{"id":15501,"date":"2018-11-17T08:12:00","date_gmt":"2018-11-17T08:12:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/artigo15501\/"},"modified":"2018-11-17T09:02:39","modified_gmt":"2018-11-17T11:02:39","slug":"artigo15501","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/artigo15501\/","title":{"rendered":"Livro C\u00e9u e o Inferno &#8211;  Segunda Parte &#8211; Cap\u00edtulo VI  Criminosos Arrependidos &#8211; Allan Kardec"},"content":{"rendered":"<p>Verger<\/p>\n<p>Assassino do arcebispo de Paris<\/p>\n<p>No dia 3 de janeiro de 1857, monsenhor Sibour, arcebispo de Paris, ao sair da Igreja de Saint-Etiene du Mont, foi mortalmente ferido por um jovem padre chamado Verger.<br \/> O criminoso foi condenado \u00e0 morte e executado a 30 de janeiro.<br \/> At\u00e9 o \u00faltimo momento n\u00e3o manifestou qualquer sentimento de pesar, de arrependimento, ou de sensibilidade.<\/p>\n<p>Evocado no mesmo dia da execu\u00e7\u00e3o, deu as seguintes respostas:<\/p>\n<p>1.<br \/> Evoca\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u2014 R.<br \/> Ainda estou preso ao corpo.<\/p>\n<p>2.<br \/> Ent\u00e3o a vossa alma n\u00e3o est\u00e1 inteiramente libertada?<\/p>\n<p>R.<br \/> N\u00e3o.<br \/>.<br \/>.<br \/> tenho medo.<br \/>.<br \/>.<br \/> n\u00e3o sei.<br \/>.<br \/>.<br \/> Esperarei que volte a mim.<br \/> N\u00e3o estou morto, n\u00e3o \u00e9 assim?<\/p>\n<p>3.<br \/> Arrependei-vos do que fizeste?<\/p>\n<p>R.<br \/> Fiz mal em matar, mas a isso fui levado pelo meu car\u00e1ter, que n\u00e3o podia tolerar humilha\u00e7\u00f5es.<br \/>.<br \/>.<br \/> Evocar-me-eis em outra oportunidade.<\/p>\n<p>4.<br \/> Por que vos retirais?<\/p>\n<p>R.<br \/> Se o visse, muito me atemorizaria pelo receio de que ele me fizesse outro tanto.<\/p>\n<p>5.<br \/> Mas nada tendes a temer, uma vez que a vossa alma est\u00e1 separada do corpo.<br \/> Renunciai a qualquer inquieta\u00e7\u00e3o: n\u00e3o \u00e9 razo\u00e1vel.<\/p>\n<p>R.<br \/> Que quereis?<\/p>\n<p>Acaso sois sempre senhor das vossas impress\u00f5es? Quanto a mim, n\u00e3o sei onde estou.<br \/>.<br \/>.<br \/> estou doido.<\/p>\n<p>6.<br \/> Esfor\u00e7ai-vos por ser calmo.<\/p>\n<p>R.<br \/> N\u00e3o posso, porque estou louco.<br \/>.<br \/>.<br \/> Esperai, que vou apelar para minha lucidez.<\/p>\n<p>7.<br \/> Se or\u00e1sseis, talvez pud\u00e9sseis concentrar os vossos pensamentos.<br \/>.<br \/>.<\/p>\n<p>R.<br \/> Intimido-me.<br \/>.<br \/>.<br \/> n\u00e3o me atrevo a orar.<\/p>\n<p>8.<br \/> Orai, que grande \u00e9 a miseric\u00f3rdia de Deus! Oraremos convosco.<\/p>\n<p>R.<br \/> Sim; eu sempre acreditei na infinita miseric\u00f3rdia de Deus.<\/p>\n<p>9 .<br \/> Compreendeis melhor agora a vossa situa\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>R.<br \/> Ela \u00e9 t\u00e3o extraordin\u00e1ria que ainda n\u00e3o posso apreend\u00ea-Ia.<\/p>\n<p>10.<br \/> Vedes a vossa v\u00edtima?<\/p>\n<p>P.<br \/> Parece-me ouvir uma voz semelhante \u00e0 sua que me diz:  N\u00e3o mais te quero.<br \/>.<br \/>.<br \/>  Ser\u00e1 talvez, um efeito da imagina\u00e7\u00e3o!.<br \/>.<br \/>.<br \/> Estou doido, eu vo-lo asseguro, pois que vejo meu corpo de um lado e a cabe\u00e7a de outro.<br \/>.<br \/>.<br \/> afigurando-se-me, por\u00e9m, que vivo no Espa\u00e7o, entre a Terra e o que denominas c\u00e9u.<br \/>.<br \/>.<br \/> Sinto como o frio de uma faca prestes a decepar-me o pesco\u00e7o, mas isso ser\u00e1 talvez o terror da morte.<br \/>.<br \/>.<br \/> Tamb\u00e9m me parece ver uma multid\u00e3o de Esp\u00edritos a rodear-me, a olhar-me compadecidos.<br \/>.<br \/>.<br \/> falam-me, mas n\u00e3o os compreendo.<\/p>\n<p>11.<br \/> Entretanto, entre esses Esp\u00edritos h\u00e1 talvez um cuja presen\u00e7a vos humilha por causa do vosso crime.<\/p>\n<p>R.<br \/> Dir-vos-ei que h\u00e1 apenas um que me apavora: o daquele a quem matei.<\/p>\n<p>12.<br \/> Lembrai-vos das anteriores exist\u00eancias?<\/p>\n<p>R.<br \/> N\u00e3o; estou indeciso, acreditando sonhar.<br \/>.<br \/>.<br \/> Ainda uma vez, preciso tornar a mim.<\/p>\n<p>13.<br \/> (Tr\u00eas dias depois) Estais melhor agora?<\/p>\n<p>R.<br \/> J\u00e1 sei que n\u00e3o mais perten\u00e7o a esse mundo e n\u00e3o o deploro.<br \/> Pesa-me o que fiz, por\u00e9m meu Esp\u00edrito est\u00e1 mais livre.<br \/> Sei ademais que h\u00e1 uma s\u00e9rie de encarna\u00e7\u00f5es que nos d\u00e3o conhecimentos \u00fateis, a fim de nos tornarmos perfeitos tanto quanto \u00e9 poss\u00edvel \u00e0 criatura humana.<\/p>\n<p>14.<br \/> Sois punido pelo crime que cometestes?<\/p>\n<p>R.<br \/> Sim; lamento o que fiz e isso me faz sofrer.<\/p>\n<p>15.<br \/> Qual a vossa puni\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>R.<br \/> Sou punido porque tenho consci\u00eancia da minha falta e para ela pe\u00e7o perd\u00e3o a Deus; sou punido porque reconhe\u00e7o a minha descren\u00e7a nesse Deus, sabendo agora que n\u00e3o devemos abreviar os dias de vida de nossos irm\u00e3os; sou punido pelo remorso de haver protelado o meu progresso, enveredando por caminho errado, sem ouvir o grito da pr\u00f3pria consci\u00eancia que me dizia n\u00e3o ser pelo assass\u00ednio que alcan\u00e7aria o meu desiderato.<\/p>\n<p>Deixei-me dominar pela inveja e pelo orgulho; enganei-me e arrependi-me, pois o homem deve esfor\u00e7ar-se sempre por dominar as m\u00e1s paix\u00f5es \u2014 o que ali\u00e1s n\u00e3o fiz.<\/p>\n<p>16.<br \/> Qual a vossa sensa\u00e7\u00e3o quando vos evocamos?<\/p>\n<p>R.<br \/> De prazer e de temor, uma vez que n\u00e3o sou mau.<\/p>\n<p>17.<br \/> Em que consiste esse prazer e esse temor?<\/p>\n<p>R.<br \/> No prazer de conversar com os homens e poder em parte reparar as minhas faltas, confessando-as; e no temor, que n\u00e3o posso definir, um qu\u00ea de vergonha por ter sido um assassino.<\/p>\n<p>18.<br \/> Desejais reencarnar na Terra?<\/p>\n<p>R.<br \/> At\u00e9 o pe\u00e7o e desejo achar-me constantemente exposto ao assass\u00ednio e sentir o medo disso.<\/p>\n<p>Monsenhor Sibour, evocado, disse que perdoava o assassino e orava para que ele se arrependesse.<br \/> Disse mais que, se bem estivesse presente \u00e0 evoca\u00e7\u00e3o, n\u00e3o se lhe tinha mostrado para lhe n\u00e3o aumentar os sofrimentos, porquanto o receio de o ver j\u00e1 era um sintoma de remorso, j\u00e1 era um castigo.<\/p>\n<p>P.<br \/> O homem que mata sabe que, ao escolher nova exist\u00eancia, nela se tornar\u00e1 assassino?<\/p>\n<p>R.<br \/> N\u00e3o; ele sabe que, escolhendo uma vida de luta, tem probabilidades de matar um semelhante, ignorando por\u00e9m se o far\u00e1, uma vez que tem de lutar consigo.<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o de Verger, ao morrer, \u00e9 a de quase todos aqueles que sucumbem violentamente.<br \/> N\u00e3o se verificando abruptamente a separa\u00e7\u00e3o, eles ficam como aturdidos, sem saber se est\u00e3o mortos ou vivos.<br \/> A vis\u00e3o do arcebispo foi-lhe poupada por desnecess\u00e1ria ao seu remorso; mas outros Esp\u00edritos, em circunst\u00e2ncias id\u00eanticas, s\u00e3o constantemente acossados pelo olhar das suas v\u00edtimas.<\/p>\n<p>\u00c0 enormidade do delito, Verger acrescentara a agravante de se n\u00e3o ter arrependido ainda em vida, estando, pois, nas condi\u00e7\u00f5es requeridas para a perene condena\u00e7\u00e3o.<br \/> Mas, logo que deixou a Terra, o arrependimento lhe invadiu a alma e, repudiando o passado, deseja sinceramente repar\u00e1-lo.<br \/> A isso n\u00e3o o impele \u00e0 demasia do sofrimento, visto como nem mesmo teve tempo para sofrer, mas \u00e9 o alarme dessa consci\u00eancia, desprezada durante a vida, e que ora se lhe faz ouvir.<\/p>\n<p>Por que n\u00e3o considerar valioso esse arrependimento? Por que admiti-lo dias antes como capaz de salvar-se do inferno e depois n\u00e3o? E por que, finalmente, o Deus misericordioso para o penitente, em vida, deixaria de o ser, por quest\u00e3o de horas, mais tarde? Fora para causar admira\u00e7\u00e3o a r\u00e1pida mudan\u00e7a algumas vezes operada nas id\u00e9ias de um criminoso endurecido e impenitente at\u00e9 a morte, se o trespasse lhe n\u00e3o fosse tamb\u00e9m bastante, \u00e0s vezes, para reconhecer toda a iniquidade da sua conduta.<br \/> Contudo, esse resultado est\u00e1 longe de ser geral o que daria em conseq\u00fc\u00eancia o n\u00e3o haver Esp\u00edritos maus.<br \/> O arrependimento \u00e9 muitas vezes tardio e da\u00ed a protela\u00e7\u00e3o do castigo.<\/p>\n<p>A obstina\u00e7\u00e3o no mal, em vida, prov\u00e9m \u00e0s vezes do orgulho de quem recusa submeter-se e confessar os pr\u00f3prios erros, visto estar o homem sujeito \u00e0 influ\u00eancia da mat\u00e9ria a qual, lan\u00e7ando-lhe um v\u00e9u nas percep\u00e7\u00f5es espirituais, o fascina e desvaria.<br \/> Roto esse v\u00e9u, s\u00fabita luz o aclara e ele se encontra senhor da sua raz\u00e3o.<br \/> A manifesta\u00e7\u00e3o imediata de melhores sentimentos \u00e9 sempre ind\u00edcio de um progresso moral realizado, que apenas aguarda uma circunst\u00e2ncia favor\u00e1vel para se revelar, ao passo que a persist\u00eancia mais ou menos longa no mal, depois da morte, \u00e9 incontestavelmente a prova de atraso do Esp\u00edrito, no qual os instintos materiais atrofiam o germe do bem, de modo que lhe s\u00e3o necess\u00e1rias novas prova\u00e7\u00f5es para se corrigir.<\/p>\n<p>Leamire<\/p>\n<p>Condenado \u00e0 pena \u00faltima pelo j\u00fari de Aisne e executado a 31 de dezembro de 1857.<br \/> Evocado em 29 de janeiro de 1858.<\/p>\n<p>1 .<br \/> Evoca\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>\u2014 R.<br \/> Aqui estou.<\/p>\n<p>2.<br \/> Vendo-nos, que sensa\u00e7\u00e3o experimentais?<\/p>\n<p>R.<br \/> A sensa\u00e7\u00e3o da vergonha.<\/p>\n<p>3.<br \/> Conservastes a vossa consci\u00eancia at\u00e9 o \u00faltimo momento?<\/p>\n<p>R.<br \/> Sim.<\/p>\n<p>4.<br \/> Ap\u00f3s a execu\u00e7\u00e3o tivestes imediata no\u00e7\u00e3o dessa nova exist\u00eancia?<\/p>\n<p>R.<br \/> Eu estava imerso em grande perturba\u00e7\u00e3o, da qual, ali\u00e1s, ainda n\u00e3o me libertei.<br \/> Senti uma dor imensa e me parecia ser o cora\u00e7\u00e3o que a sofria.<br \/> Vi rolar n\u00e3o sei o que aos p\u00e9s do cadafalso; vi o sangue que escorria e mais pungente se me tornou a minha dor.<\/p>\n<p>P.<br \/> Era uma dor puramente f\u00edsica, an\u00e1loga \u00e0quela que proviria de um grande ferimento, pela amputa\u00e7\u00e3o de um membro, por exemplo?<\/p>\n<p>R.<br \/> N\u00e3o; figurai-vos antes um remorso, uma grande dor moral.<\/p>\n<p>5.<br \/> Mas a dor f\u00edsica do supl\u00edcio, quem a experimentava: o corpo ou o Esp\u00edrito?<\/p>\n<p>R.<br \/> A dor moral estava em meu Esp\u00edrito, sentindo o corpo a dor f\u00edsica; mas o Esp\u00edrito desligado tamb\u00e9m dela se ressentia.<\/p>\n<p>6.<br \/> Vistes o corpo mutilado?<\/p>\n<p>R.<br \/> Vi qualquer coisa informe, \u00e0 qual me parecia integrado; entretanto, reconhecia-me intacto, isto \u00e9, que eu era eu mesmo.<br \/>.<br \/>.<\/p>\n<p>P.<br \/> Que impress\u00f5es vos advieram desse fato?<\/p>\n<p>R.<br \/> Eu sentia muito a minha dor, estava completamente ligado a ela.<\/p>\n<p>7.<br \/> Ser\u00e1 verdade que o corpo vive ainda alguns instantes depois da decapita\u00e7\u00e3o, tendo o supliciado a consci\u00eancia das suas id\u00e9ias?<\/p>\n<p>R.<br \/> O Esp\u00edrito retira-se pouco a pouco; quanto mais o ret\u00eam os la\u00e7os materiais, menos pronta \u00e9 a separa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>8.<br \/> Dizem que se tem notado a express\u00e3o da c\u00f3lera e movimentos na fisionomia de alguns supliciados como se estes quisessem falar; ser\u00e1 isso efeito de contra\u00e7\u00f5es nervosas ou um ato da vontade?<\/p>\n<p>R.<br \/> Da vontade, uma vez que o Esp\u00edrito n\u00e3o est\u00e1 desligado.<\/p>\n<p>9.<br \/> Qual o primeiro sentimento que experimentastes ao entrar na vossa nova exist\u00eancia?<\/p>\n<p>R.<br \/> Um sofrimento intoler\u00e1vel, uma esp\u00e9cie de remorso pungente cuja causa ignorava.<\/p>\n<p>10.<br \/> Acaso vos achastes reunido aos vossos c\u00famplices supliciados ao mesmo tempo?<\/p>\n<p>R.<br \/> Infelizmente, sim, por desgra\u00e7a nossa, pois essa vis\u00e3o rec\u00edproca \u00e9 um supl\u00edcio cont\u00ednuo, exprobrando-se uns aos outros os seus crimes.<\/p>\n<p>11.<br \/> Tendes encontrado as vossas v\u00edtimas?<\/p>\n<p>R.<br \/> Vejo-as.<br \/>.<br \/>.<br \/> s\u00e3o felizes; seus olhares perseguem-me.<br \/>.<br \/>.<br \/> sinto que me varam o ser e embalde tento fugir-lhes.<\/p>\n<p>P.<br \/> Que impress\u00e3o vos causam esses olhares?<\/p>\n<p>R.<br \/> Vergonha e remorso.<br \/> Ocasionei-os voluntariamente e ainda os abomino.<\/p>\n<p>P.<br \/> Qual a impress\u00e3o que lhes causais v\u00f3s?<\/p>\n<p>R.<br \/> Piedade, \u00e9 sentimento que lhes percebo a meu respeito.<\/p>\n<p>12.<br \/> Ter\u00e3o por sua vez o \u00f3dio e o desejo de vingan\u00e7a?<\/p>\n<p>R.<br \/> N\u00e3o; os olhares que me lan\u00e7am me lembram a minha expia\u00e7\u00e3o.<br \/> V\u00f3s n\u00e3o podeis avaliar o supl\u00edcio horr\u00edvel de tudo devermos \u00e0queles a quem odiamos.<\/p>\n<p>13.<br \/> Lamentais a perda da vida corporal?<\/p>\n<p>R.<br \/> Apenas lamento os meus crimes.<br \/> Se o fato ainda dependesse de mim, n\u00e3o mais sucumbiria.<\/p>\n<p>14.<br \/> O pendor para o mal estava na vossa natureza, ou fostes ainda influenciado pelo meio em que vivestes?<\/p>\n<p>R.<br \/> Sendo eu um Esp\u00edrito inferior, a tend\u00eancia para o mal estava na minha pr\u00f3pria natureza.<br \/> Quis elevar-me rapidamente, mas pedi mais do que comportavam as minhas for\u00e7as.<br \/> Supondo-me forte, acabei por ceder \u00e0s tenta\u00e7\u00f5es do mal.<\/p>\n<p>15.<br \/> Se tiv\u00e9sseis recebido s\u00e3os princ\u00edpios de educa\u00e7\u00e3o, ter-vos-\u00edeis desviado da senda criminosa?<\/p>\n<p>R.<br \/> Sim, mas eu havia escolhido a condi\u00e7\u00e3o do nascimento.<\/p>\n<p>P.<br \/> Acaso n\u00e3o vos poder\u00edeis ter tornado homem de bem?<\/p>\n<p>R.<br \/> Um homem fraco \u00e9 incapaz tanto para a pr\u00e1tica do bem como para o do mal.<br \/> Poderia, talvez, corrigir na vida o mal inerente \u00e0 minha natureza, mas nunca me elevar \u00e0 pr\u00e1tica do bem.<\/p>\n<p>16.<br \/> Quando encarnado acredit\u00e1veis em Deus?<\/p>\n<p>R.<br \/> N\u00e3o.<\/p>\n<p>P.<br \/> Mas falam que \u00e0 \u00faltima hora vos arrependestes.<br \/>.<br \/>.<\/p>\n<p>R.<br \/> Porque acreditei num Deus vingativo, era natural que o temesse.<br \/>.<br \/>.<\/p>\n<p>17.<br \/> Parece-vos justo o castigo que vos aplicaram na Terra?<\/p>\n<p>R.<br \/> Sim.<\/p>\n<p>18.<br \/> Esperais obter o perd\u00e3o dos vossos crimes?<\/p>\n<p>R.<br \/> N\u00e3o sei.<\/p>\n<p>P.<br \/> Como pretendeis repar\u00e1-los?<\/p>\n<p>R.<br \/> Por novas prova\u00e7\u00f5es, conquanto me pare\u00e7a que uma eternidade existe entre mim e elas.<\/p>\n<p>19.<br \/> Onde vos achais agora?<\/p>\n<p>R.<br \/> Estou no meu sofrimento.<\/p>\n<p>P.<br \/> Perguntamos qual o lugar onde vos encontrais.<br \/>.<br \/>.<\/p>\n<p>R.<br \/> Perto do m\u00e9dium.<\/p>\n<p>20.<br \/> Uma vez que assim \u00e9, sobre que forma vos ver\u00edamos, se isso nos fosse poss\u00edvel?<\/p>\n<p>R.<br \/> Ver-me-\u00edeis sob a minha forma corp\u00f3rea: a cabe\u00e7a separada do tronco.<\/p>\n<p>P.<br \/> Podereis aparecer-nos?<\/p>\n<p>R.<br \/> N\u00e3o; deixai-me.<\/p>\n<p>21.<br \/> Podereis dizer-nos como vos evadistes da pris\u00e3o de Montlidier?<\/p>\n<p>R.<br \/> Nada mais sei.<br \/>.<br \/>.<br \/> \u00e9 t\u00e3o grande o meu sofrimento, que apenas guardo a lembran\u00e7a do crime.<br \/>.<br \/>.<br \/> Deixai-me.<\/p>\n<p>22.<br \/> Poder\u00edamos concorrer para vos aliviar desse sofrimento?<\/p>\n<p>R.<br \/> Fazei votos para que sobrevenha a expia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Benoist<\/p>\n<p>(Bord\u00e9us, mar\u00e7o de 1862)<\/p>\n<p>Um Esp\u00edrito apresenta-se espontaneamente ao m\u00e9dium sobre o nome de Benoist, dizendo ter morrido em 1704 e padecer horr\u00edveis sofrimentos.<\/p>\n<p>1 .<br \/> Que fostes na Terra?<\/p>\n<p>R.<br \/> Frade sem f\u00e9.<\/p>\n<p>2.<br \/> Foi a descren\u00e7a a vossa \u00fanica falta?<\/p>\n<p>R.<br \/> S\u00f3 ela \u00e9 bastante para acarretar outras.<\/p>\n<p>3.<br \/> Podereis dar-nos alguns pormenores acerca da vossa vida? Ser-vos-\u00e1 levada em boa conta a sinceridade da confiss\u00e3o.<\/p>\n<p>R.<br \/> Pobre e indolente, ordenei-me para ter uma posi\u00e7\u00e3o, sem pendor ali\u00e1s para encargo dessa natureza.<br \/> Inteligente, consegui essa posi\u00e7\u00e3o; influente, abusei do meu poderio; vicioso, corrompi aqueles que tinha por miss\u00e3o salvar; cruel, persegui aqueles que me pareciam querer verberar os meus excessos; os pac\u00edficos foram por mim inquietados.<\/p>\n<p>As torturas da fome de muitas v\u00edtimas eram extintas ami\u00fade pela viol\u00eancia.<br \/> Agora sofro todas as torturas do inferno e as v\u00edtimas me ateiam fogo que me devora.<br \/> A lux\u00faria e a fome insaci\u00e1veis perseguem-me; abrasa-me a sede os l\u00e1bios escaldantes sem que uma gota caia neles como refrig\u00e9rio.<br \/> Orai pelo meu Esp\u00edrito.<\/p>\n<p>4.<br \/> As preces feitas pelos finados dever\u00e3o ser atribu\u00eddas a v\u00f3s como aos outros?<\/p>\n<p>R.<br \/> Acreditais que sejam edificantes e no entanto elas t\u00eam para mim o valor daquelas que eu simulava fazer.<br \/> N\u00e3o executei o meu trabalho e, assim, recebo o sal\u00e1rio.<\/p>\n<p>5.<br \/> Nunca vos arrependestes?<\/p>\n<p>R.<br \/> H\u00e1 muito tempo; mas ele s\u00f3 veio pelo sofrimento.<br \/> E como fui surdo ao clamor de v\u00edtimas inocentes, o Senhor tamb\u00e9m \u00e9 surdo aos meus clamores.<br \/> Justi\u00e7a!<\/p>\n<p>6.<br \/> Reconheceis a Justi\u00e7a do Senhor; pois bem, confiai na sua bondade e socorrei-vos do aux\u00edlio dele.<\/p>\n<p>R.<br \/> Os dem\u00f4nios berram mais do que eu; seus gritos sufocam-me; enchem-me a boca de betume fervente!.<br \/>.<br \/>.<br \/> Eu o fiz, grande.<br \/>.<br \/>.<br \/> (O Esp\u00edrito n\u00e3o pode escrever a palavra Deus).<\/p>\n<p>7.<br \/> N\u00e3o estais suficientemente liberto das id\u00e9ias terrenas de modo que essas torturas s\u00e3o todas morais?<\/p>\n<p>R.<br \/> Sofro-as.<br \/>.<br \/>.<br \/> sinto-as.<br \/>.<br \/>.<br \/> vejo os meus carrascos, que tem todos uma cara conhecida, um nome que repercute em meu c\u00e9rebro.<\/p>\n<p>8.<br \/> Mas que poderia impelir-vos ao cometimento de tantas inf\u00e2mias?<\/p>\n<p>R.<br \/> Os v\u00edcios de que me achava saturado, a brutalidade das paix\u00f5es.<\/p>\n<p>9.<br \/> Nunca implorastes a assist\u00eancia dos bons Esp\u00edritos para vos ajudarem a sair dessa conting\u00eancia?<\/p>\n<p>R.<br \/> Apenas vejo os dem\u00f4nios do inferno.<\/p>\n<p>10.<br \/> Quando est\u00e1veis na Terra tem\u00edeis esses dem\u00f4nios?<\/p>\n<p>R.<br \/> N\u00e3o, absolutamente, visto que s\u00f3 cria em o nada.<br \/> Os prazeres a todo transe constitu\u00edam o meu culto.<br \/> E, j\u00e1 que lhes consagrei a vida, as divindades do inferno n\u00e3o mais me abandonaram, nem abandonar\u00e3o!<\/p>\n<p>11.<br \/> Ent\u00e3o n\u00e3o lobrigais um termo para esses sofrimentos?<\/p>\n<p>R.<br \/> O infinito n\u00e3o tem termo.<\/p>\n<p>12.<br \/> Mas Deus \u00e9 infinito na sua miseric\u00f3rdia e tudo pode ter um fim quando lhe aprouver.<\/p>\n<p>R.<br \/> Se Ele o quisesse!<\/p>\n<p>13.<br \/> Por que vos viestes inscrever aqui?<\/p>\n<p>R.<br \/> N\u00e3o sei mesmo como, mas eu queria falar e gritar para que me aliviassem.<\/p>\n<p>14.<br \/> E esses dem\u00f4nios n\u00e3o vos impedem de escrever?<\/p>\n<p>R.<br \/> N\u00e3o, mas conservam-se \u00e0 minha frente, e esperam-me.<br \/>.<br \/>.<br \/> Tamb\u00e9m por isso eu desejaria n\u00e3o terminar.<\/p>\n<p>15.<br \/> \u00c9 a primeira vez que deste modo escreveis?<\/p>\n<p>R.<br \/> Sim.<\/p>\n<p>P.<br \/> E sab\u00edeis que os Esp\u00edritos podiam assim aproximar-se dos homens?<\/p>\n<p>R.<br \/> N\u00e3o.<\/p>\n<p>P.<br \/> Como pois o percebestes?<\/p>\n<p>R.<br \/> N\u00e3o sei.<\/p>\n<p>16.<br \/> Que sensa\u00e7\u00f5es experimentastes ao acercar-vos de mim?<\/p>\n<p>R.<br \/> Um como entorpecimento dos meus terrores.<\/p>\n<p>17.<br \/> Como vos apercebestes da vossa presen\u00e7a aqui?<\/p>\n<p>R.<br \/> Como quando se desperta de um sono.<\/p>\n<p>18.<br \/> Como procedestes para comunicar comigo?<\/p>\n<p>R.<br \/> N\u00e3o posso compreender, mas tu tamb\u00e9m n\u00e3o sentiste?<\/p>\n<p>19.<br \/> N\u00e3o se trata de mim, por\u00e9m de v\u00f3s.<br \/>.<br \/>.<br \/> Procurai assegurar-vos do que fazeis enquanto eu escrevo.<\/p>\n<p>R.<br \/> \u00c9s o meu pensamento em tudo, eis tudo.<\/p>\n<p>20.<br \/> N\u00e3o tivestes pois o desejo de me fazer escrever?<\/p>\n<p>R.<br \/> N\u00e3o, sou eu quem escreve e tu pensas por mim.<\/p>\n<p>21.<br \/> Procurai assegurar-vos do vosso estado, porque os bons Esp\u00edritos que vos cercam vos ajudar\u00e3o.<\/p>\n<p>R.<br \/> N\u00e3o, que os anjos n\u00e3o v\u00eam ao inferno.<br \/> Tu n\u00e3o est\u00e1s s\u00f3?<\/p>\n<p>P.<br \/> Vedes em torno.<\/p>\n<p>R.<br \/> Sinto que me auxiliam a atuar sobre ti.<br \/>.<br \/>.<br \/> a tua m\u00e3o obedece-me.<br \/>.<br \/>.<br \/> n\u00e3o te toco, ali\u00e1s, e seguro-te.<br \/>.<br \/>.<br \/> Como? N\u00e3o sei.<br \/>.<br \/>.<\/p>\n<p>22.<br \/> Implorai a assist\u00eancia dos vossos protetores.<br \/> Vamos pedir a ambos.<\/p>\n<p>R.<br \/> Queres deixar-me? Fica comigo, porque v\u00e3o reapossar-se de mim.<br \/> Eu te pe\u00e7o.<br \/>.<br \/>.<br \/> Fica! Fica!.<br \/>.<br \/>.<\/p>\n<p>23.<br \/> N\u00e3o posso demorar-me por mais tempo.<br \/> Voltai diariamente para orarmos juntos e os bons Esp\u00edritos vos auxiliar\u00e3o.<\/p>\n<p>R.<br \/> Sim, desejo o perd\u00e3o.<br \/> Orai por mim, que n\u00e3o posso faz\u00ea-lo.<\/p>\n<p>(O Guia do m\u00e9dium) \u2014 Coragem, meu filho, porque lhe ser\u00e1 concedido o que pedes, se bem que longe esteja ainda o fim da expia\u00e7\u00e3o.<br \/> As atrocidades por ele cometidas n\u00e3o t\u00eam n\u00famero nem conta e maior \u00e9 a sua culpa porque possu\u00eda intelig\u00eancia, instru\u00e7\u00e3o e luzes para guiar-se.<br \/> Tendo falido com conhecimento de causa, mais terr\u00edveis lhe s\u00e3o os sofrimentos, os quais, n\u00e3o obstante, se suavizar\u00e3o com o aux\u00edlio e o exemplo da prece, de modo que lhes possa ver o fim, confortado pela esperan\u00e7a.<br \/> Deus o v\u00ea no caminho do arrependimento e j\u00e1 lhe concedeu a gra\u00e7a de poder comunicar-se a fim de ser encorajado e confortado.<\/p>\n<p>Pensa nele muitas vezes, pois n\u00f3s te o entregamos para fortalecer-se nas boas resolu\u00e7\u00f5es que lhe poder\u00e3o advir dos teus conselhos.<br \/> Ao seu arrependimento suceder\u00e1 o desejo da repara\u00e7\u00e3o, e pedir\u00e1 ent\u00e3o uma nova exist\u00eancia para praticar o bem como compensa\u00e7\u00e3o do mal praticado.<br \/> Quando Deus estiver satisfeito a respeito dele e o vir resoluto e firme, far-lhe-\u00e1 entrever as divinas luzes que o h\u00e3o de conduzir \u00e0 salva\u00e7\u00e3o, recebendo-o no Seu seio como pai ao filho pr\u00f3digo.<br \/> Tem f\u00e9 e n\u00f3s te ajudaremos a completar o teu trabalho.<\/p>\n<p>Paulino.<\/p>\n<p>Colocamos este Esp\u00edrito entre os criminosos, posto que n\u00e3o atingido pela justi\u00e7a humana, porque o crime se cont\u00e9m nos atos e n\u00e3o no castigo infligido pelos homens.<br \/> O mesmo se d\u00e1 com o que se segue.<\/p>\n<p>O Esp\u00edrito de Castelnaudary<\/p>\n<p>Rumores e outras estranhas e v\u00e1rias manifesta\u00e7\u00f5es ocorridas numa casinha perto de Castelnaudary, faziam-na crer habitada por fantasmas, mal-assombrada, etc.<br \/> Assim foi dita casa exorcizada em 1848, ali\u00e1s sem resultado.<br \/> O propriet\u00e1rio Sr.<br \/> D.<br \/>, pretendendo habit\u00e1- la, faleceu repentinamente alguns anos depois; e seu filho, animado do mesmo desejo, ao penetrar-lhe um dos compartimentos, recebeu de m\u00e3o desconhecida vigorosa bofetada e, como estivesse s\u00f3, n\u00e3o teve a menor d\u00favida de uma origem oculta, raz\u00e3o esta que o levou a abandonar a casa definitivamente.<br \/> No lugar corria uma vers\u00e3o segundo a qual um grande crime fora cometido ali.<\/p>\n<p>O Esp\u00edrito que dera a bofetada foi evocado na Sociedade de Paris, em 1859, e manifestou-se por sinais de tamanha viol\u00eancia, que foram improf\u00edcuos todos os esfor\u00e7os para acalm\u00e1-lo.<br \/> Interrogado S.<br \/> Lu\u00eds a respeito do assunto, respondeu:  \u00c9 um Esp\u00edrito da pior esp\u00e9cie, verdadeiro monstro; fizemo-lo comparecer, mas n\u00e3o obstante tudo quanto lhe dissemos n\u00e3o foi poss\u00edvel obrig\u00e1-lo a escrever.<br \/> Ele possui o seu livre-arb\u00edtrio, do qual o infeliz tem feito triste uso .<\/p>\n<p>P.<br \/> Este Esp\u00edrito \u00e9 pass\u00edvel de melhora?<\/p>\n<p>R.<br \/> Por que n\u00e3o? Pois n\u00e3o o s\u00e3o todos, este como os outros?<\/p>\n<p>\u00c9 poss\u00edvel entretanto que haja nisso dificuldades, por\u00e9m a permuta do bem pelo mal acabar\u00e1 por sensibiliz\u00e1-lo.<br \/> Orai em primeiro lugar e, se o evocardes daqui a um m\u00eas, vereis a transforma\u00e7\u00e3o operada.<\/p>\n<p>Novamente evocado mais tarde, o Esp\u00edrito mostrou-se mais brando e, pouco a pouco, submisso e arrependido.<br \/> Explica\u00e7\u00f5es posteriores, ministradas n\u00e3o s\u00f3 por ele como por outros Esp\u00edritos, deram em resultado ficarmos sabendo que, em 1608, habitando aquela casa, assassinara um irm\u00e3o por motivos de terr\u00edvel ci\u00fame, degolando-o durante o sono.<br \/> Alguns anos decorridos, tamb\u00e9m assassinara a esposa.<\/p>\n<p>O seu falecimento ocorreu em 1659, na idade de 80 anos, sem que houvesse respondido por estes crimes, que pouca aten\u00e7\u00e3o despertaram naquela \u00e9poca de balb\u00fardias.<br \/> Depois da morte, jamais cessara de praticar o mal, provocando v\u00e1rios acidentes, ocorridos naquela casa.<\/p>\n<p>Um m\u00e9dium vidente que assistiu \u00e0 primeira evoca\u00e7\u00e3o o viu no momento em que pretendiam for\u00e7\u00e1-lo a escrever, quando sacudiu violentamente o bra\u00e7o do m\u00e9dium.<br \/> De medonha catadura, trajava uma camisa ensang\u00fcentada, tendo na m\u00e3o um punhal.<\/p>\n<p>1.<br \/> P.<br \/> (A S.<br \/> Lu\u00eds) \u2014 Tende a bondade de nos descrever o g\u00eanero de supl\u00edcio deste Esp\u00edrito.<\/p>\n<p>R.<br \/> \u00c9 atroz, porque est\u00e1 condenado a habitar a casa em que cometeu o crime, sem poder fixar o pensamento noutra coisa a n\u00e3o ser no crime, tendo-o sempre ante os olhos e acreditando na eternidade dessa tortura.<br \/> Est\u00e1 como no momento do pr\u00f3prio crime, porque qualquer outra recorda\u00e7\u00e3o lhe foi retirada e interdita toda comunica\u00e7\u00e3o com qualquer outro Esp\u00edrito.<br \/> Sobre a Terra, s\u00f3 pode permanecer naquela casa, e no Espa\u00e7o s\u00f3 lhe restam solid\u00e3o e trevas.<\/p>\n<p>2.<br \/> Haveria um meio de o desalojar dessa casa? Qual seria esse meio?<\/p>\n<p>R.<br \/> Quando algu\u00e9m quer ficar livre de obsess\u00f5es de semelhantes Esp\u00edritos, o meio \u00e9 f\u00e1cil \u2014 orar por eles.<br \/> Contudo \u00e9 precisamente isso que se deixa de fazer muitas vezes: prefere-se intimid\u00e1-los com exorcismos que, ali\u00e1s, muito os divertem.<\/p>\n<p>3.<br \/> Insinuando \u00e0s pessoas interessadas essa id\u00e9ia de orar por ele, fazendo-o tamb\u00e9m n\u00f3s, conseguir\u00edamos desaloj\u00e1-lo?<\/p>\n<p>R.<br \/> Sim, mas reparai que eu disse para orar e n\u00e3o para mandar orar.<\/p>\n<p>4.<br \/> Estando em tal situa\u00e7\u00e3o h\u00e1 dois s\u00e9culos, apreciar\u00e1 ele todo esse tempo como se fora encarnado, isto \u00e9, o tempo parecer-lhe-\u00e1 tanto ou menos longo do que quando na Terra?<\/p>\n<p>R.<br \/> Mais longo; o sono n\u00e3o existe para ele.<\/p>\n<p>5.<br \/> Disseram-nos que o tempo n\u00e3o existe para os Esp\u00edritos e que um s\u00e9culo, para eles, n\u00e3o passa de um instante na eternidade.<br \/> Dar-se-\u00e1 efetivamente esse fato para com todos os Esp\u00edritos?<\/p>\n<p>R.<br \/> N\u00e3o, por certo, porquanto isso s\u00f3 se d\u00e1 com os Esp\u00edritos que t\u00eam atingido elevad\u00edssimo grau de adiantamento; para os inferiores, por\u00e9m, o tempo \u00e9 freq\u00fcentemente moroso, sobretudo quando sofrem.<\/p>\n<p>6.<br \/> Donde vinha esse Esp\u00edrito antes da sua encarna\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>R.<br \/> Tivera uma exist\u00eancia entre tribos das mais ferozes e selvagens e, precedentemente, em planeta inferior \u00e0 Terra.<\/p>\n<p>7.<br \/> Severamente punido agora por esse crime, se-lo-ia igualmente pelos que porventura tivesse cometido, como \u00e9 de supor, quando vivendo entre selvagens?<\/p>\n<p>R.<br \/> Sim, por\u00e9m n\u00e3o tanto, uma vez que, por ser mais ignorante, menos alcan\u00e7ava a extens\u00e3o do delito.<\/p>\n<p>8.<br \/> O estado em que se v\u00ea esse Esp\u00edrito \u00e9 o dos seres vulgarmente designados por danados?<\/p>\n<p>R.<br \/> N\u00e3o, em absoluto, pois h\u00e1 condi\u00e7\u00f5es ainda mais horrorosas.<br \/> Os sofrimentos est\u00e3o longe de ser os mesmos para todos, variando conforme seja o culpado mais ou menos acess\u00edvel ao arrependimento.<br \/> Para este, aquela casa \u00e9 o seu inferno, outros trazem esse infer no em si mesmos, pelas paix\u00f5es que os atormentam sem que possam saci\u00e1-las.<\/p>\n<p>9.<br \/> N\u00e3o obstante a sua inferioridade, este Esp\u00edrito \u00e9 sens\u00edvel aos efeitos da prece, o que tamb\u00e9m temos verificado com Esp\u00edritos da mesma forma perversos e da mais \u00ednfima natureza; entretanto, Esp\u00edritos h\u00e1 que, esclarecidos, de intelig\u00eancia mais desenvolvida, demonstram completa aus\u00eancia de bons sentimentos e zombam de tudo o que h\u00e1 de mais sagrado; a nada se comovendo e at\u00e9 n\u00e3o dando tr\u00e9guas ao seu cinismo.<br \/>.<br \/>.<\/p>\n<p>R.<br \/> A prece s\u00f3 aproveita ao Esp\u00edrito que se arrepende; para aqueles que, cheios de orgulho, se revoltam contra Deus e que persistem no erro, exagerando-o mesmo, tal como procedem os infelizes; para eles a prece nada adianta nem adiantar\u00e1 sen\u00e3o quando t\u00eanue vislumbre de arrependimento come\u00e7ar a germinar-lhes na consci\u00eancia.<br \/> A inefic\u00e1cia da prece tamb\u00e9m \u00e9 para eles um castigo.<br \/> Enfim, ela s\u00f3 alivia os n\u00e3o totalmente endurecidos.<\/p>\n<p>10.<br \/> Vendo-se um Esp\u00edrito insens\u00edvel \u00e0 a\u00e7\u00e3o da prece, ser\u00e1 motivo para que se deixe de orar por ele?<\/p>\n<p>R.<br \/> N\u00e3o, porquanto, cedo ou tarde, a prece poder\u00e1 triunfar do seu endurecimento e sugerir-lhe ben\u00e9ficos pensamentos.<br \/> O mesmo acontece com determinados doentes nos quais a a\u00e7\u00e3o medicamentosa s\u00f3 se torna sens\u00edvel depois de muito tempo, e vice-versa.<br \/> Compenetrando-nos bem de que todos os Esp\u00edritos s\u00e3o capazes de progresso, e que nenhum \u00e9 fatal e eternamente condenado, f\u00e1cil nos ser\u00e1 compreender a efic\u00e1cia da prece em quaisquer circunst\u00e2ncias.<br \/> Por mais ineficaz que ela possa parecer-nos \u00e0 primeira vista, a verdade \u00e9 que cont\u00e9m germes em si mesma, bastante ben\u00e9ficos, para bem predisporem o Esp\u00edrito, quando o n\u00e3o afetem imediatamente.<br \/> Erro seria, pois, desanimarmos por n\u00e3o colher dela imediato resultado.<\/p>\n<p>11.<br \/> Quando esse Esp\u00edrito for reencarnar, qual ser\u00e1 a sua categoria?<\/p>\n<p>R.<br \/> Depende dele e do arrependimento que ent\u00e3o tiver.<br \/> Muitos col\u00f3quios com esse Esp\u00edrito deram em resultado not\u00e1vel transforma\u00e7\u00e3o do seu moral.<\/p>\n<p>Eis aqui algumas das respostas dele.<\/p>\n<p>12.<br \/> (Ao Esp\u00edrito).<br \/> Por que n\u00e3o pudestes escrever da primeira vez que vos evocamos?<\/p>\n<p>R.<br \/> Porque n\u00e3o queria.<\/p>\n<p>P.<br \/> Mas por que?<\/p>\n<p>R.<br \/> Ignor\u00e2ncia e embrutecimento.<\/p>\n<p>13.<br \/> Agora podeis deixar, quando vos apraz, a casa de Castelnaudary?<\/p>\n<p>R.<br \/> Permitem-me isso, porque aproveito os vossos conselhos.<\/p>\n<p>P.<br \/> Sentis algum al\u00edvio?<\/p>\n<p>R.<br \/> Come\u00e7o a ter esperan\u00e7a.<\/p>\n<p>14.<br \/> Se nos fosse poss\u00edvel ver-vos, qual a vossa apar\u00eancia?<\/p>\n<p>R.<br \/> Ver-me-\u00edeis com a camisa, mas sem o punhal.<\/p>\n<p>P.<br \/> Por que n\u00e3o mais com o punhal? Que sumi\u00e7o lhe destes?<\/p>\n<p>R.<br \/> Amaldi\u00e7oando-o, Deus arrebatou-me das vistas.<\/p>\n<p>15.<br \/> Se o filho do Sr.<br \/> D.<br \/> (o da bofetada) tornasse \u00e0quela casa, que lhe far\u00edeis?<\/p>\n<p>R.<br \/> Nada, porque estou arrependido.<\/p>\n<p>P.<br \/> E se ele pretendesse ainda desafiar-vos?<\/p>\n<p>R.<br \/> N\u00e3o me fa\u00e7ais essa pergunta! Eu n\u00e3o me dominaria, isso est\u00e1 acima das minhas for\u00e7as, pois sou um miser\u00e1vel.<\/p>\n<p>16.<br \/> Vislumbrais um termo aos vossos padecimentos?<\/p>\n<p>R.<br \/> Oh! Ainda n\u00e3o.<br \/> \u00c9 j\u00e1 muito o saber, gra\u00e7as \u00e0 vossa intercess\u00e3o, que esses padecimentos n\u00e3o ser\u00e3o eternos.<\/p>\n<p>17.<br \/> Tende a bondade de nos descrever a vossa situa\u00e7\u00e3o antes de vos havermos evocado pela primeira vez.<br \/> N\u00e3o \u00e9 preciso acrescentarmos que este pedido tem por fim sabermos como ser-vos \u00fateis e n\u00e3o a simples e f\u00fatil curiosidade.<\/p>\n<p>R.<br \/> Disse-vos j\u00e1 que nada mais compreendia al\u00e9m do meu crime e que n\u00e3o podia abandonar a casa em que o cometi, a n\u00e3o ser para vagar no Espa\u00e7o, solit\u00e1rio e desconhecido; disso n\u00e3o poderia eu dar-vos uma id\u00e9ia, porque nunca pude compreender o que se passava.<br \/> Desde que me al\u00e7ava ao Espa\u00e7o, era tudo negrume e v\u00e1cuo ou, antes, n\u00e3o sei mesmo o que era.<br \/>.<br \/>.<\/p>\n<p>Hoje o meu remorso \u00e9 muito maior e no entanto n\u00e3o sou constrangido a permanecer naquela casa fatal, sendo-me permitido vagar na Terra e orientar-me pela observa\u00e7\u00e3o de quanto a\u00ed vejo; compreendo melhor, assim, a enormidade dos meus crimes e, se menos sofro por um lado, por outro aumentam as torturas do remorso.<br \/>.<br \/>.<br \/> Mas.<br \/>.<br \/>.<br \/> ainda bem que tenho esperan\u00e7a.<\/p>\n<p>18.<br \/> Se tiv\u00e9sseis de reencarnar, que exist\u00eancia preferir\u00edeis?<\/p>\n<p>R.<br \/> N\u00e3o tenho meditado suficientemente acerca disso.<\/p>\n<p>19.<br \/> Durante o vosso longo insulamento \u2014 quase podemos dizer cativeiro \u2014 experimentastes algum remorso?<\/p>\n<p>R.<br \/> Nenhum e por isso sofri t\u00e3o longamente.<br \/> Somente quando o senti, foi que ele provocou, sem que disso me apercebesse, as circunst\u00e2ncias determinantes da vossa evoca\u00e7\u00e3o ao meu Esp\u00edrito, para in\u00edcio da liberta\u00e7\u00e3o.<br \/> Obrigado, pois, a v\u00f3s que de mim vos apiedastes e me esclarecestes.<\/p>\n<p>Realmente temos visto avaros sofrerem \u00e0 vista do ouro, que para eles n\u00e3o passava de verdadeira quimera; orgulhosos, atormentados pelo ci\u00fame das honrarias prestadas a outros e n\u00e3o a eles; homens que dominavam na Terra, humilhados pela pot\u00eancia invis\u00edvel, constrangidos \u00e0 obedi\u00eancia, em presen\u00e7a de subordinados, que n\u00e3o mais lhes faziam curvaturas; ateus at\u00f4nitos pela d\u00favida em face da imensidade, no mais absoluto insulamento, sem um ser que os esclarecesse.<\/p>\n<p>No mundo dos Esp\u00edritos h\u00e1 recompensas para todas as virtudes, mas h\u00e1 tamb\u00e9m penalidades para todas as faltas; destas, aquelas que escaparam \u00e0s leis dos homens s\u00e3o infalivelmente alcan\u00e7adas pelas leis de Deus.<br \/> Devemos ainda notar que as mesmas faltas, conquanto cometidas em circunst\u00e2ncias id\u00eanticas, s\u00e3o diversamente punidas, conforme o grau de adiantamento do Esp\u00edrito delinq\u00fcente.<\/p>\n<p>Aos Esp\u00edritos mais atrasados, de natureza mais grosseira, como aquele de que acabamos de nos ocupar, s\u00e3o infligidos castigos de algum modo mais materiais que morais, ao passo que o contr\u00e1rio se d\u00e1 para com aqueles cuja intelig\u00eancia e sensibilidade estejam mais desenvolvidas.<br \/> Aos primeiros imp\u00f5e-se o castigo adequado \u00e0 rudeza do seu discernimento, para compreenderem o erro e dele se libertarem.<br \/> Assim \u00e9 que a vergonha, por exemplo, causando pouca ou nenhuma impress\u00e3o para estes, torna-se para aqueles intoler\u00e1vel.<\/p>\n<p>No divino c\u00f3digo penal, a sabedoria, a bondade, a provid\u00eancia de Deus para com as suas criaturas revelam-se at\u00e9 nas m\u00ednimas particularidades, sendo tudo proporcionado e disposto com admir\u00e1vel solicitude para facilitar ao culpado os meios de reabilita\u00e7\u00e3o.<br \/> As m\u00ednimas aspira\u00e7\u00f5es s\u00e3o consideradas e recolhidas.<\/p>\n<p>Pelos dogmas das penas eternas, ao contr\u00e1rio, s\u00e3o no inferno confundidos os grandes e pequenos criminosos, os culpados de momento e os reincidentes contumazes, os endurecidos e os arrependidos.<br \/> Al\u00e9m disso, nenhuma t\u00e1bua de salva\u00e7\u00e3o lhes \u00e9 oferecida; a falta moment\u00e2nea pode acarretar uma condena\u00e7\u00e3o eterna e, o que mais \u00e9, qualquer benef\u00edcio que porventura hajam feito de nada lhes valer\u00e1.<br \/> De que lado, pois, estar\u00e1 a verdadeira justi\u00e7a, a verdadeira bondade?<\/p>\n<p>Esta evoca\u00e7\u00e3o nada tem de fortuita e como deveria aproveitar a esse infeliz, visto que ele j\u00e1 come\u00e7ava a compreender a enormidade do seu crime, os Esp\u00edritos guias julgaram oportuno esse socorro eficaz e facilitaram-lhe as circunst\u00e2ncias prop\u00edcias.<br \/> \u00c9 este um fato que temos visto reproduzir-se freq\u00fcentemente.<br \/> Perguntar-se-\u00e1 o que seria desse Esp\u00edrito se n\u00e3o fosse evocado, o que ser\u00e1 de todos os sofredores que o n\u00e3o podem ser, bem como daqueles em quem ningu\u00e9m pensa.<br \/>.<br \/>.<br \/> Poder\u00edamos redarguir que os meios de que Deus disp\u00f5e para salvar as criaturas s\u00e3o inumer\u00e1veis, sendo a evoca\u00e7\u00e3o um dentre esses meios, por\u00e9m, n\u00e3o \u00fanico certamente.<br \/> Deus n\u00e3o deixa ningu\u00e9m esquecido, al\u00e9m de que nos Esp\u00edritos suscet\u00edveis de arrependimento, as preces coletivas devem exercer alguma influ\u00eancia.<\/p>\n<p>O destino dos Esp\u00edritos sofredores n\u00e3o poderia ser por Deus subordinado \u00e0 boa vontade e aos conhecimentos humanos.<\/p>\n<p>Desde que os homens puderam estabelecer rela\u00e7\u00f5es regulares com o mundo invis\u00edvel, uma das primeiras conseq\u00fc\u00eancias do Espiritismo foi o ensino dos servi\u00e7os que por meio dessas rela\u00e7\u00f5es podem prestar aos seus irm\u00e3os desencarnados.<\/p>\n<p>Deus patenteia por esse modo a solidariedade existente entre todos os seres do Universo, ao mesmo tempo que d\u00e1 a lei da natureza por base ao princ\u00edpio da fraternidade.<br \/> Deus demonstra-nos a fei\u00e7\u00e3o verdadeira, \u00fatil e s\u00e9ria das evoca\u00e7\u00f5es, at\u00e9 ent\u00e3o desviadas da sua finalidade providencial pela ignor\u00e2ncia e pela supersti\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Nunca faltaram socorros aos sofredores em qualquer \u00e9poca e, se evoca\u00e7\u00f5es lhes proporcionam uma nova via de salva\u00e7\u00e3o, aproveitam ainda mais, talvez, aos encarnados, por lhes proporcionar novos meios de fazer o benef\u00edcio e instruir-se ao mesmo tempo acerca das condi\u00e7\u00f5es da vida futura.<\/p>\n<p>Jacques Latour<\/p>\n<p>(Assassino condenado pelo j\u00fari de Foix e executado em setembro de 1864)<\/p>\n<p>Em reuni\u00e3o \u00edntima de sete a oito pessoas, realizada em Bruxelas a 13 de setembro de 1864 e \u00e0 qual assist\u00edamos, foi pedido a um m\u00e9dium que tomasse do l\u00e1pis, sem que ali\u00e1s houv\u00e9ssemos feito qualquer evoca\u00e7\u00e3o especial.<\/p>\n<p>Possu\u00eddo de extraordin\u00e1ria agita\u00e7\u00e3o, ei-lo a tra\u00e7ar caracteres muito grossos, e depois, rasgando o papel, exclama:<\/p>\n<p> Arrependo-me! Arrependo-me! Latour! <\/p>\n<p>Surpreendidos com a inesperada comunica\u00e7\u00e3o, de modo algum provocada, uma vez que ningu\u00e9m pensara nesse infeliz, cuja morte at\u00e9 ent\u00e3o era ignorada por uma parte dos assistentes, dirigimos ao Esp\u00edrito palavras de conforto e comisera\u00e7\u00e3o e lhe fizemos em seguida esta pergunta:<\/p>\n<p>Que motivo vos levou a manifestar-vos aqui, de prefer\u00eancia a outro lugar quando n\u00e3o vos evocamos?<\/p>\n<p>Responde o m\u00e9dium de viva voz:<\/p>\n<p> Vi que, almas compassivas, ter\u00edeis piedade de mim, ao passo que outros ou me evocavam mais por curiosidade, ou de mim se afastavam horrorizados .<br \/> Depois come\u00e7ou uma cena indescrit\u00edvel que n\u00e3o durou mais de meia-hora.<\/p>\n<p>O m\u00e9dium, juntando os gestos e a express\u00e3o da fisionomia \u00e0 palavra, deixava claro a identifica\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito com a sua pessoa; \u00e0s vezes, esses gestos de cruel desespero desenhavam vivamente o sofrimento; o tom da voz era t\u00e3o compungido, as s\u00faplicas t\u00e3o veementes, que fic\u00e1vamos profundamente comovidos.<\/p>\n<p>Alguns estavam mesmo aterrorizados com a superexcita\u00e7\u00e3o do m\u00e9dium, mas n\u00f3s sab\u00edamos que a manifesta\u00e7\u00e3o de um ente arrependido, que implora piedade, nenhum perigo poderia oferecer.<br \/> Se ele buscou os \u00f3rg\u00e3os do m\u00e9dium, \u00e9 porque melhor desejava patentear a sua situa\u00e7\u00e3o, a fim de que mais nos interess\u00e1ssemos pela sua morte, e n\u00e3o como os Esp\u00edritos obsessores e possessores, que visam apoderar-se dos m\u00e9diuns para os dominarem.<br \/> Essa manifesta\u00e7\u00e3o lhe fora talvez permitida n\u00e3o s\u00f3 em benef\u00edcio pr\u00f3prio, mas tamb\u00e9m para edifica\u00e7\u00e3o dos circunstantes.<\/p>\n<p>Ei-lo a exclamar:<\/p>\n<p> Oh! sim, piedade.<br \/>.<br \/>.<br \/> muito necessito dela.<br \/>.<br \/>.<br \/> N\u00e3o sabeis o que sofro.<br \/>.<br \/>.<br \/> N\u00e3o o sabeis e n\u00e3o podereis compreend\u00ea-lo.<br \/> \u00c9 horr\u00edvel! A guilhotina!.<br \/>.<br \/>.<br \/> Que vale a guilhotina comparada a este sofrimento de agora? Nada! \u00c9 um instante.<br \/> Este fogo que me devora sim, \u00e9 pior, porque \u00e9 uma morte cont\u00ednua, sem tr\u00e9guas nem repouso.<br \/>.<br \/>.<br \/> Sem fim!.<br \/>.<br \/>.<br \/> E as minhas v\u00edtimas ali est\u00e3o ao redor, a mostrar-me os ferimentos, a perseguir-me com seus olhares.<br \/>.<br \/>.<\/p>\n<p>A\u00ed est\u00e3o e vejo-as todas.<br \/>.<br \/>.<br \/> Todas.<br \/>.<br \/>.<br \/> Sem poder fugir a elas! E este mar de sangue?! E este ouro manchado de sangue?! Tudo a\u00ed est\u00e1.<br \/>.<br \/>.<br \/> Tudo.<br \/>.<br \/>.<br \/> E sempre ante meus olhos! E o cheiro de sangue.<br \/>.<br \/>.<br \/> N\u00e3o o sentis? Oh! Sangue e sempre sangue! Ei-las que imploram, as pobres v\u00edtimas, e eu a feri-las sempre.<br \/>.<br \/>.<br \/> Sempre.<br \/>.<br \/>.<br \/> Impiedosamente!.<br \/>.<br \/>.<br \/> O sangue inebria-me.<br \/>.<br \/>.<br \/> Acreditava que depois da morte tudo estaria terminado e assim foi que afrontei o supl\u00edcio e afrontei o pr\u00f3prio Deus, renegando-O!.<br \/>.<br \/>.<br \/> Entretanto, quando me julgava aniquilado para sempre, que terr\u00edvel despertar.<br \/>.<br \/>.<br \/> Oh! sim, terr\u00edvel, cercado de cad\u00e1veres, de espectros amea\u00e7adores, os p\u00e9s atolados em sangue!.<br \/>.<br \/>.<\/p>\n<p>Acreditava-me morto, e estou vivo! Horrendo! Horrendo! Mais horrendo que todos os supl\u00edcios da Terra! Ah! Se todos os homens pudessem saber o que h\u00e1 al\u00e9m da vida, saberiam tamb\u00e9m quanto custam as conseq\u00fc\u00eancias do mal! Certamente n\u00e3o haveriam mais assass\u00ednios, nem criminosos, nem malfeitores! Eu s\u00f3 quisera que todos os assassinos pudessem ver o que eu vejo e sofro.<br \/>.<br \/>.<\/p>\n<p>Oh! Ent\u00e3o n\u00e3o mais o seriam, porque \u00e9 horr\u00edvel este sofrimento! Bem sei que o mereci, oh! meu Deus, porque tamb\u00e9m eu n\u00e3o tive compaix\u00e3o das minhas v\u00edtimas; repelia as m\u00e3os s\u00faplices quando imploravam que as poupasse.<br \/>.<br \/>.<br \/> Sim, fui cruel, decerto, matando-as covardemente para roub\u00e1-las! E fui \u00edmpio, e fui blasfemo tamb\u00e9m, renegando o vosso sacrat\u00edssimo nome.<br \/>.<br \/>.<br \/> Quis enganar-me, porque eu queria persuadir-me de que V\u00f3s n\u00e3o exist\u00edeis.<br \/>.<br \/>.<br \/> Meu Deus, eu sou grande criminoso! Agora o compreendo.<br \/> Mas.<br \/>.<br \/>.<br \/> n\u00e3o tereis piedade de mim?.<br \/>.<br \/>.<br \/> V\u00f3s sois Deus, isto \u00e9, a bondade, a miseric\u00f3rdia! Sois onipotente! Piedade, Senhor! Piedade! Eu vo-lo pe\u00e7o, n\u00e3o sejais inexor\u00e1vel; libertai-me destes olhares odiosos, destes espectros horr\u00edveis.<br \/>.<br \/>.<br \/> Deste sangue.<br \/>.<br \/>.<br \/> Das minhas v\u00edtimas.<br \/>.<br \/>.<br \/> Olhares que, quais punhaladas, me atravessam o cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>V\u00f3s outros que aqui estais, que me ouvis, sede bondosos, almas caritativas.<br \/> Sim, eu o vejo, sei que tendes piedade de mim, n\u00e3o \u00e9 verdade? Haveis de orar por mim.<br \/>.<br \/>.<\/p>\n<p>Oh! Eu vo-lo suplico, n\u00e3o me abandoneis como fiz outrora aos outros.<br \/> Pedireis a Deus que me tire este horr\u00edvel espet\u00e1culo de ante os olhos, e Ele vos ouvir\u00e1 porque sois bons.<br \/>.<br \/>.<br \/> Imploro, orai por mim.<\/p>\n<p>Os assistentes, sensibilizados, dirigiram-lhe palavras de conforto e consola\u00e7\u00e3o.<br \/> Deus, disseram-lhe, n\u00e3o \u00e9 inflex\u00edvel; apenas exige do culpado um arrependimento sincero, aliado \u00e0 vontade de reparar o mal praticado.<br \/> Uma vez que o vosso cora\u00e7\u00e3o n\u00e3o est\u00e1 petrificado e que lhe pedis o perd\u00e3o dos vossos crimes, a Sua miseric\u00f3rdia baixar\u00e1 sobre v\u00f3s.<br \/> Preciso \u00e9, pois, que persevereis na boa resolu\u00e7\u00e3o de reparar o mal que fizestes.<br \/> Certamente n\u00e3o podeis restituir \u00e0s v\u00edtimas as vidas que lhes arrancaste, mas, se o pedirdes com fervor, Deus permitir\u00e1 que as encontreis em uma nova encarna\u00e7\u00e3o, na qual lhes podereis patentear tanto devotamento quanto o mal que lhes causastes.<br \/> E quando a repara\u00e7\u00e3o Lhe parecer suficiente, para logo entrareis na Sua santa gra\u00e7a.<br \/> Assim, a dura\u00e7\u00e3o do vosso castigo est\u00e1 nas vossas m\u00e3os, dependendo de v\u00f3s o abrevi\u00e1-lo.<\/p>\n<p>Comprometemo-nos a auxiliar-vos com as nossas preces e evocar para v\u00f3s a assist\u00eancia dos bons Esp\u00edritos.<br \/> Vamos pronunciar em vossa inten\u00e7\u00e3o a prece que se cont\u00e9m n O Evangelho Segundo o Espiritismo, referente aos Esp\u00edritos sofredores e arrependidos.<br \/> N\u00e3o pronunciaremos a que se refere aos maus Esp\u00edritos, porque desde que vos arrependeis, que implorais, que renunciais ao mal, n\u00e3o passais para n\u00f3s de um Esp\u00edrito infeliz, e n\u00e3o mau.<\/p>\n<p>Feita essa prece, o Esp\u00edrito continua, depois de breves instantes de calma:<\/p>\n<p> Obrigado, meu Deus!.<br \/>.<br \/>.<br \/> Oh! Obrigado! Tivestes piedade de mim.<br \/>.<br \/>.<br \/> Eis que se afastam os espectros.<br \/>.<br \/>.<br \/> N\u00e3o me abandoneis, enviai-me os vossos bons Esp\u00edritos para me ampararem.<br \/>.<br \/>.<br \/> Obrigado.<br \/>.<br \/>.<\/p>\n<p>Depois desta cena o m\u00e9dium fica alquebrado, abatido, os membros lassos por algum tempo.<br \/> A princ\u00edpio apenas, tem vaga id\u00e9ia do que se passou, mas pouco a pouco vai-se lembrando de algumas das palavras que pronunciou sem querer, reconhecendo que n\u00e3o era ele quem falara.<\/p>\n<p>No dia seguinte, em nova reuni\u00e3o, o Esp\u00edrito tornou a manifestar-se, reencetando a cena da v\u00e9spera, por\u00e9m por minutos apenas, e isso com a mesma gesticula\u00e7\u00e3o expressiva, posto que menos violenta.<br \/> Depois, tomado de agita\u00e7\u00e3o febril, escreveu:<\/p>\n<p> Agradecido pelas vossas preces.<br \/> Experimento j\u00e1 uma sens\u00edvel melhora.<br \/> Foi tamanho o fervor com que orei, que Deus me concedeu um moment\u00e2neo al\u00edvio; n\u00e3o obstante, terei de ver ainda as minhas v\u00edtimas.<br \/>.<br \/>.<br \/> Ei-las! Ei-Ias! Vedes este sangue?.<br \/>.<br \/>.<br \/> (Repetiu-se a prece da v\u00e9spera.<br \/> O Esp\u00edrito continuou dirigindo-se ao m\u00e9dium).<\/p>\n<p>Perdoai-me o ter-me apossado de v\u00f3s.<br \/> Obrigado pelo al\u00edvio que proporcionais aos meus sofrimentos.<br \/> Perdoai o mal que vos causei, mas eu tenho necessidade de me comunicar, e s\u00f3 v\u00f3s o podeis.<br \/>.<br \/>.<\/p>\n<p>Obrigado! Obrigado! Que j\u00e1 sinto algum al\u00edvio, se bem n\u00e3o tenha atingido o fim das prova\u00e7\u00f5es.<br \/> As minhas v\u00edtimas voltar\u00e3o dentro em breve.<br \/> Eis a puni\u00e7\u00e3o a que fiz jus, mas, Deus, sede indulgente.<\/p>\n<p>Orai todos v\u00f3s por mim, tende piedade.<\/p>\n<p>Latour.<\/p>\n<p>Um membro da Sociedade Esp\u00edrita de Paris que tinha orado por aquele infeliz, evocando-o, obteve intervaladamente as seguintes comunica\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>I<\/p>\n<p>Fui evocado quase imediatamente depois da minha morte, por\u00e9m n\u00e3o pude manifestar-me logo, de maneira que muitos Esp\u00edritos levianos me tomaram o nome e a vez.<br \/> Aproveitei a estadia em Bruxelas do Presidente da Sociedade de Paris e comuniquei-me, com a aquiesc\u00eancia de Esp\u00edritos superiores.<\/p>\n<p>Voltarei a manifestar-me na Sociedade, a fim de fazer revela\u00e7\u00f5es que ser\u00e3o um come\u00e7o de repara\u00e7\u00e3o \u00e0s minhas faltas, podendo tamb\u00e9m servir de ensinamento a todos os criminosos que me lerem e meditarem na exposi\u00e7\u00e3o dos meus sofrimentos.<\/p>\n<p>\u00c9 somente no esp\u00edrito dos homens fracos ou das crian\u00e7as que a narrativa de penas infernais pode produzir efeitos aterradores.<br \/> Ora, um grande malfeitor n\u00e3o \u00e9 um Esp\u00edrito pusil\u00e2nime e o temor de um policial \u00e9 para ele mais real que a descri\u00e7\u00e3o dos tormentos do inferno.<br \/> Eis porque todos os que me lerem ficar\u00e3o comovidos com minhas palavras e com os meus padecimentos, que n\u00e3o s\u00e3o fic\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 um s\u00f3 padre que possa dizer que viu o que tenho visto, porque tenho assistido \u00e0s torturas dos danados.<br \/> Mas quando eu vier dizer: eis o que se passou ap\u00f3s a minha morte, a morte do corpo, qual n\u00e3o foi a minha decep\u00e7\u00e3o ao reconhecer-me vivo, ao contr\u00e1rio do que supunha e tinha tomado pelo termo dos supl\u00edcios, quando era o come\u00e7o de outras torturas, ali\u00e1s indescrit\u00edveis, ent\u00e3o, mais de um ser estar\u00e1 \u00e0 borda do precip\u00edcio em que ia despenhar-me e cada um dos desgra\u00e7ados, desviados por mim da senda criminosa, concorrer\u00e1 para o resgate das minhas faltas.<\/p>\n<p>Foi-me permitido que me libertasse do olhar das minhas v\u00edtimas transformadas em carrascos, a fim de poder comunicar-me convosco; ao deixar-vos, entretanto, tornarei a v\u00ea-las e s\u00f3 esta id\u00e9ia me causa tal sofrimento que n\u00e3o poderia descrev\u00ea-lo.<br \/> Sou feliz quando me evocam, porque assim deixo o meu inferno por alguns instantes.<\/p>\n<p>Orai sempre ao Senhor por mim, pedi-Lhe que me liberte do olhar das minhas v\u00edtimas.<\/p>\n<p>Sim; oremos juntos.<br \/> A prece faz tanto bem.<br \/>.<br \/>.<br \/> Estou mais aliviado; n\u00e3o sinto t\u00e3o pesado o fardo que me acabrunha.<br \/> Vejo um resqu\u00edcio de esperan\u00e7a luzindo-me aos olhos e, contrito, exclamo: bendita a m\u00e3o do Senhor e seja feita a sua vontade!<\/p>\n<p>II<\/p>\n<p>O m\u00e9dium \u2014 Em vez de pedir a Deus para vos furtar ao olhar das vossas v\u00edtimas, eu vos convido a pedir comigo que vos d\u00ea a for\u00e7a necess\u00e1ria a fim de suportardes essa tortura expiat\u00f3ria.<\/p>\n<p>Latour \u2014 Eu preferia livrar-me desses olhares.<br \/> Se soub\u00e9sseis o quanto sofro.<br \/>.<br \/>.<br \/> O homem mais insens\u00edvel comover-se-ia vendo impressos na minha fisionomia, como que a fogo, os sofrimentos de minha alma.<br \/> Farei, entretanto, o que me aconselhais, pois compreendo ser esse um meio de expiar um pouco mais rapidamente as minhas faltas.<br \/> \u00c9 como uma dolorosa opera\u00e7\u00e3o, que viesse curar um corpo gravemente adoentado.<\/p>\n<p>Ah! Pudessem ver-me os culpados da Terra e ficariam apavorados das conseq\u00fc\u00eancias de seus crimes, desses crimes que, ignorados pelos homens, s\u00e3o, no entanto, vistos pelos Esp\u00edritos.<br \/> Como a ignor\u00e2ncia \u00e9 fatal para tantas pessoas!<\/p>\n<p>Que responsabilidade assumem aqueles que recusam instru\u00e7\u00e3o \u00e0s classes pobres da sociedade! Acreditam que com pol\u00edcia e soldados se previnem crimes.<br \/>.<br \/>.<br \/> Que grande erro!<\/p>\n<p>III<\/p>\n<p>Terr\u00edveis s\u00e3o os meus sofrimentos; por\u00e9m depois que por mim orastes, me sinto confortado por bons Esp\u00edritos, os quais me dizem que tenha esperan\u00e7a.<br \/> Avalio a efic\u00e1cia do rem\u00e9dio her\u00f3ico que me aconselhastes e pe\u00e7o a Deus que me d\u00ea for\u00e7as para suportar esta dura expia\u00e7\u00e3o, ali\u00e1s igual, posso afirm\u00e1-lo, ao mal que fiz.<br \/> N\u00e3o quero escusar-me das minhas atrocidades; mas o certo \u00e9 que, para cada uma das minhas v\u00edtimas, salvo a preced\u00eancia de alguns instantes, na morte, a dor n\u00e3o existia, e as que tinham terminado a prova\u00e7\u00e3o terrena foram receber a recompensa que as aguardava.<br \/> Para mim, entretanto, ao voltar ao mundo dos Esp\u00edritos, s\u00f3 houve padecimento de dores infernais, salvo os curtos instantes em que me manifestava.<\/p>\n<p>Em que pesem \u00e0s suas imagens de terror, os padres s\u00f3 t\u00eam uma fraca no\u00e7\u00e3o dos verdadeiros sofrimentos que a justi\u00e7a divina reserva aos infratores da lei do amor e da caridade.<\/p>\n<p>Como insinuar a pessoas sensatas que uma alma, isto \u00e9, uma coisa imaterial, possa sofrer ao contato do fogo material? \u00c9 absurdo e por isso tantos e tantos criminosos se riem desses pain\u00e9is fant\u00e1sticos do inferno.<br \/> O mesmo por\u00e9m n\u00e3o se d\u00e1 quanto \u00e0 dor moral do condenado, ap\u00f3s a morte f\u00edsica.<br \/> Orai para que o desespero n\u00e3o se aposse de mim.<\/p>\n<p>IV<\/p>\n<p>Muito grato vos sou pela perspectiva que me trouxeste e a cujo fim glorioso sei que devo chegar quando estiver purificado.<\/p>\n<p>Sofro muito, mas parece-me que os sofrimentos diminuem.<br \/> N\u00e3o posso acreditar que, no mundo dos Esp\u00edritos, a dor diminua pouco a pouco \u00e0 for\u00e7a de h\u00e1bito.<br \/> N\u00e3o.<br \/> O que eu depreendo \u00e9 que as vossas preces salutares me aumentaram as for\u00e7as, de modo que, pelas mesmas dores, com mais resigna\u00e7\u00e3o, eu menos sofro.<\/p>\n<p>O pensamento volve ent\u00e3o para a minha \u00faltima exist\u00eancia e vejo as faltas que teria evitado se soubesse orar.<br \/> Hoje compreendo a efic\u00e1cia da prece; compreendo o valor dessas mulheres honestas e piedosas, fracas pela carne, por\u00e9m fortes pela f\u00e9; compreendo, enfim, esse mist\u00e9rio ignorado pelos supostos s\u00e1bios da Terra.<\/p>\n<p>Preces! Palavra que por si s\u00f3 provocam o riso dos esp\u00edritos fortes.<br \/> Aqui os espero no mundo espiritual e, quando a venda que a verdade encobre se romper para eles, ent\u00e3o por sua vez se prosternar\u00e3o aos p\u00e9s do Eterno a quem desprezaram e ser\u00e3o felizes em se humilhar para que seus pecados e crimes sejam relevados! H\u00e3o de compreender ent\u00e3o a efic\u00e1cia da prece.<\/p>\n<p>Orar \u00e9 amar e amar \u00e9 orar! E eles amar\u00e3o o Senhor, lhe dirigir\u00e3o preces de reconhecimento e de amor regenerados pelo sofrimento.<br \/> E, pois que devem sofrer, pedir\u00e3o como eu pe\u00e7o a for\u00e7a necess\u00e1ria ao sofrimento e \u00e0 expiac\u00e3o.<br \/> Deixando de sofrer, h\u00e3o de orar ainda para agradecer o perd\u00e3o obtido, por sua humildade e resigna\u00e7\u00e3o.<br \/> Oremos, irm\u00e3o, para que mais me fortale\u00e7a.<br \/>.<br \/>.<br \/> Oh! Obrigado pela tua caridade, meu irm\u00e3o, pois que estou perdoado.<br \/> Deus me liberta do olhar das minhas v\u00edtimas.<br \/> Oh! Meu Deus! Bendito sejais V\u00f3s, por toda a eternidade, pela gra\u00e7a que me concedeis! Oh! Meu Deus! Sinto a enormidade dos meus crimes e curvo-me ante a vossa onipot\u00eancia.<\/p>\n<p>Senhor! Eu Vos amo de todo o meu cora\u00e7\u00e3o e Vos suplico a gra\u00e7a de me permitirdes, como o julgardes melhor, sofrer novas prova\u00e7\u00f5es na Terra; voltar a ela como mission\u00e1rio da paz e da caridade, ensinando as crian\u00e7as a pronunciar com respeito o Vosso nome.<br \/> Pe\u00e7o-vos que me seja poss\u00edvel ensinar que Vos amem, a V\u00f3s, Pai que sois de todas as criaturas.<br \/> Obrigado, meu Deus! Sou um Esp\u00edrito arrependido, e sincero \u00e9 o meu arrependimento.<\/p>\n<p>Tanto quanto meu impuro cora\u00e7\u00e3o pode comport\u00e1-lo, eu Vos amo com esse sentimento que \u00e9 pura emana\u00e7\u00e3o da vossa divindade.<br \/> Irm\u00e3o, oremos, pois meu cora\u00e7\u00e3o transborda de reconhecimento.<br \/> Estou livre, quebrei os grilh\u00f5es, n\u00e3o sou mais um r\u00e9probo.<\/p>\n<p>Sou um Esp\u00edrito sofredor, mas arrependido, a desejar que o meu exemplo pudesse conter nos umbrais do crime todas as m\u00e3os criminosas que vejo prestes a se levantarem.<\/p>\n<p>Oh! Para tr\u00e1s; recuai, irm\u00e3os, pois as torturas que preparais ser\u00e3o atrozes! N\u00e3o acrediteis que o Senhor se deixar\u00e1 t\u00e3o prontamente submeter \u00e0 prece dos seus filhos.<br \/> S\u00e3o s\u00e9culos de torturas que vos esperam.<\/p>\n<p>O Guia do m\u00e9dium \u2014 Dizem que n\u00e3o compreendes as palavras do Esp\u00edrito.<br \/> Procura ter uma id\u00e9ia da sua como\u00e7\u00e3o e do seu reconhecimento para com o Senhor, coisas que ele acredita n\u00e3o poder testemunhar melhor do que tentando demover todos esses criminosos por ele vistos, mas que tu n\u00e3o podes ver.<br \/> Aos ouvidos desses uns, quereria ele que chegassem as suas palavras; mas o que n\u00e3o te disse ele, porque o ignora ainda, \u00e9 que lhe ser\u00e1 permitido o in\u00edcio de miss\u00f5es reparadoras.<br \/> Ir\u00e1 para junto daqueles que foram c\u00famplices, inspirando-lhes arrependimento, implantando em seus cora\u00e7\u00f5es o germe do remorso.<\/p>\n<p>Freq\u00fcentemente se v\u00eaem na Terra pessoas, consideradas como honestas, que se lan\u00e7am aos p\u00e9s de um sacerdote para se acusarem de um crime.<br \/> \u00c9 o remorso que lhes dita a confiss\u00e3o da culpa.<br \/> Se o v\u00e9u que te encobre o mundo invis\u00edvel se desfizesse, verias muitas vezes o Esp\u00edrito c\u00famplice ou instigador de um crime, tal como o far\u00e1 Jaques Latour, inspirando o remorso ao Esp\u00edrito encarnado, no af\u00e3 de reparar a pr\u00f3pria falta.<\/p>\n<p>Teu Guia Protetor.<\/p>\n<p>Mais tarde, o m\u00e9dium de Bruxelas, o mesmo que recebera o primeiro ditado, obteve mais este:<\/p>\n<p>Nada mais receeis de mim, que estou tranquilo, em que pese ao sofrimento porque estou passando.<br \/> Vendo o meu arrependimento, Deus teve compaix\u00e3o de mim.<br \/> Agora sofro por causa desse arrependimento, que me demonstra a enormidade dos meus crimes.<br \/> Bem aconselhado na vida, eu n\u00e3o teria nunca praticado todo esse mal, mas, sem repress\u00e3o, obedeci cegamente aos meus instintos.<br \/> Se todos os homens pensassem mais em Deus, ou, antes, se nele acreditassem, essas faltas n\u00e3o seriam cometidas.<\/p>\n<p>Falha \u00e9, por\u00e9m, a justi\u00e7a dos homens; uma falta diversas vezes passageira leva o homem ao c\u00e1rcere, que n\u00e3o deixa de ser um foco de pervers\u00e3o.<br \/> Da\u00ed sai ele completamente corrompido pelos maus exemplos e conselhos.<br \/> Dado por\u00e9m que a sua \u00edndole seja boa e forte para se n\u00e3o corromper, ainda assim, de l\u00e1 sa\u00eddo, ele vai encontrar fechadas todas as portas, retra\u00eddas todas as m\u00e3os, indiferentes todos os cora\u00e7\u00f5es!<\/p>\n<p>Que lhe resta pois? O desprezo, a mis\u00e9ria, o abandono e o desespero, se \u00e9 que o assistem boas resolu\u00e7\u00f5es de se corrigir.<br \/> Ent\u00e3o a mis\u00e9ria o leva aos extremos e \u00e9 ent\u00e3o tomado de desprezo pelo semelhante, vem a odiar e perde a no\u00e7\u00e3o do bem e do mal, porque, n\u00e3o obstante as suas boas inten\u00e7\u00f5es, se encontra repelido.<br \/> Para angariar o necess\u00e1rio, rouba, mata \u00e0s vezes, e depois.<br \/>.<br \/>.<br \/> depois o executam!<\/p>\n<p>Meu Deus, ao ser presa novamente das minhas alucina\u00e7\u00f5es, sinto que a vossa m\u00e3o se estende por sobre mim; sinto que a vossa bondade me envolve e protege.<\/p>\n<p>Obrigado, meu Deus! Na pr\u00f3xima exist\u00eancia empregarei toda a minha intelig\u00eancia no socorro aos desgra\u00e7ados que sucumbiram, a fim de lhes evitar a queda.<br \/> Obrigado a v\u00f3s que n\u00e3o desdenhais de comunicar comigo; nada receeis, pois bem o vedes, eu n\u00e3o sou mau.<br \/> Quando pensardes em mim, n\u00e3o vos figureis o meu retrato pelo que de mim vistes, mas o de uma alma angustiada que agradece a vossa indulg\u00eancia.<\/p>\n<p>Adeus, evocai-me ainda e orai a Deus por mim.<\/p>\n<p>Latour.<\/p>\n<p>(Estudo sobre o Esp\u00edrito de Jacques Latour)<\/p>\n<p>N\u00e3o se pode desconhecer a profundeza e a alta significa\u00e7\u00e3o de algumas das frases encerradas nessa comunica\u00e7\u00e3o.<br \/> Al\u00e9m disso, ela oferece um dos aspectos do mundo dos Esp\u00edritos em castigo, pairando ainda assim sobre ele a miseric\u00f3rdia divina.<br \/> A alegoria mitol\u00f3gica das Eum\u00eanides n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o rid\u00edcula como parece, e os dem\u00f4nios, carrascos oficiais do mundo invis\u00edvel, que as substituem perante as modernas cren\u00e7as, s\u00e3o menos racionais com seus cornos e forcados, do que essas v\u00edtimas que servem elas pr\u00f3prias ao castigo do culpado.<\/p>\n<p>Admitindo-se a identidade desse Esp\u00edrito, talvez se estranhe t\u00e3o pronta mudan\u00e7a do seu moral.<br \/> \u00c9 o caso da pondera\u00e7\u00e3o j\u00e1 feita de que pode um Esp\u00edrito brutalmente mau ter em si melhores predicados do que o dominado pelo orgulho ou pela hipocrisia.<br \/> Esta mudan\u00e7a para sentimentos mais ben\u00e9ficos indica uma natureza mais selvagem que perversa, \u00e0 qual apenas faltava boa dire\u00e7\u00e3o.<br \/> Comparando esta linguagem com a de outro Esp\u00edrito, adiante mencionada sob a ep\u00edgrafe: castigo pela luz, \u00e9 f\u00e1cil concluir qual dos dois seja mais adiantado moralmente, apesar da disparidade de instru\u00e7\u00e3o e hierarquia social, obedecendo um ao natural instinto de ferocidade, a uma esp\u00e9cie de superexcita\u00e7\u00e3o, ao passo que o outro empresta \u00e0 perpetra\u00e7\u00e3o dos seus crimes a calma e sangue-frio inerentes \u00e0s lentas e obstinadas combina\u00e7\u00f5es, afrontando ainda depois de morto o castigo, por orgulho.<br \/> Este sofre e n\u00e3o o confessa, ao passo que aquele prontamente se submete.<br \/> Tamb\u00e9m por a\u00ed podemos prever qual deles sofrer\u00e1 por mais ou por menos tempo.<\/p>\n<p>Diz o Esp\u00edrito de Latour:  Eu sofro por causa desse arrependimento, que me demonstra a extens\u00e3o dos meus crimes .<\/p>\n<p>A\u00ed est\u00e1 um pensamento profundo.<br \/> O Esp\u00edrito s\u00f3 compreende a gravidade dos seus malef\u00edcios depois que se arrepende.<\/p>\n<p>O arrependimento acarreta o pesar, o remorso, o sentimento doloroso, que \u00e9 a transi\u00e7\u00e3o do mal para o bem, da doen\u00e7a moral para a sa\u00fade moral.<br \/> \u00c9 para se furtarem a isso que os Esp\u00edritos perversos se revoltam contra a voz da consci\u00eancia, como doentes que repelem o rem\u00e9dio que os h\u00e1 de curar.<br \/> E assim procuram iludir-se, aturdir-se e persistir no mal.<\/p>\n<p>Latour chegou a esse per\u00edodo em que se extingue o endurecimento, acabando por ceder; entra-lhe o remorso pelo cora\u00e7\u00e3o, o arrependimento o assedia e, compreendendo o mal que fez, v\u00ea a sua degrada\u00e7\u00e3o e sofre por ela.<br \/> Eis porque ele diz:  Sofro por causa desse arrependimento .<br \/> Na precedente encarna\u00e7\u00e3o, ele devia ter sido pior que na \u00faltima, visto que, se tivesse se arrependido como agora, melhor lhe teria sido a vida subseq\u00fcente.<\/p>\n<p>As resolu\u00e7\u00f5es, por ele ora tomadas, influir\u00e3o sobre sua vida terrestre no futuro; e a encarna\u00e7\u00e3o que teve nem por ser criminosa deixou de assinalar-lhe um est\u00e1dio de progresso.<br \/> E \u00e9 muito prov\u00e1vel que antes de a iniciar ele fosse na erraticidade um desses muitos Esp\u00edritos rebeldes, obstinados no mal.<\/p>\n<p>A muitas pessoas ocorre perguntar qual seja o proveito dessa anterioridade de exist\u00eancia, uma vez que dela n\u00e3o nos lembramos e tamb\u00e9m n\u00e3o temos id\u00e9ia daquilo que fomos nem daquilo que fizemos.<\/p>\n<p>Esta quest\u00e3o est\u00e1 sumariamente liquidada pela raz\u00e3o de que a lembran\u00e7a seria in\u00fatil, visto como de todo est\u00e1 apagado o mal cometido, sem que dele nos reste um tra\u00e7o no cora\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m com ele n\u00e3o nos devemos preocupar.<\/p>\n<p>Quanto aos v\u00edcios de que porventura n\u00e3o estejamos inteiramente despojados, n\u00f3s os conhecemos pelas nossas tend\u00eancias atuais e para elas devemos voltar todas as aten\u00e7\u00f5es.<br \/> Basta saber o que somos, sem que seja necess\u00e1rio saber o que fomos.<\/p>\n<p>Se considerarmos as dificuldades que h\u00e1 na exist\u00eancia para a reabilita\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito, por maior que seja o seu arrependimento, as reprova\u00e7\u00f5es de que se torna objeto, devemos louvar a Deus por ter cerrado esse v\u00e9u sobre o passado.<br \/> Condenado a tempo ou absolvido que fosse, os antecedentes de Latour o tornariam um enjeitado da sociedade.<\/p>\n<p>Apesar do seu arrependimento, quem o acolheria com intimidade? Entretanto, as inten\u00e7\u00f5es que ora patenteia como Esp\u00edrito, nos d\u00e3o a esperan\u00e7a de que venha a ser na pr\u00f3xima encarna\u00e7\u00e3o um homem honesto e estimado.<br \/> Suponhamos que soubessem que esse homem honesto fora Latour e a reprova\u00e7\u00e3o continuaria a persegui-lo.<br \/> Esse v\u00e9u sobre o passado \u00e9 que lhe franqueia a porta da reabilita\u00e7\u00e3o, porque pode sem receio e sem pejo ombrear-se com os mais honestos.<br \/> Quantos h\u00e1 que desejariam poder apagar da mem\u00f3ria de outrem certas fases da pr\u00f3pria vida?<\/p>\n<p>Qual a doutrina que melhor se concilia com a bondade e justi\u00e7a de Deus? Por outro lado esta doutrina n\u00e3o \u00e9 uma teoria, mas sim o resultado de observa\u00e7\u00f5es.<br \/> Por certo n\u00e3o foram os Esp\u00edritos que a imaginaram, por\u00e9m eles viram e observaram as situa\u00e7\u00f5es diferentes que muitos Esp\u00edritos apresentam e da\u00ed o procurarem explic\u00e1-las, originando-se ent\u00e3o a doutrina.<\/p>\n<p>Aceitaram-na, pois, como resultante dos fatos, e ainda por lhes parecer mais racional que todas as emitidas at\u00e9 hoje relativamente ao futuro da alma.<\/p>\n<p>N\u00e3o se pode negar a estas comunica\u00e7\u00f5es um grande fundo moral.<br \/> O Esp\u00edrito poderia ter sido auxiliado nesses racioc\u00ednios e, sobretudo, na escolha das suas express\u00f5es, por outros mais adiantados; mas a verdade \u00e9 que estes apenas influem na forma e n\u00e3o na ess\u00eancia e nunca fazem com que o Esp\u00edrito inferior esteja em contradi\u00e7\u00e3o consigo mesmo.<br \/> Assim \u00e9 que em Latour poderiam ter feito poesia com a forma do arrependimento, mas n\u00e3o lhe insinuaram contra sua vontade, porque o Esp\u00edrito tem o seu livre-arb\u00edtrio.<\/p>\n<p>Em Latour lobrigaram o cintilar dos bons sentimentos e por isso o auxiliaram na express\u00e3o contribuindo assim para desenvolv\u00ea-lo, ao mesmo tempo que em seu favor imploravam comisera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Que h\u00e1 de mais digno, mais moralizador, capaz de impressionar mais vivamente do que o espet\u00e1culo deste grande criminoso que exproba a si mesmo o desespero e os remorsos? Desse criminoso que, perseguido pelo incessante olhar das v\u00edtimas e torturado, eleva a Deus o pensamento implorando miseric\u00f3rdia? N\u00e3o ser\u00e1 isso um exemplo salutar para os culpados? Se bem que simples e desprovidos de fantasmag\u00f3ricas encena\u00e7\u00f5es, compreende-se a natureza dessa ang\u00fastia, porque elas, apesar de terr\u00edveis, s\u00e3o racionais.<\/p>\n<p>Poder-se-ia talvez estranhar t\u00e3o grande transforma\u00e7\u00e3o num homem como Latour.<br \/>.<br \/>.<br \/> Mas por que havia de ser inacess\u00edvel ao arrependimento? Por que n\u00e3o possuir tamb\u00e9m ele a sua corda sens\u00edvel? O pecador seria, pois, votado ao mal eternamente? N\u00e3o lhe chegaria, por fim, um momento em que a luz se lhe fizesse n alma?<\/p>\n<p>Era justamente essa hora que chegara para Latour; e ali est\u00e1 precisamente o lado moral dos seus ditados; \u00e9 a compreens\u00e3o que ele tem do seu estado, s\u00e3o os seus pesares, os seus planos de repara\u00e7\u00e3o, que tornam essas mensagens eminentemente instrutivas.<br \/> Que haveria de extraordin\u00e1rio se Latour confessasse um arrependimento sincero antes da morte, se dissesse antes da morte o que veio dizer depois? N\u00e3o h\u00e1, quanto a isso, numerosos exemplos? Uma regenera\u00e7\u00e3o antes da morte passaria, aos olhos da maioria dos seus iguais, por fraqueza; mas essa voz de al\u00e9m-t\u00famulo \u00e9 seguramente a revela\u00e7\u00e3o daquilo mesmo que os aguarda.<\/p>\n<p>Ele est\u00e1 em absoluto com a verdade, quando afirma ser o seu exemplo mais eficaz que a perspectiva das chamas do inferno, e at\u00e9 do cadafalso.<\/p>\n<p>Por que n\u00e3o lhes ministrar esses sentimentos no c\u00e1rcere? Eles nos levariam a reflex\u00f5es, do que ali\u00e1s j\u00e1 temos alguns exemplos.<br \/> Mas como crer nas palavras de um morto, quando ningu\u00e9m acredita que para al\u00e9m da morte n\u00e3o esteja tudo acabado? Entretanto, dia vir\u00e1 em que esta verdade h\u00e1 de ser reconhecida: os mortos podem vir instruir os vivos.<\/p>\n<p>Outras muitas instru\u00e7\u00f5es importantes podem ser tiradas dessas comunica\u00e7\u00f5es; assim a confirma\u00e7\u00e3o deste princ\u00edpio de eterna justi\u00e7a, pelo qual ao culpado n\u00e3o basta o arrependimento apenas, sendo este o primeiro passo para a reabilita\u00e7\u00e3o que atrai a divina miseric\u00f3rdia.<br \/> O arrependimento \u00e9 o prel\u00fadio do perd\u00e3o, o al\u00edvio dos sofrimentos, mas porque Deus n\u00e3o absolve incondicionalmente, se torna mister a expia\u00e7\u00e3o e principalmente a repara\u00e7\u00e3o.<br \/> Assim o entende Latour e para tanto se predisp\u00f5e.<br \/> Se compararmos este criminoso \u00e0quele de Castelnaudary, veremos ainda uma diferen\u00e7a nos castigos.<br \/> Naquele o arrependimento foi tardio e, conseq\u00fcentemente, mais longa a pena.<br \/> Al\u00e9m disso, essa pena era quase material, enquanto para Latour o era antes moral, porque, como acima dissemos, havia grande diferen\u00e7a intelectual entre eles.<\/p>\n<p>Ao outro impunha-se coisa com que os sentidos obliterados pudessem ser feridos; mas \u00e9 preciso notar que as penas morais n\u00e3o ser\u00e3o menos pungentes para todo aquele que esteja em condi\u00e7\u00f5es de compreend\u00ea-las.<br \/> Podemos inferir a assertiva dos clamores do pr\u00f3prio Latour, os quais n\u00e3o s\u00e3o de c\u00f3lera, mas antes a express\u00e3o dos remorsos, de perto seguidos de arrependimento e desejo de repara\u00e7\u00e3o, visando o progresso.<\/p>\n<div class=\"pvc_clear\"><\/div>\n<p id=\"pvc_stats_15501\" class=\"pvc_stats all  \" data-element-id=\"15501\" style=\"\"><i class=\"pvc-stats-icon medium\" aria-hidden=\"true\"><svg aria-hidden=\"true\" focusable=\"false\" data-prefix=\"far\" data-icon=\"chart-bar\" role=\"img\" xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\" viewBox=\"0 0 512 512\" class=\"svg-inline--fa fa-chart-bar fa-w-16 fa-2x\"><path fill=\"currentColor\" d=\"M396.8 352h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8V108.8c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v230.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8zm-192 0h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8V140.8c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v198.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8zm96 0h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8V204.8c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v134.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8zM496 400H48V80c0-8.84-7.16-16-16-16H16C7.16 64 0 71.16 0 80v336c0 17.67 14.33 32 32 32h464c8.84 0 16-7.16 16-16v-16c0-8.84-7.16-16-16-16zm-387.2-48h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8v-70.4c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v70.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8z\" class=\"\"><\/path><\/svg><\/i> <img decoding=\"async\" width=\"16\" height=\"16\" alt=\"Loading\" data-src=\"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/wp-content\/plugins\/page-views-count\/ajax-loader-2x.gif\" border=0 src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" class=\"lazyload\" style=\"--smush-placeholder-width: 16px; --smush-placeholder-aspect-ratio: 16\/16;\" \/><\/p>\n<div class=\"pvc_clear\"><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Verger Assassino do arcebispo de Paris No dia 3 de janeiro de 1857, monsenhor Sibour, arcebispo de Paris, ao sair da Igreja de Saint-Etiene du Mont, foi mortalmente ferido por um jovem padre chamado Verger. O criminoso foi condenado \u00e0 morte e executado a 30 de janeiro. At\u00e9 o \u00faltimo momento n\u00e3o manifestou qualquer sentimento&hellip; <br \/> <a class=\"read-more\" href=\"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/artigo15501\/\">Leia mais<\/a><\/p>\n<div class=\"pvc_clear\"><\/div>\n<p id=\"pvc_stats_15501\" class=\"pvc_stats all  \" data-element-id=\"15501\" style=\"\"><i class=\"pvc-stats-icon medium\" aria-hidden=\"true\"><svg aria-hidden=\"true\" focusable=\"false\" data-prefix=\"far\" data-icon=\"chart-bar\" role=\"img\" xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\" viewBox=\"0 0 512 512\" class=\"svg-inline--fa fa-chart-bar fa-w-16 fa-2x\"><path fill=\"currentColor\" d=\"M396.8 352h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8V108.8c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v230.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8zm-192 0h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8V140.8c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v198.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8zm96 0h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8V204.8c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v134.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8zM496 400H48V80c0-8.84-7.16-16-16-16H16C7.16 64 0 71.16 0 80v336c0 17.67 14.33 32 32 32h464c8.84 0 16-7.16 16-16v-16c0-8.84-7.16-16-16-16zm-387.2-48h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8v-70.4c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v70.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8z\" class=\"\"><\/path><\/svg><\/i> <img decoding=\"async\" width=\"16\" height=\"16\" alt=\"Loading\" data-src=\"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/wp-content\/plugins\/page-views-count\/ajax-loader-2x.gif\" border=0 src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" class=\"lazyload\" style=\"--smush-placeholder-width: 16px; --smush-placeholder-aspect-ratio: 16\/16;\" \/><\/p>\n<div class=\"pvc_clear\"><\/div>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[16],"tags":[],"class_list":["post-15501","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-mensagens-diversas"],"a3_pvc":{"activated":true,"total_views":2932,"today_views":0},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15501","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=15501"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15501\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=15501"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=15501"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=15501"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}