{"id":18716,"date":"2022-03-12T08:12:00","date_gmt":"2022-03-12T08:12:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/artigo18716\/"},"modified":"2022-03-12T08:45:45","modified_gmt":"2022-03-12T11:45:45","slug":"artigo18716","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/artigo18716\/","title":{"rendered":"5 A prega\u00e7\u00e3o de Estev\u00e3o &#8211; PAULO E ESTEV\u00c3O &#8211;  FRANCISCO C\u00c2NDIDO XAVIER"},"content":{"rendered":"<p>Saulo e Sadoc entraram na igreja humilde de Je rusal\u00e9m, notando a massa<br \/>\n<br \/>compacta de pobres e miser\u00e1veis que ali se aglomeravam com um raio de<br \/>\n<br \/>esperan\u00e7a nos olhos tristes.<\/p>\n<p>O pavilh\u00e3o singelo, constru\u00eddo \u00e0 custa de tantos sacrif\u00edcios, n\u00e3o passava de<br \/>\n<br \/>grande telheiro revestido de paredes fr\u00e1geis, carente de todo e qualquer<br \/>\n<br \/>conforto.<\/p>\n<p>Tiago, Pedro e Jo\u00e3o surpreenderam-Se singularmente com a presen\u00e7a do<br \/>\n<br \/>jovem doutor da Lei, que se populari zara na cidade pela sua orat\u00f3ria veemente<br \/>\n<br \/>e pelo acurado conhecimento das Escrituras.<\/p>\n<p>Os generosos galileus ofereceram-lhe o banco mais confort\u00e1vel.<br \/> Ele<br \/>\n<br \/>aceitou as gentilezas que lhe dispensa vam, sorrindo com indisfar\u00e7\u00e1vel ironia de<br \/>\n<br \/>tudo que ali se lhe deparava.<\/p>\n<p>\u00cdntimamente, considerava que o pr\u00f3prio Sadoc fora v\u00edtima de falsas<br \/>\n<br \/>aprecia\u00e7\u00f5es.<br \/> Que podiam fazer aqueleS homens ignorantes, irmanados a<br \/>\n<br \/>outros j\u00e1 envelhecidos, valetudin\u00e1rios e doentes ? Que podiam significar de<br \/>\n<br \/>perigoso para a Lei de Israel aquelas crian \u00e7as ao abandono, aquelas mulheres<br \/>\n<br \/>semimortas, em cujo cora\u00e7\u00e3o pareciam aniquiladas todas as esperan\u00e7as?<br \/>\n<br \/>Experimentava grande mal-estar defrontando tantos ros tos que a lepra havia<br \/>\n<br \/>devastado, que as \u00falceras malignas haviam desfigurado impiedosamente.<br \/> Aqui,<br \/>\n<br \/>um velhote com chagas purulentas envolvidas em panos f\u00e9tidos; al\u00e9m, um<br \/>\n<br \/>aleijado mal coberto de mulambos, ao lado de \u00f3rf\u00e3os andrajosos que se<br \/>\n<br \/>acomodavam com humildade.<\/p>\n<p>O conhecido doutor da Lei notou a presen\u00e7a de v\u00e1rias pessoas que lhe<br \/>\n<br \/>acompanhavam a palavra na interpre ta\u00e7\u00e3o dos textos de Mois\u00e9s, na Sinagoga<br \/>\n<br \/>dos cil\u00edcios; outras que seguiam de perto as suas atividades no Sin\u00e9drio, onde<br \/>\n<br \/>a sua intelig\u00eancia era tida como penhor de esperan \u00e7a racial.<br \/> Pelo olhar,<br \/>\n<br \/>compreendeu que esses amigos ali estavam igualmente pela primeira vez.<br \/> Sua<br \/>\n<br \/>visita, ao templo ignorado dos galileus sem-nome, atraira muitos afei\u00e7oados do<br \/>\n<br \/>farisa\u00edsmo dominante, ansiosos pelos servi\u00e7os eventuais que pudessem<br \/>\n<br \/>destac\u00e1-los e recomend\u00e1-los \u00e0s autoridades mais importantes.<br \/> Saulo concluiu<br \/>\n<br \/>que aquela fra\u00e7\u00e3o do audit\u00f3rio fazia ato de presen\u00e7a e de solidariedade em<br \/>\n<br \/>qualquer provid\u00eancia que houvesse de tomar.<br \/> Pareceu -lhe natural e l\u00f3gica<br \/>\n<br \/>aquela atitude, conveniente aos fins a qu e se propunha.<br \/> N\u00e3o se contavam fatos<br \/>\n<br \/>incr\u00edveis, operados pelos adeptos do \u201cCaminho\u201d? N\u00e3o seriam grosseiras e<br \/>\n<br \/>escandalosas mistifica\u00e7\u00f5es? Quem diria que tudo aquilo n\u00e3o fosse o produto<br \/>\n<br \/>ign\u00f3bil de bruxarias e sortil\u00e9gios conden\u00e1veis? Na hip\u00f3tese de lhe iden tificar<br \/>\n<br \/>qualquer finalidade desonesta, podia contar, mesmo ali, com grande n\u00famero de<br \/>\n<br \/>correligion\u00e1rios, dispostos a defender o rigoroso cumprimento da Lei, custasse &#8211;<br \/>\n<br \/>lhes embora os mais pesados sacrif\u00edcios.<\/p>\n<p>Notando um que outro quadro menos grato ao seu olha r acostumado aos<br \/>\n<br \/>ambi\u00e9ntes de luxo, evitava fixar os aleijados e doentes que se acotovelavam no<br \/>\n<br \/>recinto, chamando a aten\u00e7\u00e3o de Sadoc, com observa\u00e7\u00f5es ir\u00f4nicas e<br \/>\n<br \/>pitorescas.<br \/> Quando o vasto recinto, desnudo de orna tos e s\u00edmbolos de<br \/>\n<br \/>qualquer natureza, de todo se encheu, um Jovem permeou as filas extensas,<br \/>\n<br \/>ladeado de Pedro e Jo\u00e3o, galgando os tr\u00eas um estrado quase natural, for mado<br \/>\n<br \/>de pedras superpostas.<\/p>\n<p>\u2014 Estev\u00e3o!.<br \/>.<br \/>.<br \/> \u00c9 Estev\u00e3o!.<br \/>.<br \/>.<\/p>\n<p>53<br \/>\n<br \/>Vozes abafadas inculcavam o pregador, enquanto seus admiradores mais<br \/>\n<br \/>fervorosos apontavam para ele com jubiloso sorriso.<\/p>\n<p>Inesperado sil\u00eancio mantinha todas as frontes em singulares expectativas,<br \/>\n<br \/>O mo\u00e7o, magro e p\u00e1lido, em cuja assist\u00eancia os mais infelizes julgavam<br \/>\n<br \/>encontrar um desdobramento do amor do Cristo, orou em voz alta suplic ando<br \/>\n<br \/>para si e para a assembl\u00e9ia a inspira\u00e7\u00e3o do Todo -Poderoso.<br \/> Em seguida, abriu<br \/>\n<br \/>um livro em forma de rolo e leu uma passagem das anota\u00e7\u00f5es de Mateus:<br \/>\n<br \/>\u2014 Mas, ide antes \u00e0s ovelhas perdidas da casa de Israel; e, indo, pregai<br \/>\n<br \/>dizendo: \u00e9 chegado o reino dos C\u00e9us.<br \/> (1)<br \/>\n<br \/>Estev\u00e3o ergueu alto os olhos serenos e fulgurantes, e, sem se perturbar<br \/>\n<br \/>com a presen\u00e7a de Saulo e dos seus numerosos amigos, come\u00e7ou a falar mais<br \/>\n<br \/>ou menos nestes termos, com voz clara e vibrante:<br \/>\n<br \/>\u2014 \u201cMeus caros, eis que chegados s\u00e3o os tempos em qu e o Pastor vem<br \/>\n<br \/>reunir as ovelhas em torno do seu zelo sem limites.<br \/> \u00e9ramos escravos das<br \/>\n<br \/>imposi\u00e7\u00f5es pelos racioc\u00ednios, mas hoje somos livres pelo Evangelho do Cristo<br \/>\n<br \/>Jesus.<br \/> Nossa ra\u00e7a guardou, de \u00e9pocas imemoriais, a luz do Tabern\u00e1culo e<br \/>\n<br \/>Deus nos enviou seu Filho sem m\u00e1cula.<br \/> Onde est\u00e3o, em Israel, os que ainda<br \/>\n<br \/>n\u00e3o ouviram as mensagens da Boa Nova? Onde os que ainda n\u00e3o se<br \/>\n<br \/>felicitaram com as alegrias da nova f\u00e9? Deus enviou sua resposta divina aos<br \/>\n<br \/>nossos anseios milen\u00e1rios, a revela\u00e7\u00e3o dos C\u00e9us aclara os nos sos caminhos.<\/p>\n<p>Consoante as promessas da profecia de todos quantos choraram e sofreram<br \/>\n<br \/>por amor ao Eterno, o Emiss\u00e1rio Divino veio at\u00e9 ao antro de nossas dores<br \/>\n<br \/>amargas e justas, para iluminar a noite de nossas almas impenitentes, para<br \/>\n<br \/>que se nos desdobrassem os horizontes da reden\u00e7\u00e3o.<br \/> O Messias atendeu aos<br \/>\n<br \/>problemas angustiosos da criatura humana, com a solu\u00e7\u00e3o do amor que redime<br \/>\n<br \/>todos os seres e purifica todos os pecados.<br \/> Mestre do trabalho e da perfeita<br \/>\n<br \/>alegria da vida, suas b\u00ean\u00e7\u00e3os representam nossa hera n\u00e7a.<br \/> Mois\u00e9s foi a porta,<br \/>\n<br \/>o Cristo \u00e9 a chave.<br \/> Com a coroa do mart\u00edrio adquiriu, para n\u00f3s outros, a l\u00e1urea<br \/>\n<br \/>imortal da salva\u00e7\u00e3o.<br \/> \u00e9ramos cativos do erro, mas seu sangue nos libertou.<br \/> Na<br \/>\n<br \/>vida e na morte, nas<br \/>\n<br \/>(1) Mateus, cap\u00edtulo 10\u00ba, vers\u00edculos 6 e 7.<br \/> \u2014 (Nota de Emmanuel.<br \/>)<br \/>\n<br \/>alegrias de Can\u00e1, como nas ang\u00fastias do Calv\u00e1rio, pelo que fez e por tudo que<br \/>\n<br \/>deixou de fazer em sua gloriosa passagem pela Terra, Ele \u00e9 o Filho de Deus<br \/>\n<br \/>iluminando o caminho.<\/p>\n<p>\u201cAcima de todas as cogita\u00e7\u00f5es humanas, fora de todos os atritos da s<br \/>\n<br \/>ambi\u00e7\u00f5es terrestres, seu reino de paz e luz esplende na consci\u00eancia das almas<br \/>\n<br \/>redimidas.<\/p>\n<p>\u201c\u00d3 Israel! tu que esperaste por tantos s\u00e9culos, tuas ang\u00fastias e dolorosas<br \/>\n<br \/>experi\u00eancias n\u00e3o foram v\u00e3s!.<br \/>.<br \/>.<br \/> Enquanto outros povos se debatiam nos<br \/>\n<br \/>interesses inferiores, cercando os falsos \u00eddolos de falsa adora\u00e7\u00e3o e<br \/>\n<br \/>promovendo, simultaneamente, as guerras de exterm\u00ednio com requintes de<br \/>\n<br \/>perversidade, tu, Israel, esperaste o Deus justo.<br \/> Carregaste os grilh\u00f5es da<br \/>\n<br \/>impiedade humana, na desola\u00e7\u00e3o e no deserto; converteste em c\u00e2nticos de<br \/>\n<br \/>esperan\u00e7a as ignom\u00ednias do cativeiro; sofreste o opr\u00f3brio dos poderosos da<br \/>\n<br \/>Terra; viste os teus var\u00f5es e as tuas mulheres, os teus jovens e as tuas<br \/>\n<br \/>crian\u00e7as exterminados sob o guante das persegui\u00e7\u00f5es, mas nunca descreste<br \/>\n<br \/>da justi\u00e7a dos C\u00e9us! Como o Salmista, afirmaste com teu heroismo que o amor<br \/>\n<br \/>e a miseric\u00f3rdia vibram em todos os teus dias! Choraste no caminho longo dos<br \/>\n<br \/>54<br \/>\n<br \/>s\u00e9culos, com as tuas amarguras e feridas.<br \/> Como Job, viveste da tua f\u00e9,<br \/>\n<br \/>subjugada pelas algemas do mundo, mas j\u00e1 recebeste o sagrado dep\u00f3sito de<br \/>\n<br \/>Jeov\u00e1 \u2014 O Deus \u00danico!.<br \/>.<br \/>.<br \/> Oh! esperan\u00e7as eternas de Jeru sal\u00e9m, cantai de<br \/>\n<br \/>j\u00fabilo, regozijai-vos, embora n\u00e3o tiv\u00e9ssemos sido fi\u00e9is inteiramente \u00e0<br \/>\n<br \/>compreens\u00e3o, por conduzir o Cordeiro Amado aos bra\u00e7os da cruz.<br \/> Suas<br \/>\n<br \/>chagas, todavia, nos compraram para o c\u00e9u, com o alto pre\u00e7o do sacrif\u00edcio<br \/>\n<br \/>supremo!.<br \/>.<br \/>.<\/p>\n<p>\u201cIsa\u00edas o contemplou, vergado ao peso de nossas iniq\u00fcidades, florescendo<br \/>\n<br \/>na aridez dos nossos cora\u00e7\u00f5es, qual flor do c\u00e9u num solo adusto, mas, revelou<br \/>\n<br \/>tamb\u00e9m, que, desde a hora da sua extrema ren\u00fancia, na morte infamante, a<br \/>\n<br \/>sagrada causa divina prosperaria para sempre em suas m\u00e3os.<\/p>\n<p>\u201cAmados, onde andar\u00e3o aquelas ovelhas que n\u00e3o souberam ou n\u00e3o<br \/>\n<br \/>puderam esperar?<br \/>\n<br \/>Procuremo-las para o Cristo, como dracmas perdidas do seu desvelado<br \/>\n<br \/>amor!<br \/>\n<br \/>Anunciemos a todos os desesperan\u00e7ados as gl\u00f3rias e os j\u00fabilos do seu<br \/>\n<br \/>reino de paz e de amor imortal!.<br \/>.<br \/>.<\/p>\n<p>\u201cA Lei nos retinha no esp\u00edrito de na\u00e7\u00e3o, sem con seguir apagar de nossa<br \/>\n<br \/>alma o desejo humano de supremacia na Terra.<br \/> Muitos de nossa ra\u00e7a h\u00e3o<br \/>\n<br \/>esperado um pr\u00edncipe dominador, que penetrasse em triunfo a cidade santa,<br \/>\n<br \/>com os trof\u00e9us sangrentos de uma bata lha de ru\u00edna e morte; que nos fizesse<br \/>\n<br \/>empunhar um cetro odioso de for\u00e7a e tirania.<br \/> Mas o Cristo nos libertou para<br \/>\n<br \/>sempre.<br \/> Filho de Deus e emiss\u00e1rio da sua gl\u00f3ria, s eu maior mandamento<br \/>\n<br \/>confirma Mois\u00e9s, quando recomenda o amor a Deus acima de todas as coisas,<br \/>\n<br \/>de todo o cora\u00e7\u00e3o e entendimento, acrescentando, no mais formoso decreto<br \/>\n<br \/>divino, que nos amemos uns aos outros, como Ele pr\u00f3prio nos amou.<\/p>\n<p>\u201cSeu reino \u00e9 o da consci\u00eancia reta e do cora\u00e7\u00e3o purificado ao servi\u00e7o de<br \/>\n<br \/>Deus.<br \/> Suas portas constituem o maravilhoso caminho da reden\u00e7\u00e3o espiritual,<br \/>\n<br \/>abertas de par em par aos filhos de todas as na\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>\u201cSeus disc\u00edpulos amados vir\u00e3o de todos os qua drantes.<br \/> Fora de suas luzes<br \/>\n<br \/>haver\u00e1 sempre tempestade para o viajor vacilante da Terra que, sem o Cristo,<br \/>\n<br \/>cair\u00e1 vencido nas batalhas infrutuosas e destruidoras das me lhores energias do<br \/>\n<br \/>cora\u00e7\u00e3o.<br \/> Somente o seu Evangelho confere paz e liberdade.<br \/> \u00cb o tesouro do<br \/>\n<br \/>mundo.<br \/> Em sua gl\u00f3ria sublime os justos encontrar\u00e3o a coroa de triunfo, os<br \/>\n<br \/>infortunados o consolo, os tristes a fortaleza do bom \u00e2nimo, os pecadores a<br \/>\n<br \/>senda redentora dos resgates mi sericordiosos.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 verdade que o n\u00e3o hav\u00edamos compreendido.<br \/> No grande testemunho, os<br \/>\n<br \/>homens n\u00e3o entenderam sua divina humildade, e os mais afei\u00e7oados o<br \/>\n<br \/>abandonaram.<br \/> Suas chagas clamaram pela nossa indiferen\u00e7a criminosa.<\/p>\n<p>Ningu\u00e9m poder\u00e1 eximir-se dessa culpa, visto sermos todos herdeiros das suas<br \/>\n<br \/>d\u00e1divas celestiais.<br \/> Onde todos gozam do benef\u00edcio, ningu\u00e9m pode fugir \u00e0<br \/>\n<br \/>responsabilidade.<br \/> Essa a raz\u00e3o por que respondemos pelo crime do Calv\u00e1rio.<\/p>\n<p>Mas, suas feridas foram a nossa luz, seus mart\u00edrios o mais ardente apelo<br \/>\n<br \/>de amor, seu exemplo o roteiro aberto para o bem sublime e imortal.<\/p>\n<p>\u201cVinde, pois, comungar conosco \u00e0 mesa do banquete divino! N\u00e3o mais as<br \/>\n<br \/>festas do p\u00e3o putresc\u00edvel, mas o eterno alimento da alegria e da vida.<br \/>.<br \/>.<br \/> N\u00e3o<br \/>\n<br \/>mais o vinho que fermenta, mas o n\u00e9ctar confortante da alma, dilu\u00eddo nos<br \/>\n<br \/>perfumes do amor imortal.<\/p>\n<p>\u201cO Cristo \u00e9 a subst\u00e2ncia da nossa liberd ade.<br \/> Dia vir\u00e1 em que o seu reino<br \/>\n<br \/>abranger\u00e1 os filhos do Oriente e do Ocidente, num amplexo de fraternidade e<br \/>\n<br \/>55<br \/>\n<br \/>de luz.<br \/> Ent\u00e3o, compreenderemos que o Evangelho \u00e9 a resposta de Deus aos<br \/>\n<br \/>nossos apelos, em face da Lei de Mois\u00e9s.<br \/> A Lei \u00e9 humana; o Evangelho \u00e9<br \/>\n<br \/>divino.<br \/> Mois\u00e9s \u00e9 o condutor; O Cristo, o Salvador.<br \/> Os profetas foram mordomos<br \/>\n<br \/>fi\u00e9is; Jesus, por\u00e9m, \u00e9 o Senhor da Vinha.<br \/> Com a Lei, \u00e9ramos servos; com o<br \/>\n<br \/>Evangelho, somos filhos livres de um Pai amoroso e justo!.<br \/>.<br \/>.<br \/>\u201d<br \/>\n<br \/>Nesse \u00ednterim, Estev\u00e3o sustou a palavra que lh e flu\u00eda harmoniosa e<br \/>\n<br \/>vibrante dos l\u00e1bios, inspirada nos mais puros sentimentos.<br \/> Os ouvintes de<br \/>\n<br \/>todos os matizes n\u00e3o conseguiram ocultar o assombro, ante os seus conceitos<br \/>\n<br \/>de vigorosas revela\u00e7\u00f5es.<br \/> A multid\u00e3o embeve cera-se com os princ\u00edpios<br \/>\n<br \/>expostos.<br \/> Os mendigos, ali aglomerados, endere\u00e7avam ao pregador um sorriso<br \/>\n<br \/>de aprova\u00e7\u00e3o, bem significativo de jubilosas esperan\u00e7as.<br \/> Jo\u00e3o fixava nele os<br \/>\n<br \/>olhos enternecidos, identificando, mais uma vez, no seu verbo ardente, a<br \/>\n<br \/>mensagem evang\u00e9lica interpretada por um disc\u00ed pulo dileto do Mestre<br \/>\n<br \/>inesquec\u00edvel, nunca ausente dos que se re\u00fanem em seu nome.<\/p>\n<p>Saulo de Tarso, emotivo por temperamento, fun dia-se na onda de<br \/>\n<br \/>admira\u00e7\u00e3o geral; mas, altamente sur preendido, verificou a diferen\u00e7a entre a Lei<br \/>\n<br \/>e o Evangelho anunciado por aqueles homens estranhos, que a sua<br \/>\n<br \/>mentalidade n\u00e3o podia compreender.<br \/> Analisou, de relance, o perigo que os<br \/>\n<br \/>novos ensinos acarretavam para o juda\u00edsmo dominante.<br \/> Revoltara -se com a<br \/>\n<br \/>pr\u00e9dica ouvida, nada obstante a sua resson\u00e2ncia de mis teriosa beleza.<br \/> Ao seu<br \/>\n<br \/>racioc\u00ednio, impunha-se eliminar a confus\u00e3o que se esbo\u00e7ava, a prop\u00f3sito de<br \/>\n<br \/>Mois\u00e9s.<br \/> A Lei era uma e \u00fanica.<br \/> Aquele Cristo que culminou na derrota, entre<br \/>\n<br \/>dois ladr\u00f5es, surgia a seus olhos como um mistificador indigno de qualquer<br \/>\n<br \/>considera\u00e7\u00e3o.<br \/> A vit\u00f3ria de Estev\u00e3o na consci\u00eancia popular, qual a veri ficava<br \/>\n<br \/>naquele instante, causava-lhe indigna\u00e7\u00e3o.<br \/> Aqueles galileus poderiam ser<br \/>\n<br \/>piedosos, mas n\u00e3o deixavam de ser criminosos pela subvers\u00e3o dos princ\u00edpios<br \/>\n<br \/>inviol\u00e1veis da ra\u00e7a.<\/p>\n<p>Oorador preparava-se para retomar a palavra, momentaneamente<br \/>\n<br \/>interrompida e aguardada com expecta \u00e7\u00e3o de j\u00fabilo geral, quando o jovem<br \/>\n<br \/>doutor se levantou ousadamente e exclamou, quase col\u00e9rico, frisando os<br \/>\n<br \/>conceitos com evidente ironia.<\/p>\n<p>\u2014 \u201cPiedosos galileus, onde o senso de vossas dou trinas estranhas e<br \/>\n<br \/>absurdas? Como ousais proclamar a falsa supremacia de um nazareno<br \/>\n<br \/>obscuro sobre Mois\u00e9s, na pr\u00f3pria Jerusal\u00e9m onde se decidem os destinos das<br \/>\n<br \/>tribos de Israel invenc\u00edvel? Quem era esse Cristo? N\u00e3o foi um simples<br \/>\n<br \/>carpinteiro ?\u201c<br \/>\n<br \/>Ao orgulhoso entono da inesperada ap\u00f3strofe, houve no ambiente um tal ou<br \/>\n<br \/>qual retraimento de temor, mas, dos desvalidos da sorte, para quem a<br \/>\n<br \/>mensagem do Cristo era o alimento supremo, partiu para Estev\u00e3o um olhar de<br \/>\n<br \/>defesa e jubiloso entusiasmo.<br \/> Os Ap\u00f3stolos da Galil\u00e9ia n\u00e3o conseguiam<br \/>\n<br \/>dissimular seu receio.<br \/> Tiago estava l\u00edvido.<br \/> Os amigos de Saulo notaram -lhe a<br \/>\n<br \/>m\u00e1scara escarninha.<br \/> O pregador tamb\u00e9m empalidecera, mas reve lava no olhar<br \/>\n<br \/>resoluto o mesmo tra\u00e7o de imperturb\u00e1vel serenidade.<br \/> Fitando o doutor da Lei, o<br \/>\n<br \/>primeiro homem da cidade que se atrevera a perturbar o esfor\u00e7o generoso do<br \/>\n<br \/>evangelismo, sem trair a seiva de amor que lhe des bordava do cora\u00e7\u00e3o, fez ver<br \/>\n<br \/>a Saulo a sinceridade das suas palavras e a nobreza dos seus pensamentos.<br \/> E<br \/>\n<br \/>antes que os companheiros voltassem a si da surpresa que os assomara, com<br \/>\n<br \/>admir\u00e1vel presen\u00e7a de esp\u00edrito, indi ferente \u00e0 impress\u00e3o do temor coletivo,<br \/>\n<br \/>obtemperou:<br \/>\n<br \/>\u2014 \u201cAinda bem que o Messias fora carpinteiro: por que, nesse caso, a<br \/>\n<br \/>56<br \/>\n<br \/>Humanidade j\u00e1 n\u00e3o ficaria sem abrigo.<br \/> Ele era, de fato, o Abr igo da paz e da<br \/>\n<br \/>esperan\u00e7a! Nunca mais andaremos ao l\u00e9u das tempestades nem na esteira<br \/>\n<br \/>dos racioc\u00ednios quim\u00e9ricos de quantos vivem pelo c\u00e1lculo, sem a claridade do<br \/>\n<br \/>sentimento.<br \/>\u201d<br \/>\n<br \/>A resposta concisa, desassombrada, desconcertou o futuro rabino,<br \/>\n<br \/>habituado a triunfar nas esferas mais cultas, em todas as justas da palavra.<\/p>\n<p>En\u00e9rgico, ruborizado, evidenciando c\u00f3lera profunda, mordeu os l\u00e1bios num<br \/>\n<br \/>gesto que lhe era peculiar e acrescentou com voz dominadora:<br \/>\n<br \/>\u2014 Aonde iremos com semelhantes excessos de interpreta\u00e7\u00e3o, em torno<br \/>\n<br \/>de um mistificador vulgar, que o Sin\u00e9drio puniu com a flagela\u00e7\u00e3o e a morte?<br \/>\n<br \/>Que dizer de um Salvador que n\u00e3o conseguiu salvar -se a si mesmo? Emiss\u00e1rio<br \/>\n<br \/>revestido de celestes poderes, como n\u00e3o evitou a humilha\u00e7\u00e3o da senten\u00e7a<br \/>\n<br \/>infamante? O Deus dos ex\u00e9rcitos, que seq\u00fcestrou a na\u00e7\u00e3o privilegiada ao<br \/>\n<br \/>cativeiro, que a guiou atrav\u00e9s do deserto abrindo -lhe a passagem do mar; que<br \/>\n<br \/>lhe saciou a fome com o man\u00e1 divino e, por amor, transformou a rocha<br \/>\n<br \/>impass\u00edvel em fonte de \u00e1gua viva, n\u00e3o teria meios, outros, de assinalar o seu<br \/>\n<br \/>enviado sen\u00e3o com uma cruz de mart\u00edrio, entre malfeitores co muns? Tendes,<br \/>\n<br \/>nesta casa, a gl\u00f3ria do Senhor Supremo, assim barateada? Todos os doutores<br \/>\n<br \/>do Templo conhecem a hist\u00f3ria do impostor que celebrizais com a simplicidade<br \/>\n<br \/>da vossa ignor\u00e2ncia! N\u00e3o vacilais em rebaixar nossos pr\u00f3prios valores,<br \/>\n<br \/>apresentando um Messias dilacerado e sangrento, sob os apupos do povo .<br \/>.<br \/>.<br \/>.<br \/>.<\/p>\n<p>Lan\u00e7ais vergonha sobre Israel e desejais fundar um novo reino? Seria justo<br \/>\n<br \/>dardes a conhecer, inteiramente, a n\u00f3s outros, o m\u00f3vel das vossas f\u00e1bulas<br \/>\n<br \/>piedosas.<br \/>\u201d<br \/>\n<br \/>Estabelecida uma pausa na sua objurgat\u00f3ria, o ora dor voltou a falar com<br \/>\n<br \/>dignidade:<br \/>\n<br \/>\u2014 Amigo, bem se dizia que o Mestre chegaria ao mundo para confus\u00e3o de<br \/>\n<br \/>muitos em Israel.<br \/> Toda a hist\u00f3ria edificante do nosso povo \u00e9 um documento da<br \/>\n<br \/>revela\u00e7\u00e3o de Deus.<br \/> No entanto, n\u00e3o vedes nos efeitos maravilhosos com que a<br \/>\n<br \/>Provid\u00eancia guiou as tribos hebr\u00e9ias, no passado, a manifesta\u00e7\u00e3o do carinho<br \/>\n<br \/>extremo de um Pai desejoso de construir o futuro espiritual de crian\u00e7as<br \/>\n<br \/>queridas do seu cora\u00e7\u00e3o? Com o correr do tempo, observamos que a<br \/>\n<br \/>mentalidade infantil enseja mais vastos princ\u00edpios educativos, O que ontem era<br \/>\n<br \/>carinho, \u00e9 hoje energia oriunda das grandes express\u00f5es amorosas da alma.<br \/> O<br \/>\n<br \/>que ontem era bonan\u00e7a e verdor, para nutri\u00e7\u00e3o da sublim e esperan\u00e7a, hoje<br \/>\n<br \/>pode ser tempestade, para dar seguran\u00e7a e resist\u00eancia.<br \/> Antigamente, \u00e9ramos<br \/>\n<br \/>meninos at\u00e9 no trato com a revela\u00e7\u00e3o; agora, por\u00e9m, os var\u00f5es e as mulheres<br \/>\n<br \/>de Israel atingiram a condi\u00e7\u00e3o de adultos no conhecimento, O Filho de Deus<br \/>\n<br \/>trouxe a luz da verdade aos homens, ensinando-lhes a misteriosa beleza da<br \/>\n<br \/>vida, com o seu engrandecimento pela ren\u00fancia.<br \/> Sua gl\u00f3ria resumiu -se em<br \/>\n<br \/>amar-nos, como Deus nos ama.<\/p>\n<p>Por essa mesma raz\u00e3o, Ele ainda n\u00e3o foi compreendido.<br \/> Acaso<br \/>\n<br \/>poder\u00edamos aguardar um salvador de acordo com os nossos prop\u00f3sitos<br \/>\n<br \/>inferiores? Os profetas afirmam que as estradas de Deus podem n\u00e3o ser os<br \/>\n<br \/>caminhos que desejamos, e que os seus pensamentos nem sempre se<br \/>\n<br \/>poder\u00e3o harmonizar com os nossos.<br \/> Que dizermos de um Messias que<br \/>\n<br \/>empunhasse o cetro no mundo, disputando com os pr\u00edncipes da iniq\u00fcidade um<br \/>\n<br \/>galard\u00e3o de triunfos sangrentos?<br \/>\n<br \/>Porventura a Terra j\u00e1 n\u00e3o estar\u00e1 farta de batalhas e cad\u00e1veres?<br \/>\n<br \/>Perguntemos a um general romano quanto lhe custou o dom\u00ednio da aldeia mais<br \/>\n<br \/>57<br \/>\n<br \/>obscura; consultemos a lista negra dos triunfadores, segundo as nossas id\u00e9ias<br \/>\n<br \/>err\u00f4neas da vida.<br \/> Israel jamais poderia esperar um Messias a exibir -se num<br \/>\n<br \/>carro de gl\u00f3rias magnificentes do plano material, suscet\u00edvel de tombar no<br \/>\n<br \/>primeiro resvaladouro do caminho.<br \/> Essas ex press\u00f5es transit\u00f3rias pertencem ao<br \/>\n<br \/>cen\u00e1rio ef\u00eamero, no qual a p\u00farpura mais fulgurante volta ao p\u00f3.<br \/> Ao contr\u00e1rio de<br \/>\n<br \/>todos os que pretenderam ensinar a virtude, repou sando na satisfa\u00e7\u00e3o dos<br \/>\n<br \/>pr\u00f3prios sentidos, Jesus executou sua tarefa entre os mais simples ou mais<br \/>\n<br \/>desventuradoS, onde, muitas vezes, se encontram as manifesta\u00e7\u00f5es do Pai,<br \/>\n<br \/>que educa, atrav\u00e9s da esperan\u00e7a insatisfeita e das dores que trabalham, do<br \/>\n<br \/>ber\u00e7o ao t\u00famulo, a exist\u00eancia humana.<br \/> O Cristo edificou, entre n\u00f3s, seu reino<br \/>\n<br \/>de amor e paz, sobre alicerces divin os.<br \/> Sua exemplifica\u00e7\u00e3o est\u00e1 projetada na<br \/>\n<br \/>alma humana, com luz eterna! Quem d\u00ea n\u00f3s, ent\u00e3o, compreendendo tudo isso,<br \/>\n<br \/>poder\u00e1 identificar no Emiss\u00e1rio de Deus um pr\u00edncipe belicoso? N\u00e3o! O<br \/>\n<br \/>Evangelho \u00e9 amor em sua express\u00e3o mais sublime.<br \/> O Mes tre deixou-se imolar<br \/>\n<br \/>transmitindo-nos o exemplo da reden\u00e7\u00e3o pelo amor mais puro.<br \/> Pastor do<br \/>\n<br \/>imenso rebanho, Ele n\u00e3o quer se perca uma s\u00f3 de suas ovelhas bem -amadas,<br \/>\n<br \/>nem determina a morte do pecador, O Cristo \u00e9 vida, e a salva\u00e7\u00e3o que nos<br \/>\n<br \/>trouxe est\u00e1 na sagrada opor tunidade da nossa eleva\u00e7\u00e3o, como filhos de Deus,<br \/>\n<br \/>exercendo os seus gloriosos ensinamentos.<br \/>\u201d<br \/>\n<br \/>Depois de uma pausa, o doutor da Lei j\u00e1 se erguia para revidar, quando<br \/>\n<br \/>Estev\u00e3o continuou:<br \/>\n<br \/>\u2014\u201cE agora, irm\u00e3os, pe\u00e7o v\u00eania para concluir minhas palavras.<br \/> Se n\u00e3o vos<br \/>\n<br \/>falei como desej\u00e1veis, falei como o Evangelho nos aconselha, arg\u00fcindo a mim<br \/>\n<br \/>pr\u00f3prio na \u00edntima condena\u00e7\u00e3o de meus grandes defeitos.<br \/> Que a b\u00ean\u00e7\u00e3o do<br \/>\n<br \/>Cristo seja com todos v\u00f3s.<\/p>\n<p>Antes que pudesse abandonar a tribuna para con fundir-se com a multid\u00e3o,<br \/>\n<br \/>o futuro rabino levantou-se de chofre e observou enraivecido:<br \/>\n<br \/>\u2014Exijo a continua\u00e7\u00e3o da arenga! Que o pregador espere, pois n\u00e3o<br \/>\n<br \/>terminei o que preciso dizer.<\/p>\n<p>Estev\u00e3o replicou serenamente:<br \/>\n<br \/>\u2014N\u00e3o poderei discutir.<\/p>\n<p>\u2014Por qu\u00ea? \u2014 perguntou Saulo irritad\u00edssimo.<br \/> \u2014 Estais intimado a<br \/>\n<br \/>prosseguir.<\/p>\n<p>\u2014Amigo \u2014 elucidou o interpelado calmamente \u2014\u2018o Cristo aconselhou que<br \/>\n<br \/>devemos dar a C\u00e9sar o que \u00e9 de C\u00e9sar e a Deus o que \u00e9 de Deus.<br \/> Se tendes<br \/>\n<br \/>alguma acusa\u00e7\u00e3o legal contra mim, exponde -a sem receio e vos obedecerei;<br \/>\n<br \/>mas, no que pertence a Deus, s\u00f3 a Ele compete arg\u00fcir-me.<\/p>\n<p>T\u00e3o alto esp\u00edrito de resolu\u00e7\u00e3o e serenidade, quase desconcertou o doutor<br \/>\n<br \/>do Sin\u00e9drio; compreendendo, po r\u00e9m, que a impulsividade somente poderia<br \/>\n<br \/>prejudicar-lhe a clareza do pensamento, acrescentou mais calmo, apesar do<br \/>\n<br \/>tom imperioso que deixava transparecer toda a sua energia:<br \/>\n<br \/>\u2014Mas eu preciso elucidar os erros desta casa.<br \/> Necessito perguntar e<br \/>\n<br \/>haveis de responder-me.<\/p>\n<p>\u2014 No tocante ao Evangelho \u2014 replicou Estev\u00e3o \u2014.<br \/> j\u00e1 vos ofereci os<br \/>\n<br \/>elementos de que podia dispor, escla recendo o que tenho ao meu alcance.<\/p>\n<p>Quanto ao mais, este templo humilde \u00e9 constru\u00e7\u00e3o de f\u00e9 e n\u00e3o de justas<br \/>\n<br \/>casu\u00edsticas.<br \/> Jesus teve a preocupa\u00e7\u00e3o de recomendar a seus disc\u00edpulos que<br \/>\n<br \/>fugissem do fermento das discuss\u00f5es e das disc\u00f3rdias.<br \/> Eis por que n\u00e3o ser\u00e1<br \/>\n<br \/>l\u00edcito perdermos tempo em contendas in\u00fateis, quando o trabalho do Cristo<br \/>\n<br \/>reclama o nosso esfor\u00e7o.<\/p>\n<p>58<br \/>\n<br \/>\u2014 Sempre o Cristo! sempre o impostor! \u2014 trovejou Saulo, carrancudo.<br \/> \u2014<br \/>\n<br \/>Minha autoridade \u00e9 insultada pelo vosso fanatismo, neste recinto de mis\u00e9ria e<br \/>\n<br \/>de ignor\u00e2ncia.<\/p>\n<p>Mistificadores, rejeitais as possibilidades de es clarecimento que vos<br \/>\n<br \/>ofere\u00e7o; galileus incultos, n\u00e3o que reis considerar o meu nobre cartel de<br \/>\n<br \/>desafio.<br \/> Saberei vingar a Lei de Mois\u00e9s, da qual se tripudia.<br \/> Recusais a<br \/>\n<br \/>intimativa, mas n\u00e3o podereis fugir ao meu desfor\u00e7o.<\/p>\n<p>Aprendereis a amar a verdade e a honrar Jerusal\u00e9m, renunciando ao<br \/>\n<br \/>nazareno insolente, que pagou na cruz os criminosos desvarios.<br \/> Recorrerei ao<br \/>\n<br \/>Sin\u00e9drio para vos julgar e punir.<br \/> O Sin\u00e9drio tem autoridade para desfazer<br \/>\n<br \/>vossas conden\u00e1veis alucina\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Assim concluindo, parecia possesso de f\u00faria.<br \/> Mas nem assim logrou<br \/>\n<br \/>perturbar o pregador, que lhe res pondeu de \u00e2nimo sereno:<br \/>\n<br \/>\u2014 Amigo, o Sin\u00e9drio tem mil meios de me fazer chorar, mas n\u00e3o lhe<br \/>\n<br \/>reconhe\u00e7o poderes para obrigar -me a renunciar ao amor de Jesus-Cristo &#8211;<br \/>\n<br \/>Dito isso, desceu da tribuna com a mesma humil dade, sem se deixar<br \/>\n<br \/>empolgar pelo gesto de aprova\u00e7\u00e3o que lhe endera\u00e7avam os filhos do infort\u00fanio,<br \/>\n<br \/>que ali o<br \/>\n<br \/>ouviam como a um defensor de sagradas esperan\u00e7as &#8211;<br \/>\n<br \/>Alguns protestos isolados come\u00e7aram a ser ouvidos.<br \/> Fariseus irritados<br \/>\n<br \/>vociferavam insol\u00eancias e remoques.<br \/> A massa agitava -se, prevendo atrito<br \/>\n<br \/>iminente; mas, antes que Estev\u00e3o caminhasse dez passos para o interior junto<br \/>\n<br \/>dos companheiros, e antes que Saulo o alcan\u00e7asse com outras obje\u00e7\u00f5es<br \/>\n<br \/>pessoais e diretas, uma velhinha maltra pilha apresentou-lhe uma jovem<br \/>\n<br \/>pobremente vestida e exclamou cheia de confian\u00e7a:<br \/>\n<br \/>\u2014 Senhor! sei que continuais a bondade e os feitos do profeta de Nazar\u00e9,<br \/>\n<br \/>que um dia me salvou da morte, apesar dos meus pecados e fraquezas.<\/p>\n<p>Atendei-me tamb\u00e9m, por piedade!<br \/>\n<br \/>Minha filha emudeceu h\u00e1 mais de um ano.<br \/> Trouxe -a de Dalmanuta at\u00e9<br \/>\n<br \/>aqui, vencendo enormes dificuldades, confiada na vossa assist\u00eancia fra ternal!<br \/>\n<br \/>O pregador refletiu, antes de tudo, no perigo de qualquer capricho pessoal<br \/>\n<br \/>da sua parte, e, desejoso de atender \u00e0 suplicante, contemplou a doente com<br \/>\n<br \/>sincera simpatia e murmurou:<br \/>\n<br \/>\u2014 De n\u00f3s nada temos, mas \u00e9 justo esperar do Cristo as d\u00e1divas que nos<br \/>\n<br \/>sejam necess\u00e1rias.<br \/> Ele que \u00e9 justo e generoso n\u00e3o te esquecer\u00e1 na<br \/>\n<br \/>distribui\u00e7\u00e3o santificada da sua miseric\u00f3rdia.<\/p>\n<p>E, como atuado por for\u00e7a estranha, acrescentava:<br \/>\n<br \/>\u2014 H\u00e1s de falar, para louvor do bom Mestre!.<br \/>.<br \/>.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, viu-se um fato singular, que impressionou de s\u00fabito a numerosa<br \/>\n<br \/>assembl\u00e9ia.<br \/> Com um raio de infinita alegria nos olhos, a enfer ma falou:<br \/>\n<br \/>\u2014 Louvarei ao Cristo de toda minhalma, eternamente.<\/p>\n<p>Ela e a genitora, tomadas de forte como\u00e7\u00e3o, ca\u00edram, ali mesmo, de joelhos<br \/>\n<br \/>e beijaram-lhe as m\u00e3os; Estev\u00e3o, entretanto, tinha agora os olhos mareados de<br \/>\n<br \/>pranto, profundamente sensibilizado.<br \/> Era o primeiro a comover-se e admirar a<br \/>\n<br \/>prote\u00e7\u00e3o recebida, e n\u00e3o tinha outro meio que n\u00e3o o das l\u00e1grimas sinceras<br \/>\n<br \/>para traduzir a intensidade do seu reconhecimento.<\/p>\n<p>Os fariseus, que se aproximavam no intuito de com prometer a paz do<br \/>\n<br \/>recinto humilde, recuaram estupefatos.<br \/> Os pobres e os aflitos, como se<br \/>\n<br \/>houvessem recebido um refor\u00e7o do C\u00e9u para o \u00eaxito da cren\u00e7a pura, encheram<br \/>\n<br \/>a sala de exclama\u00e7\u00f5es de sublime esperan\u00e7a.<\/p>\n<p>59<br \/>\n<br \/>Saulo observava a cena sem poder dissimular a pr\u00f3pria ira.<br \/> Se poss\u00edvel,<br \/>\n<br \/>desejaria esfrangalhar Estev\u00e3o em suas m\u00e3os.<br \/> No entanto, apesar do<br \/>\n<br \/>temperamento impulsivo, chegou \u00e0 conclus\u00e3o de que um ato agressivo levaria<br \/>\n<br \/>os amigos presentes a um conflito de s\u00e9rias propor\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Refletiu, igualmente, que nem todos os adeptos do \u201cCaminho\u201d estavam,<br \/>\n<br \/>como o pregador, em condi\u00e7\u00f5es de circunscrever a luta ao plano das li\u00e7\u00f5es de<br \/>\n<br \/>ordem espiritual, e, de certa maneira, n\u00e3o recusariam a luta f\u00edsica.<br \/> De relance,<br \/>\n<br \/>notou que alguns estavam armados, que os anci\u00e3es traziam fortes cajados de<br \/>\n<br \/>arrimo, e os aleijados exibiam rijas muletas.<br \/> A luta corporal, naquele recinto de<br \/>\n<br \/>constru\u00e7\u00e3o fr\u00e1gil, teria conseq\u00fc\u00eancias lamen t\u00e1veis.<br \/> Procurou coordenar<br \/>\n<br \/>melhores racioc\u00ednios.<br \/> Teria a Lei a seu favor.<br \/> Poderia contar com o Sin\u00e9drio.<\/p>\n<p>Os sacerdotes mais eminentes eram amigos devotados .<br \/> Lutaria com Estev\u00e3o<br \/>\n<br \/>at\u00e9 dobrar-lhe a resist\u00eancia moral.<br \/> Se n\u00e3o conseguisse submet\u00ea -lo, odi\u00e1-lo-ia<br \/>\n<br \/>para sempre.<br \/> Na satisfa\u00e7\u00e3o dos seus caprichos, saberia remover todos os<br \/>\n<br \/>obst\u00e1culos.<\/p>\n<p>Reconhecendo que Sadoc e mais dois companhei ros iam iniciar o tumulto,<br \/>\n<br \/>gritou-lhes em voz grave e imperiosa:<br \/>\n<br \/>\u2014 Vamo-nos! Os adeptos do \u201cCaminho\u201d pagar\u00e3o muito caro a sua ousadia.<\/p>\n<p>Nesse momento, quando todos os fariseus se dis punham a lhe atender a<br \/>\n<br \/>voz de comando, o mo\u00e7o de Tarso notou que Estev\u00e3o se encaminhava para o<br \/>\n<br \/>interior da casa, passando-lhe rente aos ombros.<br \/> Saulo sentiu -se abalado em<br \/>\n<br \/>todas as fibras do seu orgulho.<br \/> Fixou -o, quase com \u00f3dio, mas o pregador<br \/>\n<br \/>correspondeu-lhe com um olhar sereno e amistoso.<\/p>\n<p>T\u00e3o logo se retirou o jovem doutor da Lei com os companheiros n umerosos<br \/>\n<br \/>que n\u00e3o conseguiam disfar\u00e7ar o seu despeito, os Ap\u00f3stolos galileus passaram<br \/>\n<br \/>a considerar, com grande receio, as conseq\u00fc\u00eancias que poderiam advir do<br \/>\n<br \/>inesperado epis\u00f3dio.<\/p>\n<p>No dia seguinte, como de costume, Saulo de Tarso, \u00e0 tardinha, entrava em<br \/>\n<br \/>casa de Zacarias, deixando transparecer na fisionomia a contrariedade que lhe<br \/>\n<br \/>ia no \u00edntimo.<br \/> Depois de aliviar -se um tanto dos pensamentos sombrios que o<br \/>\n<br \/>atribulavam, gra\u00e7as ao carinho da noiva amada, por ela instado a dizer os<br \/>\n<br \/>motivos de tamanha preocupa\u00e7\u00e3o, narrou-lhe os acontecimentos da v\u00e9spera,<br \/>\n<br \/>acrescentando:<br \/>\n<br \/>\u2014 Esse Estev\u00e3o pagar\u00e1 car\u00edssimo a humilha\u00e7\u00e3o que pretendeu infligir -se<br \/>\n<br \/>publicamente.<\/p>\n<p>Seus racioc\u00ednios sutis podem confundir os menos argutos e necess\u00e1rio \u00e9<br \/>\n<br \/>fazermos preponderar nossa autoridade em fac e dos que n\u00e3o t\u00eam compet\u00eancia<br \/>\n<br \/>para versar os princ\u00edpios sagrados.<br \/> Hoje mesmo conversei com alguns amigos<br \/>\n<br \/>relativamente \u00e0s provid\u00eancias que nos cumpre tomar.<br \/> Os mais tole rantes<br \/>\n<br \/>alegam o car\u00e1ter inofensivo dos galileus, pac\u00edficos e caritativos, mas sou de<br \/>\n<br \/>opini\u00e3o que uma ovelha m\u00e1 p\u00f5e o rebanho a perder.<\/p>\n<p>\u2014Acompanho-te na defesa das nossas cren\u00e7as \u2014 advertiu a mo\u00e7a<br \/>\n<br \/>satisfeita \u2014, n\u00e3o devemos abandonar nossa f\u00e9 ao trato e ao sabor das<br \/>\n<br \/>interpreta\u00e7\u00f5es individuais e incompetentes.<\/p>\n<p>Depois de uma pausa:<br \/>\n<br \/>\u2014Ah! se Jeziel estivesse conosco, seria teu bra\u00e7o forte na exposi\u00e7\u00e3o dos<br \/>\n<br \/>conhecimentos sagrados.<br \/> Cer tamente, ele teria prazer em defender o<br \/>\n<br \/>Testamento contra qualquer express\u00e3o menos razo\u00e1vel e fidedigna.<\/p>\n<p>\u2014Combateremos o inimigo que amea\u00e7a a genuini dade da revela\u00e7\u00e3o divina<br \/>\n<br \/>exclamou Saulo e n\u00e3o cederei terreno aos inovadores incultos e cavilosos.<\/p>\n<p>60<br \/>\n<br \/>\u2014Esses homens s\u00e3o muitos? perguntou Abigail apreensiva.<\/p>\n<p>\u2014Sim, e o que os torna mais perigosos \u00e9 o mas cararem as inten\u00e7\u00f5es com<br \/>\n<br \/>atos piedosos, por exaltar a imagina\u00e7\u00e3o v ers\u00e1til do povo com pretensos<br \/>\n<br \/>poderes misteriosos, naturalmente alimentados \u00e0 custa de feiti\u00e7a rias e<br \/>\n<br \/>sortil\u00e9gios.<\/p>\n<p>Em qualquer hip\u00f3tese \u2014 advertiu a jovem depois de refletir um<br \/>\n<br \/>momento \u2014 conv\u00e9m proceder com serenidade e prud\u00eancia, para evitar os<br \/>\n<br \/>abusos de autoridade.<br \/> Quem sabe s\u00e3o criaturas mais necessitadas de<br \/>\n<br \/>educa\u00e7\u00e3o que de castigo?<br \/>\n<br \/>\u2014 Sim, j\u00e1 pensei em tudo isso.<br \/> Ali\u00e1s, n\u00e3o pretendo incomodar os<br \/>\n<br \/>galileus simpl\u00f3rios e despretensiosos que se cercam, em Jerusal\u00e9m, de<br \/>\n<br \/>inv\u00e1lidos e doentes, dando-nos a impress\u00e3o de loucos pac\u00edficos.<br \/> Contudo, n\u00e3o<br \/>\n<br \/>posso deixar de reprimir o orador, cujos l\u00e1bios, a meu ver, destilam poderoso<br \/>\n<br \/>veneno no esp\u00edrito vol\u00favel das massas sem consci\u00eancia perfeita dos princ\u00edpios<br \/>\n<br \/>esposados.<br \/> Aos primeiros importa esclarecer, mas o segundo p recisa ser<br \/>\n<br \/>anulado, visto n\u00e3o se lhe conhecerem os fins, qui\u00e7\u00e1 criminosos e<br \/>\n<br \/>revolucion\u00e1rios.<\/p>\n<p>\u2014 N\u00e3o tenho como desaprovar as tuas ila\u00e7\u00f5es \u2014concluiu a jovem,<br \/>\n<br \/>condescendente.<\/p>\n<p>Em seguida, como de costume, palestraram sobre os sentimentos<br \/>\n<br \/>sagrados do cora\u00e7\u00e3o, notando-se que o mo\u00e7o de Tarso encontrava singular<br \/>\n<br \/>encanto e caridoso b\u00e1lsamo nas observa\u00e7\u00f5es afetuosas da companheira que &#8211;<br \/>\n<br \/>rida.<\/p>\n<p>Passados alguns dias, tomavam-se em Jerusal\u00e9m provid\u00eancias para que<br \/>\n<br \/>Estev\u00e3o fosse levado ao Sin\u00e9drio e ali interrogado sobre a finalidade colimada<br \/>\n<br \/>com as pr\u00e9dicas do \u201cCaminho\u201d.<\/p>\n<p>Dada a intercess\u00e3o conciliat\u00f3ria de Gamaliel, o feito se resumiria a uma<br \/>\n<br \/>discuss\u00e3o em que o pregador das novas interpreta\u00e7\u00f5es definisse perante o<br \/>\n<br \/>mais alto tribunal da ra\u00e7a os seus pontos de vista, a fim d e que os sacerdotes,<br \/>\n<br \/>como juizes e defensores da lei, expusessem a verdade nos devidos termos.<\/p>\n<p>O convite \u00e0 requesta chegou \u00e0 igreja humilde, mas Estev\u00e3o se esquivou,<br \/>\n<br \/>alegando que n\u00e3o seria razo\u00e1vel disputar, em obedi\u00eancia aos preceitos do<br \/>\n<br \/>Mestre, apesar dos argumentos do filho de Alfeu, a quem intimidava a<br \/>\n<br \/>perspectiva de uma luta com as autoridades em evid\u00eancia, parecendo -lhe que<br \/>\n<br \/>a recusa chocaria a opini\u00e3o p\u00fablica.<br \/> Saulo a seu turno, n\u00e3o poderia obrigar o<br \/>\n<br \/>antagonista a corresponder ao desafio, mesmo porqu e, o Sin\u00e9drio s\u00f3 poderia<br \/>\n<br \/>empregar meios compuls\u00f3rios no caso de uma den\u00fancia p\u00fablica, depois da<br \/>\n<br \/>instaura\u00e7\u00e3o de um processo em que o denunciado fosse reconhecido como<br \/>\n<br \/>blasfemo ou caluniador.<\/p>\n<p>Ante a reiterada escusa de Estev\u00e3o, o doutor de Tarso exasperou -se.<br \/> E<br \/>\n<br \/>depois de irritar a maioria dos companheiros contra o advers\u00e1rio, arquitetou<br \/>\n<br \/>vasto plano, de modo a for\u00e7\u00e1-lo \u00e0 pol\u00eamica desejada, na qual buscaria<br \/>\n<br \/>humilh\u00e1-lo diante de todos os maiorais do juda\u00edsmo dominador.<\/p>\n<p>Depois de uma das sess\u00f5es comuns do Tribun al, Saulo chamou um de<br \/>\n<br \/>seus amigos servi\u00e7ais e falou-lhe em voz baixa:<br \/>\n<br \/>\u2014Neemias, nossa causa precisa de um coopera dor decidido e lembrei-me<br \/>\n<br \/>de ti para a defesa dos nossos princ\u00edpios sagrados.<\/p>\n<p>\u2014De que se trata? \u2014 perguntou o outro com enigm\u00e1tico sorriso.<br \/> \u2014<br \/>\n<br \/>Mandai e estou pronto a obedecer.<\/p>\n<p>\u2014J\u00e1 ouviste falar num falso taumaturgo chamado Estev\u00e3o?<br \/>\n<br \/>61<br \/>\n<br \/>\u2014Um dos tais homens detest\u00e1veis do \u201cCaminho\u201d? J\u00e1 lhe ouvi a pr\u00f3pria<br \/>\n<br \/>palavra e por sinal que reconheci nas suas id\u00e9ias as de um verdadeiro<br \/>\n<br \/>alucinado.<\/p>\n<p>\u2014Ainda bem que o conheces de perto \u2014 replicou o jovem doutor,<br \/>\n<br \/>satisfeito.<\/p>\n<p>Necessito de algu\u00e9m que o denuncie como blasfemo em face da Lei e<br \/>\n<br \/>lembrei-me da tua coopera\u00e7\u00e3o neste sentido.<\/p>\n<p>\u2014S\u00f3 isso? \u2014 interrogou o interpelado, astutamente.<br \/> \u2014 \u00cb coisa f\u00e1cil e<br \/>\n<br \/>agrad\u00e1vel.<br \/> Pois n\u00e3o o ouvi dizer que o carpinteiro crucificado \u00e9 o fundamento<br \/>\n<br \/>da verdade divina? Isso \u00e9 mais que blasf\u00eamia.<br \/> Trata -se de um revolucion\u00e1rio<br \/>\n<br \/>perigoso, que deve ser punido como caluniador de Mois\u00e9s.<\/p>\n<p>\u2014Muito bem! \u2014 exclamou Saulo num largo sor riso.<br \/> \u2014 Conto, pois,<br \/>\n<br \/>contigo.<\/p>\n<p>No dia imediato, Neemias compareceu ao Sin\u00e9drio e denunciou o generoso<br \/>\n<br \/>pregador do Evangelho como blasfemo e caluniador, acrescentando criminosas<br \/>\n<br \/>observa\u00e7\u00f5es de pr\u00f3pria conta.<br \/> Na pe\u00e7a acusat\u00f3ria, Estev\u00e3o figurava como<br \/>\n<br \/>feiticeiro vulgar, mestre de preceitos subversivos em nome de um falso<br \/>\n<br \/>Messias que Jerusal\u00e9m havia crucificado anos antes, mediante id\u00eanticas<br \/>\n<br \/>acusa\u00e7\u00f5es &#8211; Neemias inculcava-se como v\u00edtima da perigosa seita que lhe<br \/>\n<br \/>atingira e disturbara a pr\u00f3pria fam\u00edlia, e afirmava-se testemunha de baixos<br \/>\n<br \/>sortil\u00e9gios por ele praticados, em preju\u00edzo de outrem.<\/p>\n<p>Saulo de Tarso anotou as m\u00ednimas declara\u00e7\u00f5es, acentuando os detalhes<br \/>\n<br \/>comprometedores.<\/p>\n<p>A not\u00edcia estourou na igreja do \u201cCaminho\u201d, pro duzindo efeitos singulares e<br \/>\n<br \/>dolorosos.<\/p>\n<p>Os menos resolutos, com Tiago \u00e0 frente, deixaram-se empolgar por<br \/>\n<br \/>considera\u00e7\u00f5es de toda ordem, receosos de se verem perseguidos; mas<br \/>\n<br \/>Estev\u00e3o, com Sim\u00e3o Pedro e Jo\u00e3o, mantinha -se absolutamente sereno,<br \/>\n<br \/>recebendo com bom \u00e2nimo a ordem de responder corajosamente ao libel o.<\/p>\n<p>Cheio de esperan\u00e7a, rogava a Jesus n\u00e3o o desam parasse, de maneira a<br \/>\n<br \/>testemunhar a riqueza da sua f\u00e9 evang\u00e9lica.<\/p>\n<p>E esperou o ensejo com fidelidade e alegria.<\/p>\n<div class=\"pvc_clear\"><\/div>\n<p id=\"pvc_stats_18716\" class=\"pvc_stats all  \" data-element-id=\"18716\" style=\"\"><i class=\"pvc-stats-icon medium\" aria-hidden=\"true\"><svg aria-hidden=\"true\" focusable=\"false\" data-prefix=\"far\" data-icon=\"chart-bar\" role=\"img\" xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\" viewBox=\"0 0 512 512\" class=\"svg-inline--fa fa-chart-bar fa-w-16 fa-2x\"><path fill=\"currentColor\" d=\"M396.8 352h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8V108.8c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v230.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8zm-192 0h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8V140.8c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v198.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8zm96 0h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8V204.8c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v134.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8zM496 400H48V80c0-8.84-7.16-16-16-16H16C7.16 64 0 71.16 0 80v336c0 17.67 14.33 32 32 32h464c8.84 0 16-7.16 16-16v-16c0-8.84-7.16-16-16-16zm-387.2-48h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8v-70.4c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v70.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8z\" class=\"\"><\/path><\/svg><\/i> <img decoding=\"async\" width=\"16\" height=\"16\" alt=\"Loading\" data-src=\"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/wp-content\/plugins\/page-views-count\/ajax-loader-2x.gif\" border=0 src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" class=\"lazyload\" style=\"--smush-placeholder-width: 16px; --smush-placeholder-aspect-ratio: 16\/16;\" \/><\/p>\n<div class=\"pvc_clear\"><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Saulo e Sadoc entraram na igreja humilde de Je rusal\u00e9m, notando a massa compacta de pobres e miser\u00e1veis que ali se aglomeravam com um raio de esperan\u00e7a nos olhos tristes. O pavilh\u00e3o singelo, constru\u00eddo \u00e0 custa de tantos sacrif\u00edcios, n\u00e3o passava de grande telheiro revestido de paredes fr\u00e1geis, carente de todo e qualquer conforto. Tiago,&hellip; <br \/> <a class=\"read-more\" href=\"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/artigo18716\/\">Leia mais<\/a><\/p>\n<div class=\"pvc_clear\"><\/div>\n<p id=\"pvc_stats_18716\" class=\"pvc_stats all  \" data-element-id=\"18716\" style=\"\"><i class=\"pvc-stats-icon medium\" aria-hidden=\"true\"><svg aria-hidden=\"true\" focusable=\"false\" data-prefix=\"far\" data-icon=\"chart-bar\" role=\"img\" xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\" viewBox=\"0 0 512 512\" class=\"svg-inline--fa fa-chart-bar fa-w-16 fa-2x\"><path fill=\"currentColor\" d=\"M396.8 352h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8V108.8c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v230.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8zm-192 0h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8V140.8c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v198.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8zm96 0h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8V204.8c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v134.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8zM496 400H48V80c0-8.84-7.16-16-16-16H16C7.16 64 0 71.16 0 80v336c0 17.67 14.33 32 32 32h464c8.84 0 16-7.16 16-16v-16c0-8.84-7.16-16-16-16zm-387.2-48h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8v-70.4c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v70.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8z\" class=\"\"><\/path><\/svg><\/i> <img decoding=\"async\" width=\"16\" height=\"16\" alt=\"Loading\" data-src=\"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/wp-content\/plugins\/page-views-count\/ajax-loader-2x.gif\" border=0 src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" class=\"lazyload\" style=\"--smush-placeholder-width: 16px; --smush-placeholder-aspect-ratio: 16\/16;\" \/><\/p>\n<div class=\"pvc_clear\"><\/div>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[16],"tags":[],"class_list":["post-18716","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-mensagens-diversas"],"a3_pvc":{"activated":true,"total_views":359,"today_views":0},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18716","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=18716"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18716\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=18716"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=18716"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=18716"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}