{"id":19027,"date":"2022-08-12T08:12:00","date_gmt":"2022-08-12T08:12:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2022-08-12T08:12:00","modified_gmt":"2022-08-12T08:12:00","slug":"artigo19027","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/artigo19027\/","title":{"rendered":"4 O DOUTRINADOR &#8211; DI\u00c1LOGO COM AS SOMBRAS HERM\u00cdNIO C. MIRANDA"},"content":{"rendered":"<p>Num grupo medi\u00fanico, chama-se doutrinador a pessoa que se incumbe de dialogar com os companheiros desencarnados necessitados de ajuda e esclarecimento.<br \/> Qualquer bom dicion\u00e1rio leigo dir\u00e1 que doutrinar \u00e9 instruir em uma doutrina, ou, simplesmente, ensinar.<br \/> E aqui j\u00e1 come\u00e7amos a esbarrar nas dificuldades que a palavra doutrinador nos oferece, no contexto da pr\u00e1tica medi\u00fanica.<\/p>\n<p>Em primeiro lugar, porque o esp\u00edrito que comparece para debater conosco os seus problemas e afli\u00e7\u00f5es, n\u00e3o est\u00e1 em condi\u00e7\u00f5es, logo aos primeiros contactos, de receber instru\u00e7\u00f5es doutrin\u00e1rias, ou seja, acerca da Doutrina Esp\u00edrita, que professamos, e com a qual pretendemos ajud\u00e1-lo.<br \/> Ele n\u00e3o vem disposto a ouvir uma prega\u00e7\u00e3o, nem predisposto ao aprendizado, como ouvinte paciente ante um guru evolu\u00eddo.<br \/> Muitas vezes ele est\u00e1 perfeitamente familiarizado com in\u00fameros pontos importantes da Doutrina Esp\u00edrita.<br \/> Sabe que \u00e9 um Esp\u00edrito sobrevivente, conhece suas responsabilidades perante as leis universais, admite, ante evid\u00eancias que lhe s\u00e3o mais do que \u00f3bvias, os mecanismos da reencarna\u00e7\u00e3o, reconhece at\u00e9 mesmo a exist\u00eancia de Deus.<br \/> Quanto \u00e0 comunicabilidade entre encarnados e desencarnados, ele nem discute, pois est\u00e1 justamente produzindo uma demonstra\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica do fen\u00f4meno, e seria infantilidade de sua parte tentar ignorar a realidade.<\/p>\n<p>Portanto, o companheiro encarnado, com quem estabelece o di\u00e1logo, n\u00e3o tem muito a ensinar-lhe, em termos gerais de doutrina.<\/p>\n<p>      Por outro lado, o chamado doutrinador n\u00e3o \u00e9 o sumo-sacerdote de um culto ou de uma seita, que se coloque na posi\u00e7\u00e3o de mestre, a ditar normas de a\u00e7\u00e3o e a pregar, presun\u00e7osamente, um est\u00e1gio ideal de moral, que nem ele pr\u00f3prio conseguiu alcan\u00e7ar.<br \/> A despeito disso, ele precisa estar preparado para exercer, no momento oportuno, a autoridade necess\u00e1ria, que toda pessoa incumbida de uma tarefa, por mais modesta, deve ter.<br \/> N\u00e3o se esquecer, por\u00e9m, de que, no grupo medi\u00fanico, ele \u00e9 apenas um dos componentes, um trabalhador, e n\u00e3o mestre, sumo-sacerdote ou rei.<\/p>\n<p>      Sua forma\u00e7\u00e3o doutrinaria \u00e9 de extrema import\u00e2n\u00e7ia.<br \/> N\u00e3o poder\u00e1 jamais fazer um bom trabalho, sem conhecimento \u00edntimo dos postulados da Doutrina Esp\u00edrita.<br \/> Entre os esp\u00edritos que lhe s\u00e3o trazidos para entendimento, h\u00e1 argumentadores prodigiosamente inteligentes, bem preparados e experimentados em diferentes t\u00e9cnicas de debate, dotados de excelente dial\u00e9tica.<br \/> Isto n\u00e3o significa que todo doutrinador tem de ser um g\u00eanio, de enorme capacidade intelectual e de impec\u00e1vel forma\u00e7\u00e3o filos\u00f3fica.<br \/> A conversa com os esp\u00edritos desajustados n\u00e3o deve ser um frio debate acad\u00eamico.<br \/> Se o dirigente encarnado dos trabalhos est\u00e1 bem familiarizado com as obras fundamentais do Espiritismo, ele encontrar\u00e1 sempre o que dizer ao manifestante, ainda que n\u00e3o esteja no mesmo n\u00edvel intelectual dele.<br \/> O confronto aqui n\u00e3o \u00e9 de intelig\u00eancias, nem de culturas; \u00e9 de cora\u00e7\u00f5es, de sentimentos.<br \/> O conhecimento doutrin\u00e1rio torna-se importante como base de sustenta\u00e7\u00e3o.<br \/> O doutrinador precisa estar convencido de que a Doutrina Esp\u00edrita disp\u00f5e de todos os informes de que ele necessita para cuidar dos manifestantes em desequil\u00edbrio, mas isso n\u00e3o \u00e9 tudo, porque ele pode ser um bom conhecedor dos princ\u00edpios te\u00f3ricos do Espiritismo e ser completamente desinteressado do aspecto evang\u00e9lico; ou, ainda, conhecer a doutrina e recitar prontamente qualquer vers\u00edculo evang\u00e9lico, mas n\u00e3o apoiar o seu conhecimento na emo\u00e7\u00e3o e no leg\u00edtimo desejo de servir e ajudar.<br \/> Voltaremos ao assunto quando tratarmos do problema espec\u00edfico da doutrina\u00e7\u00e3o.<br \/> Os esp\u00edritos em estado de perturba\u00e7\u00e3o, que nos s\u00e3o trazidos \u00e0s sess\u00f5es medi\u00fanicas, n\u00e3o est\u00e3o, logo de in\u00edcio, em condi\u00e7\u00f5es psicol\u00f3gicas adequadas \u00e0 prega\u00e7\u00e3o doutrin\u00e1ria, como j\u00e1 dissemos.<br \/> Necessitam aflitivamente de primeiros socorros, de quem os ou\u00e7a com paci\u00eancia e toler\u00e2ncia.<br \/> A doutrina\u00e7\u00e3o vir\u00e1 no momento oportuno, e, antes que o doutrinador possa dedicar-se a este aspecto espec\u00edfico, ele deve estar<br \/>\n<br \/>preparado para discutir o problema pessoal do esp\u00edrito, a fim de obter dele a informa\u00e7\u00e3o de que necessita.<br \/> \u00c9 nesse momento que ele precisa utilizar-se de seus conhecimentos gerais, intercalando aqui e ali um pensamento evang\u00e9lico que se adapte \u00e0s condi\u00e7\u00f5es desenvolvidas no di\u00e1logo.<\/p>\n<p>Isto nos leva a outro aspecto importante: o \u201cstatus\u201d moral do doutrinador.<br \/> Sua autoridade moral \u00e9 importante, por certo, mas qual de n\u00f3s, encarnados, ainda em lutas hom\u00e9ricas contra imperfei\u00e7\u00f5es milenares, pode arrogar-se uma atitude de superioridade moral sobre os companheiros mais desarvorados das sombras? Ainda temos mazelas e ainda erramos gravemente.<br \/> O esp\u00edrito que debate conosco sabe de nossas in\u00fameras fraquezas, tanto quanto n\u00f3s, e at\u00e9 mais do que n\u00f3s, \u00e0s vezes, por serem, freq\u00fcentemente, companheiros de antigas encarna\u00e7\u00f5es, em que fomos, talvez, comparsas de desacertos hediondos.<br \/> Ele nos vigia, observa-nos, analisa-nos e estuda-nos, de uma posi\u00e7\u00e3o vantajosa para ele: na invisibilidade.<br \/> Tem condi\u00e7\u00f5es de aferir nossa personalidade e nossos prop\u00f3sitos, pela maneira como agimos em nosso relacionamento com os semelhantes.<br \/> Percebe mais as nossas inten\u00e7\u00f5es, a intensidade e a sinceridade do nosso sentimento, do que o mero som das palavras que pronunciamos.<br \/> Se estivermos recitando lindos textos evang\u00e9licos, sem sustenta\u00e7\u00e3o na afei\u00e7\u00e3o leg\u00edtima, ele o saber\u00e1 tamb\u00e9m.<\/p>\n<p>Muitas vezes, refere-se desabridamente a uma ou outra fraqueza \u00edntima nossa, como, por exemplo:<br \/>\n<br \/>\u2014 Voc\u00ea n\u00e3o tem for\u00e7a para deixar o v\u00edcio de fumar, como quer me obrigar a deixar de perseguir aquele que me prejudicou?<br \/>\n<br \/>Ou ent\u00e3o, nos lembra uma situa\u00e7\u00e3o irregular em que nos encontramos, ou um erro mais grave cometido no passado recente, ou crimes que praticamos em vidas pregressas.<br \/> Tudo serve.<br \/> \u00c9 preciso que o doutrinador esteja preparado para estas situa\u00e7\u00f5es.<br \/> N\u00e3o adianta exibir virtudes que n\u00e3o possui ainda.<br \/> Deve lembrar-se, por\u00e9m, de que somos julgados e avaliados, n\u00e3o pelos resultados que obtemos, mas pelo esfor\u00e7o que realizamos para alcan\u00e7\u00e1-los.<br \/> N\u00e3o \u00e9 preciso ser santo, para doutrinar.<br \/> Aqueles que j\u00e1 se purificaram a esse ponto, dedicam-se a tarefas mais complexas, de maior responsabilidade, compat\u00edveis com o adiantamento espiritual que j\u00e1 alcan\u00e7aram.<\/p>\n<p>Por outro lado, n\u00e3o podemos esperar a perfei\u00e7\u00e3o para ajudar o irm\u00e3o que sofre.<br \/> \u00c9 exatamente porque ainda somos t\u00e3o imper feitos quanto ele, que estamos em condi\u00e7\u00f5es de servi-lo mais de perto.<br \/> Muitos s\u00e3o desafetos antigos, que ainda n\u00e3o nos perdoaram.<br \/> \u00c9 aqui que vemos a validade da palavra s\u00e1bia do Cristo:<br \/>\n<br \/>\u2014 Reconcilia-te com o teu advers\u00e1rio, enquanto est\u00e1s a caminho com ele.<\/p>\n<p>N\u00e3o podemos impor ao companheiro infeliz uma superioridade moral inexistente.<br \/> O doutrinador \u00e9 tamb\u00e9m um ser fal\u00edvel e consciente das suas imperfei\u00e7\u00f5es, mas isto n\u00e3o pode e n\u00e3o deve inibi-lo para a tarefa.<br \/> \u00c9 preciso levar em conta, ainda, que muitos companheiros espirituais desarvorados, que nos conheceram em passado tenebroso, v\u00eaem em n\u00f3s mais aqueles que fomos do que o que somos hoje, ou pretendemos ser.<br \/> Se tivermos paci\u00eancia e toler\u00e2ncia, o manifestante acabar\u00e1 por admitir que, mesmo que ainda n\u00e3o tenhamos alcan\u00e7ado os est\u00e1gios superiores da evolu\u00e7\u00e3o, nossa boa inten\u00e7\u00e3o \u00e9 leg\u00edtima, o esfor\u00e7o que desenvolvemos \u00e9 digno, e nos respeitar\u00e3o por isso.<\/p>\n<p>O\tdoutrinador precisa, ainda, ser uma criatura de f\u00e9 viva, positiva, inabal\u00e1vel.<br \/> Ele n\u00e3o pode dar aquilo que n\u00e3o tem.<br \/> Se me perguntassem qual o elemento mais importante na estrutura da personalidade do doutrinador, eu n\u00e3o saberia dizer, mas ficaria indeciso entre a f\u00e9 e o amor, sobre o qual ainda falaremos adiante.<br \/> Que tipo de f\u00e9? A f\u00e9 esp\u00edrita, tal como a conceituou Kardec:<br \/>\n<br \/>sincera, convicta, l\u00f3gica, plenamente suportada pela raz\u00e3o, mas sem se deixar contaminar pela frieza hier\u00e1tica do racionalismo est\u00e9ril e vazio.<\/p>\n<p>Fa\u00e7amos uma pausa na exposi\u00e7\u00e3o, para um exame da f\u00e9, que tanto nos interessa, neste, como em tantos outros contextos.<\/p>\n<p>*<\/p>\n<p>Quero falar aqui daquela f\u00e9 sobre a qual Paulo escreveu seu belissimo poema, no capitulo 11 da Ep\u00edstola aos Hebreus:<br \/>\n<br \/>\u2014\tA f\u00e9 \u2014 disse ele \u2014 \u00e9 a garantia do que se espera; a prova das realidades invis\u00edveis.<br \/> Pela f\u00e9, sabemos que o universo foi criado pela palavra de Deus, de maneira que o que se v\u00ea resultasse daquilo que n\u00e3o se v\u00ea.<br \/> (1)<\/p>\n<p>(1)\tO texto citado \u00e9 da B\u00edblia de Jerusal\u00e9m.<\/p>\n<p>Em Paulo, a f\u00e9 era o suporte das realidades que o conhecimento ainda n\u00e3o atingira; em Kardec \u00e9 a certeza daquilo que o conhecimento, afinal alcan\u00e7ado, confirmou no cora\u00e7\u00e3o do homem.<\/p>\n<p>Para o Cristo, a f\u00e9 do tamanho de uma semente de mostarda bastaria para remover montanhas.<br \/> Para Ele, \u00e9 a f\u00e9 que cura o servo doente do romano pag\u00e3o e estanca a hemorragia da mulher que O tocou.<br \/> \u00c9 a aus\u00eancia de f\u00e9 que Ele censura docemente nos disc\u00edpulos que temeram a tempestade e a morte.<\/p>\n<p>\u00c9 ainda a falta de f\u00e9 que Ele repreende nos disc\u00edpulos, ao expulsar o Esp\u00edrito que atormentava o jovem lun\u00e1tico (Mateus, 17:14-20):<br \/>\n<br \/>\u2014 Os disc\u00edpulos vieram, ent\u00e3o, ter com Jesus, em particular, e lhe perguntaram: \u201cPor que n\u00e3o pudemos, n\u00f3s outros, expulsar esse dem\u00f4nio?\u201d Respondeulhes Jesus: \u201cPor causa da vossa incredulidade.<br \/> Pois em verdade vos digo, se tiv\u00e9sseis f\u00e9 do tamanho de um gr\u00e3o de mostarda, dir\u00edeis a esta montanha: Transporta-te da\u00ed para ali, e ela se transportaria e nada vos seria imposs\u00edvel.<br \/>\u201d<br \/>\n<br \/>O epis\u00f3dio \u00e9 de grande for\u00e7a e beleza.<br \/> Os disc\u00edpulos j\u00e1 haviam tentado, sem \u00eaxito, doutrinar o possessor que fazia o que queria com o infeliz jovem.<br \/> Batidos pelo fracasso, e ante a facilidade com que o Cristo resolve o problema, pedem explica\u00e7\u00f5es.<br \/> Resposta:<br \/>\n<br \/>f\u00e9.<br \/> Sem ela, pouco ou nada podemos; com ela, \u201cnada \u00e9 imposs\u00edvel\u201d.<br \/> \u00c9 uma afirmativa de extraordin\u00e1rio vigor, feita por quem Possu\u00eda autoridade mais do que suficiente para faz\u00ea-la.<br \/> Coloquemo-la de forma positiva: tudo \u00e9 poss\u00edvel \u00e0quele que cr\u00ea.<\/p>\n<p>Marcos narra o epis\u00f3dio no cap\u00edtulo 9 (vers\u00edculos 14 a 29).<\/p>\n<p>Jesus cura o infeliz possesso que, segundo o pai, era possu\u00eddo por um Esp\u00edrito mudo, que se apoderava dele em qualquer lugar, derrubava-o ao solo, fazia-o espumar, ranger os dentes, e o deixava r\u00edgido, provavelmente desacordado.<br \/> Os disc\u00edpulos nada puderam fazer, e, depois de cur\u00e1-lo, o Cristo insiste em que tudo \u00e9 poss\u00edvel \u00e0quele que cr\u00ea, e ainda mais: que aquela classe de esp\u00edritos n\u00e3o poderia ser tratada sen\u00e3o com a prece.<\/p>\n<p>      Ao comentar a passagem, em \u201cO Evangelho segundo o Espiritismo\u201d, Kardec escreve que \u201ca confian\u00e7a nas suas pr\u00f3prias for\u00e7as torna o homem capaz de executar coisas materiais, que n\u00e3o consegue fazer quem duvida de si\u201d.<br \/> No contexto, por\u00e9m, as palavras devem ser entendidas em seu sentido moral.<br \/> N\u00e3o se trata, \u00e9 certo, de remover montanhas de terra e pedra, imagem usada pelo<br \/>\n<br \/>Cristo para fixar o seu pensamento na mem\u00f3ria dos ouvintes.<br \/> \u201cDa f\u00e9 vacilante \u2014 diz Kardec, pouco depois \u2014 resultam a incerteza e a hesita\u00e7\u00e3o, de que se aproveitam os advers\u00e1rios que se tem de combater; essa f\u00e9 n\u00e3o procura os meios de vencer, porque n\u00e3o acredita que possa vencer.<br \/>\u201d (Destaque meu.<br \/>)<br \/>\n<br \/>O coment\u00e1rio de Kardec \u00e9 de transcendental import\u00e2ncia.<br \/> Para n\u00e3o transcrev\u00ea-lo por inteiro, aqui, \u00e9 prefer\u00edvel recomendar que o leitor n\u00e3o deixe de estud\u00e1-lo e de meditar pausadamente acerca de todas as suas implica\u00e7\u00f5es, pois ele ocupa todo o cap\u00edtulo 19 de \u201cO Evangelho segundo o Espiritismo\u201d, p\u00e1ginas 284 a 293, da 57\u00aa edi\u00e7\u00e3o da FEB.<\/p>\n<p>\u00c9 tamb\u00e9m a\u00ed que o Codificador escreveu sua famosa senten\u00e7a:<br \/>\n<br \/>\u2014 F\u00e9 inabal\u00e1vel s\u00f3 \u00e9 a que pode encarar de frente a raz\u00e3o, em todas as \u00e9pocas da Humanidade.<\/p>\n<p>Dificilmente se poderia dizer melhor, com t\u00e3o poucas palavras.<br \/> A conceitua\u00e7\u00e3o de f\u00e9 tornou-se, com Kardec, definitiva.<br \/> Precisa ser inabal\u00e1vel, tem que \u201cencarar a raz\u00e3o\u201d destemidamente, confiante-mente, sempre, em todas as \u00e9pocas.<br \/> Somente assim ser\u00e1 inabal\u00e1vel.<br \/> Fora disso, pode ser cren\u00e7a, suspeita, opini\u00e3o, parecer, conjetura, presun\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o ser\u00e1 f\u00e9.<\/p>\n<p>Sem ela, o doutrinador estar\u00e1 desarmado, despreparado para a sua tarefa, por mais bem-dotado que seja, com rela\u00e7\u00e3o aos demais atributos necess\u00e1rios \u00e0 sua fun\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Ele precisa estar confiante nos poderes espirituais que sustentam o seu trabalho, sem os quais nenhuma tarefa de desobsess\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel, e todos os riscos s\u00e3o iminentes e inevit\u00e1veis.<br \/> Ele tem de saber que, ao levantar-se para dar um passe, a f\u00e9 lhe trar\u00e1 os recursos de que necessita para servir.<br \/> Ele deve saber que, ao formular sua prece, vai encontrar a resposta ao que implora, em benef\u00edcio do companheiro que sofre.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, \u00e9 a f\u00e9 que lhe d\u00e1 o apoio da confian\u00e7a de que ele precisa para aventurar-se pelas \u00e1speras e tenebrosas regi\u00f5es do mais terr\u00edvel sofrimento, do mais angustioso desespero, da mais violenta revolta.<br \/> Se n\u00e3o tem f\u00e9, n\u00e3o estar\u00e1 em condi\u00e7\u00f5es de realizar o trabalho a que se prop\u00f5e.<\/p>\n<p>Outro ingrediente necess\u00e1rio, na psicologia do doutrinador, \u00e9 o amor.<br \/> N\u00e3o \u00e9 por acaso que nos textos evang\u00e9licos caridade e amor s\u00e3o tratados como sin\u00f4nimos.<br \/> Imposs\u00edvel seria considerar a caridade sem o amor, tanto quanto o amor descaridoso.<br \/> Por isso, tradu\u00e7\u00f5es modernas do Evangelho substituiram por amor a express\u00e3o caridade, que aparecia nos textos mais antigos, do bel\u00edssimo cap\u00edtulo 13, da Primeira Ep\u00edstola de Paulo aos Cor\u00edntios:<br \/>\n<br \/>\u2014 Ainda que eu fale a linguagem dos homens e dos anjos, se n\u00e3o tenho amor, sou como o bronze que soa e o c\u00edmbalo que retine.<br \/>.<br \/>.<br \/> Se n\u00e3o tenho amor, nada me aproveita.<br \/>.<br \/>.<br \/> O amor \u00e9paciente e servi\u00e7al.<br \/>.<br \/>.<br \/> O amor n\u00e3o \u00e9 invejoso, nem presun\u00e7oso, n\u00e3o \u00e9 temer\u00e1rio, nem precipitado, n\u00e3o tem orgulho, n\u00e3o \u00e9 interesseiro, n\u00e3o se irrita, n\u00e3o se alegra com a injusti\u00e7a e sim com a verdade.<br \/> O amor tudo cr\u00ea, tudo espera, tudo suporta.<br \/> O amor n\u00e3o se acaba nunca.<br \/> Se tudo se acabasse, restariam a f\u00e9, a esperan\u00e7a e o amor.<\/p>\n<p>A B\u00edblia de Jerusal\u00e9m lembra, em nota de rodap\u00e9, que a express\u00e3o do original grego agap\u00f4, caracteriza bem a grada\u00e7\u00e3o cuidadosa do sentimento que Paulo desejou transmitir aos seus amigos de Corinto.<br \/> Agap\u00f4 \u00e9 o amor-benevol\u00eancia, que se dirige, como for\u00e7a construtiva do bem, em favor do pr\u00f3ximo, diferente, portanto, do amor passional e ego\u00edsta.<\/p>\n<p>\u00c9 desse amor-doa\u00e7\u00e3o que precisa o doutrinador.<br \/> Do amor que, segundo o Cristo, devemos sentir, com rela\u00e7\u00e3o aos nossos pr\u00f3prios inimigos.<br \/> \u00c9 isto bem verdadeiro, no caso da doutrina\u00e7\u00e3o de Esp\u00edritos conturbados, porque, ao se apresentarem diante de n\u00f3s, v\u00eam com a for\u00e7a e a agressividade de inimigos implac\u00e1veis.<br \/> Se respondermos \u00e0 sua agressividade com a nossa, o trabalho se perde e desencadeamos contra n\u00f3s a rea\u00e7\u00e3o sustentada da c\u00f3lera, do rancor, do \u00f3dio.<br \/> Sem nenhuma figura de ret\u00f3rica, \u00e9 preciso ter, no trabalho de desobsess\u00e3o, a capacidade de amar os inimigos.<\/p>\n<p>\t&#8211; \u201c\u00c9 preciso \u2014 escrevia eu em \u201cReformador\u201d de fevereiro de 1975 \u2014 ter muito amor a dar, para distribu\u00ed-lo assim, indiscriminadamente, a qualquer companheiro espiritual que se manifeste.<br \/> Muitas vezes, o m\u00e9dium doutrinador n\u00e3o se encontra, na sua vida de encarnado, cercado pelo sentimento de afei\u00e7\u00e3o de familiares e companheiros.<br \/> Tem seus parentes, vive rodeado de conhecidos, no ambiente de trabalho, mas n\u00e3o conta com grandes afei\u00e7\u00f5es e dedica\u00e7\u00f5es.<br \/> A sustenta\u00e7\u00e3o do seu teor vibrat\u00f3rio, no campo do amor, dever\u00e1 vir de Cima, e, para isso, precisa estar ligado aos Planos Superiores, que o ajudam e assistem a dist\u00e2ncia.<br \/> Sem amor profundo, pronto na doa\u00e7\u00e3o, incondicional, leg\u00edtimo, sincero, \u00e9 impratic\u00e1vel o trabalho medi\u00fanico realmente produtivo e libertador.<\/p>\n<p>\t      \u00c9 claro que estas observa\u00e7\u00f5es s\u00e3o v\u00e1lidas para todos os componentes do grupo, mas particularmente se dirigem ao doutrinador, porque \u00e9 ele o seu porta-voz, \u00e9 nele que os Esp\u00edritos desequilibrados identificam a petulante inten\u00e7\u00e3o de interferir com seus planos pessoais, \u00e9 ele, usualmente, o respons\u00e1vel pela dire\u00e7\u00e3o dos aspectos, por assim dizer, terrenos, do trabalho.<br \/> \u00c9 l\u00f3gico e natural, portanto, para os irm\u00e3os desorientados, que se conc\u00e9ntre no doutrinador grande parte do esfor\u00e7o de envolvimento, bem como suas c\u00f3leras e suas amea\u00e7as.<br \/> O m\u00e9dium doutrinador tem que devolver todo esse concentrado ataque vibrat\u00f3rio, transformado em compreens\u00e3o, toler\u00e2ncia e, principalmente, amor fraterno.<\/p>\n<p>*<\/p>\n<p>Isto n\u00e3o esgota, ainda, o rol das aptid\u00f5es que devem integrar a personalidade do doutrinador.<br \/> Nem pretendemos esgot\u00e1-lo aqui, ou afirmar que somente pode investir-se na fun\u00e7\u00e3o de doutrinador aquele que possuir cumulativamente todas essas virtudes.<br \/> N\u00e3o estamos ainda nesse estado evolutivo.<\/p>\n<p>Prossigamos, no entanto, ainda no exame dos componentes morais e psicol\u00f3gicos da personalidade de um bom doutrinador.<\/p>\n<p>Se n\u00e3o dispuser de um m\u00ednimo de aptid\u00f5es, o candidato a tal fun\u00e7\u00e3o deve procurar desenvolv\u00ea-las, ou assumir outra tarefa, para a qual, seus recursos pessoais sejam mais adequados.<br \/> Uma dessas virtudes \u00e9 a paci\u00eancia.<br \/> N\u00e3o pode ele, sem preju\u00edzo s\u00e9rio para o seu trabalho, atirar-se sofregamente ao interrogat\u00f3rio do Esp\u00edrito manifestante.<br \/> Tem que ouvir, aturar desaforos e improp\u00e9rios, agress\u00f5es verbais e impertin\u00eancias.<br \/> Tem que aguardar o momento de falar.<br \/> Para isso, necessita de outra qualidade pessoal, n\u00e3o particularmente rara, mas que precisa ser cultivada, quando n\u00e3o despertada: a sensibilidade, que o levar\u00e1 a sentir pacientemente o terreno estranho, dif\u00edcil e desconhecido em que pisa, as rea\u00e7\u00f5es do Esp\u00edrito, procurando localizar os pontos em que o manifestante, por sua vez, seja mais sens\u00edvel e acess\u00edvel.<br \/> Isto se faz com uma qualidade pessoal chamada tato, segundo a qual, vamos, pela observa\u00e7\u00e3o cuidadosa, serena, nos informando de determinada situa\u00e7\u00e3o ou acontecimento, at\u00e9 que estejamos seguros de poder tomar uma posi\u00e7\u00e3o ou uma decis\u00e3o sobre o assunto.<\/p>\n<p>A paci\u00eancia, a sensibilidade e o tato nos facultam as informa\u00e7\u00f5es que buscamos, mas n\u00e3o disparam, por si mesmos, os mecanismos da a\u00e7\u00e3o, ou seja, n\u00e3o nos indicam a provid\u00eancia a tomar, nem nos sustentam no que fizermos.<br \/> Para isso, se pede outra disposi\u00e7\u00e3o que poder\u00edamos chamar de energia, que deve ser controlada e oportuna.<br \/> H\u00e1 de chegar-se a um ponto, na doutrina\u00e7\u00e3o, em que se torna imperiosa a tomada de uma atitude firme, en\u00e9rgica, que n\u00e3o pode ser contundente, nem agressiva.<br \/> \u00c9 a hora da energia, e o momento tem que ser o certo.<br \/> Nem antes, nem depois da oportunidade.<br \/> Veremos isto, quando cuidarmos do trabalho propriamente dito.<\/p>\n<p>H\u00e1 mais ainda.<\/p>\n<p>O doutrinador deve estar em permanente estado de vigil\u00e2ncia, na mais ampla acep\u00e7\u00e3o do termo.<br \/> Vigil\u00e2ncia quanto aos seus proprios sentimentos e pensamentos, quanto \u00e0s suas suposi\u00e7\u00f5es e intui\u00e7\u00f5es, quanto ao que se cont\u00e9m nas entrelinhas do que diz o manifestante, quanto ao que ocorre \u00e0 sua volta, com os demais componentes do grupo, quanto \u00e0 sua pr\u00f3pria conduta, n\u00e3o apenas durante o trabalho medi\u00fanico, propriamente dito, mas no seu proceder di\u00e1rio.<br \/> Conv\u00e9m repetir: n\u00e3o precisa ser um santo, e n\u00e3o o ser\u00e1 mesmo.<br \/> Vigil\u00e2ncia e boa inten\u00e7\u00e3o n\u00e3o s\u00e3o santidade.<br \/> O doutrinador precisa servir em estado de alertamento constante.<\/p>\n<p>Uma quest\u00e3o cabe introduzir aqui: conv\u00e9m que ele disponha de alguma forma de mediunidade ostensiva? Em Espiritismo, n\u00e3o h\u00e1 posi\u00e7\u00f5es dogm\u00e1ticas.<br \/> Minha opini\u00e3o pessoal \u00e9 a de que algum\u00e1s formas de mediunidade s\u00e3o desej\u00e1veis.<br \/> Colocaria em primeiro lugar a intuitiva, atrav\u00e9s da qual o doutrinador possa receber as inspira\u00e7\u00f5es de seus amigos espirituais, respons\u00e1veis pelo trabalho, e desenvolv\u00ea-las junto ao manifestante, com seus pr\u00f3prios recursos e suas pr\u00f3prias palavras.<\/p>\n<p>Em segundo lugar, poria a vid\u00eancia, que certamente auxiliar\u00e1 na vis\u00e3o de cenas e quadros, ou da apar\u00eancia pessoal do Esp\u00edrito manifestante e de seus eventuais companheiros.<br \/> Ser\u00e1 tamb\u00e9m \u00fatil dispor da faculdade de clariaudi\u00eancia, e, neste caso, ouviria diretamente as instru\u00e7\u00f5es e \u201crecados\u201d do mundo espiritual, que fossem de interesse para o seu trabalho.<br \/> Isto, por\u00e9m, n\u00e3o o coloca inteiramente a salvo de alguma palavra, soprada desavisadamente, que o leve a falsos caminhos.<\/p>\n<p>Creio poder afirmar que n\u00e3o seria desej\u00e1vel qualquer forma de mediunidade que colocasse o dirigente, ou doutrinador, em estado de inconsci\u00eancia.<br \/> Ele precisa manter-se l\u00facido durante todo o per\u00edodo de trabalho.<\/p>\n<p>Uma confreira, experimentada nas lides esp\u00edritas, contou-me que certa vez se encontrou ante a conting\u00eancia de dirigir uma sess\u00e3o de desobsess\u00e3o.<br \/> Relutantemente, concordou em assumir o encargo, pois temia que sua ostensiva mediunidade de incorpora\u00e7\u00e3o interferisse com a boa marcha do trabalho.<br \/> Realmente, foi o que aconteceu.<br \/> Ao iniciar a tarefa do di\u00e1logo com um Esp\u00edrito manifestante, come\u00e7ou a sentir-se envolvida, perdeu o fio da conversa\u00e7\u00e3o e, sentindo-se girar \u201ccomo um parafuso\u201d \u2014 disse ela \u2014, da\u00ed a pouco estava, por sua vez, tamb\u00e9m incorporada, criando certo p\u00e2nico na sess\u00e3o.<br \/> Depois dessa experi\u00eancia, ela passou a recusar, com firmeza, qualquer solicita\u00e7\u00e3o para funcionar como doutrinadora, dedicando-se a outras atividades, t\u00e3o nobres quanto essa, para as quais estava perfeitamente preparada, com a aben\u00e7oada mediunidade de cura.<br \/> Suponho que, por isso, a faculdade mais comumente encontrada num doutrinador \u00e9, precisamente, a intui\u00e7\u00e3o.<br \/> Se ele procura sintonizar-se com o mundo espiritual, esta via de comunica\u00e7\u00e3o bastar\u00e1 ao seu trabalho.<br \/> Por ela, seus companheiros mais esclarecidos se comunicar\u00e3o, com efici\u00eancia e oportunidade, para a ajuda de que ele n\u00e3o pode prescindir.<br \/> De uma vez por todas, tiremos de nossa cabe\u00e7a a no\u00e7\u00e3o falaz de que o bom doutrinador pode dispensar a colabora\u00e7\u00e3o dos Esp\u00edritos Superiores.<br \/> Mais de uma vaidade tem sido explodida por causa disso, e n\u00e3o poucas obsess\u00f5es pertinazes t\u00eam resultado dessa ing\u00eanua e perigosa imaturidade.<br \/> J\u00e1 fazemos muito quando n\u00e3o atrapalhamos os dedicados companheiros da Espiritualidade Maior.<br \/> Se manifestamos a tola pretens\u00e3o de dispensar-lhes a ajuda, eles se afastar\u00e3o, com tristeza, \u00e9 certo, mas com serenidade e sem remorsos, de vez que jamais imp\u00f5em a sua presen\u00e7a, nem a sua vontade.<br \/> N\u00e3o h\u00e1 bom doutrinador sem a colabora\u00e7\u00e3o e o apoio dos Esp\u00edritos mais esclarecidos.<br \/> E, em breve, n\u00e3o haver\u00e1 nem bom nem mau, porque o pretensioso ficar\u00e1 literalmente aniquilado pela obsess\u00e3o ou pela fascina\u00e7\u00e3o de Esp\u00edritos ardilosos, que se apresentam com nomes pomposos e se arvoram, por sua vez, em doutrinadores do doutrinador, pregando estranhas e confusas id\u00e9ias.<\/p>\n<p>Com isto, chegamos a outra faculdade necess\u00e1ria ao doutrinador:<br \/>\n<br \/>a humildade.<br \/> Ele vai precisar dela, com freq\u00fc\u00eancia impressionante.<br \/> A princ\u00edpio, para aceitar as ironias, agress\u00f5es e impertin\u00eancias dos pobres irm\u00e3os atormentados.<br \/> Depois, se e quando conseguir convencer, o companheiro, de seus enganos e de seus erros, para n\u00e3o assumir a atitude do vencedor que pisa na garganta do vencido, para mostrar o seu poder e confirmar a sua vaidade e seu orgulho.<br \/> \u00c9 a partir do momento em que o turbulento manifestante de h\u00e1 pouco se converte em verdadeiro trapo humano, arrependido e em pranto, que o doutrinador deve mostrar toda a sua compaix\u00e3o humilde e o seu respeito pela dor alheia.<\/p>\n<p>Tem, ainda, que ser humilde no aprendizado.<br \/> Cada manifesta\u00e7\u00e3o traz a sua li\u00e7\u00e3o, a sua informa\u00e7\u00e3o, a sua surpresa.<br \/> Em trabalho medi\u00fanico, estamos sempre aprendendo e nunca sabemos o suficiente.<br \/> Se n\u00e3o nos aproximarmos dele com humildade, pouco ou nenhum progresso conseguiremos realizar.<\/p>\n<p>A humildade \u00e9 necess\u00e1ria, tamb\u00e9m, quando n\u00e3o conseguimos convencer o companheiro infeliz.<br \/> Precisamos estar preparados para a derrota, em muitos casos.<br \/> Nada de pretens\u00f5es tolas de que o trabalho foi cem por cento positivo.<br \/> Claro que positivo, em sentido gen\u00e9rico, ele sempre o \u00e9.<br \/> Mesmo naquele que n\u00e3o conseguimos demover de seus prop\u00f3sitos, se tivermos tido habilidade e tato, teremos realizado, no seu cora\u00e7\u00e3o, a sementeira da verdade.<br \/> Um dia \u2014 n\u00e3o importa quando \u2014 ele vai lembrar-se do que lhe dissemos e conferi-lo com a realidade.<br \/> N\u00e3o contemos, por\u00e9m, com o \u00eaxito total da convers\u00e3o imediata e definitiva, ao amor, de todos os Esp\u00edritos que nos s\u00e3o trazidos.<br \/> Muitos daqueles dramas, que se desenrolam diante de n\u00f3s, arrastam-se h\u00e1 s\u00e9culos.<br \/> N\u00e3o se ajustam em minutos de conversa.<br \/> Humildade, pois, para aceitar esses casos e continuar lutando.<br \/> N\u00e3o somos super-homens, nem semideuses.<\/p>\n<p>Humildade, ainda, quando precisarmos reconhecer o potencial intelectual do irm\u00e3o espiritual com o qual nos defrontamos.<br \/> E isso \u00e9 muito freq\u00fcente.<br \/> N\u00e3o quer dizer que nos devamos curvar servilmente diante dele, rendendo homenagens \u00e0 sua intelig\u00eancia e ao seu conhecimento; quer dizer que precisamos admitir, \u00e0s vezes, que n\u00e3o estamos em condi\u00e7\u00f5es de super\u00e1-lo naquilo que constitui o seu ponto forte.<br \/> Nem \u00e9 essa a t\u00e9cnica recomendada.<br \/> Suponhamos que compare\u00e7a, para conversar conosco, um Esp\u00edrito de elevada cultura, que lecionou em Faculdades, ocupou assentos em Academias, recebeu, enfim, as honrarias que tantos buscam, em vez da paz interior.<br \/> N\u00e3o \u00e9 no terreno dele que nos vamos medir, n\u00e3o \u00e9 discutindo Filosofia, com ele, que vamos convenc\u00ea-lo de seus enganos.<br \/> Nesse campo, ele disp\u00f5e de mais recursos do que n\u00f3s.<br \/> E foi justamente o debate in\u00fatil e o v\u00e3o filosofar que arruinaram sua vida espiritual.<br \/> Ele precisa de aten\u00e7\u00e3o, fraternidade, respeito e sinceridade, n\u00e3o de debates est\u00e9reis, nos quais facilmente nos vencer\u00e1, para consolidar a sua vaidade lament\u00e1vel.<br \/> Um pouco de humildade, da nossa parte, o levar\u00e1 a respeitar-nos tamb\u00e9m, enquanto a exibi\u00e7\u00e3o in\u00fatil de prec\u00e1rios conhecimentos filos\u00f3ficos, e de med\u00edocre cultura intelectual, s\u00f3 poder\u00e1 estimular nele o desprezo por n\u00f3s e pela nossa posi\u00e7\u00e3o.<br \/> Nada, pois, de aparentar o que ainda n\u00e3o somos.<br \/> E, mesmo que o f\u00f4ssemos, a humildade, ainda assim, seria indicada.<\/p>\n<p>Lembremos ainda uma qualidade: o destemor.<br \/> J\u00e1 disse alhures que, em trabalho medi\u00fanico, temos que ser destemidos, sem ser temer\u00e1rios.<br \/> Coragem n\u00e3o \u00e9 o mesmo que imprud\u00eancia.<\/p>\n<p>O\tdestemor \u00e9 de extrema utilidade nas tarefas de doutrina\u00e7\u00e3o.<br \/> Fustigados pela interfer\u00eancia dos grupos medi\u00fanicos em seus tenebrosos afazeres, os Esp\u00edritos violentos comparecer\u00e3o possu\u00eddos de irrita\u00e7\u00e3o, rancor e \u00f3dio, mesmo.<br \/> Manifestam-se aos berros, d\u00e3o murros na mesa, amea\u00e7am c\u00e9us e terras, procuram intimidar e prop\u00f5em-se a vigiar-nos implacavelmente, a atacar nossos pontos fracos ou fazer um cerco impiedoso em torflo de nossa fam\u00edlia, provocar acidentes, doen\u00e7as, perturba\u00e7\u00f5es.<br \/> O arsenal de amea\u00e7as \u00e9 vasto, e eles manipulam, com extrema sagacidade, as armas da press\u00e3o.<br \/> Se nos deixarmos impressionar pelas verdadeiras cenas que fazem, estaremos realmente perdidos, porque nos colocaremos na faixa vibrat\u00f3ria desejada por eles, Os benfeitores espirituais sempre nos advertem, de maneira tranq\u00fcila e segura:<br \/>\n<br \/>\u2014\tNada de temores infundados.<br \/> Sofremos apenas aquilo que est\u00e1 nos nossos compromissos espirituais, e n\u00e3o em decorr\u00eancia do trabalho de desobsess\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00c9 verdadeiro, isso.<br \/> Seria injusto, por parte das leis supremas, que, evidentemente, governam o Universo, se a paga da dedica\u00e7\u00e3o ao irm\u00e3o que sofre resultasse em sofrimento indevido e em puni\u00e7\u00e3o imerecida.<br \/> Estariam subvertidos todos os princ\u00edpios da Justi\u00e7a Divina, se assim fosse.<br \/> \u00c9 at\u00e9<br \/>\n<br \/>poss\u00edvel que uma ou outra, das amea\u00e7as esbravejadas contra n\u00f3s, se cumpra, ou seja, aconte\u00e7a acidentalmente, como doen\u00e7a inesperada cm um de n\u00f3s, ou em membro da nossa fam\u00edlia.<br \/> Estejamos certos de que, na sess\u00e3o seguinte, vir\u00e1 de novo o irm\u00e3o infeliz, para se vangloriar:<br \/>\n<br \/>\u2014 Eu n\u00e3o disse?<br \/>\n<br \/>N\u00e3o tema, siga em frente.<br \/> O trabalho est\u00e1 sob a prote\u00e7\u00e3o de for\u00e7as positivas e aben\u00e7oadas.<br \/> Isto, por\u00e9m, n\u00e3o significa que deveremos e poderemos deixar cair as guardas.<br \/> A prote\u00e7\u00e3o existe, mas n\u00e3o para dar cobertura \u00e0 imprud\u00eancia, \u00e0 irresponsabilidade.<\/p>\n<p>N\u00e3o custa, pois, anotar mais uma das aptid\u00f5es necess\u00e1rias ao bom desempenho do trabalho medi\u00fanico, em geral, e do doutrinador, em particular: a prud\u00eancia.<\/p>\n<p>Se, por\u00e9m, um acontecimento desagrad\u00e1vel realmente acontecer conosco, ou com algu\u00e9m da nossa conviv\u00eancia, nitidamente ligado ao trabalho medi\u00fanico, nem assim devemos nos desesperar e intimidar: estejamos certos de que estava j\u00e1 nos nossos compromissos, e mais: os recursos socorristas vir\u00e3o, sem d\u00favida alguma.<\/p>\n<p>*<\/p>\n<p>A longa digress\u00e3o acerca das aptid\u00f5es desej\u00e1veis a um doutrinador n\u00e3o deve necessariamente desencorajar aquele que pretende se preparar para a tarefa.<br \/> Ele precisa saber que o trabalho \u00e9 \u00e1rduo, os riscos s\u00e3o muitos, as qualifica\u00e7\u00f5es s\u00e3o, idealmente, rigorosas e numerosas, e nenhuma proje\u00e7\u00e3o especial o espera.<br \/> Ao contr\u00e1rio) quanto mais apagado o seu trabalho, mais eficaz e produtivo.<br \/> Dificilmente um doutrinador reunir\u00e1 tantos e t\u00e3o grandes atributos pessoais.<br \/> Procuramos, aqui, tra\u00e7ar um perfil ideal e, como todo ideal, dif\u00edcil, sen\u00e3o imposs\u00edvel de ser atingido.<br \/> Que isso n\u00e3o desencoraje ningu\u00e9m \u00e0 responsabilidade do trabalho.<br \/> Os Esp\u00edritos amigos saber\u00e3o dosar as tarefas, segundo as for\u00e7as e as possibilidades de cada grupo.<\/p>\n<p>Por outro lado, o doutrinador \u00e9, usualmente, o p\u00e1ra-raios predileto do grupo, porque os Esp\u00edritos atribulados, trazidos ao di\u00e1logo, com ele se entendem e se desentendem.<br \/> \u00c9 nele que identificam a origem de seus problemas.<br \/> \u00c9 ele, usualmente, o organizador ou respons\u00e1vel pelo grupo, bem como o seu porta-voz junto ao mundo espiritual.<br \/> Ainda voltaremos a este tema fascinante, lan\u00e7ando m\u00e3o de um acervo de experi\u00eancias pessoais preciosas.<\/p>\n<p>Em suma, o doutrinador n\u00e3o pode deixar de dispor de cinco qualidades, ou aptid\u00f5es b\u00e1sicas:<br \/>\n<br \/>Forma\u00e7\u00e3o doutrin\u00e1ria muito s\u00f3lida, com apoio insubstitu\u00edvel nos livros da Codifica\u00e7\u00e3o Kardequiana.<\/p>\n<p>Familiaridade com o Evangelho de Jesus.<\/p>\n<p>\tAutoridade moral.<\/p>\n<p>\tF\u00e9.<\/p>\n<p>\tAmor.<\/p>\n<p>As demais s\u00e3o desej\u00e1veis, criticas:<br \/>\n<br \/>importantes tamb\u00e9m, mas n\u00e3o t\u00e3o<br \/>\n<br \/>Paci\u00eancia.<\/p>\n<p>Sensibilidade.<\/p>\n<p>Tato.<\/p>\n<p>Energia.<\/p>\n<p>Vigil\u00e2ncia.<\/p>\n<p>Humildade.<\/p>\n<p>Destemor.<\/p>\n<p>Prud\u00eancia.<\/p>\n<p>Com respeito ao doutrinador, falta ainda abordar um aspecto final, antes de prosseguir.<\/p>\n<p>Como \u00e9 tamb\u00e9m o dirigente humano do grupo, precisa, como j\u00e1 dissemos, estar consciente dessa responsabilidade e usar sua autoridade com muito tato, sem abandonar a firmeza.<br \/> Disciplina n\u00e3o \u00e9 sin\u00f4nimo de ditadura.<br \/> Quando o grupo reunir-se, para debater problemas ligados ao trabalho, deve o dirigente comportar-se como simples participante, para estimular a criatividade e a contribui\u00e7\u00e3o dos demais membros.<br \/> No momento de tomar a decis\u00e3o, cabe a ele suportar os \u00f4nus e as responsabilidades decorrentes.<br \/> Precisa tratar a todos, m\u00e9diuns ou n\u00e3o, com o mesmo carinho e compreens\u00e3o, sem paternalismos e prefer\u00eancias, mas sem m\u00e1-vontade contra qualquer um dos membros da equipe.<br \/> Precisa despertar, nos seus companheiros, a afei\u00e7\u00e3o, a camaradagem e o respeito.<br \/> Poder\u00e1 ser o primeiro entre eles; certamente dever\u00e1 ser o \u00fanico a falar com os Esp\u00edritos; mas n\u00e3o e o maior\u201d.<\/p>\n<p>A essa altura, dir\u00e1 o leitor, algo inquieto:<br \/>\n<br \/>\u2014\tMas \u00e9 muito dif\u00edcil ser doutrinador.<br \/>.<br \/>.<\/p>\n<p>\u00c9\tverdade.<br \/> \u00c9, sim.<\/p>\n<div class=\"pvc_clear\"><\/div>\n<p id=\"pvc_stats_19027\" class=\"pvc_stats all  \" data-element-id=\"19027\" style=\"\"><i class=\"pvc-stats-icon medium\" aria-hidden=\"true\"><svg aria-hidden=\"true\" focusable=\"false\" data-prefix=\"far\" data-icon=\"chart-bar\" role=\"img\" xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\" viewBox=\"0 0 512 512\" class=\"svg-inline--fa fa-chart-bar fa-w-16 fa-2x\"><path fill=\"currentColor\" d=\"M396.8 352h22.4c6.4 0 12.8-6.4 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Qualquer bom dicion\u00e1rio leigo dir\u00e1 que doutrinar \u00e9 instruir em uma doutrina, ou, simplesmente, ensinar. E aqui j\u00e1 come\u00e7amos a esbarrar nas dificuldades que a palavra doutrinador nos oferece, no contexto da pr\u00e1tica medi\u00fanica.&hellip; <br \/> <a class=\"read-more\" href=\"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/artigo19027\/\">Leia mais<\/a><\/p>\n<div class=\"pvc_clear\"><\/div>\n<p id=\"pvc_stats_19027\" class=\"pvc_stats all  \" data-element-id=\"19027\" style=\"\"><i class=\"pvc-stats-icon medium\" aria-hidden=\"true\"><svg aria-hidden=\"true\" focusable=\"false\" data-prefix=\"far\" data-icon=\"chart-bar\" role=\"img\" xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\" viewBox=\"0 0 512 512\" class=\"svg-inline--fa fa-chart-bar fa-w-16 fa-2x\"><path fill=\"currentColor\" d=\"M396.8 352h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8V108.8c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v230.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8zm-192 0h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8V140.8c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v198.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8zm96 0h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8V204.8c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v134.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8zM496 400H48V80c0-8.84-7.16-16-16-16H16C7.16 64 0 71.16 0 80v336c0 17.67 14.33 32 32 32h464c8.84 0 16-7.16 16-16v-16c0-8.84-7.16-16-16-16zm-387.2-48h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8v-70.4c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v70.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8z\" class=\"\"><\/path><\/svg><\/i> <img decoding=\"async\" width=\"16\" height=\"16\" alt=\"Loading\" data-src=\"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/wp-content\/plugins\/page-views-count\/ajax-loader-2x.gif\" border=0 src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" class=\"lazyload\" style=\"--smush-placeholder-width: 16px; --smush-placeholder-aspect-ratio: 16\/16;\" \/><\/p>\n<div class=\"pvc_clear\"><\/div>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"Closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[16],"tags":[],"class_list":["post-19027","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-mensagens-diversas"],"a3_pvc":{"activated":true,"total_views":759,"today_views":0},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19027","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=19027"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19027\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=19027"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=19027"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=19027"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}