{"id":19138,"date":"2022-10-21T09:12:00","date_gmt":"2022-10-21T09:12:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2022-10-21T09:12:00","modified_gmt":"2022-10-21T09:12:00","slug":"artigo19138","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/artigo19138\/","title":{"rendered":"12 DEFORMA\u00c7\u00d5ES &#8211; DI\u00c1LOGO COM AS SOMBRAS HERM\u00cdNIO C. MIRANDA"},"content":{"rendered":"<p>O perisp\u00edrito \u00e9 o ve\u00edculo das nossas emo\u00e7\u00f5es.<br \/> O Esp\u00edrito pensa, o perisp\u00edrito transmite o impulso, o corpo f\u00edsico executa.<br \/> Da mesma forma, as sensa\u00e7\u00f5es que v\u00eam de fora, recebidas atrav\u00e9s dos sentidos, s\u00e3o levadas ao Esp\u00edrito pelos mecanismos perispirituais.<br \/> \u00c9 o perisp\u00edrito que preside \u00e0 forma\u00e7\u00e3o do ser, funcionando como molde, a ordenar as subst\u00e2ncias que v\u00e3o constituir o corpo f\u00edsico.<br \/> \u00c9 nele que se gravam, como num \u201cvideo tape\u201d, as nossas experi\u00eancias, com suas imagens, sons e emo\u00e7\u00f5es.<br \/> Isto se demonstra no processo de regress\u00e3o da mem\u00f3ria, espont\u00e2neo ou provocado, no qual vamos descobrir, com todo o seu impacto, cenas e emo\u00e7\u00f5es que pareciam dilu\u00eddas pelos mil\u00eanios.<br \/> \u00c9 ele, pois, a nossa ficha de identidade, com o registro intacto da vida pregressa, a nossa folha corrida o nosso prontu\u00e1rio.<\/p>\n<p>Ele \u00e9 denso, enquanto caminhamos pelos escuros caminhos de muitos enganos, e vai-se tornando cada vez mais di\u00e1fano, \u00e0 medida que vamos galgando est\u00e1gios mais avan\u00e7ados na escalada evolutiva.<br \/> \u00c9 nele, portanto, que se gravam alegrias e conquistas, tanto quanto as dores.<br \/> Mas, como tudo no universo obedece \u00e0 lei irrevog\u00e1vel da sintonia vibrat\u00f3ria, parece que, ao nos desfazermos dos flu\u00eddos mais pesados e escuros, que envolvem o nosso perisp\u00edrito, nos primeiros est\u00e1gios evolutivos, vamos tamb\u00e9m nos libertando das mazelas que naqueles flu\u00eddos se fixavam, ou seja, vamos nos purificando.<br \/> Seria quase inadmiss\u00edvel a deforma\u00e7\u00e3o perispiritual num ser de elevada condi\u00e7\u00e3o moral.<br \/> \u00c9, no entanto, muito comum naqueles que se acham ainda tateando nas sombras de suas paix\u00f5es, e os trabalhadores da desobsess\u00e3o encontram fatos dram\u00e1ticos dessa natureza, a cada passo.<\/p>\n<p>Muitos casos desse tipo tenho presenciado, desde pequenos cacoetes, ou apenas sensa\u00e7\u00f5es quase f\u00edsicas, at\u00e9 deforma\u00e7\u00f5es e mutila\u00e7\u00f5es terr\u00edveis, culminando com as mais dolorosas ocorr\u00eancias de zoantropia.<br \/> (1)<br \/>\n<br \/>Vimos, linhas atr\u00e1s, alguns exemplos de mutila\u00e7\u00e3o provocada por \u201cratos\u201d e \u201cbaratas\u201d, em masmorras tenebrosas do mundo tr\u00e1gico das dores.<br \/> Encontramos, na pr\u00e1tica medi\u00fanica, in\u00fameros exemplos aflitivos de desequil\u00edbrio perispiritual.<\/p>\n<p>Um antigo sacrist\u00e3o portugu\u00eas, desencarnado, era recompensado, pela tarefa de lan\u00e7ar disc\u00f3rdias, com abundantes \u201crefei\u00e7\u00f5es\u201d, regadas a bom \u201cvinho\u201d de sua terra.<\/p>\n<p>Um ex-oficial nazista, que n\u00e3o se identificou, mostrou-se desesperado de fome.<br \/> Renunciou a toda a arrog\u00e2ncia, com que a princ\u00edpio se apresentou, e humilhou-se, para pedir-nos, em voz baixa, para que ningu\u00e9m o ouvisse, um simples peda\u00e7o de p\u00e3o.<\/p>\n<p>Tivemos casos de deforma\u00e7\u00f5es \u201cf\u00edsicas\u201d, como a daquele irm\u00e3o atormentado que trazia o bra\u00e7o paral\u00edtico.<br \/> Quando me ofereci para cur\u00e1-lo com um passe, ele declarou que, assim, teria mais um bra\u00e7o para brandir o chicote com que castigava suas v\u00edtimas.<\/p>\n<p>De outras vezes, apresentaram-se pobres infelizes, que n\u00e3o podiam expressar-se sen\u00e3o por gestos, porque a l\u00edngua lhes tinha sido extirpada.<br \/> Um destes, depois de reconstitu\u00edda a sua condi\u00e7\u00e3o, em vez de agradecer a Deus o benef\u00edcio que acabava de receber, declarou que se vingaria daquele que, em antiga exist\u00eancia, mandara mutil\u00e1-lo.<br \/> Foi-lhe mostrado, ent\u00e3o, que, em exist\u00eancia anterior \u00e0quela, ele pr\u00f3prio mandara cortar a l\u00edngua daquele mesmo que, depois, ordenou a sua mutila\u00e7\u00e3o.<br \/> Nem assim ele se deu por achador aquele a quem ele privara da l\u00edngua n\u00e3o passava de um c\u00e3o, pois era um mero escravo.<br \/>.<br \/>.<br \/> Havia, por\u00e9m, chegado a sua vez, e ele, n\u00e3o resistindo \u00e0 realidade, entrou numa crise de arrependimento que o salvou.<\/p>\n<p>Um dos casos mais dram\u00e1ticos que presenciei foi o de um companheiro que havia sido reduzido, por m\u00e9todos implac\u00e1veis de hipnose, \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de um fauno.<br \/> Estava de tal maneira preso \u00e0 sua indu\u00e7\u00e3o, que n\u00e3o podia falar, pois um fauno n\u00e3o fala.<br \/> A despeito de tudo, por\u00e9m, acabou falando inteligivelmente, para enorme surpresa sua.<br \/> Fazendo o m\u00e9dium exibir suas m\u00e3os, dissera:<\/p>\n<p>1)\tZoantropia, segundo o dicion\u00e1rio, \u00e9 uma variedade de monomania em que o doente se julga convertido em animal.<\/p>\n<p>      \u2014 Veja.<br \/> N\u00e3o tenho m\u00e3os, e sim cascos.<\/p>\n<p>Estivera mergulhado, por s\u00e9culos a fio, num tenebroso antro, onde conviveu, sob as mais abjetas condi\u00e7\u00f5es subumanas, com outros seres reduzidos a condi\u00e7\u00f5es semelhantes \u00e0 sua, e que nem mais se conscientizavam de terem sido criaturas racionais.<br \/> Fora tamb\u00e9m um poderoso, a\u00ed pelo s\u00e9culo 15, na Alemanha, e deve ter cometido erros espantosos.<\/p>\n<p>Um dos companheiros do grupo forneceu-nos recursos ectoplasm\u00e1ticos e, com nossos passes e o apoio que obtivemos atrav\u00e9s da prece, foi poss\u00edvel restituir-lhe a forma perispiritual de ser humano.<br \/> Alcan\u00e7ado esse ponto, um dos benfeitores presentes informou-nos do seu nome, pois ele n\u00e3o sabia quem era.<br \/> Retomada a sua identidade, caiu numa crise de choro comovedora e teve um impulso de generosidade, lamentando n\u00e3o ter condi\u00e7\u00f5es de volver sobre seus passos, para salvar os companheiros que continuavam retidos nas medonhas masmorras de onde conseguiram resgat\u00e1-lo.<\/p>\n<p>Tivemos, certa ocasi\u00e3o, um doloroso caso de licantropia.<br \/> Ao apresentar-se, incorporado no m\u00e9dium, o Esp\u00edrito n\u00e3o consegue articular nenhuma palavra.<br \/> Inteiramente animalizado, sabe apenas rosnar, esfor\u00e7ando-se por me morder.<br \/> Embora o m\u00e9dium se mantenha sentado, ele investe contra mim, procurando atingir-me com as m\u00e3os, dobradas, como se fossem patas; de vez em quando, amea\u00e7a outro componente do grupo.<br \/> Lembro-me de vagas cenas de atividades em desdobramento noturno, quando resgatamos, de sinistra regi\u00e3o das trevas, um ser vivo que, em estado de vig\u00edlia, n\u00e3o consegui caracterizar.<\/p>\n<p>Como ele n\u00e3o tinha condi\u00e7\u00f5es de falar, falei eu, tentando convenc\u00ea-lo de que era um ser humano, e n\u00e3o um animal.<br \/> A conversa foi longa e dif\u00edcil.<br \/> Sabia que, diretamente, ele ainda n\u00e3o tinha possibilidade de entender com clareza as palavras que eu dizia, mas estava certo de que, aos poucos, se tornaria sens\u00edvel \u00e0s vibra\u00e7\u00f5es de carinho e compreens\u00e3o que sustentavam aquelas palavras.<br \/> Falei-lhe, pois, continuamente, por longo tempo, procurando desimant\u00e1-lo, para libert\u00e1-lo do seu terr\u00edvel condicionamento.<br \/> Repetia-lhe que era um ser humano e n\u00e3o um animal; que tinha m\u00e3os, e n\u00e3o patas, unhas e n\u00e3o garras.<br \/> \u00c0s vezes, ele tinha crises assustadoras, gargalhando, alucinado.<br \/> Insistia em ferir-me, com as suas \u201cgarras\u201d, e tentou, mesmo, agredir-me, com as duas m\u00e3os, como se ten tasse abrir-me o peito, para arrancar-me o cora\u00e7\u00e3o.<br \/> Mantive calma inalterada, a despeito da profunda e dolorosa compaix\u00e3o, e da ternura que sentia por ele.<br \/> Foi um momento que exigiu muita vigil\u00e2ncia e enorme cobertura espiritual, para que o grupo n\u00e3o entrasse em p\u00e2nico, e n\u00e3o se perdesse a oportunidade de servir a um irm\u00e3o t\u00e3o desesperado.<br \/> N\u00e3o pod\u00edamos esquecer, por um minuto, que ele n\u00e3o era um animal irracional, mas uma criatura humana, que se tornou temporariamente irracional, em decorr\u00eancia do seu terr\u00edvel comprometimento ante as leis divinas.<\/p>\n<p>T\u00ednhamos que falar a ele como a um irm\u00e3o em crise, n\u00e3o a um lobo feroz.<br \/> Aparentemente, estava em estado de inconsci\u00eancia total, mas, no fundo do ser, ele preserva os valores imortais do esp\u00edrito, com todas as aquisi\u00e7\u00f5es feitas no ros\u00e1rio de vidas que j\u00e1 tinha vivido.<br \/> \u00c9 quase certo que tivesse uma bagagem respeit\u00e1vel de conhecimentos e recursos, pois na escalada espiritual nada se perde, em termos de aprendizado.<br \/> \u00c9 certo, ainda, que d\u00edvidas assim t\u00e3o grandes e penosas, somente podem ter sido assumidas em posi\u00e7\u00f5es de relevo, nas quais houvesse oportunidade para oprimir o semelhante impunemente, sob a prote\u00e7\u00e3o de imunidades incontest\u00e1veis.<br \/> Dificilmente temos oportunidade de end\u00edvidar-nos t\u00e3o gravemente, errando apenas contra n\u00f3s mesmos.<\/p>\n<p>Invariavelmente, a falta cometida sacrifica e martiriza muitos irm\u00e3os, que julgamos meros instrumentos do nosso gozo e poder.<br \/> Ademais, \u00e9 preciso lembrar que o reajuste nunca \u00e9 desproporcional \u00e0 gravidade da pena, e a pena \u00e9 sempre compat\u00edvel com o grau de consci\u00eancia com o qual praticamos a falta.<br \/> N\u00e3o que Deus nos castigue, como um Pai severo e frio, mas \u00e9 que a nossa consci\u00eancia exige de n\u00f3s a repara\u00e7\u00e3o, mesmo porque a lei universal, c\u00f3digo sagrado que aviltamos, nos coloca \u00e0 merc\u00ea da cobran\u00e7a.<br \/> A cada falta cometida, assinamos uma promiss\u00f3ria inexor\u00e1vel, que um dia vencer\u00e1 e nos ser\u00e1 apresentada para resgate.<br \/> Se tivermos acumulado a moeda limpa do servi\u00e7o ao pr\u00f3ximo, teremos com que pagar; caso contr\u00e1rio, n\u00e3o resta alternativa sen\u00e3o a dor, e podemos estar certos de que n\u00e3o faltar\u00e3o cobradores, que se apresentar\u00e3o como instrumento da justi\u00e7a divina, \u00e1vidos ante a oportunidade de se vingarem, ou simplesmente de darem azo \u00e0s suas frustra\u00e7\u00f5es lament\u00e1veis.<\/p>\n<p>Ao cabo de prolongado mon\u00f3logo com o irm\u00e3o alienado, uma prece comovida e alguns passes, ele come\u00e7ou a aquietar-se, mas ainda insistiu em atacar-me, de vez em quando.<br \/> N\u00e3o havia dito ainda uma palavra, mas, \u00e0 medida que se acalmava, come\u00e7ou a reconhecer o ambiente.<br \/> Apalpou a mesa que tinha diante de si, as cadeiras, o estofamento, a madeira, os entalhes, as cortinas, o sof\u00e1, o ch\u00e3o, o tapete.<br \/> Tudo que estava ao alcance de sua m\u00e3o, ele apalpou, investigou, examinou.<br \/> Pacientemente, eu ia lhe explicando o que era cada coisa em que ele tocava.<br \/> Parece que ele esteve encerrado em alguma caverna escura, por tempo que n\u00e3o sei estimar, e l\u00e1 perdeu a vis\u00e3o e o senso das coisas.<br \/> Estava ainda apavorado.<br \/> (O m\u00e9dium, realmente, queixara-se de uma terr\u00edvel sensa\u00e7\u00e3o de medo, pouco antes da incorpora\u00e7\u00e3o desse Esp\u00edrito.<br \/>) Olhava para tr\u00e1s, como se tentasse surpreender algum carrasco.<br \/> A certa altura, parece que algu\u00e9m o chicoteia violentamente, pois ele se contorce e grita, desesperado.<br \/> Aos poucos, por\u00e9m, vamos transmitindo a ele uma sensa\u00e7\u00e3o de seguran\u00e7a e calma.<br \/> Digo-lhe que ele foi retirado de l\u00e1, e que est\u00e1, agora, numa sala limpa, e n\u00e3o vai mais voltar para a sua pris\u00e3o.<\/p>\n<p>Insistimos nos passes, e, ao cabo de muito tempo, ele pareceu ter readquirido a forma humana e come\u00e7ou a \u201cconferir\u201d suas m\u00e3os, o rosto, o corpo, mas ainda n\u00e3o conseguia enxergar: passou as m\u00e3os diante dos olhos, para testar.<br \/> De p\u00e9, ao lado do m\u00e9dium, orei fervorosamente, com uma das m\u00e3os sobre os seus olhos e a outra na nuca.<br \/> Enquanto fazia isso, ele procurava me reconhecer, tamb\u00e9m pelo tato, apalpando-me as m\u00e3os, o bra\u00e7o, a cabe\u00e7a, o rosto.<br \/> O ambiente estava tenso de emo\u00e7\u00e3o e do desejo de servi-lo, e creio que, por isso, realizou-se, mais uma vez, o suave milagre do amor.<br \/> Ele come\u00e7ou a perceber os objetos, pela vis\u00e3o, e voltou a conferir tudo na sala, como se estivesse colocando juntas, pela primeira vez, em muito tempo (s\u00e9culos, talvez) as sensa\u00e7\u00f5es do tato e da vis\u00e3o.<br \/> Olhou os m\u00f3veis, a sala, as suas pr\u00f3prias m\u00e3os.<br \/> Examinou os componentes do grupo, um por um.<\/p>\n<p>Est\u00e1 calmo, agora.<br \/> Parece que jatos de luz intensa o atingem nos olhos, porque ele se contrai e protege a vista com os bra\u00e7os.<br \/> Como continuo a insistir em que ele pode falar, consegue dizer uma palavra:<br \/>\n<br \/>\u2014 \u00c1gua!<br \/>\n<br \/>      E fica a repeti-la, enquanto apanho o jarro, que conservamos sobre outro m\u00f3vel, e lhe servimos v\u00e1rios copos, que ele bebe sofregamente, desesperadamente.<\/p>\n<p>Por fim, percebo que est\u00e1 orando um Pai Nosso, no qual eu o acompanho, emocionado at\u00e9 o<br \/>\n<br \/>fundo do meu ser.<br \/> Ao terminar a prece, me abra\u00e7a, em sil\u00eancio, sem uma palavra, esmagado pela emo\u00e7\u00e3o, e se desprende, deixando o m\u00e9dium desorientado, por alguns momentos, quanto \u00e0 sua posi\u00e7\u00e3o na sala.<\/p>\n<p>O\ttrabalho todo durou uma hora.<\/p>\n<p>*<\/p>\n<p>Como pode uma criatura humana ser reduzida a uma condi\u00e7\u00e3o como essa? \u00c9 evidente que ainda n\u00e3o dispomos de conhecimentos suficientes para apreender o fen\u00f4meno em todas as suas implica\u00e7\u00f5es e pormenores, mas a Doutrina Esp\u00edrita nos oferece alguns dados que nos permitem entrever a estrutura b\u00e1sica do processo.<br \/> A g\u00eanese desse processo \u00e9, obviamente, a culpa.<br \/> Somente nos expomos ao resgate, pela dor ou pelo amor, na medida em que erramos.<br \/> A extens\u00e3o do resgate e sua profundidade guardam precisa rela\u00e7\u00e3o com a gravidade da falta cometida, pois a lei n\u00e3o cobra sen\u00e3o o necess\u00e1rio para o reajuste e o reequilibrio das for\u00e7as universais desrespeitadas pelo nosso livre-arb\u00edtrio.<br \/> Somos livres para errar e somos for\u00e7ados a resgatar.<br \/> N\u00e3o h\u00e1 como fugir a esse esquema, do qual n\u00e3o nos livra nem mesmo a tr\u00e9gua com que somos beneficiados ao renascer.<br \/> \u00c9 exatamente para que tenhamos a iniciativa da corre\u00e7\u00e3o espont\u00e2nea, que a lei nos proporciona o benef\u00edcio do esquecimento e nos concede a oportunidade do recome\u00e7o em cada vida, como se nasc\u00eassemos puros, sem faltas e sem passado.<br \/> N\u00e3o podemos, no entanto, esquecer que o passado est\u00e1 em n\u00f3s, nos registros indel\u00e9veis do perisp\u00edrito, determinando todos os nossos condicionamentos, os bons e os outros.<\/p>\n<p>Por conseguinte, a falta cria em n\u00f3s o \u201cmolde\u201d necess\u00e1rio ao reajuste.<br \/> Disso se valem, com extrema habilidade e compet\u00eancia, fossos advers\u00e1rios espirituais, aqueles a quem infligimos dores e penas atrozes num passado recente ou remoto.<br \/> Muitos s\u00e3o os que agem pessoalmente contra n\u00f3s, outros, por\u00e9m, valem-se de organiza\u00e7\u00f5es poderosas, onde a divis\u00e3o do trabalho nefando ficou como que racionalizada, tantas s\u00e3o as especializa\u00e7\u00f5es lament\u00e1veis.<br \/> Realiza-se, ent\u00e3o, uma troca de favores, atrav\u00e9s de contratos, acordos, pactos e arranjos de toda sorte, em que a v\u00edtima do passado \u2014 esquecida de que foi v\u00edtima precisamente porque tamb\u00e9m errou \u2014associa-se a algu\u00e9m que possa exercer por ela requintes de vingan\u00e7a.<\/p>\n<p>Entra em cena, a\u00ed, a fria equipe das trevas.<br \/> Se o caso comporta, digamos, a \u201csolu\u00e7\u00e3o\u201d da deforma\u00e7\u00e3o perispiritual, \u00e9 encaminhado a competentes manipuladores da hipnose e do magnetismo, que imediatamente se aproximar\u00e3o de suas v\u00edtimas, contra as quais nada t\u00eam, \u00e0s vezes, pessoalmente, iniciando o trabalho no campo f\u00e9rtil do end\u00edvidamento de cada um.<br \/> Quem n\u00e3o deve \u00e0 lei de Deus? (1)<br \/>\n<br \/>\u00c9 claro que o hipnotizador, ou o magnetizador, n\u00e3o pode moldar, \u00e0 sua vontade, o perisp\u00edrito da sua v\u00edtima, mas ele sabe como movimentar for\u00e7as naturais e os dispositivos mentais, de forma que o Esp\u00edrito, manipulado com per\u00edcia, acaba por aceitar as sugest\u00f5es e promover, no seu corpo perispiritual, as deforma\u00e7\u00f5es e condicionamentos induzidos pelo operador das trevas, que funciona como agente da vingan\u00e7a, por conta pr\u00f3pria ou alheia.<br \/> Nessas condi\u00e7\u00f5es, a v\u00edtima acaba por assumir formas grotescas, perde o uso da palavra, assume as atitudes e as rea\u00e7\u00f5es t\u00edpicas dos animais e \u00e9 segregado, por tempo imprevis\u00edvel, de todo o conv\u00edvio com criaturas humanas normais e equilibradas.<br \/> Em antros diante dos quais o inferno \u00e9 uma tosca e apagada imagem, imperam o terror, a aliena\u00e7\u00e3o mais dolorosa, a ang\u00fastia mais terr\u00edvel, as condi\u00e7\u00f5es mais abjetas.<br \/> Nessas furnas de dor superlativa, criaturas que, \u00e0s vezes, ocuparam na Terra elevadas posi\u00e7\u00f5es, resgatam crimes tenebrosos, que entre os homens permaneceram impunes.<\/p>\n<p>O\ttrabalho de resgate desses pobres irm\u00e3os, que chegam at\u00e9 a perder a consci\u00eancia da sua pr\u00f3pria identidade, \u00e9 t\u00e3o dif\u00edcil qu\u00e3o doloroso, e jamais poder\u00e1 ser feito sem a mais ampla cobertura espiritual.<br \/> Al\u00e9m da dor que experimentamos ao presenciar t\u00e3o espantosa afli\u00e7\u00e3o, estejamos certos de que a aud\u00e1cia de socorrer tais irm\u00e3os desata sobre os grupos que a manifestam toda a c\u00f3lera das organiza\u00e7\u00f5es que os subjugam.<br \/> Ali\u00e1s, esse \u00e9 um recurso de que se utilizam os trabalhadores do bem, para desalojar de seus redutos os verdadeiros respons\u00e1veis por essas atrocidades inomin\u00e1veis.<br \/> Furiosos pela temeridade dos seareiros do Cristo, eles se voltam contra o grupo medi\u00fanico, que precisa estar preparado, resguardado na prece e em imaculada pureza de inten\u00e7\u00f5es.<br \/> \u00c9 essa, \u00e0s vezes, a \u00fanica maneira de traz\u00ea-los \u00e0 doutrina\u00e7\u00e3o e \u00e0 tentativa de entendimento.<br \/> Esteja, por\u00e9m, o grupo, atento e preparado para receb\u00ea-los, porque eles vir\u00e3o realmente fora de si, transtornados<\/p>\n<p>(1) Leia-se, a prop\u00f3sito, o capitulo 5\u00ba, \u201cOpera\u00e7\u00f5es seletivas\u201d, de \u201cLibertac\u00e3o\u201d, volume 7\u00ba da s\u00e9rie Andr\u00e9 Luiz.<\/p>\n<p>de \u00f3dio, ante o atrevimento daqueles que ousam provoc\u00e1-los.<br \/> Eles precisam \u201clavar a sua honra\u201d, recuperar o prest\u00edgio perante seus comandados e impor castigo exemplar ao grupo que teve a insensata ousadia de exasper\u00e1-los.<br \/> Os casos mais graves de deforma\u00e7\u00f5es perispirituais, como a zoantropia, em geral, e a licantropia, em particular, s\u00e3o relativamente raros, consideradas as incont\u00e1veis multid\u00f5es de seres aprisionados nas trevas pelas suas afli\u00e7\u00f5es \u00edntimas.<br \/> Eles constituem importantes figuras, no tenebroso xadrez das trevas, e s\u00e3o guardados a sete chaves e defendidos com unhas e dentes, como tivemos oportunidade de verificar pessoalmente, numa excurs\u00e3o a essas furnas da dor.<br \/> Chegado, por\u00e9m, o momento do resgate, n\u00e3o h\u00e1 defesa que consiga resistir \u00e0 vontade soberana de Deus, e os trabalhadores humildes da seara do Cristo conseguem traz\u00ea-los, nos bra\u00e7os amorosos, para a expectativa da liberta\u00e7\u00e3o.<br \/> A promiss\u00f3ria maior est\u00e1 paga, e \u00e9 preciso come\u00e7ar a reconstru\u00e7\u00e3o interior, pedra por pedra, com os escombros de um passado calamitoso.<\/p>\n<p>       Geralmente, como vimos, s\u00e3o Esp\u00edritos de consider\u00e1veis cabedais e possibilidades, que se transviaram muito gravemente.<br \/> Eles t\u00eam condi\u00e7\u00f5es de retomar a trilha evolutiva, embora ainda com muitos erros a resgatar.<br \/> Recebem de volta a consci\u00eancia de sua pr\u00f3pria identidade e recome\u00e7am o aprendizado.<br \/> S\u00e3o usualmente recolhidos a institui\u00e7\u00f5es especializadas, onde vai realizar-se a tarefa do descondicionamento.<br \/> \u00c9 novamente a hora de in\u00fameros especialistas: m\u00e9dicos da alma, cirurgi\u00f5es do perisp\u00edr\u00edto, profundos conhecedores da biologia transcendental e das complexidades da mente.<br \/> Comparecem planejadores, doutrinadores, m\u00e9diuns, magnetizadores, para reconstruir, com amor, o que foi destru\u00eddo com \u00f3dio, pelos planejadores, doutrinadores, m\u00e9diuns e magnetizadores das trevas.<br \/> As for\u00e7as s\u00e3o as mesmas, os mecanismos s\u00e3o id\u00eanticos, os recursos s\u00e3o semelhantes, somente a dire\u00e7\u00e3o \u00e9 que muda, invertendo-se os sinais da opera\u00e7\u00e3o, pois quase sempre os dedicados operadores que nos ajudam a reconstruir o Esp\u00edrito, arrasado pela dor do resgate, s\u00e3o aqueles mesmos que, em \u00e9pocas remotas, utilizaram-se dos seus conhecimentos para oprimir, para impor ang\u00fastias e afli\u00e7\u00f5es, em nome de incontroladas ambi\u00e7\u00f5es pessoais.<br \/> O conhecimento ficou, porque os arquivos da alma s\u00e3o permanentes, mas mudou a motiva\u00e7\u00e3o, e o que antes feria, agora quer curar.<br \/> Se antes conseguia realizar tanta coisa espantosa, trabalhando ao arrepio das leis divinas, sem a sustenta\u00e7\u00e3o dos poderes da Luz, que n\u00e3o conseguir\u00e1 agora, ao voltar-se para o lado bom da vida, onde conta com o apoio de seus irm\u00e3os maiores?<br \/>\n<\/p>\n<div class=\"pvc_clear\"><\/div>\n<p id=\"pvc_stats_19138\" class=\"pvc_stats all  \" data-element-id=\"19138\" style=\"\"><i class=\"pvc-stats-icon medium\" aria-hidden=\"true\"><svg aria-hidden=\"true\" focusable=\"false\" data-prefix=\"far\" data-icon=\"chart-bar\" 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O Esp\u00edrito pensa, o perisp\u00edrito transmite o impulso, o corpo f\u00edsico executa. Da mesma forma, as sensa\u00e7\u00f5es que v\u00eam de fora, recebidas atrav\u00e9s dos sentidos, s\u00e3o levadas ao Esp\u00edrito pelos mecanismos perispirituais. \u00c9 o perisp\u00edrito que preside \u00e0 forma\u00e7\u00e3o do ser, funcionando como molde, a ordenar as&hellip; <br \/> <a class=\"read-more\" href=\"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/artigo19138\/\">Leia mais<\/a><\/p>\n<div class=\"pvc_clear\"><\/div>\n<p id=\"pvc_stats_19138\" class=\"pvc_stats all  \" data-element-id=\"19138\" style=\"\"><i class=\"pvc-stats-icon medium\" aria-hidden=\"true\"><svg aria-hidden=\"true\" focusable=\"false\" data-prefix=\"far\" data-icon=\"chart-bar\" role=\"img\" xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\" viewBox=\"0 0 512 512\" class=\"svg-inline--fa fa-chart-bar fa-w-16 fa-2x\"><path fill=\"currentColor\" d=\"M396.8 352h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8V108.8c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v230.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8zm-192 0h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8V140.8c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v198.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8zm96 0h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8V204.8c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v134.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8zM496 400H48V80c0-8.84-7.16-16-16-16H16C7.16 64 0 71.16 0 80v336c0 17.67 14.33 32 32 32h464c8.84 0 16-7.16 16-16v-16c0-8.84-7.16-16-16-16zm-387.2-48h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8v-70.4c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v70.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8z\" class=\"\"><\/path><\/svg><\/i> <img decoding=\"async\" width=\"16\" height=\"16\" alt=\"Loading\" data-src=\"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/wp-content\/plugins\/page-views-count\/ajax-loader-2x.gif\" border=0 src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" class=\"lazyload\" style=\"--smush-placeholder-width: 16px; --smush-placeholder-aspect-ratio: 16\/16;\" \/><\/p>\n<div class=\"pvc_clear\"><\/div>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"Closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[16],"tags":[],"class_list":["post-19138","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-mensagens-diversas"],"a3_pvc":{"activated":true,"total_views":917,"today_views":0},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19138","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=19138"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19138\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=19138"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=19138"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=19138"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}