{"id":19306,"date":"2023-02-17T08:12:00","date_gmt":"2023-02-17T08:12:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2023-02-17T08:12:00","modified_gmt":"2023-02-17T08:12:00","slug":"artigo19306","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/artigo19306\/","title":{"rendered":"29 T\u00c9CNICAS E RECURSOS &#8211; DI\u00c1LOGO COM AS SOMBRAS HERM\u00cdNIO C. MIRANDA"},"content":{"rendered":"<p>          Dissemos alhures, neste livro, que cada manifesta\u00e7\u00e3o \u00e9 diferente.<br \/> Nunca sabemos, ao certo, as inten\u00e7\u00f5es do Esp\u00edrito que se aproxima, que problemas nos traz, quais s\u00e3o suas caracter\u00edsticas, qual a raz\u00e3o de sua presen\u00e7a entre n\u00f3s.<br \/> Al\u00e9m do mais, a pr\u00f3pria mediunidade n\u00e3o \u00e9 um instrumento de precis\u00e3o, como um microsc\u00f3pio ou um rel\u00f3gio, que funcione, repetidamente, de maneira previs\u00edvel e control\u00e1vel.<br \/> O m\u00e9dium \u00e9 um ser humano ultra-sens\u00edvel, de psicologia complexa, incumbido de transmitir o pensamento de um desencarnado, mas est\u00e1 muito longe de ser mero aparelho mec\u00e2nico de comunica\u00e7\u00e3o, como um telefone ou um r\u00e1dio, muito embora se fale em sintonia e em vibra\u00e7\u00f5es, quando a ele nos referimos.<br \/> Suas faculdades sofrem influ\u00eancias v\u00e1rias, do ambiente, do seu estado de sa\u00fade, da sua problem\u00e1tica \u00edntima, da sua f\u00e9 ou aus\u00eancia dela, do seu interesse no trabalho, que pode flutuar, da sua capacidade de concentra\u00e7\u00e3o, da sua confian\u00e7a nos companheiros que o cercam e, especialmente, no dirigente do grupo e, obviamente, dos Esp\u00edritos manifestantes.<br \/> E mesmo estes, que s\u00e3o tamb\u00e9m seres humanos \u2014 n\u00e3o nos esque\u00e7amos disto \u2014 variam suas apresenta\u00e7\u00f5es, de uma para outra manifesta\u00e7\u00e3o, segundo suas pr\u00f3prias disposi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>          Por outro lado, \u00e9 preciso considerar, tamb\u00e9m, que h\u00e1 diferentes formas de mediunidade: de incorpora\u00e7\u00e3o, ou psicof\u00f4nica, de vid\u00eancia, clariaudi\u00eancia, psicografia, assim como h\u00e1 m\u00e9diuns que conservam sua consci\u00eancia durante a manifesta\u00e7\u00e3o, e m\u00e9diuns que passam ao que se convencionou chamar de estado \u201cinconsciente\u201d.<\/p>\n<p>          Devo abrir um par\u00eantese, para reiterar uma antiga opini\u00e3o: de minha parte, julgo inadequada a express\u00e3o \u201cmediunidade inconsciente\u201d.<br \/> O Esp\u00edrito do m\u00e9dium n\u00e3o est\u00e1 em estado de inconsci\u00eancia, simplesmente porque se afastou do seu corpo f\u00edsico, para ced\u00ea-lo ao manifestante.<br \/> O m\u00e1ximo que se pode dizer \u00e9 que a consci\u00eancia n\u00e3o est\u00e1 presente no corpo f\u00edsico, ou, melhor ainda, n\u00e3o se manifesta atrav\u00e9s do corpo material, temporariamente ocupado ou manipulado por entidade estranha \u00e0 sua economia.<br \/> Se o m\u00e9dium mergulhasse, em Esp\u00edrito, no estado de inconsci\u00eancia, o manifestante assumiria posse total do seu organismo e faria com ele o que bem entendesse.<br \/> Ao escrever isso, n\u00e3o estou esquecido do fato de que h\u00e1 manifesta\u00e7\u00f5es violentas, e muito livres, durante as quais os Esp\u00edritos incorporados movimentam o instrumento medi\u00fanico aparentemente \u00e0 sua vontade, fazendo-o gritar, dar murros, levantar-se, derrubar m\u00f3veis, rasgar livros e cadernos, e promover dist\u00farbios semelhantes.<br \/> A mediunidade sonamb\u00falica assemelha-se ao estado de possess\u00e3o; mas, basta invocar esta, para sentir o quanto essas duas manifesta\u00e7\u00f5es diferem uma da outra, O possesso \u00e9 realmente um m\u00e9dium, pois oferece condi\u00e7\u00f5es para que outro Esp\u00edrito se incorpore nele, mas o m\u00e9dium n\u00e3o \u00e9 um possesso, no sentido de que o manifestante possa fazer, com ele, tudo quanto entender, a qualquer momento e sem limite de tempo, ou totalmente sem disciplina.<br \/> Num grupo medi\u00fanico em que a supervis\u00e3o espiritual seja firme e segura, a mediunidade sonamb\u00falica pode e deve funcionar perfeitamente, pois muitos Esp\u00edritos necessitam ser ligados a tais m\u00e9diuns.<br \/> Eles provocar\u00e3o dist\u00farbios e agitar-se-\u00e3o bastante, segundo os recursos e censuras que encontrarem em seus m\u00e9diuns, mas n\u00e3o nos esque\u00e7amos de que, n\u00e3o apenas os guias espirituais do grupo estar\u00e3o atentos, para que eles n\u00e3o cometam desatinos, como o pr\u00f3prio m\u00e9dium estar\u00e1 presente e consciente, acompanhando atentamente a manifesta\u00e7\u00e3o, e pode, com certeza, interferir, para que o Esp\u00edrito manifestante n\u00e3o se ex\u00e8eda, ainda que lhe permitindo consider\u00e1vel faixa de liberdade.<\/p>\n<p>Em casos extremos os orientadores espirituais do grupo tamb\u00e9m adotar\u00e3o medidas de exce\u00e7\u00e3o, para conter as manifesta\u00e7\u00f5es mais violentas.<br \/> J\u00e1 tivemos oportunidade de presenciar alguns desses casos, em que o Esp\u00edrito \u00e9 virtualmente \u201cmanietado\u201d, por la\u00e7os flu\u00eddicos invis\u00edveis aos nossos olhos, mas de realidade indiscut\u00edvel para ele, porque o imobiliza instantaneamente.<\/p>\n<p>*<\/p>\n<p>Mas, voltemos ao fio da exposi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O grupo deve estar, assim, perfeitamente preparado para in\u00fameras formas de manifesta\u00e7\u00e3o.<br \/> Elas s\u00e3o imprevis\u00edveis e inesperadas.<br \/> O doutrinador experiente saber\u00e1 identificar prontamente os primeiros sinais da incorpora\u00e7\u00e3o, quando o Esp\u00edrito come\u00e7a a acomodar-se \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o medi\u00fanica.<br \/> \u00c9 preciso, aqui, lembrar que, freq\u00fcentemente, o Esp\u00edrito manifestante \u00e9 parcialmente ligado ao m\u00e9dium, horas, e at\u00e9 dias inteiros, antes da sess\u00e3o.<br \/> Nestes casos, quando se trata de um Esp\u00edrito desarmonizado, embora a manifesta\u00e7\u00e3o n\u00e3o se torne ostensiva, porque isto implicaria admitir mediunidade totalmente descontrolada, o m\u00e9dium sofre inevit\u00e1vel mal-estar f\u00edsico, dor de cabe\u00e7a, press\u00e3o sobre a nuca, sobre os plexos, sensa\u00e7\u00e3o de ang\u00fastia indefin\u00edvel e, at\u00e9 mesmo, estado febril, prostra\u00e7\u00e3o, irritabilidade, agressividade e v\u00e1rios outros sintomas de desarmoniza\u00e7\u00e3o psicossom\u00e1tica.<br \/> O m\u00e9dium experimentado e respons\u00e1vel deve estar preparado para isso.<br \/> N\u00e3o se assuste, n\u00e3o se apavore, n\u00e3o tema e, sobretudo, n\u00e3o deixe de comparecer ao trabalho, por causa dessas disson\u00e2ncias psicof\u00edsicas, pois \u00e9 isso mesmo que desejam os companheiros desequilibrados, ou seja, afast\u00e1-lo do trabalho.<\/p>\n<p>Esse envolvimento pode dar-se tamb\u00e9m com os demais participantes do grupo que, embora n\u00e3o dotados de mediunidade ostensiva, sofrem tamb\u00e9m terr\u00edveis press\u00f5es dos irm\u00e3os perturbados.<br \/> Um dos alvos prediletos dessas penosas aproxima\u00e7\u00f5es \u00e9 o doutrinador, tenha ou n\u00e3o mediunidade ostensiva.<br \/> O cerco em torno dele \u00e9 permanente, tenaz, implac\u00e1vel, impiedoso, porque acham, os companheiros desencarnados doentes, que o neutralizando, acabam com o grupo, o que, muitas vezes, infelizmente, \u00e9 verdadeiro.<\/p>\n<p>Esteja ou n\u00e3o esteja o Esp\u00edrito ligado ao m\u00e9dium antes da sess\u00e3o, \u00e9 certo que o planejamento espiritual j\u00e1 tem as tarefas da noite distribu\u00eddas por antecipa\u00e7\u00e3o, e na seq\u00fc\u00eancia que julgar mais conveniente ao bom andamento dos trabalhos.<br \/> Geralmente, cada m\u00e9dium tem seu pr\u00f3prio \u201cestilo\u201d, para indicar o in\u00edcio da comunica\u00e7\u00e3o: colocar as m\u00e3os sobre a mesa, respirar com maior profundidade, duas ou tr\u00eas vezes, agitar ligeiramente a cabe\u00e7a ou o corpo, gemer, levantar os bra\u00e7os, numa sematologia que o doutrinador, habituado a trabalhar com ele, saber\u00e1 identificar, a fim de iniciar o tratamento do irm\u00e3o que se apresenta.<\/p>\n<p>\u00c0s vezes, o Esp\u00edrito come\u00e7a logo a falar, ou a esbravejar, mas, usualmente, ele precisa de alguns segundos para apossar-se dos controles ps\u00edquicos do m\u00e9dium, e n\u00e3o consegue falar sen\u00e3o depois de se ter acomodado bem \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o do seu instrumento, o doutrinador deve aproveitar esses momentos para uma palavra de boas-vindas, saudando-o com aten\u00e7\u00e3o, carinho e respeito.<br \/> Em alguns casos o Esp\u00edrito somente consegue expressar-se a muito custo, em virtude de seu estado de perturba\u00e7\u00e3o, de indigna\u00e7\u00e3o, ou por estar com deforma\u00e7\u00f5es perispirituais que o inibem.<br \/> De outras vezes, usando de ardis, ou preparando ciladas, mant\u00e9m-se em sil\u00eancio, para que o doutrinador se esgote, na tentativa de descobrir suas motiva\u00e7\u00f5es, a fim de tentar ajud\u00e1-lo, com o que ele se diverte bastante.<\/p>\n<p>Em certas ocasi\u00f5es, vem ele revestido de um manto de mansid\u00e3o e tranq\u00fcila seguran\u00e7a.<br \/> Diz palavras doces, assegura-nos suas boas inten\u00e7\u00f5es, d\u00e1-nos conselhos.<br \/> Um deles, certa vez, come\u00e7ou serenamente, com um apelo \u201caos cora\u00e7\u00f5es bem formados\u201d, numa linguagem de pacifica\u00e7\u00e3o e entendimento.<br \/> Digo-lhe que estamos dispostos \u00e0 pacifica\u00e7\u00e3o e ao entendimento, desde que ele venha em nome de Deus; mas, por mais que se esforce \u2014 coisa estranha! \u2014 n\u00e3o consegue pronunciar o nome de Deus, como eu lhe pedira.<br \/> Por fim, explode em irrita\u00e7\u00e3o e \u201cabre o jogo\u201d, gritando que acabou a farsa.<br \/> E derrama um arsenal de amea\u00e7as e intimida\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>H\u00e1 os que fingem dores que n\u00e3o sentem, ou mutila\u00e7\u00f5es que n\u00e3o possuem, como cegueira ou falta da l\u00edngua.<br \/> Visam, com esses artif\u00edcios, a distrair nossa aten\u00e7\u00e3o do ponto focal de sua problem\u00e1tica, ou simplesmente entregam-se ao prazer irrespons\u00e1vel de enganar, mistificar, defraudar, ou ent\u00e3o, como alguns me dizem, \u00e0s vezes, de esgotar o m\u00e9dium incumbido de dar-lhes passes.<br \/> Riem-se muito dos nossos enganos.<br \/> Houve um que come\u00e7ou fingindo uma terr\u00edvel dor de cabe\u00e7a.<br \/> Propus-me a ajud\u00e1-lo, o que fiz com um passe, e ele come\u00e7ou a rir, divertindo-se com a minha falta de inspira\u00e7\u00e3o; mas, por estranho que pare\u00e7a, come\u00e7ou realmente a sentir uma dor real, o que o deixou bastante impressionado.<\/p>\n<p>Qualquer que seja a abertura da comunica\u00e7\u00e3o, o doutrinador deve esperar, com paci\u00eancia, depois de receber o companheiro com uma sauda\u00e7\u00e3o sinceramente cort\u00eas e respeitosa.<br \/> Seja quem for que compare\u00e7a diante de n\u00f3s, \u00e9 um Esp\u00edrito desajustado, que precisa de socorro.<br \/> Alguns bem mais desarmonizados do que outros, mas todos necessitados \u2014 e desejosos \u2014 de uma palavra de compreens\u00e3o e carinho, por mais que reajam \u00e0 nossa aproxima\u00e7\u00e3o.<br \/> Os primeiros momentos de um contacto medi\u00fanico s\u00e3o muito cr\u00edticos.<\/p>\n<p>Ainda n\u00e3o sabemos a que vem o Esp\u00edrito, que ang\u00fastias traz no cora\u00e7\u00e3o, que inten\u00e7\u00f5es, que esperan\u00e7as e recursos, que possibilidades e conhecimentos Estar\u00e1 ligado a algu\u00e9m que estamos tentando ajudar? Tem problemas pessoais com algum membro do grupo? Luta por uma causa? Ignora seu estado, ou tem consci\u00eancia do que se passa com ele? \u00c9 culto, inteligente, ou se apresenta ainda Inexperiente e incapaz de um di\u00e1logo mais sofisticado?<br \/>\n<br \/>Uma coisa \u00e9 certa: n\u00e3o devemos subestim\u00e1-lo.<br \/> Pode, de in\u00edcio, revelar clamorosa ignor\u00e2ncia, e entrar, depois, na posse de todo o acervo cultural de que disp\u00f5e.<br \/> Dificilmente o Esp\u00edrito \u00e9 bastante prim\u00e1rio para ser classificado, sumariamente como ignorante.<br \/> Nossa experi\u00eancia acumulada \u00e9 muito mais ampla do que suspeitamos.<\/p>\n<p>Dentre os muitos casos assim, lembro-me de um, particular-mente grato ao meu cora\u00e7\u00e3o, porque o companheiro, depois de recuperado, passou a colaborar em nossas tarefas, com uma dedica\u00e7\u00e3o Comovedora.<\/p>\n<p>Ao apresentar-se, tinha dificuldade em expressar-se, usando o vocabul\u00e1rio limitado de uma pessoa de pouqu\u00edssima instru\u00e7\u00e3o.<br \/> Aos Poucos, a sua hist\u00f3ria foi se desenrolando.<br \/> Fora um homem de cor, e vivera em pobreza extrema, pelas ruas do Rio de Janeiro, cujos bairros do sub\u00farbio conhecia muito bem.<br \/> Num infeliz acidente de trem, perdera uma perna e, mesmo no mundo espiritual, ainda caminhava de muletas.<br \/> Quando lhe disse que n\u00e3o precisava mais de muletas, podendo caminhar sem elas, ele respondeu que j\u00e1 o experimentara, mas levara um tombo.<\/p>\n<p>Esse querido amigo \u2014 que nos deu o nome de Eus\u00e9bio \u2014 esteve aos nossos cuidados por longo tempo.<br \/> Por detr\u00e1s de sua pobreza verbal, do seu limitado vocabul\u00e1rio e das suas curiosas express\u00f5es populares, sent\u00edamos nele, n\u00e3o obstante, um senso filos\u00f3fico muito profundo da vida e uma das mais lindas e aut\u00eanticas humildades que j\u00e1 vi.<br \/> Foi, ali\u00e1s, o que o salvou e, paradoxalmente, o que contribuiu para que sua recupera\u00e7\u00e3o demorasse um pouco mais.<br \/> Tentarei explicar.<\/p>\n<p>Era evidente, para n\u00f3s, que chegara ao fim da sua prova\u00e7\u00e3o maior, e estava em condi\u00e7\u00f5es de reencetar sua escalada evolutiva.<br \/> Uma noite, emocionado at\u00e9 \u00e0s l\u00e1grimas, conseguiu dar os primeiros passos sem a \u201cmuleta\u201d, o que, para ele, na sua linguagem colorida, \u201cn\u00e3o era barbante podre, n\u00e3o\u201d.<br \/> Suas observa\u00e7\u00f5es eram sempre judiciosas, sua humildade uma constante, e sua afei\u00e7\u00e3o e gratid\u00e3o por n\u00f3s, algo pat\u00e9tico, em que expandia o cora\u00e7\u00e3o amoroso e pleno de generosidade.<br \/> Nossos orientadores espirituais come\u00e7aram a utiliz\u00e1-lo em pequenas tarefas auxiliares, com o que ele muito se alegrou.<br \/> No entanto, a despeito de sua indubit\u00e1vel viv\u00eancia espiritual, continuava a falar-nos na linguagem do Eus\u00e9bio, simples, popular, sem atavios, mas conseguindo claramente expressar nobres pensamentos e demonstrar bastante seguran\u00e7a.<\/p>\n<p>Certa noite, devido \u00e0 aus\u00eancia de grande n\u00famero de companheiros, a sess\u00e3o alcan\u00e7ou um clima de maior intimidade, o que talvez lhe tenha favorecido a supera\u00e7\u00e3o de suas inibi\u00e7\u00f5es interiores, para falar-nos de maneira inusitada, revelando o que de h\u00e1 muito entrev\u00edamos nele: conhecimento, experi\u00eancia, enfim, uma respeit\u00e1vel bagagem espiritual, dosada e sustentada pela sua aflorante emotividade.<br \/> Pelo que depreendemos, tivera um passado de brilho e destaque, aprendera a dura li\u00e7\u00e3o da humildade e tinha certo receio de abandonar sua obscura posi\u00e7\u00e3o espiritual, t\u00e3o dificilmente conquistada, e recair nos velhos processos da vaidade.<br \/> Mas, gra\u00e7as a Deus, estava curado o querido companheiro.<\/p>\n<p>*<\/p>\n<p>Esse caso, aqui, veio para ilustrar algumas realidades espirituais que n\u00e3o podemos ignorar, sem lament\u00e1vel preju\u00edzo para o Esp\u00edrito manifestante.<br \/> Exemplifico: suponhamos que, ao receb\u00ea-lo, o grupo o tratasse com superior condescend\u00eancia e o despedisse com uma palavra de desesperan\u00e7a.<br \/> Onde e quando teria ele outra oportunidade de entendimento e recupera\u00e7\u00e3o? E onde, e quando, n\u00f3s pr\u00f3prios ter\u00edamos a alegria de granjear uma afei\u00e7\u00e3o e uma dedica\u00e7\u00e3o iguais \u00e0quela?<br \/>\n<br \/>\u00c0s vezes, tamb\u00e9m, embora o grupo n\u00e3o realize nenhum trabalho de Umbanda, surgem Esp\u00edritos acostumados a essas pr\u00e1ticas.<br \/> Suas primeiras manifesta\u00e7\u00f5es seguem, quase sempre, a t\u00e9cnica a que est\u00e3o acostumados.<br \/> Aguardemos pacientemente, para saber o que desejam.<br \/> Nada de expuls\u00e1-los sumariamente.<br \/> Se os companheiros do mundo espiritual permitiram sua manifesta\u00e7\u00e3o, num grupo estritamente esp\u00edrita, orientado pelos ensinamentos de Allan Kardec, haver\u00e1 alguma raz\u00e3o para isso.<\/p>\n<p>Aqui, tamb\u00e9m, temos uma experi\u00eancia pessoal.<\/p>\n<p>Ao manifestar-se, ele tra\u00e7ava infalivelmente o seu sinal, sobre a mesa, e come\u00e7ava a doutrinar-nos.<br \/> No seu terreiro, dizia, tamb\u00e9m se fazia o bem, e muito mais facilmente.<br \/> \u00c9ramos uns \u201ccartolas\u201d gr\u00e3-finos, reunidos em apartamento de luxo.<br \/> Ele estava muito bem l\u00e1, e n\u00e3o queria nada conosco.<br \/> -.<br \/> etc.<br \/>, etc.<br \/> Provavelmente, n\u00e3o sabia ainda (ou pelo menos n\u00e3o revelara) por que estava ali, entre n\u00f3s.<\/p>\n<p>Por muito tempo o di\u00e1logo se manteve nesse tom; m\u00eas ap\u00f3s m\u00eas.<br \/> S\u00f3 muito mais tarde a hist\u00f3ria se desvendou.<br \/> Tivera uma longa e penos\u00edssima experi\u00eancia, ao correr dos s\u00e9culos, desde que, em impulsos tresloucados, no s\u00e9culo 16, envolvera-se em erros lament\u00e1veis, no campo pol\u00edtico-religioso.<br \/> Fora, ent\u00e3o, um homem de grande magnetismo pessoal, de vigorosa intelig\u00eancia e de muita cultura filos\u00f3fico-religiosa.<\/p>\n<p>\u2014 Fui um verdadeiro dem\u00f4nio \u2014 me disse ele, certa vez, profundamente contristado.<\/p>\n<p>Confessou, tamb\u00e9m, que, h\u00e1 quatro s\u00e9culos, perdera-nos de vista \u2014 a mim e a outro companheiro do grupo, mas a afei\u00e7\u00e3o por n\u00f3s l\u00e1 estava, e isso o salvou, gra\u00e7as a Deus.<br \/> Parece que sua inten\u00e7\u00e3o inicial era arrastar esse companheiro \u2014 o m\u00e9dium atrav\u00e9s do qual se manifestava \u2014 para os terreiros de Umbanda, o que este recusava terminantemente, por diverg\u00eancia doutrin\u00e1ria insuper\u00e1vel.<\/p>\n<p>N\u00e3o nos contou ele toda a sua terr\u00edvel saga, mas uma s\u00f3 narrativa bastou.<br \/> Tivera uma exist\u00eancia no Brasil, como escravo negro.<br \/> Perguntei-lhe onde fora isso e ele me respondeu:<br \/>\n<br \/>\u2014 A gente nem sabia onde estava.<br \/> Era levado de um lugar para outro, como bicho.<\/p>\n<p>Parece que foi nessa exist\u00eancia que se familiarizou com a utiliza\u00e7\u00e3o dos recursos da Natureza, para curar.<br \/> Manipulava bem esses flu\u00eddos naturais e devia trazer, no Esp\u00edrito, alguma antiga experi\u00eancia na Medicina, pois sempre nos demonstrou ser conhecedor seguro das mazelas do corpo humano e dos m\u00e9todos de minor\u00e1-las.<br \/> Em mim mesmo, por meio de passes, colocou um \u201cremendo\u201d na coluna, que amea\u00e7ava quebrar-se por causa de uma rara e incur\u00e1vel mol\u00e9stia \u00f3ssea.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m este integrou-se no nosso grupo, feliz em poder servir-nos, com seus conhecimentos e seu cora\u00e7\u00e3o, curado de antigas mazelas, que tanto o infelicitaram.<br \/> Era particularmente ativo e estava sempre presente para restabelecer o t\u00f4nus vibrat\u00f3rio dos m\u00e9diuns, quando a manifesta\u00e7\u00e3o era por demais penosa.<br \/> Incorporava-se, logo em seguida, e, enquanto falava tranq\u00fcilamente, dava passes no seu m\u00e9dium, que despertava l\u00facido e livre dos res\u00edduos vibrat\u00f3rios do Esp\u00edrito desarmonizado que o precedera.<br \/> O nosso bom e querido Justino, a essa altura, abandonara seus prop\u00f3sitos de continuar a freq\u00fcentar os terreiros.<br \/> Era quem nos dava um passe final, quem fluidificava a nossa \u00e1gua e quem tratava das nossas pequenas mazelas org\u00e2nicas, dando-nos conselhos e passes e, vez por outra, a \u201creceita\u201d de um ch\u00e1 caseiro.<br \/> Manteve sua maneira algo rude de falar, sem floreios e artif\u00edcios de linguagem.<br \/> Talvez buscasse esconder suas emo\u00e7\u00f5es, sua gratid\u00e3o e sua alegria, pelo reencontro com os velhos companheiros, que, segundo ele, haviam se distanciado na sua frente, o que n\u00e3o \u00e9 verdadeiro.<\/p>\n<p>Certa vez, num impulso r\u00e1pido de inspira\u00e7\u00e3o, identifiquei seu Esp\u00edrito nas lutas dram\u00e1ticas da Reforma Protestante, mas respeitamos seu anonimato e ele nunca mais deixou de trazer-nos a vibra\u00e7\u00e3o do seu amor fraterno e do seu reconhecimento humilde.<br \/> Muito devemos a esse querido companheiro, n\u00e3o somente pelo que fez por n\u00f3s, mas pelas inesquec\u00edveis li\u00e7\u00f5es que nos trouxe.<br \/> Seria dif\u00edcil distinguir a gratid\u00e3o dele da nossa, e n\u00e3o \u00e9 essa mesma a ess\u00eancia imortal do \u201cAmai-vos uns aos outros\u201d?<\/p>\n<p>*<\/p>\n<p>Assim, a primeira regra do di\u00e1logo, com os nossos irm\u00e3os em crise, \u00e9 esta: paci\u00eancia e toler\u00e2ncia.<br \/> Toda conversa, com eles, \u00e9um permanente exerc\u00edcio dessas duas virtudes.<br \/> As primeiras palavras s\u00e3o de import\u00e2ncia vital; s\u00e3o, \u00e0s vezes, decisivas, e podem constituir a diferen\u00e7a entre uma oportunidade de pacifica\u00e7\u00e3o ou a aliena\u00e7\u00e3o do companheiro por mais um tempo, indeterminado, em que ele continuar\u00e1 a buscar alhures o que n\u00e3o encontrou em n\u00f3s:<br \/>\n<br \/>compreens\u00e3o para os seus problemas e suas ang\u00fastias.<br \/> Muita coisa vai depender, no desenrolar do trabalho, da maneira pela qual recebemos os nossos irm\u00e3os em crise.<br \/> Nunca \u00e9 demais lembrar e insistir: eles precisam de n\u00f3s, justamente porque n\u00e3o conseguem sair sozinhos das suas dificuldades, das suas perplexidades, dos seus sofismas, da sua auto-hipnose.<br \/> Mas n\u00f3s, por igual, precisamos deles, porque nos trazem li\u00e7\u00f5es, porque nos ajudam na pr\u00e1tica da lei suprema da solidariedade que, a seu turno, nos libertar\u00e1 tamb\u00e9m.<\/p>\n<p>E quantas vezes n\u00e3o s\u00e3o eles aqueles mesmos que causam desequil\u00edbrios em n\u00f3s pr\u00f3prios, ou obsess\u00f5es naqueles que nos cercam: parentes, amigos, colegas de servi\u00e7o, companheiros de jornada, enfim?<br \/>\n<br \/>Al\u00e9m disso, n\u00e3o podemos despach\u00e1-los, mal enunciaram as primeiras palavras, quando nem sequer sabemos ainda de suas motiva\u00e7\u00f5es e de suas dores.<br \/> N\u00e3o esperemos, jamais, uma express\u00e3o inicial sensata e equilibrada, amorosa e tranq\u00fcila, da parte daqueles que se acham desarmonizados.<br \/> Se assim fosse, n\u00e3o precisariam de n\u00f3s: j\u00e1 teriam encontrado seus pr\u00f3prios caminhos.<br \/> Esperemos, isto sim, uma eloq\u00fcente manifesta\u00e7\u00e3o de revolta, rancor, desespero, afli\u00e7\u00e3o, desencanto, ou perplexidade, segundo a natureza dos problemas que os abrasam.<br \/> Contemos com mistifica\u00e7\u00f5es e ardis, com falsidades e subterf\u00fagios, com \u00f3dio e agressividade, com ignor\u00e2ncia e m\u00e1-f\u00e9; em suma, com a dor do Esp\u00edrito aturdido pelo impasse que criou dentro de si mesmo.<br \/> \u00c9 claro que o primeiro impulso de hostilidade, de um Esp\u00edrito assim, tem de ser contra n\u00f3s, que o fustigamos, tentando obrig\u00e1-lo a mover-se.<br \/> Ele est\u00e1 parado no tempo e no espa\u00e7o, preso \u00e0 sua problem\u00e1tica, empenhado numa tarefa que julga do maior relevo e import\u00e2ncia; e aparece um grupo, como o nosso, para tentar arranc\u00e1-lo daquilo que constitui o seu mundo, a sua raz\u00e3o de ser.<br \/> N\u00e3o \u00e9 ele quem nos incomoda e fustiga; somos n\u00f3s que o agravamos, com a inadmiss\u00edvel tentativa de faz\u00ea-lo desistir dos seus prop\u00f3sitos.<br \/> Como? Ent\u00e3o n\u00e3o vemos que ele n\u00e3o faz mais do que cobrar uma d\u00edvida, ou trabalhar pelo restabelecimento da Igreja do Cristo, ou funcionar como juiz, num processo legitimamente constitu\u00eddo, em que a culpa \u00e9 t\u00e3o clara? Que petul\u00e2ncia! Que impertin\u00eancia!<br \/>\n<br \/>\u00c9 preciso deix\u00e1-los falar, pois, do contr\u00e1rio, n\u00e3o poderemos ajud\u00e1-los.<br \/> \u00c9 necess\u00e1rio conhecer a sua hist\u00f3ria, suas motiva\u00e7\u00f5es e suas raz\u00f5es.<br \/> E ainda que relutem, demorem e usem de mil e um artif\u00edcios, eles acabam revelando a raz\u00e3o de sua presen\u00e7a no grupo.<br \/> O longo trato com eles nos ensina que t\u00eam um h\u00e1bito peculiar de \u201cpensar alto\u201d.<br \/> Isto se deve a um mecanismo psicol\u00f3gico irresist\u00edvel, do qual muitas vezes eles nem tomam conhecimento, e no qual, mesmo os mais h\u00e1beis e ardilosos deixam-se envolver.<br \/> \u00c9 que o m\u00e9dium lhes capta o pensamento, e n\u00e3o a palavra falada.<br \/> Se o m\u00e9dium se limitasse a transmitir-lhes a palavra, mesmo assim, eles acabariam por revelar as suas verdadeiras posi\u00e7\u00f5es, embora pudessem sonegar a verdade por maior espa\u00e7o de tempo; mas \u00e9 do pr\u00f3prio dispositivo medi\u00fanico converter, em palavras e gestos, aquilo que o Esp\u00edrito elabora na sua mente.<br \/> Eles n\u00e3o conseguir\u00e3o, por muito tempo, ocultar as verdadeiras causas da sua dor e a raz\u00e3o da sua presen\u00e7a, pois \u00e9 isso, precisamente, que os traz a n\u00f3s.<br \/> Essas causas est\u00e3o de tal forma gravadas nos seus Esp\u00edritos, que constituem o centro, o n\u00facleo, em torno do qual gira toda a personalidade e agrupam-se os problemas mais cr\u00edticos e mais urgentes.<br \/> Se conseguirmos desfazer aquele n\u00facleo, que funciona como verdadeiro centro de aglutina\u00e7\u00e3o, a personalidade reagrupa-se em novos equil\u00edbrios redentores.<br \/> Insistimos, pois, em afirmar que o m\u00e9dium traduz em palavras o que ele sente no Esp\u00edrito manifestante: suas emo\u00e7\u00f5es, seu temperamento, seus problemas, suas desarmonias, ao mesmo tempo em que lhe reproduz os gestos, e a voz alteia-se ou sussurra, reflete \u00f3dio ou desprezo, ironia ou, amargor, perplexidade ou afli\u00e7\u00e3o.<br \/> Se assim n\u00e3o fosse, ter\u00edamos que falar com cada Esp\u00edrito na sua pr\u00f3pria l\u00edngua, ou seja, na l\u00edngua que ele falou por \u00faltimo, na sua mais recente encarna\u00e7\u00e3o, e todo m\u00e9dium precisaria ser xenogl\u00f3ssico.<\/p>\n<p>\u00c9 certo, pois, que acabar\u00e3o por revelar a raz\u00e3o de sua presen\u00e7a entre n\u00f3s, e depois, o n\u00facleo de suas dificuldades maiores, muito embora seja isto o que mais parecem temer.<\/p>\n<p>Num caso desses, o Esp\u00edrito fez um longo circunl\u00f3quio filos\u00f3fico-teol\u00f3gico.<br \/> Era excelente argumentador e dial\u00e9tico de muitos recursos.<br \/> Fugia a qualquer refer\u00eancia pessoal, a qualquer palavra que pudesse levar-nos a descobrir suas motiva\u00e7\u00f5es.<br \/> Ao cabo do di\u00e1logo, que se estendeu por mais de uma sess\u00e3o, ele n\u00e3o se conteve mais: seu \u00f3dio era contra mim.<br \/> Seguia meus passos desde que \u201ctua maldita m\u00e3e te colocou no mundo\u201d, e a d\u00favida que havia entre n\u00f3s reportava-se ao tempo da Segunda Cruzada.<br \/> Pretendia transformar o meu lar num hosp\u00edcio, disse ele, pois eu cometi contra ele um crime do qual jamais me perdoaria.<br \/> Se pudesse, me destruiria.<br \/>.<br \/>.<\/p>\n<p>Em suma, deixa cair os v\u00e9us com os quais tentou, de in\u00edcio, cobrir as raz\u00f5es de sua presen\u00e7a entre n\u00f3s.<br \/> Veio para isso mesmo, mas relutou o quanto lhe foi poss\u00edvel, pois sabia muito bem que, chegados ao cerne do problema, estar\u00edamos em melhor posi\u00e7\u00e3o para o ajudar a resolv\u00ea-lo.<br \/> No fundo, ele estava mesmo era cansado de sofrer porque a vingan\u00e7a e a persegui\u00e7\u00e3o tanto sacrificam o perseguido, quanto o perseguidor.<\/p>\n<p>Em outro caso\u00bb depois de muito debatermos as quest\u00f5es suscitadas entre n\u00f3s, ele deixou escapar o fragmento de uma palavra reveladora.<\/p>\n<p>A certa altura do di\u00e1logo, lembro a ele a inesquec\u00edvel palavra de Gamaliel, perante o Sin\u00e9drio:<br \/>\n<br \/>\u2014\tN\u00e3o aconte\u00e7a que vos encontreis lutando contra Deus!<br \/>\n<br \/>Percebi que a cita\u00e7\u00e3o o atingiu mais profundamente do que ele talvez desejasse.<br \/> Resmungou que nada tinha com Gamaliel, mas evidentemente estava envolvido no doloroso \u201cprocesso da cruz\u201d, e disse:<br \/>\n<br \/>\u2014\tEu era um sol.<br \/>.<br \/>.<\/p>\n<p>Estacou subitamente e comentou consigo mesmo:<br \/>\n<br \/>\u2014\tVeja o que eu ia dizendo.<br \/> Sempre fui um soldado.<br \/>.<br \/>.<\/p>\n<p>Na verdade, desde a sua primeira manifesta\u00e7\u00e3o, uma ou duas semanas antes, ouvia sem cessar um alarido de vozes que berravam coisas confusas e um tilintar de armas que ele se recusava a identificar.<br \/> Participara, pois, como soldado romano, ou do pr\u00f3prio Templo, da penosa miss\u00e3o de aprisionar o Cristo, ou de conduzi-lo, ao longo da sua inesquec\u00edvel via crucis.<br \/> Era esse o problema que ele mais temia revelar, mas que precisava enfrentar, para libertar-se.<\/p>\n<p>Este caso encerra outra li\u00e7\u00e3o importante.<br \/> Chamemo-la a li\u00e7\u00e3o do arrependimento construtivo, ao qual h\u00e1 refer\u00eancias alhures, neste mesmo livro.<\/p>\n<p>Para n\u00e3o transformar o tema numa composi\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria, baste-nos lembrar que h\u00e1 dois tipos de arrependimento: o positivo e o negativo.<br \/> O primeiro, ajuda-nos a reconstruir logo o que destru\u00edmos, a refazer o que n\u00e3o podemos mais desfazer; o segundo, mant\u00e9m-nos paralisados \u00e0 beira do caminho, enquanto nossos companheiros e nossos amores seguem \u00e0 frente.<br \/> Estacionamos precisamente porque nos falta coragem para enfrentar o olhar severo da pr\u00f3pria consci\u00eancia.<br \/> \u00c9 verdade, estamos envergonhados, temerosos e angustiados, mas por que demorar-nos no arrependimento, cruzarmos os bra\u00e7os e esconder-nos, como um caramujo, dentro da carapa\u00e7a das ilus\u00f5es? O arrependimento somente se dissolve no trabalho construtivo.<br \/> Incont\u00e1veis multid\u00f5es, no entanto, tentam fugir de si mesmas, ignorando seus pr\u00f3prios fantasmas interiores.<br \/> A culpa existe em n\u00f3s; imposs\u00edvel neg\u00e1-lo, pois o erro j\u00e1 est\u00e1 cometido mesmo.<br \/> O que temos de fazer, agora, n\u00e3o \u00e9 fingir que ela n\u00e3o existe, porque \u00e9 justamente esse fingimento, essa fuga, que nos mant\u00e9m presos, detidos, marcando passo, vendo a multid\u00e3o passar por n\u00f3s, em busca da paz.<\/p>\n<p>Esse mecanismo tem que ser bem compreendido por aquele que se prop\u00f5e ajudar Esp\u00edritos end\u00edvidados.<br \/> \u00c9 claro que tamb\u00e9m somos end\u00edvidados, talvez tanto quanto eles, ou at\u00e9 mais.<br \/> Precisamos, no entanto, mostrar-lhes que estamos fazendo alguma coisa, lutando, enfrentando os nossos espectros interiores, as censuras da consci\u00eancia, as cutiladas do remorso, conscientes de que o nosso erro est\u00e1 presente em n\u00f3s, e n\u00e3o podemos voltar sobre nossos passos, para desfaz\u00ea-lo.<br \/> Podemos, no entanto, e devemos, e temos que reconhecer, a for\u00e7a da sua presen\u00e7a em n\u00f3s.<br \/> Sem essa abertura corajosa, n\u00e3o d\u00e1 sequer para come\u00e7ar.<br \/> E, como diz o prov\u00e9rbio chin\u00eas: a caminhada de 100 quil\u00f4metros come\u00e7a com o primeiro passo.<\/p>\n<p>O doutrinador precisa estar muito atento a esses sinais reveladores.<br \/> Tentar identific\u00e1-los \u00e9 sua tarefa, mas que o fa\u00e7a com muito tato, paci\u00eancia e compreens\u00e3o.<br \/> Ningu\u00e9m gosta de revelar suas fraquezas, seus erros, seus crimes, suas mazelas e imperfei\u00e7\u00f5es.<br \/> Nada de coa\u00e7\u00f5es, de press\u00f5es, de imposi\u00e7\u00f5es.<br \/> Espere com paci\u00eancia, busque com tranq\u00fcila perseveran\u00e7a, que a verdade vir\u00e1.<br \/> Lembre-se de que ela se encontra ali mesmo, na mem\u00f3ria daquele irm\u00e3o que sofre.<br \/> Ele a dir\u00e1, se \u00e9 que chegou a sua hora de mudar de rumo.<br \/> Basta um pouco de ajuda, habilidade, tato e paci\u00eancia.<br \/> \u00c9 preciso, tamb\u00e9m, que tenhamos a faculdade da empatia, ou seja, aprecia\u00e7\u00e3o emocional dos sentimentos alheios.<br \/> Veja bem: aprecia\u00e7\u00e3o emocional.<br \/> \u00c9 necess\u00e1rio que as nossas emo\u00e7\u00f5es estejam envolvidas.<br \/> Se apenas assistimos \u00e0s agonias de um Esp\u00edrito que se debate nas suas ang\u00fastias, n\u00e3o temos empatia; somos meros espectadores.<br \/> \u00c9 preciso aprender a vibrar com ele, sofrer com ele, compreender sua relut\u00e2ncia em abrir-se, aceitar seu temor em descobrir suas feridas, mas, a despeito de tudo isso, ajud\u00e1-lo a descobri-las.<br \/>.<br \/>.<\/p>\n<p>Estejamos certos, por\u00e9m, de que a resist\u00eancia ser\u00e1 grande, a luta interior que presenciaremos ser\u00e1 dolorosa, dif\u00edcil, e muitas vezes o Esp\u00edrito recuar\u00e1 novamente, temeroso, acovardado, sentindo-se ainda despreparado.<\/p>\n<p>Neste caso, ouvimos sempre uma destas frases:<br \/>\n<br \/>\u2014 Ainda n\u00e3o estou preparado.<br \/>.<br \/>.<br \/> Espere um pouco mais.<br \/>.<br \/>.<br \/> De outra vez.<br \/>.<br \/>.<br \/> Deixe-me.<br \/> D\u00ea-me mais tempo.<br \/> Preciso pensar.<br \/>.<br \/>.<\/p>\n<p>Junto de um companheiro particularmente agoniado, presenciamos a dura batalha entre os lampejos da esperan\u00e7a de paz e os apelos de seu insaciado desejo de vingan\u00e7a: iria, agora, abandonar tudo aquilo, que era a motiva\u00e7\u00e3o de sua vida, e o tinha sido por s\u00e9culos e s\u00e9culos? Entregar-se \u00e0 dor? Abandonar a sua v\u00edtima? E a sua vingan\u00e7a? E, no entanto, ningu\u00e9m melhor do que ele sentia a inadi\u00e1vel necessidade de uma atitude de ren\u00fancia, embora sabendo que apenas trocava uma dor por outra.<\/p>\n<p>O\tdoutrinador n\u00e3o o for\u00e7ou.<br \/> Limitou-se a dizer, com o cora\u00e7\u00e3o aberto \u00e0 compreens\u00e3o e ao afeto:<br \/>\n<br \/>\u2014 A decis\u00e3o \u00e9 sua.<br \/> Claro que voc\u00ea pode continuar a fazer isso.<br \/> Deus, que amparou aquele a quem voc\u00ea persegue por tanto tempo, h\u00e1 de continuar amparando-o.<br \/> Mas, e voc\u00ea? \u00c9 isto que lhe conv\u00e9m? \u00c9 isto mesmo que voc\u00ea quer?<\/p>\n<p>*<\/p>\n<p>Estamos, talvez, nos antecipando.<br \/> Fal\u00e1vamos do primeiro contacto com o Esp\u00edrito manifestante.<br \/> Creio que foi poss\u00edvel deixar bem claro o quanto \u00e9 importante essa primeira aproxima\u00e7\u00e3o.<br \/> Nela se definem muitas coisas sutis, que podem decidir o caso, de uma forma ou de outra, libertando o Esp\u00edrito, ou confirmando-o na sua dor, por mais alguns anos, ou s\u00e9culos.<\/p>\n<p>Repitamos: o di\u00e1logo com os nossos irm\u00e3os desarvorados \u00e9 um exerc\u00edcio de toler\u00e2ncia e paci\u00eancia.<br \/> E acrescentamos: muito amor.<\/p>\n<p>\u00c0 medida que ele se desenrola, estejamos atentos, mantenhamo-nos compreensivos e discretos.<br \/> \u00c9 uma tentativa de entendimento, n\u00e3o uma discuss\u00e3o, uma contenda, uma disputa.<br \/> O que interessa, neste momento, n\u00e3o \u00e9 \u201cganhar a briga\u201d, mas estudar com empatia (novamente a palavra m\u00e1gica) o drama que aflige o companheiro.<br \/> N\u00e3o importa que ele leve a melhor no debate, que nos agrida, ameace e procure intimidar-nos.<br \/> Freq\u00fcentemente ocorre ser ele muito mais treinado, em pelejas dessa categoria, do que o doutrinador.<br \/> Foi tribuno, orador, escritor, pensador, te\u00f3logo; enfrentou grandes debatedores, argumentou em causas importantes, adquiriu cultura e aprendeu a manejar a palavra, como poucos.<br \/> Leva n\u00edtida vantagem sobre o doutrinador que, por mais bem preparado que seja, est\u00e1 contido pelos dispositivos da encarna\u00e7\u00e3o e, na maioria das vezes, ignorante de fatos importantes, que o Esp\u00edrito conhece e manipula com intelig\u00eancia e acuidade.<br \/> Seria, pois, ing\u00eanua e perigosa imprud\u00eancia tentar super\u00e1-lo numa discuss\u00e3o.<br \/> N\u00e3o se esque\u00e7a, por outro lado, de que n\u00e3o pode deixar o Esp\u00edrito falando sozinho, a n\u00e3o ser em condi\u00e7\u00f5es muito especiais, que a intui\u00e7\u00e3o do doutrinador dever\u00e1 indicar, O Esp\u00edrito precisa ser atendido com interesse, muito mais que com simples urbanidade.<br \/> N\u00e3o apenas se encontra na condi\u00e7\u00e3o de visita, por assim dizer, pois veio at\u00e9 a nossa casa, como ele ficar\u00e1 ainda mais irritado, e dif\u00edcil, se o recebemos com fria e polida cortesia, ou, pior ainda, quando nos deixamos envolver pela sua agressividade e respondemos com id\u00eantica hostilidade, que o aliena cada vez mais.<\/p>\n<p>Estejamos certos de encontrar sempre, da parte deles, o desejo de nos arrastar \u00e0 discuss\u00e3o azeda e violenta.<br \/> \u00c9 o clima que conv\u00e9m aos seus prop\u00f3sitos.<br \/> Na sua dolorosa e compreens\u00edvel inconsci\u00eancia, usar\u00e3o de todos os recursos ao seu alcance para atingir esse fim.<br \/> Quantas vezes tenho ouvido agress\u00f5es iniciais, e reiteradas, como estas:<br \/>\n<br \/>\u2014 Fale como homem! N\u00e3o suporto essa voz mel\u00edflua! Ser\u00e1 que voc\u00ea n\u00e3o tem sangue nas veias? N\u00e3o seja covarde! Est\u00e1 com medo?<br \/>\n<br \/>Calma, paci\u00eancia, toler\u00e2ncia.<br \/> N\u00e3o altere a voz, n\u00e3o se deixe irritar, n\u00e3o reaja da maneira que ele espera, pois assim n\u00e3o conseguir\u00e1 ajud\u00e1-lo.<br \/> Resista, mas resista mesmo, ao impulso de \u201cresponder-lhe \u00e0 altura\u201d, mesmo que tenha o argumento que parece decisivo.<br \/> Se o tem mesmo, tanto melhor.<br \/> Use-o com a mesma voz tranq\u00fcila e serena.<br \/> \u00c9 muito dif\u00edcil um di\u00e1logo \u00e1spero entre duas pessoas, quando somente uma grita, O gritador acaba por perceber que est\u00e1 fazendo papel rid\u00edculo e usando viol\u00eancia desnecess\u00e1ria, que cai num vazio, que o aturde e o traz \u00e0 raz\u00e3o.<\/p>\n<p>De vez em quando, se ele insistir em falar em altos brados, fa\u00e7a-o compreender, em voz baixa e tranq\u00fcila, que n\u00e3o \u00e9 preciso gritar.<br \/> Que a gente somente grita quando n\u00e3o tem raz\u00e3o.<br \/> Ele acabar\u00e1 por convencer-se da justeza dessa observa\u00e7\u00e3o.<br \/> Se o doutrinador cai na tolice de gritar-lhe de volta, o clima torna-se insustent\u00e1vel e a situa\u00e7\u00e3o dif\u00edcil de ser contornada.<br \/> Procure dirigir a conversa\u00e7\u00e3o para o terreno pessoal, certo de que o Esp\u00edrito est\u00e1 negaceando, precisamente para evitar cair nesse campo, que sabe ser o mais \u201cperigoso\u201d, por ser o \u00fanico revelador do n\u00facleo inte<br \/>\n<br \/>rior de sua problem\u00e1tica.<br \/> Mas, n\u00e3o o force.<br \/> Espere o momento oportuno.<br \/> Aguarde pacientemente.<br \/> Siga-o na conversa, sem aumentar sua irrita\u00e7\u00e3o, sem atritar-se com ele.<br \/> N\u00e3o \u00e9 importante super\u00e1-lo na troca de id\u00e9ias.<br \/> Voc\u00ea n\u00e3o est\u00e1 ali para provar que \u00e9 mais inteligente do que ele, nem mais culto, ou eticamente melhor do que ele: voc\u00ea est\u00e1 ali para ajud\u00e1-lo, compreend\u00ea-lo e servi-lo.<br \/> N\u00e3o h\u00e1 raz\u00e3o alguma para pensar que voc\u00ea \u00e9 um Esp\u00edrito redimido, e ele um r\u00e9probro enredado nos seus crimes.<br \/> As leis morais, o Evangelho do Cristo e a pr\u00e1tica esp\u00edrita nos repetem, de mil formas, a mesma li\u00e7\u00e3o: a de que s\u00e3o os pr\u00f3prios pecadores que se ajudam mutuamente: o coxo servindo ao cego, o cego ao mudo e, sobre todos n\u00f3s, a infinita miseric\u00f3rdia de Deus, a sabedoria ilimitada do Cristo e a assist\u00eancia incans\u00e1vel de nossos irm\u00e3os mais experimentados, que se alongaram mais profundamente no caminho da luz.<\/p>\n<p>*<\/p>\n<p>\u00c9 certo, ainda, que, durante esse di\u00e1logo dif\u00edcil \u2014 em que, tantas vezes, o doutrinador tem de aceitar o papel de um pobre, infeliz d\u00e9bil mental, covarde, hip\u00f3crita, medroso \u2014, haver\u00e1 mistifica\u00e7\u00f5es, propostas, bravatas, amea\u00e7as, ironias, tentativas de intimida\u00e7\u00e3o.<br \/> Mantenhamos o equil\u00edbrio, atentos, por\u00e9m, ao fato de que humildade n\u00e3o quer dizer submiss\u00e3o e aceita\u00e7\u00e3o sem exame de tudo quanto nos diz o Esp\u00edrito manifestante, pois ele se encontra diante de n\u00f3s exatamente para que tentemos convenc\u00ea-lo de seus enganos, fantasias e deforma\u00e7\u00f5es filos\u00f3ficas, teol\u00f3gicas e psicol\u00f3gicas.<br \/> \u00c9 a sensibilidade do doutrinador que vai indicar em que ponto e em que momento interferir.<\/p>\n<p>Enquanto esse momento n\u00e3o chega \u2014 e geralmente ele n\u00e3o ocorre, mesmo, na fase inicial do di\u00e1logo \u2014 esperemos com paci\u00eancia, atentos \u00e0s informa\u00e7\u00f5es que o Esp\u00edrito nos fornece, dado que \u00e9 com elas que vamos montando o quadro que nos mostrar\u00e1 o perfil psicol\u00f3gico do comunicante.<br \/> Aten\u00e7\u00e3o com os pormenores que pare\u00e7am irrelevantes: uma refer\u00eancia passageira, o tom de voz, uma lembran\u00e7a fugaz, uma observa\u00e7\u00e3o aparentemente sem import\u00e2ncia.<br \/> Tudo serve para compor o quadro.<br \/> Lembremo-nos de que o perfil que procuramos \u00e9 importante, \u00e9 essencial ao entendimento da personalidade daquele irm\u00e3o.<br \/> Embora dificilmente admita, ele precisa da nossa ajuda.<br \/> Se o mencionarmos, por\u00e9m, ele replicar\u00e1 com toda a veem\u00eancia, que de forma alguma precisa de n\u00f3s.<br \/> Est\u00e1 muito bem como est\u00e1.<br \/> N\u00e3o poucos ser\u00e3o os que, ao contr\u00e1rio, nos far\u00e3o propostas e nos dir\u00e3o as mais estranhas bravatas.<\/p>\n<p>Falam-nos do enorme poder de que disp\u00f5em \u2014 e muitas vezes isso \u00e9 estritamente verdadeiro \u2014 e das \u201cprovid\u00eancias en\u00e9rgicas\u201d que tomar\u00e3o contra n\u00f3s.<\/p>\n<p>Um deles me anunciou que iria \u201cbotar fogo\u201d no grupo.<br \/> E me perguntou:<br \/>\n<br \/>\u2014 Como \u00e9 que voc\u00ea quer morrer? Voc\u00ea fecha o grupo espontaneamente, ou n\u00f3s teremos que faz\u00ea-lo?<br \/>\n<br \/>Outro me Informou que tinha \u201cordens do chefe\u201d para remover-me do seu caminho, se poss\u00edvel, sem me ferir, mas se isso fosse impratic\u00e1vel, ent\u00e3o, era para arrebentar tudo a dinamite, porque a pedra tinha que ser afastada, para que eles passassem.<\/p>\n<p>Um terceiro, cujo aspecto truculento e olhar terr\u00edvel o m\u00e9dium descreveu antes que se incorporasse, tamb\u00e9m pronunciou sua amea\u00e7a, apoiada numa bravata: estava disposto a afastar-me de qualquer maneira, se poss\u00edvel por bem, pois n\u00e3o desejava causar-me dano pessoal, a n\u00e3o ser que a isto fosse obrigado.<br \/> Confessa, mesmo, que tem por mim certa afei\u00e7\u00e3o e \u2014 coisa estranha, meu Deus! \u2014sinto por ele, tamb\u00e9m, uma inexplic\u00e1vel ternura que, n\u00e3o sei de onde nem de quando, vem das telas infinitas desse continuo espa\u00e7o-tempo em que vivemos.<br \/> Fala-me da sua gl\u00f3ria, na qual insiste.<br \/> Sonha grande, mas n\u00e3o hesita diante da viol\u00eancia, para realizar os seus sonhos de dom\u00ednio.<br \/> J\u00e1 no passado cometeu, v\u00e1rias vezes, esse engano, embora projetando-se, na Hist\u00f3ria, como um tem\u00edvel conquistador.<br \/> A essa altura, j\u00e1 estamos conversando, como dois velhos amigos que se reencontraram, e n\u00e3o como um agressivo guerreiro, surgido dos registros hist\u00f3ricos, com um mero doutrinador esp\u00edrita, do s\u00e9culo XX.<br \/> Ao falar das suas grandezas, me diz, de maneira d\u00fabia:<br \/>\n<br \/>\u2014 Voc\u00ea preferiu outros caminhos.<br \/>.<br \/>.<\/p>\n<p>\u2014 Sim, \u00e9 verdade \u2014 digo-lhe eu \u2014, preferi a obscuridade.<\/p>\n<p>\u00c9 isso, precisamente, que ele n\u00e3o entende.<br \/> Como pode algu\u00e9m desejar viver na obscuridade, se pode, pelo menos, tentar a gl\u00f3ria?<br \/>\n<br \/>Nem sempre, por\u00e9m, essas bravatas e amea\u00e7as terminam assim, amistosamente, num reencontro de dois seres que seguiram rotas diferentes, mas continuam a estimar-se e respeitar-se.<\/p>\n<p>Usualmente, o rancor est\u00e1 firme atr\u00e1s delas, e pelo menos algumas das amea\u00e7as concretizam-se mesmo, sob variadas formas: pequenos incidentes na vida di\u00e1ria, mal-entendidos entre familiares, doen\u00e7as inesperadas, afli\u00e7\u00f5es maiores.<\/p>\n<p>O problema das amea\u00e7as merece alguma digress\u00e3o mais ampla, porque ele tem implica\u00e7\u00f5es muito s\u00e9rias no trabalho de doutrina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Em primeiro lugar, como nos disse um Esp\u00edrito amigo, certa vez, n\u00e3o podemos colher rosas, sem jamais nos ferirmos nos espinhos.<br \/> Quanta verdade nesta imagem! Por mais estranho que nos pare\u00e7a, a uma observa\u00e7\u00e3o superficial, os Esp\u00edritos mais terrivelmente perturbados e desarmonizados guardam em si incr\u00edvel potencial para as realiza\u00e7\u00f5es futuras \u2014 aptid\u00f5es, experi\u00eancias e qualifica\u00e7\u00f5es inesperadas, preciosas, e, por mais fant\u00e1stico que nos pare\u00e7a, uma enorme capacidade de amar.<\/p>\n<p>Um deles, muito dif\u00edcil, agressivo, poderoso, quase inabord\u00e1vel, n\u00e3o p\u00f4de conter sua gratid\u00e3o, depois de desperto: beijou, com emo\u00e7\u00e3o e respeito, a m\u00e3o de seu aturdido doutrinador, o mesmo que, ainda h\u00e1 poucas semanas, ele daria tudo para destruir.<\/p>\n<p>No trabalho medi\u00fanico de desobsess\u00e3o, temos, pois, que contar com contratempos, ferimentos e ang\u00fastias, especialmente se deixarmos cair as nossas guardas.<br \/> Isto \u00e9 v\u00e1lido para todo o grupo, e n\u00e3o apenas para o m\u00e9dium, ou para o doutrinador.<br \/> O cerco aperta-se, ainda que estejamos guardados na prece e na vigil\u00e2ncia.<\/p>\n<p>\u2014 \u201cVigiai e orai\u201d \u2014 disse o Cristo, segundo Marcos \u2014 \u201cpara n\u00e3o cairdes em tenta\u00e7\u00e3o, pois o esp\u00edrito est\u00e1 pronto, mas a carne \u00e9 fraca.<br \/>\u201d (Marcos, 14:38.<br \/>)<br \/>\n<br \/>O Esp\u00edrito deseja a liberta\u00e7\u00e3o, teme novas quedas, sonha com a paz, sofre a aus\u00eancia de afetos muito profundos e, de certa forma, est\u00e1 pronto para a vida em plano melhor e mais purificado, ou, pelo menos, n\u00e3o t\u00e3o dif\u00edcil e grosseiro como este mundo de provas em que vivemos; mas, no fundo, mergulhado no corpo f\u00edsico, que o sufoca, sua vontade debilita-se e a fraqueza da carne vence as melhores inten\u00e7\u00f5es.<br \/> Os seres desencarnados inferiores que nos vigiam, nos espionam e nos assediam, sabem disso, t\u00e3o bem ou melhor do que n\u00f3s, e, enquanto puderem, h\u00e3o de reter-nos na retaguarda, pelo menos, como disse um amigo espiritual muito querido, para engrossar as fileiras dos que est\u00e3o parados.<\/p>\n<p>Mesmo com toda a vigil\u00e2ncia, e em prece, continuamos vulner\u00e1veis.<br \/> E \u201celes\u201d sabem disso: quando o esquecemos, eles nos lembram:<br \/>\n<br \/>\u2014\tVoc\u00ea pensa que \u00e9 invulner\u00e1vel?<br \/>\n<br \/>Quem poder\u00e1 responder que \u00e9? E as nossas mazelas, os erros ainda n\u00e3o resgatados, as culpas ainda n\u00e3o cobradas, as inf\u00e2mias ainda n\u00e3o desfeitas? Contudo, temos que prosseguir o trabalho de resgate, a despeito dos espinhos das rosas, das amea\u00e7as e, logicamente, de um ou outro desengano maior.<br \/> \u00c9 preciso estarmos, no entanto, bem certos de que, em nenhuma hip\u00f3tese, sofreremos sen\u00e3o naquilo em que ofendemos a Lei, e jamais em decorr\u00eancia do trabalho de desobsess\u00e3o, em si mesmo.<br \/> Seria profundamente injusta a Lei, se assim n\u00e3o fosse.<br \/> Ent\u00e3o, vamos ser punidos porque estamos procurando, exatamente, praticar a Lei universal do amor fraterno e da solidariedade que nos recomenda o Cristo?<br \/>\n<br \/>N\u00e3o aceitaremos a intimida\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o a devolveremos com uma palavra ou um gesto de desafio que de provoca\u00e7\u00e3o.<br \/> \u00c9 necess\u00e1rio n\u00e3o intimidar-se diante da bravata, mas sem cometer o engano de ridiculariz\u00e1-la.<br \/> H\u00e1 uma diferen\u00e7a consider\u00e1vel em ser \u00edntimorato e ser temer\u00e1rio.<br \/> Nossa bagagem de erros ainda a resgatar n\u00e3o nos permite usar o manto da invulnerabilidade, mas n\u00e3o deve deter os nossos passos na ajuda ao irm\u00e3o que sofre.<br \/> Mesmo que ele nos fira, com a pe\u00e7onha de seu rancor inconsciente, quando lhe estendermos a m\u00e3o, para ajud\u00e1-lo a levantar-se, ele nos ser\u00e1 muito grato se o conseguirmos e, no fundo, bem no fundo de si mesmo, ele, mais do que ningu\u00e9m, deseja e espera que n\u00f3s consigamos salv\u00e1-lo, pois que, por si mesmo, com seus pr\u00f3prios recursos, ele n\u00e3o o conseguiu ainda.<br \/> E, afinal de contas, se os espinhos nos ferirem, aqui e ali, tamb\u00e9m estaremos nos libertando das nossas pr\u00f3prias culpas.<\/p>\n<p>A regra, portanto, \u00e9 esta: n\u00e3o ridicularizar a bravata, nem desafiar a amea\u00e7a; n\u00e3o responder \u00e0 ironia com a mofa; n\u00e3o se intimidar, mas n\u00e3o ser imprudente.<\/p>\n<p>Regra semelhante poderia ser sugerida para responder \u00e0 proposta, e esta precisa, igualmente, de algumas considera\u00e7\u00f5es \u00e0 parte.<\/p>\n<p>Um grupo bem orientado e bem guardado pelos amigos espirituais invis\u00edveis come\u00e7ar\u00e1, pouco a pouco, a obter resultados que surpreender\u00e3o n\u00e3o apenas aos pr\u00f3prios componentes encarnados, como tamb\u00e9m aos desequilibrados Esp\u00edritos manifestantes.<br \/> Estes n\u00e3o compreendem como pode um pequeno grupo, aparentemente t\u00e3o fr\u00e1gil, t\u00e3o reduzido, resistir \u00e0 investida de tremendas e poderosas organiza\u00e7\u00f5es espirituais, votadas, h\u00e1 um tempo enorme, \u00e0 pr\u00e1tica do mal.<br \/> In\u00fameros outros seres e grupos que tentaram, no passado, impedir seus passos, deram-se mal, e foram afastados sumariamente.<br \/> De modo que, passado o rompante das primeiras agress\u00f5es, os companheiros desvairados propor\u00e3o barganhas e tr\u00e9guas, ou pequenas concess\u00f5es.<br \/> A imagina\u00e7\u00e3o \u00e9 f\u00e9rtil e a experi\u00eancia deles \u00e9 longa, no trato de situa\u00e7\u00f5es como essa, a da resist\u00eancia inesperada.<br \/> A proposta pode ser um simples neg\u00f3cio.<br \/> Est\u00e3o acostumados a tais ajustes e transa\u00e7\u00f5es.<br \/> Acham que tudo tem seu pre\u00e7o e disp\u00f5em-se sempre a pagar o pre\u00e7o combinado por aquilo que lhes interessa.<br \/> Se podem comprar nossa desist\u00eancia, por exemplo, n\u00e3o hesitar\u00e3o em propor uma barganha:<br \/>\n<br \/>\u2014\tEst\u00e1 bem.<br \/> O que voc\u00ea deseja para parar com isso?<br \/>\n<br \/>\u201cParar com isso\u201d \u00e9 deix\u00e1-los fazer o que entendem, encerrar as atividades do grupo ou dedicar-se a outros afazeres mais in\u00f3cuos e menos prejudiciais aos seus interesses.<br \/> Concordar\u00e3o, por exemplo, em deixar de atormentar algu\u00e9m, a que particularmente estejamos dedicados, ou em liberar outros, que mant\u00eam prisioneiros no mundo espiritual.<br \/> Ou ent\u00e3o nos oferecem coisas mais terra-a-terra, como dinheiro, posi\u00e7\u00e3o, prazeres.<\/p>\n<p>De outras vezes a proposi\u00e7\u00e3o \u00e9 mais sutil.<br \/> Come\u00e7am com elogios, exaltando nossas fabulosas \u201cvirtudes\u201d:<br \/>\n<br \/>\u2014 Voc\u00ea n\u00e3o sabe a for\u00e7a que tem! Poderia arrastar multid\u00f5es, dominar mentes.<br \/>.<br \/>.<\/p>\n<p>A um desses respondi que n\u00e3o sabia, ainda, como dominar a minha.<br \/>.<br \/>.<br \/> E ele, imperturb\u00e1vel:<br \/>\n<br \/>\u2014 Sabe, sim.<br \/> Voc\u00ea sabe.<br \/>.<br \/>.<br \/> Por que n\u00e3o fazemos um acordo?<br \/>\n<br \/>Outro convidou-me para \u201cpregar\u201d, na sua institui\u00e7\u00e3o.<br \/> J\u00e1 referi aqui, tamb\u00e9m, \u00e0quele que me propunha desfazer um \u201ctrabalho\u201d, feito contra mim, ao que tudo indicava, por ele mesmo.<br \/>.<br \/>.<br \/> H\u00e1 os que prop\u00f5em desembara\u00e7ar-nos de pessoas que supostamente nos estariam atrapalhando, bem como, aqueles que nos acenam com \u201cbel\u00edssimas\u201d posi\u00e7\u00f5es, nas suas organiza\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Como dizia h\u00e1 pouco, a imagina\u00e7\u00e3o deles \u00e9 f\u00e9rtil e a habilidade ilimitada, e muitos s\u00e3o os que se deixam fascinar por esse c\u00e2ntico funesto.<br \/> Um deles me disse, certa vez, que eu ficaria estarrecido, se soubesse daqueles que haviam concordado com arranjos semelhantes.<br \/> De um Esp\u00edrito encarnado, que nosso grupo estava particularmente interessado em socorrer, nos foi dito que desist\u00edssemos, porque ele n\u00e3o voltaria: j\u00e1 havia \u201ccruzado a ponte\u201d, para o lado de l\u00e1.<br \/>.<br \/>.<br \/> Tinha tudo quanto queria, estava muito feliz, O neg\u00f3cio, evidentemente, fora bom para ambos os lados, o que, na pr\u00e1tica comercial, indica uma boa transa\u00e7\u00e3o conclu\u00edda de maneira auspiciosa.<\/p>\n<p>Duas observa\u00e7\u00f5es b\u00e1sicas \u00e9 preciso ainda fazer, sobre tais propostas e acomoda\u00e7\u00f5es: a primeira, \u00e9 mais do que \u00f3bvia, ou seja, as concess\u00f5es que nos oferecem t\u00eam elevado pre\u00e7o, por mais inocentes que se apresentem, \u00e0 primeira vista.<br \/> Al\u00e9m do mais, nada impede que desfa\u00e7am o trato, a qualquer tempo, quando n\u00e3o mais interessar-lhes o nosso concurso ou caducar a raz\u00e3o pela qual se valeram da nossa ingenuidade infantil.<br \/> A cobran\u00e7a vir\u00e1, ent\u00e3o, sobre aquele que concordou com o trato e que, de suposto aliado, passa a v\u00edtima inerme de sua pr\u00f3pria tolice.<br \/> A segunda observa\u00e7\u00e3o \u00e9 a de que, quando os nossos irm\u00e3os atormentados prop\u00f5em semelhantes transa\u00e7\u00f5es, com a finalidade de nos levarem a abandonar o trabalho, deixar de ajudar algu\u00e9m, ou fazer, enfim, qualquer concess\u00e3o, \u00e9 porque est\u00e3o come\u00e7ando a sentir-se algo perplexos, ante a resist\u00eancia inesperada \u00e0 sua vontade.<br \/> Eles n\u00e3o est\u00e3o habituados a fazer acordos para obter o que podem conseguir pela imposi\u00e7\u00e3o e pela intimida\u00e7\u00e3o, ou pelo terror.<br \/> Tenhamos, por\u00e9m, o bom senso de n\u00e3o procurar tirar partido da situa\u00e7\u00e3o, imatura e precipitadamente.<br \/> A prud\u00eancia continua a ser a melhor conselheira.<br \/> Al\u00e9m disso, n\u00e3o podemos permitir-nos utilizar, jamais, m\u00e9todos semelhantes aos seus.<br \/> Eles compreender\u00e3o nossos escr\u00fapulos e nosso jogo aberto e acabar\u00e3o respeitando-nos por isso, estejam ou n\u00e3o convencidos ante a nossa argumenta\u00e7\u00e3o.<br \/> Se a uma proposta, por mais infantil que seja, da parte deles, tentarmos \u201cvirar a mesa\u201d, estaremos sintonizando-nos com o mesmo diapas\u00e3o \u00e9tico com que eles nos experimentam e, com isso, ir\u00e1 por terra a prec\u00e1ria ascend\u00eancia moral que porventura tenhamos alcan\u00e7ado sobre eles.<br \/> N\u00e3o podemos, jamais, esquecer-nos de que s\u00e3o pobres irm\u00e3os desorientados, desesperados, dispostos a tudo, mas que necessitam de n\u00f3s.<br \/> Buscam aflitivamente algu\u00e9m que n\u00e3o possam corromper com suas propostas, algu\u00e9m que prove ser pelo menos um pouco melhor do que a m\u00e9dia humana, com a qual est\u00e3o acostumados a lidar.<br \/> N\u00e3o alimentemos a ilus\u00e3o de demonstrar-lhes que, diante de n\u00f3s, s\u00e3o simples vermes infestados de culpas, votados \u00e0 maldade intr\u00ednseca, e n\u00f3s, seres redimidos, que condescendemos em estender-lhes a m\u00e3o salvadora que, depois, iremos desinfetar.<br \/> Absolutamente.<br \/> \u00c9 bem poss\u00edvel que sejam mais atilados psic\u00f3logos do que n\u00f3s, mais experimentados do que n\u00f3s, nessas duvidosas transa\u00e7\u00f5es.<br \/> Encaram suas tarefas deplor\u00e1veis como complexas partidas de xadrez, nas quais t\u00eam, \u00e0s vezes, que sacrificar uma dama, ou um bispo valioso, para dar o xeque ao rei.<br \/> S\u00e3o met\u00f3dicos, disp\u00f5em de amplos e minuciosos planejamentos.<br \/> N\u00e3o os subestimemos jamais, que as conseq\u00fc\u00eancias ser\u00e3o funestas para n\u00f3s.<br \/> Escarnecer de suas propostas, porque sentimos que est\u00e3o fracos e algo perplexos, pode ser desastroso, e, al\u00e9m do mais, \u00e9 desumano.<br \/> S\u00e3o irm\u00e3os doentes, que precisam de ajuda e compreens\u00e3o, e n\u00e3o de que os confirmemos nas suas pr\u00e1ticas, retrucando aos seus processos ardilosos com ardis de id\u00eantico teor.<\/p>\n<p>Em situa\u00e7\u00f5es como esta, costumo ter uma resposta padronizada.<br \/> N\u00e3o recuso a proposta, e nem a aceito.<br \/> Confesso-me simplesmente incapaz de decidir, o que \u00e9 estritamente verdadeiro.<br \/> Usualmente, digo qualquer coisa assim:<br \/>\n<br \/>\u2014 N\u00e3o tenho autoridade para tratar com voc\u00ea.<br \/> Procure um dos nossos companheiros espirituais, a\u00ed no mundo de voc\u00eas.<br \/> O que ele resolver, est\u00e1 bem para mim.<\/p>\n<p>\u00c0s vezes eles insistem, pois sabem muito bem o que significa a minha resposta.<br \/> O tom pode ser este, como tenho observado:<br \/>\n<br \/>\u2014 Est\u00e1 bem, mas voc\u00ea pode resolver a parte que lhe toca.<br \/> Eles n\u00e3o poder\u00e3o fazer nada, se n\u00e3o tiverem o grupo, e se voc\u00ea acabar com o grupo, estar\u00e1 tudo resolvido e n\u00e3o mais o incomodaremos.<br \/> Caso contr\u00e1rio.<br \/>.<br \/>.<br \/> voc\u00ea sabe.<br \/>.<br \/>.<\/p>\n<p>A posi\u00e7\u00e3o do doutrinador tem que continuar firme, paciente, tranq\u00fcila, e at\u00e9 mesmo respeitosa, pois a dor alheia jamais poder\u00e1 constituir espet\u00e1culo de divers\u00e3o, a n\u00e3o ser para aqueles que tamb\u00e9m estejam em desequil\u00edbrio.<br \/> \u00c9 preciso respeit\u00e1-la.<br \/> A criatura que est\u00e1 diante de n\u00f3s, incorporada ao m\u00e9dium, encontra-se desatinada, necessitada de compreens\u00e3o e de amparo.<br \/> Merece nosso respeito.<br \/> Seria profundamente desumano negacear com ela, tentando ludibri\u00e1-la com os mesmos recursos com que, no seu desespero, tentou enganar-nos.<br \/> Que ela tente, isso \u00e9 compreens\u00edvel; mas que n\u00f3s, tamb\u00e9m, experimentemos a mesma arma, \u00e9 inadmiss\u00edvel.<br \/> Se n\u00e3o podemos provar-lhes que somos melhores do que eles \u2014 e n\u00e3o podemos mesmo, pela simples raz\u00e3o de que n\u00e3o o somos, pelo menos na extens\u00e3o que a nossa vaidade poderia sugerir \u2014 que, pelo menos, evidenciemos que nossos m\u00e9todos s\u00e3o melhores.<\/p>\n<p>Um pobre irm\u00e3o desses, extremamente desarvorado, atormentou-nos, por algum tempo, com amea\u00e7as terr\u00edveis; assediou-nos, semana ap\u00f3s semana; deu murros na mesa, gritou e fez tudo quanto lhe foi poss\u00edvel para destro\u00e7ar-nos ou quebrar o nosso moral.<br \/> Acreditava na legitimidade incontest\u00e1vel da sua causa.<br \/> Era profundamente honesto consigo mesmo e, portanto, todos aqueles que se lhe opunham tinham que ser removidos de qualquer maneira: pela intimida\u00e7\u00e3o ou pela lisonja, pela dor ou pela sedu\u00e7\u00e3o; n\u00e3o importam os m\u00e9todos, desde que os fins sejam alcan\u00e7ados.<br \/> Tinha, por\u00e9m, um grande e generoso cora\u00e7\u00e3o, totalmente dedicado \u00e0 sua ingrata causa.<br \/> N\u00e3o lutava especificamente contra n\u00f3s, mas pelas suas id\u00e9ias, e achava, como tantos outros, que combatia o bom combate de que nos falava Paulo.<br \/> Um dia, convenceu-se de seu engano, com a gra\u00e7a de Deus.<br \/> Desceu do seu pedestal de poder e arrog\u00e2ncia \u2014 fora tamb\u00e9m um grande e, sem d\u00favida, um pobre transviado, no passado \u2014, viu-se em toda a extens\u00e3o de seus enganos.<br \/> Nesse \u00ednterim, um de nossos m\u00e9diuns teve com ele um encontro, no mundo espiritual, em desdobramento.<br \/> Estava recolhido a uma institui\u00e7\u00e3o socorrista, e arrasado de remorso, pelas atitudes agressivas e despropositadas ante o seu doutrinador e o pr\u00f3prio grupo, que tanto se esfor\u00e7ava por salv\u00e1-lo.<br \/> Voltou, depois, para dizer-nos desses nobres sentimentos, redespertados em seu cora\u00e7\u00e3o.<br \/> Essa hist\u00f3ria tem ainda um post scriptum.<br \/> Ele visitou-nos novamente, tempos depois, para despedir-se, muito contrito e infinitamente grato aos pequenos trabalhadores que o ajudaram: preparava-se para reencarnar, e vinha pedir nossas preces, pois estava mais certo do que nunca do nosso amor fraternal.<\/p>\n<div class=\"pvc_clear\"><\/div>\n<p id=\"pvc_stats_19306\" class=\"pvc_stats all  \" data-element-id=\"19306\" style=\"\"><i class=\"pvc-stats-icon medium\" aria-hidden=\"true\"><svg aria-hidden=\"true\" focusable=\"false\" data-prefix=\"far\" data-icon=\"chart-bar\" role=\"img\" xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\" viewBox=\"0 0 512 512\" class=\"svg-inline--fa fa-chart-bar fa-w-16 fa-2x\"><path fill=\"currentColor\" d=\"M396.8 352h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8V108.8c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v230.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8zm-192 0h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8V140.8c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v198.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8zm96 0h22.4c6.4 0 12.8-6.4 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diferente. Nunca sabemos, ao certo, as inten\u00e7\u00f5es do Esp\u00edrito que se aproxima, que problemas nos traz, quais s\u00e3o suas caracter\u00edsticas, qual a raz\u00e3o de sua presen\u00e7a entre n\u00f3s. Al\u00e9m do mais, a pr\u00f3pria mediunidade n\u00e3o \u00e9 um instrumento de precis\u00e3o, como um microsc\u00f3pio ou um rel\u00f3gio, que&hellip; <br \/> <a class=\"read-more\" href=\"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/artigo19306\/\">Leia mais<\/a><\/p>\n<div class=\"pvc_clear\"><\/div>\n<p id=\"pvc_stats_19306\" class=\"pvc_stats all  \" data-element-id=\"19306\" style=\"\"><i class=\"pvc-stats-icon medium\" aria-hidden=\"true\"><svg aria-hidden=\"true\" focusable=\"false\" data-prefix=\"far\" data-icon=\"chart-bar\" role=\"img\" xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\" viewBox=\"0 0 512 512\" class=\"svg-inline--fa fa-chart-bar fa-w-16 fa-2x\"><path fill=\"currentColor\" d=\"M396.8 352h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8V108.8c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v230.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8zm-192 0h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8V140.8c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v198.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8zm96 0h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8V204.8c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v134.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8zM496 400H48V80c0-8.84-7.16-16-16-16H16C7.16 64 0 71.16 0 80v336c0 17.67 14.33 32 32 32h464c8.84 0 16-7.16 16-16v-16c0-8.84-7.16-16-16-16zm-387.2-48h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8v-70.4c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v70.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8z\" class=\"\"><\/path><\/svg><\/i> <img decoding=\"async\" width=\"16\" height=\"16\" alt=\"Loading\" data-src=\"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/wp-content\/plugins\/page-views-count\/ajax-loader-2x.gif\" border=0 src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" class=\"lazyload\" style=\"--smush-placeholder-width: 16px; --smush-placeholder-aspect-ratio: 16\/16;\" \/><\/p>\n<div class=\"pvc_clear\"><\/div>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"Closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[16],"tags":[],"class_list":["post-19306","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-mensagens-diversas"],"a3_pvc":{"activated":true,"total_views":561,"today_views":0},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19306","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=19306"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19306\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=19306"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=19306"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=19306"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}