{"id":19231,"date":"2022-12-23T10:12:00","date_gmt":"2022-12-23T10:12:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2022-12-23T10:12:00","modified_gmt":"2022-12-23T10:12:00","slug":"artigo19231","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/artigo19231\/","title":{"rendered":"21 MAGOS E FEITICEIROS &#8211; DI\u00c1LOGO COM AS SOMBRAS HERM\u00cdNIO C. MIRANDA"},"content":{"rendered":"<p>Os trabalhadores da desobsess\u00e3o n\u00e3o devem ignorar a realidade da magia negra, a fim de n\u00e3o serem tomados de surpresa nas suas tarefas redentoras.<br \/> Com freq\u00fc\u00eancia, ter\u00e3o oportunidade de observar tentativas de envolvimento do grupo e de seus componentes, ou de pessoas que dele se socorrem, promovidas por antigos magos e feiticeiros que, no mundo espiritual, persistem nas suas pr\u00e1ticas e rituais.<\/p>\n<p>Extremamente complexo e delicado, especialmente porque \u00e9escassa, nesse particular, a literatura doutrin\u00e1ria de confian\u00e7a existente, o assunto precisa ser abordado com muita prud\u00eancia e lucidez.<\/p>\n<p>O tema n\u00e3o ficou indiferente a Kardec, como podemos verificar do exame das quest\u00f5es n\u00fameros 551 a 557, de \u201cO Livro dos Esp\u00edritos\u201d, sob o t\u00edtulo \u201cPoder oculto.<br \/> Talism\u00e3s.<br \/> Feiticeiros\u201d.<br \/> Os Instrutores do eminente Codificador colocaram a quest\u00e3o naquele clima de prud\u00eancia e lucidez de que h\u00e1 pouco fal\u00e1vamos.<br \/> Obviamente, a \u00e9poca n\u00e3o estava madura para o aprofundamento do problema, nem seria isto apropriado no livro b\u00e1sico da Doutrina Esp\u00edrita, cujo escopo era o de entregar aos homens uma s\u00edntese did\u00e1tica acerca do Esp\u00edrito e suas manifesta\u00e7\u00f5es, do seu relacionamento com Deus e com o Universo.<br \/> Disseram, por\u00e9m, o suficiente para formular-se um ju\u00edzo sobre a mat\u00e9ria, levando em conta as supersti\u00e7\u00f5es que prevaleciam \u00e0quele tempo.<\/p>\n<p>Foram muito s\u00f3brios os Esp\u00edritos, limitando-se a respostas sum\u00e1rias que, n\u00e3o obstante, deixaram aberturas para futuros desdobramentos.<br \/> Ensinaram, por exemplo, que um \u201chomem mau\u201d n\u00e3o poderia, \u201ccom o aux\u00edlio de um mau Esp\u00edrito que lhe seja dedicado, fazer mal ao seu pr\u00f3ximo\u201d, porque \u201cDeus n\u00e3o o permitiria\u201d.<\/p>\n<p>A despeito da not\u00e1vel economia de palavras, o pensamento contido nesse per\u00edodo \u00e9, ao mesmo tempo, amplo e exato.<br \/> Naquilo que Deus n\u00e3o o permite, realmente, nada podem fazer os Esp\u00edritos ainda voltados para o mal \u2014 e essa \u00e9 a nossa prote\u00e7\u00e3o, pois o que seria de n\u00f3s se tudo lhes fosse permitido? Quando, por\u00e9m, nos credenciamos a esse amparo? Talvez seja melhor reformular a quest\u00e3o: Quando nos tornamos vulner\u00e1veis e, portanto, expostos \u00e0cobran\u00e7a? A partir do momento em que nos atritamos com as leis divinas, colocando-nos, portanto, n\u00e3o fora de sua prote\u00e7\u00e3o, n\u00e3o abandonados por Deus, mas submetidos \u00e0s conseq\u00fc\u00eancias de nossas pr\u00f3prias a\u00e7\u00f5es.<br \/> \u00c9 assim que um Esp\u00edrito faltoso coloca-se, por exemplo, ao alcance de dores inomin\u00e1veis, como a da obsess\u00e3o.<br \/> Realmente, seria desastroso que qualquer Esp\u00edrito desajustado pudesse fazer conosco o que bem entendesse, mas estejamos certos de que, ao cometer nossos desatinos, abrimos a eles as portas da nossa intimidade.<br \/> O pr\u00f3prio Cristo advertiu-nos de que, se n\u00e3o nos reconcili\u00e1ssemos com os nossos advers\u00e1rios, eles nos levariam ao juiz, e o juiz nos mandaria \u00e0 pris\u00e3o, donde somente ser\u00edamos liberados depois de cumprida toda a pena, at\u00e9 o \u00faltimo centavo.<\/p>\n<p>Quanto \u00e0 cren\u00e7a no poder de enfeiti\u00e7ar, os Esp\u00edritos foram cautelosos, declarando que tais fatos s\u00e3o naturais, mal observados e, sobretudo, mal compreendidos, mas que \u201calgumas pessoas disp\u00f5em de grande for\u00e7a magn\u00e9tica, de que podem fazer mau uso, se maus forem seus pr\u00f3prios Esp\u00edritos, caso em que poss\u00edvel se torna serem secundados por outros Esp\u00edritos maus\u201d.<\/p>\n<p>Sobre as f\u00f3rmulas, esclarecem que todas s\u00e3o mera charlatanaria, e prosseguem:<br \/>\n<br \/>\u201cN\u00e3o h\u00e1 palavra sacramental nenhuma, nenhum sinal cabal\u00edstico, nem talism\u00e3, que tenha qualquer a\u00e7\u00e3o sobre os Esp\u00edritos, porq\u00fcanto estes s\u00f3 s\u00e3o atraidos pelo pensamento e n\u00e3o pelas coisas materiais.<br \/>\u201d<br \/>\n<br \/>Kardec, no entanto, insistiu, com a pergunta 554, assim formulada:<br \/>\n<br \/>\u201cN\u00e3o pode aquele que, com ou sem raz\u00e3o, confia no que chama a virtude de um talism\u00e3, atrair um Esp\u00edrito, por efeito mesmo dessa confian\u00e7a, visto que, ent\u00e3o, o que atua \u00e9 o pensamento, n\u00e3o passando o talism\u00e3 de um sinal que apenas lhe auxilia a concentra\u00e7\u00e3o?\u201d<br \/>\n<br \/>\u201c\u00c9 verdade \u2014 respondem os Esp\u00edritos \u2014; mas, da pureza da inten\u00e7\u00e3o e da eleva\u00e7\u00e3o dos sentimentos depende a natureza do Esp\u00edrito que \u00e9 atra\u00eddo.<br \/>\u201d (Destaques meus.<br \/>)<br \/>\n<br \/>Do que se depreende que o talism\u00e3, em si, nada vale, mas funciona como uma esp\u00e9cie de condensador de energias ps\u00edquicas emanadas do operador que, pelo pensamento, atrai os seres desencarnados que lhe s\u00e3o afins.<\/p>\n<p>Realmente, como muito bem observa Kardec, em nota de sua autoria, em seguida \u00e0 Quest\u00e3o n\u00famero 555, \u201cO Espiritismo e o magnetismo nos d\u00e3o a chave de uma imensidade de fen\u00f4menos sobre os quais a ignor\u00e2ncia teceu um sem-n\u00famero de f\u00e1bulas, em que os fatos se apresentam exagerados pela imagina\u00e7\u00e3o.<br \/>\u201d<br \/>\n<br \/>Lamentavelmente n\u00e3o temos ainda um estudo aprofundado dessa curiosa tem\u00e1tica, mas \u00e9 certo que o Espiritismo tem condi\u00e7\u00f5es para desmistificar muito da complicada e, \u00e0s vezes, ing\u00eanua ritual\u00edstica da magia, retirando-lhe a aura de mist\u00e9rio e ocultismo, para explic\u00e1-la em termos de conhecimento cient\u00edfico, aberto, racional, dentro do contexto das leis naturais.<br \/> O Espiritismo n\u00e3o ignora o fen\u00f4meno, nem o nega, como vimos.<br \/> A Doutrina empenha-se em negar \u00e9 o car\u00e1ter sobrenatural que alguns procuram atribuir aos fen\u00f4menos, bem como as in\u00fateis complica\u00e7\u00f5es dos ritos, f\u00f3rmulas, invoca\u00e7\u00f5es, posturas, s\u00edmbolos, apetrechos e instrumentos de que se valem os operadores, que n\u00e3o passam de m\u00e9diuns agindo em conson\u00e2ncia com seus companheiros desencarnados.<\/p>\n<p>Sobre a influ\u00eancia dos astros, por exemplo, ensina Emmanuel (1) que:<br \/>\n<br \/>\u2014\t\u201cAs antigas assertivas astrol\u00f3gicas t\u00eam a sua raz\u00e3o de ser.<br \/> O campo magn\u00e9tico e as conjun\u00e7\u00f5es dos planetas influenciam no complexo celular do homem f\u00edsico, em sua forma\u00e7\u00e3o org\u00e2nica e em seu nascimento na Terra; por\u00e9m, a exist\u00eancia planet\u00e1ria \u00e9 sin\u00f4nimo de luta.<br \/> Se as influ\u00eancias astrais n\u00e3o favorecem a determinadas criaturas, urge que estas lutem contra os elementos perturbadores, porque, acima de todas as verdades astrol\u00f3gicas, temos o Evangelho, e o Evangelho nos ensina que cada qual receber\u00e1 por suas obras, achando-se cada homem sob as influ\u00eancias que merece.<br \/>\u201d (Destaques meus.<br \/>)<br \/>\n<br \/>Dentro dessa mesma linha de pensamento, reconhece, o esclarecido mentor, as influ\u00eancias que podem exercer, sobre Esp\u00edritos encarnados ou desencarnados, os nomes que recebem, por causa da \u201csimbologia sagrada das palavras\u201d.<br \/> Tamb\u00e9m os n\u00fameros \u201cpossuem a sua m\u00edstica natural\u201d, segundo suas vibra\u00e7\u00f5es.<br \/> Os pr\u00f3prios objetos armazenam energias que ainda n\u00e3o est\u00e3o bem definidas para n\u00f3s.<\/p>\n<p>\u2014\t\u201cOs objetos \u2014 responde Emmanuel \u00e0 quest\u00e3o n\u00famero 143 \u2014,\tmormente os de uso pessoal, t\u00eam a sua hist\u00f3ria viva e, por vezes, podem constituir o ponto de aten\u00e7\u00e3o das entidades perturbadas, de seus antigos possuidores no mundo; raz\u00e3o por que parecem tocados, por vezes, de singulares influ\u00eancias ocultas, por\u00e9m, nosso esfor\u00e7o deve ser o da liberta\u00e7\u00e3o espiritual, sendo indispens\u00e1vel lutarmos contra os fetiches, para considerar t\u00e3o-somente os valores morais do homem na sua jornada para o Perfeito.<br \/>\u201d (Destaques meus.<br \/>)<br \/>\n<br \/>O\tassunto mereceu tamb\u00e9m observa\u00e7\u00f5es, ainda que sum\u00e3rias, de Andr\u00e9 Luiz, em \u201cEvolu\u00e7\u00e3o em dois Mundos\u201d \u2014 livro que talvez ainda levemos meio s\u00e9culo para desdobrar em todas as suas implica\u00e7\u00f5es.<br \/> Diz o autor espiritual que, a certo ponto da hist\u00f3ria evolutiva.<br \/>.<br \/>.<\/p>\n<p>(1)\t\u201cO Consolador\u201d, quest\u00e3o numero 140.<\/p>\n<p>     &#8211; .<br \/>.<br \/>.<br \/> \u201cIniciou-se o correio entre o plano f\u00edsico e o plano extraf\u00edsico, mas, porque a ignor\u00e2ncia embotasse ainda a mente humana, os m\u00e9diuns primitivos nada mais puderam realizar que a fascina\u00e7\u00e3o rec\u00edproca, ou magia elementar, em que os desencarnados, igualmente inferiores, eram aproveitados, por via magn\u00e9tica, na execu\u00e7\u00e3o de atividades materialonas, sem qualquer alicerce na sublima\u00e7\u00e3o pessoal.<br \/>\u201d<br \/>\n<br \/>E prossegue:<br \/>\n<br \/>\u2014 \u201cApareceu ent\u00e3o a goecia ou magia negra, \u00e0 qual as intelig\u00eancias superiores opuseram a religi\u00e3o por magia divina, acentuando-se a forma\u00e7\u00e3o da mitologia em todos os setores da vida tribal.<br \/>\u201d<br \/>\n<br \/>\u201cA luta entre os Esp\u00edritos retardados na sombra e os aspirantes da luz encontrou seguro apoio nas almas encarnadas que lhes eram irm\u00e3s.<br \/> Desde essas eras recuadas, empenham-se o bem e o mal em tremendo conflito que ainda est\u00e1 muito longe de terminar, com base na mediunidade consciente ou inconsciente, t\u00e9cnica ou emp\u00edrica.<br \/>\u201d<br \/>\n<br \/>Essa digress\u00e3o introdut\u00f3ria tornou-se indispens\u00e1vel para que a nossa penetra\u00e7\u00e3o no lusco-fusco da magia conte com um suporte de bom senso e racionalismo, a funcionar como fio de Ariadne, que nos permita transitar pelos seus meandros, sem o menor temor de perder o caminho de volta.<\/p>\n<p>N\u00e3o resta d\u00favida de que os fen\u00f4menos elementares de magia reportam-se \u00e0s eras primitivas, como nos assegura Andr\u00e9 Luiz.<br \/> Embora os autores especializados procurem distinguir magia de feiti\u00e7aria \u2014 e ainda veremos isto um pouco adiante \u2014 a Enciclop\u00e9dia Brit\u00e2nica lembra que o termo ingl\u00eas para esta \u00faltima \u2014 \u201cwitchcraft\u201d \u2014 quer dizer a arte ou of\u00edcio do s\u00e1bio, de vez que a raiz sem\u00e2ntica da primeira se\u00e7\u00e3o da palavra \u2014 \u201cwitch\u201d \u2014 est\u00e1 associada com a palavra \u201cwit\u201d, saber.<\/p>\n<p>Realmente, os magos, origin\u00e1rios, segundo Lewis Spence (1), da antiga P\u00e9rsia, eram cultores da sabedoria de Zoroastro.<br \/> Possivelmente da ra\u00e7a m\u00e9dia, adquiriram enorme prest\u00edgio, especialmente,<\/p>\n<p>(1)\t\u201cAn Encyclopaedia of Occultism\u201d, University Books, New York, 1960.<\/p>\n<p>ao que parece, depois que Ciro os institucionalizou, ao fundar o imp\u00e9rio persa, sobre o qual exerceram consider\u00e1vel influ\u00eancia pol\u00edtico-religiosa.<br \/> \u00c9 evidente que esse prest\u00edgio tinha que ser alicer\u00e7ado em rico acervo de conhecimentos, pois o homem sempre respeita e, \u00e0s vezes, teme aquele que sabe.<\/p>\n<p>\u201cReligi\u00e3o, filosofia e ci\u00eancia \u2014 escreve Spence \u2014 estavam todas em suas m\u00e3os.<br \/> Eram m\u00e9dicos universais que curavam os doentes do corpo e do esp\u00edrito e em estrita consist\u00eancia com essas caracter\u00edsticas, socorriam as mazelas do Estado que \u00e9 apenas o homem em sentido mais amplo.<br \/>\u201d<br \/>\n<br \/>Distribu\u00edram-se em tr\u00eas graus: os disc\u00edpulos, os professores e os mestres, o que vale dizer que o conhecimento de que dispunham os grandes mestres era ministrado por processos inici\u00e1ticos, \u00e0 medida que o disc\u00edpulo revelava condi\u00e7\u00f5es de absorv\u00ea-lo e aplic\u00e1-lo rigorosamente, segundo os m\u00e9todos e interesses da Ordem.<\/p>\n<p>A organiza\u00e7\u00e3o correspondeu generosamente ao apoio que recebeu de C\u00edro, muito contribuindo, com seus recursos, para consolida\u00e7\u00e3o das conquistas do rei persa, mas, por volta do ano 500 antes do Cristo, entrou em desagrega\u00e7\u00e3o, especialmente por causa da tenaz persegui\u00e7\u00e3o de Dario Histaspes.<br \/> Emigra\u00e7\u00f5es em massa espalharam-nos pela Capad\u00f3cia e pela \u00cdndia, mas ainda eram uma for\u00e7a respeit\u00e1vel ao tempo de Alexandre, o Grande (356-323 a.<br \/> C.<br \/>) que, segundo Spence, sentiu-se enciumado de seus poderes.<\/p>\n<p>S\u00e3o profundas as implica\u00e7\u00f5es da magia em alguns cultos religiosos, mais intensamente, \u00e9 claro, nos primitivos, tanto quanto na medicina, na astrologia, no magnetismo, na alquimia e em certas correntes m\u00edsticas que prevalecem at\u00e9 hoje.<\/p>\n<p>Lewis Spence declara, no seu erudito verbete, que, a seu ver, misticismo e magnetismo s\u00e3o id\u00eanticos para alguns ocultistas, entre os quais cita, em tempos recentes, Auguste Comte, o Bar\u00e3o du Potet e o Bar\u00e3o de Guldenstubb\u00e9, este \u00faltimo autor do livro \u201cLa Realit\u00e9 des Esprits\u201d, publicado em 1857.<br \/> (1)<br \/>\n<br \/>Sir James Frazer (2) considera magia e religi\u00e3o uma s\u00f3 coisa, t\u00e3o identificadas se acham entre si.<br \/> Isto \u00e9 provavelmente verdadeiro<\/p>\n<p>(1) Ver o artigo \u201cO Tempo, o preconceito e a humildade\u201d, em \u201cReformador\u201d, agosto\/1975.<\/p>\n<p>(2) \u201cThe Golden Bough\u201d, MacMilian, New York, 1951, erudit\u00edssimo tratado sobre magia e religi\u00e3o que, mesmo em forma condensada, apresenta-Se com 827 p\u00e1ginas de texto.<br \/> A obra completa consta de 12 volumes.<\/p>\n<p>para as primitivas cren\u00e7as, mas n\u00e3o para as religi\u00f5es mais recentes, que embora conservem sinais exteriores dos antigos cultos \u2014 simbolos, ritos, f\u00f3rmulas, encanta\u00e7\u00f5es \u2014, perderam contacto com os seus aspectos esot\u00e9ricos.<\/p>\n<p>Um conceito reproduzido por Spence informa-nos que o apelo aos deuses constitui pr\u00e1tica religiosa, enquanto a pr\u00e1tica da magia tenta for\u00e7\u00e1-los \u00e0 complac\u00eancia.<br \/> A religi\u00e3o \u00e9 freq\u00fcentemente oficial e quase sempre organizada, enquanto a magia \u00e9, usualmente, proibida e secreta.<\/p>\n<p>Embora Spence nos fale da magia na P\u00e9rsia, sabemos que ela floresceu amplamente no Egito, muito antes da \u00e9poca citada na sua obra.<br \/> Os livros medi\u00fanicos de Rochester, v\u00e1rios deles publicados pela FEB, narram, com min\u00facias de extremo realismo, processos terr\u00edveis de magia e ocultismo, como em \u201cO Chanceler de Ferro\u201d e \u201cRomance de uma Rainha\u201d.<\/p>\n<p>O\tsegundo livro do Antigo Testamento \u2014 o \u00caxodo \u2014 especialmente nos cap\u00edtulos de n\u00fameros 5 a 13, narra o duelo entre os magos eg\u00edpcios e hebreus, ante a aturdida expectativa de todo o pa\u00eds.<\/p>\n<p>J\u00e1 antes disso, no cap\u00edtulo 4, os guias espirituais de Mois\u00e9s conferem-lhe poderes ostensivos, pois certamente ele deveria conhecer bastante acerca dos rituais e da teoria que os sustentava.<\/p>\n<p>O\tEsp\u00edrito que se apresenta como Jeov\u00e1 ordena que conduza o povo hebreu para fora do Egito, mas Mois\u00e9s revela sua impot\u00eancia em convencer sua gente a segui-lo.<\/p>\n<p>\u2014\tN\u00e3o acreditar\u00e3o em mim \u2014 diz ele \u2014 nem ouvir\u00e3o a minha voz, pois dir\u00e3o: Jeov\u00e1 n\u00e3o te apareceu coisa alguma.<\/p>\n<p>\u2014\tQue tens tu na m\u00e3o? \u2014 pergunta-lhe Jeov\u00e1.<\/p>\n<p>\u2014\tUm cajado.<\/p>\n<p>\u2014\tAtira-o ao ch\u00e3o.<\/p>\n<p>Mal atirado ao solo, o cajado transformou-se numa serpente.<br \/> Ante o temor de Mois\u00e9s, o Esp\u00edrito disse-lhe que a agarrasse pelo pesco\u00e7o, o que ele fez, voltando a serpente a ser um mero cajado.<\/p>\n<p>Essa mesma \u201cm\u00e1gica\u201d, no melhor sentido da palavra, Mois\u00e9s faria diante do Fara\u00f3 e sua corte.<\/p>\n<p>Segundo Will Durant (1), a cren\u00e7a na feiti\u00e7aria, na Idade M\u00e9dia, era praticamente universal.<br \/> \u201cO Livro da Penit\u00eancia\u201d, do Bispo de<\/p>\n<p>(1)\t\u201cThe Age of Falth\u201d, Simon and Schuster, New York, 1950.<\/p>\n<p>Exeter, condena as mulheres \u201cque professam a faculdade de modificar a mente dos homens pela feiti\u00e7aria, ou encantamento, como do \u00f3dio para o amor ou do amor para o \u00f3dio, bem como enfeiti\u00e7ar ou roubar os bens dos homens\u201d, ou ainda as que declaram \u201ccavalgar durante certas noites certos animais, com um bando de dem\u00f4nios em formas femininas, ou estarem em companhia de tais\u201d.<\/p>\n<p>Quando a Igreja resolveu entrar em cena para coibir a pr\u00e1tica, criou-se um clima de terror que, ao mesmo tempo em que combatia as crendices, parecia atribuir-lhes certa subst\u00e2ncia, que mais as autenticavam na imagina\u00e7\u00e3o do povo inculto, porque ningu\u00e9m combate aquilo que n\u00e3o teme.<br \/> As conseq\u00fc\u00eancias dessas impiedosas persegui\u00e7\u00f5es foram danosas e lament\u00e1veis para o entendimento do fen\u00f4meno medi\u00fanico, e \u00e9 bem prov\u00e1vel que a not\u00edcia que os Esp\u00edritos superiores vieram trazer a Kardec, no s\u00e9culo 19 pudesse ter sido antecipada de um s\u00e9culo ou mais, se em vez de queimar os m\u00e9diuns medievais, sob a acusa\u00e7\u00e3o de que mantinham pactos com o dem\u00f4nio, procurassem estud\u00e1-los com respeito e interesse.<br \/> A despeito disso, n\u00e3o foram poucos os prelados cat\u00f3licos que, durante toda a exist\u00eancia, mantiveram cultos paralelos de magia negra, com os seus estranhos rituais.<\/p>\n<p>Ao escrevermos este livro, o mundo moderno assiste, algo perplexo, a um fant\u00e1stico ressurgimento da magia negra e da feiti\u00e7aria, por toda parte e, desta vez, n\u00e3o nos pa\u00edses menos desenvolvidos, ou primitivos, e sim nos de mais avan\u00e7ada tecnologia e mais sofisticada cultura, como a Inglaterra, os Estados Unidos, a Fran\u00e7a, a It\u00e1lia.<\/p>\n<p>A Brit\u00e2nica, tanto quanto Sir James Frazer, atribui \u00e0 magia origens nitidamente religiosas, sob a forma de cultos \u00e0 base de animais sacrificados.<br \/> Oferendas de sangue e de estranhas subst\u00e2ncias eram feitas para propiciar os deuses em troca de favores, fosse em benef\u00edcio de algu\u00e9m ou com a inten\u00e7\u00e3o de destru\u00ed-lo.<\/p>\n<p>Entre os ritos destinados a destruir um inimigo, por exemplo, o mais antigo, dram\u00e1tico e conhecido, consiste em modelar uma pequena est\u00e1tua representativa da v\u00edtima, geralmente em cera, e, com os m\u00e9todos apropriados, espet\u00e1-lo com agulhas e punhais.<\/p>\n<p>Seria impratic\u00e1vel, num resumo como este, repassar todo o campo da magia e empreender sua avalia\u00e7\u00e3o em termos de Doutrina Esp\u00edrita; poderemos, n\u00e3o obstante, tentar oferecer algumas no\u00e7\u00f5es colhidas em alentados livros, facilmente encontr\u00e1veis no mercado, praticamente em todas as l\u00ednguas vivas.<\/p>\n<p>Um desses autores \u00e9 o m\u00e9dico franc\u00eas, Dr.<br \/> G\u00e9rard Encausse, contempor\u00e2neo de Allan Kardec, que, sob o pseud\u00f4nimo de Papus, escreveu abundantemente sobre o assunto.<br \/> Seu filho, o Dr.<br \/> Philippe Encausse, tamb\u00e9m m\u00e9dico, revelou igual interesse pela mat\u00e9ria, produzindo algumas obras sobre o assunto, como \u201cSciences Occultes et D\u00e9s\u00e9quilibre Mental\u201d.<\/p>\n<p>Colheremos algumas informa\u00e7\u00f5es na obra de Papus intitulada \u201cTratado Elementar de Magia Pr\u00e1tica\u201d.<br \/> (1)<br \/>\n<br \/>Antes de mergulharmos no seu livro, creio \u00fatil transmitir ao leitor esp\u00edrita uma id\u00e9ia da posi\u00e7\u00e3o de Papus em rela\u00e7\u00e3o ao<br \/>\n<br \/>Espiritismo:<br \/>\n<br \/>\u201cExiste, n\u00e3o obstante \u2014 escreve ele, \u00e0 p\u00e1gina 11 de seu livro \u2014, uma forma de experi\u00eancias m\u00e1gicas pr\u00f3prias para as pessoas pusil\u00e2nimes, e que aconselharemos a quantas desejarem divertir-se, dedicando, \u00e0 sobremesa, alguns momentos aos fen\u00f4menos de espiritismo.<br \/> Nada t\u00eam de dif\u00edceis e sim muito consoladores, e, afinal de contas, situam-se a tal dist\u00e2ncia da verdadeira magia, que n\u00e3o h\u00e1 a temer nenhum acidente s\u00e9rio, desde que n\u00e3o se esque\u00e7a da precau\u00e7\u00e3o de deixar as coisas no momento oportuno.<br \/>\u201d<br \/>\n<br \/>Ao apreciar alguns aspectos da magia, da qual o Dr.<br \/> Encausse \u00e9 admirador ardoroso, tentemos n\u00e3o ser t\u00e3o radicais e superficiais como ele, em rela\u00e7\u00e3o ao Espiritismo.<\/p>\n<p>Papus acata o princ\u00edpio, tamb\u00e9m lembrado por Sir James Frazer, acima citado, segundo o qual o mecanismo da magia precisa de um ve\u00edculo entre a vontade humana e as coisas inanimadas.<br \/> Na opini\u00e3o de Sir James Frazer, toda a magia baseia-se na lei da simpatia, ou seja, \u201cas coisas atuam umas sobre as outras, a dist\u00e2ncia, por estarem secretamente ligadas entre si por la\u00e7os invis\u00edveis<br \/>\n<br \/>\u201cPara isso \u2014 escreve Papus \u2014 o operador dever\u00e1 aplicar sua vontade, n\u00e3o sobre a mat\u00e9ria, mas sobre aquilo que incessantemente a modifica, o que a Ci\u00eancia Oculta denomina o plano de forma\u00e7\u00e3o do mundo material, ou seja, o plano astral.<br \/>\u201d (O primeiro destaque \u00e9 meu; o segundo, do original.<br \/>)<br \/>\n<br \/>Esse plano, os magos concebem como sendo as for\u00e7as da natureza, das quais, por certo, tanto se utilizam os trabalhadores do bem, como os outros.<\/p>\n<p>(1) Tradu\u00e7\u00e3o de medial Shaiah, 1974, 5\u00aa edi\u00e7\u00e3o da Editorial Kier, Buenos Aires, do original franc\u00eas \u201cTrait\u00e9 Elementaire de Magia Pratique\u201d.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o cabe d\u00favida \u2014 prossegue Papus \u2014 que s\u00e3o as for\u00e7as da natureza que o m\u00e1gico dever\u00e1 p\u00f4r em a\u00e7\u00e3o, sob o influxo da sua vontade; mas que classe de for\u00e7as s\u00e3o essas?\u201d<br \/>\n<br \/>Diz ele que s\u00e3o as for\u00e7as hiperf\u00edsicas, assim entendidas as que apenas diferem das energias meramente f\u00edsicas nas suas origens, pois emanam de seres vivos e n\u00e3o de mecanismos inanimados.<\/p>\n<p>No fen\u00f4meno da pronta germina\u00e7\u00e3o, crescimento da planta e produ\u00e7\u00e3o de frutos, que alguns faquires teriam realizado, segundo testemunhos nos quais Papus acredita, aconteceria apenas uma abundante doa\u00e7\u00e3o, \u00e0 semente, e depois \u00e0 planta e ao fruto, das energias org\u00e2nicas do faquir, que se poriam em conson\u00e2ncia com as energias armazenadas na semente.<\/p>\n<p>\u201cA vontade do faquir \u2014 diz Papus \u2014 p\u00f5e em a\u00e7\u00e3o uma for\u00e7a capaz de desenvolver, em algumas horas, a planta, que, em condi\u00e7\u00f5es normais, levaria um ano para atingir aquele ponto de crescimento.<br \/> A dita for\u00e7a n\u00e3o tem muitos e diversos nomes de bom sentido; pura e simplesmente, chama-se vida.<br \/>\u201d<br \/>\n<br \/>A magia seria, portanto, uma a\u00e7\u00e3o consciente da vontade sobre a vida.<br \/> A defini\u00e7\u00e3o completa proposta por Papus \u00e9 a seguinte:<br \/>\n<br \/>\u201c\u00c9 a aplica\u00e7\u00e3o da vontade humana dinamizada \u00e0 evolu\u00e7\u00e3o r\u00e1pida das for\u00e7as vivas da natureza.<br \/>\u201d<br \/>\n<br \/>\u00c0 p\u00e1gina 91, resume ele a sua teoriza\u00e7\u00e3o, ao dizer que s\u00e3o tr\u00eas as maneiras de agir sobre a natureza:<br \/>\n<br \/>1\u00aa \u2014 F\u00edsicamente, modificando a estrutura do ser ou de um ponto qualquer na natureza, pela aplica\u00e7\u00e3o exterior de for\u00e7as f\u00edsicas, que utiliza o trabalho do homem.<br \/> A agricultura, em todas as categorias, a ind\u00fastria, com todas as suas transforma\u00e7\u00f5es, entram neste quadro.<\/p>\n<p>2\u00aa \u2014 Fisiol\u00f3gica ou astralmente, modificando a estrutura de um ser, por meio da aplica\u00e7\u00e3o de certos princ\u00edpios e de certas for\u00e7as, n\u00e3o \u00e0 forma exterior, mas aos flu\u00eddos que circulam dentro do aludido ser.<br \/> A Medicina, em todos os seus ramos, \u00e9 um exemplo desse caso, e haveremos de declarar que a Magia (ele a escreve com letra mai\u00fascula, embora escreva Espiritismo com letra min\u00fascula) admite a possibilidade de influir sobre os flu\u00eddos astrais que atuam na natureza e sobre os que atuam nos homens.<\/p>\n<p>3\u00aa \u2014 Psiquicamente, atuando diretamente, n\u00e3o sobre os flu\u00eddos, mas sobre os princ\u00edpios que os p\u00f5em em movimento.<br \/>\u201d<br \/>\n<br \/>Vamos conferir:<br \/>\n<br \/>\u201cColaboradores desencarnados \u2014 escreve Andr\u00e9 Luiz (1) \u2014extraiam for\u00e7as de pessoas e coisas da sala, inclusive da Natureza em derredor, que casadas aos elementos de nossa esfera faziam da c\u00e2mara medi\u00fanica precioso e complicado laborat\u00f3rio.<br \/>\u201d (Destaques meus.<br \/>)<br \/>\n<br \/>O resto \u00e9 aplica\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica desses princ\u00edpios: se os orientamos para o bem, obteremos resultados positivos; se os dirigirmos para o mal, arcaremos com a responsabilidade correspondente.<br \/> E \u00e9 precisamente na aplica\u00e7\u00e3o que mais veementes restri\u00e7\u00f5es o Espiritismo teria a fazer \u00e0 magia, ainda que sem tocar os tenebrosos dom\u00ednios da magia negra.<\/p>\n<p>Ao cuidarem dos problemas da obsess\u00e3o, por exemplo, mesmo os adeptos mais bem informados da magia, revelam um despreparo comovedor, atribuindo a base do fen\u00f4meno \u00e0 forma\u00e7\u00e3o das chamadas larvas, que se alimentariam da \u201csubst\u00e2ncia astral\u201d emanada do \u201cimprudente que lhes deu vida\u201d.<br \/> Para a cria\u00e7\u00e3o dessas larvas, basta que se tenha medo dos ataques de \u00f3dio de outra pessoa, e segundo Papus, a pr\u00e1tica medi\u00fanica esp\u00edrita seria uma dessas causas.<\/p>\n<p>Papus oferece dois m\u00e9todos diferentes para tratamento dessas \u201cobsess\u00f5es\u201d: um de a\u00e7\u00e3o indireta, outro de a\u00e7\u00e3o direta.<\/p>\n<p>Exemplifica ambos.<br \/> Num deles, em Londres, optou pelo m\u00e9todo indireto, magnetizando uma senhora na presen\u00e7a do obsidiado.<\/p>\n<p>A mulher, em transe, via uma faixa flu\u00eddica pairando em certo recanto da resid\u00eancia da v\u00edtima.<br \/> Orientado pela descri\u00e7\u00e3o da mulher, Papus desenhou a faixa num peda\u00e7o de papel branco, \u201cconsagrado e perfumado\u201d, e prosseguiu:<br \/>\n<br \/>\u201cTerminado que foi o desenho, uma f\u00f3rmula e uma prece puseram em comunica\u00e7\u00e3o a imagem f\u00edsica com a forma astral e ent\u00e3o cortamos o desenho em v\u00e1rios peda\u00e7os, com a ajuda de uma grande e afiada l\u00e2mina de a\u00e7o.<br \/> A mulher adormecida declarou que os cortes influiram, incontinenti, na forma astral, que, igualmente, se desfez em peda\u00e7os.<br \/>\u201d<br \/>\n<br \/>E, com isto, estaria curada a \u201cobsess\u00e3o\u201d.<br \/>.<br \/>.<\/p>\n<p>O\tsegundo m\u00e9todo (direto) seria recomend\u00e1vel para \u201cos casos em que a obsess\u00e3o toma um car\u00e1ter especialmente grave\u201d.<\/p>\n<p>(1) \u201cNos Dom\u00ednios da Mediunidade\u201d, capitulo 28 \u2014 \u201cEfeitos F\u00edsicos\u201d, edi\u00e7\u00e3o FEB.<\/p>\n<p>Baseia-se no princ\u00edpio de que as larvas e os elementais \u2014 seres algo animalizados que servem aos magos \u2014 alimentam-se da subst\u00e2ncia astral de que \u00e9 muito rico o sangue.<br \/> O m\u00e9todo consiste, pois, no seguinte: toma-se uma mecha de cabelos do obsidiado, que dever\u00e3o ser incensados, consagrando-os segundo o procedimento habitual.<br \/> Em seguida, o paciente dever\u00e1 aproximar-se e diante dele se molhar\u00e1 um punhado de seus cabelos no sangue de uma pomba ou de uma cobaia, tamb\u00e9m consagrados sob a influ\u00eancia de J\u00fapiter ou de Apolo, pronunciando-se o Grande Conjuro de Salom\u00e3o.<br \/> Para isto, o oficiante dever\u00e1 vestir-se de roupas brancas.<\/p>\n<p>Em seguida, colocar o cabelo, molhado em sangue, sobre uma pequena prancha, tra\u00e7ar \u00e0 sua volta um c\u00edrculo, desenhando-o com uma mistura de carv\u00e3o e \u00edm\u00e3 pulverizado.<br \/> Escrever no interior do c\u00edrculo, nos quatro pontos cardeais, as quatro letras do tetragrama sagrado.<br \/> A seguir, com a espada m\u00e1gica (ou, na sua falta, com uma ponta de a\u00e7o comum, com cabo de madeira envernizada) investir energicamente contra os cabelos, ordenando \u00e0 larva que se dissolva.<\/p>\n<p>Segundo o autor, o processo raramente falha, pelo menos depois de repetido tr\u00eas vezes, de sete em sete dias.<\/p>\n<p>A reprodu\u00e7\u00e3o destes m\u00e9todos n\u00e3o tem por objeto aqui ridicularizar o procedimento daqueles que os praticam, pois como seres humanos, e irm\u00e3os nossos, merecem respeito e considera\u00e7\u00e3o; limitamo-nos a exp\u00f4-los.<br \/> Aqueles que lidam com graves problemas obsessivos, sabem muito bem que pouca diferen\u00e7a existe entre esse procedimento e o recurso igualmente in\u00f3cuo do exorcismo eclesi\u00e1stico.<br \/> Num ou noutro caso, podem, no entanto, produzir resultados positivos, inteiramente aleat\u00f3rios, seja porque o Esp\u00edrito obsessor ficou algo impressionado com as complexidades do ritual, ou porque resolveu, \u201csponte sua\u201d, abandonar sua v\u00edtima; mas \u00e9 raro que um obsessor ferrenho e tenaz desista definitivamente da luta, apenas porque algu\u00e9m o amea\u00e7ou com uma espada.<\/p>\n<p>Por exemplos como estes, podemos admitir que os verdadeiros segredos da magia perderam-se h\u00e1 muito.<br \/> Restaram apenas fragmentos de uma t\u00e9cnica que, em tempos idos, foi manipulada com habilidade e compet\u00eancia.<br \/> Os magos caldeus, persas e eg\u00edpcios n\u00e3o ignoravam fen\u00f4menos elementares como os da obsess\u00e3o, a ponto de tentarem cur\u00e1-la com pr\u00e1ticas t\u00e3o ing\u00eanuas.<br \/> Seus recursos e conhecimentos eram muito mais amplos e profundos.<br \/> Mas, se essa t\u00e9cnica perdeu-se para os encarnados \u2014 pelo menos para os que t\u00eam escrito os tratados mais conhecidos de magia \u2014, ela se preservou para os Esp\u00edritos desencarnados, antigos magos que levaram para a vida p\u00f3stuma os conhecimentos especializados.<\/p>\n<p>A prop\u00f3sito, parece ainda oportuno reproduzir uma das normas coligidas por Papus:<br \/>\n<br \/>\u201cTratai de n\u00e3o vos servir jamais desta arte contra vosso pr\u00f3ximo, a n\u00e3o ser para uma vingan\u00e7a justa.<br \/> Mesmo assim, por\u00e9m, aconselho-vos que \u00e9 melhor imitar a Deus, que perdoa, e que vos tem perdoado a v\u00f3s mesmos.<br \/> E n\u00e3o h\u00e1 ocasi\u00e3o mais merit\u00f3ria do que a de perdoar.<br \/>\u201d<br \/>\n<br \/>A despeito do apelo ao perd\u00e3o, quem achar\u00e1 que sua vingan\u00e7a \u00e9 injusta? Buscando novamente Andr\u00e9 Luiz, encontramos em \u201cNos Dom\u00ednios da Mediunidade\u201d esta observa\u00e7\u00e3o preciosa de Aulus:<br \/>\n<br \/>\u2014 \u201cAbstenhamo-nos de julgar.<br \/> Consoante a li\u00e7\u00e3o do Mestre que hoje abra\u00e7amos, o amor deve ser nossa \u00fanica atitude para com os advers\u00e1rios.<br \/> A vingan\u00e7a, An\u00e9sia, \u00e9 a alma da magia negra.<br \/> Mal por mal, significa o eclipse absoluto da raz\u00e3o.<br \/> E, sob o imp\u00e9rio da sombra, que poderemos aguardar sen\u00e3o a cegueira e a morte?\u201d<br \/>\n<br \/>Outro autor bastante conceituado entre os entendidos \u00e9 Eliphas Levi.<br \/> O Dr.<br \/> G\u00e9rard Encausse tem-no em elevada conta e, por v\u00e1rias vezes, em suas obras, refere-se a ele com respeito e admira\u00e7\u00e3o.<br \/> Eliphas Levi tamb\u00e9m viveu no s\u00e9culo 19 e sua obra \u201cDogma e Ritual da Alta Magia\u201d (1), por exemplo, foi escrita em 1855, quando o Espiritismo estava ainda na fase preliminar das mesas girantes.<br \/> Embora sem declarar-se cat\u00f3lico, Levi acata os principais dogmas ortodoxos: a divindade de Jesus, a Trindade, a exist\u00eancia do c\u00e9u e do inferno.<br \/> A despeito disso, n\u00e3o se furta a algumas criticas veementes, como esta, por exemplo:<br \/>\n<br \/>\u201cA Igreja ignora a magia, porque deve ignor\u00e1-la ou perecer, como n\u00f3s o provaremos mais tarde; ela nem ao menos reconhece que seu misterioso fundador foi saudado no seu ber\u00e7o por tr\u00eas magos, isto \u00e9, pelos embaixadores hier\u00e1ticos das tr\u00eas partes do mundo conhecido, e dos tr\u00eas mundos anal\u00f3gicos da filosofia oculta.<br \/>\u201d<br \/>\n<br \/>A obra de Papus \u00e9 bem mais did\u00e1tica e ordenada do que a de Levi, mas os princ\u00edpios fundamentais identificam-se em v\u00e1rios<\/p>\n<p>(1)\tEditora Pensamento, S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>pontos importantes e ambos consideram o mago como o verdadeiro conhecedor e o feiticeiro como simples imitador.<br \/> Papus usa uma imagem, dizendo que o mago \u00e9 o engenheiro da magia, enquanto o feiticeiro \u00e9 simples obreiro.<\/p>\n<p>\u201cH\u00e1 uma verdadeira e uma falsa ci\u00eancia \u2014 escreve Levi \u2014; uma magia divina e uma magia infernal, isto \u00e9, mentirosa e tenebrosa; temos de revelar uma e desvendar outra; temos de distinguir o mago, do feiticeiro; e o adepto, do charlat\u00e3o.<br \/>\u201d<br \/>\n<br \/>O estilo de Levi, como, ali\u00e1s, o de Papus, tamb\u00e9m, \u00e9 algo pomposo, \u00e0s vezes obscuro e nem sempre muito coerente.<br \/> Ambos concordam, por\u00e9m, em que o conceito fundamental da magia est\u00e1 na movimenta\u00e7\u00e3o, em proveito pr\u00f3prio, dos segredos e for\u00e7as da natureza.<\/p>\n<p>Levi defende a tese de que a resist\u00eancia, num sentido, \u00e9 indispens\u00e1vel para que a for\u00e7a aplicada, em sentido contr\u00e1rio, se robuste\u00e7a e a ven\u00e7a.<br \/> Seus dogmas n\u00e3o s\u00e3o menos surpreendentes, como este, por exemplo:<br \/>\n<br \/>\u201cAssim, para o s\u00e1bio, imaginar \u00e9 ver; como, para o mago, falar \u00e9 criar.<br \/> Aquele que deseja possuir, n\u00e3o deve dar-se.<br \/> S\u00f3 pode dispor do amor dos outros aquele que \u00e9 dono do seu, ou seja, n\u00e3o o entrega a ningu\u00e9m.<br \/>\u201d<br \/>\n<br \/>Quanto ao fen\u00f4meno das mesas girantes, diz ele, \u201coutra coisa n\u00e3o s\u00e3o sen\u00e3o correntes magn\u00e9ticas que come\u00e7am a formar-se, e solicita\u00e7\u00f5es da natureza que nos convida, para a salva\u00e7\u00e3o da humanidade, a reconstituir as grandes cadeias simp\u00e1ticas e religiosas\u201d.<br \/> Por isso, atribui \u201ctodos os fatos estranhos do movimento das mesas ao agente magn\u00e9tico universal, que procura uma cadeia de entusiasmo para formar novas correntes\u201d.<br \/> Os golpes, \u201craps\u201d e os instrumentos que tocam, aparentemente sozinhos, \u201cs\u00e3o ilus\u00f5es produzidas pelas mesmas causas\u201d.<\/p>\n<p>Sua descri\u00e7\u00e3o da evoca\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito de Apol\u00f4nio de Tiana, em Londres, \u00e9 de uma riqueza impressionante de min\u00facias e come\u00e7a com um sabor de romance de capa e espada, quando ele recebe, dentro de um envelope, no hotel, um cart\u00e3o cortado transversalmente, com este recado:<br \/>\n<br \/>\u201cAmanh\u00e3, \u00e0s tr\u00eas horas, diante da abadia de Westminster, vos ser\u00e1 apresentada a outra metade deste cart\u00e3o.<br \/>\u201d<br \/>\n<br \/>Era uma senhora, e colocou \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o dele, ap\u00f3s os juramentos devidos, arsenal completo, com toda a instrumenta\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria a uma evoca\u00e7\u00e3o.<br \/> Ao cabo de complicad\u00edssimo ritual, um Esp\u00edrito manifestou-se, realmente:<br \/>\n<br \/>\u2014 \u201cChamei tr\u00eas vezes Apol\u00f4nio, fechando os olhos; e, quando os abri, um homem estava diante de mim, envolto inteiramente por uma esp\u00e9cie de len\u00e7ol, que me pareceu ser mais cinzento do que branco; a sua forma era magra, triste e sem barba, o que n\u00e3o combinava exatamente com a id\u00e9ia que primeiro tinha de Apol\u00f4nio.<br \/> Experimentei uma sensa\u00e7\u00e3o extraordin\u00e1ria de frio, e quando abri a boca para interrogar o fantasma, me foi imposs\u00edvel articular um som.<br \/> Pus, ent\u00e3o, a m\u00e3o sobre o signo do pentagrama, e dirigi para ele a ponta da espada, ordenando-lhe mentalmente, por este signo, a n\u00e3o me amedrontar e a obedecer-me.<br \/> Ent\u00e3o, a forma ficou mais confusa e ele desapareceu imediatamente.<br \/> Ordenei-lhe que voltasse: ent\u00e3o senti passar, junto a mim, como que um sopro, e, alguma coisa tendo-me tocado na m\u00e3o que segurava a espada, tive imediatamente o bra\u00e7o adormecido at\u00e9 os ombros.<br \/> Julguei entender que esta espada ofendia o Esp\u00edrito, e a plantei, pela ponta, no circulo junto a mim.<br \/> A figura humana reapareceu logo; mas senti t\u00e3o grande fraqueza nos meus ombros e um repentino desfalecimento apoderar-se de mim, que dei dois passos para me assentar.<br \/> Desde que fiquei assentado, ca\u00ed num adormecimento profundo e acompanhado de sonhos, de que me restou, quando voltei a mim, somente uma lembran\u00e7a confusa e vaga.<br \/>\u201d (Destaques meus.<br \/>)<br \/>\n<br \/>Assim foi realizada a evoca\u00e7\u00e3o que, sem nenhum ritual complicado, sem subst\u00e2ncias, c\u00edrculos, espadas e vestimentas especiais, e sem evoca\u00e7\u00e3o, realiza-se, a cada instante, em incont\u00e1veis sess\u00f5es medi\u00fanicas.<\/p>\n<p>Quanto \u00e0 magia negra, apresenta o autor o que chama de revela\u00e7\u00e3o nova e que consiste no seguinte:<br \/>\n<br \/>\u201cO diabo, em magia negra, \u00e9 o grande agente m\u00e1gico empregado para o mal por uma vontade perversa.<br \/>\u201d<br \/>\n<br \/>Tamb\u00e9m o enfeiti\u00e7amento est\u00e1 dentro dessa linha de racioc\u00ednios.<\/p>\n<p>\u201cO instrumento do enfeiti\u00e7amento n\u00e3o \u00e9 outro sen\u00e3o o pr\u00f3prio grande agente, que, sob a influ\u00eancia de uma vontade m\u00e1, se torna, ent\u00e3o, real e positivamente o dem\u00f4nio.<br \/>\u201d<br \/>\n<br \/>\u00c0s vezes, no entanto, deixa entrever que o dom\u00ednio que muitos buscam exercer sobre o semelhante n\u00e3o est\u00e1 tanto nos ritos e nas pr\u00e1ticas, mas na pr\u00f3pria psicologia humana:<\/p>\n<p>\u201cAcariciar as fraquezas de uma individualidade \u00e9 apoderar-se dela e fazer dela um instrumento, na ordem dos mesmos erros e das mesmas deprava\u00e7\u00f5es.<br \/>\u201d<br \/>\n<br \/>Ou ent\u00e3o:<br \/>\n<br \/>\u201cTodos n\u00f3s temos um defeito dominante, que \u00e9, para nossa alma, como que o umbigo do seu nascimento pecador, e \u00e9 por ele que o inimigo sempre nos pode pegar; a vaidade, para uns, e pregui\u00e7a para outros, o ego\u00edsmo para o maior n\u00famero.<br \/> Que um esp\u00edrito h\u00e1bil e mau se apodere desta mola, e estais perdidos.<br \/>\u201d<br \/>\n<br \/>De outras vezes, percebemos, de relance, por que tanto se empenham em conquistar a insensibilidade os Esp\u00edritos encarnados e desencarnados que fazem do dom\u00ednio sobre o semelhante a meta de suas vidas:<br \/>\n<br \/>\u201cS\u00f3 o adepto de cora\u00e7\u00e3o sem paix\u00e3o \u2014 escreve Levi \u2014 dispor\u00e1 do amor ou \u00f3dio daqueles que quiser fazer de instrumento da sua ci\u00eancia.<br \/>\u201d<br \/>\n<br \/>\u201cO magista \u2014 prossegue adiante \u2014 deve, pois, ser impass\u00edvel, s\u00f3brio e casto, desinteressado, impenetr\u00e1vel e inacess\u00edvel a toda esp\u00e9cie de preconceitos ou terror.<br \/> Deve ser sem defeitos corporais e estar \u00e0 prova de todas as contradi\u00e7\u00f5es e de todos os sofrimentos.<br \/> A primeira e mais importante das obras m\u00e1gicas \u00e9chegar a esta rara superioridade.<br \/>\u201d<br \/>\n<br \/>Em suma, ele tem que aprender a querer, para poder impor a sua vontade.<br \/> A instrumenta\u00e7\u00e3o \u00e9 secund\u00e1ria, quando uma vontade firme e din\u00e2mica sustenta os seus interesses.<br \/> \u00c9 preciso crer que se pode, e esta f\u00e9 deve traduzir-se imediatamente em atos.<\/p>\n<p>Vejam este outro conselho:<br \/>\n<br \/>\u201cTer o maior respeito por si mesmo e considerar-se como um soberano desconhecido, que assim faz para reconquistar a sua coroa.<br \/>\u201d<br \/>\n<br \/>Por causa desse e de outros princ\u00edpios e no\u00e7\u00f5es, n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil lidar com os magos desencarnados.<br \/> N\u00e3o exatamente por causa dos danos que possam causar-nos.<br \/> Se estamos num grupo medi\u00fanico bem constitu\u00eddo e harmonizado, nada conseguir\u00e3o contra n\u00f3s.<br \/> Nada sofreremos em raz\u00e3o do pr\u00f3prio trabalho de desobsess\u00e3o, o que seria injusto, mas \u00e9 claro que, como seres imperfeitos que somos, temos abertas as brechas das nossas pr\u00f3prias imperfei\u00e7\u00f5es.<br \/> Como nos disse um amigo espiritual, certa vez, sofreremos, no decorrer do trabalho de desobsess\u00e3o, apenas aquilo que estiver autorizado pela nossa ficha c\u00e1rmica.<br \/> \u00cb claro, pois, que os trabalhadores das sombras empenhar\u00e3o o melhor de seus esfor\u00e7os no levantamento de nossas fichas, ou seja, de nossa vida pregressa, estudando-nos sob todos os \u00e2ngulos, vigiando-nos, a fim de surpreenderem-nos no momento em que mostramos onde a nossa cerca est\u00e1 arrombada.<br \/>.<br \/>.<br \/> Entrar\u00e3o em a\u00e7\u00e3o imediatamente.<br \/> Est\u00e3o convictos de que poder\u00e3o atingir-nos; \u00e9 s\u00f3 quest\u00e3o de tempo e oportunidade, pensam eles, e, como dizia Levi, \u201cpara poder \u00e9 preciso crer que se pode e esta f\u00e9 deve traduzir-se imediatamente em atos\u201d.<\/p>\n<p>Estejamos vigilantes, por\u00e9m tranq\u00fcilos e guardados na paz do Cristo.<br \/> Se o nosso trabalho \u00e9 de Deus, sigamos em frente, serenos, confiantes, destemidos.<br \/> Estejamos preparados, por\u00e9m, para enfrentar os companheiros desarmonizados.<br \/> Aqueles que por longos s\u00e9culos v\u00eam praticando a magia, est\u00e3o habituados a vencer pela vontade disciplinada \u2014 que aprenderam a dominar \u2014 todos os obst\u00e1culos.<br \/> N\u00e3o nos impressionemos, por\u00e9m, com os seus rituais, seus gestos, seus talism\u00e3s, suas evoca\u00e7\u00f5es, suas palavras misteriosas e secretas.<\/p>\n<p>Temos que atuar n\u00e3o sobre esses sinais exteriores dos seus cultos, mas sobre os seus Esp\u00edritos atormentados, embora aparentemente seg\u00fcros e frios.<br \/> Toda aquela serenidade aparente desmorona, quando conseguimos convenc\u00ea-los de seus tr\u00e1gicos enganos.<br \/> Estejamos prontos para ajud\u00e1-los, pois este \u00e9 o momento mais grave, mais s\u00e9rio, mais profundamente humano de suas vidas: quando entrev\u00eaem uma r\u00e9stia de luz a iluminar-lhes o pr\u00f3prio cora\u00e7\u00e3o, os escombros dos antigos sonhos, os fantasmas que trazem no \u00edntimo, os desenganos, os remorsos, as ang\u00fastias, o desespero.<br \/> \u00c9 preciso trat\u00e1-los com carinho, com humildade e singela compreens\u00e3o, porque a dor do despertamento \u00e9, quase sempre, esmagadora.<br \/> Quem a presenciou pode fazer id\u00e9ia, porque senti-la, em toda a sua profundidade, somente aquele que a experimentou.<\/p>\n<p>Lembremo-nos de que os Esp\u00edritos que na Terra estiveram envolvidos nas pr\u00e1ticas m\u00e1gicas n\u00e3o desapareceram, nem se perdeu o conhecimento dos mecanismos de certas leis do magnetismo, da hipnose, da manipula\u00e7\u00e3o de drogas e flu\u00eddos, de for\u00e7as naturais e de toda a parafern\u00e1lia que lhes proporcionava poderes secretos e misteriosos, mas muito reais.<\/p>\n<p>Com os esclarecimentos contidos hoje na Doutrina Esp\u00edrita, estamos em condi\u00e7\u00f5es de entender muitos desses segredos e mist\u00e9rios, pois, no fundo, o mago sempre foi um m\u00e9dium, assistido por companheiros desencarnados, com os quais se afina bem, no interesse de ambos.<br \/> Os Esp\u00edritos vivem em grupos, ligados por interesses comuns, e revezam-se na carne e no al\u00e9m, apoiando-se mutuamente, alguns empenhados em finalidades nobres, construtivas e reparadoras, e outros envolvidos, s\u00e9culo ap\u00f3s s\u00e9culo, em lament\u00e1veis e tenebrosas pr\u00e1ticas de domina\u00e7\u00e3o e vingan\u00e7a, tortura, persegui\u00e7\u00e3o, infligindo sofrimentos atrozes aos infelizes que lhes caem sob o poder maligno e infeliz.<\/p>\n<p>O conceito de Sir James Frazer, de que a magia baseia-se na simpatia, \u00e9 v\u00e1lido.<br \/> Em Espiritismo, dir\u00edamos que se trata de sintonia vibrat\u00f3ria.<br \/> N\u00e3o que a magia tenha poderes por si mesma, pois ela n\u00e3o encontra resson\u00e2ncia e, por conseguinte, n\u00e3o alcan\u00e7a \u00eaxito junto \u00e0queles que j\u00e1 se redimiram, ou que, pelo menos, acham-se defendidos pela prece, pela vigil\u00e2ncia e pela pr\u00e1tica da caridade, no servi\u00e7o ao pr\u00f3ximo.<\/p>\n<p>*<\/p>\n<p>Por mais de uma vez temos tido experi\u00eancias com processos de magia, em trabalhos de esclarecimento medi\u00fanico.<br \/> Magos do passado, que continuando no Al\u00e9m seus estudos e pr\u00e1ticas, comparecem, excepcionalmente, aos trabalhos de desobsess\u00e3o nos quais se acham envolvidos, pois n\u00e3o gostam de descobrir-se.<br \/> Entre eles encontramos at\u00e9 ex-sacerdotes cat\u00f3licos que, em tempos idos, praticaram a magia e, revertidos ao mundo espiritual, retomaram suas experi\u00eancias.<\/p>\n<p>\u00c0 vis\u00e3o espiritual de nossos m\u00e9diuns apresentavam-se com as vestimentas e os simbolos de sua prefer\u00eancia, ou portando \u201cobjetos\u201d, po\u00e7\u00f5es, signos, velas, subst\u00e2ncias e at\u00e9 acompanhados de ac\u00f3litos, para servi-los.<\/p>\n<p>Um deles trouxe-nos \u2014 certamente para intimidar-nos \u2014 um pobre ser espiritual inteiramente dominado, reduzido a uma deplor\u00e1vel Condi\u00e7\u00e3o subumana de pavor e deforma\u00e7\u00e3o perispiritual.<br \/> Nosso m\u00e9dium viu-o atirar esse pobre esp\u00edrito, de rastros, num c\u00edrculo magn\u00e9tico infernal, do qual a infeliz v\u00edtima n\u00e3o podia livrar-se, por mais que se debatesse.<br \/> Era um exemplo para n\u00f3s, a fim de que deix\u00e1ssemos de interferir em sua atividade, disse ele.<\/p>\n<p>Outro veio tra\u00e7ar signos e fazer invoca\u00e7\u00f5es contra um de n\u00f3s, especificamente.<br \/> Tinha recebido uma solicita\u00e7\u00e3o, selada com sangue, num terreiro.<br \/> N\u00e3o podia deixar de atender ao \u201cirm\u00e3o de sangue\u201d.<br \/> Depois de seu ritual, cumprido \u00e0 nossa vista, declarou que sua v\u00edtima \u201cestava amarrada\u201d, e partiu.<\/p>\n<p>Mais tarde manifestou-se outro de sua equipe \u2014 ou seria ele mesmo? \u2014 com a proposta de \u201cdesfazer\u201d o trabalho.<br \/> E repetia, incessantemente:<br \/>\n<br \/>\u2014\tQuer que vire, eu viro.<br \/> -.<br \/> Quer que vire, eu viro.<br \/>.<br \/>.<\/p>\n<p>N\u00e3o; n\u00e3o quer\u00edamos que ele virasse, com o que ele ficou muito desapontado, pois obviamente teria sido muito mais f\u00e1cil, para ele, alcan\u00e7ar seus objetivos ocultos e lament\u00e1veis, se aquele a quem ele visava propusesse um \u201cpacto\u201d, que entregaria a ele sua v\u00edtima, de p\u00e9s e m\u00e3os atados, pronta para o \u201cservi\u00e7o\u201d.<br \/> Vendo-se recusado, passou para outro m\u00e9dium, no mesmo grupo, e apresentou-se agora com outro nome, embora reclamando que seu \u201ccavalo\u201d n\u00e3o prestava, porque n\u00e3o o obedecia.<br \/> Tinha diante de si um prato de sangue, com o qual pretendia alcan\u00e7ar-nos.<\/p>\n<p>De outra vez, um desses visitantes sinistros deixou sobre a mesa, segundo relato de um de nossos videntes, pequenas caveiras com as \u00f3rbitas iluminadas por uma ba\u00e7a luz vermelha.<br \/> Uma para cada um de n\u00f3s.<\/p>\n<p>Acontece, por\u00e9m, que, empenhado em trabalhos redentores, o grupo disp\u00f5e de prote\u00e7\u00e3o e ajuda de companheiros redimidos, tamb\u00e9m antigos magos, profundos conhecedores desses trabalhos, sempre presentes para contraporem seus conhecimentos e recursos \u00e0s desesperadas tentativas desses irm\u00e3os, agarrados ainda ao lado escuro da vida, tentando dominar pelo terror.<br \/> Um desses companheiros infelizes confessou que via ao nosso lado quem, melhor do que ele, conhecia os segredos de sua arte e a neutralizava.<br \/> Mais do que isso: por processos que n\u00e3o se revelaram aos nossos sentidos, o mago foi completamente desarmado em suas t\u00e1ticas, t\u00e3o cuidadosamente planejadas.<br \/> Nosso m\u00e9dium viu apenas que, em torno dele, colocaram sete l\u00e2mpadas, ou lanternas, de cores diferentes.<\/p>\n<p>Um caso marcou \u00e9poca, pela sua extraordin\u00e1ria sofistica\u00e7\u00e3o.<br \/> O mago era realmente profundo conhecedor de sua arte e engendrou um mecanismo magn\u00e9tico, atrav\u00e9s do qual mantinha, subjugadas aos seus prop\u00f3sitos, as mentes de quatro seres encarnados.<\/p>\n<p>Em suma, a magia \u00e9 mais comum do que desejar\u00edamos admitir, e oferece riscos realmente s\u00e9rios, contra os quais os grupos medi\u00fanicos t\u00eam que estar muito bem preparados e assistidos.<br \/> \u00c9 claro que ela age apenas quando e onde encontra as necess\u00e1rias brechas e o condicionamento da culpa, da falta, do erro, que nos sintoniza com o mal e nos exp\u00f5e \u00e0 aproxima\u00e7\u00e3o dos implac\u00e1veis cobradores das trevas.<\/p>\n<p>Os magos desencarnados s\u00e3o, as mais das vezes, inteligentes, experimentados e conhecedores profundos das mazelas e fraquez\u00e0s humanas, pois vivem disso, nas suas pr\u00e1ticas funestas.<br \/> N\u00e3o se det\u00eam diante de nenhum escr\u00fapulo, n\u00e3o temem repres\u00e1lias, s\u00e3o pouco acess\u00edveis \u00e0 doutrina\u00e7\u00e3o, ao apelo do amor e do perd\u00e3o.<br \/> Sabem, como todo Esp\u00edrito envolvido nas sombras das suas paix\u00f5es inferiores, que somente estar\u00e3o protegidos da dor enquanto mantiverem em torno de si mesmos aquele clima de terror.<br \/> Atacam para nao serem atacados, oprimem para n\u00e3o serem oprimidos, espalham a dor para fugirem \u00e0s suas pr\u00f3prias.<br \/> Sabem muito bem que no dia em que \u201cfraquejarem\u201d, ou seja, aceitarem a realidade maior, que muito bem conhecem, chegar\u00e1 o duro momento da verdade e come\u00e7ar\u00e1 a longa escalada de volta.<br \/> E quem desceu semeando sofrimentos, s\u00f3 pode contar com sofrimentos durante a subida.<br \/> N\u00e3o h\u00e1 outro caminho.<br \/> Por isso s\u00e3o implac\u00e1veis e, por -isso, demoram-se no erro que, paradoxalmente, os compromete cada vez mais.<br \/> Est\u00e3o perfeitamente conscientes, no entanto, de que um dia \u2014 n\u00e3o importa quando \u2014 ter\u00e3o fatalmente que enfrentar a realidade de si mesmos, pois o mal n\u00e3o \u00e9 eterno.<\/p>\n<p>Enquanto isso, utilizam-se da vontade bem treinada, para movimentar, em seu proveito, as for\u00e7as da Natureza.<\/p>\n<div class=\"pvc_clear\"><\/div>\n<p id=\"pvc_stats_19231\" class=\"pvc_stats all  \" data-element-id=\"19231\" style=\"\"><i class=\"pvc-stats-icon medium\" aria-hidden=\"true\"><svg aria-hidden=\"true\" focusable=\"false\" data-prefix=\"far\" data-icon=\"chart-bar\" role=\"img\" xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\" viewBox=\"0 0 512 512\" class=\"svg-inline--fa fa-chart-bar fa-w-16 fa-2x\"><path fill=\"currentColor\" d=\"M396.8 352h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8V108.8c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v230.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8zm-192 0h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8V140.8c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v198.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8zm96 0h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8V204.8c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v134.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 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Com freq\u00fc\u00eancia, ter\u00e3o oportunidade de observar tentativas de envolvimento do grupo e de seus componentes, ou de pessoas que dele se socorrem, promovidas por antigos magos e feiticeiros que, no mundo&hellip; <br \/> <a class=\"read-more\" href=\"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/artigo19231\/\">Leia mais<\/a><\/p>\n<div class=\"pvc_clear\"><\/div>\n<p id=\"pvc_stats_19231\" class=\"pvc_stats all  \" data-element-id=\"19231\" style=\"\"><i class=\"pvc-stats-icon medium\" aria-hidden=\"true\"><svg aria-hidden=\"true\" focusable=\"false\" data-prefix=\"far\" data-icon=\"chart-bar\" role=\"img\" xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\" viewBox=\"0 0 512 512\" class=\"svg-inline--fa fa-chart-bar fa-w-16 fa-2x\"><path fill=\"currentColor\" d=\"M396.8 352h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8V108.8c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v230.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8zm-192 0h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8V140.8c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v198.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8zm96 0h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8V204.8c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v134.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8zM496 400H48V80c0-8.84-7.16-16-16-16H16C7.16 64 0 71.16 0 80v336c0 17.67 14.33 32 32 32h464c8.84 0 16-7.16 16-16v-16c0-8.84-7.16-16-16-16zm-387.2-48h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8v-70.4c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v70.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8z\" class=\"\"><\/path><\/svg><\/i> <img decoding=\"async\" width=\"16\" height=\"16\" alt=\"Loading\" data-src=\"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/wp-content\/plugins\/page-views-count\/ajax-loader-2x.gif\" border=0 src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" class=\"lazyload\" style=\"--smush-placeholder-width: 16px; --smush-placeholder-aspect-ratio: 16\/16;\" \/><\/p>\n<div class=\"pvc_clear\"><\/div>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"Closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[16],"tags":[],"class_list":["post-19231","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-mensagens-diversas"],"a3_pvc":{"activated":true,"total_views":820,"today_views":0},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19231","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=19231"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19231\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=19231"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=19231"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=19231"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}