{"id":19012,"date":"2022-08-05T18:12:00","date_gmt":"2022-08-05T18:12:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2022-08-05T18:12:00","modified_gmt":"2022-08-05T18:12:00","slug":"artigo19012","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/artigo19012\/","title":{"rendered":"3 OS M\u00c9DiUNS &#8211; DI\u00c1LOGO COM AS SOMBRAS HERM\u00cdNIO C. MIRANDA"},"content":{"rendered":"<p>O cap\u00edtulo 32, de \u201cO Livro dos M\u00e9diuns\u201d, intitula-se \u201cVocabul\u00e1rio Esp\u00edrita\u201d, e sugere a seguinte defini\u00e7\u00e3o:<br \/>\n<br \/>\u2014 M\u00e9dium \u2014 (Do latim medium, meio, intermedi\u00e1rio).<br \/> Pessoa que pode servir de intermedi\u00e1rio entre os Esp\u00edritos e os homens.<\/p>\n<p>Revelando o cuidado e o extraordin\u00e1rio poder de s\u00edntese que Kardec sempre demonstra, essa defini\u00e7\u00e3o \u00e9 um primor de clareza.<br \/> Vemos, por ela, que o m\u00e9dium \u00e9 uma pessoa, isto \u00e9, um ser encarnado, sujeito, por conseguinte, \u00e0s imperfei\u00e7\u00f5es e mazelas que nos afligem a todos e, portanto, t\u00e3o propenso \u00e0 queda quanto qualquer um de n\u00f3s, ou talvez mais ainda, porque sua capacidade de sintonizar-se com os desencarnados o exp\u00f5e a um grau mais elevado de influencia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Sabemos, por outro lado, do aprendizado esp\u00edrita, que a mediunidade, longe de ser a marca da nossa grandeza espiritual, \u00e9, ao contr\u00e1rio, o ind\u00edcio de renitentes imperfei\u00e7\u00f5es.<br \/> Representa, por certo, uma faculdade, uma capacidade concedida pelos poderes que nos assistem, mas n\u00e3o no sentido humano, como se o m\u00e9dium fosse colocado \u00e0 parte e acima dos vis mortais, como seres de elei\u00e7\u00e3o.<br \/> \u00c9, antes, um \u00f4nus, um risco, um instrumento com o qual o m\u00e9dium pode trabalhar, semear e plantar, para colher mais tarde, ou ferir-se mais uma vez, com a m\u00e1 utiliza\u00e7\u00e3o dos talentos sobre os quais nos falam os Evangelhos, O m\u00e9dium foi realmente distinguido com o recurso da mediunidade, para produzir mais, para apressar ou abreviar o resgate de suas faltas passadas.<br \/> N\u00e3o se trata de um ser aureolado pelo dom divino, mas deposit\u00e1rio desse dom, que lhe \u00e9 concedido em confian\u00e7a, para uso adequado.<br \/> Enfim: o m\u00e9dium utiliza-se de uma aptid\u00e3o que n\u00e3o faz dele um privilegiado, no sentido de coloc\u00e1-lo, na escala dos valores, acima dos seus companheiros desprovidos dessas faculdades.<\/p>\n<p>Quanto mais amplas e variadas as faculdades, mais exposto ficar\u00e1 ao ass\u00e9dio dos companheiros invis\u00edveis que se op\u00f5em ao seu esfor\u00e7o evolutivo.<\/p>\n<p>De certa forma, isso \u00e9 v\u00e1lido para todos n\u00f3s, mas aqueles que disp\u00f5em de faculdades medi\u00fanicas est\u00e3o como se tivessem devassado o seu mundo interior a seres desconhecidos e invis\u00edveis, que podem ser bons e amigos, como tamb\u00e9m podem ser antigos e ferrenhos desafetos ou comparsas de crimes hediondos.<\/p>\n<p>Isso me faz lembrar um filme que vi h\u00e1 algum tempo.<br \/> O jovem her\u00f3i, pelo esfor\u00e7o de um trabalhador social compreensivo, que acreditava na capacidade evolutiva do ser humano, obteve liberdade condicional.<br \/> Estivera alguns anos na pris\u00e3o, em virtude da pr\u00e1tica de assaltos audaciosos, bem planejados e, naturalmente, muito rendosos financeiramente.<br \/> Fora o l\u00edder de seu grupo, o c\u00e9rebro da organiza\u00e7\u00e3o, o planejador eficiente e h\u00e1bil que facilmente submeteu todos os demais \u00e0 sua vontade.<br \/> Ao sair da pris\u00e3o, deseja esquecer o passado tenebroso, encontra o amor na pessoa de uma jovem, e dedica-se a trabalho humilde, de baixa remunera\u00e7\u00e3o, mas honesto.<br \/> \u00c9 nessa fase de reconstru\u00e7\u00e3o \u00edntima e esfor\u00e7o regenerativo, que os antigos comparsas o encontram.<br \/> Come\u00e7a o cerco, o ass\u00e9dio, com propostas, amea\u00e7as, e a doce cantilena do \u00eaxito material.<br \/> Tudo \u00e9 tentado para afast\u00e1-lo do caminho da recupera\u00e7\u00e3o.<br \/> Qualquer ardil serve, qualquer press\u00e3o, envolvimento ou oferta.<br \/> Vale tudo.<br \/> Seus ex-companheiros de crime desejam-no de volta ao grupo, aos prazeres, \u00e0s loucuras, \u00e0 irresponsabilidade.<\/p>\n<p>A semelhan\u00e7a com a situa\u00e7\u00e3o do m\u00e9dium \u00e9 impressionante.<br \/> Seus comparsas n\u00e3o se conformam, e, das trevas onde se escondem, buscam-no incessantemente.<br \/> Isso \u00e9 particularmente agudo quando a mediunidade come\u00e7a a desabrochar.<br \/> Os primeiros manifestantes s\u00e3o, quase sempre, atormentados seres do mundo das dores, obsessores impiedosos, verdugos que n\u00e3o desejam deixar escapar a presa pelos port\u00f5es do trabalho regenerador.<br \/> Ou, ent\u00e3o, s\u00e3o associados de outros tempos, que por muitos s\u00e9culos planejaram e executaram juntos crimes inomin\u00e1veis.<\/p>\n<p>O m\u00e9dium, mais do que aqueles que n\u00e3o disp\u00f5em da faculdade, \u00e9 um ser em liberdade condicional.<br \/> Cabe a ele provar que j\u00e1 \u00e9capaz de fazer bom uso dela.<br \/> A tarefa n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil, porque, como todos n\u00f3s, traz em si o apelo do passado, as \u201ctomadas\u201d para o erro, as cicatrizes, mal curadas, de falhas dolorosas, o peso espec\u00edfico que o arrasta para baixo, tentando impedir que ele se escape, como um pequeno bal\u00e3o, para o azul infinito da liberta\u00e7\u00e3o espiritual.<br \/> Mais do que qualquer um de n\u00f3s, ele precisa estar vigilante, atento, ligado a um bom grupo de trabalho, compulsando livros doutrin\u00e1rios de confian\u00e7a, observando suas pr\u00f3prias faculdades, corrigindo, melhorando, modificando, eliminando, acrescentando.<\/p>\n<p>Nada de p\u00e2nico, por\u00e9m.<br \/> O fato de ser ele uma pessoa dotada de antenas ps\u00edquicas, que o p\u00f5em em rela\u00e7\u00e3o com o mundo espiritual, quer ele deseje ou n\u00e3o, n\u00e3o quer dizer que ele esteja \u00e0merc\u00ea dos companheiros desvairados das sombras, a n\u00e3o ser que ele pr\u00f3prio deixe cair suas guardas.<br \/> Ele contar\u00e1 sempre com a prote\u00e7\u00e3o carinhosa e atenta de seus guias, daqueles que est\u00e3o interessados no seu progresso espiritual.<br \/> Procure manter um bom clima mental.<br \/> Estude, leia, viva com simplicidade, vigie seus sentimentos, como qualquer um de n\u00f3s.<br \/> Participe da luta di\u00e1ria, enfrente os problemas da exist\u00eancia: profissionais, familiares, sociais, humanos, enfim.<br \/> N\u00e3o lhe faltar\u00e3o recursos, assist\u00eancia, informa\u00e7\u00f5es e, acima de tudo, trabalho medi\u00fanico, que \u00e9 da ess\u00eancia mesma do seu compromisso.<\/p>\n<p>N\u00e3o tema, mas n\u00e3o seja temer\u00e1rio.<br \/> N\u00e3o deixe de estudar suas faculdades, mas n\u00e3o se envaide\u00e7a do que aprendeu nem dos recursos que conseguiu desenvolver.<br \/> Na hora da tarefa, \u00e9 um simples trabalhador, como qualquer outro: nem melhor, nem pior, nem inferior, nem superior.<\/p>\n<p>Os dirigentes de grupos devem combater sem tr\u00e9guas o \u201cvedetismo\u201d de alguns m\u00e9diuns; o bom combate, \u00e9 claro, de que nos falava Paulo, sem rancores, sem humilha\u00e7\u00f5es, sem prepot\u00eancia.<br \/> \u00c9 comum, nos grupos medi\u00fanicos, dar-se destaque indevido ao m\u00e9dium que recebe, por exemplo, o orientador desencarnado, para as palavras de esclarecimento e as diretrizes gerais.<br \/> O ideal seria que os orientadores se revezassem, utilizando-se dos demais m\u00e9diuns, mas eles n\u00e3o est\u00e3o interessados em preservar as nossas rid\u00edculas suscetibilidades e vaidades.<br \/> Se o m\u00e9dium que os recebe sente-se envaidecido, trate de se corrigir; se os m\u00e9diuns que n\u00e3o o recebem ficam enciumados, o problema \u00e9 de cada um.<br \/> A experi\u00eancia com os esp\u00edritos ensina-nos que eles s\u00e3o compassivos, amorosos, pacientes, tolerantes e serenos, mas s\u00e3o tamb\u00e9m firmes e rigorosos, quando necess\u00e1rio.<br \/> Isso est\u00e1 amplamente documentado na Codifica\u00e7\u00e3o, pois nem mesmo a Kardec deixaram eles de dizer o que era necess\u00e1rio dizer, \u00e0s vezes at\u00e9 com inesperada severidade.<\/p>\n<p>\u2014 Por que h\u00e1 Deus permitido que os Esp\u00edritos possam tomar o caminho do mal? \u2014 pergunta Kardec, segundo \u201cO Livro dos Esp\u00edritos\u201d, quest\u00e3o 123.<\/p>\n<p>E eles respondem:<br \/>\n<br \/>\u2014 Como ousais pedir a Deus contas de seus atos? Supondes poder penetrar-lhe os des\u00edgnios? Podeis, todavia, dizer o seguinte: A sabedoria de Deus est\u00e1 na liberdade de escolher que Ele deixa a cada um, porq\u00fcanto, assim, cada um tem o m\u00e9rito de suas obras.<\/p>\n<p>E o interlocutor era Allan Kardec! Por que raz\u00e3o ficar\u00e3o com \u201cpanos quentes\u201d conosco, meros aprendizes prim\u00e1rios de uma verdade que transcende, em muitos aspectos, a nossa compreens\u00e3o?<br \/>\n<br \/>Assim, n\u00e3o se espere que os benfeitores espirituais tomem precau\u00e7\u00f5es especiais para nos preservar o orgulho e a vaidade.<\/p>\n<p>N\u00e3o cuidaremos, neste livro, da forma\u00e7\u00e3o ou do desenvolvimento do m\u00e9dium.<br \/> O assunto \u00e9 demasiado complexo para um tratamento sum\u00e1rio e foge aos objetivos das nossas especula\u00e7\u00f5es aqui.<br \/> H\u00e1 obras que cuidam do problema, mas \u00e9 preciso n\u00e3o se esquecer que o ponto de partida de qualquer trabalho, nesse sentido, \u00e9\u201cO Livro dos M\u00e9diuns\u201d, de Allan Kardec.<\/p>\n<p>\u00c9 poss\u00edvel, no entanto, que as tarefas do grupo medi\u00fanico venham, no decorrer do tempo, revelar a exist\u00eancia de outros m\u00e9diuns em potencial.<br \/> N\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio, neste caso, colocar a pessoa em quarentena, nem deslig\u00e1-la do grupo.<br \/> Que ela se mantenha junto aos companheiros, na posi\u00e7\u00e3o que sempre ocupou e aguarde a sua vez.<br \/> Os benfeitores espirituais saber\u00e3o como conduzir o labor necess\u00e1rio, fornecendo ocasionais indica\u00e7\u00f5es e instru\u00e7\u00f5es, at\u00e9 que a mediunidade nascente comece a desabrochar e possa ser utilizada.<\/p>\n<p>O dirigente humano acompanhar\u00e1 atentamente o trabalho, ajudando o companheiro, ou companheira, nas lides iniciais da sua empreitada.<br \/> Os fen\u00f4menos come\u00e7ar\u00e3o espa\u00e7ados e indecisoS: r\u00e1pidas vid\u00eancias, clariaudi\u00eancia, talvez intui\u00e7\u00f5es, impulsos de dizer ou escrever algo.<br \/> Quando estes pequenos fen\u00f4menos ocorrerem, o componente da equipe deve comunicar-se, t\u00e3o logo lhe seja poss\u00edvel, com o dirigente, sem interromper os trabalhos em curso, a n\u00e3o ser por motivos imperiosos; de prefer\u00eancia, contudo, depois de encerrada a sess\u00e3o.<br \/> Nada de a\u00e7odamento, de excita\u00e7\u00f5es, de fantasias, de euforia, nem de temores.<br \/> Num grupo bem orientado, todas as potencialidades ser\u00e3o devidamente estudadas e aproveitadas, quando poss\u00edvel e necess\u00e1rio.<\/p>\n<p>A mediunidade que melhor se presta aos trabalhos de desobsess\u00e3o \u00e9 a psicofonia, ou de incorpora\u00e7\u00e3o.<br \/> O di\u00e1logo com o desencarnado \u00e9 da pr\u00f3pria ess\u00eancia da tarefa, e dificilmente a palavra falada, direta e viva, poderia ser substituida, sem perda consider\u00e1vel da efic\u00e1cia do processo.<br \/> Em casos extremos, poder\u00e1 ser utilizada a psicografia: o doutrinador falaria e o esp\u00edrito responderia por escrito, mas a experi\u00eancia revela que nada substitui a palavra falada, nesse tipo de trabalho.<br \/> Com ela, sentimos com maior facilidade as rea\u00e7\u00f5es que se processam no manifestante, sua personalidade, seus cacoetes, seu estado de irrita\u00e7\u00e3o ou de serenidade, suas ironias, suas vacila\u00e7\u00f5es, sua sinceridade, suas emo\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>N\u00e3o quer isso dizer que o grupo deva reunir apenas mediuns de incorpora\u00e7\u00e3o.<br \/> Os benfeitores espirituais ter\u00e3o melhores oportunidades de desenvolver suas tarefas por nosso interm\u00e9dio, quando dispuserem de mais ampla variedade de faculdades, operando atrav\u00e9s da vid\u00eancia de um, da clariaudi\u00eancia de outro, da intui\u00e7\u00e3o de um terceiro, ou at\u00e9 mesmo se utilizando, em trabalhos especiais que ainda discutiremos, da faculdade, que t\u00eam outros, de exteriorizarem ectoplasma, ou seja, da mediunidade de efeitos f\u00edsicos.<\/p>\n<p>Tal variedade de faculdades \u00e9 particularmente desej\u00e1vel quando o doutrinador n\u00e3o for dotado de mediunidade ostensiva, como vid\u00eancia, ou audi\u00eancia.<br \/> Nesse caso, os m\u00e9diuns presentes ser\u00e3o, as vezes, incumbidos de o auxiliarem com pequenas e discretas observa\u00e7\u00f5es e recomenda\u00e7\u00f5es recebidas dos benfeitores, enquanto ele se acha doutrinando.<br \/> Isso deve ser feito com muita sutileza e de maneira breve e sum\u00e1ria.<\/p>\n<p>Como a psicofonia \u00e9 a mediunidade mais indicada para esse tipo de tarefa, Andr\u00e9 Luiz nos oferece, no seu j\u00e1 citado \u201cDesobsess\u00e3o\u201d, um valioso dec\u00e1logo de recomenda\u00e7\u00f5es e sugest\u00f5es.<br \/> Mesmo que o leitor disponha de um exemplar, parece que vale a pena reproduzir aqui o texto.<br \/> Andr\u00e9 considera tais cuidados \u201cessenciais ao \u00eaxito e \u00e0 seguran\u00e7a da atividade\u201d atribuida aos m\u00e9diuns.<\/p>\n<p>\u00c9 aconselh\u00e1vel, pois, aos m\u00e9diuns psicof\u00f4nicos:<br \/>\n<br \/>*\tDesenvolvimento da autocr\u00edtica.<\/p>\n<p>*\tAceita\u00e7\u00e3o dos pr\u00f3prios erros, em trabalho medi\u00fanico, para que se lhes apure a capacidade de transmiss\u00e3o.<\/p>\n<p>*\tReconhecimento de que o m\u00e9dium \u00e9 respons\u00e1vel pela comunica\u00e7\u00e3o que transmite.<\/p>\n<p>*\tAbsten\u00e7\u00e3o de melindres ante apontamentos dos esclarecedores ou dos companheiros, aproveitando observa\u00e7\u00f5es e avisos para melhorar-se em servi\u00e7o.<\/p>\n<p>*  Fixa\u00e7\u00e3o num s\u00f3 grupo, evitando as inconveni\u00eancias do compromisso de desobsess\u00e3o em<br \/>\n<br \/>          v\u00e1rias equipes ao mesmo tempo.<\/p>\n<p>*\tDom\u00ednio completo sobre si pr\u00f3prio, para aceitar ou n\u00e3o a influ\u00eancia dos Esp\u00edritos desencarnados, inclusive reprimir todas as express\u00f5es e palavras obscenas ou injuriosas, que essa ou aquela entidade queira pronunciar por seu interm\u00e9dio.<\/p>\n<p>*\tInteresse real na melhoria das pr\u00f3prias condi\u00e7\u00f5es de sentimento e cultura.<\/p>\n<p>* efesa permanente contra bajula\u00e7\u00f5es e elogios, conquanto saiba agradecer o est\u00edmulo e a amizade de quantos lhe incentivem o cora\u00e7\u00e3o ao cumprimento do dever.<\/p>\n<p>*\tDiscernimento natural da qualidade dos Esp\u00edritos que lhes procurem as faculdades, seja pelas impress\u00f5es de sua presen\u00e7a, linguagem, efl\u00favios magn\u00e9ticos, seja pela sua conduta geral.<\/p>\n<p>*\tUso do vestu\u00e1rio que lhes seja mais c\u00f4modo para a tarefa,<br \/>\n<br \/>alijando, por\u00e9m, os objetos que costumem trazer jungidos ao corpo, como sejam rel\u00f3gios, canetas, \u00f3culos e j\u00f3ias.<\/p>\n<p>*<\/p>\n<p>As pessoas que lidam com m\u00e9diuns, que trabalham junto deles, que desempenham, enfim, qualquer atividade em paralelo com eles, n\u00e3o devem esquecer-se de que esses companheiros de seara s\u00e3o criaturas dotadas de certo grau de exalta\u00e7\u00e3o da sensibilidade.<br \/> Ou, por outra: s\u00e3o m\u00e9diuns exatamente porque t\u00eam a sensibilidade mais aguda do que o comum dos homens e das mulheres.<br \/> Em decorr\u00eancia dessa particularidade que, no fundo, \u00e9 da pr\u00f3pria ess\u00eancia da mediunidade, s\u00e3o mais suscet\u00edveis, mais sens\u00edveis tamb\u00e9m \u00e0 cr\u00edtica, \u00e0 atitude antifraterna, \u00e0 palavra agressiva, \u00e0 reprimenda, tanto quanto ao elogio e \u00e0 bajula\u00e7\u00e3o, a que se refere Andr\u00e9 Luiz.<\/p>\n<p>\u00c9 preciso, pois, aten\u00e7\u00e3o especial com os m\u00e9diuns, naquilo que diga respeito \u00e0 sua condi\u00e7\u00e3o peculiar de sensibilidade.<br \/> Tentaremos clarificar, tanto quanto poss\u00edvel, este assunto extremamente delicado e complexo.<\/p>\n<p>Evidentemente, o m\u00e9dium n\u00e3o deve e n\u00e3o pode ser endeusado, porque isso exporia, a ele e ao grupo, a imprevis\u00edveis e desastrosas conseq\u00fc\u00eancias.<br \/> Em breve, estaria recebendo \u201cmensagens\u201d diretas de Deus-.<br \/>.<br \/> N\u00e3o vamos, por\u00e9m, cair no outro extremo, de submeter o m\u00e9dium a um regime disciplinar inadequado, ditado pela prepot\u00eancia e pela arbitrariedade, em nome da boa ordem dos trabalhos.<br \/> M\u00e9dium disciplinado \u00e9 uma coisa, m\u00e9dium inibido \u00e9outra.<br \/> \u00c9 preciso que o dirigente dos trabalhos tenha bom senso suficiente para distinguir at\u00e9 onde vai a disciplina, que precisa ser preservada, e onde come\u00e7a o rigorismo ditatorial que leve o m\u00e9dium ao p\u00e2nico ou \u00e0 revolta.<br \/> O m\u00e9dium n\u00e3o \u00e9 nem a \u201cvedete\u201d do grupo, seu pont\u00edfice m\u00e1ximo, nem o escravo acorrentado aos caprichos dos desavisados que, em nome da disciplina e da ordem, imp\u00f5em condi\u00e7\u00f5es inaceit\u00e1veis ao exerc\u00edcio das faculdades medi\u00fanicas.<\/p>\n<p>A mediunidade \u00e9 um mecanismo extremamente delicado e suscet\u00edvel, que deve ser tratado com aten\u00e7\u00e3o, cuidado e carinho.<\/p>\n<p>No grupo em que predominar legitimo sentimento de afei\u00e7\u00e3o, e compreens\u00e3o entre os seus diversos componentes, dificilmente surgir\u00e3o problemas dessa natureza, mas \u00e9 preciso estar atento para que tais quest\u00f5es n\u00e3o venham a perturbar a tarefa.<br \/> O dirigente dever\u00e1 tratar o m\u00e9dium com todo o carinho e aten\u00e7\u00e3o, procurando ajud\u00e1-lo na solu\u00e7\u00e3o dos problemas que surgirem no exerc\u00edcio de sua faculdade, dando-lhe apoio e conselhos, onde e quando necess\u00e1rio.<br \/> Deve ser-lhe grato pela sua contribui\u00e7\u00e3o ao grupo, sem, no entanto, distingui-lo com nenhum favor especial.<br \/> O m\u00e9dium equilibrado e disciplinado sabe que nada deve esperar de diferente, exclusivo ou extraordin\u00e1rio.<br \/> \u00c9 apenas um dos componentes do grupo, nada mais, e, como tal, credor da mesma estima e respeito devidos aos demais companheiros.<br \/> E, tamb\u00e9m como os demais, merecedor de uma palavra de est\u00edmulo e gratid\u00e3o, por uma tarefa particularmente dif\u00edcil, exaustiva e bem realizada.<br \/> N\u00e3o custa, a quem de direito, uma express\u00e3o de agradecimento e uma palmada afetuosa no ombro, que dever\u00e1 estimular sua responsabilidade e n\u00e3o sua vaidade.<\/p>\n<p>H\u00e1 manifesta\u00e7\u00f5es dif\u00edceis, dolorosas, que deixam res\u00edduos vibrat\u00f3rios perturbadores.<br \/> Em casos assim, o m\u00e9dium n\u00e3o deve ser abandonado \u00e0 sua sorte, com as dores e as canseiras resultantes.<br \/> Se o dirigente n\u00e3o puder socorr\u00ea-lo com um passe restaurador, designe algu\u00e9m no grupo para faz\u00ea-lo, mas diga-lhe uma breve palavra de carinho ou lhe fa\u00e7a um gesto de solidariedade, para que o m\u00e9dium sinta o apoio e a compreens\u00e3o para a sua \u00e1rdua tarefa.<\/p>\n<p>O leitor dever\u00e1 notar, ao longo deste livro, que alguns pontos s\u00e3o repisados em diferentes<br \/>\n<br \/>contextos.<br \/> \u00c9 que tais assuntos se apresentam muito intimamente interligados, \u00e0 semelhan\u00e7a dos fios coloridos que fazem o desenho dum tapete, e que desaparecem aqui, para reaparecer ali, com nova \u00eanfase.<\/p>\n<p>Um desses pontos \u00e9 o relacionamento entre os componentes do grupo, seja entre os encarnados, seja entre estes e os desencarnados.<\/p>\n<p>Repisaremos aqui um deles.<br \/> \u00c9 o do relacionamento do m\u00e9dium com o doutrinador.<br \/> Para que o trabalho se desenvolva com seguran\u00e7a e efic\u00e1cia, esse relacionamento precisa ser impec\u00e1vel.<br \/> Tentemos explicar o que significa, no caso, esse adjetivo algo pomposo.<br \/> Al\u00e9m do seu sentido etimol\u00f3gico \u2014 incapaz de pecar, n\u00e3o sujeito a pecar \u2014 impec\u00e1vel quer dizer perfeito, correto, sem m\u00e1cula ou defeito.<\/p>\n<p>M\u00e9dium e doutrinador devem estimar-se e respeitar-se.<br \/> Estima sem servilismo e sem fanatismo; respeito sem temores e sem reservas \u00edntimas.<br \/> Quando o relacionamento m\u00e9dium-doutrinador \u00e9 imperfeito ou sofre abalos mais s\u00e9rios, p\u00f5e-se em risco a qualidade do trabalho medi\u00fanico.<br \/> A raz\u00e3o \u00e9 simples e \u00f3bvia: ao incorporar-se, o esp\u00edrito manifestante vem trabalhar com os elementos ou instrumental que encontra no m\u00e9dium.<br \/> Se existe ali alguma reserva com rela\u00e7\u00e3o ao doutrinador, ou, pior ainda, alguma hostilidade mais declarada, \u00e9 claro que a sua tarefa negativa ser\u00e1 bastante facilitada, da mesma forma que um m\u00e9dium mais culto fornece melhores recursos para uma manifesta\u00e7\u00e3o de teor mais erudito ou um m\u00e9dium de temperamento mais violento oferece condi\u00e7\u00f5es mais prop\u00edcias a manifesta\u00e7\u00f5es violentas.<\/p>\n<p>Pela mesma raz\u00e3o, se existe entre m\u00e9dium e doutrinador um v\u00ednculo mais forte de afei\u00e7\u00e3o, o esp\u00edrito agressivo fica algo contido, e ainda que agrida o doutrinador com palavras ou gestos, n\u00e3o consegue fazer tudo quanto desejava.<br \/> Muitos s\u00e3o os que se queixam disso, durante suas manifesta\u00e7\u00f5es, exatamente porque n\u00e3o logram dar vaz\u00e3o aos seus impulsos e inten\u00e7\u00f5es, porque as vibra\u00e7\u00f5es afetivas entre m\u00e9dium e doutrinador arrefecem inevitavelmente tais impulsos.<\/p>\n<p>\u00c9 preciso ainda considerar que se o m\u00e9dium realiza esse trabalho de impregna\u00e7\u00e3o flu\u00eddica no perisp\u00edrito do manifestante, este tamb\u00e9m traz uma carga, \u00e0s vezes pesada e agressiva, que atua energicamente sobre o perisp\u00edrito do m\u00e9dium, havendo, portanto, certa \u201ccontamina\u00e7\u00e3o\u201d m\u00fatua, para a qual o m\u00e9dium deve atentar com toda a sua vigil\u00e2ncia, pois, do contr\u00e1rio, o esp\u00edrito o dominaria e faria com ele o que bem desejasse, como lamentavelmente acontece com freq\u00fc\u00eancia.<br \/> Essa contamina\u00e7\u00e3o, embora transit\u00f3ria, \u00e9 demonstrada, sem sombra alguma de d\u00favida, nas rea\u00e7\u00f5es preliminares e posteriores do m\u00e9dium, ou seja, quando ainda se acha consciente no corpo e depois que o reassume.<br \/> Com freq\u00fc\u00eancia, nossos m\u00e9diuns declaram que, ao sentirem a aproxima\u00e7\u00e3o do esp\u00edrito manifestante, experimentaram tal ou qual sensa\u00e7\u00e3o: for\u00e7a, \u00f3dio, tristeza, ang\u00fastia ou amor, paz, serenidade.<br \/> Da mesma forma, os res\u00edduos vibrat\u00f3rios que permanecem na intimidade do perisp\u00edrito do m\u00e9dium, ap\u00f3s a desincorpora\u00e7\u00e3o, s\u00e3o bastante conhecidos, sendo necess\u00e1rio, quase sempre, quando s\u00e3o desagrad\u00e1veis e agressivos, dispers\u00e1-los por meio de passes, a fim de que o m\u00e9dium se recomponha.<br \/> Quando, ao contr\u00e1rio, se trata de um esp\u00edrito pacificado e bondoso, o m\u00e9dium desperta, como costumo dizer, \u201cem estado de gra\u00e7a\u201d, feliz, harmonizado, comovido, \u00e0s vezes, at\u00e9 \u00e0s l\u00e1grimas.<\/p>\n<p>*<\/p>\n<p>Uma insistente palavra final para o m\u00e9dium: estude, leia, fa\u00e7a perguntas, discuta os diferentes aspectos e problemas da mediunidade, com quem demonstre ter experi\u00eancia.<br \/> \u201cO Livro dos M\u00e9diuns\u201d deve ser leitura e releitura constantes.<br \/> H\u00e1 sempre aspectos e informa\u00e7\u00f5es que a uma ou duas passagens deixamos escapar.<br \/> Mantenha-se ligado \u00e0s cinco obras da Codifica\u00e7\u00e3o, aos livros de Andr\u00e9 Luiz, que desenvolvem, de maneira t\u00e3o ampla, n\u00e3o apenas aspectos espec\u00edficos da mediunidade, como trabalhos desenvolvidos no mundo espiritual: \u201cMecanismos da Mediunidade\u201d, \u201cEntre a Terra e o C\u00e9u\u201d, \u201cMission\u00e1rios da Luz\u201d, \u201cNos Dom\u00ednios da Mediunidade\u201d, \u201cLiberta\u00e7\u00e3o\u201d, \u201cDesobsess\u00e3o\u201d, ou, ainda, \u201cEstudando a Mediunidade\u201d, de Martins Peralva, \u201cNo Pa\u00eds das Sombras\u201d, de Madame d\u2019Esp\u00e9rance, \u201cMem\u00f3rias de um Suicida\u201d, de Camilo C\u00e2ndido Botelho, \u201cDramas da Obsess\u00e3o\u201d, do Dr.<br \/> Bezerra de Menezes, \u201cNos Bastidores da Obsess\u00e3o\u201d, de Manoel Philomeno de Miranda.<\/p>\n<p>A literatura \u00e9 ampla e n\u00e3o h\u00e1 ainda limites vis\u00edveis neste vasto campo.<br \/> O m\u00e9dium, tanto quanto todos n\u00f3s, que lidamos com a comunica\u00e7\u00e3o entre os dois mundos, precisa estar bem certo de que \u00e9 ainda muito pouco o que sabemos sobre essa not\u00e1vel faculdade humana.<br \/> Toda a humildade e<br \/>\n<br \/>todo o respeito ante ela ainda ser\u00e3o poucos.<br \/> Ademais, somente podemos estudar a mediunidade assistindo-a em a\u00e7\u00e3o, observando-a com aten\u00e7\u00e3o, anotando suas peculiaridades, discutindo suas in\u00fameras facetas com os companheiros que constituem a equipe de trabalho, lendo o estudo daqueles que, antes de n\u00f3s, j\u00e1 se tenham dedicado aos seus mist\u00e9rios e grandezas.<\/p>\n<p>Ningu\u00e9m precisa estud\u00e1-la mais, e com maior respeito e carinho, do que o pr\u00f3prio m\u00e9dium, porque \u00e9 atrav\u00e9s dele que se abre o postigo pelo qual dialogamos, mundos abaixo, com os companheiros que se acham acorrentados \u00e0s mais negras e tormentosas paix\u00f5es e sofrimentos, e, mundos acima, de onde recebemos jatos de luz que, atrav\u00e9s de um pequenino ret\u00e2ngulo, iluminam, por alguns momentos, de tempos em tempos, os ambientes de meia-luz em que vivemos.<\/p>\n<div class=\"pvc_clear\"><\/div>\n<p id=\"pvc_stats_19012\" class=\"pvc_stats all  \" data-element-id=\"19012\" style=\"\"><i class=\"pvc-stats-icon medium\" aria-hidden=\"true\"><svg aria-hidden=\"true\" focusable=\"false\" data-prefix=\"far\" data-icon=\"chart-bar\" role=\"img\" xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\" viewBox=\"0 0 512 512\" class=\"svg-inline--fa fa-chart-bar fa-w-16 fa-2x\"><path fill=\"currentColor\" d=\"M396.8 352h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8V108.8c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v230.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8zm-192 0h22.4c6.4 0 12.8-6.4 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