{"id":18667,"date":"2022-02-19T10:12:00","date_gmt":"2022-02-19T10:12:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/artigo18667\/"},"modified":"2022-02-19T10:33:03","modified_gmt":"2022-02-19T13:33:03","slug":"artigo18667","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/artigo18667\/","title":{"rendered":"2 L\u00e1grimas e sacrif\u00edcios &#8211; PAULO E ESTEV\u00c3O &#8211;  FRANCISCO C\u00c2NDIDO XAVIER"},"content":{"rendered":"<p>A pris\u00e3o que recebera as nossas personagens, em Corinto, era um velho<br \/>\n<br \/>casar\u00e3o de corredores \u00famidos e escuros, mas a sala destinada aos tr\u00eas,<br \/>\n<br \/>conquanto desprovida de qualquer conforto, apresentava a vantagem de uma<br \/>\n<br \/>janela gradeada, que comunicava o ambiente desolado com a natureza<br \/>\n<br \/>exterior.<\/p>\n<p>Jochedeb estava cansad\u00edssimo e, servindo -se do manto que apanhara ao<br \/>\n<br \/>acaso, ao retirar-Se, Jeziel improvisou-lhe um leito sobre as lajes frias.<br \/> O velho,<br \/>\n<br \/>atormentado por uma aluvi\u00e3o de pensamentos, descansava o corpo dolorido,<br \/>\n<br \/>entregue a penosas medita\u00e7\u00f5es sobre os problemas do destino humano.<br \/> Sem<br \/>\n<br \/>saber externar suas dores pungentes, engolfara -se em angustioso mutismo,<br \/>\n<br \/>evitando o olhar dos filhos.<br \/> Jeziel e Abigail aproximando -se da janela<br \/>\n<br \/>segurando-lhe as grades inflex\u00edveis e abafando, com dificuldade, a justa<br \/>\n<br \/>inquieta\u00e7\u00e3o.<br \/> Ambos olharam, instintivamente, o f irmamento, cuja imensidade<br \/>\n<br \/>sempre resumiu a fonte das mais ternas espe ran\u00e7as para os que choram e<br \/>\n<br \/>sofrem na Terra.<\/p>\n<p>O jovem abra\u00e7ou a irm\u00e3, com imensa ternura, e disse comovido:<br \/>\n<br \/>\u2014 Abigail, lembras-te da nossa leitura de ontem?<br \/>\n<br \/>\u2014 Sim \u2014 respondeu ela com a ing\u00eanua serenidade dos seus olhos negros<br \/>\n<br \/>e profundos -, tenho agora a impress\u00e3o de que os Escritos nos davam uma<br \/>\n<br \/>grande mensagem, pois nosso ponto de estudo foi justamente aquele em que<br \/>\n<br \/>Mois\u00e9s contemplava, de longe, a terra da Promiss\u00e3o sem poder alcan\u00e7\u00e1 -la.<\/p>\n<p>O rapaz sorriu satisfeito por sentir -se identificado nos seus pensamentos e<br \/>\n<br \/>confirmou:<br \/>\n<br \/>\u2014 Vejo que estamos de perfeito acordo, O c\u00e9u, esta noite, oferece -nos a<br \/>\n<br \/>perspectiva de uma p\u00e1tria luminosa e distante.<br \/> L\u00e1 \u2014 continuava apontando o<br \/>\n<br \/>zimb\u00f3rio estrelado \u2014 organiza Deus os triunfos da verdadeira justi\u00e7a: d\u00e1 paz<br \/>\n<br \/>aos tristes; conforto aos desalentados da sorte.<\/p>\n<p>Certamente, nossa m\u00e3e est\u00e1 com Deus, espe rando por n\u00f3s.<\/p>\n<p>Abigail mostrou-se muito impressionada com as pa lavras do irm\u00e3o- e<br \/>\n<br \/>acentuou:<br \/>\n<br \/>\u2014 Est\u00e1s triste? Ficaste agastado com o proceder de nosso pai?<br \/>\n<br \/>\u2014 De modo algum \u2014 atalhou o mo\u00e7o afagando-lhe os cabelos \u2014, estamos<br \/>\n<br \/>em experi\u00eancias que devem ter a melhor finalidade para a nossa reden\u00e7\u00e3o,<br \/>\n<br \/>porque, de outro modo, Deus n\u00e3o no -las mandaria.<\/p>\n<p>\u2014 N\u00e3o nos aborre\u00e7amos com o pai \u2014 tornou a jovem \u2014; estive pensando<br \/>\n<br \/>que, se a mam\u00e3e estivesse conosco, ele n\u00e3o chegaria a reclama\u00e7\u00f5es de t\u00e3o<br \/>\n<br \/>tristes conseq\u00fc\u00eancias.<br \/> N\u00f3s n\u00e3o temos aquele poder de persuas\u00e3o com que ela,<br \/>\n<br \/>carinhosa sempre, iluminava a nossa casa.<\/p>\n<p>Lembras-te? Sempre nos ensinou que os filhos de Deus devem estar<br \/>\n<br \/>prontos para a execu\u00e7\u00e3o das divinas -vontades.<br \/> Os profetas, por sua vez, nos<br \/>\n<br \/>esclarecem que os homens s\u00e3o varas no campo da cria\u00e7\u00e3o.<br \/> O Todo -Poderoso<br \/>\n<br \/>\u00e9 o lavrador e n\u00f3s devemos ser os galhos floridos ou fr ut\u00edferos, na sua obra.<br \/> A<br \/>\n<br \/>palavra de Deus nos ensina a ser bons e am\u00e1veis.<br \/> O bem deve ser a flor e o<br \/>\n<br \/>fruto, que o C\u00e9u nos pede.<\/p>\n<p>Nessa altura, a bela jovem fez uma pausa signi ficativa.<br \/> Seus grandes olhos<br \/>\n<br \/>estavam velados por um t\u00eanue v\u00e9u de pranto, que n\u00e3o c hegava a cair.<\/p>\n<p>\u2014 Entretanto, continuou ela, emocionando o irm\u00e3o carinhoso: sempre<br \/>\n<br \/>21<br \/>\n<br \/>desejei fazer algum bem, sem jamais o conseguir.<br \/> Quando nossa vizinha<br \/>\n<br \/>enviuvou, quis auxili\u00e1-la com dinheiro, mas n\u00e3o o possuia; sempre que me<br \/>\n<br \/>surge uma oportunidade de abri r as m\u00e3os, tenho-as pobres e vazias.<br \/> Ent\u00e3o,<br \/>\n<br \/>agora, penso que foi \u00fatil a nossa pris\u00e3o.<br \/> N\u00e3o ser\u00e1 uma felicidade, neste mundo,<br \/>\n<br \/>podermos sofrer alguma coisa por amor de Deus? Quem nada tem, inda possui<br \/>\n<br \/>o cora\u00e7\u00e3o para dar.<br \/> E estou convicta de que o C\u00e9u nos abe n\u00e7oar\u00e1 pela nossa<br \/>\n<br \/>resolu\u00e7\u00e3o em servi-lo com alegria.<\/p>\n<p>O rapaz aconchegou-a ao peito e exclamou:<br \/>\n<br \/>\u2014Deus te aben\u00e7oe pelo entendimento das suas leis, irm\u00e3zinha!<br \/>\n<br \/>Longa pausa estabelecera-se entre ambos, enquanto mergulhavam no<br \/>\n<br \/>infinito da noite clara os olhos ternos e ansiosos.<\/p>\n<p>Em dado instante, voltou a jovem a considerar:<br \/>\n<br \/>\u2014Por que ser\u00e1 que os filhos de nossa ra\u00e7a s\u00e3o perseguidos em toda<br \/>\n<br \/>parte, provando injusti\u00e7a e sofrimentos?<br \/>\n<br \/>\u2014Suponho \u2014 respondeu o mo\u00e7o \u2014 que Deus o permite a exemplo do pai<br \/>\n<br \/>amoroso que, para educar os filhos mais jovens e ignorantes, toma por base os<br \/>\n<br \/>filhos mais experientes.<\/p>\n<p>Enquanto os outros povos amortecem for\u00e7as na domina\u00e7\u00e3o pela espada,<br \/>\n<br \/>ou nos prazeres conden\u00e1veis, nosso testemunho ao Alt\u00edssimo, pelas dores e<br \/>\n<br \/>amarguras, multiplica em nosso esp\u00edrito a capacidade de resist\u00eancia, ao<br \/>\n<br \/>mesmo tempo que os outros homens aprendem a considerar, com o nosso<br \/>\n<br \/>esfor\u00e7o, as verdades religiosas.<\/p>\n<p>E, fixando o olhar sereno no firmamento, acres centou:<br \/>\n<br \/>\u2014 Mas eu creio no Messias Redentor, que vir\u00e1 esclarec er todas as coisas.<\/p>\n<p>Os profetas nos afirmam que os homens n\u00e3o o compreender\u00e3o; entretanto, ele<br \/>\n<br \/>h\u00e1 de vir ensinando o amor, a caridade, a justi\u00e7a e o perd\u00e3o.<br \/> Nascer\u00e1 entre os<br \/>\n<br \/>humildes, exemplificar\u00e1 entre os pobres, iluminar\u00e1 o povo de Israel, levantar\u00e1<br \/>\n<br \/>os tristes e oprimidos, tomar\u00e1, com amor, todos os que pade cem no abandono<br \/>\n<br \/>do cora\u00e7\u00e3o.<br \/> Quem sabe, Abigail, estar\u00e1 ele no mundo, sem o sabermos? Deus<br \/>\n<br \/>opera em sil\u00eancio e n\u00e3o concorre com as vaidades da criatura.<br \/> Temos f\u00e9 e a<br \/>\n<br \/>nossa confian\u00e7a no C\u00e9u \u00e9 uma font e de for\u00e7a inesgot\u00c0vel.<br \/> Os filhos da nossa<br \/>\n<br \/>ra\u00e7a muito t\u00eam padecido, mas Deus saber\u00e1 por qu\u00ea, e n\u00e3o nos enviaria<br \/>\n<br \/>problemas de que n\u00e3o necessit\u00e1ssemos.<\/p>\n<p>A jovem pareceu meditar longamente e obtemperou, depois de alguns<br \/>\n<br \/>instantes:<br \/>\n<br \/>\u2014 E j\u00e1 que falamos em sofrimentos, como deveremos esperar o dia de<br \/>\n<br \/>amanh\u00e3? Prevejo grandes contra riedades no interrogat\u00f3rio e, afinal, que far\u00e3o<br \/>\n<br \/>os juizes de nosso pai e de n\u00f3s pr\u00f3prios?<br \/>\n<br \/>\u2014 N\u00e3o deveremos aguardar sen\u00e3o desgostos e de cep\u00e7\u00f5es, mas n\u00e3o<br \/>\n<br \/>esque\u00e7amos a oportunidade de obe decer a Deus &#8211; Quando experimentou a<br \/>\n<br \/>ironia de sua mulher.<br \/> nas desditas extremas, Job teve a boa lembran\u00e7a de que,<br \/>\n<br \/>se o Criador nos d\u00e1 os bens para nossa alegria, pode enviar -nos igualmente os<br \/>\n<br \/>dissabores para nosso proveito.<br \/> Se o papai for acusado, direi q ue fui eu o autor<br \/>\n<br \/>do delito.<\/p>\n<p>\u2014 E se te flagelarem por isso? \u2014 perguntou ela de olhos ansiosos.<\/p>\n<p>\u2014 Entregar-me-ei ao flag\u00edcio com a paz da cons ci\u00eancia &#8211; Se estiveres junto<br \/>\n<br \/>de mim, nesse instante, cantar\u00e1s comigo a prece dos que se encontram em<br \/>\n<br \/>afli\u00e7\u00e3o<br \/>\n<br \/>\u2014 E se te matarem, Jeziel?<br \/>\n<br \/>\u2014 Pediremos a Deus que nos proteja.<\/p>\n<p>22<br \/>\n<br \/>Abigail abra\u00e7ou mais ternamente o irm\u00e3o, que, por sua vez, dissimulava a<br \/>\n<br \/>custo a emo\u00e7\u00e3o que lhe ia nalma.<br \/> A irm\u00e3 querida constitu\u00edra sempre o tesouro<br \/>\n<br \/>afetivo de toda a sua vida.<br \/> Desde que a morte l hes arrebatara a genitora,<br \/>\n<br \/>dedicara-se \u00e0 irm\u00e3, com todas as veras do cora\u00e7\u00e3o.<br \/> Sua vida pura dividia -se<br \/>\n<br \/>entre o trabalho e a obedi\u00eancia ao pai; entre o estudo da lei e a afei\u00e7\u00e3o meiga<br \/>\n<br \/>companheira da inf\u00e2ncia.<br \/> Abigail contemplava -o.<br \/> ternamente, enquanto ele a<br \/>\n<br \/>abra\u00e7ava com o enlevo da amizade pura, que re\u00fane duas almas afins.<\/p>\n<p>Depois de meditar longos minutos, Jeziel falou co movido: \u2014 Se eu morrer,<br \/>\n<br \/>Abigail, h\u00e1s de prometer-me seguir \u00e0 risca aqueles conselhos da mam\u00e3e, para<br \/>\n<br \/>que tiv\u00e9ssemos a vida sem m\u00e1cula, ne ste mundo.<br \/> Lembrar-te-\u00e1s de Deus e da<br \/>\n<br \/>nossa vida de trabalho santificador, e nunca ouvir\u00e1s a voz das tenta\u00e7\u00f5es que<br \/>\n<br \/>arrastam as criaturas \u00e0 queda nos abismos do caminho.<\/p>\n<p>Recordas-te das \u00faltimas observa\u00e7\u00f5es da mam\u00e3e no leito da morte?<br \/>\n<br \/>\u2014 Se recordo \u2014 respondeu Abigail com uma l\u00e1grima.<br \/> \u2014 Tenho a<br \/>\n<br \/>impress\u00e3o de ouvir ainda as suas \u00faltimas palavras: \u201ce voc\u00eas, meus filhos,<br \/>\n<br \/>amar\u00e3o a Deus acima de tudo, de todo o cora\u00e7\u00e3o e de todo o entendimento\u201d.<\/p>\n<p>Jeziel sentiu os olhos \u00famidos, com aquelas recorda \u00e7\u00f5es, e murmurou:<br \/>\n<br \/>\u2014 Feliz de ti que n\u00e3o esqueceste.<\/p>\n<p>E como quem desejava mudar o rumo da conversa, acrescentou<br \/>\n<br \/>sensibilizado:<br \/>\n<br \/>\u2014 Agora precisas descansar.<\/p>\n<p>Embora ela se recusasse ao repouso, tomou -lhe o manto pobre, improvisou<br \/>\n<br \/>um leito \u00e0 luz ba\u00e7a do luar que penetrava pela s grades e, osculando-lhe a<br \/>\n<br \/>fronte com indiz\u00edvel ternura, advertiu afetuosamente:<br \/>\n<br \/>\u2014 Descansa, n\u00e3o te impressiones com a situa\u00e7\u00e3o, nosso destino pertence<br \/>\n<br \/>a Deus.<\/p>\n<p>Abigail, para lhe ser agrad\u00e1vel, aquietou -se como p\u00f4de, enquanto ele se<br \/>\n<br \/>aproximava da janela para contemplar a beleza da noite polvilhada de luz.<br \/> Seu<br \/>\n<br \/>cora\u00e7\u00e3o mo\u00e7o, atufava-se de angustiosas cogita\u00e7\u00f5es.<br \/> Agora que o pai e a<br \/>\n<br \/>irm\u00e3zinha repousavam na sombra, dava curso \u00e0s id\u00e9ias profundas que lhe<br \/>\n<br \/>empolgavam o esp\u00edrito generoso.<br \/> Buscava, ansiosamente, um a resposta \u00e0s<br \/>\n<br \/>interroga\u00e7\u00f5es que mandava \u00e0s estrelas distantes.<br \/> Esperava, com sinceridade e<br \/>\n<br \/>confian\u00e7a, no seu Deus de sabedoria e miseric\u00f3rdia, que os pais lhe haviam<br \/>\n<br \/>dado a conhecer.<\/p>\n<p>A seus olhos, o Todo-Poderoso sempre fora infinitamente justo e bom.<br \/> Ele,<br \/>\n<br \/>que esclarecera o genitor e consolara a irm\u00e3zinha, perguntava tamb\u00e9m, por<br \/>\n<br \/>sua vez, dentro de si, o porqu\u00ea das suas provas dolorosas.<br \/> Como se justificava,<br \/>\n<br \/>por causa t\u00e3o comezinha, a pris\u00e3o ines perada de um anci\u00e3o honesto, de um<br \/>\n<br \/>homem trabalhador e de uma crian\u00e7a inocente? Que delito irrepar\u00e1vel haviam<br \/>\n<br \/>praticado para merecer expia\u00e7\u00e3o t\u00e3o penosa? O pranto correu -lhe copioso ao<br \/>\n<br \/>relembrar a humilha\u00e7\u00e3o da irm\u00e3, mas tamb\u00e9m n\u00e3o procurou enxugar as<br \/>\n<br \/>l\u00e1grimas que lhe inundavam o rosto, de maneira a escond\u00ea -las de Abigail, que<br \/>\n<br \/>talvez o observasse na sombra.<br \/> Rememorava, um a um, todos os<br \/>\n<br \/>ensinamentos dos Escritos Sagrados.<br \/> As li\u00e7\u00f5es dos profetas consolavam -lhe a<br \/>\n<br \/>alma ansiosa.<br \/> Entretanto, vagava-lhe no cora\u00e7\u00e3o uma saudade infinita.<\/p>\n<p>Lembrava-se do carinho materno que a morte lhe arrebatara.<br \/> Se presente<br \/>\n<br \/>\u00e0quele transe, a m\u00e3e saberia como confort\u00e1 -los.<br \/> Quando crian\u00e7a, nas suas<br \/>\n<br \/>pequenas contrariedades, ela ensinava que, em tudo, Deus era bom e<br \/>\n<br \/>misericordioso; que, nas enfermidades, corrigia o corpo, e nas ang\u00fasti as da<br \/>\n<br \/>alma esclarecia, iluminava o cora\u00e7\u00e3o; no desfile das reminisc\u00eancias,<br \/>\n<br \/>23<br \/>\n<br \/>considerava igualmente que ela sempre o incitara \u00e0 coragem e \u00e0 alegria,<br \/>\n<br \/>fazendo-lhe sentir que a criatura convicta da paternidade divina anda, no<br \/>\n<br \/>mundo, fortalecida e feliz.<\/p>\n<p>Edificado na f\u00e9, cobrou \u00e2nimo e, depois de longas reflex\u00f5es, aquietou -se na<br \/>\n<br \/>laje fria, procurando o repouso poss\u00edvel no sil\u00eancio augusto da noite.<\/p>\n<p>O dia amanheceu prenhe de l\u00fagubres expectativas.<\/p>\n<p>Dentro de poucas horas, Lic\u00ednio Min\u00facio, rodeado de numerosos guard as e<br \/>\n<br \/>sat\u00e9lites, recebeu os prisionei ros na sala destinada aos criminosos comuns,<br \/>\n<br \/>onde se ostentavam alguns instrumentos de puni\u00e7\u00e3o e supl\u00edcio.<\/p>\n<p>Jochedeb e os filhos tra\u00edam na palidez do semblante a emo\u00e7\u00e3o profunda<br \/>\n<br \/>que os dominava.<\/p>\n<p>Os costumes da \u00e9poca eram excessivamente desumanos para que o juiz<br \/>\n<br \/>implac\u00e1vel e a maioria dos cir cunstantes se inclinassem \u00e0 comisera\u00e7\u00e3o pelo<br \/>\n<br \/>aspecto desditoso deles.<\/p>\n<p>Alguns esbirros perfilavam-se junto dos potros de castigo, de onde pendiam<br \/>\n<br \/>a\u00e7oites e algemas impiedosos.<\/p>\n<p>N\u00e3o houve interrogat\u00f3rio, nem depoimento de tes temunhas, como seria de<br \/>\n<br \/>esperar antes de provid\u00eancias t\u00e3o odiosas, e, chamado rudemente pela voz<br \/>\n<br \/>met\u00e1lica do legado, o velho judeu aproximou -se vacilante e tr\u00eamulo:<br \/>\n<br \/>\u2014 Jochedeb \u2014 exclamou o algoz impass\u00edvel e sa nhudo \u2014, os que<br \/>\n<br \/>desacatam as leis do Imp\u00e9rio devem ser punidos de morte, mas eu procurei ser<br \/>\n<br \/>magn\u00e2nimo, em considera\u00e7\u00e3o \u00e0 tua velhice desamparada.<\/p>\n<p>Um olhar de angustiada expecta\u00e7\u00e3o transfigurou o rosto do acusado,<br \/>\n<br \/>enquanto o patr\u00edcio esbo\u00e7ava um sor riso ir\u00f4nico.<\/p>\n<p>\u2014Alguns oper\u00e1rios l\u00e1 da herdade \u2014 continuou Lic\u00ednio \u2014 viram-te as m\u00e3os<br \/>\n<br \/>perversas na tarde de ontem, quando incendiaste as pastagens.<br \/> Esse ato<br \/>\n<br \/>redundou em s\u00e9rios preju\u00edzos para os meus interesses, al\u00e9m de ocasio nar<br \/>\n<br \/>males talvez irrepar\u00e1veis \u00e0 sa\u00fade d e dois servos mui prestimosos.<br \/> Como nada<br \/>\n<br \/>tens de teu para compensar o dano causado, receber\u00e1s o justo corretivo em<br \/>\n<br \/>flagela\u00e7\u00f5es, para que nunca mais venhas a erguer tuas garras de abutre contra<br \/>\n<br \/>os interesses romanos.<\/p>\n<p>Sob o olhar angustiado e lacrimoso dos f ilhos, o velho israelita ajoelhou-se<br \/>\n<br \/>e murmurou:<br \/>\n<br \/>\u2014Senhor, por piedade!<br \/>\n<br \/>\u2014Piedade? \u2014 berrou Min\u00facio com rispidez.<br \/> \u2014 Cometes um crime e<br \/>\n<br \/>imploras favores? Bem se diz que tua ra\u00e7a se comp\u00f5e de vermes asquerosos e<br \/>\n<br \/>desprez\u00edveis.<\/p>\n<p>E, designando o tronco, disse f riamente a um dos sequazeS:<br \/>\n<br \/>\u2014Pesc\u00eanio, avia-te! Vergasta-o vinte vezes.<\/p>\n<p>Ante a muda afli\u00e7\u00e3o dos jovens, o respeit\u00e1vel anci\u00e3o foi solidamente<br \/>\n<br \/>algemado.<\/p>\n<p>O castigo ia come\u00e7ar quando Jeziel, rompendo a expectativa geral,<br \/>\n<br \/>aproximou-se da mesa e falou com humildade:<br \/>\n<br \/>\u2014Questor Ilustr\u00edssimo, perdoai minha covardia de haver calado at\u00e9 agora;<br \/>\n<br \/>asseguro-vos, por\u00e9m, que meu pai est\u00e1 sendo acusado injustamente.<br \/> Fui eu<br \/>\n<br \/>quem incendiou os terrenos de vossa propriedade, perturbado pela senten\u00e7a<br \/>\n<br \/>de confisco exarada contra n\u00f3s.<br \/> Dignai-vos, pois, libert\u00e1-lo e dar-me a mim a<br \/>\n<br \/>merecida puni\u00e7\u00e3o.<br \/> Aceit\u00e1-la-ei de bom grado.<\/p>\n<p>O patr\u00edcio teve um lampejo de surpresa nos olhos frios, que se<br \/>\n<br \/>caracterizavam por mobilidade extrema, e acentuou:<br \/>\n<br \/>24<br \/>\n<br \/>\u2014Mas, n\u00e3o auxiliaste os meus homens a salvar um a parte das termas?<br \/>\n<br \/>N\u00e3o foste o primeiro a medicar Ruf\u00edlio?<br \/>\n<br \/>&#8211; Assim fiz levado pelo remorso, ilustr\u00edssimo -retrucou o rapaz, ansioso por<br \/>\n<br \/>isentar o pai do supl\u00edcio iminente -; quando vi a extens\u00e3o do fogo comunicando &#8211;<br \/>\n<br \/>se \u00e0s \u00e1rvores, temi as conseq\u00fc\u00eancias do ato praticado, mas, agora, confesso<br \/>\n<br \/>ter sido o seu autor.<\/p>\n<p>Nesse \u00ednterim, receoso pela sorte do filho, Jochedeb exclamou,<br \/>\n<br \/>\u00edntimamente atormentado:<br \/>\n<br \/>&#8211; Jeziel, n\u00e3o te inculpes por uma falta que n\u00e3o cometeste!.<br \/>.<br \/>.<\/p>\n<p>Mas, pontilhando as palavras com extrema ironia, o legado replicou,<br \/>\n<br \/>dirigindo-se ao mo\u00e7o hebreu:<br \/>\n<br \/>&#8211; Est\u00e1 bem: poupei-te at\u00e9 agora, baseado nas falsas informa\u00e7\u00f5es que me<br \/>\n<br \/>deram a teu respeito; contudo, ter\u00e1s tamb\u00e9m o teu quinh\u00e3o de disciplina<br \/>\n<br \/>indispens\u00e1vel.<br \/> Teu pai pagar\u00e1 pelo crime em que foi visto, de ma neira ineg\u00e1vel;<br \/>\n<br \/>e tu pagar\u00e1s pelo que confessaste espontaneamente.<\/p>\n<p>Colhido de surpresa pela decis\u00e3o que n\u00e3o esperava, Jeziel foi conduzido ao<br \/>\n<br \/>poste de tortura, em frente da ang\u00fastia paterna.<br \/> A seu lado, postou -se o<br \/>\n<br \/>companheiro de Pesc\u00eanio, que o atou sem p iedade aos elos de bronze, e as<br \/>\n<br \/>primeiras vergastadas come\u00e7aram a lamber -lhe o dorso, impiedosas,<br \/>\n<br \/>is\u00f3cronas.<\/p>\n<p>Uma.<br \/>.<br \/>.<br \/> duas.<br \/>.<br \/>.<br \/> tr\u00eas.<br \/>.<br \/>.<\/p>\n<p>Jochedeb revelava profunda debilidade, vendo -se-lhe o peito a arfar<br \/>\n<br \/>penosamente, ao passo que o filho demonstrava tolerar o supl\u00edcio com<br \/>\n<br \/>heroismo e nobre serenidade; ambos de olhos fixos em Abigail, que os<br \/>\n<br \/>contemplava excessivamente p\u00e1lida, entremostrando nas l\u00e1grimas ardentes<br \/>\n<br \/>que derramava o cruciante mart\u00edrio do seu esp\u00edrito afetuoso.<\/p>\n<p>A puni\u00e7\u00e3o terr\u00edvel ia quase a meio, quand o um mensageiro entrou no<br \/>\n<br \/>recinto e, em voz alta, anunciou ao legado, em tom solene:<br \/>\n<br \/>&#8211; Ilustr\u00edssimo, portadores de vossa casa participam que o servo Ruf\u00edlio<br \/>\n<br \/>acaba de falecer.<\/p>\n<p>O cruel patr\u00edcio franziu o sobrolho como costumava fazer nos momentos de<br \/>\n<br \/>explos\u00e3o col\u00e9rica.<br \/> Sentimentos rancorosos lhe afloraram \u00e0 face, que a<br \/>\n<br \/>perversidade de ego\u00edsmo exacerbado vincara de tra\u00e7os indel\u00e9veis.<\/p>\n<p>\u2014 Era o melhor dos meus homens \u2014 bradou.<br \/> \u2014Estes judeus malditos<br \/>\n<br \/>pagar\u00e3o muito caro esta afronta.<\/p>\n<p>\u2014Fil\u00f3crio, aplica-lhe mais vinte vergastadas e, em seguida, leva -o \u00e0 pris\u00e3o,<br \/>\n<br \/>de onde dever\u00e1 seguir para o cativeiro nas galeras.<\/p>\n<p>Entre as pobres v\u00edtimas e a jovem aflita trocou -se um olhar de significa\u00e7\u00e3o<br \/>\n<br \/>intraduz\u00edvel.<\/p>\n<p>Aquele cativeiro era a ru\u00edna e a morte.<br \/> E ainda n\u00e3o se haviam recobr ado da<br \/>\n<br \/>cruel surpresa, quando o juiz inexor\u00e1vel prosseguiu:<br \/>\n<br \/>\u2014Quanto a ti, Pesc\u00eanio, renova a tarefa.<br \/> Esse velho, criminoso e sem<br \/>\n<br \/>escr\u00fapulos, pagar\u00e1 a morte do meu fiel servidor.<br \/> Golpeia -lhe as m\u00e3os e os p\u00e9s<br \/>\n<br \/>at\u00e9 que fique impossibilitado de caminhar e prat icar o mal.<\/p>\n<p>Ante a senten\u00e7a in\u00edqua, Abigail caiu de joelhos, em preces ardentes.<br \/> Do<br \/>\n<br \/>peito do irm\u00e3o escapavam fundos suspiros, nevoando -se-lhe os olhos de<br \/>\n<br \/>l\u00e1grimas dolorosas, ao conjeturar a inexor\u00e1vel desdita da irm\u00e3zinha, enquan to<br \/>\n<br \/>o pai lhes buscava ansiosamente o olhar, receoso da hora extrema.<\/p>\n<p>As vergastadas continuavam sem tr\u00e9gua, mas, de uma feita, Pesc\u00eanio n\u00e3o<br \/>\n<br \/>conseguira equilibrar-se e a agu\u00e7ada ponta de bronze do a\u00e7oite lanhou fundo a<br \/>\n<br \/>25<br \/>\n<br \/>garganta do pobre israelita, jorrando o sangue em borbot\u00f5es.<br \/> Os filhos<br \/>\n<br \/>compreenderam a gravidade da situa\u00e7\u00e3o e entreolharam -se ansiosos.<br \/> Em<br \/>\n<br \/>preces de sublimado fervor, Abigail dirigia -se a Deus, \u00e0quele Deus terno e<br \/>\n<br \/>amoroso que sua m\u00e3e lhe ensinara a adorar.<br \/> Fil\u00f3crio conclu\u00edrs a sua<br \/>\n<br \/>empreitada.<\/p>\n<p>A fronte de Jeziel erguia-se a custo, exibindo pastoso suor tisnado de<br \/>\n<br \/>sangue.<br \/> Os olhos fixavam-se na irm\u00e3 muito amada, mas, em todo o seu as &#8211;<br \/>\n<br \/>pecto, deixava transparecer profunda fraqueza, que lhe anulava as \u00faltimas<br \/>\n<br \/>resist\u00eancias.<br \/> Incapaz de definir os pr\u00f3prios pensamentos, Abiga il repartia sua<br \/>\n<br \/>aten\u00e7\u00e3o angustiada com o pai e o irm\u00e3o; todavia, em breves instan tes, ao fluxo<br \/>\n<br \/>incessante do sangue que corria abundante, Jochedeb deixou pender, para<br \/>\n<br \/>sempre, a cabe\u00e7a alvejada de cabelos brancos.<br \/> O sangue alagara as vestes e<br \/>\n<br \/>empastava-se-lhe nos p\u00e9s.<\/p>\n<p>Sob o olhar cruel do legado, ningu\u00e9m ousou articular palavra.<br \/> Apenas o<br \/>\n<br \/>a\u00e7oite, cortando o ambiente morno da sala, quebrava o sil\u00eancio num silvo<br \/>\n<br \/>singular.<br \/> Mas, notaram que do peito da v\u00edtima ainda se escapavam palavras<br \/>\n<br \/>confusas, das quais sobressaiam as carinhosas express\u00f5es:<br \/>\n<br \/>\u2014Meus filhos, meus queridos filhos!.<br \/>.<br \/>.<\/p>\n<p>A jovem talvez n\u00e3o pudesse compreender que che gara o momento<br \/>\n<br \/>decisivo, mas Jeziel, n\u00e3o obstante o terr\u00edvel sofrimento daquela hora, tudo<br \/>\n<br \/>compreendeu e, num esfor\u00e7o profundo, gritou para a irm\u00e3:<br \/>\n<br \/>\u2014Abigail, papai est\u00e1 expirando; tem coragem, con fia.<br \/>.<br \/>.<br \/> N\u00e3o posso<br \/>\n<br \/>acompanhar-te na ora\u00e7\u00e3o.<br \/>.<br \/>.<br \/> mas fazes por todos n\u00f3s.<br \/>.<br \/>.<br \/> a prece dos aflitos.<br \/>.<br \/>.<\/p>\n<p>Dando mostras de f\u00e9 invej\u00e1vel em t\u00e3o amarguradas circunst\u00e2ncias, a<br \/>\n<br \/>jovem, de joelhos, fixou longamente o velho pai cujo peito j\u00e1 n\u00e3o arfava;<br \/>\n<br \/>depois, erguendo os olhos ao Alto, come\u00e7ou a cantar com voz tr\u00eamula, por\u00e9m<br \/>\n<br \/>harmoniosa e cristalina:<br \/>\n<br \/>\u201cSenhor Deus, pai dos que choram,<br \/>\n<br \/>Dos tristes, dos oprimidos,<br \/>\n<br \/>Fortaleza dos vencidos,<br \/>\n<br \/>Consolo de toda a dor,<br \/>\n<br \/>Embora a mis\u00e9ria amarga<br \/>\n<br \/>Dos prantos de nosso erro,<br \/>\n<br \/>Deste mundo de desterro<br \/>\n<br \/>Clamamos por vosso amor!<br \/>\n<br \/>Nas afli\u00e7\u00f5es do caminho,<br \/>\n<br \/>Na noite mais tormentosa,<br \/>\n<br \/>Vossa fonte generosa<br \/>\n<br \/>\u00c9 o bem que n\u00e3o secar\u00e1.<\/p>\n<p>Sois, em tudo, a luz eterna<br \/>\n<br \/>Da alegria e da bonan\u00e7a,<br \/>\n<br \/>Nossa porta de esperan\u00e7a<br \/>\n<br \/>Que nunca se fechar\u00e1.<br \/>\u201d<br \/>\n<br \/>Suas express\u00f5es vocais enchiam o ambiente de so noridade indefin\u00edvel.<br \/> O<br \/>\n<br \/>canto semelhava-se mais a um gorjeio de dor de um rouxinol que cantasse,<br \/>\n<br \/>ferido, numa alvorada de primavera.<br \/> T\u00e3o grande, t\u00e3o sincera se lh e revelava a<br \/>\n<br \/>f\u00e9 no Todo-Poderoso, que sua atitude geral era a de uma filha carinhosa e<br \/>\n<br \/>26<br \/>\n<br \/>obediente, comunicando-se com o pai silencioso e invis\u00edvel.<br \/> O pranto<br \/>\n<br \/>perturbava-lhe a voz tr\u00eamula, mas repetia com desassombro a prece aprendida<br \/>\n<br \/>no lar, com a mais formosa express\u00e3o de confian\u00e7a no Alt\u00edssimo.<\/p>\n<p>Penosa emo\u00e7\u00e3o apossara-se de todos.<br \/> Que fazer com uma crian\u00e7a<br \/>\n<br \/>cantando o supl\u00edcio dos seus entes amados e a crueldade dos seus verdugos?<br \/>\n<br \/>Soldados e guardas presentes mal dissimulavam a emo\u00e7\u00e3o.<br \/> O pr\u00f3prio questor<br \/>\n<br \/>parecia imobilizado, como que submetido a enfadonho mal -estar.<br \/> Abigail,<br \/>\n<br \/>estranha \u00e0 perversidade das criatu ras, suplicando o amparo do Onipotente, n\u00e3o<br \/>\n<br \/>sabia que o c\u00e2ntico era in\u00fatil \u00e0 salva\u00e7\u00e3o dos seus, mas que desper taria a<br \/>\n<br \/>comisera\u00e7\u00e3o pela sua inoc\u00eancia, ga nhando-lhe, assim, a liberdade.<\/p>\n<p>Recobrando alento e percebendo que a cena ferira a sensibilidade geral,<br \/>\n<br \/>Lic\u00ednio esfor\u00e7ou-se por n\u00e3o perder a dureza de esp\u00edrito e recomendou a um dos<br \/>\n<br \/>velhos servidores, em tom imperioso:<br \/>\n<br \/>\u2014 Justino, leva esta mulher para a r ua e solta-a, mas que n\u00e3o cante mais,<br \/>\n<br \/>nem mesmo uma nota!<br \/>\n<br \/>Diante da ordem retumbante, Abigail n\u00e3o terminou a ora\u00e7\u00e3o, emudecendo<br \/>\n<br \/>instantaneamente, como se obede cesse a estranho estacato.<\/p>\n<p>Lan\u00e7ou ao cad\u00e1ver ensang\u00fcentado do pai um olhar inesquec\u00edvel e, logo<br \/>\n<br \/>contemplando o irm\u00e3o ferido e algemado, com quem trocava as mais \u00edntimas<br \/>\n<br \/>impress\u00f5es na linguagem dos olhos doridos e ansiosos, sentiu -se tocada pela<br \/>\n<br \/>m\u00e3o calosa de um velho soldado que lhe dizia em voz quase \u00e1spera:<br \/>\n<br \/>\u2014 Acompanha-me!<br \/>\n<br \/>Ela estremeceu; todavia, endere\u00e7ando a Jeziel o der radeiro e significativo<br \/>\n<br \/>olhar, seguiu o preposto de Min\u00fa cio, sem resist\u00eancia.<br \/> Ap\u00f3s atravessar<br \/>\n<br \/>in\u00fameros corredores \u00famidos e sombrios, Justino, modificando sensivelmente a<br \/>\n<br \/>voz, deu-lhe a perceber extrema simpatia por sua figu ra quase infantil,<br \/>\n<br \/>murmurando-lhe ao ouvido, comovidamente:<br \/>\n<br \/>\u2014Minha filha, tamb\u00e9m sou pai e compreendo o teu mart\u00edrio.<br \/> Se queres<br \/>\n<br \/>atender a um amigo, escuta o meu conselho.<br \/> Foge de Corinto a toda pressa.<\/p>\n<p>Vale-te deste instante de sensibilidade dos teus verdugo s e n\u00e3o voltes aqui.<\/p>\n<p>Abigail cobrou algum \u00e2nimo e, sentindo -se encorajada por aquela simpatia<br \/>\n<br \/>imprevista, perguntou extremamente perturbada:<br \/>\n<br \/>\u2014E meu pai?<br \/>\n<br \/>\u2014Teu pai descansou para sempre \u2014 murmurou o generoso soldado.<\/p>\n<p>O pranto da jovem se fez mais copios o, borbulhando-lhe dos olhos tristes.<\/p>\n<p>Todavia, ansiosa por defender -se contra a perspectiva de solid\u00e3o, perguntou<br \/>\n<br \/>ainda:<br \/>\n<br \/>\u2014Mas.<br \/>.<br \/>.<br \/> e meu irm\u00e3o?<br \/>\n<br \/>\u2014Ningu\u00e9m volta do cativeiro das galeras \u2014 respondeu Justino com olhar<br \/>\n<br \/>significativo.<\/p>\n<p>Abigail levou as m\u00e3os pequeninas ao peito, desejando afogar a pr\u00f3pria dor.<\/p>\n<p>Os gonzos de velha porta ran geram vagarosamente e o seu inesperado<br \/>\n<br \/>protetor exclamou, apontando a rua movimentada:<br \/>\n<br \/>\u2014Vai em paz e que os deuses te protejam.<\/p>\n<p>A pobre criatura n\u00e3o tardou a sentir o insulam ento entre as fileiras de<br \/>\n<br \/>transeuntes que cruzavam, apressa dos, a via p\u00fablica.<br \/> Habituada aos carinhos<br \/>\n<br \/>dom\u00e9sticos, no lar onde o idioma paterno substitu\u00eda a linguagem das ruas,<br \/>\n<br \/>sentiu-se estranha no meio de tantas criaturas inquietas, assoberbadas de<br \/>\n<br \/>interesses e preocupa\u00e7\u00f5es materiais.<br \/> Ningu\u00e9m lhe notava as l\u00e1grimas,<br \/>\n<br \/>nenhuma voz amiga procurava inteirar -se das suas \u00edntimas ang\u00fastias.<\/p>\n<p>27<br \/>\n<br \/>Estava s\u00f3! Sua m\u00e3e fora chamada por Deus, anos antes; seu pai acabava<br \/>\n<br \/>de sucumbir covardemente assas sinado; o irm\u00e3o, prisioneiro e cativo, sem<br \/>\n<br \/>esperan\u00e7a de remiss\u00e3o.<br \/> Apesar do sol do meio -dia, tinha a sensa\u00e7\u00e3o de<br \/>\n<br \/>intenso frio.<br \/> Deveria regressar ao ninho dom\u00e9stico?<br \/>\n<br \/>Mas, com que fim, se haviam sido expulsos? A quem confiar sua enorme<br \/>\n<br \/>desdita?<br \/>\n<br \/>Lembrou-se de uma velha amiga da fam\u00edlia.<br \/> Procurou-a.<br \/> A vi\u00fava Sost\u00eania,<br \/>\n<br \/>muito afei\u00e7oada \u00e0 sua m\u00e3e, recebeu -a com o sorriso generoso da sua velhice<br \/>\n<br \/>bondosa.<\/p>\n<p>Desfeita em pranto, a infortunada contou -lhe todo o sucedido.<\/p>\n<p>A veneranda velhinha, acariciando -lhe a cabeleira anelada, falou comovida :<br \/>\n<br \/>\u2014Nas persegui\u00e7\u00f5es passadas, nossos sofrimentos foram os mesmos.<\/p>\n<p>E dando a entender que n\u00e3o desejava reviver antigas e dolorosas<br \/>\n<br \/>reminisc\u00eancias, Sost\u00eania acentuou:<br \/>\n<br \/>\u2014 \u00c9 indispens\u00e1vel o m\u00e1ximo de coragem nas situa \u00e7\u00f5es penosas como<br \/>\n<br \/>esta.<br \/> N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil elevar o cora\u00e7\u00e3o em meio de t\u00e3o terr\u00edveis escombros; mas \u00e9<br \/>\n<br \/>preciso confiar em Deus nas horas mais amargas.<br \/> Que contas fazer, agora que<br \/>\n<br \/>todos os recursos desapareceram? Por minha vez, nada te posso oferecer,<br \/>\n<br \/>sen\u00e3o o cora\u00e7\u00e3o amigo, pois tamb\u00e9m aqui estou por esmo la da pobre fam\u00edlia<br \/>\n<br \/>que me agasalhou caridosamente, na \u00faltima tempestade da minha vida.<\/p>\n<p>\u2014 Sost\u00eania \u2014 disse Abigail suspirando \u2014, meus pais me prepararam para<br \/>\n<br \/>uma exist\u00eancia de corajoso esfor\u00e7o pr\u00f3prio.<br \/> Estou pensando em recorrer ao<br \/>\n<br \/>legado e suplicar-lhe um cantinho da nossa ch\u00e1cara para ali viver uma vida<br \/>\n<br \/>honesta, na esperan\u00e7a de reaver Jeziel e sua fraterna companhia.<br \/> Que pensas<br \/>\n<br \/>a respeito?<br \/>\n<br \/>Notando a indecis\u00e3o da veneranda amiga, continuou:<br \/>\n<br \/>\u2014 Quem sabe o questor Lic\u00ednio se condoer\u00e1 da mi nha sorte? Minha<br \/>\n<br \/>resolu\u00e7\u00e3o talvez o enterne\u00e7a; voltarei para casa e levar -te-ei comigo.<br \/> Ser-meias<br \/>\n<br \/>uma segunda m\u00e3e para o resto da vida.<\/p>\n<p>Sost\u00eania conchegou-a de encontro ao cora\u00e7\u00e3o e acen tuou de olhos<br \/>\n<br \/>\u00famidos:<br \/>\n<br \/>\u2014Minha querida, tu \u00e9s um anjo, mas o mundo ainda \u00e9 propriedade dos<br \/>\n<br \/>maus.<br \/> Viveria contigo eternamente, minha boa Abigail; entretanto, n\u00e3o<br \/>\n<br \/>conheces o legado nem a sua camarilha.<br \/> Ouve, filha! \u00c9 preciso que fujas de<br \/>\n<br \/>Corinto, de modo a n\u00e3o incidires em mais duras humilha\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>A mo\u00e7a teve uma exclama\u00e7\u00e3o de abatimento e, de pois de longa pausa,<br \/>\n<br \/>acrescentou:<br \/>\n<br \/>\u2014Aceitarei teus conselhos, mas, antes de qualquer provid\u00eancia, necessito<br \/>\n<br \/>voltar a casa.<\/p>\n<p>\u2014Para qu\u00ea? \u2014 interrogou a amiga admirada.<br \/> \u2014 \u00c9 imprescind\u00edvel que<br \/>\n<br \/>partas quanto antes.<br \/> N\u00e3o voltes ao lar.<br \/> A esta hora, \u00e9 poss\u00edvel j\u00e1 esteja<br \/>\n<br \/>ocupado por homens sem escr\u00fapulos, que te n\u00e3o respeitariam.<br \/> Con v\u00e9m-te uma<br \/>\n<br \/>atitude de sincera fortaleza moral, pois vivemos uma \u00e9poca em que<br \/>\n<br \/>necessitamos fugir da perdi\u00e7\u00e3o, como Lot e seus familiares, correndo o risco de<br \/>\n<br \/>sermos transformados em est\u00e1tua in\u00fatil, se olharmos para tr\u00e1s.<\/p>\n<p>A irm\u00e3 de Jeziel bebia-lhe as palavras com dolorosa estranheza, em face<br \/>\n<br \/>do imprevisto da situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Passado um momento, Sost\u00eania levou a m\u00e3o \u00e0 fron te, como a recordar<br \/>\n<br \/>uma provid\u00eancia oportuna e falou com anima\u00e7\u00e3o:<br \/>\n<br \/>\u2014Lembras-te de Zacarias, filho de Hanan?<br \/>\n<br \/>28<br \/>\n<br \/>\u2014Aquele amigo da estrada de Cencr\u00e9ia?<br \/>\n<br \/>\u2014Ele mesmo.<br \/> Fui informada de que, em compa nhia da esposa, prepara-se<br \/>\n<br \/>para deixar definitivamente a Acaia, por haver sido assassinado pelos romanos<br \/>\n<br \/>irrespons\u00e1veis, nestes \u00faltimos dias, o seu \u00fanico filho.<\/p>\n<p>Confortada por ardente esperan\u00e7a, conclu\u00eda com ansiedade:<br \/>\n<br \/>\u2014Corre \u00e0 casa de Zacarias! Se ainda o encontra res, fala-lhe em meu<br \/>\n<br \/>nome.<br \/> Pede-lhe acolhimento.<br \/> Ruth \u00e9 um cora\u00e7\u00e3o generoso e n\u00e3o deixar\u00e1 de<br \/>\n<br \/>estender-te as m\u00e3os generosas e fraternais; sei que ela te receber\u00e1 com<br \/>\n<br \/>afagos maternos!.<br \/>.<br \/>.<\/p>\n<p>Abigail tudo ouvia, parecendo indiferente \u00e0 pr\u00f3pria sorte.<br \/> Mas Sost\u00eania f\u00ea &#8211;<br \/>\n<br \/>la considerar a necessidade do recurso e, decorridos minutos de consola\u00e7\u00f5es<br \/>\n<br \/>rec\u00edprocas, a jovem, sob o calor causticante das primeiras horas da tarde, p\u00f4s &#8211;<br \/>\n<br \/>se a caminho para Cencr\u00e9ia, dando a impress\u00e3o de um aut\u00f4mato que vagasse<br \/>\n<br \/>na estrada, a que v\u00e1rios ve\u00edculos e in\u00fameros pedestres imprimiam consider\u00e1vel<br \/>\n<br \/>movimento.<br \/> O porto de Cencr\u00e9ia ficava a certa dist\u00e2ncia do c entro de Corinto.<\/p>\n<p>Situado de maneira a servir \u00e0s comunica\u00e7\u00f5es com o Oriente, seus bairros<br \/>\n<br \/>populosos estavam cheios de fam\u00edlias israelitas, fixadas de longa data nas<br \/>\n<br \/>regi\u00f5es da Acaia, ou em tr\u00e2nsito para a capital do Imp\u00e9rio e adjac\u00eancias.<br \/> A<br \/>\n<br \/>irm\u00e3 de Jeziel chegou \u00e0 casa de Zacarias dominada por terr\u00edvel abatimento.<\/p>\n<p>Aliado \u00e0 vig\u00edlia da \u00faltima noite e \u00e0s ang\u00fastias do dia, penoso cansa\u00e7o f\u00edsico lhe<br \/>\n<br \/>agravava os desalentos.<br \/> Pernas tr\u00f4pegas, a relembrar o pai morto e o irm\u00e3o<br \/>\n<br \/>prisioneiro, n\u00e3o reparava em si pr\u00f3pria , no m\u00edsero estado do seu organismo<br \/>\n<br \/>enfermo e desnutrido.<br \/> Somente ao defrontar a modesta morada do amigo,<br \/>\n<br \/>verificou que a febre come\u00e7ava a devorar-lhe as entranhas, obrigando-a a<br \/>\n<br \/>refletir nas suas dolorosas necessidades.<\/p>\n<p>Zacarias e Ruth, sua mulher, atend endo ao chamado, receberam-na<br \/>\n<br \/>espantados e aflitos.<\/p>\n<p>\u2014 Abigail!.<br \/>.<br \/>.<\/p>\n<p>O grito de ambos revelava grande surpresa, com o aspecto da jovem<br \/>\n<br \/>despenteada, face esfogueada, olhos fundos e vestes em desalinho.<\/p>\n<p>A filha de Jochedeb, perturbada pela fraqueza e pela febre , rojou-se aos<br \/>\n<br \/>p\u00e9s do casal, exclamando em tom lancinante:<br \/>\n<br \/>\u2014 Meus amigos, tende piedade do meu infort\u00fa nio!.<br \/>.<br \/>.<br \/> Nossa boa Sost\u00eania<br \/>\n<br \/>lembrou-me vosso afeto, no transe doloroso por que passo.<br \/> Eu, que j\u00e1 n\u00e3o<br \/>\n<br \/>tinha m\u00e3e, tive hoje meu pai assassinado e Jeziel esc ravizado sem remiss\u00e3o.<\/p>\n<p>Se \u00e9 verdade que partireis de Corinto, levai -me, por compaix\u00e3o, em vossa<br \/>\n<br \/>companhia!<br \/>\n<br \/>Abigail abra\u00e7ava-se agora a Ruth, ansiosamente, enquanto a amiga a<br \/>\n<br \/>acarinhava entre l\u00e1grimas.<\/p>\n<p>Solu\u00e7ante, a jovem relatou os fatos da v\u00e9spera e os tri stes epis\u00f3dios<br \/>\n<br \/>daquele dia.<\/p>\n<p>Zacarias, cujo cora\u00e7\u00e3o paterno acabava de sofrer tremendo golpe, abra\u00e7ou &#8211;<br \/>\n<br \/>a com afeto e amparou-a sensibilizado, exclamando sol\u00edcito:<br \/>\n<br \/>\u2014 Dentro de uma semana voltaremos \u00e0 Palestina.<br \/> Ainda n\u00e3o sei bem onde<br \/>\n<br \/>nos vamos fixar, mas n\u00f3s, que perdemos o filho querido, teremos em ti uma<br \/>\n<br \/>filha estremecida.<br \/> Acalma-te! Ir\u00e1s conosco, ser\u00e1s nossa filha para sempre.<\/p>\n<p>Incapaz de traduzir seu jubiloso agradecimento, ator mentada pela<br \/>\n<br \/>febre alta, a jovem ajoelhou-se, em pranto, procurando ex ternar sua gratid\u00e3o<br \/>\n<br \/>carinhosa e sincera.<br \/> Ruth tomou -a ternamente nos bra\u00e7os e, qual desvelado<br \/>\n<br \/>anjo maternal, conduziu-a a um leito macio, onde Abigail, assistida pelos dois<br \/>\n<br \/>29<br \/>\n<br \/>amigos generosos, delirou tr\u00eas dias.<br \/> entre a vida e a morte.<\/p>\n<div class=\"pvc_clear\"><\/div>\n<p id=\"pvc_stats_18667\" class=\"pvc_stats all  \" data-element-id=\"18667\" style=\"\"><i class=\"pvc-stats-icon medium\" aria-hidden=\"true\"><svg aria-hidden=\"true\" focusable=\"false\" data-prefix=\"far\" data-icon=\"chart-bar\" role=\"img\" xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\" viewBox=\"0 0 512 512\" class=\"svg-inline--fa fa-chart-bar fa-w-16 fa-2x\"><path fill=\"currentColor\" d=\"M396.8 352h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8V108.8c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v230.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8zm-192 0h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8V140.8c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v198.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8zm96 0h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8V204.8c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v134.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8zM496 400H48V80c0-8.84-7.16-16-16-16H16C7.16 64 0 71.16 0 80v336c0 17.67 14.33 32 32 32h464c8.84 0 16-7.16 16-16v-16c0-8.84-7.16-16-16-16zm-387.2-48h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8v-70.4c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v70.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8z\" class=\"\"><\/path><\/svg><\/i> <img decoding=\"async\" width=\"16\" height=\"16\" alt=\"Loading\" data-src=\"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/wp-content\/plugins\/page-views-count\/ajax-loader-2x.gif\" border=0 src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" class=\"lazyload\" style=\"--smush-placeholder-width: 16px; --smush-placeholder-aspect-ratio: 16\/16;\" \/><\/p>\n<div class=\"pvc_clear\"><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A pris\u00e3o que recebera as nossas personagens, em Corinto, era um velho casar\u00e3o de corredores \u00famidos e escuros, mas a sala destinada aos tr\u00eas, conquanto desprovida de qualquer conforto, apresentava a vantagem de uma janela gradeada, que comunicava o ambiente desolado com a natureza exterior. Jochedeb estava cansad\u00edssimo e, servindo -se do manto que apanhara&hellip; <br \/> <a class=\"read-more\" href=\"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/artigo18667\/\">Leia mais<\/a><\/p>\n<div class=\"pvc_clear\"><\/div>\n<p id=\"pvc_stats_18667\" class=\"pvc_stats all  \" data-element-id=\"18667\" style=\"\"><i class=\"pvc-stats-icon medium\" aria-hidden=\"true\"><svg aria-hidden=\"true\" focusable=\"false\" data-prefix=\"far\" data-icon=\"chart-bar\" role=\"img\" xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\" viewBox=\"0 0 512 512\" class=\"svg-inline--fa fa-chart-bar fa-w-16 fa-2x\"><path fill=\"currentColor\" d=\"M396.8 352h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8V108.8c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v230.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8zm-192 0h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8V140.8c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v198.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8zm96 0h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8V204.8c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v134.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8zM496 400H48V80c0-8.84-7.16-16-16-16H16C7.16 64 0 71.16 0 80v336c0 17.67 14.33 32 32 32h464c8.84 0 16-7.16 16-16v-16c0-8.84-7.16-16-16-16zm-387.2-48h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8v-70.4c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v70.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8z\" class=\"\"><\/path><\/svg><\/i> <img decoding=\"async\" width=\"16\" height=\"16\" alt=\"Loading\" data-src=\"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/wp-content\/plugins\/page-views-count\/ajax-loader-2x.gif\" border=0 src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" class=\"lazyload\" style=\"--smush-placeholder-width: 16px; --smush-placeholder-aspect-ratio: 16\/16;\" \/><\/p>\n<div class=\"pvc_clear\"><\/div>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[16],"tags":[],"class_list":["post-18667","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-mensagens-diversas"],"a3_pvc":{"activated":true,"total_views":835,"today_views":0},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18667","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=18667"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18667\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=18667"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=18667"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=18667"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}