{"id":19262,"date":"2023-01-13T10:12:00","date_gmt":"2023-01-13T10:12:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2023-01-13T10:12:00","modified_gmt":"2023-01-13T10:12:00","slug":"artigo19262","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/artigo19262\/","title":{"rendered":"24 O PROBLEMA &#8211; DI\u00c1LOGO COM AS SOMBRAS HERM\u00cdNIO C. MIRANDA"},"content":{"rendered":"<p>O\tser humano, encarnado ou desencarnado, vive no clima da emo\u00e7\u00e3o, pressionado ou sustentado por ela, levado por ela \u00e0s furnas mais profundas da dor e da revolta, ou al\u00e7ado aos p\u00edncaros da felicidade e da paz.<br \/> Ela nos afeta, mesmo quando, ocasionalmente, parece n\u00e3o existir em n\u00f3s.<br \/> \u00c9 oportuno lembrar que emo\u00e7\u00e3o, etimologicamente, quer dizer ato de deslocar, ou seja, mover.<br \/> Arrastado pela emo\u00e7\u00e3o, o Esp\u00edrito se desloca, num sentido ou noutro, caminhando para as trevas de sofrimentos inenarr\u00e1veis ou subindo para os planos superiores da realiza\u00e7\u00e3o pessoal, segundo ele se deixe dominar pelo \u00f3dio ou se entregue ao amor.<br \/> Esse deslocamento o conduz a extremos de paix\u00e3o, que o esmaga, ou a culmin\u00e2ncias de devotamento, que o santifica, e, muitas vezes, em est\u00e1gios ainda inferiores da evolu\u00e7\u00e3o, confunde-se em n\u00f3s a realidade \u00f3dio\/amor, e nos confundimos nela e com ela, porque \u00e9 comum tocarem-se os extremos.<\/p>\n<p>O trabalho de desobsess\u00e3o n\u00e3o deve ignorar essa realidade.<br \/> Freq\u00fcentemente, o processo da desobsess\u00e3o se desencadeia, de maneira paradoxal, por amor, e \u00e9 lembrando esse aspecto que conseguimos, \u00e0s vezes, ajudar os Irm\u00e3os, que se atormentam mutuamente, a colocarem um ponto final nas suas ang\u00fastias.<br \/> O que acontece \u00e9que temos em n\u00f3s todos o instinto ego\u00edsta \u2014 e quase todos os instintos s\u00e3o ego\u00edstas \u2014 de conservar a posse total do objeto de nossa prefer\u00eancia ou afei\u00e7\u00e3o: a esposa, o esposo, o filho, o dinheiro, a posi\u00e7\u00e3o social, o poder.<br \/> Suponhamos que a esposa nos traia, que o filho nos rejeite, que o dinheiro ou o poder nos sejam arrebatados.<\/p>\n<p>Passamos imediatamente a odiar os que nos privaram da posse daquilo que amamos ou valorizamos.<br \/> Com isto, percebemos que amor e \u00f3dio s\u00e3o duas faces de uma s\u00f3 realidade, luz e sombra, que em determinado ponto absorveram-se uma na outra, criando uma opressiva atmosfera de penumbra, na qual perdemos a vis\u00e3o dos caminhos e o senso da dire\u00e7\u00e3o.<br \/> Para desfazer esse clima de crep\u00fasculo, que agonia e desorienta o Esp\u00edrito, \u00e9 preciso ajud\u00e1-lo a identificar bem seus sentimentos, a fim de separ\u00e1-los.<br \/> Estejamos certos, para isso, de uma realidade indisput\u00e1vel, ainda que pouco percebida: o amor, como dizia Paulo aos Cor\u00edntios, n\u00e3o acaba nunca.<br \/> Mesmo envolvido, soterrado no rancor e na vingan\u00e7a, ele subsiste, sobrevive, renasce, est\u00e1 ali.<br \/> O \u00f3dio n\u00e3o o exclui; ao contr\u00e1rio, fixa-o ainda mais, porque em termos de relacionamento homem\/mulher, o \u00f3dio \u00e9, muitas vezes, o amor frustrado.<br \/> Odiamos aquela criatura exatamente porque parece que ela n\u00e3o quer o nosso amor, porque nos recusa, nos traiu, nos desprezou, porque a amamos.<br \/>.<br \/>.<\/p>\n<p>No momento em que conseguimos convencer o companheiro desencarnado, em crise, que ele odeia porque ainda ama, ele come\u00e7a a recuperar-se, compreendendo que essa \u00e9 uma verdade com a qual ele ainda n\u00e3o havia atinado.<br \/> Por mais estranho que pare\u00e7a, o rancor contra a amada, ou o amado, que traiu ou abandonou, \u00e9 que mant\u00e9m acesa a chamazinha da esperan\u00e7a.<br \/> Aquele que deixou de amar \u00e9 porque n\u00e3o amou bastante e, com menor dificuldade, desliga-se do objeto de sua dor.<br \/> Cedo compreende que n\u00e3o vale a pena perder seu tempo, e angustiar-se no doloroso processo de vingar-se, dado que \u2014 e isto tamb\u00e9m pode parecer contradit\u00f3rio \u2014 n\u00e3o podemos ignorar o fato de que a vingan\u00e7a imp\u00f5e, tamb\u00e9m ao vingador, penosas vibra\u00e7\u00f5es de sofrimento.<\/p>\n<p>V\u00e1rios casos assim temos encontrado na experi\u00eancia de nossos grupos.<\/p>\n<p>Um desses foi comovente.<br \/> O Esp\u00edrito manifestante era de uma mulher.<br \/> Seu antigo companheiro, ora encarnado, fazia parte de nosso grupo e ela ainda trazia em seu cora\u00e7\u00e3o um rancor que 130 anos n\u00e3o conseguiram extinguir.<br \/> Fora muito bela, inteligente, de elevada posi\u00e7\u00e3o social, e rompera com todas as conven\u00e7\u00f5es da \u00e9poca para segui-lo.<br \/> E por mais de um s\u00e9culo, recolhida ao mundo espiritual, achara que n\u00e3o valera a pena o seu sacrif\u00edcio e que ele n\u00e3o dera valor \u00e0s suas ren\u00fancias e nem as merecera.<\/p>\n<p>Foi muito dif\u00edcil o di\u00e1logo com ela.<br \/> Tudo foi tentado pelos nossos queridos amigos espirituais.<br \/> Levaram-na a um encontro com ele desdobrado pelo sono \u2014 a um local, na Europa, onde viveram momentos de intensa felicidade e enlevo.<br \/> Ajudavam, como podiam, o doutrinador, nos seus esfor\u00e7os.<br \/> Ela era muito brilhante e estava muito magoada: tinha respostas oportunas, encontrava em si mesma todas as justificativas para continuar agindo daquela maneira.<br \/> Afinal de contas, n\u00e3o pensara noutra coisa, por mais de um s\u00e9culo! Promoveram, os benfeitores espirituais, encontros com um filho que o casal tivera naquela ocasi\u00e3o e que se encontrava tamb\u00e9m no mundo espiritual, bastante pacificado e dedicado ao trabalho construtivo.<br \/> Reencontrou-se ela, tamb\u00e9m, com outra filha \u2014 esta reencarnada \u2014 \u00e0 qual se dirigia com carinho e afei\u00e7\u00e3o, atrav\u00e9s do m\u00e9dium.<br \/> Nada.<br \/> Certa vez, em lugar de lig\u00e1-la ao seu m\u00e9dium habitual, ligaram-na com o pr\u00f3prio companheiro, objeto de seus rancores, pois ele tamb\u00e9m dispunha de excelentes faculdades medi\u00fanicas.<br \/> Quando ela percebeu que falava por seu interm\u00e9dio, retirou-se prontamente, muito chocada.<br \/> De outras vezes, ele tentou dialogar com ela, mas a experi\u00eancia foi negativa, pois a sua palavra parecia exacerbar o rancor que a infelicitava.<\/p>\n<p>Esse drama durou meses, semana ap\u00f3s semana.<br \/> E ela, irredut\u00edvel.<br \/> Certa vez, sentindo que come\u00e7ava a ceder aos argumentos ou aos sentimentos de afei\u00e7\u00e3o que colhia no grupo, ela desligou-se subitamente do m\u00e9dium.<br \/> Nossos benfeitores, por doce constrangimento, trouxeram-na de volta, j\u00e1 em pranto.<br \/> Ela veio indignada, revoltada, falando entre l\u00e1grimas:<br \/>\n<br \/>\u2014 Quando vai terminar esta farsa?<br \/>\n<br \/>Pacientemente, o doutrinador lhe devolveu a pergunta com outra:<br \/>\n<br \/>\u2014 Voc\u00ea acha, minha querida, que suas l\u00e1grimas tamb\u00e9m s\u00e3o uma farsa?<br \/>\n<br \/>Estava chegando ao fim de sua longa e penosa agonia \u00cdntima.<br \/> Come\u00e7ou a ceder, \u00e0 medida em que o amor reacendia a sua chama, a princ\u00edpio timidamente, e depois, com todo o vigor antigo, mas agora purificado, expurgado da paix\u00e3o que fora a sua perda.<br \/> Acabou por reconciliar-se com o seu antigo amado.<\/p>\n<p>Esta hist\u00f3ria, t\u00e3o ver\u00eddica e dram\u00e1tica quanto a pr\u00f3pria vida, teve um final emocionante e, gra\u00e7as a esse epis\u00f3dio, vivi uma das mais belas e comovedoras emo\u00e7\u00f5es da minha experi\u00eancia no trato com os Esp\u00edritos.<\/p>\n<p>Certa noite, ela veio apenas para despedir-se.<br \/> O drama e a dor estavam encerrados.<br \/> Agora, era a retomada da trilha evolutiva, a perspectiva de novas experi\u00eancias redentoras: a querida irm\u00e3zinha preparava-se para reencarnar-se, perfeitamente reconciliada com a vida e com o amor.<br \/> Foi-nos permitido identific\u00e1-la na nova encarna\u00e7\u00e3o que se iniciava sob t\u00e3o belos ausp\u00edcios e t\u00e3o gratas alegrias para todos aqueles que a amavam.<\/p>\n<p>Renasceu.<br \/> Uma bela crian\u00e7a, em lar feliz e equilibrado.<br \/> Logo aos primeiros meses de sua nova exist\u00eancia, tive oportunidade de v\u00ea-la.<br \/> Visitava eu a fam\u00edlia, e a jovem m\u00e3e me chamou para ver a crian\u00e7a.<br \/> Entramos no quarto em que ela dormia profundamente.<br \/> A m\u00e3e acendeu a luz, sob meus protestos, pois temia que ela acordasse, mas ela continuou dormindo.<br \/> Era linda, e dormiu ainda alguns segundos.<br \/> Depois, abriu os olhinhos, contemplou-me \u2014 seu antigo doutrinador, com quem sustentou batalhas impetuosas \u2014 e me deu o pr\u00eamio inesperado de um belissimo sorriso.<br \/>.<br \/>.<br \/> Em seguida, adormeceu novamente, como um anjo que era.<br \/> Senti naquele sorriso a mensagem da paz e da gratid\u00e3o.<br \/> Seus olhinhos exprimiam felicidade e amor.<br \/> Sua express\u00e3o me dizia, na linguagem inarticulada da emo\u00e7\u00e3o:<br \/>\n<br \/>\u2014\tAh! \u00c9 voc\u00ea? Eu j\u00e1 estou aqui, amigo.<br \/>.<br \/>.<\/p>\n<p>Sem d\u00favida alguma, o amor tamb\u00e9m renascera com ela.<br \/> Seu antigo companheiro recebe dela, hoje, o amor transcendental da neta muito querida pelo av\u00f4, que mereceu tamb\u00e9m a b\u00ean\u00e7\u00e3o do reencontro e da reconcilia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>*<\/p>\n<p>       A coisa n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o f\u00e1cil quando o Esp\u00edrito desajustado persegue aquele que o fez perder a posi\u00e7\u00e3o, o poder, o dinheiro ou o amor.<br \/> Quase sempre se esquece o vingador de que ele pr\u00f3prio desencadeou o mecanismo do resgate quando, em passado esquecido, mas indel\u00e9vel, cometeu faltas id\u00eanticas contra o pr\u00f3ximo.<br \/> Na confus\u00e3o em que se envolve, o culpado de sua queda, de suas frustra\u00e7\u00f5es, n\u00e3o s\u00e3o os seus pr\u00f3prios enganos, \u00e9 aquele que ali est\u00e1, encarnado ou desencarnado.<br \/> Sua revolta e sua ang\u00fastia como que se personalizam, objetivam-se, e \u00e9 mais f\u00e1cil lutarmos e tentarmos destruir uma pessoa, que identificamos como causadora de nossa derrota, do que enfrentarmos a dura realidade de que a causa est\u00e1 em n\u00f3s mesmos e que o ser a quem perseguimos foi apenas o infeliz instrumento da lei.<br \/> Nossos erros s\u00e3o cometidos contra a lei divina; \u00e9 preciso deixar a ela o trabalho de reajuste.<br \/> Aquele que assume a posi\u00e7\u00e3o de tomar a justi\u00e7a divina em suas m\u00e3os, est\u00e1 reabrindo o ciclo da dor, em vez de fech\u00e1-lo com o perd\u00e3o.<br \/> Mais uma vez \u00e9 preciso lembrar aqui a t\u00e9cnica desobsessiva que o Cristo nos ensinou:<br \/>\n<br \/>\u201cOuvistes dizer: Amai vosso pr\u00f3ximo e odiai vosso inimigo.<br \/> Pois vos digo: Amai os vossos inimigos e rogai pelos que vos perseguem, para que sejais filhos de vosso Pai celestial, que faz brilhar o seu sol sobre os maus e sobre os bons e chover sobre os justos e os injustos.<br \/> (1)<br \/>\n<br \/>Orar por aqueles que nos perseguem n\u00e3o \u00e9 apenas um preceito evang\u00e9lico te\u00f3rico \u2014 e j\u00e1 seria muito, por certo \u2014 \u00e9 um ensinamento do mais elevado valor pr\u00e1tico, ante os companheiros com os quais nos desentendemos no passado.<br \/> O rancor que sentem por n\u00f3s sobrexiste, ou se dilui, segundo nossas pr\u00f3prias rea\u00e7\u00f5es, sempre observadas atentamente pelos nossos cobradores.<br \/> Se os odiamos tamb\u00e9m, o \u00f3dio que nos votam sustenta-se, fica estimulado, persiste, atravessa os s\u00e9culos e os mil\u00eanios.<br \/> Isto \u00e9 uma realidade terr\u00edvel, que multid\u00f5es de sofredores ignoram, lamentavelmente.<br \/> Se deixamos de odiar e passamos a orar por aquele que nos atormenta, libertamos pelo menos dois seres: a n\u00f3s e a ele, al\u00e9m de outros que possam estar comprometidos no processo.<\/p>\n<p>Nunca ser\u00e1 suficientemente enfatizada a import\u00e2ncia deste conceito, em trabalhos de desobsess\u00e3o.<br \/> Isto \u00e9 v\u00e1lido tamb\u00e9m \u2014 e como! \u2014 para a maneira pela qual recebemos nossos irm\u00e3os em desajuste e com eles dialogamos.<br \/> Deixaremos para debater esse aspecto mais adiante, quando cuidarmos das t\u00e9cnicas e recursos sugeridos para o trabalho.<br \/> Conv\u00e9m, no entanto, insistir e repetir: os Esp\u00edritos em<\/p>\n<p>(1) Mateus, 5:43-45.<br \/> A B\u00edblia de Jerusal\u00e9m esclarece, em nota de rodap\u00e9, que a express\u00e3o odiai vosso inimigo n\u00e3o se encontra no texto da lei, o que \u00e9 verdadeiro, pois n\u00e3o consta de Lev\u00edticos, 19:18, de onde foi extra\u00edda a cita\u00e7\u00e3o.<br \/> Esclarece, por\u00e9m, que a express\u00e3o era for\u00e7ada, por causa da pobreza da l\u00edngua, O vocabul\u00e1rio da \u00e9poca, ao que se depreende, n\u00e3o tinha uma express\u00e3o correta para descrever o sentimento que n\u00e3o seria nem amor, nem \u00f3dio, nem indiferen\u00e7a e, por isso, todo aquele que n\u00e3o fosse amigo, seria inimigo; tudo o que n\u00e3o pudesse ser considerado amor, era \u00f3dio.<br \/> De certa forma, essa pobreza sem\u00e1ntica perdura.<\/p>\n<p>estado de perturba\u00e7\u00e3o avaliam as nossas emo\u00e7\u00f5es e n\u00e3o as nossas palavras.<br \/> Est\u00e3o, no fundo, ansiosos de que os conven\u00e7amos de seu erro, por\u00e9m jamais reconheceriam isso.<br \/> Se no debate opusermos nossa irrita\u00e7\u00e3o \u00e0 deles, nada conseguiremos sen\u00e3o confirm\u00e1-los nos erros em que se enquistaram atrav\u00e9s do tempo, repetindo enganos e desenganos.<\/p>\n<p>Lembro-me de um exemplo, entre muitos, dessa curiosa posi\u00e7\u00e3o espiritual, O companheiro manifestou-se impetuoso e logo revelou-se indignado porque n\u00e3o conseguiu despertar em mim uma rea\u00e7\u00e3o id\u00eantica \u00e0 sua, ou seja, tamb\u00e9m de irrita\u00e7\u00e3o, para que se criasse o clima da desaven\u00e7a que pensam convir-lhes.<br \/> Como me mantinha sereno e imperturb\u00e1vel, ele se esvaziou pouco a pouco do seu \u00edmpeto e partiu, algo desapontado, mas ainda n\u00e3o convencido, talvez pensando em descobrir um m\u00e9todo qualquer de me irritar, a fim de arrastar-me para a sua faixa vibrat\u00f3ria, onde melhor poderia alcan\u00e7ar seus prop\u00f3sitos.<br \/> Na semana seguinte deu-se a coisa mais linda.<br \/> Incorporou-se ao seu m\u00e9dium, ao meu lado, olhou-me e disse, com voz emocionada, em tom e em palavras que nunca mais me esquecerei:<br \/>\n<br \/>\u2014\tN\u00e3o precisa armar-se.<br \/> Voc\u00ea j\u00e1 me ganhou.<br \/>.<br \/>.<\/p>\n<p>Uma simples frase dessas descreve um mundo de emo\u00e7\u00f5es e de decis\u00f5es que um livro n\u00e3o poderia conter.<br \/> Que me restava dizer a ele, sen\u00e3o da profunda emo\u00e7\u00e3o e gratid\u00e3o pela sua resposta ao sentimento da fraternidade?<br \/>\n<br \/>O\tdoutrinador tem que estar, pois, muito atento, para n\u00e3o deixar envolver-se pelo rancor que o Esp\u00edrito traz em si.<br \/> Um confrade, experimentado nas lides esp\u00edritas, e que acumulou, ao longo dos anos, extenso rol de casos curiosos, contou-me que um doutrinador desavisado, profundamente irritado com o desajustado Esp\u00edrito manifestante, berrou-lhe, no auge da desarmoniza\u00e7\u00e3o:<br \/>\n<br \/>\u2014\tMaterializa-te, que quero te dar uma bofetada!<\/p>\n<p>*<\/p>\n<p>      A situa\u00e7\u00e3o \u00e9 consideravelmente mais dif\u00edcil quando o doutrinador defronta-se com seu pr\u00f3prio obsessor.<br \/> Neste caso, a tarefa assume implica\u00e7\u00f5es de natureza muito pessoal, para as quais o doutrinador tem que estar preparado.<br \/> Mais adiante, estudaremos um caso destes.<br \/> Neste ponto, basta extrair da situa\u00e7\u00e3o um ensinamento<br \/>\n<br \/>extremamente precioso e que nunca deve ser esquecido: o de que o arrependimento e o remorso tamb\u00e9m devem ser construtivos.<br \/> Isto vale, tanto para o que persegue, quanto para o perseguido.<\/p>\n<p>Tentemos explicar este delicad\u00edssimo mecanismo.<\/p>\n<p>Imaginemos um Esp\u00edrito desencarnado, envolvido num tenebroso processo de obsess\u00e3o.<br \/> Ele persegue e vinga-se de algu\u00e9m implacavelmente, s\u00e9culo ap\u00f3s s\u00e9culo, num \u00f3dio que parece n\u00e3o ter fim e que nunca chega \u00e0 saciedade, pois \u00e9 da natureza do \u00f3dio jamais satisfazer-se em si mesmo.<br \/> \u00c9 certo que ele ignora, consciente ou n\u00e3o, a causa anterior que determinou o efeito da sua dor.<br \/> Digamos que ele tenha sido assassinado, por algu\u00e9m, enquanto exercia elevada posi\u00e7\u00e3o de mando, como um rei, por exemplo, ou d\u00e9spota medieval.<br \/> Toda a sua c\u00f3lera, no mundo das trevas, se concentra naquele que provocou a sua desencarna\u00e7\u00e3o.<br \/> Ele n\u00e3o quer saber que anteriormente, naquela vida ou em outra, remota ou n\u00e3o, ele mesmo praticou falta semelhante e agora recebe a visita inevit\u00e1vel da lei.<br \/> Ele s\u00f3 sabe que aquele miser\u00e1vel o matou e, portanto, merece todos os castigos e puni\u00e7\u00f5es.<br \/> Al\u00e9m do mais, ele sabe tamb\u00e9m que, ao errarmos, expomo-nos, a nosso turno, \u00e0 cobran\u00e7a, o que, na sua maneira de pensar, d\u00e1-lhe o \u201cdireito\u201d de punir e de vingar-se.<\/p>\n<p>Suponhamos, ainda, que ao cabo de uma feliz doutrina\u00e7\u00e3o, aquele severo perseguidor resolva, afinal, encerrar o processo da vingan\u00e7a.<br \/> Est\u00e1 cansado, chegou \u00e0 conclus\u00e3o de que n\u00e3o vale a pena continuar, porque um dos grandes infelizes \u00e9 ele pr\u00f3prio; ou, mais grave ainda, descobriu que, no passado, ele pr\u00f3prio cometeu faltas muito mais terr\u00edveis do que aquela que pretendeu cobrar, em nome de um Deus em que ele mesmo n\u00e3o acreditava.<br \/> Pode ele, em tais circunst\u00e2ncias, descer a abismos de autocomisera\u00e7\u00e3o e dor.<br \/> Temos tido oportunidade de presenciar arrependimentos dram\u00e1ticos, desesperados.<\/p>\n<p>\u00c9 o momento de ajud\u00e1-lo a construir algo com os salvados de sua trag\u00e9dia, mostrando-lhe que o remorso deve ser construtivo, sen\u00e3o ele, que estava parado na estrada da evolu\u00e7\u00e3o, vai continuar paralisado pelo remorso.<\/p>\n<p>De outro lado, vejamos o perseguido, ou obsidiado.<br \/> Nem sempre ele sabe por que sofre os rigores da vingan\u00e7a.<br \/> O erro vem de muito longe, e deve ser muito grave, para que ele sofra daquela maneira, mas ele desconhece as causas da sua dor e nem sequer tem oportunidade de enfrentar, num di\u00e1logo, o seu obsessor.<br \/> Como Esp\u00edrito, ele n\u00e3o o ignora; apenas o v\u00e9u do esquecimento o protege, como a todos n\u00f3s, de lembran\u00e7as extremamente dolorosas, que n\u00e3o temos condi\u00e7\u00e3o de suportar com a nossa consci\u00eancia de vig\u00edlia.<br \/> Se ele tem oportunidade, por\u00e9m, de conhecer a raz\u00e3o de sua obsess\u00e3o, e entrega-se ao remorso desenfreado, dificulta a liberta\u00e7\u00e3o de seu pr\u00f3prio Esp\u00edrito e do de seu verdugo.<br \/> Por outro lado, ele n\u00e3o pode ignorar o arrependimento, pois \u00e9 exatamente este sentimento que lhe d\u00e1 os primeiros recursos para livrar-se da dor.<br \/> Sem arrependimento, colocamo-nos em posi\u00e7\u00f5es nas quais n\u00e3o podemos sequer ser ajudados.<br \/> A situa\u00e7\u00e3o \u00e9, pois, muito complexa e delicada, porque o mesmo sentimento de remorso que o levou a merecer ajuda, pode ret\u00ea-lo \u00e0 merc\u00ea do seu perseguidor, se n\u00e3o for canalizado para fins construtivos, O remorso \u00e9, pois, uma flor bel\u00edssima, de muitos e pontiagudos espinhos.<br \/> \u00c9 preciso estud\u00e1-lo, trat\u00e1-lo com serenidade, equil\u00edbrio e humildade.<br \/> Sim, estamos arrependidos do erro cometido contra o irm\u00e3o; mas n\u00e3o podemos permitir que o nosso arrependimento alimente indefinidamente o seu rancor.<br \/> \u00c9 nisso, ali\u00e1s, que ele se esfor\u00e7a: manter a sua v\u00edtima sempre lembrada do erro, porque o arrependimento serve dupla-mente, tanto para faz\u00ea-la sofrer, como para estimular a cobran\u00e7a, que se eterniza.<\/p>\n<p>\u2014\tPaga a tua d\u00edvida! \u2014 gritou certo companheiro desarvorado.<\/p>\n<p>Mas, pagar como? Que entenderia ele por pagar a d\u00edvida? Certamente que com a dor que resgata e com o arrependimento que nos ret\u00e9m preso a ela.<br \/> \u00c9 uma situa\u00e7\u00e3o extremamente critica e delicada.<\/p>\n<p>Ainda voltaremos a este tema, que cont\u00e9m outras implica\u00e7\u00f5es e conota\u00e7\u00f5es de grande interesse para o trabalho de doutrina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<div class=\"pvc_clear\"><\/div>\n<p id=\"pvc_stats_19262\" class=\"pvc_stats all  \" data-element-id=\"19262\" style=\"\"><i class=\"pvc-stats-icon medium\" aria-hidden=\"true\"><svg aria-hidden=\"true\" focusable=\"false\" data-prefix=\"far\" data-icon=\"chart-bar\" role=\"img\" xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\" viewBox=\"0 0 512 512\" class=\"svg-inline--fa fa-chart-bar fa-w-16 fa-2x\"><path fill=\"currentColor\" d=\"M396.8 352h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8V108.8c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v230.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8zm-192 0h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8V140.8c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v198.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8zm96 0h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8V204.8c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v134.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8zM496 400H48V80c0-8.84-7.16-16-16-16H16C7.16 64 0 71.16 0 80v336c0 17.67 14.33 32 32 32h464c8.84 0 16-7.16 16-16v-16c0-8.84-7.16-16-16-16zm-387.2-48h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8v-70.4c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v70.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8z\" class=\"\"><\/path><\/svg><\/i> <img decoding=\"async\" width=\"16\" height=\"16\" alt=\"Loading\" data-src=\"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/wp-content\/plugins\/page-views-count\/ajax-loader-2x.gif\" border=0 src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" class=\"lazyload\" style=\"--smush-placeholder-width: 16px; --smush-placeholder-aspect-ratio: 16\/16;\" \/><\/p>\n<div class=\"pvc_clear\"><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O ser humano, encarnado ou desencarnado, vive no clima da emo\u00e7\u00e3o, pressionado ou sustentado por ela, levado por ela \u00e0s furnas mais profundas da dor e da revolta, ou al\u00e7ado aos p\u00edncaros da felicidade e da paz. Ela nos afeta, mesmo quando, ocasionalmente, parece n\u00e3o existir em n\u00f3s. \u00c9 oportuno lembrar que emo\u00e7\u00e3o, etimologicamente, quer&hellip; <br \/> <a class=\"read-more\" href=\"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/artigo19262\/\">Leia mais<\/a><\/p>\n<div class=\"pvc_clear\"><\/div>\n<p id=\"pvc_stats_19262\" class=\"pvc_stats all  \" data-element-id=\"19262\" style=\"\"><i class=\"pvc-stats-icon medium\" aria-hidden=\"true\"><svg aria-hidden=\"true\" focusable=\"false\" data-prefix=\"far\" data-icon=\"chart-bar\" role=\"img\" xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\" viewBox=\"0 0 512 512\" class=\"svg-inline--fa fa-chart-bar fa-w-16 fa-2x\"><path fill=\"currentColor\" d=\"M396.8 352h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8V108.8c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v230.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8zm-192 0h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8V140.8c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v198.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8zm96 0h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8V204.8c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v134.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8zM496 400H48V80c0-8.84-7.16-16-16-16H16C7.16 64 0 71.16 0 80v336c0 17.67 14.33 32 32 32h464c8.84 0 16-7.16 16-16v-16c0-8.84-7.16-16-16-16zm-387.2-48h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8v-70.4c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v70.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8z\" class=\"\"><\/path><\/svg><\/i> <img decoding=\"async\" width=\"16\" height=\"16\" alt=\"Loading\" data-src=\"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/wp-content\/plugins\/page-views-count\/ajax-loader-2x.gif\" border=0 src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" class=\"lazyload\" style=\"--smush-placeholder-width: 16px; --smush-placeholder-aspect-ratio: 16\/16;\" \/><\/p>\n<div class=\"pvc_clear\"><\/div>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"Closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[16],"tags":[],"class_list":["post-19262","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-mensagens-diversas"],"a3_pvc":{"activated":true,"total_views":318,"today_views":0},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19262","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=19262"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19262\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=19262"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=19262"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=19262"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}