{"id":19129,"date":"2022-10-14T09:12:00","date_gmt":"2022-10-14T09:12:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2022-10-14T09:12:00","modified_gmt":"2022-10-14T09:12:00","slug":"artigo19129","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/artigo19129\/","title":{"rendered":"11 O PERSEGUIDO &#8211; DI\u00c1LOGO COM AS SOMBRAS HERM\u00cdNIO C. MIRANDA"},"content":{"rendered":"<p>A v\u00edtima da obsess\u00e3o \u00e9 sempre uma alma end\u00edvidada perante a lei.<br \/> De alguma forma grave, no passado mais recente, ou mais remoto, desrespeitou seriamente a lei universal da fraternidade, vindo a colher, como conseq\u00fc\u00eancia inexor\u00e1vel, o sofrimento.<\/p>\n<p>A falta cometida contra o semelhante expoe seu autor aos azares do resgate, mesmo que a v\u00edtima o tenha perdoado imedia tamente.<br \/> Muitas vezes, a vingan\u00e7a como que se despersonaliza, passando a ser exercida n\u00e3o por aquele que foi prejudicado, mas por algu\u00e9m em seu nome, ainda que n\u00e3o autorizado por ele.<br \/> N\u00e3o importa que o perseguido, ou obsidiado, esteja na carne ou no mundo espiritual.<br \/> N\u00e3o importa que se lembre ou n\u00e3o da ofensa.<br \/> N\u00e3o importa que a falta tenha sido cometida nesta vida ou em remotas exist\u00eancias.<br \/> O vingador implac\u00e1vel acaba descobrindo o seu antigo algoz, mesmo que este se oculte sob os mais bem elaborados disfarces, ligando-se a ele por largo tempo, vida ap\u00f3s vida, aqui e no Espa\u00e7o, alucinado pelo \u00f3dio, que n\u00e3o conhece limites nem barreiras.<\/p>\n<p>Em \u201cDramas da Obsess\u00e3o\u201d, narra o Dr.<br \/> Bezerra de Menezes, pela mediunidade de Yvonne A.<br \/> Pereira, um caso desses:<br \/>\n<br \/>\u201cAterrorizado ante as vinditas atrozes movidas pelos Esp\u00edritos de seus antigos amos de Lisboa, o Esp\u00edrito Jo\u00e3o-Jos\u00e9 preferiu ocultar-se numa encarna\u00e7\u00e3o de formas femininas, esperan\u00e7ado de que, assim disfar\u00e7ado, n\u00e3o pudesse ser reconhecido.<br \/> Enganou-se, por\u00e9m, visto que sua pr\u00f3pria organiza\u00e7\u00e3o ps\u00edquica atrai\u00e7oou-o, modelando tra\u00e7os fision\u00f4micos e anormalidades f\u00edsicas id\u00eanticas aos que arrastara na \u00e9poca citada.<br \/>\u201d<br \/>\n<br \/>Uma vez identificado o antigo devedor, mesmo sob formas femininas, desencadeou-se sobre ele toda a tormenta da obsess\u00e3o.<\/p>\n<p>Temos tido, em nossa experi\u00eancia direta, casos semelhantes.<br \/> Um foi particularmente doloroso e aflitivo, porque os compromissos do obsidiado eram muito graves e suas d\u00edvidas c\u00e1rmicas acusavam reincid\u00eancias lament\u00e1veis, que o deslocavam da posi\u00e7\u00e3o de ex-algoz para a de joguete impotente de implac\u00e1veis vingadores.<br \/> Come\u00e7amos a cuidar dele, na esperan\u00e7a de minorar-lhe as dores, quando ainda encarnado.<br \/> Por algum tempo, conseguimos aliviar a press\u00e3o que se exercia, dia e noite, sobre ele e sua fam\u00edlia.<br \/> Em nosso grupo, assistimos a um tr\u00e1gico e incessante desfile de companheiros desarmonizados que enxameavam em torno dele, cada qual mais revoltado e odiento.<br \/> Seus compromissos eram tantos, e t\u00e3o s\u00e9rios, que n\u00e3o conseguimos livr\u00e1-lo das suas dores, embora tenhamos alcan\u00e7ado, com a gra\u00e7a de Deus, apaziguar muitos dos seus tem\u00edveis carrascos e atra\u00ed-los para as tarefas de recupera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Como o seu caso tinha implica\u00e7\u00f5es profundas com o nosso plano geral de trabalho, segundo nos explicaram nossos mentores, tratamos dele por muito tempo ainda, havendo neste livro v\u00e1rias refer\u00eancias esparsas sobre ele, com os cuidados necess\u00e1rios para n\u00e3o identific\u00e1-lo.<\/p>\n<p>Verdadeira multid\u00e3o de Esp\u00edritos atormentava este irm\u00e3o, jovem ainda na carne.<br \/> Ao que me disse, certa vez, um de seus obsessores, custaram um pouco a identific\u00e1-lo em sua nova roupagem.<br \/> Uma vez, por\u00e9m, localizado, reuniram-se em torno dele, num cerco implac\u00e1vel, que durava as vinte e quatro horas do dia, aqueles que ainda se sentiam com suas contas por ajustar com ele.<\/p>\n<p>Seguiam-no nos seus afazeres di\u00e1rios e o atormentavam durante o desprendimento do sono, espetavam-lhe \u201cagulhas\u201d de todos os tamanhos, impunham-lhe longos per\u00edodos de aliena\u00e7\u00e3o, sopravam-lhe constantemente a id\u00e9ia do suic\u00eddio, tomavam-lhe o corpo, in\u00fameras vezes, para as<br \/>\n<br \/>mais tresloucadas atitudes, para fugas, caminhadas, crises de mutismo; postavam-se diante de sua vis\u00e3o espiritual, sob formas monstruosas; neutralizavam o efeito de intensivo tratamento m\u00e9dico e espiritual; indispunham-no com a fam\u00edlia e descontrolavam-lhe o pensamento, descoordenando-lhe as id\u00e9ias.<\/p>\n<p>Ao que nos foi indicado, em tempos da Roma antiga, exerceu, com destaque, o poder, e ajudou a desencadear uma das mais terr\u00edveis persegui\u00e7\u00f5es aos crist\u00e3os.<br \/> \u00c9 certo que suas v\u00edtimas daquela \u00e9poca o perdoaram, se foram realmente seguidores fi\u00e9is do Cristo.<br \/> Mas, e os outros, que lhe guardaram rancor? A quantos teria ele mandado tirar a vida, os bens, os amores, as esperan\u00e7as, sem que estivessem preparados para suportar essas perdas, com equil\u00edbrio e resigna\u00e7\u00e3o?<br \/>\n<br \/>Ao cabo de alguns anos de implac\u00e1vel persegui\u00e7\u00e3o de seus advers\u00e1rios, enceguecidos pelo \u00f3dio, e a despeito de todo o cuidado de que foi cercado, o pobre companheiro desencarnou tragicamente.<\/p>\n<p>A persegui\u00e7\u00e3o continuou, talvez ainda mais encarni\u00e7ada, do outro lado da vida.<br \/> Estava agora mais exposto, mais acess\u00edvel \u00e0abordagem de seus algozes, pois as obsess\u00f5es n\u00e3o se limitam a atingir os encarnados.<br \/> Ao contr\u00e1rio, os desencarnados s\u00e3o mais vulner\u00e1veis do que os encarnados, pois estes disp\u00f5em do \u201cesconderijo\u201d do corpo f\u00edsico e se acham beneficiados pelo esquecimento tempor\u00e1rio de suas faltas, o que, de certa forma, lhes d\u00e1 alguma tr\u00e9gua, em virtude do descondicionamento vibrat\u00f3rio.<br \/> A lembran\u00e7a constante dos crimes que cometemos nos mant\u00e9m sintonizados com os perseguidores, e eles tudo fazem para que n\u00e3o nos esque\u00e7amos dos erros praticados.<br \/> Enquanto estamos remoendo nossas faltas, continuamos ligados aos obsessores.<\/p>\n<p>Devemos, ent\u00e3o, esquecer de tudo, como se nada tivesse acontecido? N\u00e3o, certamente.<br \/> O arrependimento, por\u00e9m, tem que ser construtivo, ou seja, ele n\u00e3o deve paralisar-nos.<br \/> Cientes ou n\u00e3o da gravidade das nossas faltas \u2014 e, sem d\u00favida alguma, praticamo-las abundantemente no passado \u2014 \u00e9 imperioso que nos voltemos para as tarefas de reconstru\u00e7\u00e3o interior, de dedica\u00e7\u00e3o ao semelhante que sofre, de policiamento de nossas atitudes, palavras e pensamentos.<br \/> \u00c9 preciso orar, servir, buscar reacender a chamazinha do amor, que existe em todos n\u00f3s.<\/p>\n<p>      \u2014 Vai e n\u00e3o peques mais \u2014 disse o Cristo.<\/p>\n<p>Por muito tempo se pensou que isso fosse apenas um tema sugestivo, para pregar serm\u00f5es bonitos; hoje sabemos da profunda realidade que encerra o ensino evang\u00e9lico.<br \/> O Cristo sempre ligou o problema do sofrimento, f\u00edsico ou espiritual, ao do erro.<\/p>\n<p>\u2014 Est\u00e1s curado \u2014 diz Ele ao paral\u00edtico, a quem mandou tomar a sua cama e andar \u2014, n\u00e3o peques mais, para que n\u00e3o te suceda algo ainda pior.<br \/> (Jo\u00e3o, 5:14.<br \/>)<br \/>\n<br \/>Dessa forma, o erro \u2014 que os evangelistas chamam de pecado \u2014 acarreta o sofrimento, a puni\u00e7\u00e3o, o resgate.<br \/> N\u00e3o que tenhamos de nos redimir necessariamente atrav\u00e9s do mecanismo da dor.<br \/> A dor n\u00e3o \u00e9 inevit\u00e1vel, porque o processo da liberta\u00e7\u00e3o pode dar-se tamb\u00e9m por meio do servi\u00e7o ao pr\u00f3ximo, do aperfei\u00e7oamento moral, da prece e da vigil\u00e0ncia.<br \/> Da mesma forma, aquele que foi ferido pelo seu companheiro, por mais gravemente que o tenha sido, n\u00e3o deve nem precisa tomar a vingan\u00e7a em suas m\u00e3os, para que o outro resgate a sua falta.<br \/> A lei do equil\u00edbrio universal se incumbir\u00e1 dele, sen\u00e3o hoje, no pr\u00f3ximo s\u00e9culo, ou no pr\u00f3ximo mil\u00eanio, O resgate pode ser despersonalizado, isto \u00e9, ningu\u00e9m deve nem precisa arvorar-se em seu executor.<br \/> Isto n\u00e3o significa que, ao sermos ofendidos, devamos transferir o nosso impulso de vingan\u00e7a \u00e0s leis de Deus.<br \/> S\u00e3o muitos os que n\u00e3o tomam realmente a vingan\u00e7a em suas m\u00e3os, mas pensam, na intimidade do seu ser, com o mesmo rancor:<br \/>\n<br \/>\u2014\tEle pagar\u00e1!<br \/>\n<br \/>\u00c9 verdade, ele pagar\u00e1, seja com a moeda da dor, seja com a do amor, mas se emitimos o nosso pensamento de vingan\u00e7a e \u00f3dio, continuamos ligados ao erro, reassumimos os compromissos que poder\u00edamos ter resgatado com aquela humilha\u00e7\u00e3o ou aquele sofrimento, pois \u00e9 certo que ningu\u00e9m sofre por acaso, dado que n\u00e3o h\u00e1 reparos dolorosos como forma de puni\u00e7\u00e3o aos inocentes.<\/p>\n<p>Neste ponto, mais de uma li\u00e7\u00e3o encontramos, ainda e sempre, no Evangelho de Jesus.<br \/> E \u00e9 por isso que nenhum trabalho de desobsess\u00e3o, digno e s\u00e9rio, deve ser intentado sem apoio nos ensinamentos do Cristo.<\/p>\n<p>A quest\u00e3o \u00e9 t\u00e3o Importante, t\u00e3o vital \u00e0 problem\u00e1tica do esp\u00edrito, que Jesus a imortalizou no texto da ora\u00e7\u00e3o dominical, o Pai Nosso:<br \/>\n<br \/>      -\u201c.<br \/>.<br \/>.<br \/> perdoa-nos as nossas d\u00edvidas \u2014 relata Mateus, 6:12 \u2014, assim como perdoamos os nossos devedores.<br \/>.<\/p>\n<p>No vers\u00edculo 14, desse mesmo cap\u00edtulo, Jesus \u00e9 ainda mais expl\u00edcito:<br \/>\n<br \/>\u2014\t\u201cQue se perdoardes aos homens as suas ofensas, tamb\u00e9m vos perdoar\u00e1 o vosso Pai Celestial; mas se n\u00e3o perdoardes aos homens, tampouco vosso Pai perdoar\u00e1 as vossas ofensas.<br \/>\u201d<br \/>\n<br \/>Sob as luzes da Doutrina Esp\u00edrita, o texto adquire uma dimens\u00e3o que antes n\u00e3o hav\u00edamos notado.<br \/> \u00c9 que o perd\u00e3o que concedemos \u00e0quele que nos feriu n\u00e3o lava o ofensor do seu pecado, ou seja, da sua falta, mas libera o ofendido, que, com o perd\u00e3o, evita que se reabra o c\u00edrculo vicioso do crime para resgatar o crime.<br \/> Nesse angustioso c\u00edrculo de fogo e l\u00e1grimas, de revolta e dor, ficam presas, por s\u00e9culos e s\u00e9culos, multid\u00f5es eneeguecidas pelo \u00f3dio e nunca saciadas pela vingan\u00e7a, pois a vingan\u00e7a n\u00e3o sacia coisa alguma, ela apenas junta mais lenha \u00e0 fogueira que arde.<\/p>\n<p>Por muito tempo achamos que toda essa doutrina do perd\u00e3o fosse apenas um belo conjunto de figuras de ret\u00f3rica.<br \/> A Doutrina dos Esp\u00edritos veio propor-nos um entendimento infinitamente mais racional e objetivo: o de que o perd\u00e3o liberta.<br \/> N\u00e3o \u00e9 uma simples teoria, \u00e9 uma verdade, que o Cristo nos ensinou, mas que tanto temos relutado em experimentar.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m neste ponto tivemos, certa vez, uma experi\u00eancia inesquec\u00edvel.<br \/> Um companheiro desencarnado, em lament\u00e1vel estado de desorienta\u00e7\u00e3o, perseguido por uma pequena multid\u00e3o de implac\u00e1veis obsessores, acabou por ser recolhido pelos trabalhadores do bem.<br \/> Alguns de seus perseguidores foram tratados e reeducados moralmente, como ensina Kardec.<br \/> Outros se afastaram, por sentir que a v\u00edtima punha-se fora de seu alcance.<br \/> Alguns deles continuaram a ser levados ao grupo de desobsess\u00e3o, a fim de serem doutrinados, e, no desespero em que viviam, descarregavam todo o seu rancor e agressividade sobre os componentes da equipe de socorro, especialmente contra o doutrinador, por ser este o porta-voz, aquele que fala e procura convenc\u00ea-los a abandonar seus prop\u00f3sitos, que eles julgam just\u00edssimos.<\/p>\n<p>Pois bem.<br \/> Certa noite, volta, para receber os nossos cuidados, o companheiro que havia sido recolhido.<br \/> Estava novamente em poder de um impiedoso hipnotizador, de quem j\u00e1 o hav\u00edamos subtra\u00eddo, a duras penas.<br \/> Ele pr\u00f3prio confessou o seu drama: recaira na faixa vibrat\u00f3ria de seus perseguidores, ao deixar tombar as guardas que o protegiam.<br \/> No decorrer do di\u00e1logo revelou-se mais impaciente do que nunca, exigindo, quase, solu\u00e7\u00e3o imediata para o seu caso, pedindo a presen\u00e7a de parentes, sem nenhum desejo de entregar-se \u00e0 prece e, acima de tudo, pronto para a vingan\u00e7a! \u201cAssim que estivesse em condi\u00e7\u00f5es\u201d \u2014 e exatamente por isso n\u00e3o conseguia alcan\u00e7ar tais condi\u00e7\u00f5es \u2014 \u201cele\u201d, o obsessor, \u201ciria ver.<br \/>.<br \/>.<br \/>\u201d<br \/>\n<br \/>Meu Deus, como poderemos negar o perd\u00e3o ao que nos feriu, se o exigimos para n\u00f3s, exatamente para as dores que resultaram da nossa imprud\u00eancia em ferir os outros?<br \/>\n<br \/>O\tobsidiado s\u00f3 pensa em livrar-se de seus advers\u00e1rios, a qualquer pre\u00e7o, mas se esquece, ou ignora, que ele tamb\u00e9m est\u00e1 em d\u00edvida perante a lei, pois, de outra maneira, n\u00e3o estaria sujeito \u00e0 obsess\u00e3o, o obsessor, por sua vez, procura punir o companheiro que o fez sofrer, deslembrado de que ele pr\u00f3prio criou, com a sua inc\u00faria, as condi\u00e7\u00f5es para merecer a dor que lhe \u00e9 infligida.<br \/> Julga-se no direito de cobrar, pensando assim cumprir a lei de Deus, para que a \u201cjusti\u00e7a\u201d se fa\u00e7a.<br \/> E, de fato, a lei do equil\u00edbrio universal coloca o ofensor ao alcance da puni\u00e7\u00e3o, que \u00e9, em suma, a oportunidade do reajuste.<br \/> Por isso, dizia o nosso Paulo, em sua penetrante sabedoria:<br \/>\n<br \/>\u2014\tTudo me \u00e9 l\u00edcito, mas nem tudo me conv\u00e9m.<\/p>\n<p>Com freq\u00fc\u00eancia, os perseguidos apresentam-se em nossos grupos, nos primeiros momentos da liberta\u00e7\u00e3o.<br \/> Quantos dramas, Senhor! V\u00eam transidos de pavor, cansados de pris\u00f5es tenebrosas, fugindo de obsess\u00f5es que lhes parecem terem durado uma eternidade.<br \/> Esgotaram todo o c\u00e1lice de profundas amarguras, sofreram todos os tormentos, passaram por todas as humilha\u00e7\u00f5es, submeteram-se a caprichos e desmandos, cumpriram ordens in\u00edquas.<\/p>\n<p>Um desses nos disse que estivera num dos calabou\u00e7os infectos das trevas, onde nem chorar podia.<br \/> Passaram-se s\u00e9culos.<br \/> S\u00f3 nos p\u00f4de dizer que foi um sacerdote e que traiu algu\u00e9m.<br \/> Sente agora o peso de um enorme arrependimento e, quando convidado a orar comigo, n\u00e3o tem coragem de dirigir-se a Deus, pois se julga o \u00faltimo dos r\u00e9probos.<br \/> A muito custo, consegue murmurar uma palavra:<br \/>\n<br \/>\t&#8211; Jesus!.<br \/>.<br \/>.<\/p>\n<p>E fala baixinho, consigo mesmo:<br \/>\n<br \/>\u2014 Que sacril\u00e9gio, meu Deus!<br \/>\n<br \/>Outro, tamb\u00e9m egresso de um calabou\u00e7o, n\u00e3o conseguia articular a palavra; fazia entender-se por gestos.<br \/> Trazia um peso na cabe\u00e7a, que o obrigava a manter-se curvado sobre si mesmo e, al\u00e9m de tudo, estava cego.<\/p>\n<p>Um terceiro apresenta-se com as \u201ccarnes\u201d ro\u00eddas pelos \u201cratos\u201d e \u201cbaratas\u201d, ap\u00f3s um longo per\u00edodo de reclus\u00e3o.<\/p>\n<p>Quase todos trazem ainda no perisp\u00edrito os estigmas de suas penas: cegueira, deforma\u00e7\u00f5es e mutila\u00e7\u00f5es, e, na mente, a lembran\u00e7a de torturas e horrores inconceb\u00edveis.<\/p>\n<p>Subitamente, ao cabo de agonias seculares, durante as quais resgataram-se atrav\u00e9s da dor, escapam \u00e0 sanha de seus perseguidores, tornam-se inacess\u00edveis aos seus processos, evadem-se das masmorras e libertam-se do dom\u00ednio magn\u00e9tico sob o qual se encontravam.<br \/> Em suma: a Lei disse o \u201cBasta!\u201d a que at\u00e9 mesmo o mais terr\u00edvel perseguidor tem de obedecer, ao assistir, impotente, \u00e0 escapada da v\u00edtima.<br \/> Chegou ao fim o processo corretivo e reajustador.<br \/> Antes, era imposs\u00edvel: ningu\u00e9m conseguiria interromper o curso da dor.<\/p>\n<p>Este \u00e9 o exemplo vivo da experi\u00eancia medi\u00fanica.<br \/> Esp\u00edritos superiores, e j\u00e1 redimidos, seguem-nos os passos, at\u00e9 mesmo \u00e0s profundezas da dor mais horrenda, sem poderem interferir sen\u00e3o com uma prece, ou uma vibra\u00e7\u00e3o amorosa, pois o pobre companheiro transviado nem mesmo a presen\u00e7a dos amigos maiores pode perceber.<br \/> Chegado, por\u00e9m, o momento, tudo se precipita.<br \/> Os mensageiros do bem est\u00e3o apenas \u00e0 espera de uma prece, ainda que somente esbo\u00e7ada, de um impulso de arrependimento, de um gesto de boa-vontade ou de perd\u00e3o.<br \/> Lembram-se da advert\u00eancia do Cristo?<br \/>\n<br \/>\u2014 Reconcilia-te com teu advers\u00e1rio enquanto est\u00e1s a caminho com ele, para que n\u00e3o te arraste ele ao juiz, e o juiz te entregue ao oficial de justi\u00e7a, e este te ponha no c\u00e1rcere.<br \/> Digo-te que n\u00e3o sair\u00e1s de l\u00e1 enquanto n\u00e3o tiveres pago o \u00faltimo centavo.<\/p>\n<p>N\u00e3o est\u00e1 bem claro?<br \/>\n<br \/>E muitos ainda acham que o Evangelho \u00e9 s\u00f3 literatura.<br \/>.<br \/>.<br \/> ou s\u00f3 poesia, ideal, inating\u00edvel.<br \/>.<br \/>.<br \/> Raz\u00e3o de sobra teve Kardec para optar pela ado\u00e7\u00e3o da moral evang\u00e9lica, pois h\u00e1 mais sabedoria e ci\u00eancia nos textos ali preservados, do que em todos os tratados de psicologia jamais escritos e nos que ainda se escrever\u00e3o.<br \/> A problem\u00e1tica do ser humano, suas complexidades e seus mecanismos de reajuste, est\u00e3o inseparavelmente ligados aos conceitos fundamentais da moral.<br \/> Um dia, a psicologia e a psiquiatria descobrir\u00e3o o Cristo<br \/>\n<\/p>\n<div class=\"pvc_clear\"><\/div>\n<p id=\"pvc_stats_19129\" class=\"pvc_stats all  \" data-element-id=\"19129\" style=\"\"><i class=\"pvc-stats-icon medium\" aria-hidden=\"true\"><svg aria-hidden=\"true\" focusable=\"false\" data-prefix=\"far\" data-icon=\"chart-bar\" role=\"img\" xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\" viewBox=\"0 0 512 512\" class=\"svg-inline--fa fa-chart-bar fa-w-16 fa-2x\"><path fill=\"currentColor\" d=\"M396.8 352h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8V108.8c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v230.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8zm-192 0h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8V140.8c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v198.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8zm96 0h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8V204.8c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v134.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8zM496 400H48V80c0-8.84-7.16-16-16-16H16C7.16 64 0 71.16 0 80v336c0 17.67 14.33 32 32 32h464c8.84 0 16-7.16 16-16v-16c0-8.84-7.16-16-16-16zm-387.2-48h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8v-70.4c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v70.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8z\" class=\"\"><\/path><\/svg><\/i> <img decoding=\"async\" width=\"16\" height=\"16\" alt=\"Loading\" data-src=\"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/wp-content\/plugins\/page-views-count\/ajax-loader-2x.gif\" border=0 src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" class=\"lazyload\" style=\"--smush-placeholder-width: 16px; 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De alguma forma grave, no passado mais recente, ou mais remoto, desrespeitou seriamente a lei universal da fraternidade, vindo a colher, como conseq\u00fc\u00eancia inexor\u00e1vel, o sofrimento. A falta cometida contra o semelhante expoe seu autor aos azares do resgate, mesmo que a v\u00edtima&hellip; <br \/> <a class=\"read-more\" href=\"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/artigo19129\/\">Leia mais<\/a><\/p>\n<div class=\"pvc_clear\"><\/div>\n<p id=\"pvc_stats_19129\" class=\"pvc_stats all  \" data-element-id=\"19129\" style=\"\"><i class=\"pvc-stats-icon medium\" aria-hidden=\"true\"><svg aria-hidden=\"true\" focusable=\"false\" data-prefix=\"far\" data-icon=\"chart-bar\" role=\"img\" xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\" viewBox=\"0 0 512 512\" class=\"svg-inline--fa fa-chart-bar fa-w-16 fa-2x\"><path fill=\"currentColor\" d=\"M396.8 352h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8V108.8c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v230.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8zm-192 0h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8V140.8c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v198.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8zm96 0h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8V204.8c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v134.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8zM496 400H48V80c0-8.84-7.16-16-16-16H16C7.16 64 0 71.16 0 80v336c0 17.67 14.33 32 32 32h464c8.84 0 16-7.16 16-16v-16c0-8.84-7.16-16-16-16zm-387.2-48h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8v-70.4c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v70.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8z\" class=\"\"><\/path><\/svg><\/i> <img decoding=\"async\" width=\"16\" height=\"16\" alt=\"Loading\" data-src=\"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/wp-content\/plugins\/page-views-count\/ajax-loader-2x.gif\" border=0 src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" class=\"lazyload\" style=\"--smush-placeholder-width: 16px; --smush-placeholder-aspect-ratio: 16\/16;\" \/><\/p>\n<div class=\"pvc_clear\"><\/div>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"Closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3,16],"tags":[],"class_list":["post-19129","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-bezerra-de-menezes","category-mensagens-diversas"],"a3_pvc":{"activated":true,"total_views":434,"today_views":0},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19129","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=19129"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19129\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=19129"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=19129"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=19129"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}