{"id":15598,"date":"2018-12-30T10:12:00","date_gmt":"2018-12-30T10:12:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/artigo15598\/"},"modified":"2018-12-30T10:37:18","modified_gmt":"2018-12-30T12:37:18","slug":"artigo15598","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/artigo15598\/","title":{"rendered":"Livro O que \u00e9 o Espiritismo &#8211; Cap\u00edtulo I &#8211;  TERCEIRO DIALOGO &#8211; O SACERDOTE  &#8211; Allan Kardec"},"content":{"rendered":"<p>TERCEIRO DIALOGO<\/p>\n<p>O SACERDOTE <\/p>\n<p>Obje\u00e7\u00f5es em nome da religi\u00e3o<\/p>\n<p>O sacerdote.<br \/> \u2014 Permita, senhor, que por minha vez lhe dirija algumas perguntas.<\/p>\n<p>Allan Kardec.<br \/> \u2014 Com muito prazer.<br \/> Antes de as responder, entretanto, creio \u00fatil apresentar-lhe o terreno em que espero me colocar para lhe dar resposta.<\/p>\n<p>Devo manifestar-lhe que n\u00e3o pretendo absolutamente convert\u00ea-lo \u00e0s nossas ideias.<br \/> Se por acaso as desejar conhecer, poder\u00e1 encontr\u00e1-las nos livros em que est\u00e3o expostas, onde ser\u00e1 f\u00e1cil estud\u00e1-las detidamente.<br \/> Depois ter\u00e1 a liberdade de as repudiar ou as aceitar.<\/p>\n<p>O Espiritismo tem como finalidade combater a .<br \/>incredulidade e suas funestas consequ\u00eancias, provando incontestavelmente a exist\u00eancia da alma e a realidade da vida futura.<br \/> Destina-se, pois, aos que n\u00e3o cr\u00eaem em nada ou que duvidam.<br \/> Como sabe, o n\u00famero destes n\u00e3o \u00e9 pequeno.<br \/> Os que t\u00eam f\u00e9 religiosa e aqueles a quem esta f\u00e9 satisfaz, dele n\u00e3o precisam.<\/p>\n<p>Ao que diz:  Creio na autoridade da Igreja, atenho-me ao que ela ensina e sinto-me satisfeito , o Espiritismo responde que n\u00e3o cuida de impor-se a ningu\u00e9m e que n\u00e3o veio para for\u00e7ar convic\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>A liberdade de consci\u00eancia \u00e9 uma consequ\u00eancia da liberdade de pensamento.<br \/> Este \u00e9 um atributo do homem.<br \/> O Espiritismo estaria em contradi\u00e7\u00e3o com seus princ\u00edpios de caridade e de toler\u00e2ncia se n\u00e3o os respeitasse.<br \/> Prescreve que toda cren\u00e7a, quando sincera e n\u00e3o induz a ocasionar preju\u00edzos ao pr\u00f3ximo, mesmo err\u00f3nea, \u00e9 digna de respeito.<\/p>\n<p>Se uma pessoa teima em acreditar, por exemplo, que \u00e9 o Sol que gira e n\u00e3o a Terra, dir-lhe-emos:  Creia se lhe agrada, de vez que isso n\u00e3o op\u00f5e obst\u00e1culos aos movimentos da Terra.<br \/> Mas note que, assim como n\u00e3o procuramos violentar-lhe a consci\u00eancia, n\u00e3o deve voc\u00ea tentar violentar a consci\u00eancia alheia.<br \/> Cada vez que se transforma uma cren\u00e7a, intimamente inofensiva, em elemento de persegui\u00e7\u00e3o, torna-se ela nociva e deve ser combatida .<\/p>\n<p>Tal \u00e9, senhor padre, a linha de conduta que tenho observado para com os ministros dos diferentes cultos, que me procuram.<br \/> Quando me inquirem sobre pontos da Doutrina, dou-lhes as explica\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias; abstendo-me, n\u00e3o obstante, de discutir certos dogmas, do que n\u00e3o se deve ocupar o Espiritismo, j\u00e1 que cada um \u00e9 livre de os julgar.<br \/> Nunca os procurei, por\u00e9m, com o intuito de lhes destruir a f\u00e9 pela coa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Aquele que nos vem como irm\u00e3o, como irm\u00e3o o recebemos.<br \/> O que nos despreza, em paz o deixamos.<br \/> Este \u00e9 o conselho que n\u00e3o cesso de dar aos esp\u00edritas.<br \/> Nunca incentivei os que a si atribuem a miss\u00e3o de converter o clero.<br \/> Digo-lhes sempre:  Semeiem no campo dos incr\u00e9dulos, que nele h\u00e1 messes abundantes a colher .<\/p>\n<p>O Espiritismo n\u00e3o se imp\u00f5e porque, como disse, respeita a liberdade de consci\u00eancia.<br \/> Compreende muito bem, por outro lado, que toda f\u00e9 imposta \u00e9 superficial e s\u00f3 oferece apar\u00eancias da f\u00e9; nunca \u00e9 a f\u00e9 sincera.<br \/> Exp\u00f5e seus princ\u00edpios aos olhos de toda a gente, de modo que possa cada um formar opini\u00e3o com conhecimento de causa.<\/p>\n<p>Os que aceitam, leigos ou sacerdotes, fazem-no livremente, porque os julgam racionais.<br \/> De nenhuma maneira, por\u00e9m, abrigamos rancor contra os que n\u00e3o s\u00e3o do nosso parecer.<br \/> Se existe uma luta aberta entre a Igreja e o Espiritismo, n\u00e3o fomos n\u00f3s que a provocamos.<br \/> Disso estamos convencidos.<\/p>\n<p>S.<br \/> \u2014 Assistindo ao advento de uma nova doutrina, cujos princ\u00edpios, a seu ver, deve condenar, a Igreja tem certamente o direito de os discutir e os combater, de prevenir os fi\u00e9is contra o que considera err\u00f4neo.<\/p>\n<p>A.<br \/>K.<br \/> \u2014 De nenhum modo negamos um direito que reclamamos para n\u00f3s mesmos.<\/p>\n<p>Se a Igreja tivesse ficado apenas nos limites da discuss\u00e3o, seria o mais desej\u00e1vel.<br \/> Leia, por\u00e9m, a maior parte dos escritos emanados de seus membros ou publicados em nome da religi\u00e3o, os serm\u00f5es que t\u00eam sido pregados, e ver\u00e1 a inj\u00faria e a cal\u00fania brotando de toda parte, assim como os princ\u00edpios da Doutrina, indigna e maliciosamente desfigurados.<\/p>\n<p>Tem-se ouvido, do alto do p\u00falpito, serem os esp\u00edritas inimigos da sociedade e da ordem p\u00fablica.<br \/> Tem-se visto pessoas, que o Espiritismo atraiu \u00e0 f\u00e9, anatematizadas e injuriadas pela Igreja, sob a alega\u00e7\u00e3o de que mais vale ser incr\u00e9dulo do que crer em Deus e na exist\u00eancia da alma por interm\u00e9dio do Espiritismo.<\/p>\n<p>Para elas, tamb\u00e9m, j\u00e1 se acenderam as fogueiras da inquisi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Em muitas localidades n\u00e3o foram elas assinaladas \u00e0 animadver-s\u00e3o de seus concidad\u00e3os, a ponto de serem perseguidas e injuriadas nas ruas?<\/p>\n<p>J\u00e1 se conjuraram os fi\u00e9is a fugirem delas como de empestea-dos; j\u00e1 se induziram os criados a n\u00e3o entrar ao seu servi\u00e7o.<\/p>\n<p>Por causa do Espiritismo j\u00e1 se aconselharam esposas a abandonar os maridos e maridos a abandonar as esposas.<\/p>\n<p>J\u00e1 fizeram os empregados perder o emprego, j\u00e1 se tirou aos oper\u00e1rios o p\u00e3o que lhes d\u00e1 o trabalho e j\u00e1 se negou o p\u00e3o da caridade aos infelizes, por esta raz\u00e3o: eram esp\u00edritas.<\/p>\n<p>At\u00e9 cegos foram expulsos de hospitais, por se negarem a abjurar a cren\u00e7a.<\/p>\n<p>O senhor me diga: \u00e9 uma atitude leal?<\/p>\n<p>A tudo opuseram calma e modera\u00e7\u00e3o.<br \/> A consci\u00eancia p\u00fablica j\u00e1 lhes fez a justi\u00e7a de dizer que n\u00e3o foram eles os agressores.<\/p>\n<p>S.<br \/> \u2014 Sendo sensato, um homem certamente deplora tais excessos.<br \/> A Igreja, por\u00e9m, n\u00e3o pode responsabilizar-se p\u00ealos abusos cometidos por alguns de seus membros menos educados.<\/p>\n<p>A.<br \/>K.<br \/> \u2014 Sim.<br \/> Mas ser\u00e3o, tamb\u00e9m, pouco educados os pr\u00edncipes da Igreja? Examine o senhor a pastoral do bispo de Argel e de alguns outros.<\/p>\n<p>N\u00e3o foi, acaso, um bispo quem decretou o auto de f\u00e9 de Barcelona?<\/p>\n<p>A autoridade superior eclesi\u00e1stica n\u00e3o tem poder absoluto sobre seus subordinados?<\/p>\n<p>Se, pois, tolera serm\u00f5es indignos da c\u00e1tedra evang\u00e9lica, se facilita a publica\u00e7\u00e3o de artigos injuriosos e difamat\u00f3rios contra toda uma classe de cidad\u00e3os, se n\u00e3o se op\u00f5e \u00e0s persegui\u00e7\u00f5es feitas em nome da religi\u00e3o, \u00e9 porque aprova tudo isso.<\/p>\n<p>Em resumo, recha\u00e7ando sistematicamente os esp\u00edritas que ainda a ela se prendiam, a Igreja os obrigou a voltarem sobre si mesmos e, pela natureza e viol\u00eancia de seus ataques, dilatou a discuss\u00e3o, atraindo-a para outro terreno.<\/p>\n<p>O Espiritismo era apenas uma doutrina filos\u00f3fica.<br \/> Foi a Igreja que lhe avultou as propor\u00e7\u00f5es, apresentando-o como um inimigo terr\u00edfico.<\/p>\n<p>Foi ela, enfim, quem o proclamou uma nova religi\u00e3o.<br \/> Esse foi um golpe in\u00e1bil; a paix\u00e3o n\u00e3o permite o racioc\u00ednio.<\/p>\n<p>Um livre pensador: \u2014 H\u00e1 momentos, o senhor proclamou a liberdade de pensamento e de consci\u00eancia, declarando que cren\u00e7a sincera \u00e9 respeit\u00e1vel.<br \/> O materialismo \u00e9 uma cren\u00e7a como qualquer outra; por que n\u00e3o gozar\u00e1 da liberdade concedida \u00e0s outras?<\/p>\n<p>A.<br \/>K.<br \/> \u2014 Sem d\u00favida, cada um \u00e9 livre de crer no que quer, ou de n\u00e3o crer em nada.<br \/> N\u00e3o legitimamos a persegui\u00e7\u00e3o nem contra o que cr\u00ea no nada depois da morte, nem contra o cism\u00e1tico de qualquer religi\u00e3o.<br \/> Combatendo o materialismo, n\u00e3o atacamos os indiv\u00edduos, mas a doutrina que, se inofensiva \u00e0 sociedade, quando se encerra no foro \u00edntimo, na consci\u00eancia das pessoas cultas, generalizada, torna-se uma chaga social.<\/p>\n<p>A cren\u00e7a de que tudo acaba para o homem, depois da morte, de que toda a solidariedade cessa com a vida, leva o indiv\u00edduo a considerar uma estupidez o sacrif\u00edcio do bem-estar presente em proveito de outrem.<br \/> Da\u00ed a m\u00e1xima: cada um por si durante a vida, pois nada existe depois.<\/p>\n<p>A caridade, a fraternidade, a moral, numa palavra, ficam sem base, perdem a raz\u00e3o de ser.<br \/> Por que nos molestarmos, nos reprimirmos, nos privarmos hoje, quando amanh\u00e3 n\u00e3o mais existiremos? A nega\u00e7\u00e3o do futuro, a simples d\u00favida sobre a vida futura, s\u00e3o os maiores est\u00edmulos ao ego\u00edsmo, manancial da maior parte dos males da humanidade.<br \/> Para se deter nos declives do v\u00edcio e do crime, sem outro freio al\u00e9m da for\u00e7a de vontade, uma pessoa necessita, certamente, de uma maravilhosa virtude.<br \/> O respeito humano pode sofrear o homem social, mas n\u00e3o aquele para quem \u00e9 nulo o temor da opini\u00e3o p\u00fablica.<\/p>\n<p>A cren\u00e7a na vida futura, demonstrando a perpetuidade das rela\u00e7\u00f5es entre os homens, estabelece a solidariedade, que n\u00e3o se finda na tumba e muda o curso das ideias.<br \/> Se essa cren\u00e7a fosse um simples espantalho, n\u00e3o teria sobrevivido a uma \u00e9poca.<br \/> Como, por\u00e9m, sua realidade \u00e9 um fato comprovado pela experi\u00eancia, torna-se um dever propag\u00e1-la e combater a cren\u00e7a contr\u00e1ria, no interesse da ordem social.<br \/> Isto faz o Espiritismo, e por sinal que faz com \u00eaxito, pois que d\u00e1 provas e porque, em definitivo, o homem adquire a certeza de poder viver feliz num mundo melhor, em compensa\u00e7\u00e3o \u00e0s mis\u00e9rias terrenas.<\/p>\n<p>O pensamento de ver-se destru\u00eddo para sempre, a cren\u00e7a de perder os filhos e os seres queridos, por toda a eternidade, parece que sorri a bem poucas pessoas.<br \/> Disso decorre que os ataques dirigidos contra o Espiritismo, em nome da incredulidade, t\u00eam \u00eaxito pouco animador; n\u00e3o lhe tem ocasionado o m\u00ednimo preju\u00edzo.<\/p>\n<p>S.<br \/> \u2014 Se a religi\u00e3o ensina tudo isso, se at\u00e9 o presente ela foi suficiente, que necessidade h\u00e1 de uma nova doutrina?<\/p>\n<p>A.<br \/>K.<br \/> \u2014 Se ela tem sido t\u00e3o suficiente por que, falando de um ponto de vista religioso, h\u00e1 tantos incr\u00e9dulos?<\/p>\n<p>\u00c9 certo que a religi\u00e3o nos ensina tudo: tamb\u00e9m manda que creiamos, mas h\u00e1 um grande n\u00famero de pessoas que n\u00e3o cr\u00eaem sen\u00e3o o que se lhes prova.<br \/> Uma afirma\u00e7\u00e3o, apenas, n\u00e3o lhes basta.<br \/> O Espiritismo prova, p\u00f5e diante dos olhos o que a religi\u00e3o ensina teoricamente.<br \/> E essas provas de onde prov\u00eam? Da manifesta\u00e7\u00e3o dos Esp\u00edritos.<\/p>\n<p>\u00c9 prov\u00e1vel, pois, que s\u00f3 se manifestem com a permiss\u00e3o de Deus.<\/p>\n<p>E se, em sua miseric\u00f3rdia, Deus envia recurso aos homens, para os afastar da incredulidade, repeli-lo \u00e9 uma impiedade.<\/p>\n<p>S.<br \/> \u2014 O senhor n\u00e3o negar\u00e1, entretanto, que o Espiritismo n\u00e3o est\u00e1, em todos os pontos, concorde com a religi\u00e3o.<\/p>\n<p>A.<br \/>K.<br \/> \u2014 Mas por Deus, senhor! Todas as religi\u00f5es podem dizer o mesmo: protestantes, ou judeus, ou mu\u00e7ulmanos, tanto quanto os cat\u00f3licos.<\/p>\n<p>Se o Espiritismo negasse a exist\u00eancia de Deus, da alma, sua individualidade e sua imortalidade, as recompensas e castigos futuros, o livre-arb\u00edtrio do homem; se ensinasse que na Terra cada um vive de si para si, e que em sua pessoa unicamente deve pensar, seria contr\u00e1rio n\u00e3o s\u00f3 \u00e0 religi\u00e3o mas a todas as religi\u00f5es do mundo.<br \/> Seria a nega\u00e7\u00e3o de todas as leis morais, base das sociedades humanas.<br \/> Longe disto, os Esp\u00edritos proclamam um Deus \u00fanico, soberanamente justo e bom; dizem que o homem \u00e9 livre e respons\u00e1vel por seus atos, recompensado ou castigado segundo o bem ou o mal que houver praticado.<br \/> Eles p\u00f5em acima de todas as virtudes a caridade evang\u00e9lica e esta regra sublime ensinada pelo Cristo:  Fazer ao pr\u00f3ximo aquilo que quis\u00e9ramos fizessem a n\u00f3s mesmos .<br \/> Estes n\u00e3o s\u00e3o os fundamentos da religi\u00e3o? Fazem mais, por\u00e9m: iniciam-nos nos mist\u00e9rios da vida futura, que, ent\u00e3o, se nos transformam, n\u00e3o mais numa abstra\u00e7\u00e3o mas numa realidade, pois s\u00e3o as pr\u00f3prias pessoas que conhec\u00earamos antes da morte que v\u00eam, depois, descrever-nos sua situa\u00e7\u00e3o ou dizer-nos como e porque sofrem ou s\u00e3o ditosas.<br \/> Que h\u00e1 nisto de anti-religioso?<\/p>\n<p>Essa certeza de encontrar no futuro aqueles que foram amados, e que a morte arrebatou, n\u00e3o \u00e9 consoladora? A grandiosidade da vida espiritual, que \u00e9 sua ess\u00eancia, comparada \u00e0s mesquinhas preocupa\u00e7\u00f5es da vida terrestre, n\u00e3o vem a prop\u00f3sito, para elevar nossa alma e estimul\u00e1-la ao bem?<\/p>\n<p>S.<br \/> \u2014 Convenho em que, no que diz respeito \u00e0s quest\u00f5es em geral, o Espiritismo \u00e9 conforme \u00e0s grandes verdades do Cristianismo.<br \/> Mas.<br \/>.<br \/>.<br \/> e os dogmas? Sucede o mesmo no que diz respeito aos dogmas? N\u00e3o vai ele de encontro a certos princ\u00edpios que a Igreja ensina?<\/p>\n<p>A.<br \/>K.<br \/> \u2014 O Espiritismo \u00e9, acima de tudo, urna ci\u00eancia, e n\u00e3o se ocupa com quest\u00f5es dogm\u00e1ticas.<br \/> Como ci\u00eancia, e como todas as filosofias, tem consequ\u00eancias morais.<br \/> Estas s\u00e3o boas ou m\u00e1s?<\/p>\n<p>Pode-se julg\u00e1-lo p\u00ealos princ\u00edpios gerais que acabo de recordar.<\/p>\n<p>Algumas pessoas se equivocaram quanto ao verdadeiro car\u00e1ter do Espiritismo.<br \/> A quest\u00e3o \u00e9 suficientemente s\u00e9ria e de molde a merecer uma explica\u00e7\u00e3o de nossa parte.<\/p>\n<p>Antes de mais nada, fa\u00e7amos uma compara\u00e7\u00e3o: estando na natureza, a eletricidade existiu desde todos os tempos, produzindo os fen\u00f3menos que conhecemos e outros que desconhecemos ainda.<br \/> Ignorando-lhes a causa verdadeira, os homens explicaram esses fen\u00f3menos das mais extravagantes maneiras.<\/p>\n<p>O descobrimento da eletricidade e de suas verdadeiras propriedades, veio destruir um sem n\u00famero de teorias absurdas, fazendo luz sobre mais de um mist\u00e9rio da natureza.<br \/> O que a eletricidade e as ci\u00eancias f\u00edsicas, de um modo geral, fizeram para com certos fen\u00f3menos, o Espiritismo faz para com fen\u00f3menos de outra ordem.<\/p>\n<p>O Espiritismo est\u00e1, pois, na natureza, e no mundo invis\u00edvel, formado p\u00ealos seres incorp\u00f3reos, que povoam o espa\u00e7o e que outra coisa n\u00e3o s\u00e3o sen\u00e3o as almas das pessoas que viveram na Terra ou em outros globos, onde deixaram seus envolt\u00f3rios materiais.<br \/> Esses s\u00e3o os seres que designamos pelo nome de Esp\u00edritos e que nos rodeiam incessantemente, exercendo sobre os homens, \u00e0 sua revelia, uma grande influ\u00eancia.<br \/> Na parte moral e at\u00e9 certo ponto na f\u00edsica, desempenham um papel importante.<\/p>\n<p>O Espiritismo est\u00e1, pois, na natureza e, pode dizer-se que, numa certa ordem de ideias, \u00e9 uma for\u00e7a como a eletricidade e como a gravita\u00e7\u00e3o, sob outro ponto de vista.<br \/> Os fen\u00f3menos, cuja origem est\u00e1 no mundo invis\u00edvel, deveriam produzir-se, e, com efeito se produziram, em todos os tempos.<br \/> Eis a raz\u00e3o porque a hist\u00f3ria de todos os povos os menciona.<br \/> Somente devido \u00e0 ignor\u00e2ncia, como sucedeu com a eletricidade, os homens atribu\u00edram esses fen\u00f3menos a causas mais ou menos racionais, dando, sob esse conceito, livre curso a imagina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Melhor observado depois de sua divulga\u00e7\u00e3o, o Espiritismo faz luz sobre uma multid\u00e3o de quest\u00f5es at\u00e9 hoje tidas como insol\u00faveis ou mal compreendidas.<br \/> Seu verdadeiro car\u00e1ter \u00e9, pois, o de uma ci\u00eancia e n\u00e3o de uma religi\u00e3o.<br \/> A prova disso \u00e9 que conta entre seus adeptos homens de todas as cren\u00e7as e que n\u00e3o renunciaram \u00e0s suas convic\u00e7\u00f5es: cat\u00f3licos fervorosos, que n\u00e3o deixam de cumprir com os deveres de seu culto (quando n\u00e3o s\u00e3o expulsos pela Igreja), protestantes de todas as seitas, israelitas, mu\u00e7ulmanos e at\u00e9 mesmo budistas e br\u00e2manes.<\/p>\n<p>Baseia-se, pois, em princ\u00edpios que independem de toda quest\u00e3o dogm\u00e1tica.<br \/> Suas consequ\u00eancias morais est\u00e3o, implicitamente, no Cristianismo, porque de todas as doutrinas o Cristianismo \u00e9 a mais digna e a mais pura.<br \/> Por esta raz\u00e3o, de todas as seitas universais, s\u00e3o os crist\u00e3os os mais aptos a compreend\u00ea-lo em toda a sua verdadeira ess\u00eancia.<br \/> E por isso pode ser censurado? Sem d\u00favida, cada um pode fazer de suas opini\u00f5es uma religi\u00e3o e interpretar a seu gosto as religi\u00f5es conhecidas; mas da\u00ed a constituir uma nova Igreja, vai uma grande dist\u00e2ncia.<\/p>\n<p>S.<br \/> \u2014 O senhor faz n\u00e3o obstante, as invoca\u00e7\u00f5es segundo uma f\u00f3rmula religiosa.<\/p>\n<p>A.<br \/>K.<br \/> \u2014 Anima-nos, certamente, um sentimento religioso, nas evoca\u00e7\u00f5es e em nossas reuni\u00f5es.<br \/> N\u00e3o existe, por\u00e9m, uma f\u00f3rmula sacramental.<br \/> Para os Esp\u00edritos o pensamento \u00e9 tudo; a forma n\u00e3o vale nada.<br \/> N\u00f3s os invocamos em nome de Deus, porque cremos em Deus e sabemos que nada se cumpre neste mundo sem a Sua permiss\u00e3o e porque se Deus n\u00e3o lhes permitisse vir, n\u00e3o viriam.<\/p>\n<p>Em nossos trabalhos procedemos com paz e recolhimento, pois esta \u00e9 uma condi\u00e7\u00e3o imprescind\u00edvel \u00e0 observa\u00e7\u00e3o dos fen\u00f3menos e em segundo lugar porque reconhecemos o respeito que \u00e9 devido \u00e0queles que j\u00e1 n\u00e3o vivem na Terra, qualquer que seja a condi\u00e7\u00e3o, feliz ou infeliz, em que se encontrem no mundo dos Esp\u00edritos.<br \/> Endere\u00e7amos um apelo aos bons Esp\u00edritos porque, conscientes de que os h\u00e1 bons e maus, procuramos evitar que estes \u00faltimos venham se imiscuir, sorrateiramente, nas comunica\u00e7\u00f5es que recebemos.<\/p>\n<p>Isto tudo o que prova?<\/p>\n<p>Que n\u00e3o somos ateus, o que de nenhum modo implica em que sejamos religiosos.<\/p>\n<p>S.<br \/> \u2014 Pois muito bem: o que dizem os Esp\u00edritos superiores no tocante \u00e0 religi\u00e3o? Os bons devem, certamente, aconselhar-nos e guiar-nos.<br \/> Por exemplo, se eu n\u00e3o tivesse religi\u00e3o e desejasse escolher uma, perguntar-lhes-ia: que aconselhais que eu seja? Cat\u00f3lico, protestante, anglicano, quaker, judeu, maometano ou m\u00f3rmon.<br \/> Que responderiam eles?<\/p>\n<p>A.<br \/>K.<br \/> \u2014 Em todas as religi\u00f5es h\u00e1 que se considerar dois pontos: os princ\u00edpios gerais, comuns a todas, e os particulares, de cada uma em separado.<br \/> Os primeiros s\u00e3o os que acabamos de mencionar, e esses os proclamam todos os Esp\u00edritos, qualquer que seja a ciasse a que perten\u00e7am.<br \/> Quanto aos outros, os Esp\u00edritos vulgares, mas que n\u00e3o s\u00e3o malignos, podem ter prefer\u00eancias, opini\u00f5es, podem preconizar esta ou aquela forma e induzir os homens a certas pr\u00e1ticas, por convic\u00e7\u00e3o pessoal ou por conservarem as ideias da vida terrena, ou ainda por prud\u00eancia, a fim de n\u00e3o chocarem as consci\u00eancias timoratas.<\/p>\n<p>O senhor cr\u00ea que um Esp\u00edrito ilustrado, o pr\u00f3prio F\u00e9neion, por exemplo, dirigindo-se a um mu\u00e7ulmano, seria capaz de afirmar, com falta de tato, que <\/p>\n<p>Maom\u00e9 \u00e9 um impostor e que ele, mu\u00e7ulmano, estar\u00e1 condenado, a menos que se torne crist\u00e3o? N\u00e3o; n\u00e3o o far\u00e1, pois que seria desprezado.<\/p>\n<p>Em geral, e a menos que sejam solicitados por alguma considera\u00e7\u00e3o especial, os Esp\u00edritos superiores n\u00e3o se ocupam de pormenores e se limitam a dizer:  Deus \u00e9 bom e justo; s\u00f3 almeja o bem.<br \/> A melhor, pois, de todas as religi\u00f5es, \u00e9 aquela que s\u00f3 ensina o que est\u00e1 conforme \u00e0 bondade de Deus e Sua Justi\u00e7a, a que dele oferece a ideia maior, a mais sublime, e n\u00e3o o rebaixa, atribuindo-lhe mesquinhamente a paix\u00f5es humanas; a que torna os homens bons e virtuo-.<br \/>sos e lhes ensina a se amarem uns aos outros, como irm\u00e3os; a que condena toda a maldade dirigida ao pr\u00f3ximo; a que n\u00e3o autoriza a injusti\u00e7a sob quaisquer pretextos; a que n\u00e3o prescreve nada contr\u00e1rio as leis imut\u00e1veis da natureza, pois Deus n\u00e3o se contradiz; aquela cujos ministros d\u00e3o o melhor exemplo de bondade, caridade e moralidade; a que mais tende a combater o ego\u00edsmo e menos a alimentar o orgulho e a vaidade dos homens; aquela, enfim, em cujo meio menos mal se cometa, pois que uma boa religi\u00e3o n\u00e3o pode ser pretexto de nenhum mal, t\u00e3o pouco deixar-lhe portas abertas, diretamen-te ou por interpreta\u00e7\u00e3o.<br \/> Veja, julgue e escolha .<\/p>\n<p>S.<br \/> \u2014 Suponha que determinados pontos da doutrina cat\u00f3lica sejam negados p\u00ealos Esp\u00edritos que o senhor considera superiores.<br \/> Imaginemos que possam ser err\u00f3neos.<br \/> As pessoas que, com ou sem raz\u00e3o, os tomam por artigos de f\u00e9 e em consequ\u00eancia neles moldam suas a\u00e7\u00f5es, n\u00e3o teriam a salva\u00e7\u00e3o prejudicada por essa cren\u00e7a, segundo os Esp\u00edritos?<\/p>\n<p>A.<br \/>K.<br \/> \u2014 N\u00e3o, por certo; ela n\u00e3o as impede de praticar o bem; ao contr\u00e1rio, ao bem as impele, ao passo que a cren\u00e7a mesmo a melhor fundamentada prejudic\u00e1-las-\u00e1 de servir de ocasi\u00e3o para a pr\u00e1tica do mal, ao n\u00e3o cumprimento da caridade para com o pr\u00f3ximo, se as tornar duras e ego\u00edstas; porque ent\u00e3o j\u00e1 n\u00e3o estariam obrando segundo a lei de Deus, e Deus olha antes o pensamento que as a\u00e7\u00f5es.<br \/> Quem ousar\u00e1 sustentar o contr\u00e1rio?<\/p>\n<p>O senhor acredita, por exemplo, que a f\u00e9 seria proveitosa a um homem que cresce firmemente em Deus, e em Seu nome cometesse atos desumanos ou contr\u00e1rios \u00e0 caridade? N\u00e3o ser\u00e1 neste caso mais culpado, uma vez que tem os meios de estar esclarecido?<\/p>\n<p>S.<br \/> \u2014 Assim, o cat\u00f3lico fervoroso, que cumpre escrupulosamente com os deveres de seu culto, n\u00e3o cai na censura dos Esp\u00edritos?<\/p>\n<p>A.<br \/>K.<br \/> \u2014 N\u00e3o, se isto for, para ele, uma quest\u00e3o de consci\u00eancia e se o fizer com sinceridade.<br \/> Mil vezes sim, entretanto, se for hip\u00f3crita e se sua piedade for apenas aparente.<\/p>\n<p>Os Esp\u00edritos superiores, aqueles que t\u00eam por miss\u00e3o promover o progresso da humanidade, levantam-se contra todo abuso que possa retardar o progresso.<br \/> Igualmente se levantam contra os indiv\u00edduos e as classes sociais que se aproveitam desses abusos.<br \/> E o senhor n\u00e3o negar\u00e1 que a religi\u00e3o nem sempre dos mesmos tem estado isenta.<br \/> Se entre os seus ministros existem os que cumprem sua miss\u00e3o com abnega\u00e7\u00e3o crist\u00e3, que a tornam grande, bela e respeit\u00e1vel, n\u00e3o pode deixar de convir em que nem todos compreenderam a santidade de seu minist\u00e9rio.<\/p>\n<p>Os Esp\u00edritos combatem o mal onde quer se encontre.<br \/> E assinalar os abusos da religi\u00e3o equivale a atac\u00e1-la?<\/p>\n<p>N\u00e3o! Ela tem inimigos piores: os que difundem os abusos, pois que estes s\u00e3o os respons\u00e1veis pelo desabrochar da ideia de que algo melhor precisa haver para a substituir.<br \/> Se algum perigo corresse \u00e0 religi\u00e3o, seria preciso atribu\u00ed-lo aos que dela apresentam uma falsa ideia, transformando-a em arma de paix\u00f5es humanas e explorando-a em proveito de ambi\u00e7\u00f5es pessoais.<\/p>\n<p>S.<br \/> \u2014 O senhor disse que o Espiritismo n\u00e3o discute dogmas e entretanto defende certos conceitos combatidos pela Igreja, como a reencarna\u00e7\u00e3o, a presen\u00e7a do homem na Terra antes de Ad\u00e3o; nega a eternidade das penas, a exist\u00eancia do dem\u00f3nio, do purgat\u00f3rio e do fogo do Inferno.<\/p>\n<p>A.<br \/>K.<br \/> \u2014 H\u00e1 muito tempo essas quest\u00f5es v\u00eam sendo discutidas, e n\u00e3o foi o Espiritismo que as trouxe para o terreno dos debates.<br \/> \u00c0 margem desses problemas h\u00e1 controv\u00e9rsias na pr\u00f3pria teologia.<br \/> Mas s\u00f3 o futuro poder\u00e1 julgar.<br \/> Domina-as todas um princ\u00edpio: a pr\u00e1tica do bem, que \u00e9 uma lei superior, a condi\u00e7\u00e3o sine qua non de nosso futuro, como o prova a condi\u00e7\u00e3o em que se acham os Esp\u00edritos que conosco se comunicam.<br \/> Acredite, se quiser, nas chamas do Inferno e nos tormentos materiais, se isso o pode preservar do mal e desde que lhe traga luz para aquelas quest\u00f5es.<br \/> Sua cren\u00e7a, afinal de contas, n\u00e3o tornar\u00e1 reais as coisas que n\u00e3o existem, se de fato n\u00e3o existirem.<br \/> Creia, se lhe agrada, que n\u00e3o temos sen\u00e3o uma exist\u00eancia corporal.<br \/> Isto n\u00e3o lhe impedir\u00e1 de nascer aqui ou em outra parte, \u00e0 sua revelia, se assim tiver de ser.<\/p>\n<p>Creia que o mundo inteiro foi feito em seis vezes vinte e quatro horas, se tal for sua opini\u00e3o.<br \/> Isso n\u00e3o impedir\u00e1 que a Terra ostente, escritas em suas camadas geol\u00f3gicas, as provas do contr\u00e1rio.<\/p>\n<p>Creia, se lhe apraz, que Josu\u00e9 deteve o movimento do Sol.<br \/> Isso n\u00e3o impedir\u00e1 que a Terra gire.<\/p>\n<p>Creia que h\u00e1 apenas seis mil anos encontra-se o homem na face da Terra.<br \/> Por isso, os fatos n\u00e3o ser\u00e3o impossibilitados de provar o absurdo dessa cren\u00e7a.<\/p>\n<p>E que dir\u00e1 o senhor se, um belo dia, quando menos esperar, a inexor\u00e1vel Geologia vier demonstrar, com vest\u00edgios incontest\u00e1veis, como j\u00e1 provou tantas outras coisas, a anterioridade do homem?<\/p>\n<p>Creia na exist\u00eancia do dem\u00f3nio; creia em tudo o que quiser, se a cren\u00e7a nessas coisas puder torn\u00e1-lo bondoso, humano e caritativo para com seus semelhantes.<br \/> Como doutrina moral, o Espiritismo s\u00f3 imp\u00f5e uma coisa: a necessidade de praticar o bem e n\u00e3o praticar o mal.<br \/> \u00c9 uma ci\u00eancia experimental, conquanto \u2014 volto a repetir \u2014 tenha consequ\u00eancias morais, que por sua vez constituem a confirma\u00e7\u00e3o e a prova dos grandes princ\u00edpios da religi\u00e3o.<\/p>\n<p>Quanto \u00e0s quest\u00f5es secund\u00e1rias, essas ele deixa \u00e0 consci\u00eancia de cada um.<\/p>\n<p>Note, por\u00e9m, que o Espiritismo n\u00e3o nega, em princ\u00edpio, alguns dos pontos divergentes dos quais o senhor acaba de falar.<br \/> Se tivesse lido tudo o que tenho escrito neste particular, teria notado que se limita a dar-lhes uma explica\u00e7\u00e3o mais racional e mais l\u00f3gica que a vulgarmente admitida.<br \/> Assim \u00e9 que n\u00e3o nega a exist\u00eancia do purgat\u00f3rio, por exemplo.<br \/> Pelo contr\u00e1rio, demonstra a sua necessidade e justi\u00e7a.<br \/> Faz ainda mais que isso: define-o.<br \/> O inferno tem sido descrito como uma fogueira imensa.<br \/> Evidentemente n\u00e3o \u00e9 assim que o entende a alta teologia.<br \/> Diz que esta \u00e9 uma figura, que o fogo em que se abrasam os condenados \u00e9 um fogo moral, s\u00edmbolo das dores mais intensas.<\/p>\n<p>E quanto \u00e0 eternidade das penas, se fosse poss\u00edvel devassar a opini\u00e3o p\u00fablica para conhecermos as opini\u00f5es \u00edntimas; se fosse p\u00f4ss\u00edvel interrogar todos os homens dotados de racioc\u00ednio e compreens\u00e3o, mesmo os mais religiosos, ver-se-ia de que lado est\u00e1 a maioria, pois a ideia da eternidade dos supl\u00edcios \u00e9 a nega\u00e7\u00e3o da infinita miseric\u00f3rdia de Deus.<\/p>\n<p>Ademais, eis o que diz a Doutrina Esp\u00edrita neste particular: A dura\u00e7\u00e3o do castigo est\u00e1 subordinada ao melhoramento do Esp\u00edrito culpado.<br \/> Nenhuma condena\u00e7\u00e3o \u00e9 pronunciada contra ele, por tempo determinado.<br \/> O que Deus exige para por termo aos seus sofrimentos, \u00e9 o arrependimento, a expia\u00e7\u00e3o e a repara\u00e7\u00e3o do mal feito; numa palavra: um melhoramento s\u00e9rio, efetivo e um retorno sincero ao bem.<br \/> O Esp\u00edrito \u00e9 assim o \u00e1rbitro de sua pr\u00f3pria sorte; pode prolongar os sofrimentos por sua persist\u00eancia no mal e aplac\u00e1-los ou abrevi\u00e1-los com esfor\u00e7os em praticar o bem.<\/p>\n<p>Do fato da dura\u00e7\u00e3o do castigo estar subordinada ao arrependimento, resulta que o Esp\u00edrito culposo, que n\u00e3o se arrependesse nem se melhorasse nunca, sofreria sempre, sendo para ele eterna a pena.<br \/> A eternidade do castigo, pois, deve ser entendida num sentido relativo e n\u00e3o em sentido absoluto.<\/p>\n<p>Uma condi\u00e7\u00e3o inerente \u00e0 inferioridade dos Esp\u00edritos \u00e9 a de n\u00e3o verem o t\u00e9rmino de sua situa\u00e7\u00e3o e crerem que sofrer\u00e3o para sempre.<br \/> Isto constitui um castigo para eles.<br \/> Quando, por\u00e9m, o arrependimento lhes abre a alma, Deus faz com que entrevejam um raio de esperan\u00e7a.<\/p>\n<p>Esta doutrina est\u00e1, evidentemente, mais conforme \u00e0 justi\u00e7a de Deus, que castiga enquanto persistimos no mal e que perdoa quando voltamos ao bom caminho.<br \/> E quem concebeu isso? N\u00f3s?! N\u00e3o! S\u00e3o os Esp\u00edritos que o ensinam e ensinam e provam p\u00ealos exemplos que diariamente nos oferecem.<\/p>\n<p>Portanto, os Esp\u00edritos n\u00e3o negam as penas futuras, uma vez que descrevem seus pr\u00f3prios sofrimentos.<br \/> E esse quadro comove-nos mais do que o das chamas eternas, pelo fato de ser perfeitamente l\u00f3gico.<br \/> Compreende-se que isto \u00e9 poss\u00edvel, que deve ser assim, que essa situa\u00e7\u00e3o \u00e9 consequ\u00eancia l\u00f3gica de um estado de coisas e pode ser aceita pelo racioc\u00ednio do fil\u00f3sofo, visto n\u00e3o conter em si absolutamente nada que repugne \u00e0 raz\u00e3o.<\/p>\n<p>Este \u00e9 o motivo por que as cren\u00e7as esp\u00edritas trouxeram ao bom caminho uma multid\u00e3o de pessoas, algumas at\u00e9 materialistas e que n\u00e3o se haviam detido ante o temor do inferno, tal qual nos \u00e9 descrito.<\/p>\n<p>S.<br \/> \u2014 Sem deixar de admitir seu racioc\u00ednio, n\u00e3o acredita que o populacho necessita mais de imagens pl\u00e1sticas de que uma filosofia que talvez n\u00e3o compreenda?<\/p>\n<p>A.<br \/>K.<br \/> \u2014 Este \u00e9 um erro que j\u00e1 produziu mais de um materialista ou que, pelo menos, apartou da religi\u00e3o n\u00e3o poucos indiv\u00edduos.<br \/> Chega sempre um momento em que essas coisas j\u00e1 n\u00e3o mais impressionam, e ent\u00e3o as pessoas que n\u00e3o se d\u00e3o ao trabalho de aprofundar os racioc\u00ednios, desprezam o todo, pois dizem de si para si: Se me ministraram como verdade incontest\u00e1vel um ensinamento errado, se me deram uma imagem, uma figura, em vez da realidade, quem pode me assegurar que o restante seja tamb\u00e9m verdadeiro?<\/p>\n<p>A f\u00e9 fortifica-se, pelo contr\u00e1rio, se com seu desenvolvimento o racioc\u00ednio nada vem a desprezar.<br \/> A religi\u00e3o sempre ganhar\u00e1 em seguir a marcha das ideias; e se vier a perigar um dia, ser\u00e1 porque, enquanto os homens se adiantam, ela permanece estacion\u00e1ria.<\/p>\n<p>Crer hoje que os homens podem ser conduzidos pelo temor ao dem\u00f3nio e aos sofrimentos eternos, \u00e9 cometer um erro de \u00e9poca.<\/p>\n<p>S.<br \/> \u2014 A Igreja reconhece hoje, efetivamente, que o inferno material \u00e9 uma figura.<br \/> Mas isso n\u00e3o exclui a exist\u00eancia dos dem\u00f3nios.<br \/> Sem eles, como se explicariam as influ\u00eancias malignas? Elas n\u00e3o v\u00eam, certamente, de Deus.<\/p>\n<p>A.<br \/>K.<br \/> \u2014 O Espiritismo n\u00e3o admite os dem\u00f3nios, no sentido vulgar da palavra.<br \/> Admite, por\u00e9m, os maus Esp\u00edritos, que por sinal n\u00e3o s\u00e3o muito melhores e causam tanto mal quanto aqueles, pela sugest\u00e3o de maus pensamentos.<br \/> O Espiritismo diz apenas que n\u00e3o s\u00e3o seres excepcionais, especialmente criados para o mal e perpetuamente destinados a ele, esp\u00e9cie de p\u00e1rias da cria\u00e7\u00e3o e verdugos do g\u00e9nero humano.<br \/> S\u00e3o seres atrasados, imperfeitos ainda, aos quais, entretanto, Deus tamb\u00e9m reserva um futuro.<br \/> Nisto concorda com a Igreja ortodoxa grega, que admite a convers\u00e3o de satan\u00e1s, o que \u00e9 uma alus\u00e3o \u00e0 evolu\u00e7\u00e3o dos maus Esp\u00edritos.<\/p>\n<p>Note, tamb\u00e9m, que a palavra dem\u00f3nio s\u00f3 implica a ideia de Esp\u00edrito mau, na acep\u00e7\u00e3o moderna que se lhe deu, pois a palavra grega, daimon, significa g\u00e9nio, intelig\u00eancia.<br \/> Apesar disso, hoje em dia ela denomina apenas os esp\u00edritos maus.<\/p>\n<p>Admitir a comunica\u00e7\u00e3o dos maus Esp\u00edritos \u00e9 reconhecer em princ\u00edpio a realidade das manifesta\u00e7\u00f5es.<br \/> A quest\u00e3o \u00e9 saber se s\u00e3o eles que se comunicam, conforme admite a Igreja, para motivar a proibi\u00e7\u00e3o da comunica\u00e7\u00e3o com os Esp\u00edritos.<br \/> Aqui invocamos o racioc\u00ednio e os fatos.<br \/> Se algum Esp\u00edrito se comunica, qualquer que seja ele, o faz com a permiss\u00e3o de Deus.<br \/> E como se compreenderia que s\u00f3 fosse permitida a vinda dos maus? <\/p>\n<p>Como daria Deus a estes a liberdade ampla de vir ludibriar os homens e proibiria aos bons fazerem-lhes oposi\u00e7\u00e3o, neutralizando suas doutrinas perniciosas? Essa cren\u00e7a n\u00e3o equivale a por em d\u00favida o seu poder, a sua bondade e fazer de satan\u00e1s um rival da divindade?<\/p>\n<p>A B\u00edblia, o Evangelho, os Padres da Igreja reconhecem, indubitavelmente, a possibilidade de comunica\u00e7\u00e3o com o mundo invis\u00edvel.<br \/> E do mundo invis\u00edvel n\u00e3o est\u00e3o exclu\u00eddos os bons Esp\u00edritos.<br \/> Ou estariam hoje exclu\u00eddos? Por outro lado, ao admitir a Igreja a autenticidade de certas apari\u00e7\u00f5es e comunica\u00e7\u00f5es dos santos, joga por terra a ideia de que s\u00f3 as possamos ter com os maus Esp\u00edritos.<\/p>\n<p>Quando s\u00f3 boas coisas encerram as comunica\u00e7\u00f5es, quando nelas s\u00f3 se prega a mais pura e sublime moral evang\u00e9lica, a abnega\u00e7\u00e3o, o desinteresse e o amor ao pr\u00f3ximo, quando nelas o mal \u00e9 censurado, qualquer seja o disfarce sob o qual se apresente, \u00e9 racional crer que o Esp\u00edrito maligno venha de tal maneira fazer sua pr\u00f3pria acusa\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>S.<br \/> \u2014 O Evangelho nos ensina que o anjo das trevas, ou satan\u00e1s, se transforma em anjo de luz, para seduzir os homens.<\/p>\n<p>A.<br \/>K.<br \/> \u2014 Satan\u00e1s, segundo o Espiritismo e a opini\u00e3o de um grande n\u00famero de fil\u00f3sofos crist\u00e3os, n\u00e3o \u00e9 um ser real, mas a personifica\u00e7\u00e3o do mal, como nos tempos antigos Saturno era a personifica\u00e7\u00e3o do tempo.<\/p>\n<p>A Igreja toma literalmente esta figura aleg\u00f3rica.<br \/> \u00c9 uma quest\u00e3o de opini\u00e3o, que n\u00e3o discutirei.<br \/> Mas por um instante admitamos que  satan\u00e1s seja um ser real.<br \/> \u00c0 for\u00e7a de exagerar o seu poder, com a inten\u00e7\u00e3o de causar temor, chegaram a um resultado diametralmente oposto, isto \u00e9, \u00e0 destrui\u00e7\u00e3o, n\u00e3o apenas de todo o temor, mas de toda a cren\u00e7a no personagem, conforme reza o prov\u00e9rbio:  Quem muito quer provar nada prova .<br \/> Representam-no, eminentemente sagaz, manhoso e astuto, mas na quest\u00e3o do Espiritismo fazem-no desempenhar o papel de tonto ou de est\u00fapido.<\/p>\n<p>Uma vez que o objetivo de satan\u00e1s \u00e9 alimentar o inferno com suas v\u00edtimas e roubar almas a Deus, compreende-se que se dirija aos que est\u00e3o no bom caminho, para os induzir ao mal, e que para tanto se transforme, como na bela alegoria, em anjo de luz, isto \u00e9, que simule hipocritamente a virtude.<br \/> O que n\u00e3o se compreende, por\u00e9m, \u00e9 que deixe escapar aqueles que j\u00e1 tem presos entre as garras.<\/p>\n<p>Os que n\u00e3o cr\u00eaem em Deus nem na alma, os que depreciam a prece e est\u00e3o chafurdados no v\u00edcio s\u00e3o, quanto podem s\u00ea-lo, do diabo; n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel mergulh\u00e1-los mais ainda no loda\u00e7al.<br \/> Ora, excit\u00e1-los a voltar a Deus, a orar, a se submeterem \u00e0 sua vontade, anim\u00e1-los a renunciar ao mal, pintando-lhes a felicidade dos eleitos e a triste vida que espera os malvados, seria pr\u00f3prio de um simpl\u00f3rio; seria um golpe mais est\u00fapido que libertar um p\u00e1ssaro cativo com a ideia de o apanhar em seguida.<\/p>\n<p>H\u00e1, pois, na doutrina da comunica\u00e7\u00e3o exclusiva dos dem\u00f3nios, uma contradi\u00e7\u00e3o pass\u00edvel de ser apreciada por todo homem de senso, e por isso jamais se persuadir\u00e1 algu\u00e9m de que os Esp\u00edritos que reconduzem a Deus aqueles que o negavam, ao bem os que praticavam o mal, que consolam os aflitos, que d\u00e3o for\u00e7a e \u00e2nimo aos fracos, que, pela sublimidade de seus ensinamentos, elevam a alma \u00e0s alturas que sobrepujam a vida material, sejam emiss\u00e1rios de satan\u00e1s e que por esse motivo devamos nos abster de toda rela\u00e7\u00e3o com o mundo invis\u00edvel.<\/p>\n<p>S.<br \/> \u2014 A Igreja proibe as comunica\u00e7\u00f5es com os Esp\u00edritos dos mortos porque s\u00e3o contr\u00e1rias \u00e0 religi\u00e3o e porque est\u00e3o formalmente condenadas pelo  Evangelho e por Mois\u00e9s.<br \/> Ao pronunciar este \u00faltimo a pena de morte contra os que se dedicam a semelhantes pr\u00e1ticas, prova qu\u00e3o repreens\u00edveis s\u00e3o elas aos olhos de Deus.<\/p>\n<p>A.<br \/>K.<br \/> \u2014 Desculpe, mas essa proibi\u00e7\u00e3o n\u00e3o se encontra em parte alguma do Evangelho; encontra-se apenas na Lei Mosaica.<br \/> Trata-se, ent\u00e3o, de saber se a Igreja p\u00f5e a Lei Mosaica acima da Evang\u00e9lica e, conseguintemente, se \u00e9 mais judia que crist\u00e3.<\/p>\n<p>\u00c9 digno de nota que, de todas as religi\u00f5es, a que menos oposi\u00e7\u00e3o fez ao Espiritismo foi a judaica que, por sinal, n\u00e3o apelou, contra as evoca\u00e7\u00f5es, para a Lei de Mois\u00e9s, em que se apoiam as seitas crist\u00e3s.<br \/> Se as prescri\u00e7\u00f5es b\u00edblicas s\u00e3o o c\u00f3digo da f\u00e9 crist\u00e3, por que proibem a leitura da B\u00edblia? Que se diria se se proibisse a um cidad\u00e3o estudar o c\u00f3digo de leis do seu pa\u00eds?<\/p>\n<p>A proibi\u00e7\u00e3o ditada por Mois\u00e9s tinha sua raz\u00e3o de ser, pois o legislador hebreu empenhava-se em fazer com que seu povo abandonasse os costumes eg\u00edpcios.<br \/> Esse de que tratamos era objeto de abusos.<\/p>\n<p>N\u00e3o se evocavam os mortos pelo respeito e afeto para com eles, nem por sentimento de piedade, mas porque era um meio de adivinha\u00e7\u00e3o, objeto de vergonhoso tr\u00e1fico, explorado pelo charlatanismo e pela supersti\u00e7\u00e3o.<br \/> Teve pois Mois\u00e9s raz\u00f5es de sobra para o proibir.<br \/> Porque necessitava de meios rigorosos para governar um povo indisciplinado, pronunciou contra esse abuso uma pena t\u00e3o severa.<br \/> Por iguais motivos a pena de morte \u00e9 t\u00e3o pr\u00f3diga em sua legisla\u00e7\u00e3o.<br \/> \u00c9, pois, sem raz\u00e3o que se recorre \u00e0 severidade do castigo para provar o grau de culpabilidade existente na evoca\u00e7\u00e3o dos mortos.<\/p>\n<p>Se a proibi\u00e7\u00e3o de os evocar procede do pr\u00f3prio Deus, como pretende a Igreja, deve ter sido ele quem ditou a pena de morte contra os delinquentes.<br \/> A pena tem, pois, uma origem t\u00e3o sagrada quanto a proibi\u00e7\u00e3o.<br \/> Por que n\u00e3o foi conservada at\u00e9 hoje? Todas as leis de Mois\u00e9s s\u00e3o promulgadas em nome de Deus, por ordem sua.<br \/> Supondo-se que ele seja realmente o seu autor, por que n\u00e3o mais s\u00e3o observadas?<\/p>\n<p>Se a Lei de Mois\u00e9s \u00e9 para a Igreja artigo de f\u00e9 sobre certo ponto, por que n\u00e3o o \u00e9 sobre todos? Por que recorrem a ela quando conv\u00e9m e a desprezam quando n\u00e3o conv\u00e9m? Por que n\u00e3o seguir todas as prescri\u00e7\u00f5es, entre as quais a circuncis\u00e3o, que Jesus sofreu e n\u00e3o aboliu?<\/p>\n<p>Duas partes havia na Lei Mosaica:<\/p>\n<p>1a) A lei de Deus, resumida nas t\u00e1buas do Sinai.<br \/> Esta subsistiu, pois \u00e9 divina; e o Cristo mais n\u00e3o fez que desenvolv\u00ea-la.<\/p>\n<p>2\u00aa) A lei civil ou disciplinaria, apropriada aos costumes da \u00e9poca e que Jesus aboliu.<\/p>\n<p>Hoje as circunst\u00e2ncias j\u00e1 n\u00e3o s\u00e3o as mesmas e a proibi\u00e7\u00e3o de Mois\u00e9s carece de motivos.<br \/> Por outra parte, se a Igreja proibe a evoca\u00e7\u00e3o dos Esp\u00edritos, n\u00e3o se pode proibir que eles venham, por vontade pr\u00f3pria e independentemente de apelo.<br \/> N\u00e3o se v\u00eaem todos os dias, por interm\u00e9dio de pessoas que nunca se ocuparam com o Espiritismo, os mais variados fen\u00f3menos? E antes que se tratasse do Espiritismo, j\u00e1 n\u00e3o se observavam tantas outras manifesta\u00e7\u00f5es?<\/p>\n<p>Outra contradi\u00e7\u00e3o: Se Mois\u00e9s proibiu evocar os Esp\u00edritos dos mortos, foi porque esses podiam vir.<br \/> De outra maneira a proibi\u00e7\u00e3o n\u00e3o teria raz\u00e3o de ser.<br \/> E se na \u00e9poca podiam vir, por que n\u00e3o poderiam tamb\u00e9m hoje? E se s\u00e3o os Esp\u00edritos dos mortos, n\u00e3o s\u00e3o exclusivamente os dem\u00f3nios.<\/p>\n<p>S.<br \/> \u2014 A Igreja n\u00e3o nega que os bons Esp\u00edritos possam se manifestar, pois reconhece que os santos fizeram manifesta\u00e7\u00f5es.<br \/> Entretanto, ela n\u00e3o considera bons os que contradizem seus princ\u00edpios imut\u00e1veis.<br \/> \u00c9 certo que os Esp\u00edritos afirmam a realidade das penas e recompensas futuras, mas n\u00e3o como ensina a Igreja.<br \/> E s\u00f3 ela pode julgar os ensinamentos deles e discernir entre bons e maus.<\/p>\n<p>A.<br \/>K.<br \/> \u2014 Eis a grande quest\u00e3o.<br \/> Galileu foi acusado de herege e de receber inspira\u00e7\u00f5es do dem\u00f3nio porque veio revelar uma lei da natureza, provando o erro de uma religi\u00e3o que se julgava inatac\u00e1vel e pela qual foi julgado e excomungado.<\/p>\n<p>Se as manifesta\u00e7\u00f5es esp\u00edritas tivessem sempre abundado mas, segundo os interesses da Igreja, se os Esp\u00edritos n\u00e3o tivessem proclamado a liberdade de consci\u00eancia e combatido certos abusos, teriam sido benvindos e n\u00e3o seriam qualificados de dem\u00f3nios.<br \/> Tal a raz\u00e3o por que todas as religi\u00f5es, seja a dos mu\u00e7ulmanos seja a dos cat\u00f3licos, supondo-se na posse exclusiva da verdade absoluta, olham como obra do dem\u00f3nio toda e qualquer doutrina que n\u00e3o seja exclusivamente ortodoxa, ao seu ponto de vista.<br \/>.<br \/>.<\/p>\n<p>Os Esp\u00edritos v\u00eam n\u00e3o para derrogar a religi\u00e3o, mas para revelar, como Galileu, novas leis da natureza.<br \/> Se uns certos pontos da f\u00e9 sentem-se melindrados, \u00e9 porque est\u00e3o em contradi\u00e7\u00e3o com aquelas leis, como se deu com a cren\u00e7a no movimento do Sol.<br \/> A quest\u00e3o toda est\u00e1 em se saber se um artigo de f\u00e9 pode anular uma lei da natureza, obra de Deus.<br \/> Uma vez reconhecida essa lei, n\u00e3o ser\u00e1 mais prudente interpretar o dogma no sentido daquela, que atribu\u00ed-la ao dem\u00f3nio?<\/p>\n<p>S.<br \/> \u2014 Passemos por sobre a quest\u00e3o dos dem\u00f3nios: sei que \u00e9 diversamente interpretada p\u00ealos te\u00f3logos.<br \/> Mas a reencarna\u00e7\u00e3o, parece dif\u00edcil de conciliar com os dogmas, uma vez que \u00e9 apenas renova\u00e7\u00e3o da metempsicose de Pit\u00e1goras.<\/p>\n<p>A.<br \/>K.<br \/> \u2014 N\u00e3o \u00e9 este o momento pr\u00f3prio a discuss\u00e3o de uma quest\u00e3o que exige amplo desenvolvimento.<br \/> O senhor encontr\u00e1-la-\u00e1 no Livro dos Esp\u00edritos e no Evangelho Segundo o Espiritismo, Direi, pois, apenas duas palavras.<\/p>\n<p>A metempsicose dos antigos consistia na transmigra\u00e7\u00e3o da alma humana para o corpo dos animais, e isso implicava numa degrada\u00e7\u00e3o.<br \/> Ademais, essa doutrina n\u00e3o era o que vulgarmente se pensa.<br \/> A transmigra\u00e7\u00e3o para os animais n\u00e3o era considerada uma condi\u00e7\u00e3o inerente \u00e0 natureza da alma humana, mas um castigo tempor\u00e1rio.<br \/> Assim, as almas dos assassinos passavam para o corpo das feras, para nele receberem o castigo de suas culpas; as dos impudicos para os porcos e javalis; as dos inconstantes e fr\u00edvolos \u00e0s aves; a dos pregui\u00e7osos e ignorantes aos animais aqu\u00e1ticos.<br \/>  Depois de alguns milhares de anos, consoante a culpabilidade de cada um, dessa esp\u00e9cie de pris\u00e3o tornava a alma a ingressar na humanidade.<br \/> A encarna\u00e7\u00e3o animal n\u00e3o era, pois, uma condi\u00e7\u00e3o absoluta; relacionava-se, como se v\u00ea, com a reencarna\u00e7\u00e3o humana, e a prova disso \u00e9 que o castigo dos homens t\u00edmidos consistia em passar ao corpo de mulheres expostas ao desprezo e \u00e0 inj\u00faria (Veja-se  A pluralidade das exist\u00eancias da alma , por Andr\u00e9s Pezzani).<\/p>\n<p>Antes que um artigo de f\u00e9 para os fil\u00f3sofos, era um espantalho para os ing\u00e9nuos.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m \u00e9 assim que n\u00f3s dizemos aos meninos:  Se n\u00e3o fores bonzinho o lobo vir\u00e1 te comer .<br \/> Diziam os antigos:  V\u00f3s vos convertereis em lobos .<br \/> Na atualidade se diz:  O capeta os arrebatar\u00e1, carregando-os para o inferno .<\/p>\n<p>A pluralidade das exist\u00eancias, segundo o Espiritismo, difere essencialmente da metempsicose, porque n\u00e3o admite a encarna\u00e7\u00e3o da aima humana, nem sequer como castigo, nos animais.<br \/> Os Esp\u00edritos ensinam que a alma n\u00e3o retrograda nunca e progride sempre.<br \/> Suas diferentes exist\u00eancias corporais realizam-se na humanidade, e cada nova exist\u00eancia \u00e9 para ela um passo \u00e0 frente, no caminho do progresso moral e intelectual, o que \u00e9 muito diferente.<br \/> N\u00e3o podendo conseguir um desenvolvimento completo numa \u00fanica exist\u00eancia, quase sempre abreviada por causas acidentais, permite-lhe Deus prosseguir numa nova encarna\u00e7\u00e3o a tarefa que n\u00e3o pode concluir, ou tornar a come\u00e7ar a que foi mal desempenhada.<br \/> A expia\u00e7\u00e3o na vida corporal consiste nas tribula\u00e7\u00f5es que durante ela sofremos.<\/p>\n<p>Com respeito \u00e0 quest\u00e3o de saber se a pluralidade das exist\u00eancias \u00e9 ou n\u00e3o contr\u00e1ria a certos dogmas da Igreja, limito-me a dizer o seguinte: ou a encarna\u00e7\u00e3o existe ou n\u00e3o existe.<br \/> Se existe, logicamente est\u00e1 nas leis da Natureza.<br \/> Para se provar que n\u00e3o existe, demandaria provar antes que \u00e9 contr\u00e1ria, n\u00e3o aos dogmas, mas \u00e0quelas leis e que se encontrasse outra capaz de, mais clara e logicamente, explicar umas tantas quest\u00f5es que somente ela pode resolver.<\/p>\n<p>Ademais, \u00e9 f\u00e1cil demonstrar que certos dogmas encontram na reencarna\u00e7\u00e3o uma san\u00e7\u00e3o racional, que os torna aceit\u00e1veis por parte daqueles que os desprezam por n\u00e3o os compreender.<\/p>\n<p>N\u00e3o trata, pois, de destruir, mas de interpretar: e isso dar-se-\u00e1 finalmente, merc\u00ea da for\u00e7a mesma das coisas.<br \/> Os que n\u00e3o querem aceitar a interpreta\u00e7\u00e3o s\u00e3o livres de o fazer, assim como at\u00e9 hoje, s\u00e3o livres de acreditar, se quiserem, que o Sol gira.<br \/> A ideia da pluralidade das exist\u00eancias dissemina-se com uma rapidez maravilhosa, em virtude de sua extrema l\u00f3gica e de sua conformidade com a justi\u00e7a de Deus.<br \/> Desde que seja reconhecida como verdade natural e aceita por toda gente, que poder\u00e1 fazer a Igreja?<\/p>\n<p>Resumindo: a reencarna\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 um sistema imaginado para se tornar o sustent\u00e1culo de uma causa ou uma opini\u00e3o pessoal.<br \/> \u00c9 ou n\u00e3o \u00e9 um fato? Se provado est\u00e1 que certos efeitos s\u00e3o inteiramente inexplic\u00e1veis sem a reencarna\u00e7\u00e3o, \u00e9 preciso admitir que s\u00e3o consequ\u00eancia da reencarna\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>E se est\u00e1 na natureza, n\u00e3o poder\u00e1, certamente, ser anulada por uma opini\u00e3o contr\u00e1ria.<br \/>88 ALLAN KARDEC<\/p>\n<p>S.<br \/> \u2014 Os que n\u00e3o cr\u00eaem nos Esp\u00edritos e em suas manifesta\u00e7\u00f5es, recebem conforme a opini\u00e3o dos mesmos, urn pior quinh\u00e3o na vida futura?<\/p>\n<p>A.<br \/>K.<br \/> \u2014 Se esta cren\u00e7a fosse indispens\u00e1vel \u00e0 salva\u00e7\u00e3o dos homens, que seria daqueles que, desde que o mundo existe, n\u00e3o puderam possu\u00ed-la, e dos que, em todo o tempo que est\u00e1 por vir, morrer\u00e3o sem a obter? Pode Deus cerrar-lhes as portas do futuro? N\u00e3o! Os Esp\u00edritos que nos instruem s\u00e3o mais l\u00f3gicos.<br \/> Dizem:  Deus \u00e9 soberanamente justo e bom; Ele n\u00e3o faz a sorte futura do homem depender de condi\u00e7\u00f5es independentes de sua vontade .<\/p>\n<p>N\u00e3o dizem:  Fora do Espiritismo n\u00e3o h\u00e1 salva\u00e7\u00e3o poss\u00edvel ; afirmam, como o Cristo, que  Fora da caridade n\u00e3o h\u00e1 salva\u00e7\u00e3o .<\/p>\n<p>S.<br \/> \u2014 Permita-me dizer-lhe ent\u00e3o que, se os Esp\u00edritos n\u00e3o ensinam outros princ\u00edpios que n\u00e3o sejam os encontrados no evangelho, n\u00e3o compreendo que utilidade possa ter o Espiritismo, uma vez que, antes dele, j\u00e1 pod\u00edamos alcan\u00e7ar nossa salva\u00e7\u00e3o, e sem ele podemos ainda consegui-la.<\/p>\n<p>O mesmo n\u00e3o sucederia se os Esp\u00edritos viessem ensinar outras verdades grandes e novas, algum desses princ\u00edpios que transformam a face da Terra, como fez Jesus Cristo.<br \/> Este, pelo menos, era um s\u00f3; sua doutrina, \u00fanica, enquanto que os Esp\u00edritos existem aos milhares, contradizem-se mutuamente, afirmando ser branco o que outros dizem ser preto, motivando o que se verifica desde o come\u00e7o: seus partid\u00e1rios constituem-se em v\u00e1rias seitas.<br \/> N\u00e3o seria melhor deixar os Esp\u00edritos em sua tranquilidade e nos atermos ao que j\u00e1 possu\u00edmos?<\/p>\n<p>A.<br \/>K.<br \/> \u2014 O senhor incorre no erro de n\u00e3o se arredar do seu ponto de vista e de tomar sempre a Igreja como \u00fanico crit\u00e9rio do conhecimento humano.<br \/> Se Jesus Cristo disse a verdade, coisa diversa n\u00e3o poderia dizer o Espiritismo.<br \/> Em vez de repudi\u00e1-lo, dever seria acolh\u00ea-lo como a um poderoso auxiliar que vem confirmar, pelas vozes de al\u00e9m-t\u00famulo, as verdades fundamentais da religi\u00e3o, minadas pela incredulidade.<br \/> Que seja combatido pelo materialismo, compreende-se.<br \/> Mas que a Igreja se alie ao materialismo para o combater, \u00e9 menos conceb\u00edvel.<br \/> O que \u00e9, tamb\u00e9m, igualmente inconsequente \u00e9 que a Igreja qualifique de demon\u00edaco um ensinamento que se apoia na mesma autoridade e que proclama a miss\u00e3o divina do fundador do cristianismo.<\/p>\n<p>Mas ser\u00e1 que o Cristo disse tudo? Podia ele revelar tudo? N\u00e3o! Ele pr\u00f3prio afirmou:  Muitas coisas tenho ainda para dizer-lhes.<br \/> V\u00f3s, por\u00e9m, n\u00e3o as compreender\u00edeis; por isso \u00e9 que lhes falo em par\u00e1bo-las .<br \/> O Espiritismo chega-nos hoje, que o homem j\u00e1 est\u00e1 mais apto a compreend\u00ea-lo, para completar o que o Cristo intencionalmente apenas mencionou, ou apresentou sob forma aleg\u00f3rica.<br \/> Indubitavelmente o senhor dir\u00e1 que \u00e0 Igreja competia dar essa explica\u00e7\u00e3o.<br \/> Qual delas, por\u00e9m? A romana, a grega ou a protestante? Uma vez que n\u00e3o est\u00e3o acordes, cada uma daria essa explica\u00e7\u00e3o ao seu modo, reivindicando, por outro lado, o privil\u00e9gio de d\u00e1-la.<\/p>\n<p>Qual delas poderia harmonizar os pontos dissidentes? Deus, que \u00e9 prudente, prevendo que a essa explica\u00e7\u00e3o os homens mesclariam suas paix\u00f5es e suas preocupa\u00e7\u00f5es, n\u00e3o lhes confiou essa nova revela\u00e7\u00e3o; encarregou seus mensageiros, os Esp\u00edritos, de a proclamarem em todos os pontos do globo, sem dar privil\u00e9gio a qualquer culto em particular, a fim de que pudesse ser aplicada a todos e para que nenhum lhe lan\u00e7asse a m\u00e3o em proveito pr\u00f3prio.<\/p>\n<p>Por outro lado n\u00e3o ter\u00e3o os diversos cultos crist\u00e3os se desviado em nada do roteiro tra\u00e7ado pelo Cristo? Ter\u00e3o escrupulosamente observado seus preceitos de moral? N\u00e3o ter\u00e3o modificado o sentido de suas palavras, para nelas apoiarem a ambi\u00e7\u00e3o e as paix\u00f5es humanas, em virtude de serem elas a condena\u00e7\u00e3o de ambas? O Espiritismo, pela voz dos Esp\u00edritos enviados por Deus, vem atrair aqueles que dele se haviam apartado \u00e0 estrita observ\u00e2ncia dos seus preceitos.<br \/> N\u00e3o ser\u00e1 este \u00faltimo motivo, especialmente, o que lhe acarreta o qualificativo de obra demon\u00edaca?<\/p>\n<p>Sem raz\u00e3o o senhor denomina de seitas a algumas diverg\u00eancias de opini\u00e3o com respeito aos fen\u00f3menos esp\u00edritas.<br \/> N\u00e3o \u00e9 de estranhar que no princ\u00edpio de uma ci\u00eancia, quando para muitos as observa\u00e7\u00f5es s\u00e3o incompletas, surjam teorias contradit\u00f3rias.<br \/> Essas teorias, por\u00e9m, residem em pontos de desenvolvimento e n\u00e3o nos princ\u00edpios fundamentais.<\/p>\n<p>Podem constituir escolas que explicam certos fatos \u00e0 sua maneira, mas n\u00e3o seitas como o s\u00e3o os diferentes sistemas que dividem os nossos s\u00e1bios com respeito \u00e0s ci\u00eancias exatas, \u00e0 medicina, etc.<br \/> Suprima, pois, a palavra seita, que \u00e9 impr\u00f3pria ao caso presente.<\/p>\n<p>Ademais, o pr\u00f3prio cristianismo n\u00e3o ocasionou, desde sua origem, um sem-n\u00famero de seitas? Por que n\u00e3o foi a palavra do Cristo bastante poderosa para silenciar as controv\u00e9rsias? Por que \u00e9 ela suscet\u00edvel de interpreta\u00e7\u00f5es que, ainda em nossos dias, dividem os crist\u00e3os em diferentes igrejas que pretendem, todas, a exclusividade da verdade necess\u00e1ria \u00e0 salva\u00e7\u00e3o, que se detestam m\u00fatua e intimamente, e trocam an\u00e1temas entre si, em nome do divino mestre de todas, que por sinal pregou unicamente amor e caridade?<\/p>\n<p>O senhor responder\u00e1:  \u00c9 a fraqueza dos homens! .<br \/> Pois muito bem; que seja! Mas, por que ent\u00e3o exigir que o Espiritismo, de uma hora para outra, triunfe sobre essa fraqueza e transforme a humanidade como que pelo toque da varinha m\u00e1gica?<\/p>\n<p>Passemos \u00e0 quest\u00e3o da utilidade.<br \/> O senhor disse que o Espiritismo nada de novo ensina.<br \/> \u00c9 erro.<br \/> Pelo contr\u00e1rio, muito ensina \u00e0queles que n\u00e3o se det\u00eam na sua exterioridade.<br \/> Tivesse ele apenas substitu\u00eddo a m\u00e1xima Fora da Igreja n\u00e3o h\u00e1 salva\u00e7\u00e3o poss\u00edvel, que separa os homens, por esta outra: Fora da caridade n\u00e3o h\u00e1 salva\u00e7\u00e3o, que os irmana, e j\u00e1 teria inaugurado uma nova era para a humanidade.<\/p>\n<p>Disse o senhor que poder\u00edamos passar sem ele.<br \/> Isso \u00e9 conforme.<br \/> Tamb\u00e9m poder\u00edamos passar sem um grande n\u00famero de descobertas cient\u00edficas.<br \/>  Seguramente os homens estariam t\u00e3o bem antes quanto depois da descoberta de todos os novos planetas, do c\u00e1lculo dos eclipses, do conhecimento do mundo microsc\u00f3pio e de outras tantas coisas.<br \/> Para viver e cultivar seu trigo, o lavrador n\u00e3o necessita saber o que \u00e9 um cometa.<br \/> Ningu\u00e9m nega, entretanto, que todas essas coisas dilatam o c\u00edrculo das ideias e nos levam a penetrar, mais e mais, nas leis da natureza.<\/p>\n<p>O mundo dos Esp\u00edritos \u00e9, pois, uma dessas leis que o Espiritismo nos leva a conhecer, abrindo-nos os olhos para a influ\u00eancia que exercem sobre o mundo corporal.<br \/> Supondo, ainda, que a isso se limitasse a sua utilidade, j\u00e1 n\u00e3o seria important\u00edssima a revela\u00e7\u00e3o de semelhante poder?<\/p>\n<p>Vejamos agora sua influ\u00eancia moral.<br \/> Admitamos que realmente nada de novo ensine nesse particular.<br \/> Qual \u00e9 o maior inimigo da religi\u00e3o? O materialismo, que \u00e9 a descren\u00e7a de tudo.<br \/> E o Espiritismo \u00e9 a nega\u00e7\u00e3o do materialismo, o qual depois dele perdeu sua raz\u00e3o de ser.<br \/> J\u00e1 n\u00e3o se apela ao racioc\u00ednio, \u00e0 f\u00e9 cega, para dizer ao materialista que nem tudo acaba com o corpo.<br \/> Apela-se aos fatos.<br \/> Demonstra-se-lhe, permite-se-lhe que toque com o dedo e veja com os olhos.<br \/> E n\u00e3o ser\u00e1 de grande import\u00e2ncia esse servi\u00e7o que presta \u00e0 humanidade e \u00e0 religi\u00e3o? Isto, por\u00e9m, n\u00e3o \u00e9 tudo: a certeza da realidade da vida futura, o quadro pleno da vida que nos apresentam aqueles cujo ingresso nela precedeu ao nosso, comprovam a necessidade da pr\u00e1tica do bem e as consequ\u00eancias inevit\u00e1veis do mal.<\/p>\n<p>Por isto, sem ser uma religi\u00e3o, conduz essencialmente \u00e0s ideias religiosas, desenvolvendo-as naqueles que n\u00e3o as t\u00eam e fortificando-as naqueles em que vacilam.<br \/> A religi\u00e3o encontra, portanto, um apoio nele, n\u00e3o por certo aos olhos dessas intelig\u00eancias m\u00edopes, que v\u00eaem toda a religi\u00e3o na doutrina do fogo eterno, na letra mais que no esp\u00edrito, mas sim aos dos que a contemplam em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 grandeza e \u00e0 majestade de Deus.<\/p>\n<p>Numa palavra: o Espiritismo dilata e eleva as ideias, combate os abusos gerados pelo ego\u00edsmo, a cobi\u00e7a e a ambi\u00e7\u00e3o.<br \/> E quem se atrever\u00e1 a declarar-se seu campe\u00e3o e os defender?<\/p>\n<p>Se o Espiritismo n\u00e3o \u00e9 imprescind\u00edvel \u00e0 salva\u00e7\u00e3o, facilita-a, fortificando-nos no caminho do bem.<br \/> Por outro lado, qual o homem sensato que ser\u00e1 capaz de afirmar que a falta de ortodoxia \u00e9 mais repreens\u00edvel aos olhos de Deus que o ate\u00edsmo e o materialismo?<\/p>\n<p>Proponho abertamente as seguintes perguntas a todos os que combatem o Espiritismo, sob o aspecto de suas consequ\u00eancias religiosas:<\/p>\n<p>1\u00aa) Entre o que em nada cr\u00ea e o que, crendo nas verdades gerais, n\u00e3o admite certas partes do dogma, qual o que ter\u00e1 a pior parte na vida futura?<\/p>\n<p>2\u00aa) Por alguma coisa de reprov\u00e1vel que tiverem feito ser\u00e3o julgados igualmente o protestante e o cism\u00e1tico, o ateu e o materialista?<\/p>\n<p>3\u00aa) O que n\u00e3o \u00e9 ortodoxo no rigor da palavra, mas pratica todo o bem que pode, que \u00e9 bom e indulgente para com o pr\u00f3ximo e leal em suas rela\u00e7\u00f5es sociais, ter\u00e1 a salva\u00e7\u00e3o menos segura do que um outro que, crendo em tudo, \u00e9 duro, ego\u00edsta e falto de caridade?<\/p>\n<p>4\u00aa) Que \u00e9 prefer\u00edvel aos olhos de Deus: a pr\u00e1tica das virtudes crist\u00e3s, sem a dos deveres da ortodoxia, ou a pr\u00e1tica destes \u00faltimos sem a da moral?<\/p>\n<p>Respondidas est\u00e3o, senhor padre, as perguntas e obje\u00e7\u00f5es apresentadas.<br \/> Como disse de in\u00edcio, n\u00e3o tive a inten\u00e7\u00e3o preconcebida de o atrair \u00e0s nossas ideias e modificar suas convic\u00e7\u00f5es.<br \/> Limitei-me a lev\u00e1-lo a considerar o Espiritismo sob o seu verdadeiro aspecto.<br \/> Se o senhor n\u00e3o tivesse vindo eu n\u00e3o teria ido busc\u00e1-lo.<br \/> N\u00e3o quer isto dizer que desprez\u00e1ssemos a sua ades\u00e3o aos nossos princ\u00edpios, caso tal viesse a dar-se.<br \/> Bem longe disso! Seremos, pelo contr\u00e1rio, bem felizes, como ali\u00e1s com todas as ades\u00f5es que conseguimos, e que s\u00e3o para n\u00f3s tanto mais valiosas quanto mais livres e volunt\u00e1rias.<br \/> N\u00e3o s\u00f3 nos faltam quaisquer direitos para exercer coa\u00e7\u00e3o sobre quem quer que seja, como seria para n\u00f3s uma quest\u00e3o de escr\u00fapulo perturbar a consci\u00eancia dos que, tendo cren\u00e7as que lhes satisfazem, n\u00e3o v\u00eam a n\u00f3s espontaneamente.<\/p>\n<p>Temos dito que a melhor maneira de uma pessoa adquirir conhecimentos sobre o Espiritismo \u00e9 estudar-lhe a teoria.<br \/> Os fatos vir\u00e3o depois, naturalmente, e ser\u00e3o compreendidos, qualquer que seja a ordem em que os tragam as circunst\u00e2ncias.<br \/> Nossas publica\u00e7\u00f5es t\u00eam sido feitas com o prop\u00f3sito de favorecer esse estudo.<br \/> Aqui est\u00e1 a ordem em que o aconselhamos:<\/p>\n<p>O que primeiro se deve ler \u00e9 este resumo, que oferece o conjunto e os pontos cardiais da ci\u00eancia.<br \/> Com ele estar\u00e1 possibilitada a forma\u00e7\u00e3o de uma ideia.<br \/> Tamb\u00e9m estar\u00e1 feita a convic\u00e7\u00e3o de que, no fundo, o Espiritismo cont\u00e9m alguma coisa de s\u00e9rio.<br \/> Nesta r\u00e1pida exposi\u00e7\u00e3o nos propusemos indicar os pontos em que, particularmente, deve fixar-se a aten\u00e7\u00e3o do observador.<br \/> A ignor\u00e2ncia dos princ\u00edpios fundamentais \u00e9 causa das falsas aprecia\u00e7\u00f5es da maior parte dos que julgam o que n\u00e3o compreendem, ou que o fazem com base em ideias preconcebidas.<\/p>\n<p>Se essa primeira leitura despertar o desejo de aprender mais, ler-se-\u00e1 O Livro dos Esp\u00edritos, onde se acham amplamente desenvolvidos os princ\u00edpios da doutrina.<br \/> Depois, O Livro dos M\u00e9diuns, que abrange a parte experimental e \u00e9 destinado a servir de guia aos que por si mesmos querem operar bem, como aos que desejam dar-se conta dos fen\u00f3menos.<\/p>\n<p>Seguem-se, imediatamente, as obras em que est\u00e3o desenvolvidas as aplica\u00e7\u00f5es e consequ\u00eancias da doutrina.<br \/> E tais s\u00e3o: O Evangelho segundo o Espiritismo, o C\u00e9u e o Inferno, a G\u00e9nese, etc.<\/p>\n<p>A Revue Spirite \u00e9, de certa maneira, um curso de aplica\u00e7\u00e3o, p\u00ealos numerosos exemplos que oferece e os desenvolvimentos que encerra, sobre a parte te\u00f3rica e a parte experimental.<\/p>\n<p>\u00c0s pessoas de respeito, que realizam um estudo preliminar, teremos o prazer de dar, verbalmente, as explica\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias sobre as partes que n\u00e3o tenham sido suficientemente compreendidas.<\/p>\n<p>Copyright 2004 &#8211; LAK<\/p>\n<div class=\"pvc_clear\"><\/div>\n<p id=\"pvc_stats_15598\" class=\"pvc_stats all  \" data-element-id=\"15598\" style=\"\"><i class=\"pvc-stats-icon medium\" aria-hidden=\"true\"><svg aria-hidden=\"true\" focusable=\"false\" data-prefix=\"far\" data-icon=\"chart-bar\" role=\"img\" xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\" viewBox=\"0 0 512 512\" class=\"svg-inline--fa fa-chart-bar fa-w-16 fa-2x\"><path fill=\"currentColor\" d=\"M396.8 352h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8V108.8c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v230.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8zm-192 0h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8V140.8c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v198.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8zm96 0h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8V204.8c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v134.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8zM496 400H48V80c0-8.84-7.16-16-16-16H16C7.16 64 0 71.16 0 80v336c0 17.67 14.33 32 32 32h464c8.84 0 16-7.16 16-16v-16c0-8.84-7.16-16-16-16zm-387.2-48h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8v-70.4c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v70.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8z\" class=\"\"><\/path><\/svg><\/i> <img decoding=\"async\" width=\"16\" height=\"16\" alt=\"Loading\" data-src=\"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/wp-content\/plugins\/page-views-count\/ajax-loader-2x.gif\" border=0 src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" class=\"lazyload\" style=\"--smush-placeholder-width: 16px; --smush-placeholder-aspect-ratio: 16\/16;\" \/><\/p>\n<div class=\"pvc_clear\"><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>TERCEIRO DIALOGO O SACERDOTE Obje\u00e7\u00f5es em nome da religi\u00e3o O sacerdote. \u2014 Permita, senhor, que por minha vez lhe dirija algumas perguntas. Allan Kardec. \u2014 Com muito prazer. Antes de as responder, entretanto, creio \u00fatil apresentar-lhe o terreno em que espero me colocar para lhe dar resposta. 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