experimentadas aqui.<br \/> Eu, que sonhava maravilhas, estou abaixo da realidade do meu ideal.<br \/> O mundo dos Esp\u00edritos \u00e9 bastante prom\u00edscuo e para torn\u00e1-lo suport\u00e1vel fora mister uma boa escolha.<br \/> N\u00e3o torno a ele.<br \/> Que esbo\u00e7o de costumes esp\u00edritas se poderia fazer aqui! O pr\u00f3prio Balzac, estando no seu elemento, n\u00e3o faria esse esbo\u00e7o sen\u00e3o de modo r\u00fastico.<br \/> N\u00e3o o lobriguei, por\u00e9m.<br \/> Onde estar\u00e3o esses grandes Esp\u00edritos que t\u00e3o energicamente profligaram os v\u00edcios da Humanidade! Deviam eles, como eu, habitar por aqui antes de se lan\u00e7arem a regi\u00f5es mais elevadas.<br \/> Apraz-me observar este curioso pandem\u00f4nio e assim fico por aqui.<\/p>\n<p>Apesar de o Esp\u00edrito nos declarar que se acha numa sociedade assaz prom\u00edscua e, por conseguinte, de Esp\u00edritos inferiores, surpreendeu-nos a sua linguagem, dado o g\u00eanero de morte, ao qual, ali\u00e1s, n\u00e3o faz qualquer refer\u00eancia.<br \/> A n\u00e3o ser isso, tudo mais refletiu seu car\u00e1ter.<\/p>\n<p>Essa circunst\u00e2ncia deixava-nos em d\u00favida acerca da identidade.<\/p>\n<p>P.<br \/> Tende a bondade de nos dizer como morrestes.<br \/>.<br \/>.<\/p>\n<p>R.<br \/> Como morri? Pela morte por mim escolhida, a que mais me agradou, sendo para notar que meditei muito tempo nessa escolha com o intuito de me livrar da vida.<br \/> Apesar disso, confesso que n\u00e3o ganhei grande coisa: libertei-me dos cuidados materiais, por\u00e9m, para encontr\u00e1-los mais graves e penosos na condi\u00e7\u00e3o de Esp\u00edrito, da qual nem sequer prevejo o fim.<\/p>\n<p>P.<br \/> (ao Guia do m\u00e9dium) O Esp\u00edrito em comunica\u00e7\u00e3o ser\u00e1 efetivamente o de Feliciano? Esta linguagem, quase despreocupada, torna-se suspeita em se tratando de um suicida.<br \/>.<br \/>.<\/p>\n<p>R.<br \/> Sim.<br \/> Entretanto, por um sentimento justific\u00e1vel na sua posi\u00e7\u00e3o, ele n\u00e3o queria revelar ao m\u00e9dium o seu g\u00eanero de morte.<br \/> Foi por isso que dissimulou a frase, acabando no entanto por confess\u00e1-lo diante da pergunta direta que lhe fizestes e n\u00e3o sem ang\u00fastias.<br \/> O suic\u00eddio f\u00e1-lo sofrer muito e por isso desvia, o mais poss\u00edvel, tudo o que lhe recorde o seu fim funesto.<\/p>\n<p>P.<br \/> (ao Esp\u00edrito).<br \/> A vossa desencarna\u00e7\u00e3o tanto mais nos comoveu, quanto lhe prev\u00edamos as tristes conseq\u00fc\u00eancias, al\u00e9m da estima e intimidade das nossas rela\u00e7\u00f5es.<br \/> Particularmente n\u00e3o me esqueci do quanto \u00e9reis obsequioso e bom para comigo.<br \/> Seria feliz se pudesse testemunhar-vos a minha gratid\u00e3o, fazendo alguma coisa por v\u00f3s.<\/p>\n<p>R.<br \/> Entretanto, eu n\u00e3o podia furtar-me de outra maneira aos impecilhos da minha posi\u00e7\u00e3o material.<br \/> Agora, s\u00f3 tenho necessidade de preces, orai, principalmente, para que me veja livre desses h\u00f3rridos companheiros que aqui est\u00e3o junto de mim, obsidiando-me com gritos, sorrisos e infernais motejos.<br \/> Eles chamam-me covarde, e com raz\u00e3o, porque \u00e9 covardia renunciar \u00e0 vida.<br \/> \u00c9 a quarta vez que sucumbo a essa prova\u00e7\u00e3o, n\u00e3o obstante a formal promessa de n\u00e3o falir.<br \/>.<br \/>.<br \/> Fatalidade!.<br \/>.<br \/>.<br \/> Ah! Orai.<br \/>.<br \/>.<\/p>\n<p>Que supl\u00edcio o meu! Quanto sou desgra\u00e7ado! Orando, fazeis por mim mais que por v\u00f3s pude fazer quando na Terra; mas a prova, ante a qual fracassei tantas vezes, a\u00ed est\u00e1 retra\u00e7ada, indel\u00e9vel, diante de mim! \u00c9 preciso tent\u00e1-la novamente em tempo oportuno.<br \/>.<br \/>.<br \/> Terei for\u00e7as? Ah! recome\u00e7ar a vida tantas vezes; lutar por tanto tempo para sucumbir aos acontecimentos, \u00e9 desesperador, mesmo aqui! Eis porque tenho necessidade de for\u00e7a.<br \/> Dizem que podemos obt\u00ea-la pela prece.<br \/>.<br \/>.<br \/> Orai por mim, que eu quero orar tamb\u00e9m.<\/p>\n<p>Este caso particular de suic\u00eddio se bem que realizado em circunst\u00e2ncias vulgares, apresenta uma caracter\u00edstica especial.<br \/> Ele mostra-nos um Esp\u00edrito que se renovar\u00e1 at\u00e9 que ele tenha for\u00e7as para resistir.<\/p>\n<p>Assim se confirma o fato de n\u00e3o haver proveito no sofrimento, sempre que deixamos de atingir o fim da encarna\u00e7\u00e3o, sendo preciso recome\u00e7\u00e1-lo at\u00e9 que saiamos vitoriosos da refrega.<\/p>\n<p>Ao Esp\u00edrito do Sr.<br \/> Feliciano \u2014 Ouvi, eu vo-lo pe\u00e7o, ouvi e meditai nas minhas palavras.<br \/> O que denominais fatalidade \u00e9 apenas a vossa fraqueza, pois se a fatalidade existisse o homem deixaria de ser respons\u00e1vel pelos seus atos.<br \/> O homem \u00e9 sempre livre e na liberdade est\u00e1 o seu maior e mais belo privil\u00e9gio.<br \/> Deus n\u00e3o quis fazer dele um aut\u00f4mato obediente e cego e, se essa liberdade o torna fal\u00edvel, tamb\u00e9m o torna perfect\u00edvel, com o que somente pela perfei\u00e7\u00e3o poder\u00e1 atingir a suprema felicidade.<\/p>\n<p>O orgulho somente pode levar o homem a atribuir ao destino as suas infelicidades terrenas, quando a verdade \u00e9 que essas infelicidades promanam da sua pr\u00f3pria inc\u00faria.<br \/> Tendes disso um exemplo bem patente na vossa \u00faltima encarna\u00e7\u00e3o, pois t\u00ednheis tudo que se fazia necess\u00e1rio \u00e0 felicidade humana na Terra: esp\u00edrito, talento, fortuna, merecida considera\u00e7\u00e3o; nada de v\u00edcios ruinosos, mas, ao contr\u00e1rio, apreci\u00e1veis qualidades.<br \/>.<br \/>.<br \/> Como pois ficou t\u00e3o comprometida a vossa posi\u00e7\u00e3o? Unicamente pela vossa imprevid\u00eancia.<\/p>\n<p>Haveis de convir que, agindo com mais prud\u00eancia, contentando-vos com o muito que j\u00e1 vos coubera, antes que procurando aument\u00e1-lo sem necessidade, a ru\u00edna n\u00e3o sobreviria.<br \/> N\u00e3o havia nisso nenhuma fatalidade, uma vez que pod\u00edeis ter evitado o acontecido.<br \/> A vossa prova\u00e7\u00e3o consistia num encadeamento de circunst\u00e2ncias que vos deveriam dar n\u00e3o \u00e0 necessidade mas \u00e0 tenta\u00e7\u00e3o do suic\u00eddio; desgra\u00e7adamente, apesar do vosso talento e instru\u00e7\u00e3o, n\u00e3o soubestes dominar essas circunst\u00e2ncias e sofreis agora as conseq\u00fc\u00eancias da vossa fraqueza.<\/p>\n<p>Essa prova, como o pressentis com raz\u00e3o, deve renovar-se ainda; na vossa pr\u00f3xima encarna\u00e7\u00e3o tereis de enfrentar acontecimentos que vos sugerir\u00e3o as id\u00e9ias de suic\u00eddio e sempre assim acontecer\u00e1 at\u00e9 que de todo tenhais triunfado.<\/p>\n<p>Longe de acusar o destino que \u00e9 a vossa pr\u00f3pria obra, admirai a bondade de Deus que, em vez de condenar irremissivelmente pela primeira falta, oferece sempre os meios de repar\u00e1-la.<\/p>\n<p>Assim sofrereis n\u00e3o eternamente, mas por tanto tempo quanto reincidirdes no erro.<br \/> Depende de v\u00f3s, no estado espiritual, tomar a resolu\u00e7\u00e3o bastante en\u00e9rgica de manifestar a Deus um sincero arrependimento, solicitando instantemente o apoio dos bons Esp\u00edritos.<br \/> Voltareis ent\u00e3o \u00e0 Terra, escudado na resist\u00eancia a todas as tenta\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Uma vez alcan\u00e7ada essa vit\u00f3ria que sob outros aspectos o vosso progresso \u00e9 j\u00e1 consider\u00e1vel.<br \/> Como vedes, h\u00e1 ainda um passo a vencer, para o qual vos auxiliaremos com as nossas preces.<br \/> Estas s\u00f3 ser\u00e3o improf\u00edcuas se nos n\u00e3o ajudardes com os vossos esfor\u00e7os.<\/p>\n<p>R.<br \/> Oh! Obrigado! Oh! Obrigado por t\u00e3o boas exorta\u00e7\u00f5es.<br \/> Delas tenho tanto maior precis\u00e3o quanto sou mais desgra\u00e7ado do que aparentava.<br \/> Vou aproveit\u00e1-las, garanto, no preparo da pr\u00f3xima encarna\u00e7\u00e3o, durante a qual farei todo o poss\u00edvel por n\u00e3o sucumbir.<br \/> J\u00e1 me custa suportar o meio ign\u00f3bil do meu ex\u00edlio.<\/p>\n<p>Feliciano.<\/p>\n<p>Antonio Bell<\/p>\n<p>Era o caixa de uma casa banc\u00e1ria do Canad\u00e1 e suicidou-se a 28 de fevereiro de 1865.<br \/> Um dos nossos correspondentes, m\u00e9dico e farmac\u00eautico residente na mesma cidade, deu-nos dele as informa\u00e7\u00f5es que se seguem:<\/p>\n<p> Conheci-o, havia perto de 20 anos, como homem pacato e chefe de numerosa fam\u00edlia.<br \/> De certo tempo para c\u00e1 imaginou ter comprado um t\u00f3xico na minha farm\u00e1cia, do qual se serviu para envenenar algu\u00e9m.<br \/> Muitas vezes vinha suplicar-me para lhe dizer a \u00e9poca daquela compra, tomado ent\u00e3o de alucina\u00e7\u00f5es terr\u00edveis.<\/p>\n<p>Perdia o sono, lamentava-se, batia no peito.<br \/> A fam\u00edlia vivia em constante ansiedade das 4 da tarde \u00e0s 9 da manh\u00e3, hora esta em que se dirigia para a casa banc\u00e1ria, onde ali\u00e1s, procedia com muita regularidade, aos seus servi\u00e7os de escritura\u00e7\u00f5es, sem que jamais tivesse cometido um s\u00f3 erro.<br \/> Habitualmente dizia sentir dentro de si um ente que o fazia desempenhar com acerto e ordem a sua contabilidade.<br \/> Quando se dava por convencido da extravag\u00e2ncia das suas id\u00e9ias, exclamava:  N\u00e3o, n\u00e3o; quereis iludir-me.<br \/>.<br \/>.<br \/> lembro-me.<br \/>.<br \/>.<br \/> \u00e9 verdade.<\/p>\n<p>A pedido desse amigo, foi ele evocado em Paris, a 17 de abril de 1865.<\/p>\n<p>1.<br \/> Evoca\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>R.<br \/> Que pretendeis de mim? Sujeitar-me a um interrogat\u00f3rio? \u00c9 in\u00fatil, tudo confessarei.<\/p>\n<p>2.<br \/> Bem longe de n\u00f3s o pensamento de vos afligir com perguntas indiscretas; desejamos saber apenas qual a vossa posi\u00e7\u00e3o nesse mundo, bem como se vos poderemos ser \u00fateis.<br \/>.<br \/>.<\/p>\n<p>R.<br \/> Ah! Se for poss\u00edvel, ser-vos-ei extremamente grato.<br \/> Tenho horror ao meu crime e sou muito infeliz!<\/p>\n<p>3.<br \/> Temos a esperan\u00e7a de que as nossas preces atenuar\u00e3o as vossas penas.<br \/> Parece-nos que vos achais em boas condi\u00e7\u00f5es, visto como o arrependimento j\u00e1 vos assedia o cora\u00e7\u00e3o, o que constitui um come\u00e7o de reabilita\u00e7\u00e3o.<br \/> Deus, infinitamente misericordioso, sempre tem piedade do pecador arrependido.<br \/> Orai conosco.<br \/> (Faz-se a prece pelos suicidas, a qual se encontra em O Evangelho Segundo o Espiritismo).<\/p>\n<p>Agora, tende a bondade de nos dizer de quais crimes vos reconheceis culpado.<br \/> Essa confiss\u00e3o, humildemente feita, servos-\u00e1 favor\u00e1vel.<\/p>\n<p>R.<br \/> Deixai primeiro que vos agrade\u00e7a por esta esperan\u00e7a que fizestes raiar no meu cora\u00e7\u00e3o.<br \/> Oh! H\u00e1 j\u00e1 bastante tempo que vivia numa cidade banhada pelo Mediterr\u00e2neo.<br \/> Amava, ent\u00e3o, uma bela mo\u00e7a que me correspondia; mas, pelo fato de ser pobre, fui repelido pela fam\u00edlia.<br \/> A minha eleita participou-me que desposaria o filho de um negociante cujas transa\u00e7\u00f5es se estendiam para al\u00e9m de dois mares e assim fui eu preterido.<\/p>\n<p>Louco de dor, resolvi acabar com a vida, n\u00e3o sem deixar de assassinar o detestado rival, saciando o meu desejo de vingan\u00e7a.<br \/> Repugnando-me os meios violentos, horrorizava-me a perpetra\u00e7\u00e3o do crime, por\u00e9m, o meu ci\u00fame a levou de vencida.<br \/> Na v\u00e9spera do casamento, morria o meu rival envenenado, pelo meio que me pareceu mais f\u00e1cil.<br \/> Eis como se explicam as reminisc\u00eancias do passado.<br \/>.<br \/>.<br \/> Sim, eu j\u00e1 reencarnei, e preciso \u00e9 que reencarne ainda.<br \/>.<br \/>.<br \/> Oh! Meu Deus, tende piedade das minhas l\u00e1grimas e da minha fraqueza!<\/p>\n<p>4.<br \/> Deploramos essa infelicidade que retardou vosso progresso e sinceramente vos lamentamos; dado, por\u00e9m, que vos arrependais, Deus se h\u00e1 de compadecer de v\u00f3s.<br \/> Dizei-nos se chegastes a executar o vosso projeto de suic\u00eddio.<br \/>.<br \/>.<\/p>\n<p>R.<br \/> N\u00e3o e confesso, para vergonha minha, que a esperan\u00e7a se me despontou novamente no cora\u00e7\u00e3o, com o desejo de me aproveitar do crime j\u00e1 cometido.<br \/> Tra\u00edam-me, por\u00e9m, os remorsos e acabei por expiar, no \u00faltimo supl\u00edcio, aquele meu desvario: enforquei-me.<\/p>\n<p>5.<br \/> Na vossa \u00faltima encarna\u00e7\u00e3o t\u00ednheis a consci\u00eancia do mal praticado na pen\u00faltima?<\/p>\n<p>R.<br \/> Nos \u00faltimos anos somente, e eis como se dava o fato: eu era bom por natureza e, depois de submetido, como todos os homicidas, ao tormento da vis\u00e3o perseverante da v\u00edtima, que me perseguia qual vivo remorso, dela me desvencilhei depois de muitos anos, pelo meu arrependimento e pelas minhas preces.<br \/> Recomecei outra exist\u00eancia, a \u00faltima que atravessei calmo e t\u00edmido.<br \/> Tinha em mim como que vaga intui\u00e7\u00e3o da minha inata fraqueza, bem como da culpa anterior, cuja lembran\u00e7a em estado latente conservara.<\/p>\n<p>Mas um Esp\u00edrito obsessor e vingativo, que n\u00e3o era outro sen\u00e3o o pai da minha v\u00edtima, facilmente se apoderou de mim e fez reviver no meu cora\u00e7\u00e3o, como em m\u00e1gico espelho, as lembran\u00e7as do passado.<\/p>\n<p>Simultaneamente influenciado por ele e pelo meu Guia, que me protegia, eu era o envenenador e ao mesmo tempo o pai de fam\u00edlia angariando pelo trabalho o sustento dos filhos.<br \/> Fascinado por esse dem\u00f4nio obsessor, deixei-me arrastar para o suic\u00eddio.<br \/> Sou muito culpado realmente, por\u00e9m menos do que se deliberasse por mim mesmo.<br \/> Os suicidas da minha categoria, incapazes por sua fraqueza de resistir aos obsessores, s\u00e3o menos culpados e menos punidos do que aqueles que abandonam a vida por efeito exclusivo da pr\u00f3pria vontade.<\/p>\n<p>Orai comigo para que o Esp\u00edrito que t\u00e3o fatalmente me obsediou renuncie \u00e0 sua vingan\u00e7a e orai por mim para que adquira a energia, a for\u00e7a necess\u00e1ria para n\u00e3o ceder \u00e0 prova do suic\u00eddio volunt\u00e1rio, prova a que serei submetido, dizem-me, na pr\u00f3xima encarna\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Ao Guia do m\u00e9dium \u2014 Um Esp\u00edrito obsessor pode, realmente, levar o obsediado ao suic\u00eddio?<\/p>\n<p>R.<br \/> Certamente, pois a obsess\u00e3o que, por si mesma, j\u00e1 \u00e9 um g\u00eanero de prova\u00e7\u00e3o, pode revestir todas as formas.<br \/> Mas isso n\u00e3o quer dizer isen\u00e7\u00e3o de culpa.<br \/> O homem disp\u00f5e sempre do livre-arb\u00edtrio e conseq\u00fcentemente est\u00e1 em si o ceder ou resistir \u00e0s sugest\u00f5es a que o submetem.<\/p>\n<p>Assim \u00e9 que, sucumbindo, o faz sempre com assentimento da pr\u00f3pria vontade.<br \/> Relativamente ao mais, o Esp\u00edrito tem raz\u00e3o dizendo que a a\u00e7\u00e3o incitada por outrem \u00e9 menos culposa e repreens\u00edvel do que quando voluntariamente cometida.<br \/> Contudo, nem por isso se inocenta de culpa, visto como, afastando-se do caminho reto, mostra que o bem ainda n\u00e3o estava vinculado no seu cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>6.<br \/> Como n\u00e3o obstante a prece e o arrependimento terem libertado esse Esp\u00edrito da vis\u00e3o tormentosa da sua v\u00edtima, pode ele ser atingido pela vingan\u00e7a de um obsessor na \u00faltima encarna\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>R.<br \/> O arrependimento, bem o sabeis, \u00e9 apenas a preliminar indispens\u00e1vel \u00e0 reabilita\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o \u00e9 o suficiente para libertar o culpado de todas as penas.<br \/> Deus n\u00e3o se contenta com promessas, sendo preciso a prova por atos, do retorno ao bom caminho.<br \/> Eis porque o Esp\u00edrito \u00e9 submetido a novas prova\u00e7\u00f5es que o fortalecem, acrescendo-lhe um merecimento ainda maior quando delas sai triunfante.<\/p>\n<p>O Esp\u00edrito s\u00f3 arrosta com a persegui\u00e7\u00e3o dos maus, dos obsessores, enquanto estes o n\u00e3o encontram bastante forte para resistir-lhes.<br \/> Encontrando resist\u00eancia, eles o abandonam convictos da inutilidade dos seus esfor\u00e7os.<\/p>\n<p>Estes dois \u00faltimos exemplos mostram-nos a renova\u00e7\u00e3o da mesma prova em sucessivas encarna\u00e7\u00f5es e por tanto tempo quanto o da sua inefic\u00e1cia.<br \/> Ant\u00f4nio Bell mostra-nos enfim o fato muito instrutivo do homem perseguido pela lembran\u00e7a de um crime cometido em anterior exist\u00eancia, como um remorso e um aviso.<\/p>\n<p>Vemos ainda por a\u00ed que todas as exist\u00eancias s\u00e3o solid\u00e1rias entre si; que a justi\u00e7a e bondade divinas se ostentam na faculdade ao homem conferida de progredir gradualmente, sem nunca priv\u00e1-lo do resgate das faltas; que o culpado \u00e9 punido pela pr\u00f3pria falta, sendo esta puni\u00e7\u00e3o, em vez de uma vingan\u00e7a de Deus, o meio empregado para faz\u00ea-lo progredir.<\/p>\n<div class=\"pvc_clear\"><\/div>\n<p id=\"pvc_stats_15485\" class=\"pvc_stats all  \" data-element-id=\"15485\" style=\"\"><i class=\"pvc-stats-icon medium\" aria-hidden=\"true\"><svg aria-hidden=\"true\" focusable=\"false\" data-prefix=\"far\" data-icon=\"chart-bar\" role=\"img\" xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\" viewBox=\"0 0 512 512\" class=\"svg-inline--fa fa-chart-bar fa-w-16 fa-2x\"><path fill=\"currentColor\" d=\"M396.8 352h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8V108.8c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v230.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8zm-192 0h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8V140.8c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v198.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8zm96 0h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8V204.8c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v134.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8zM496 400H48V80c0-8.84-7.16-16-16-16H16C7.16 64 0 71.16 0 80v336c0 17.67 14.33 32 32 32h464c8.84 0 16-7.16 16-16v-16c0-8.84-7.16-16-16-16zm-387.2-48h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8v-70.4c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v70.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8z\" class=\"\"><\/path><\/svg><\/i> <img decoding=\"async\" width=\"16\" height=\"16\" alt=\"Loading\" data-src=\"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/wp-content\/plugins\/page-views-count\/ajax-loader-2x.gif\" border=0 src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" class=\"lazyload\" style=\"--smush-placeholder-width: 16px; 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