{"id":18955,"date":"2022-06-24T13:12:00","date_gmt":"2022-06-24T13:12:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2022-06-24T13:12:00","modified_gmt":"2022-06-24T13:12:00","slug":"artigo18955","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/artigo18955\/","title":{"rendered":"9 O prisioneiro do Cristo &#8211; PAULO E ESTEV\u00c3O &#8211;  FRANCISCO C\u00c2NDIDO XAVIER"},"content":{"rendered":"<p>O navio de Adram\u00edtio da M\u00edsia, em que viajavam o Ap\u00f3stolo e os<br \/>\n<br \/>companheiros, no dia imediato tocou em S\u00eddon, repetindo -se as cenas<br \/>\n<br \/>comovedoras da v\u00e9spera.<br \/> J\u00falio permitiu que o ex-rabino fosse ter com os<br \/>\n<br \/>amigos, na praia, verificando-se as despedidas entre exorta\u00e7\u00f5es de<br \/>\n<br \/>esperan\u00e7as e muitas l\u00e1grimas.<br \/> Paulo de Tarso ganhou ascend\u00eancia moral<br \/>\n<br \/>sobre o comandante, marinheiros e guardas.<br \/> Sua palavra vibrante conquista ra<br \/>\n<br \/>as aten\u00e7\u00f5es gerais.<\/p>\n<p>Falava de Jesus, n\u00e3o como de uma personalidade inating\u00edvel, mas como<br \/>\n<br \/>de um mestre amoroso e amigo das criaturas, a seguir de perto a evolu\u00e7\u00e3o e<br \/>\n<br \/>reden\u00e7\u00e3o da Humanidade terrena desde os seus prim\u00f3rdios.<br \/> Todos desejavam<br \/>\n<br \/>ouvir-lhe os conceitos, relativamente ao Evangelho e quanto \u00e0 sua proje\u00e7\u00e3o no<br \/>\n<br \/>futuro dos povos.<\/p>\n<p>A embarca\u00e7\u00e3o freq\u00fcentemente deixava divisar pai sagens grat\u00edssimas ao<br \/>\n<br \/>olhar do Ap\u00f3stolo.<br \/> Depois de costear a Fen\u00edcia, surgiram os contornos da ilha<br \/>\n<br \/>de Chipre \u2014 de cariciosas recorda\u00e7\u00f5es.<br \/> Nas proximidades de Panf\u00edlia exultou<br \/>\n<br \/>de \u00edntima alegria pelo dever cumprido, e assim chegou ao porto de Mira, na<br \/>\n<br \/>L\u00edcia.<\/p>\n<p>Foi a\u00ed que J\u00falio resolveu tomar passagem com os companheiros numa<br \/>\n<br \/>embarca\u00e7\u00e3o alexandrina, que se di rigia para a It\u00e1lia.<br \/> Desse modo, a viagem<br \/>\n<br \/>continuou, mas com perspectivas desfavor\u00e1veis.<br \/> O navio levava excesso de<br \/>\n<br \/>carga.<br \/> Al\u00e9m de grande quantidade de trigo, tinha a bordo duzentas e setenta e<br \/>\n<br \/>seis pessoas.<br \/> Aproximava-se o per\u00edodo dif\u00edcil para os trabalhos de navega\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Os ventos sopravam de rijo, contrariando a rota.<br \/> Depois de lon gos dias, ainda<br \/>\n<br \/>vogavam na regi\u00e3o do Caldo.<br \/> Vencendo dificuldades extremas, conseguiram<br \/>\n<br \/>tocar em alguns pontos de Creta.<\/p>\n<p>Observando os obst\u00e1culos da jornada e obedecendo \u00e0 pr\u00f3pria intui\u00e7\u00e3o, o<br \/>\n<br \/>Ap\u00f3stolo, confiado na amizade de J\u00falio, chamou -o em particular e sugeriu o<br \/>\n<br \/>inverneio em Kaloi-Limenes.<br \/> O chefe da coorte tomou o alvitre em con &#8211;<br \/>\n<br \/>sidera\u00e7\u00e3o e apresentou-o ao comandante e ao piloto, os quais o houveram por<br \/>\n<br \/>descab\u00edvel.<\/p>\n<p>\u2014 Que significa isso, centuri\u00e3o? \u2014 perguntou o capit\u00e3o, enf\u00e1tico, com um<br \/>\n<br \/>sorriso algo ir\u00f4nico.<\/p>\n<p>\u2014 Dar cr\u00e9dito a esses prisioneiros? Pois estou a ver que se trata de algum<br \/>\n<br \/>plano de fuga, maquinado com sutileza e prud\u00eancia.<br \/>.<br \/>.<br \/> Mas, seja como for, o<br \/>\n<br \/>alvitre \u00e9 inaceit\u00e1vel, n\u00e3o s\u00f3 pela confian\u00e7a que devemos ter em nossos<br \/>\n<br \/>recursos profissionais, como porque precisamos atingir o porto de F\u00eanix, para o<br \/>\n<br \/>repouso necess\u00e1rio.<\/p>\n<p>O centuri\u00e3o desculpou-se como p\u00f4de, retirando-se um tanto vexado.<\/p>\n<p>Desejaria protestar, esclarecendo que Paulo de Tarso n\u00e3o era u m simples r\u00e9u<br \/>\n<br \/>comum; que n\u00e3o falava por si s\u00f3, mas tamb\u00e9m por Lucas, que igualmente fora<br \/>\n<br \/>mar\u00edtimo dos mais competentes.<br \/> N\u00e3o lhe convinha, por\u00e9m, comprometer sua<br \/>\n<br \/>brilhante situa\u00e7\u00e3o militar e pol\u00ed tica, em antagonismo com as autoridades<br \/>\n<br \/>provincianas.<br \/> Era melhor n\u00e3o insistir, sob pena de ser mal compreen dido pelos<br \/>\n<br \/>homens de sua classe.<br \/> Procurou o Ap\u00f3stolo e f\u00ea -lo sabedor da resposta.<br \/> Paulo,<br \/>\n<br \/>longe de magoar-se, murmurou calmamente:<br \/>\n<br \/>\u2014N\u00e3o nos entriste\u00e7amos por isso! Estou certo de que os \u00f3bices h\u00e3o de ser<br \/>\n<br \/>muito maiores do que possamos suspeitar.<br \/> Haveremos, por\u00e9m, de lograr algum<br \/>\n<br \/>303<br \/>\n<br \/>proveito, porque, nas horas angustiosas, recordaremos o poder de Jesus, que<br \/>\n<br \/>nos avisou a tempo.<\/p>\n<p>A viagem continuou entre receios e esperan\u00e7as.<br \/> O pr\u00f3prio centuri\u00e3o estava<br \/>\n<br \/>agora convencido da inoportunidade da arribada em Kaloi -Limenes, porque,<br \/>\n<br \/>nos dois dias que se seguiram ao conselho do Ap\u00f3stolo, as condi\u00e7\u00f5es<br \/>\n<br \/>atmosf\u00e9ricas melhoraram bastante.<br \/> Logo, po r\u00e9m, que se fizeram ao mar alto,<br \/>\n<br \/>rumo a F\u00eanix, um furac\u00e3o imprevisto caiu de s\u00fab ito.<br \/> De nada valeram<br \/>\n<br \/>provid\u00eancias improvisadas.<br \/> A embarca\u00e7\u00e3o n\u00e3o podia en frentar a tempestade e<br \/>\n<br \/>for\u00e7oso foi deix\u00e1-la \u00e0 merc\u00ea do vento impetuoso, que a arrebatou para muito<br \/>\n<br \/>longe, envolta em denso nevoeiro.<br \/> Come\u00e7aram, ent\u00e3o, padeci mentos<br \/>\n<br \/>angustiosos para aquelas criaturas insuladas no abismo revolto das ondas<br \/>\n<br \/>encapeladas.<br \/> A tormenta parecia eternizar-se.<br \/> Havia quase duas semanas que<br \/>\n<br \/>o vento rugia incessante, destruidor.<br \/> Todo o carregamento de trigo foi alijado,<br \/>\n<br \/>tudo que representava excesso de peso, sem u tilidade imediata, foi tragado<br \/>\n<br \/>pelo monstro insaci\u00e1vel e rugidor!<br \/>\n<br \/>A figura de Paulo foi encarada com venera\u00e7\u00e3o.<br \/> A tripula\u00e7\u00e3o do navio n\u00e3o<br \/>\n<br \/>podia esquecer o seu alvitre.<br \/> O piloto e o comandante estavam confundidos e o<br \/>\n<br \/>prisioneiro tornara-se alvo de respeito e considera\u00e7\u00e3o un\u00e2nimes.<br \/> O centuri\u00e3o,<br \/>\n<br \/>principalmente, permanecia constan temente junto dele, crente de que o ex &#8211;<br \/>\n<br \/>rabino dispunha de poderes sobrenaturais e salvadores, O abatimento moral e<br \/>\n<br \/>o enj\u00f4o espalharam o des\u00e2nimo e o terror.<br \/> O Ap\u00f3stolo generoso, no entanto,<br \/>\n<br \/>acudia a todos, um por um, obrigando -os a se alimentarem e confortando -os<br \/>\n<br \/>moralmente.<br \/> De quando a quando, soltava o verbo elo quente e, com a devida<br \/>\n<br \/>permiss\u00e3o de J\u00falio, falava aos companheiros da hora amarga, procurando<br \/>\n<br \/>identificar as quest\u00f5es espirituais com o espet\u00e1culo convulsivo da Natureza:<br \/>\n<br \/>\u2014 Irm\u00e3os! \u2014 dizia em voz alta para a assembl\u00e9ia estranha, que o ouvia<br \/>\n<br \/>transida de ang\u00fastia \u2014 eu creio que tocaremos breve a terra firme! Entretanto,<br \/>\n<br \/>assumamos o compromisso de jamais olvidar a li\u00e7\u00e3o terr\u00ed vel desta hora.<\/p>\n<p>Procuraremos caminhar no mundo qual ma rinheiro vigilante, que, ignorando o<br \/>\n<br \/>momento da tempestade, guarda a certeza da sua vinda.<br \/> A passagem da<br \/>\n<br \/>exist\u00eancia humana para a vida espiritual assemelha -se ao instante amarguroso<br \/>\n<br \/>que estamos vivendo neste barco, h\u00e1 muitos dias.<br \/> N\u00e3o ignorais que fomos<br \/>\n<br \/>avisados de todos os perigos, no \u00faltimo porto que nos convidava estagiar,<br \/>\n<br \/>livres de acidentes destruidores.<br \/> Buscamos mar alto, de pr\u00f3pria conta.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m Cristo Jesus nos concede os celestes avisos no seu Evangelho de<br \/>\n<br \/>Luz, mas, freq\u00fcentemente optamos pelo abismo das expe ri\u00eancias dolorosas e<br \/>\n<br \/>tr\u00e1gicas.<br \/> A ilus\u00e3o, como o vento sul, parece desmentir as advert\u00eancias do<br \/>\n<br \/>Salvador, e n\u00f3s continuamos pelo caminho da nossa imagina\u00e7\u00e3o vi ciada;<br \/>\n<br \/>entretanto, a tempestade chega de repente.<br \/> \u00c9 preciso passar de uma vida para<br \/>\n<br \/>outra, a fim de retificarmos o rumo inilud\u00edvel.<br \/> Come\u00e7amos por alijar o car &#8211;<br \/>\n<br \/>regamento pesado dos nossos enganos cru\u00e9is, abando namos os caprichos<br \/>\n<br \/>criminosos para aceitar plenamente a vontade augusta de Deus.<\/p>\n<p>Reconhecemos nossa insignific\u00e2ncia e mis\u00e9ria, alcan\u00e7a -nos um t\u00e9dio imenso<br \/>\n<br \/>dos erros que nos alimentavam o cora\u00e7\u00e3o, tal como sen timos o nada que<br \/>\n<br \/>representamos neste arcabou\u00e7o de madeiras fr\u00e1geis, flutuante no abismo,<br \/>\n<br \/>tomados de singular enj\u00f4o, que nos provoca n\u00e1useas extremas! O fim da<br \/>\n<br \/>exist\u00eancia humana \u00e9 sempre uma tormenta como esta, nas regi\u00f5es<br \/>\n<br \/>desconhecidas do mundo interior, por que nunca estamos apercebidos para<br \/>\n<br \/>ouvir as advert\u00eancias divinas e procuramos a tempestade angustiosa e<br \/>\n<br \/>destruidora, pelo roteiro de nossa pr\u00f3pria autoria.<\/p>\n<p>304<br \/>\n<br \/>A assembl\u00e9ia amedrontada ouvia -lhe os conceitos, empolgada de<br \/>\n<br \/>inomin\u00e1vel pavor.<\/p>\n<p>Observando que todos se abra\u00e7avam, confraternizando -se na ang\u00fastia<br \/>\n<br \/>comum, continuava:<br \/>\n<br \/>\u2014 Contemplemos o quadro dos nossos sofrimentos.<br \/> Ve de como o perigo<br \/>\n<br \/>ensina a fraternidade imediata.<br \/> Es tamos aqui, patr\u00edcios romanos, negociantes<br \/>\n<br \/>de Alexandria, plutocratas de Fen\u00edcia, autoridades, soldados, pri sioneiros,<br \/>\n<br \/>mulheres e crian\u00e7as.<br \/>.<br \/>.<br \/> Embora diferentes uns dos outros, perante Deus a dor<br \/>\n<br \/>nos irmana os sentimentos para o mesmo fim de salva\u00e7\u00e3o e restabelecimento<br \/>\n<br \/>da paz.<br \/> Creio que a vida em terra firme seria muito diferente, se as criaturas l\u00e1<br \/>\n<br \/>se compreendessem tal como acontece aqui, agora, nas vastid\u00f5es marinhas.<\/p>\n<p>Alguns sopitavam o despeito, ouvin do a palavra apostolar, mas a grande<br \/>\n<br \/>maioria acercava-se, reconhecendo-lhe a inspira\u00e7\u00e3o superior e desejosa de<br \/>\n<br \/>confugir-se \u00e0 sombra da sua virtude her\u00f3ica.<\/p>\n<p>Decorridos catorze dias de cerra\u00e7\u00e3o e tormenta.<br \/> o barco alexandrino atingiu<br \/>\n<br \/>a ilha de Malta.<br \/> Enorme, geral alegria; mas, o comandante, ao ver afastado o<br \/>\n<br \/>perigo e sentindo-se humilhado com a atitude do Ap\u00f3stolo durante a viagem,<br \/>\n<br \/>sugeriu a dois soldados o assass\u00ednio dos prisioneiros de Cesar\u00e9ia, antes que<br \/>\n<br \/>pudessem evadir-se.<br \/> Os prepostos do centuri\u00e3o ass umiram a paternidade<br \/>\n<br \/>desse alvitre, mas J\u00falio se op\u00f4s, terminantemente, deixando perceber a<br \/>\n<br \/>transforma\u00e7\u00e3o espiritual que o feli citava agora, \u00e0 luz do Evangelho redentor.<br \/> Os<br \/>\n<br \/>presos que sabiam nadar atiraram-se \u00e0 \u00e1gua corajosamente; os demais<br \/>\n<br \/>agarravam-se aos botes improvisados, buscando a praia.<\/p>\n<p>Os naturais da Ilha, bem como os poucos romanos que l\u00e1 residiam a<br \/>\n<br \/>servi\u00e7o da administra\u00e7\u00e3o, acolheram os n\u00e1ufragos com simpatia; mas, por<br \/>\n<br \/>numerosos, n\u00e3o havia acomoda\u00e7\u00e3o para todos.<br \/> Frio intenso enregelava os<br \/>\n<br \/>mais resistentes.<br \/> Paulo, todavia, dando mostras do seu valor e experi\u00eancia no<br \/>\n<br \/>afrontar intemp\u00e9ries, tratou de dar o exemplo aos mais abatidos, para que se<br \/>\n<br \/>fizesse fogo, sem demora.<br \/> Grandes fogueiras foram acesas rapi damente para<br \/>\n<br \/>aquecimento dos desabrigados; mas, quando o Ap\u00f3stolo atirava um feixe de<br \/>\n<br \/>ramos secos \u00e0 labareda crepitante, uma v\u00edbora cravou -lhe na m\u00e3o os dentes<br \/>\n<br \/>venenosos.<br \/> O ex-rabino susteve-a no ar com um gesto sereno, at\u00e9 que ela<br \/>\n<br \/>ca\u00edsse nas chamas, com estupefa\u00e7\u00e3o geral.<br \/> Lucas e Tim\u00f3teo aproximaram-se<br \/>\n<br \/>aflitos.<br \/> O chefe da coorte e alguns amigos estavam desolados.<br \/> \u00c9 que os<br \/>\n<br \/>naturais da Ilha, observando o fato, davam alarme, asseverando que o r\u00e9ptil<br \/>\n<br \/>era dos mais venenosos da regi\u00e3o, e que as v\u00edtimas n\u00e3o sobreviviam mais que<br \/>\n<br \/>horas.<\/p>\n<p>Os ind\u00edgenas, impressionados, afastavam-se discretamente.<br \/> Outros,<br \/>\n<br \/>assustadi\u00e7os, afirmavam:<br \/>\n<br \/>\u2014 Este homem deve ser um grande criminoso, pois, salvando -se das<br \/>\n<br \/>ondas bravias, veio encontrar aqui o castigo dos deuses.<\/p>\n<p>N\u00e3o eram poucos os que aguardavam a morte do Ap\u00f3stolo, cont ando os<br \/>\n<br \/>minutos; Paulo, no entanto, aque cendo-se como lhe era poss\u00edvel, observava a<br \/>\n<br \/>express\u00e3o fision\u00f4mica de cada um e orava com fervor.<br \/> Diante do progn\u00f3stico<br \/>\n<br \/>dos nativos da Ilha, Tim\u00f3teo aproximou -se mais intimamente e buscou<br \/>\n<br \/>cientific\u00e1-lo do que diziam a seu respeito.<\/p>\n<p>O ex-rabino sorriu e murmurou:<br \/>\n<br \/>\u2014 N\u00e3o te impressiones.<br \/> As opini\u00f5es do vulgo s\u00e3o muito inconstantes,<br \/>\n<br \/>tenho disso experi\u00eancia pr\u00f3pria.<br \/> Es tejamos atentos aos nossos deveres,<br \/>\n<br \/>porque a ignor\u00e2ncia sempre est\u00e1 pronta a transitar da maldi\u00e7\u00e3o ao elo gio e<br \/>\n<br \/>305<br \/>\n<br \/>vice-versa.<br \/> \u00c9 bem poss\u00edvel que daqui a algumas horas me considerem um<br \/>\n<br \/>deus.<\/p>\n<p>Com efeito, quando viram que ele n\u00e3o acusara nem mesmo a mais leve<br \/>\n<br \/>impress\u00e3o de dor, os ind\u00edgenas pas saram a observ\u00e1-lo como entidade<br \/>\n<br \/>sobrenatural.<br \/> J\u00e1 que se mantivera inden e ao veneno da v\u00edbora, n\u00e3o poderia ser<br \/>\n<br \/>um homem comum, antes algum enviado do Olimpo, a que todos deveriam<br \/>\n<br \/>obedecer.<\/p>\n<p>A esse tempo, o mais alto funcion\u00e1rio de Malta, P\u00fablio Apiano, chegara ao<br \/>\n<br \/>local e ordenava as primeiras provid\u00eancias para socorrer os n\u00e1ufr agos, sendo<br \/>\n<br \/>eles conduzidos a vastos galp\u00f5es desabitados, pr\u00f3ximo de sua resid\u00eancia, l\u00e1<br \/>\n<br \/>recebendo caldos quentes, rem\u00e9dio e roupas.<br \/> O preposto imperial reservou os<br \/>\n<br \/>melhores c\u00f4modos da pr\u00f3pria moradia para o comandante do navio e o cen &#8211;<br \/>\n<br \/>turi\u00e3o J\u00falio, atento ao prest\u00edgio dos respectivos cargos, at\u00e9 que pudessem<br \/>\n<br \/>obter novas acomoda\u00e7\u00f5es na Ilha.<br \/> O chefe da coorte, no entanto, sentindo -se<br \/>\n<br \/>agora extremamente ligado ao Ap\u00f3stolo dos gentios, solicitou ao gene roso<br \/>\n<br \/>funcion\u00e1rio romano acolhesse o ex -rabino com a defer\u00eancia a que fazia jus, ao<br \/>\n<br \/>mesmo tempo que elogiava as suas virtudes her\u00f3icas.<\/p>\n<p>Ciente da elevada condi\u00e7\u00e3o espiritual do convertido de Damasco e ouvindo<br \/>\n<br \/>os fatos maravilhosos, que lhe atribu\u00edam no cap\u00edtulo das curas, lembrou<br \/>\n<br \/>comovidamente ao centuri\u00e3o:<br \/>\n<br \/>\u2014Ainda bem! Lembran\u00e7a preciosa a vossa, mesmo porque, tenho aqui<br \/>\n<br \/>meu pai enfermo e desejaria experimentar as virtudes desse santo var\u00e3o do<br \/>\n<br \/>povo de Israel!.<br \/>.<br \/>.<\/p>\n<p>Convidado por J\u00falio, Paulo aquiesceu desassombrado e assim<br \/>\n<br \/>compareceu em casa de P\u00fablio.<br \/> Lev ado \u00e0 presen\u00e7a do anci\u00e3o enfermo, imp\u00f4s &#8211;<br \/>\n<br \/>lhe as m\u00e3os calosas e enrugadas, em prece comovedora e ardente.<br \/> O velhinho<br \/>\n<br \/>que ardia e se consumia em febre letal, experimentou imediato al\u00edvio e rendeu<br \/>\n<br \/>gra\u00e7as aos deuses de sua cren\u00e7a.<br \/> Tomado de surpresa, P\u00fablio Ap lano viu-o<br \/>\n<br \/>levantar-se procurando a destra do benfeitor para um \u00f3sculo santo.<br \/> O ex &#8211;<br \/>\n<br \/>rabino, no entanto, valeu-se da situa\u00e7\u00e3o e, ali mesmo, exaltou o Divino Mestre,<br \/>\n<br \/>pregando as verdades eternas e esclarecendo que todos os bens provinham do<br \/>\n<br \/>seu cora\u00e7\u00e3o misericordioso e justo e n\u00e3o de criaturas pobres e fr\u00e1geis, quanto<br \/>\n<br \/>ele.<\/p>\n<p>O preposto do Imp\u00e9rio quis conhecer o Evangelho imediatamente.<\/p>\n<p>Arrancando das dobras da t\u00fanica, em frangalhos, os pergaminhos da Boa<br \/>\n<br \/>Nova, \u00fanico patrim\u00f4nio que lhe ficara nas m\u00e3os, depois da tempestade, Paulo<br \/>\n<br \/>de Tarso passou a exibir os pensamentos e ensinos de Jesus, quase com<br \/>\n<br \/>orgulho.<br \/> P\u00fablio ordenou que o do cumento fosse copiado, e prometeu<br \/>\n<br \/>interessar-se pela situa\u00e7\u00e3o do Ap\u00f3stolo, utilizando suas rela\u00e7\u00f5es em Roma, a<br \/>\n<br \/>fim de lhe conseguir a liberdade.<\/p>\n<p>A not\u00edcia do feito espalhou-se em poucas horas.<br \/> N\u00e3o se falava de outra<br \/>\n<br \/>coisa, sen\u00e3o do homem providencial que os deuses haviam mandado \u00e0 Ilha,<br \/>\n<br \/>para que os doentes fossem curados e o povo recebesse novas revela\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Com a complac\u00eancia de J\u00falio, o ex-rabino e os companheiros obtiveram<br \/>\n<br \/>um velho sal\u00e3o do administrador, onde os servi\u00e7os evang\u00e9licos funcionaram<br \/>\n<br \/>regularmente, durante os meses do inverno rigoroso.<br \/> Multid\u00f5es de enfermos<br \/>\n<br \/>foram curados.<br \/> Velhos mis\u00e9rrimos, na clari dade dos tesouros do Cristo<br \/>\n<br \/>alcan\u00e7aram novas esperan\u00e7as.<br \/> Quando voltou a \u00e9poca da navega\u00e7\u00e3o, Paulo j\u00e1<br \/>\n<br \/>havia criado em toda a Ilha uma vasta fam\u00edlia crist\u00e3, cheia de paz e nobres<br \/>\n<br \/>realiza\u00e7\u00f5es para o futuro.<\/p>\n<p>306<br \/>\n<br \/>Atento aos imperativos da sua comiss\u00e3o, J\u00falio re solveu partir com os<br \/>\n<br \/>prisioneiros no navio \u201cCastor e P\u00f3lux\u201d, que ali invernara e se destinava \u00e0 It\u00e1lia.<\/p>\n<p>No dia do embarque, o Ap\u00f3stolo teve a consola\u00e7\u00e3o de aferir o interesse<br \/>\n<br \/>afetuoso dos novos amigos do Evan gelho, recebendo, sensibilizado,<br \/>\n<br \/>manifesta\u00e7\u00f5es de fraternal carinho.<br \/> A bandeira augusta do Cristo tamb\u00e9m ali<br \/>\n<br \/>ficara desfraldada, para sempre.<\/p>\n<p>O navio demandou a costa italiana debaixo de ven tos favor\u00e1veis.<\/p>\n<p>Chegados a Siracusa, na Sic\u00edlia, amparado pelo ge neroso centuri\u00e3o, agora<br \/>\n<br \/>devotado amigo, Paulo de Tarso aproveitou os tr\u00eas dias de perman\u00eancia na<br \/>\n<br \/>cidade, em prega\u00e7\u00f5es do Reino de Deus, atraindo numerosas criatu ras ao<br \/>\n<br \/>Evangelho.<\/p>\n<p>Em seguida, a embarca\u00e7\u00e3o penetrou o estreito, tocou em R\u00e9gio, aproando<br \/>\n<br \/>da\u00ed a Pouzzoles (Put\u00e9oli), n\u00e3o longe de Ves\u00favio.<\/p>\n<p>Antes do desembarque, o centuri\u00e3o aproximou-se do Ap\u00f3stolo,<br \/>\n<br \/>respeitosamente, e falou:<br \/>\n<br \/>\u2014Meu amigo, at\u00e9 agora estiveste sob o amparo da minha amizade<br \/>\n<br \/>pessoal, direta; daqui por diante, po r\u00e9m, temos de viajar sob os olhares<br \/>\n<br \/>indagadores de quantos habitam nas proximidades da metr\u00f3 pole e h\u00e1 que<br \/>\n<br \/>considerar vossa condi\u00e7\u00e3o de prisioneiro.<br \/>.<br \/>.<\/p>\n<p>Notando-lhe o natural constrangimento, mescla de humildade e respeito,<br \/>\n<br \/>Paulo exclamou:<br \/>\n<br \/>\u2014Ora esta, J\u00falio, n\u00e3o te incomodes! Sei que tens necessidade de<br \/>\n<br \/>algemar-me os pulsos para a exata exe cu\u00e7\u00e3o de teus deveres.<br \/> Apressa-te a<br \/>\n<br \/>faz\u00ea-lo, pois n\u00e3o me seria l\u00edcito comprometer uma afei\u00e7\u00e3o t\u00e3o pura, qual a<br \/>\n<br \/>nossa.<\/p>\n<p>O chefe da coorte tinha os olhos molhados, mas, retirando as algemas da<br \/>\n<br \/>pequena bolsa, acentuou:<br \/>\n<br \/>\u2014 Disputo a alegria de ficar convosco.<br \/> Quisera se r, como v\u00f3s, um<br \/>\n<br \/>prisioneiro do Cristo!.<br \/>.<br \/>.<\/p>\n<p>Paulo estendeu a m\u00e3o, extremamente comovido, per manecendo ligado ao<br \/>\n<br \/>centuri\u00e3o, sob o olhar carinhoso dos tr\u00eas companheiros.<\/p>\n<p>J\u00falio determinou que os prisioneiros comuns fossem instalados em pris\u00f5es<br \/>\n<br \/>gradeadas e que Paulo, Tim\u00f3teo, Aristarco e Lucas ficassem em sua<br \/>\n<br \/>companhia, numa pens\u00e3o modesta.<\/p>\n<p>Em face da humildade do Ap\u00f3stolo e de seus colaboradores, o chefe da<br \/>\n<br \/>coorte parecia mais generoso e fraternal.<br \/> Desejoso de agradar ao velho<br \/>\n<br \/>disc\u00edpulo de Jesus, mandou sindica r, imediatamente, se em Pouzzoles havia<br \/>\n<br \/>crist\u00e3os e, em caso afirmativo, que fossem \u00e0 sua presen\u00e7a, para conhecerem<br \/>\n<br \/>os trabalhadores da semeadura santa.<br \/> O soldado incumbido da miss\u00e3o, dai a<br \/>\n<br \/>poucas horas, trazia consigo um generoso velhinho de nome Sexto Fl\u00e1 cus,<br \/>\n<br \/>cuja fisionomia transbordava a mais viva alegria.<br \/> Logo \u00e0 entrada, aproximou -se<br \/>\n<br \/>do velho Ap\u00f3stolo e osculou-lhe as m\u00e3os, regou-as de l\u00e1grimas, em transportes<br \/>\n<br \/>de espont\u00e2neo carinho.<\/p>\n<p>Estabeleceu-se, imediatamente, consoladora palestra de que Paulo de<br \/>\n<br \/>Tarso participava comovido.<br \/> Fl\u00e1cus informou que a cidade tinha h\u00e1 muito a sua<br \/>\n<br \/>igreja; que o Evangelho ganhava terreno nos cora\u00e7\u00f5es; que as cartas do ex &#8211;<br \/>\n<br \/>rabino eram tema de medita\u00e7\u00e3o e estudo em todos os lares crist\u00e3os, que<br \/>\n<br \/>reconheciam em suas atividades a mis s\u00e3o de um mensageiro do Messias<br \/>\n<br \/>salvador.<br \/> Tomando a velha bolsa arrancou, ali mesmo, a c\u00f3pia da ep\u00edstola aos<br \/>\n<br \/>romanos, guardada pelos confrades de Pouzzoles com especial carinho.<\/p>\n<p>307<br \/>\n<br \/>Paulo tudo ouvia gratamente impressionado, pare cendo-lhe que chegava a<br \/>\n<br \/>um mundo novo.<\/p>\n<p>J\u00falio, por sua vez, n\u00e3o cabia em si de contente.<br \/> E, dando largas ao seu<br \/>\n<br \/>entusiasmo natural, Sexto Fl\u00e1cus expediu recados aos companheiros.<br \/> Aos<br \/>\n<br \/>poucos, a modesta estalagem enchia-se de caras novas.<br \/> Eram padei ros,<br \/>\n<br \/>negociantes e art\u00edfices que vinh am, ansiosos, apertar a m\u00e3o do amigo da<br \/>\n<br \/>gentilidade.<br \/> Todos queriam beber os conceitos do Ap\u00f3stolo, v\u00ea -lo de perto,<br \/>\n<br \/>beijar-lhe as m\u00e3os.<br \/> Paulo e companheiros foram convidados a falar na igreja<br \/>\n<br \/>\u00e0quela mesma noite e, cientes de que o centu ri\u00e3o pretendia partir para Roma<br \/>\n<br \/>no dia imediato, os sinceros disc\u00edpulos do Evangelho, em Pouzzoles, rogaram<br \/>\n<br \/>a J\u00falio permitisse a demora de Paulo entre eles, ao menos por sete dias, ao<br \/>\n<br \/>que o chefe da coorte atendeu de bom grado.<\/p>\n<p>A comunidade viveu horas de j\u00fabilo imenso.<br \/> Sexto Fl\u00e1cus e os<br \/>\n<br \/>companheiros expediram dois emiss\u00e1rios a Roma, para que os amigos da<br \/>\n<br \/>cidade imperial tivessem conhecimento da vinda do Ap\u00f3stolo dos gentios.<br \/> E,<br \/>\n<br \/>cantando louvores no cora\u00e7\u00e3o, os crentes passaram dias de ilimitada ventura.<\/p>\n<p>Decorrida a semana de trabalhos frutuosos, felizes, o centuri\u00e3o fez ver a<br \/>\n<br \/>necessidade de partir.<\/p>\n<p>A dist\u00e2ncia a vencer excedia de duzentos quil\u00f4me tros, com sete dias de<br \/>\n<br \/>marcha consecutiva e fatigante.<\/p>\n<p>O pequeno grupo partiu acompanhado de mais de cinq\u00fcenta crist\u00e3os de<br \/>\n<br \/>Pouzzoles, que seguiram o ex-rabino at\u00e9 F\u00f3rum de \u00c1pio, em cavalos<br \/>\n<br \/>resistentes, montando carinhosa guarda aos carros dos guardas e prisioneiros.<\/p>\n<p>Nessa localidade, distante de Roma quarenta e poucas milhas, aguardava o<br \/>\n<br \/>Ap\u00f3stolo dos gentios a primeira representa\u00e7\u00e3o d os disc\u00edpulos do Evangelho na<br \/>\n<br \/>cidade imperial.<br \/> Eram anci\u00e3es comovidos, cercados por alguns companheiros<br \/>\n<br \/>generosos, que, por pouco, carregavam o ex -rabino nos bra\u00e7os.<br \/> J\u00falio n\u00e3o sabia<br \/>\n<br \/>como disfar\u00e7ar a surpresa que lhe ia nalma.<br \/> Jamais viajara com um pri sioneiro<br \/>\n<br \/>de tamanho prest\u00edgio.<br \/> De F\u00f3rum de \u00c1pio a caravana demandou o s\u00edtio<br \/>\n<br \/>denominado \u201cAs Tr\u00eas Tavernas\u201d, acrescida agora do grande ve\u00edculo que levava<br \/>\n<br \/>os anci\u00e3es romanos, e sempre rodeada de cavaleiros for tes e bem dispostos.<\/p>\n<p>Nessa regi\u00e3o, singularmente nomeada, em vista do grande conforto de suas<br \/>\n<br \/>hospedarias, outros carros e novos amigos esperavam Paulo de Tarso com<br \/>\n<br \/>sublimes demonstra\u00e7\u00f5es de alegria.<br \/> O Ap\u00f3stolo, agora, contemplava as<br \/>\n<br \/>regi\u00f5es do L\u00e1cio empolgado por emo\u00e7\u00f5es suaves e doces.<br \/> Tinha a impress\u00e3o<br \/>\n<br \/>de haver aportado a um mundo diferente da sua \u00c1sia cheia de combates<br \/>\n<br \/>acerbos.<\/p>\n<p>Com permiss\u00e3o de J\u00falio, a figura mais representa tiva dos anci\u00e3es romanos<br \/>\n<br \/>tomara assento junto de Paulo, naquele jubiloso fim de viagem.<br \/> O velho<br \/>\n<br \/>Apolodoro, depois de certificar-se da simpatia do chefe da coorte pela doutrina<br \/>\n<br \/>de Jesus, tornou-se mais vivo e minucioso no seu notici\u00e1rio verbal, atendendo<br \/>\n<br \/>\u00e0s perguntas afetuosas do Ap\u00f3stolo dos gentios.<\/p>\n<p>\u2014Vindes a Roma em boa \u00e9poca \u2014 acentuava o velhinho em tom<br \/>\n<br \/>resignado \u2014; temos a impress\u00e3o de que nossos sofrimentos por Jesus v\u00e3o ser<br \/>\n<br \/>multiplicados.<br \/> Estamos em 61, mas h\u00e1 tr\u00eas anos que os disc\u00edpulos do<br \/>\n<br \/>Evangelho come\u00e7aram a morrer nas arenas do circo pelo nome augusco do<br \/>\n<br \/>Salvador.<\/p>\n<p>\u2014 Sim \u2014 disse Paulo de Tarso solicitamente.<\/p>\n<p>Eu ainda n\u00e3o havia sido preso em Jerusal\u00e9m, quando ouvi refer\u00eancias \u00e0s<br \/>\n<br \/>persegui\u00e7\u00f5es indiretas, movidas aos adeptos do Cristianismo pelas autoridades<br \/>\n<br \/>308<br \/>\n<br \/>romanas.<\/p>\n<p>\u2014N\u00e3o s\u00e3o poucos \u2014 acrescentou o anci\u00e3o \u2014 os que t\u00eam dado seu<br \/>\n<br \/>sangue nos espet\u00e1culos homicidas.<br \/> Nossos c ompanheiros t\u00eam ca\u00eddo \u00e0s<br \/>\n<br \/>centenas, aos apupos do povo inconsciente, estra\u00e7alhados pelas feras ou nos<br \/>\n<br \/>postes do mart\u00edrio.<br \/>.<br \/>.<\/p>\n<p>O centuri\u00e3o, muito p\u00e1lido, interrogou:<br \/>\n<br \/>\u2014Mas como pode ser isso? H\u00e1 medidas legais que justifiquem esses feitos<br \/>\n<br \/>criminosos?<br \/>\n<br \/>\u2014E quem poder\u00e1 falar em justi\u00e7a no governo de Nero? \u2014 replicou<br \/>\n<br \/>Apolodoro com um sorriso de santa resigna\u00e7\u00e3o.<br \/> \u2014 Ainda agora, perdi um filho<br \/>\n<br \/>amado nessas horrorosas carnificinas.<\/p>\n<p>\u2014Mas, como? \u2014 tornou o chefe da coorte admi rado.<\/p>\n<p>&#8211; Muito simplesmente \u2014 esclareceu o velhinho \u2014: os crist\u00e3os s\u00e3o<br \/>\n<br \/>conduzidos aos circos do mart\u00edrio e da morte, como escravos faltosos e<br \/>\n<br \/>mis\u00e9rrimos.<br \/> Como ainda n\u00e3o existe um fundamento legal que justifique seme &#8211;<br \/>\n<br \/>lhantes condena\u00e7\u00f5es, as v\u00edtimas s\u00e3o designadas como cativos que mereceram<br \/>\n<br \/>os supl\u00edcios extremos.<\/p>\n<p>\u2014Mas n\u00e3o existe um pol\u00edtico, ao menos, que possa desmascarar o torpe<br \/>\n<br \/>sofisma?<br \/>\n<br \/>\u2014Quase todos os estadistas honestos e justos est\u00e3o exilados, para n\u00e3o<br \/>\n<br \/>falar dos muitos induzidos ao suic\u00eddio pelos prepostos diretos do Imperador.<\/p>\n<p>Acreditamos que a persegui\u00e7\u00e3o declarada aos disc\u00edpulos do Evangelho n\u00e3o<br \/>\n<br \/>tardar\u00e1 muito.<br \/> A medida tem sido retardada somente pela interven\u00e7\u00e3o de<br \/>\n<br \/>algumas senhoras convertidas a Jesus, que tudo t\u00eam feito pela defesa de<br \/>\n<br \/>nossos ideais.<br \/> N\u00e3o fora isso, talvez a situa\u00e7\u00e3o se revelasse mais dolorosa.<\/p>\n<p>\u2014Precisamos negar a n\u00f3s mesmos e tomar a cruz \u2014exclamou Paulo de<br \/>\n<br \/>Tarso, compreendendo o rigor dos tempos.<\/p>\n<p>\u2014Tudo isso \u00e9 muito estranho para n\u00f3s outros \u2014ponderou J\u00falio<br \/>\n<br \/>acertadamente \u2014, pois n\u00e3o vemos raz\u00e3o para tamanha tirania.<br \/> \u00c9 u m contrasenso<br \/>\n<br \/>a persegui\u00e7\u00e3o aos adeptos do Cristo, que trabalham pela forma\u00e7\u00e3o de<br \/>\n<br \/>um mundo melhor, quando por a\u00ed medram tantas comunidades de malfeitores,<br \/>\n<br \/>a reclamarem repress\u00e3o legal.<br \/> Com que pretexto se promove esse movimento<br \/>\n<br \/>sorrateiro?<br \/>\n<br \/>Apolodoro pareceu concentrar-se e replicou:<br \/>\n<br \/>\u2014Acusam-nos de inimigos do Estado, a solapar -lhe as bases pol\u00edticas com<br \/>\n<br \/>id\u00e9ias subversivas e destruidoras.<br \/> A concep\u00e7\u00e3o de bondade, no Cristianismo,<br \/>\n<br \/>d\u00e1 azo a que muitos interpretem mal os ensinamentos de Jesus.<br \/> Os romanos<br \/>\n<br \/>abastados, os ilustres, n\u00e3o toleram a id\u00e9ia de fraternidade humana.<br \/> Para eles o<br \/>\n<br \/>inimigo \u00e9 inimigo, o escravo \u00e9 escravo, o miser\u00e1vel \u00e9 miser\u00e1vel.<br \/> N\u00e3o lhes<br \/>\n<br \/>ocorre abandonar, por um momento sequer, o festim dos prazeres f\u00e1ceis e<br \/>\n<br \/>criminosos, para cogitar da eleva\u00e7 \u00e3o do n\u00edvel social.<br \/> Rar\u00edssimos os que se<br \/>\n<br \/>preocupam com os problemas da plebe.<br \/> Um patr\u00edcio caridoso \u00e9 apontado com<br \/>\n<br \/>ironias.<br \/> Num tal ambiente, os desfavorecidos da sorte encontraram no Cristo<br \/>\n<br \/>Jesus um Salvador bem-amado, e os avarentos um advers\u00e1rio a elimin ar, para<br \/>\n<br \/>que o povo n\u00e3o alimente esperan\u00e7as.<br \/> Examinada essa circunst\u00e2ncia, podemos<br \/>\n<br \/>imaginar o progresso da doutrina crist\u00e3, entre os aflitos e pobres, tendo -se em<br \/>\n<br \/>vista que Roma sempre foi um enorme carro de triunfo mundano, que segue<br \/>\n<br \/>com os verdugos autorit\u00e1rios e tir\u00e2nicos na bol\u00e9ia, cercado de multid\u00f5es<br \/>\n<br \/>famintas, que v\u00e3o apanhando as migalhas de sobejo.<br \/> As primeiras prega\u00e7\u00f5es<br \/>\n<br \/>crist\u00e3s passaram despercebidas, mas, quando a massa popular demonstrou<br \/>\n<br \/>309<br \/>\n<br \/>entender o elevado alcance da nova doutrina, come\u00e7aram as l utas acerbas.<br \/> De<br \/>\n<br \/>culto livre em suas manifesta\u00e7\u00f5es, o Cristianismo passou a ser rigorosa -mente<br \/>\n<br \/>fiscalizado.<br \/> Dizia-se que nossas c\u00e9lulas eram ori gin\u00e1rias de feiti\u00e7arias e<br \/>\n<br \/>sortil\u00e9gios.<br \/> Em seguida, como se verificaram pequenas rebeli\u00f5es de escravos,<br \/>\n<br \/>nos pal\u00e1cios nobres da cidade, nossas reuni\u00f5es de preces e bene f\u00edcios<br \/>\n<br \/>espirituais foram proibidas.<br \/> As agremia\u00e7\u00f5es foram dissolvidas \u00e0 for\u00e7a.<br \/> Em vista,<br \/>\n<br \/>por\u00e9m, das garantias de que gozam as cooperativas funer\u00e1rias, passamos a<br \/>\n<br \/>nos reunir alta noite no \u00e2mago das cat acumbas.<br \/> Ainda assim, descobertos<br \/>\n<br \/>pelos sequazes do Imperador, nossos n\u00facleos de ora\u00e7\u00e3o t\u00eam experimentado<br \/>\n<br \/>pesadas torturas.<\/p>\n<p>\u2014 \u00c9 horr\u00edvel tudo isso! \u2014 exclamou o centuri\u00e3o compungido \u2014 e o que<br \/>\n<br \/>admira \u00e9 haver funcion\u00e1rios dispostos a executar determina\u00e7\u00f5es t\u00e3o injustas!.<br \/>.<br \/>.<\/p>\n<p>Apolodoro sorriu e acentuou:<br \/>\n<br \/>\u2014A tirania contempor\u00e2nea tudo justifica.<br \/> N\u00e3o le vais, v\u00f3s mesmo, um<br \/>\n<br \/>ap\u00f3stolo prisioneiro? Entretanto, reconhe\u00e7o que sois dele um grande amigo.<\/p>\n<p>A compara\u00e7\u00e3o do velho e arguto observador fez em palidecer ligeiramente o<br \/>\n<br \/>centuri\u00e3o.<\/p>\n<p>\u2014Sim, sim \u2014 murmurava ele, tentando explicar -se.<\/p>\n<p>Paulo de Tarso, todavia, reconhecendo a posi\u00e7\u00e3o e<br \/>\n<br \/>o embara\u00e7o do amigo, acudiu esclarecendo:<br \/>\n<br \/>\u2014Mas a verdade \u00e9 que n\u00e3o fui encarcerado por malvadez ou in\u00f3pia dos<br \/>\n<br \/>romanos, desconhecedores de Jesus-Cristo, mas por meus pr\u00f3prios irm\u00e3os de<br \/>\n<br \/>ra\u00e7a.<br \/> Ali\u00e1s, tanto em Jerusal\u00e9m como em Cesar\u00e9ia, encontrei a mais sincera<br \/>\n<br \/>boa-vontade dos prepostos do Imp\u00e9rio.<\/p>\n<p>Em tudo isso, amigos, preponderam as injun\u00e7\u00f5es do ser vi\u00e7o do Mestre.<\/p>\n<p>Para o \u00eaxito indispens\u00e1vel dos seus esfor\u00e7os remissores, os disc\u00edpulos n\u00e3o<br \/>\n<br \/>poder\u00e3o caminhar no mundo sem as marcas da cruz.<\/p>\n<p>Os interlocutores entreolharam-se satisfeitos.<br \/> A explica\u00e7\u00e3o do Ap\u00f3stolo<br \/>\n<br \/>vinha elucidar completamente o problema.<\/p>\n<p>O grupo numeroso alcan\u00e7ou Alba Longa, onde novo contingente de<br \/>\n<br \/>cavaleiros esperava o valoroso mission\u00e1 rio.<br \/> Da\u00ed at\u00e9 Roma, a caravana moveu &#8211;<br \/>\n<br \/>se mais vagarosa, experimentando sublimadas sensa\u00e7\u00f5es de alegria.<br \/> Paulo de<br \/>\n<br \/>Tarso, muito sensibilizado, admirava a beleza singu lar das paisagens<br \/>\n<br \/>desdobradas ao longo da Via Apia.<br \/> Mais alguns minutos e os viajores atingiam<br \/>\n<br \/>a Porta Capena, onde centenas de mulheres e crian\u00e7as aguar davam o<br \/>\n<br \/>Ap\u00f3stolo.<br \/> Era um quadro comovente!<br \/>\n<br \/>O cortejo parou para que os amigos o abra\u00e7assem.<br \/> Eminentemente<br \/>\n<br \/>emocionado, o centuri\u00e3o acomp anhou a cena inesquec\u00edvel, contemplando<br \/>\n<br \/>anci\u00e3s de cabelos nevados osculando as m\u00e3os de Paulo, com infinito carinho.<\/p>\n<p>O Ap\u00f3stolo, enlevado naquelas explos\u00f5es de afeto, n\u00e3o sabia se havia de<br \/>\n<br \/>contemplar os panoramas prodi giosos da cidade das sete colinas, se paralisar<br \/>\n<br \/>o curso das emo\u00e7\u00f5es para prosternar -se em esp\u00edrito, num preito justo de<br \/>\n<br \/>reconhecimento a Jesus.<\/p>\n<p>Obedecendo \u00e0s pondera\u00e7\u00f5es amigas de Apolodoro, o grupo dispersou -se.<\/p>\n<p>Roma inteira banhava-se suavemente no crep\u00fasculo de opalas.<br \/> Brisas<br \/>\n<br \/>cariciosas sopravam, de longe, balsamizando a tarde quente.<br \/> Considerando<br \/>\n<br \/>que Paulo precisava de repouso, o centuri\u00e3o resolveu passar a noite numa<br \/>\n<br \/>hospedaria e apresentar-se com os prisioneiros no dia imediato, ao Quartel dos<br \/>\n<br \/>Pretorianos, depois de refei tos da longa e exaustiva viagem.<\/p>\n<p>Somente na manh\u00e3 seguinte, compareceu perante as autoridades<br \/>\n<br \/>310<br \/>\n<br \/>competentes, apresentando os acusados.<br \/> Feliz expediente aquele, porque o<br \/>\n<br \/>ex-rabino sentia-se perfeitamente reconfortado.<br \/> Na v\u00e9spera, Lucas, Tim\u00f3teo e<br \/>\n<br \/>Aristarco separaram-se dele, a fim de se instalarem na companhia dos irm\u00e3os<br \/>\n<br \/>de ideal, at\u00e9 poderem fixar a sua posi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O centuri\u00e3o de Cesar\u00e9ia encontrou no Quartel da Via Nomentana altos<br \/>\n<br \/>funcion\u00e1rios que podiam perfeitamente atend\u00ea-lo, com refer\u00eancia ao assunto<br \/>\n<br \/>que o trazia \u00e0 capital do Imp\u00e9rio; mas, fez quest\u00e3o de esperar o General<br \/>\n<br \/>B\u00farrus, amigo pessoal do Imperador e conhecido por suas tradi\u00e7\u00f5es de<br \/>\n<br \/>honestidade, no intuito de escla recer o caso do Ap\u00f3stolo.<\/p>\n<p>O General o atendeu com presteza e solicitude e ficou suficientemente<br \/>\n<br \/>informado da causa do ex-rabino, tanto quanto dos seus antecedentes<br \/>\n<br \/>pessoais e das lutas e sacrif\u00edcios que vinha amargurando.<br \/> Prometeu estu dar o<br \/>\n<br \/>caso com o maior interesse, depois de guardar, sol\u00edcito, os pergaminhos<br \/>\n<br \/>remetidos pela Justi\u00e7a de Cesar\u00e9ia.<br \/> Na presen\u00e7a do Ap\u00f3stolo, afirmou ao<br \/>\n<br \/>centuri\u00e3o que, caso os documentos provassem a cidadania romana do<br \/>\n<br \/>acusado, ele poderia gozar das vantagens da \u201ccust\u00f3dia libera\u201d, passando a<br \/>\n<br \/>viver fora do c\u00e1rcere, apenas acompanhado por um guarda, at\u00e9 que a<br \/>\n<br \/>magnanimidade de C\u00e9sar decidisse o seu recurso.<\/p>\n<p>Paulo foi recolhido \u00e0 pris\u00e3o com os demais com panheiros, como medida<br \/>\n<br \/>preliminar ao exame da documenta\u00e7\u00e3o trazida.<br \/> J\u00falio despediu -se comovido, os<br \/>\n<br \/>guardas abra\u00e7aram o ex-rabino, contristados e respeitosos.<br \/> Os altos<br \/>\n<br \/>funcion\u00e1rios do Quartel acompanharam a cena com indisfar\u00e7\u00e1vel surpresa.<\/p>\n<p>Prisioneiro algum havia ali entrado, at\u00e9 ent\u00e3o, com tamanhas manifesta\u00e7\u00f5es de<br \/>\n<br \/>carinho e apre\u00e7o.<\/p>\n<p>Depois de uma semana, em que lhe fora permitido o contacto permanente<br \/>\n<br \/>com Lucas, Aristarco e Tim\u00f3teo, o Ap\u00f3stolo recebia ordem para fixar resid\u00eancia<br \/>\n<br \/>nas proximidades da pris\u00e3o \u2014 privil\u00e9gio conferido pelos seus t\u00edtulos, embora<br \/>\n<br \/>obrigado a permanecer sob as vistas de um guarda policial, at\u00e9 que o seu<br \/>\n<br \/>recurso fosse definitivamente julgado.<\/p>\n<p>Auxiliado pelos confrades da cidade, Lucas alugou um aposento humilde<br \/>\n<br \/>na Via Nomentana, para l\u00e1 se transferindo o valoroso pregador do Evangelho,<br \/>\n<br \/>cheio de coragem e confian\u00e7a em Deus.<\/p>\n<p>Longe de esmorecer diante dos obst\u00e1culos, conti nuou redigindo ep\u00edstolas<br \/>\n<br \/>consoladoras e s\u00e1bias \u00e0s comunidades distantes.<br \/> No segundo dia de sua nova<br \/>\n<br \/>instala\u00e7\u00e3o, recomendou aos tr\u00eas companheiros procurassem trabalho, para<br \/>\n<br \/>n\u00e3o serem pesados aos irm\u00e3os, explicando que ele, Paulo, viveria do p\u00e3o dos<br \/>\n<br \/>encarcerados, como era justo, at\u00e9 que C\u00e9s ar pudesse atender ao seu apelo.<\/p>\n<p>Assim o fez, de fato, e diariamente l\u00e1 se ia \u00e0s grades do calabou\u00e7o, onde<br \/>\n<br \/>tomava a sua ra\u00e7\u00e3o alimentar.<br \/> Aproveitava, ent\u00e3o, essas horas de conviv\u00eancia<br \/>\n<br \/>com os celerados ou com as v\u00edtimas da maldade humana para pregar as<br \/>\n<br \/>verdades confortadoras do Reino, ainda que algemados.<br \/> Todos o ouviam em<br \/>\n<br \/>deslumbramento espiritual, jubilosos com a not\u00edcia de que n\u00e3o se encontravam<br \/>\n<br \/>desamparados pelo Salvador.<br \/> Eram criminosos do Esquilino, bandidos das<br \/>\n<br \/>regi\u00f5es provincianas, malfeitores da S uburra, servos ladr\u00f5es entregues \u00e0<br \/>\n<br \/>justi\u00e7a pelos senhores para a necess\u00e1ria regenera\u00e7\u00e3o, e pobres perseguidos<br \/>\n<br \/>pelo despotismo da \u00e9poca, que sofriam a terr\u00edvel influ\u00eancia dos v\u00edcios da<br \/>\n<br \/>administra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A palavra de Paulo de Tarso atuava como b\u00e1lsamo d e santas consola\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Os prisioneiros ganhavam novas esperan\u00e7as e muitos se converteram ao<br \/>\n<br \/>Evangelho, como On\u00e9simo, o escravo regenerado, que passou \u00e0 hist\u00f3ria do<br \/>\n<br \/>311<br \/>\n<br \/>Cristianismo na carinhosa ep\u00edstola a Fil\u00eamon.<\/p>\n<p>No terceiro dia da nova situa\u00e7\u00e3o, Paulo de Tars o chamou os amigos para<br \/>\n<br \/>resolver determinados empreen dimentos que julgava indispens\u00e1veis.<\/p>\n<p>Encareceu a dilig\u00eancia de um entendimento com os israelitas.<br \/> Precisava<br \/>\n<br \/>transmitir-lhes as claridades da Boa Nova.<br \/> No entanto, era imposs\u00edvel, no<br \/>\n<br \/>momento, uma visita \u00e0 sinagoga.<br \/> Sem paralisar, contudo, os impulsos<br \/>\n<br \/>din\u00e2micos da sua mentalidade vigorosa, pediu a Lucas convocasse os maiorais<br \/>\n<br \/>do juda\u00edsmo na capital do Imp\u00e9rio, a fim de lhes apre sentar uma exposi\u00e7\u00e3o de<br \/>\n<br \/>princ\u00edpios, que supunha conveniente.<\/p>\n<p>Na mesma tarde, grande n\u00famero de anci\u00e3es de Israel compareciam no seu<br \/>\n<br \/>aposento.<\/p>\n<p>Paulo de Tarso exp\u00f5e as not\u00edcias generosas do Reino de Deus, esclarece<br \/>\n<br \/>a sua posi\u00e7\u00e3o, refere-se \u00e0s preciosidades do Evangelho.<br \/> Os ouvintes mostramse<br \/>\n<br \/>algo interessados, mas, ciosos de suas tradi\u00e7\u00f5es, acabam tomando atitude<br \/>\n<br \/>reservada e duvidosa.<\/p>\n<p>Quando terminou a ora\u00e7\u00e3o entusi\u00e1stica, o rabi Me nandro exclamou em<br \/>\n<br \/>nome dos demais:<br \/>\n<br \/>&#8211; Vossa palavra merece nossa melhor considera \u00e7\u00e3o; entretanto, amigo,<br \/>\n<br \/>ainda n\u00e3o recebemos nenhuma not\u00edcia d a Jud\u00e9ia, a vosso respeito.<br \/> Temos,<br \/>\n<br \/>todavia, algum conhecimento desse Jesus a quem vos referis com ternura e<br \/>\n<br \/>venera\u00e7\u00e3o.<br \/> Fala-se dele, em Roma, como de um revolucion\u00e1rio criminoso, que<br \/>\n<br \/>mereceu o supl\u00edcio reservado aos ladr\u00f5es e malfeitores, em Jerusal\u00e9m.<br \/> Su a<br \/>\n<br \/>doutrina \u00e9 havida por contr\u00e1ria \u00e0 ess\u00eancia da Lei de Mois\u00e9s.<br \/> Sem embargo,<br \/>\n<br \/>desejamos sinceramente ouvir -vos sobre o novo profeta, com a calma<br \/>\n<br \/>necess\u00e1ria.<br \/> Por outro lado \u00e9 justo que n\u00e3o sejamos n\u00f3s, apenas, os ouvintes<br \/>\n<br \/>dessas not\u00edcias singulares.<br \/> Conv\u00e9m qu e vossos conceitos sejam dirigidos \u00e0<br \/>\n<br \/>maioria dos nossos irm\u00e3os, a fim de que os julgamentos isolados n\u00e3o<br \/>\n<br \/>prejudiquem os interesses do conjunto.<\/p>\n<p>Paulo de Tarso percebeu a sutileza da observa\u00e7\u00e3o e pediu que<br \/>\n<br \/>marcassem o dia da prega\u00e7\u00e3o a uma assembl\u00e9i a maior, alvitre esse que foi<br \/>\n<br \/>recebido pelos velhos judeus com justo interesse.<\/p>\n<p>No dia aprazado, vasta aglomera\u00e7\u00e3o de israelitas comprimia -se e<br \/>\n<br \/>desbordava do quarto humilde onde o ex -rabino montara a nova tenda de<br \/>\n<br \/>trabalhos evang\u00e9licos.<br \/> Ele pregou a li\u00e7\u00e3o da Boa Nova e explicou, pacien &#8211;<br \/>\n<br \/>temente, a miss\u00e3o gloriosa de Jesus, desde a manh\u00e3 at\u00e9 a tarde.<br \/> Alguns raros<br \/>\n<br \/>irm\u00e3os de ra\u00e7a pareciam compreender os novos ensinamentos, enquanto que<br \/>\n<br \/>a maioria se entregava a interpela\u00e7\u00f5es ruidosas e a pol\u00eami cas est\u00e9reis.<br \/> O<br \/>\n<br \/>Ap\u00f3stolo recordou o tempo de suas via gens, vendo ali a repeti\u00e7\u00e3o exata das<br \/>\n<br \/>cenas irritantes das sinagogas asi\u00e1ticas, onde os judeus se empenhavam em<br \/>\n<br \/>combates ac\u00e9rrimos.<\/p>\n<p>A noite avizinhava-se e as discuss\u00f5es prosseguiam acaloradas.<br \/> O sol<br \/>\n<br \/>despedia-se da paisagem, dourando o cume das colinas distantes.<br \/> Observando<br \/>\n<br \/>que o ex-rabino fizera uma pausa para ganhar algum f\u00f4lego, Lucas apro ximouse<br \/>\n<br \/>e confidenciou-lhe:<br \/>\n<br \/>\u2014D\u00f3i-me constatar quanto esfor\u00e7o despendes para vencer o esp\u00edrito do<br \/>\n<br \/>juda\u00edsmo!.<br \/>.<br \/>.<\/p>\n<p>Paulo de Tarso meditou alguns momentos e respondeu:<br \/>\n<br \/>\u2014 Sim, verificar a rebeldia volunt\u00e1ria d\u00e1 enfado ao cora\u00e7\u00e3o; contudo, a<br \/>\n<br \/>experi\u00eancia do mundo tem-me ensinado a discernir, de algum modo, a posi\u00e7\u00e3o<br \/>\n<br \/>dos esp\u00edritos.<br \/> H\u00e1 duas classes de homens para as quais se torna mais dif \u00edcil o<br \/>\n<br \/>312<br \/>\n<br \/>contacto renovador de Jesus.<br \/> A primeira \u00e9 a que vi em Atenas e se constitui<br \/>\n<br \/>dos homens envenenados pela falaciosa ci\u00eancia da Terra; homens que se<br \/>\n<br \/>cristalizam numa superioridade imagin\u00e1ria e muito pre sumem de si mesmos.<\/p>\n<p>S\u00e3o estes, a meu ver, os mai s infelizes.<br \/> A segunda \u00e9 a que conhecemos<br \/>\n<br \/>nos judeus recalcitrantes que, possuindo um patrim\u00f4nio precioso do passado,<br \/>\n<br \/>n\u00e3o compreendem a f\u00e9 sem lutas religiosas, pe trificam-se no orgulho de ra\u00e7a e<br \/>\n<br \/>perseveram numa falsa interpreta\u00e7\u00e3o de Deus.<br \/> De tal arte, e ntendemos melhor<br \/>\n<br \/>a palavra do Cristo, que classificou os simples e pac\u00edficos da Terra como<br \/>\n<br \/>criaturas bem-aventuradas.<br \/> Poucos gentios cultos e raros judeus crentes na Lei<br \/>\n<br \/>Antiga est\u00e3o preparados para a escola bendita da perfei\u00e7\u00e3o com o Divino<br \/>\n<br \/>Mestre.<\/p>\n<p>Lucas passou a considerar o justo conceito do Ap\u00f3s tolo; mas, a esse<br \/>\n<br \/>tempo, as palestras ruidosas e irritan tes dos israelitas pareciam o fermento<br \/>\n<br \/>r\u00e1pido de pugilatos inevit\u00e1veis, O ex-rabino, por\u00e9m, desejoso de paz, subiu<br \/>\n<br \/>novamente \u00e0 tribuna e exclamou:<br \/>\n<br \/>\u2014 Irm\u00e3os, evitemos as contendas est\u00e9reis e ou\u00e7amos a voz da pr\u00f3pria<br \/>\n<br \/>consci\u00eancia!<br \/>\n<br \/>Continuai examinando a Lei e os Profetas, nos quais encontrareis sempre<br \/>\n<br \/>a promessa do Messias, que j\u00e1 veio.<br \/>.<br \/>.<br \/> Desde Mois\u00e9s, todos os mentores de<br \/>\n<br \/>Israel referiram-se ao Mestre, com caracteres de fogo.<br \/>.<br \/>.<br \/> N\u00e3o somos culpados<br \/>\n<br \/>da vossa surdez espiritual.<br \/> Invocando as discuss\u00f5es ferinas de h\u00e1 pouco,<br \/>\n<br \/>recordo a li\u00e7\u00e3o de Isa\u00edas quando declara que muitos h\u00e3o de ver sem enxergar,<br \/>\n<br \/>e ouvir sem entender.<br \/> S\u00e3o os esp\u00edritos endurecidos que, agravan do as pr\u00f3prias<br \/>\n<br \/>enfermidades, culminam em lutas desesperadoras para que Jesus possa, mais<br \/>\n<br \/>tarde, convert\u00ea-los e cur\u00e1-los com o b\u00e1lsamo do seu infinito amor.<br \/> No entanto,<br \/>\n<br \/>podeis estar convictos de que esta mensagem ser\u00e1 auspiciosamente re cebida<br \/>\n<br \/>pelos gentios simples e infelizes, que s\u00e3o, na ver dade, os bem-aventurados de<br \/>\n<br \/>Deus.<\/p>\n<p>A declara\u00e7\u00e3o franca e veemente do Ap\u00f3stolo caiu na assembl\u00e9ia como um<br \/>\n<br \/>raio, impondo absoluto sil\u00eancio.<br \/> Mas, destoando dos sentimentos da maioria,<br \/>\n<br \/>um velhinho judeu aproximou-se do convertido de Damasco e disse:<br \/>\n<br \/>\u2014Reconhe\u00e7o o exato sentido da vossa palavra, mas desejaria pedir -vos<br \/>\n<br \/>que este Evangelho continuasse a ser ministrado \u00e0 nossa gente.<br \/> H\u00e1 seguidores<br \/>\n<br \/>de Mois\u00e9s bem-intencionados, que podem aproveitar o ensino de Jesus,<br \/>\n<br \/>enriquecendo-se com os seus valores eternos.<\/p>\n<p>O apelo carinhoso e sincero era proferido em tom comovedor.<br \/> Paulo<br \/>\n<br \/>abra\u00e7ou o simpatizante da nova dou trina, fundamente sensibilizado, e<br \/>\n<br \/>acrescentou:<br \/>\n<br \/>\u2014 Este aposento humilde \u00e9 tamb\u00e9m vosso.<br \/> Vinde conhecer o pensamento<br \/>\n<br \/>do Cristo, sempre que vos aprouver.<br \/> Podereis copiar todas as anota\u00e7\u00f5es que<br \/>\n<br \/>possuo.<\/p>\n<p>\u2014E n\u00e3o ensinais na sinagoga?<br \/>\n<br \/>\u2014 Por enquanto, preso como estou, n\u00e3o poderei faz\u00ea -lo, mas hei de<br \/>\n<br \/>escrever uma carta aos nossos irm\u00e3os de boa -vontade.<\/p>\n<p>Dentro de poucos minutos, a c ompacta reuni\u00e3o se dissolvia com as<br \/>\n<br \/>primeiras sombras da noite.<\/p>\n<p>Da\u00ed por diante, aproveitando as \u00faltimas horas de cada dia, os<br \/>\n<br \/>companheiros de Paulo viram que ele es crevia um documento a que dedicava<br \/>\n<br \/>profunda aten\u00e7\u00e3o.<br \/> \u00c0s vezes, era visto a escrever com l\u00e1g rimas, como se<br \/>\n<br \/>desejasse fazer da mensagem um dep\u00f3sito de santas ins pira\u00e7\u00f5es.<br \/> Em dois<br \/>\n<br \/>313<br \/>\n<br \/>meses entregava o trabalho a Aris tarco para copi\u00e1-lo, dizendo:<br \/>\n<br \/>\u2014 Esta \u00e9 a ep\u00edstola aos hebreus.<br \/> Fiz quest\u00e3o de graf\u00e1 -la, valendo-me dos<br \/>\n<br \/>pr\u00f3prios recursos, pois que a de dico aos meus irm\u00e3os de ra\u00e7a e procurei<br \/>\n<br \/>escrev\u00ea-la com o cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O amigo compreendeu o seu intuito e, antes de come\u00e7ar as c\u00f3pias,<br \/>\n<br \/>destacou o estilo singular e as id\u00e9ias grandiosas e incomuns.<\/p>\n<p>E Paulo continuou trabalhando incessantemente a benef\u00edcio de to dos.<br \/> A<br \/>\n<br \/>situa\u00e7\u00e3o, como prisioneiro, era a mais confortadora poss\u00edvel.<br \/> Fizera -se<br \/>\n<br \/>benfeitor desvelado de todos os guardas que lhe testemunhavam o esfor \u00e7o<br \/>\n<br \/>apost\u00f3lico.<br \/> A uns aliviara o cora\u00e7\u00e3o com as alegrias da Boa Nova; a outros<br \/>\n<br \/>curara mol\u00e9stias cr\u00f4nicas e dolorosas.<br \/> Freq\u00fcentemente, o benef\u00edcio n\u00e3o se<br \/>\n<br \/>restringia ao interessado, porque os legion\u00e1rios romanos lhe traziam os<br \/>\n<br \/>parentes, os afei\u00e7oados e os amigos, para se benefi ciarem ao contacto<br \/>\n<br \/>daquele homem dedicado aos interes ses de Deus.<br \/> Logo ao terceiro d ia deixou<br \/>\n<br \/>de ser algemado, porque os soldados dispensavam a formalidade, apenas<br \/>\n<br \/>guardando-lhe a porta como simples amigos.<\/p>\n<p>N\u00e3o poucas vezes, esses militares ben\u00e9volos o convidavam a passear pela<br \/>\n<br \/>cidade, especialmente ao longo da Via Apia, que se havia torn ado o local da<br \/>\n<br \/>sua predile\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Sensibilizado, o Ap\u00f3stolo agradecia essas provas de condescend\u00eancia.<\/p>\n<p>Os benef\u00edcios do seu conv\u00edvio tornavam-se dia a dia mais evidentes.<\/p>\n<p>Impressionados com a sua palestra edu cativa e com as suas maneiras<br \/>\n<br \/>atenciosas, muitos legion\u00e1rios, antes relapsos e negligentes, transformavam &#8211;<br \/>\n<br \/>Se em elementos \u00fateis \u00e0 administra\u00e7\u00e3o e \u00e0 sociedade.<br \/> Os guardas come\u00e7aram<br \/>\n<br \/>a disputar o servi\u00e7o de sentinela ao seu aposento, e isso lhe valia pelo melhor<br \/>\n<br \/>atestado de valor espiritual.<\/p>\n<p>Visitado, incessantemente, por irm\u00e3os e emiss\u00e1rios das suas igrejas<br \/>\n<br \/>queridas, da Maced\u00f4nia e da \u00c1sia, pros seguia desdobrando energias na tarefa<br \/>\n<br \/>de amorosa assist\u00eancia aos amigos e colaboradores distantes, mediante cartas<br \/>\n<br \/>inspirad\u00edssimas.<\/p>\n<p>Havia quase dois anos que o seu recurso a C\u00e9sar jazia esquecido nas<br \/>\n<br \/>mesas dos juizes displicentes, quando sobreveio um acontecimento de magna<br \/>\n<br \/>import\u00e2ncia.<br \/> Certo dia, um legion\u00e1rio amigo levou ao convertido de Damasco<br \/>\n<br \/>um homem de fei\u00e7\u00f5es m\u00e1sculas e en\u00e9rgicas, aparentando quarenta anos ma is<br \/>\n<br \/>ou menos.<br \/> Tratava-se de Ac\u00e1cio Dom\u00edcio, personalidade de grande influ\u00eancia<br \/>\n<br \/>pol\u00edtica, e que de algum tempo tinha cegado em misteriosas cir cunst\u00e2ncias.<\/p>\n<p>Paulo de Tarso o acolheu com bondade e, depois de impor -lhe as m\u00e3os,<br \/>\n<br \/>esclarecendo-o sobre o que Jesus desejava de quantos lhe aproveitavam a<br \/>\n<br \/>munific\u00eancia, exclamou comovidamente:<br \/>\n<br \/>\u2014 Irm\u00e3o, agora, convido-te a ver, em nome do Senhor Jesus -Cristo!<br \/>\n<br \/>\u2014 Vejo! Vejo! \u2014 gritou o romano tomado de j\u00fabilo infinito; e logo, num<br \/>\n<br \/>movimento instintivo, ajoelhou-se em pranto e murmurou:<br \/>\n<br \/>&#8211; Vosso Deus \u00e9 verdadeiro!.<br \/>.<br \/>.<\/p>\n<p>Profundamente reconhecido a Jesus, o Ap\u00f3stolo deu -lhe o bra\u00e7o para que<br \/>\n<br \/>se levantasse e, ali mesmo, Dom\u00edcio procurou conhecer o conte\u00fado espiritual<br \/>\n<br \/>da nova doutrina, a fim de reformar-se e mudar de vida.<br \/> Sol\u00edcito, anotou logo as<br \/>\n<br \/>informa\u00e7\u00f5es relativas ao processo do ex -rabino, acentuando ao despedir -se:<br \/>\n<br \/>\u2014 Deus me ajudar\u00e1 para que possa retribuir o bem que me fizestes!<br \/>\n<br \/>Quanto \u00e0 vossa situa\u00e7\u00e3o, n\u00e3o duvideis do desfecho merecido, porque, na<br \/>\n<br \/>pr\u00f3xima semana, teremos resolvido o processo com a absolvi\u00e7\u00e3o de C\u00e9sar!<br \/>\n<br \/>314<br \/>\n<br \/>De fato, decorridos quatro dias, o velho servidor do Evangelho foi<br \/>\n<br \/>chamado a depor.<br \/> De conformidade com as ordens legais, compareceu<br \/>\n<br \/>sozinho perante os juizes, respondendo com admir\u00e1vel presen\u00e7a de esp\u00edr ito \u00e0s<br \/>\n<br \/>menores argUi\u00e7\u00f5es que lhe foram desfechadas.<br \/> Os magistrados patr\u00edcios<br \/>\n<br \/>verificaram a inconsist\u00eancia do libelo, a infantilidade dos argumentos<br \/>\n<br \/>apresentados pelo Sin\u00e9drio e, n\u00e3o s\u00f3 atendendo \u00e0 situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica de Ac\u00e1cio,<br \/>\n<br \/>que empenhara no feito os bons of\u00edcios de que podia dispor, como pela<br \/>\n<br \/>profunda simpatia que a figura do Ap\u00f3stolo despertava, instru\u00edram o processo<br \/>\n<br \/>com os mais nobres pareceres, restituindo -o, por interm\u00e9dio de Dom\u00edcio, para o<br \/>\n<br \/>veredicto do Imperador.<\/p>\n<p>O generoso amigo de Paulo regozijou -Se com a vit\u00f3ria inicial, convencido<br \/>\n<br \/>da pr\u00f3xima liberdade do seu ben feitor.<br \/> Sem perda de tempo, mobilizou as<br \/>\n<br \/>melhores amizades, entre as quais contava Pop\u00e9ia Sabina, conseguindo,<br \/>\n<br \/>afinal, a absolvi\u00e7\u00e3o imperial.<\/p>\n<p>Paulo de Tarso recebeu a not\u00edcia com votos de reconhecimento a Jesus.<\/p>\n<p>Mais que ele pr\u00f3prio, rejubilavam-se os amigos, que celebraram o<br \/>\n<br \/>acontecimento com expans\u00f5es memor\u00e1veis.<\/p>\n<p>O convertido de Damasco, entretanto, n\u00e3o viu nisso t\u00e3o -s\u00f3 um motivo para<br \/>\n<br \/>regozijo pessoal, mas a obriga\u00e7\u00e3o de intensificar a difus\u00e3o do Evangelho de<br \/>\n<br \/>Jesus.<\/p>\n<p>Durante um m\u00eas, no princ\u00edpio do ano 63, visitou as comunidades crist\u00e3s de<br \/>\n<br \/>todos os bairros da capital do Imp\u00e9rio.<br \/> Sua presen\u00e7a era disputada por todos<br \/>\n<br \/>os c\u00edrculos, que o recebiam entre carinhosas manifesta\u00e7\u00f5es de respeito e de<br \/>\n<br \/>amor pela sua autoridade moral.<\/p>\n<p>Organizando planos de servi\u00e7o para todas as igrejas dom\u00e9sticas que<br \/>\n<br \/>funcionavam na cidade, e depois de in\u00fameras pr\u00e9 dicas gerais nas catacumbas<br \/>\n<br \/>silenciosas, o incans\u00e1vel trabalhador resolveu partir para a Espanha.<br \/> Deba lde<br \/>\n<br \/>intervieram os colaboradores, rogando -lhe que desistisse.<br \/> Nada o demoveu.<br \/> De<br \/>\n<br \/>h\u00e1 muito, alimentava o desejo de visitar o Extremo do Ocidente e, se fosse<br \/>\n<br \/>poss\u00edvel, desejaria morrer convicto de haver levado o Evangelho aos confins do<br \/>\n<br \/>mundo.<\/p>\n<div class=\"pvc_clear\"><\/div>\n<p id=\"pvc_stats_18955\" class=\"pvc_stats all  \" data-element-id=\"18955\" style=\"\"><i class=\"pvc-stats-icon medium\" aria-hidden=\"true\"><svg aria-hidden=\"true\" focusable=\"false\" data-prefix=\"far\" data-icon=\"chart-bar\" role=\"img\" xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\" viewBox=\"0 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J\u00falio permitiu que o ex-rabino fosse ter com os amigos, na praia, verificando-se as despedidas entre exorta\u00e7\u00f5es de esperan\u00e7as e muitas l\u00e1grimas. Paulo de Tarso ganhou ascend\u00eancia moral&hellip; <br \/> <a class=\"read-more\" href=\"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/artigo18955\/\">Leia mais<\/a><\/p>\n<div class=\"pvc_clear\"><\/div>\n<p id=\"pvc_stats_18955\" class=\"pvc_stats all  \" data-element-id=\"18955\" style=\"\"><i class=\"pvc-stats-icon medium\" aria-hidden=\"true\"><svg aria-hidden=\"true\" focusable=\"false\" data-prefix=\"far\" data-icon=\"chart-bar\" role=\"img\" xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\" viewBox=\"0 0 512 512\" class=\"svg-inline--fa fa-chart-bar fa-w-16 fa-2x\"><path fill=\"currentColor\" d=\"M396.8 352h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8V108.8c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v230.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8zm-192 0h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8V140.8c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v198.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8zm96 0h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8V204.8c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v134.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8zM496 400H48V80c0-8.84-7.16-16-16-16H16C7.16 64 0 71.16 0 80v336c0 17.67 14.33 32 32 32h464c8.84 0 16-7.16 16-16v-16c0-8.84-7.16-16-16-16zm-387.2-48h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8v-70.4c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v70.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8z\" class=\"\"><\/path><\/svg><\/i> <img decoding=\"async\" width=\"16\" height=\"16\" alt=\"Loading\" data-src=\"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/wp-content\/plugins\/page-views-count\/ajax-loader-2x.gif\" border=0 src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" class=\"lazyload\" style=\"--smush-placeholder-width: 16px; --smush-placeholder-aspect-ratio: 16\/16;\" \/><\/p>\n<div class=\"pvc_clear\"><\/div>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"Closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[16],"tags":[],"class_list":["post-18955","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-mensagens-diversas"],"a3_pvc":{"activated":true,"total_views":396,"today_views":0},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18955","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=18955"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18955\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=18955"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=18955"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=18955"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}