{"id":17997,"date":"2021-05-08T09:12:00","date_gmt":"2021-05-08T09:12:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/artigo17997\/"},"modified":"2021-05-08T09:22:25","modified_gmt":"2021-05-08T12:22:25","slug":"artigo17997","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/artigo17997\/","title":{"rendered":"MIRAMEZ &#8211; Horizontes da Mente &#8211; Miramez"},"content":{"rendered":"<p>Fernando Miramez de Oliv\u00eddeo era filho de casal nobre do norte da Espanha.<\/p>\n<p> Sua m\u00e3e nascera na Fran\u00e7a e seu pai era de origem portuguesa.<\/p>\n<p> Assim, em suas veias misturava-se o sangue de duas nobrezas, aquecido pelo clima da Espanha, seu ber\u00e7o natal.<\/p>\n<p> Mo\u00e7o inteligente e estudioso, aprofundava-se na hist\u00f3ria dos povos e na\u00e7\u00f5es da Terra.<\/p>\n<p> Deteve-se com interesse na descoberta das Am\u00e9ricas, em cujo evento destacaram-se Crist\u00f3v\u00e3o Colombo e Pedro \u00c1lvares Cabral, apaixonando-se, ainda que sem conhece-las fisicamente, pelas Terras de Santa Cruz.<\/p>\n<p> Tal era o seu interesse por elas, que por v\u00e1rias vezes visualizava-se desembarcando em portos da terra que j\u00e1 sentia ser aben\u00e7oada.<\/p>\n<p> Tinha not\u00edcias dos silv\u00edcolas, habitantes dessa na\u00e7\u00e3o nova, e da escravid\u00e3o em desenvolvimento, imposta p\u00ealos estrangeiros conquistadores, n\u00e3o aceita p\u00ealos primeiros, que se revoltavam.<\/p>\n<p> Acompanhou interessada mente a implanta\u00e7\u00e3o do trabalho escravo do homem de ra\u00e7a negra, levado \u00e0 for\u00e7a do continente africano, que, por sua caracter\u00edstica passiva, aceitava o grilh\u00e3o e o a\u00e7oite, servindo aos interesses daqueles que avidamente se apossaram das terras.<\/p>\n<p> Colocava-se sempre, em pensamento, no meio do povo humilde, regozijando-se com a bravura dos \u00edndios, embora no fundo soubesse que acabariam dominados p\u00ealos estrangeiros, que dispunham dos meios para submet\u00ea-los.<\/p>\n<p> Contudo, nesta luta onde os fracos pediam socorro aos homens de bem, os c\u00e9us jamais ficariam em sil\u00eancio, nem deixariam sem resposta os clamores dos oprimidos, apesar do carma coletivo dos povos e na\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p> Fernando era \u00edntimo de Filipe IV, rei de Espanha, que conhecia seus princ\u00edpios de integridade e os dotes de elevada moral de que era portador.<\/p>\n<p> Para o rei, Fernando tinha algumas defici\u00eancias que necessitavam ser corrigidas: era avesso \u00e0s guerras, repudiava a viol\u00eancia e propugnava pelo direito dos povos e, principalmente, dos indiv\u00edduos.<\/p>\n<p> Como tinha planos relativos a ele, durante uma entrevista que lhe concedera, em car\u00e1ter \u00edntimo, Filipe d\u00e1 in\u00edcio \u00e0 execu\u00e7\u00e3o dos mesmos, falando-lhe convincente:  Caro amigo, conhe\u00e7o vossos dotes e vos considero pessoa grata da Fam\u00edlia Real, que conta com eles para defender seus interesses, bem como os de nossa Espanha.<\/p>\n<p> Reconhe\u00e7o em v\u00f3s predicados e valores que se aproximam da perfei\u00e7\u00e3o, contudo, compete a mim, por quem sois, recomendar-vos que junto com a virtude, deveis cultivar a bravura e a tenacidade; o orgulho pela nossa nobreza e pela tradi\u00e7\u00e3o e honra da Espanha; a luta pelas nossas posses de al\u00e9m-mar, aumentando nossas riquezas e o nosso poder.<\/p>\n<p> Nossa na\u00e7\u00e3o tem a gloriosa destina\u00e7\u00e3o de dominar o mundo.<\/p>\n<p> Deus est\u00e1 conosco e Cristo a escolheu como seu trono para, atrav\u00e9s dela, reinar sobre tudo.<\/p>\n<p> Sabemos que Portugal come\u00e7a a se levantar de novo e a sua gan\u00e2ncia por ouro, prata e pedras preciosas \u00e9 desmedida.<\/p>\n<p> Entende que ningu\u00e9m tem direitos sobre as terras que, por acaso, um de seus navegadores descobriu.<\/p>\n<p> A Escola de Sagres somente prepara os homens, enviando-os em expedi\u00e7\u00e3o por todos os quadrantes, &#8211; 164 &#8211; abrindo caminhos mar\u00edtimos em busca de poder e riquezas, esquecendo-se de suas obriga\u00e7\u00f5es para com Deus, Cristo e a Santa Madre Igreja.<\/p>\n<p> Por isso, resolvi constituir-vos meu representante  disse o rei entre dois goles de vinho, dando \u00e0 sua faia um tom misto de intimidade e cumplicidade.<\/p>\n<p>  Ide, pois, meu filho, para a terra adornada pela cruz formada por cintilantes estrelas.<\/p>\n<p> Sereis os ouvidos do Rei e a boca de Espanha.<\/p>\n<p> Sereis dotado das instru\u00e7\u00f5es do que devereis fazer, bem como das credenciais que vos dar\u00e3o poderes de Chefe de Estado.<\/p>\n<p> Depois de tudo consumado, tereis a vossa gl\u00f3ria: sereis imortalizado pela hist\u00f3ria e tereis o reconhecimento de toda a Espanha.<\/p>\n<p> Em nome dela, eu vos aben\u00e7oo.<\/p>\n<p>  Sorrindo, Filipe sorveu mais um gole do puro vinho, satisfeito consigo mesmo, pela maneira com que convencera a Fernando.<\/p>\n<p> Miramez, a tudo ouvia pacientemente, atento \u00e0s inten\u00e7\u00f5es ocultas de Filipe, que ele bem identificava.<\/p>\n<p> Contrariava-o conviver com interesses da ordem que ele tanto subestimava, mas sua intui\u00e7\u00e3o o prevenia da oportunidade de realizar as suas \u00edntimas aspira\u00e7\u00f5es e anseios, que eram conhecer e viver nas Terras de Santa Cruz, a fim de participar de sua prepara\u00e7\u00e3o como P\u00e1tria do Evangelho.<\/p>\n<p> Enquanto o rei sorvia o saboroso vinho, seu c\u00e9rebro funcionava celeremente, esfor\u00e7ando-se para n\u00e3o deixar transparecer suas reais e elevadas inten\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p> O \u00edntimo do seu ser era de total alegria, quando respondeu ao monarca: \u2014  Majestade, em vossas m\u00e3os est\u00e3o as r\u00e9deas deste vigoroso corcel que \u00e9 a Espanha.<\/p>\n<p> Que Deus vos aben\u00e7oe para que conduzais esta na\u00e7\u00e3o que tanto amamos nas melhores condi\u00e7\u00f5es de trabalho e honestidade.<\/p>\n<p> Vamos obedecer \u00e0 vossa real vontade, para alcan\u00e7armos a vit\u00f3ria.<\/p>\n<p> Conhe\u00e7o vosso ideal em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Espanha e rogo a Deus para vos ajudar a formar nobres ideias em benef\u00edcio do povo.<\/p>\n<p>  Ia prosseguir, mas notou que o soberano j\u00e1 estava ficando confuso pelo que ouviu e peta quantidade de vinho ingerido.<\/p>\n<p> Por isso, apenas pensou, de si para consigo:  Sei perfeitamente o que Vossa Majestade deseja para si mesma.<\/p>\n<p>  E, abrandando mais a voz, disse para terminar:  Eu vos agrade\u00e7o de cora\u00e7\u00e3o e serei eternamente grato pela oportunidade que ora me ofereceis de conhecer novas terras, as quais j\u00e1 admiro mesmo antes de v\u00ea-las.<\/p>\n<p> Garanto a Vossa Majestade que vamos fazer l\u00e1 muitas coisas agrad\u00e1veis a Deus.<\/p>\n<p>  E curvando-se respeitosamente ante o soberano que o despedira entusiasticamente, retirou-se.<\/p>\n<p> O rei passaria uma noite mal dormida, rememorando as palavras de Fernando, sem conseguir entender o seu s\u00e1bio e elevado sentido, sem, contudo, deixar de confiar no nobre s\u00fadito.<\/p>\n<p> Al\u00e9m disso, tinha, interesse em sua sa\u00edda da Espanha.<\/p>\n<p> Miramez, por\u00e9m, naquela noite inesquec\u00edvel em que viu come\u00e7ar a se materializar sua mais \u00edntima aspira\u00e7\u00e3o, teve um sono tranquilo, fazendo uma viagem astral, parcialmente consciente, \u00e0s terras aonde em breve haveria de aportar.<\/p>\n<p> Acordara no dia seguinte cantarolando, envolvido por estranha alegria, como s\u00f3i acontecer com aqueles que pensam, vivem e agem em prol da humanidade.<\/p>\n<p> Assim, em um dia do ano de 1649, em que reinava em Roma Inoc\u00e9ncio X, ou Jo\u00e3o Batista Panfili, desembarcava no litoral do Brasil, secretamente, na condi\u00e7\u00e3o de turista, o enviado do rei da Espanha.<\/p>\n<p> Am\u00e1vel e convivente, j\u00e1 no barco que o transportava para a praia, relacionara-se com os remadores escravos.<\/p>\n<p> &#8211; 165 &#8211; Desceu Miramez pela primeira vez em corpo f\u00edsico, nas terras com as quais sempre sonhara.<\/p>\n<p> Como que agindo segundo os ditames do cora\u00e7\u00e3o, descal\u00e7ou as botas e pisou a terra, sentindo-a sob seus p\u00e9s, como se identificando com ela, recebendo-lhe o calor.<\/p>\n<p> Ao mesmo tempo, l\u00e1grimas que marejavam seus olhos ca\u00edam no solo generoso que as recebia, umedecendo-se com elas, ocorrendo desse modo uma permuta de valores, cujo resultados ben\u00e9ficos seriam constatados atrav\u00e9s dos tempos.<\/p>\n<p> Acontecimento not\u00e1vel em sua chegada, foi o fato de v\u00e1rios \u00edndios que se encontravam na praia virem ao seu encontro como que para recepcion\u00e1-lo, ao tempo em que o feiticeiro da tribo a ele se dirigia e, apontando para o seu lado direito, exclamava:  Babagi! Babagil  Babagi era uma divindade ind\u00edgena, tida p\u00ealos estranhos como uma lenda, que curava os enfermos atrav\u00e9s dos curandeiros das tribos.<\/p>\n<p> Era, na realidade, uma entidade espiritual e vinha ao lado de Fernando, ajudando-o a andar na areia onde seus p\u00e9s deslizavam.<\/p>\n<p> Este, logo sentiu-se cercado p\u00ealos novos amigos, que nele sentiam condi\u00e7\u00f5es de proporcionar al\u00edvio aos sofrimentos e persegui\u00e7\u00f5es por que vinham passando, ante o dom\u00ednio dos invasores estrangeiros.<\/p>\n<p> Apesar de ainda n\u00e3o falar seu idioma, entendia-os p\u00ealos gestos e por intui\u00e7\u00e3o, o que denotava a afinidade existente.<\/p>\n<p> Assim, tendo se misturado com os nativos, ningu\u00e9m suspeitava de sua condi\u00e7\u00e3o de s\u00fadito espanhol a servi\u00e7o secreto do rei.<\/p>\n<p> Em curto espa\u00e7o de tempo, Fernando j\u00e1 assimilara os diversos dialetos ind\u00edgenas e africanos, movimentando-se com desenvoltura entre os humildes.<\/p>\n<p> O clima da regi\u00e3o influiu em seus tra\u00e7os e poucos conseguiam distingui-lo do povo local.<\/p>\n<p> Em 1653, desceu no Maranh\u00e3o.<\/p>\n<p>onde se encontrava Fernando, o temido pol\u00edtico e pregador, representante de Roma e de Portugal \u2014 P\u00e9.<\/p>\n<p> Ant\u00f3nio Vieira \u2014 que em seus famosos serm\u00f5es acionava for\u00e7as desconhecidas e dominava com facilidade aqueles que o ouviam.<\/p>\n<p> Era esse homem que Filipe IV, rei da Espanha, temia retornasse ao Brasil.<\/p>\n<p> Em cumprimento \u00e0 miss\u00e3o de que estava incumbido, comunicava ao seu soberano os acontecimentos que poderiam ser ben\u00e9ficos ao Brasil, omitindo not\u00edcias que poderiam prejudicar os povos que nele j\u00e1 lan\u00e7avam ra\u00edzes.<\/p>\n<p> Com o passar do tempo e por impositivo do progresso, tudo foi mudando, e assim acontecia com os conceitos e interesses.<\/p>\n<p> Isso agradava sobremodo ao nosso personagem, que j\u00e1 tinha nos \u00edndios e nos escravos a sua pr\u00f3pria fam\u00edlia.<\/p>\n<p> Certa noite, quando contemplava as estrelas, sobreveio forte lembran\u00e7a da p\u00e1tria distante, onde dispunha de in\u00fameros e valiosos bens, entre propriedades e terras abundantes.<\/p>\n<p> Enquanto meditava se deveria regressar \u00e0 Espanha, sentiu uma voz suave, como se nascesse dentro de sua consci\u00eancia, recomendando-lhe:  Vai, vende todos os teus bens, distribuios entre os pobres e ter\u00e1s um tesouro no c\u00e9u; depois, vem e segue-me.<\/p>\n<p> Surpreso, sentia que aquela voz era sua conhecida; mas, de onde? Parecia-lhe que j\u00e1 a escutara antes, mas, quando? Achava-se perdido no oceano dos s\u00e9culos.<\/p>\n<p> Contudo, a voz fez-se ouvir novamente.<\/p>\n<p>  Fernando,  \u2014 disse a voz,  podes vender todas as tuas posses na Espanha e distribuir o dinheiro entre os necessitados de tua p\u00e1tria.<\/p>\n<p> Os daqui, necessitando passar p\u00ealos processos renovadores, precisam mais da tua riqueza mental, do resultado de tuas m\u00e3os operosas, do tesouro armazenado em teu cora\u00e7\u00e3o e da &#8211; 166 &#8211; tua presen\u00e7a confortadora.<\/p>\n<p>  Miramez, ent\u00e3o, resolveu enviar procura\u00e7\u00e3o a amigos de sua confian\u00e7a, autorizando-os a dispor dos seus bens e distribuir o resultado entre os carentes e sofredores da Pen\u00ednsula Ib\u00e9rica.<\/p>\n<p> N\u00e3o chegou a ficar sabendo o que foi feito de suas riquezas materiais, por\u00e9m, passou a viver um estado de consci\u00eancia tranquila, \u00fanica riqueza que acompanha seus portadores eternidade a fora.<\/p>\n<p> Ap\u00f3s aquelas provid\u00eancias, sua vida em muito mudou.<\/p>\n<p> Aquele homem culto e fascinante foi descoberto p\u00ealos catequizadores entre os \u00edndios e os escravos africanos, como pastor de dois rebanhos.<\/p>\n<p> Alguns \u00edndios e negros n\u00e3o se davam bem, hostilizando-se mutuamente.<\/p>\n<p> Trabalhando arduamente pela aproxima\u00e7\u00e3o e conviv\u00eancia das duas ra\u00e7as, em pouco tempo seus esfor\u00e7os eram coroados de \u00eaxito, quando \u00edndios e negros festejavam juntos suas tradi\u00e7\u00f5es, unidos p\u00ealos la\u00e7os da amizade e do sofrimento.<\/p>\n<p> Miramez, ent\u00e3o, passou a frequentar o grupo de catequizadores por encontrar ali campo prop\u00edcio \u00e2 pr\u00e1tica dos seus ideais.<\/p>\n<p> Como resultado de seu trabalho e esfor\u00e7o conjunto, mais tarde foi promulgada, em 1680, a lei de prote\u00e7\u00e3o aos \u00edndios.<\/p>\n<p> Antes de terminar este relato, procurando mostrar como ocorreu a chegada de Miramez ao Brasil e a sua participa\u00e7\u00e3o junto aos esp\u00edritos simples e sofredores que prepararam o campo que favoreceria a implanta\u00e7\u00e3o do Evengelho nas terras do Cruzeiro, queremos relatar um fato ocorrido com ele em um pequeno arraial destinado a receber os velhos escravos, onde passavam os \u00faltimos dias de suas vidas.<\/p>\n<p> Junto com jovens escravos, que vez por outra recebiam permiss\u00e3o de seus senhores para visitarem seus pais e av\u00f3s, Miramez, certa manh\u00e3, buscou os casebres para rever seus tutelados, levando-lhes o conforto de sua palavra fraterna e confortadora.<\/p>\n<p> Todos o tinham como o  Pai Branco ,  Filho do Sol  ou  Homem Que Veio da Luz .<\/p>\n<p> Ao levantar a cabe\u00e7a, fixando o olhar nas nuvens, como costumava fazer, punha o cora\u00e7\u00e3o ao alto e a mente em sintonia com o Todo Poderoso.<\/p>\n<p> O ambiente se asserenava, envolvendo em suaves vibra\u00e7\u00f5es aqueles que o cercavam.<\/p>\n<p> Ao regressar, passeando \u00e2 beira de murmurante regato de \u00e1guas cristalinas, acompanhado, como de costume, por uma velha preta, ao passar beirando um barranco onde a vegeta\u00e7\u00e3o se adensava, foi atacado por perigosa e venenosa jararacussu, cuja picada comumente resulta mortal, sendo atingido na perna, abaixo do joelho.<\/p>\n<p> A preta velha viu o r\u00e9ptil dando o bote e a \u00e1gua do riacho timgirse de sangue.<\/p>\n<p> Saiu a correr para o povoado em busca da velha benzedeira Pari, que nos seus noventa anos a muitos salvara p\u00ealos seus dons de curar v\u00e1rias enfermidades.<\/p>\n<p> Ao ser localizada e informada do ocorrido, a velha Pari, j\u00e1 acostumada a essas emerg\u00eancias, apanhou alguns apetrechos e saiu pressurosa em socorro ao Pai Branco.<\/p>\n<p> Mas Miramez, j\u00e1 com muitas experi\u00eancias vividas entre \u00edndios e negros, tamb\u00e9m tomara seus cuidados: lembrando-se de um cord\u00e3o com v\u00e1rios n\u00f3s intercalados que carregava em seu bornal, tomou-o e com ele amarrou a perna ofendida, na &#8211; 167 &#8211; altura do joelho, impedindo a circula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p> Tal cord\u00e3o ele recebera de sua m\u00e3e querida, nos minutos finais de sua vida na terra, explicando-lhe sua origem.<\/p>\n<p> Pertencera a um bondoso p\u00e1roco portugu\u00eas que se dedicava \u00e0 cura.<\/p>\n<p>  Meu filho , disse ela nos seus \u00faltimos momentos,  quando o velho padre me passou este cord\u00e3o, de seus dedos desprendiam-se pequenos raios de luz que eram absorvidos p\u00ealos n\u00f3s do cord\u00e3o.<\/p>\n<p> Carreguei-o comigo por v\u00e1rios anos e muitas vezes utilizei-o em favor do al\u00edvio das pessoas.<\/p>\n<p> Agora, passo-o a voc\u00ea, para que seja usado em seus momentos de dificuldade e de afli\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>   Aben\u00e7oando-o, desfalecera e regressara \u00e0 p\u00e1tria espiritual.<\/p>\n<p> A negra Pari, chegando, fez com que Miramez se assentasse num lajedo, levantasse os olhos e, como se conversasse com algu\u00e9m invis\u00edvel, pronunciava palavras inintelig\u00edveis.<\/p>\n<p> Em dado momento, colocou os l\u00e1bios sobre o ferimento e sugou por v\u00e1rias vezes o sangue j\u00e1 enegrecido, cuspindo-o para o lado.<\/p>\n<p> A seguir, colocou algumas ervas na boca, mastigou-as e tornou a cuspir, lavando-a nas \u00e1guas do riacho.<\/p>\n<p> Torna a repetir a opera\u00e7\u00e3o, colocando as ervas maceradas sobre o ferimento, que logo parou de doer.<\/p>\n<p> Com um suspiro profundo e se recompondo, a boa escrava retirou o cord\u00e3o benfazejo da perna de Miramez, ajudou-o a caminhar em demanda a seu casebre, onde o fez ingerir uma beberagem.<\/p>\n<p> Antes disso, a velha Pari, acalmando a revolta dos velhos escravos, n\u00e3o deixou que matassem a cobra; foi sozinha ao local, gritou com o perigoso r\u00e9ptil, expulsou-o e ordenou que n\u00e3o voltasse mais ali.<\/p>\n<p> Miramez sentia cada vez mais gratid\u00e3o e amor por aquela gente simples, filha de Deus, que.<\/p>\n<p> dentro do poss\u00edvel, tudo fazia em seu benef\u00edcio.<\/p>\n<p> E naquela noite chorou de reconhecimento, orando ao Criador em benef\u00edcio daquela gente simples e sofredora.<\/p>\n<p> PERFIL DE MIRAMEZ O nosso diretor espiritual era, quando encarnado, alto, de porte esbelto e nobre, cabelos encaracolados da cor do ouro velho, os quais trazia amarrados para tr\u00e1s.<\/p>\n<p> Tinha testa ampla, denotando intelig\u00eancia, tez bronzeada pelo t\u00f3rrido sol do norte, &#8211; 168 &#8211; olhos verdes que lembravam os canaviais; os dois incisivos da frente eram ligeiramente separados.<\/p>\n<p> Seus l\u00e1bios eram pouco salientes e o nariz, grande e levemente achatado na ponta, n\u00e3o chegava a tirar-lhe a formosura do rosto.<\/p>\n<p> Apesar do constante sorriso nos l\u00e1bios, seu semblante era grave; algumas rugas j\u00e1 demonstravam as consequ\u00eancias do desconforto f\u00edsico e dos trabalhos em favor dos humildes.<\/p>\n<p> Sua morte ocorreu num quadro de elevada suavidade.<\/p>\n<p> Os negros e os \u00edndios catequizados formavam extensa fila para beijar-lhe as m\u00e3os, que tanto os ajudaram a viver.<\/p>\n<p> Enquanto esteve l\u00facido, Miramez aben\u00e7oava-os, um por um.<\/p>\n<p> Nos momentos derradeiros, Fernando Miramez de Oliv\u00eddeo percebeu a presen\u00e7a da m\u00e3e extremosa, bem como de sublimada entidade que ele prefere n\u00e3o identificar, por julgar n\u00e3o merecer tamanha honra.<\/p>\n<p> Com l\u00e1grimas nos olhos, Miramez desprendeu-se do vaso f\u00edsico e, j\u00e1 fora dele, chorou de felicidade e agradecimento, por ter ingressado no Brasil pelas portas do amor e da caridade, que lhe foram abertas por Jesus.<\/p>\n<div class=\"pvc_clear\"><\/div>\n<p id=\"pvc_stats_17997\" class=\"pvc_stats all  \" data-element-id=\"17997\" style=\"\"><i class=\"pvc-stats-icon medium\" aria-hidden=\"true\"><svg aria-hidden=\"true\" focusable=\"false\" data-prefix=\"far\" data-icon=\"chart-bar\" role=\"img\" xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\" viewBox=\"0 0 512 512\" class=\"svg-inline--fa fa-chart-bar fa-w-16 fa-2x\"><path fill=\"currentColor\" d=\"M396.8 352h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8V108.8c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v230.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8zm-192 0h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8V140.8c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v198.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8zm96 0h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8V204.8c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v134.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8zM496 400H48V80c0-8.84-7.16-16-16-16H16C7.16 64 0 71.16 0 80v336c0 17.67 14.33 32 32 32h464c8.84 0 16-7.16 16-16v-16c0-8.84-7.16-16-16-16zm-387.2-48h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8v-70.4c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v70.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8z\" class=\"\"><\/path><\/svg><\/i> <img decoding=\"async\" width=\"16\" height=\"16\" alt=\"Loading\" data-src=\"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/wp-content\/plugins\/page-views-count\/ajax-loader-2x.gif\" border=0 src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" class=\"lazyload\" style=\"--smush-placeholder-width: 16px; 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Sua m\u00e3e nascera na Fran\u00e7a e seu pai era de origem portuguesa. Assim, em suas veias misturava-se o sangue de duas nobrezas, aquecido pelo clima da Espanha, seu ber\u00e7o natal. Mo\u00e7o inteligente e estudioso, aprofundava-se na hist\u00f3ria dos povos e na\u00e7\u00f5es da&hellip; <br \/> <a class=\"read-more\" href=\"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/artigo17997\/\">Leia mais<\/a><\/p>\n<div class=\"pvc_clear\"><\/div>\n<p id=\"pvc_stats_17997\" class=\"pvc_stats all  \" data-element-id=\"17997\" style=\"\"><i class=\"pvc-stats-icon medium\" aria-hidden=\"true\"><svg aria-hidden=\"true\" focusable=\"false\" data-prefix=\"far\" data-icon=\"chart-bar\" role=\"img\" xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\" viewBox=\"0 0 512 512\" class=\"svg-inline--fa fa-chart-bar fa-w-16 fa-2x\"><path fill=\"currentColor\" d=\"M396.8 352h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8V108.8c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v230.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8zm-192 0h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8V140.8c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v198.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8zm96 0h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8V204.8c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v134.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8zM496 400H48V80c0-8.84-7.16-16-16-16H16C7.16 64 0 71.16 0 80v336c0 17.67 14.33 32 32 32h464c8.84 0 16-7.16 16-16v-16c0-8.84-7.16-16-16-16zm-387.2-48h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8v-70.4c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v70.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8z\" class=\"\"><\/path><\/svg><\/i> <img decoding=\"async\" width=\"16\" height=\"16\" alt=\"Loading\" data-src=\"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/wp-content\/plugins\/page-views-count\/ajax-loader-2x.gif\" border=0 src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" class=\"lazyload\" style=\"--smush-placeholder-width: 16px; --smush-placeholder-aspect-ratio: 16\/16;\" \/><\/p>\n<div class=\"pvc_clear\"><\/div>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[16],"tags":[],"class_list":["post-17997","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-mensagens-diversas"],"a3_pvc":{"activated":true,"total_views":893,"today_views":0},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17997","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=17997"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17997\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=17997"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=17997"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=17997"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}