{"id":19346,"date":"2023-03-24T14:12:00","date_gmt":"2023-03-24T14:12:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2023-03-24T14:12:00","modified_gmt":"2023-03-24T14:12:00","slug":"artigo19346","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/artigo19346\/","title":{"rendered":"34 RECORDA\u00c7\u00d5ES DO PASSADO &#8211; DI\u00c1LOGO COM AS SOMBRAS HERM\u00cdNIO C. MIRANDA"},"content":{"rendered":"<p>Somos o nosso pr\u00f3prio passado.<br \/> Dormem soterradas nos tenebrosos por\u00f5es do inconsciente as raz\u00f5es das nossas ang\u00fastias de hoje, tanto quanto est\u00e3o em n\u00f3s as conquistas positivas, que lutam por consolidar-se na complexidade da nossa psicologia, tentando suplantar os apelos negativos que insistem em infelicitar-nos.<br \/> Estamos a caminho da reden\u00e7\u00e3o quando damos apoio consciente \u00e0s tend\u00eancias do bem em n\u00f3s, quando estimulamos, com as nossas l\u00e1grimas, e cultivamos, com amor e sofrimento, as sementeiras da paz.<br \/> Se, ao contr\u00e1rio, nos deixamos dominar pelas sombras que trazemos no \u00edntimo, paramos no tempo, enquanto se aprofundam em n\u00f3s as ra\u00edzes do desequil\u00edbrio, no terreno f\u00e9rtil das paix\u00f5es que julgamos tragicamente indom\u00e1veis, quando s\u00e3o, simplesmente, indomadas.<br \/> \u00c9 preciso saber que cabe a n\u00f3s \u2014 e a ningu\u00e9m mais \u2014\tdom\u00e1-las; mas, enquanto nos apraz o erro, todo o nosso esfor\u00e7o \u00e9 posto na tarefa ingl\u00f3ria de manter soltas as pa\u00edx\u00f5es, e presas as recorda\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>S\u00e3o de incontest\u00e1vel import\u00e2ncia estas no\u00e7\u00f5es, no trabalho de desobsess\u00e3o.<br \/> Para o Esp\u00edrito atormentado pelos seus desequil\u00edbrios, o futuro n\u00e3o importa, o passado n\u00e3o interessa e o presente \u00e9 a \u00fanica realidade que aceitam e manipulam livremente, segundo os impulsos do momento.<br \/> Comprimidos numa estreita faixa de presente, que procuram viver com toda a intensidade poss\u00edvel, entre um futuro que ainda n\u00e3o existe e um passado que procuram ignorar, esquecem-se de que n\u00e3o poder\u00e3o, jamais, fugir \u00e0s suas responsabilidades e compromissos.<\/p>\n<p>Quando os advertimos dessas incongru\u00eancias funestas, respondem-nos que n\u00e3o est\u00e3o preocupados com o futuro, dado que, ao chegar a vez de sofrerem pelos seus erros, saber\u00e3o faz\u00ea-lo com dignidade e coragem.<br \/> Esperam, naturalmente, ser t\u00e3o valentes perante a dor pr\u00f3pria, quanto o s\u00e3o perante a alheia.<br \/> Tr\u00e1gico e doloroso engano \u00e9 esse; mas, que se h\u00e1 de fazer? Temos a impenitente propens\u00e3o para rejeitar como inv\u00e1lida a experi\u00eancia alheia.<br \/> Quanto mais arrogante e belicoso o companheiro desarvorado, maior a dor que experimenta ao despertar para as realidades que procurou ignorar por tanto tempo.<br \/> A dor dos grandes criminosos \u00e9 terr\u00edvel, comovedora, tr\u00e1gica, desesperada, nesses momentos dram\u00e1ticos em que o Esp\u00edrito se acha completamente aturdido ante a enormidade de seus erros.<\/p>\n<p>Para abrir diante dele uma janela sobre si mesmo, a chave mais importante de que disp\u00f5e o doutrinador consiste em lev\u00e1-lo a contemplar seu pr\u00f3prio passado, fortemente protegido pelos mecanismos do esquecimento deliberado.<\/p>\n<p>Talvez por isso escreveu Sholem Asch, na abertura de \u201cO Nazareno\u201d:<br \/>\n<br \/>\u201cN\u00e3o o poder de recordar, e sim o poder de esquecer, constitui uma das condi\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias \u00e0 nossa exist\u00eancia.<br \/>\u201d<br \/>\n<br \/>O escritor judaico n\u00e3o positivou no livro a sua cren\u00e7a na reencarna\u00e7\u00e3o, embora seja essa a tem\u00e1tica de que se utilizou para elaborar a sua est\u00f3ria, mas n\u00e3o se pode negar a sua intui\u00e7\u00e3o da verdade.<br \/> \u00c9 precisamente por isso que a sabedoria divina determinou que se apagasse em n\u00f3s, ao tomarmos novo est\u00e1gio na carne, a lembran\u00e7a das exist\u00eancias anteriores.<br \/> Que seria de n\u00f3s, se f\u00f4ssemos obrigados a viver sob o tropel das pungentes recorda\u00e7\u00f5es de antigos e medonhos erros?<br \/>\n<br \/>\u00c9 preciso, no entanto, distinguir bem uma coisa da outra.<br \/> O esquecimento proporcionado ao Esp\u00edrito, na fase da reencarna\u00e7\u00e3o, \u00e9 uma b\u00ean\u00e7\u00e3o, uma concess\u00e3o, para que ele tente a reconstru\u00e7\u00e3o de si mesmo, como se estivesse momentaneamente desligado das suas culpas, embora ainda respons\u00e1vel por elas.<br \/> Com a finalidade de conceder-lhe todas as oportunidades, e colocar \u00e0 sua disposi\u00e7\u00e3o os melhores instrumentos, o esquecimento do passado constitui d\u00e1diva preciosa, que nem sempre ele sabe avaliar.<br \/> Retornando, n\u00e3o obstante, \u00e0 sua condi\u00e7\u00e3o de esp\u00edrito desencarnado, pode ser-lhe facultado o acesso \u00e0 mem\u00f3ria integral, para que fa\u00e7a um invent\u00e1rio geral de seu acervo espiritual \u2014 as afli\u00e7\u00f5es que remanescem e as conquistas que j\u00e1 conseguiu realizar.<\/p>\n<p>Esse momento \u00e9 cr\u00edtico, na trajet\u00f3ria evolutiva do Esp\u00edrito.<br \/> Novamente se v\u00ea ele numa das in\u00fameras encruzilhadas da vida: por um lado, poder\u00e1 prosseguir no \u00e1spero caminho da reden\u00e7\u00e3o; conseguiu abrandar algumas arestas mais contundentes do seu car\u00e1ter e desenvolver umas poucas virtudes embrion\u00e1rias.<br \/> \u00c9 seguir em frente, em nova aventura na carne, depois de uma pausa, para refazer-se, no mundo espiritual.<br \/> \u00c9 certo que, por a\u00ed dificilmente ele ir\u00e1 \u00e0 gl\u00f3ria imediata, ainda que ef\u00eamera, ou ao poder, que talvez ainda o fascine; \u00e9 mais certo que continue o percurso da dor, da ren\u00fancia, dos desenganos, porque a reden\u00e7\u00e3o ainda vem longe, para aquele que muito errou.<\/p>\n<p>Do outro lado, est\u00e1 o caminho aparentemente mais f\u00e1cil e certamente mais convidativo do adiamento.<br \/> Ficam para depois as conquistas sobre n\u00f3s mesmos.<br \/> Vamos primeiro \u201cgozar\u201d a vida, dominar o semelhante, a\u00e7ambarcar o poder, acumular riquezas materiais, viver, enfim, intensamente, irresponsavelmente, alegremente.<br \/> Depois, veremos como acertar essas contas com o que, por largos s\u00e9culos ou mil\u00eanios, teimamos em chamar de destino.<br \/> \u00c9 aquele que opta por este caminho, que tamb\u00e9m decide pelo esquecimento.<br \/> Suas ang\u00fastias s\u00e3o muitas, seus remorsos extremamente penosos, e ningu\u00e9m pode gozar a vida com esse lastro de afli\u00e7\u00f5es.<br \/> O melhor, mesmo, \u00e9 esquec\u00ea-las, sepult\u00e1-las, ignor\u00e1-las, como se o passado n\u00e3o existisse mais em n\u00f3s, e o futuro nunca fosse existir.<\/p>\n<p>Dentro dessa l\u00f3gica atormentada, encerra-se o Esp\u00edrito end\u00edvidado num c\u00edrculo de fogo, de sua pr\u00f3pria cria\u00e7\u00e3o.<br \/> S\u00f3 poder\u00e1 sair queimando-se; enquanto permanecer ali, est\u00e1 abrigado de si mesmo.<br \/> Para proteger-se do calor que faz \u00e0 sua volta, congela o cora\u00e7\u00e3o, pois, al\u00e9m disso, o frio anestesia a sensibilidade e o imuniza da dor alheia.<\/p>\n<p>Est\u00e1 pronto o obsessor para a sua tarefa.<br \/> \u00c9 s\u00f3, agora, sair em campo, buscar seus comparsas, perseguir seus inimigos e construir um nicho para si mesmo, no mundo espiritual, ligando-se a tenebrosas organiza\u00e7\u00f5es, dentro das quais os membros protegem-se mutuamente, enquanto mutuamente se servirem.<br \/> Dentro de pouco tempo \u2014 e que \u00e9 o tempo, em tais condi\u00e7\u00f5es? \u2014 o passado, que foi recalcado para os subterr\u00e2neos da mem\u00f3ria perispiritual, passa \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de n\u00e3o-existente.<br \/> \u00c9 como se a vida principiasse novamente, do ponto em que a inoc\u00eancia a deixou, h\u00e1 mil\u00eanios sem conta, O Esp\u00edrito, assim envolvido, acaba por acreditar-se uma criatura sem passado, embora, adstrito \u00e0 incoer\u00eancia dos alienados, utilize-se, em proveito pr\u00f3prio, de todo o acervo de experi\u00eancias e conhecimentos que traz em si, daquele mesmo passado que renega.<\/p>\n<p>Se \u00e9 verdade, pois, que temos de descobrir uma f\u00f3rmula para lev\u00e1-lo a recordar, \u00e9 igualmente verdadeiro que se torna extremamente dif\u00edcil faz\u00ea-lo, porque \u00e9 justamente disso que ele foge.<br \/> Quantas vezes os temos surpreendido a advertirem-se do \u201cperigo\u201d que representa, para eles, ca\u00edrem na faixa da recorda\u00e7\u00e3o.<br \/> Como reagem, como relutam, como temem os fantasmas interiores, que lhes pareciam desintegrados para sempre na poeira do tempo!.<br \/>.<br \/>.<\/p>\n<p>V\u00e1rios recursos s\u00e3o empregados, pelos mentores espirituais dos grupos de desobsess\u00e3o, para obter dos companheiros desarvorados o mergulho necess\u00e1rio nas lembran\u00e7as recalcadas.<\/p>\n<p>Um dos mais comuns \u00e9 o da proje\u00e7\u00e3o dos chamados \u201cquadros flu\u00eddicos\u201d.<br \/> O Esp\u00edrito v\u00ea, diante de si, incoercivelmente, cenas vivas de seu passado, especialmente aquelas que constituem o n\u00facleo de sua problem\u00e1tica, que precisa ser dispersado, para desatar os la\u00e7os que o prendem \u00e0s suas ang\u00fastias e ao seu alheamento.<br \/> \u00c9 evidente que as cenas n\u00e3o s\u00e3o criadas com a subst\u00e2ncia evanescente da fantasia; a mat\u00e9ria-prima, indispens\u00e1vel a essas montagens, encontra-se nos arquivos perispirituais do ser ali presente.<br \/> Os t\u00e9cnicos desencarnados limitam-se a manipular, com respeito e dignidade, os recursos necess\u00e1rios para desencadear o processo terap\u00eautico, como o m\u00e9dico que ministra um rem\u00e9dio amargo, justificado pela expectativa da cura de seu doente.<\/p>\n<p>N\u00e3o temos, ainda, os encarnados, condi\u00e7\u00f5es e conhecimentos para apreender a ess\u00eancia das t\u00e9cnicas empregadas para a obten\u00e7\u00e3o das proje\u00e7\u00f5es.<br \/> Andr\u00e9 Luiz deixa-nos entrever tais processos, em \u201cMission\u00e1rios da Luz\u201d, quando narra o trabalho de doutrina\u00e7\u00e3o junto a um ex-sacerdote desencarnado: \u201c.<br \/>.<br \/>.<br \/> v\u00e1rios ajudantes de servi\u00e7o \u2014 escreve ele, no cap\u00edtulo 17 \u2014 recolhiam as for\u00e7as mentais emitidas pelos irm\u00e3os presentes, inclusive as que flu\u00edam abundantemente do organismo medi\u00fanico, o que, embora n\u00e3o fosse novidade, me surpreendeu pelas caracter\u00edsticas diferentes com que o trabalho era levado a efeito.<br \/>\u201d<br \/>\n<br \/>\u2014\t\u201cEsse material \u2014 explicou o instrutor \u2014 representa vigorosos recursos pl\u00e1sticos, para que os benfeitores de nossa esfera se fa\u00e7am vis\u00edveis aos irm\u00e3os perturbados e aflitos, ou para que<br \/>\n<br \/>materializem provisoriamente certas imagens ou quadros, indispens\u00e1veis ao reavivamento da emotividade e da confian\u00e7a nas almas infelizes.<br \/>\u201d (Destaques desta transcri\u00e7\u00e3o.<br \/>)<br \/>\n<br \/>O instrutor prossegue, explicando que, com essas formas de energia, recolhida dos encarnados presentes, podem os benfeitores espirituais prestar certos servi\u00e7os importantes \u00e0queles que se encontram ainda presos ao padr\u00e3o vibrat\u00f3rio da carne, n\u00e3o obstante j\u00e1 se acharem desligados dela, \u00e0s vezes, h\u00e1 muito tempo.<\/p>\n<p>Ante o impacto dessas imagens, que parecem surgir l\u00edmpidas, vivas e dram\u00e1ticas, de um passado que julgavam morto, os irm\u00e3os desarvorados parecem saltar o circulo de fogo que os envolve, e, como se do lado de fora de si mesmos, t\u00eam uma pausa para reexame de suas posi\u00e7\u00f5es desesperadas.<br \/> Afinal de contas, o que est\u00e3o fazendo? Que loucura \u00e9 aquela em que mergulhamos? De onde vem tudo isso, no passado, e at\u00e9 onde ir\u00e1, no futuro?<br \/>\n<br \/>Um desses companheiros atormentados, anti-semita irredut\u00edvel, viu os quadros do \u00eaxodo no antigo Egito, onde foi um dos membros sacrificados da corte do fara\u00f3.<br \/> Recuando mais, por\u00e9m, foi encontrar ra\u00edzes muito mais profundas, do drama, na antiga Babil\u00f4nia, onde, em posi\u00e7\u00e3o diferente, enfrentara o dif\u00edcil problema da longu\u00edssima saga do povo hebreu.<br \/> Pela primeira vez, em muito tempo, perguntou-me, algo perplexo:<br \/>\n<br \/>\u2014 Ser\u00e1 que isso n\u00e3o tem fim?<br \/>\n<br \/>Senti que a pergunta era mais dirigida a ele pr\u00f3prio do que a mim, mas, disse-lhe que sim, podemos p\u00f4r um ponto final nesses c\u00edrculos viciosos, que buscam eternizar-se dentro de n\u00f3s, por um esfor\u00e7o da nossa vontade, que s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel depois de compreendermos a inutilidade do \u00f3dio e a for\u00e7a invenc\u00edvel do amor.<\/p>\n<p>\u00c0s vezes, o Esp\u00edrito acha-se t\u00e3o profundamente condicionado ao clima vibrat\u00f3rio mais grosseiro, que se torna necess\u00e1rio aos benfeitores utilizar ectoplasma, produzido por m\u00e9diuns de efeitos f\u00edsicos, n\u00e3o apenas para adensar as formas perispirituais de companheiros desencarnados, que devem tornar-se vis\u00edveis, como verificamos no texto de Andr\u00e9 Luiz, acima transcrito, como para formar os pr\u00f3prios \u201cquadros\u201d.<br \/> Num caso particularmente dif\u00edcil que tivemos, um dos m\u00e9diuns come\u00e7ou a expelir ectoplasma, enquanto eu dialogava com o Esp\u00edrito incorporado.<br \/> A certa altura, o ectoplasma formou, para a sua vis\u00e3o, as letras de um nome de mulher, antigo amor, cuja lembran\u00e7a ele procurava recalcar nos por\u00f5es da mem\u00f3ria.<\/p>\n<p>Em outro caso, de vigorosa dramaticidade, o Esp\u00edrito viu, sobre a mesa, um grosso livro, encadernado em capa de madeira, sobre a qual estava seu nome, escrito em belos caracteres de bronze.<br \/> Era a hist\u00f3ria de sua pr\u00f3pria vida.<br \/> Ele sabia que precisava abri-lo, mas n\u00e3o se sentia encorajado.<br \/> Era, evidentemente, um recurso, para lev\u00e1-lo ao reexame de seus atos, ao passado, enfim.<br \/> Depois de muita relut\u00e2ncia, fez o gesto de virar a capa.<br \/> A primeira p\u00e1gina estava em branco! Fez uma pausa e virou mais uma: tamb\u00e9m em branco.<br \/>.<br \/> &#8211; Todo o livro estava em branco.<br \/>.<br \/>.<br \/> A li\u00e7\u00e3o era por demais \u00f3bvia: nada constru\u00edra naquela exist\u00eancia tumultuada, durante a qual dominara povos, ao poder da espada impiedosa.<\/p>\n<p>As cenas s\u00e3o mostradas com todo o seu realismo: o movimento, os sons, as cores, como se um \u201cvideo tape\u201d as reproduzisse, com toda a sua intensidade e emotividade.<br \/> Com muita freq\u00fc\u00eancia, os Esp\u00edritos relutam em contempl\u00e1-las, e procuram fugir das vis\u00f5es que, n\u00e3o obstante, tornam-se irrecus\u00e1veis, e imp\u00f5em-se, a despeito deles pr\u00f3prios.<\/p>\n<p>A um deles a vis\u00e3o era de uma folha de papel e uma pena.<br \/> Cabia-lhe assinar o documento, que ele sabia ser uma senten\u00e7a de morte.<br \/> Fizera-o, certamente, no passado, e agora revia o momento dram\u00e1tico, com uma diferen\u00e7a: algu\u00e9m contemplava, a curta dist\u00e2ncia, fixando nele um par de olhos tranq\u00fcilos, cheios de amor fraterno, provavelmente os de sua v\u00edtima.<br \/> Seu desespero \u00e9 atroz.<br \/> Pede que lhe tirem da frente o papel e a pena.<br \/> Que lhe cortem a m\u00e3o que assinou a senten\u00e7a e que fique cego, para n\u00e3o contemplar mais aqueles olhos.<br \/>.<br \/>.<br \/> Diz que matou uma santa, e informa:<br \/>\n<br \/>\u201cuns s\u00e3o canonizados e outros queimados\u201d.<\/p>\n<p>*<\/p>\n<p>Muito freq\u00fcente \u00e9 a presen\u00e7a de antigos e esquecidos amores:<br \/>\n<br \/>m\u00e3es, esposas, filhos, ou amigos muito chegados ao cora\u00e7\u00e3o.<br \/> Se fosse realizada uma pesquisa estat\u00edstica sobre tais manifesta\u00e7\u00f5es, estou certo de que as m\u00e3es ocupariam o primeiro lugar, destacadamente.<br \/> A pureza do amor materno permanece inalter\u00e1vel, ao longo dos s\u00e9culos e das vicissitudes, arrosta as ingratid\u00f5es, suporta as humilha\u00e7\u00f5es, vence o \u00f3dio, vence tudo.<\/p>\n<p>      Lembram-se das cenas finais de \u201cLiberta\u00e7\u00e3o\u201d? \u00c9 a m\u00e3e que vai buscar o filho amado, nas profundezas de seus tenebrosos dom\u00ednios.<br \/> Ela alcan\u00e7ara, j\u00e1 h\u00e1 muito, as regi\u00f5es da felicidade; mas, e a dor de ter o seu amado preso ainda \u00e0s paix\u00f5es do mundo? Vai ao seu encontro, numa descida sacrificial \u00e0s dif\u00edceis regi\u00f5es em que ele vive e sobre as quais reina, incontestado.<\/p>\n<p>\u2014 \u201cSou Matilde \u2014 diz ela \u2014 alma de tua alma, que, um dia, te adotou por filho querido e a quem amaste como dedicada m\u00e3e espiritual.<br \/>\u201d<br \/>\n<br \/>Quantas vezes temos assistido a reencontros emocionados, que nos velam de l\u00e1grimas os olhos!<br \/>\n<br \/>Lembro-me de um deles, em particular.<br \/> O Esp\u00edrito vinha assediando-nos h\u00e1 tempos, semana ap\u00f3s semana.<br \/> Manifestou-se, primeiro aparentemente muito calmo e tranq\u00fcilo.<br \/> Disse que ia passando por ali e resolvera fazer-nos uma visita.<br \/> Nada queria de especial: iria apenas observar-nos e, se fosse o caso, tomar suas provid\u00eancias\u201d.<br \/> Deixou no ar a amea\u00e7a \u00f4 partiu.<br \/> Mal suspeitava eu da demorada aventura que ali come\u00e7ava.<br \/>.<br \/>.<br \/> Por algumas semanas, observou-nos.<br \/> Pouco falava nas suas manifesta\u00e7\u00f5es.<br \/> Revelou, apenas, que j\u00e1 tinha sob seu controle alguns daqueles que dispunham de maior quantidade de \u201cmassa cinzenta\u201d, mas come\u00e7ava a deixar transparecer, tamb\u00e9m, certa preocupa\u00e7\u00e3o, porque algum delator, a seu ver, havia contado a n\u00f3s os seus prop\u00f3sitos e objetivos.<br \/> Na vez seguinte suas preocupa\u00e7\u00f5es estavam ampliadas, porque descobriu que, atrav\u00e9s de processos de regress\u00e3o de mem\u00f3ria, de nosso conhecimento, est\u00e1vamos penetrando certos n\u00facleos.<br \/> Nessa mesma noite, tem a primeira vis\u00e3o de algo que muito o perturba.<br \/> Adormece e parte.<br \/> Na semana seguinte n\u00e3o consegue mais manter-se calmo, como das vezes anteriores.<br \/> Est\u00e1 indignado, furioso.<br \/> Diz que tudo ruiu em torno dele.<br \/> Tinha o poder de um semideus, e \u201cfomos mexer com a sua familia!\u201d D\u00e1 murros na mesa, dominado pelo \u00f3dio e espica\u00e7ado pela humilha\u00e7\u00e3o.<br \/> Se pudesse, me pegaria, para mandar queimar-me vivo! Acaba em pranto, de revolta e de impot\u00eancia.<\/p>\n<p>Em seguida, por outro m\u00e9dium, manifesta-se um Esp\u00edrito feminino e conta a sua dolorosa hist\u00f3ria.<br \/> Foi m\u00e3e daquele que acaba de retirar-se.<br \/> Foi, por certo, a sua presen\u00e7a ali, junto dele, que o perturbou h\u00e1 duas semanas.<\/p>\n<p>\u2014 Ele \u00e9 bom \u2014 diz ela \u2014, mas muito vaidoso.<\/p>\n<p>Ainda v\u00ea nele o filho querido de quatro s\u00e9culos atr\u00e1s.<br \/> Ela mesma ainda n\u00e3o est\u00e1 bem.<br \/> Sofre muito e foi trazida somente para<br \/>\n<br \/>encontrar-se com ele.<br \/> No passado, enquanto encarnados, tamb\u00e9m teve um encontro dram\u00e1tico com ele.<br \/> Ele a abandonara \u00e0 sua pr\u00f3pria sorte e ela enveredara pela degrada\u00e7\u00e3o mais abjeta.<br \/> Quando j\u00e1 se encontrava na sarjeta, procurou-o e foi repelida.<br \/> Ele se havia tornado muito importante na hierarquia eclesi\u00e1stica.<\/p>\n<p>Os s\u00e9culos se passaram, e tudo quanto ela esperava, agora, era merecer novamente a oportunidade de ser m\u00e3e, m\u00e3e digna.<br \/> Digo-lhe que as m\u00e3es s\u00e3o seres humanos e, por isso, tamb\u00e9m erram.<br \/> Ofere\u00e7o-lhe a nossa ajuda, que ela agradece, dizendo que tem de voltar para onde est\u00e1, no momento.<\/p>\n<p>Com este caso, desencadeou-se extenso processo, que se desdobrou em aspectos inesperados e de profundas implica\u00e7\u00f5es.<br \/> Nunca pudemos, no entanto, esquecer a ajuda daquela m\u00e3e humilde, e ainda mergulhada nas dores do resgate, que nos ajudou, com a sua presen\u00e7a amiga, a despertar o valoroso Esp\u00edrito que adormecera nas suas paix\u00d5es, embalado pelo amor ao poder.<\/p>\n<p>Em caso semelhante a esse, o Esp\u00edrito consegue divisar a figura de sua m\u00e3e, ajoelhada diante dele, a pedir-lhe perd\u00e3o.<br \/> Ele reluta e resiste, porque \u00e9 este, precisamente, o \u00e2mago de sua problem\u00e1tica: foi abandonado, por ela, \u00e0 roda, e por isso ele repete agora, a si mesmo, que n\u00e3o tem m\u00e3e.<br \/> Oramos, damos-lhe passes, e, por fim, ele n\u00e3o mais resiste:<br \/>\n<br \/>\u2014\tTenho m\u00e3e! \u2014 diz ele.<br \/> \u2014 N\u00e3o sou um desgra\u00e7ado!<br \/>\n<br \/>De outra vez, num caso a que j\u00e1 me referi alhures, o Esp\u00edrito tinha um problema pessoal comigo.<br \/> Era quest\u00e3o antiga, de mais de oito s\u00e9culos! Em conseq\u00fc\u00eancia desse, e de outros desenganos, vagava ainda pelas trilhas da revolta e do rancor.<br \/> O problema era extremamente dif\u00edcil, porque se tratava de um caso em que o \u00f3dio concentrava-se diretamente sobre um de n\u00f3s, precisamente aquele que se incumbia de doutrin\u00e1-lo e esclarec\u00ea-lo.<br \/> Ele se mantinha irredut\u00edvel, pois minha presen\u00e7a obviamente reanimava nele as antigas paix\u00f5es e frustra\u00e7\u00f5es, das quais n\u00e3o conseguira desembara\u00e7ar-se.<br \/> Foi num desses pontos cr\u00edticos do di\u00e1logo que outro m\u00e9dium me disse que um Esp\u00edrito presente desejava dizer alguma coisa diretamente a ele.<br \/> Era sua m\u00e3e.<br \/> Elevei meu pensamento em prece e, com enorme respeito, ouvi o di\u00e1logo atrav\u00e9s do tempo, entre a m\u00e3e amorosa, que n\u00e3o esquecera e sofria com a aus\u00eancia do filho, e o filho que recusava obstinadamente o amor, porque estava achando imposs\u00edvel viver sem o \u00f3dio e a vingan\u00e7a.<\/p>\n<p>Pede-lhe ela, com infinito carinho e humildade, que abandone aquela vida e venha para junto de seu cora\u00e7\u00e3o.<br \/> Todos est\u00e3o juntos na fam\u00edlia; s\u00f3 ele est\u00e1 ausente.<br \/> N\u00e3o est\u00e1 convencido de que ele a recuse.<br \/> Deseja ouvir dele pr\u00f3prio a negativa.<br \/> E ele diz que n\u00e3o a quer mesmo, pois seu caso ali \u00e9 outro.<br \/> Que ela n\u00e3o se meta; continue a fazer seus bordados.<br \/> Ela lhe lembra as velhas cantigas e aquele tempo em que ele orava no quarto, em sil\u00eancio, junto de Deus.<br \/> Depois lhe diz que vai deixar o m\u00e9dium, pelo qual lhe est\u00e1 falando, para aconcheg\u00e1-lo junto ao seu cora\u00e7\u00e3o.<br \/> Ora, comovidamente, \u00e0 M\u00e3e Sant\u00edssima, em palavras simples, expondo o seu problema e as suas dores.<\/p>\n<p>Quando conseguimos, afinal, despertar o amado companheiro, dirijo a ela um pensamento de infinita ternura e gratid\u00e3o, porque estou certo de que, sem o seu concurso, n\u00e3o o ter\u00edamos alcan\u00e7ado.<br \/> Bem que ela poderia tamb\u00e9m ter guardado certa m\u00e1goa de mim, porque fui um dos agentes de sua ang\u00fastia, mas n\u00e3o teve para mim uma palavra de censura ou de amargor.<\/p>\n<p>Em outro caso, tamb\u00e9m muito dif\u00edcil, o Esp\u00edrito, autorit\u00e1rio e empolgado pelas suas id\u00e9ias e pelo seu rancor, recebeu, diante de n\u00f3s, a visita de um menino (teria sido seu filho ou neto?) que o desarmou com seu carinho, seus apelos, sua ternura infantil, saltando, sem-cerim\u00f4nia, para o seu colo.<br \/>.<br \/>.<\/p>\n<p>Basta um momento assim, de ternura, de recorda\u00e7\u00e3o, de amor, para que a luz penetre o cora\u00e7\u00e3o angustiado desses queridos companheiros, perdidos num d\u00e9dalo de sentimentos confusos, cercados de sombras, dominados pela afli\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>De outras vezes, amigos e parentes acham-se presentes, mas n\u00e3o se revelam \u00e0 vis\u00e3o do Esp\u00edrito manifestado.<br \/> Respeitemos suas raz\u00f5es, que usualmente s\u00e3o v\u00e1lidas: n\u00e3o teria ainda chegado a hora do reencontro.<\/p>\n<p>Numa dessas oportunidades, o Esp\u00edrito viera dar uma ajuda, no caso de um companheiro de quem est\u00e1vamos tratando.<br \/> Em tempos idos, fora um dos principais instrumentos dos terr\u00edveis desvarios daquele a quem desejava, agora, ajudar a libertar de suas ang\u00fastias.<br \/> Mesmo assim, ainda trazia ressaibos de ironia.<br \/> Ao manifestar-se, fez uma sauda\u00e7\u00e3o:<br \/>\n<br \/>\u2014\tDivino! Divino!<br \/>\n<br \/>E o m\u00e9dium dobrava-se sobre a mesa, de bra\u00e7os estendidos, fazendo mesuras.<br \/> Servira aos imperadores romanos.<br \/> Eles ainda se julgavam deuses, dizia.<br \/> Estava, por\u00e9m, bastante l\u00facido.<br \/> Informou-me de que, nesse \u00ednterim de quase dois mil\u00eanios, tivera outras encarna\u00e7\u00f5es.<br \/> Lamenta a perniciosa influ\u00eancia que exerceu sobre os seus soberanos, a\u00e7ulando-lhes paix\u00f5es aviltantes.<br \/> Eram pobres criaturas desequilibradas, mas ele, n\u00e3o; estava perfeitamente l\u00facido e consciente do que fazia, utilizando o poder dos C\u00e9sares para promover seus interesses inconfess\u00e1veis.<br \/> Por isso, estava ainda preso a eles.<br \/> Quanto ao Cristianismo, j\u00e1 sabia, naquele tempo, que era a doutrina melhor, mas rejeitou-a deliberadamente, porque n\u00e3o lhe convinha.<br \/> Digo-lhe que precisa, agora, encarar seu antigo amo, n\u00e3o como a um poderoso, mas como a um Esp\u00edrito infeliz, desarvorado e sofredor, que precisa de muita ajuda e compreens\u00e3o.<\/p>\n<p>Promete ajudar e diz que o que o salvou foi a vis\u00e3o de um homem pregado \u00e0 cruz, na antiga Roma, e cujo olhar n\u00e3o mais esquecera, atrav\u00e9s dos tempos.<br \/> Aqueles olhos lhe penetravam as mais profundas e ignotas camadas do ser.<\/p>\n<p>Diz-me uma palavra de muito afeto e anuncia que ficaria ali, ao lado, \u00e0 minha direita, invis\u00edvel ao seu antigo chefe, pois n\u00e3o chegara ainda o momento de apresentar-se \u00e0 sua vis\u00e3o.<br \/> Poderia perturb\u00e1-lo.<br \/> E me diz, com inesquec\u00edvel toque de autenticidade, que \u201cele\u201d era uma crian\u00e7a grande, f\u00e1cil de conduzir.<br \/> Bastava dar-lhe a impress\u00e3o de que a decis\u00e3o tomada fosse dele.<br \/> Eu deveria fazer isso; s\u00f3 que agora, para o bem, enquanto ele o fizera para o mal.<br \/> Antes de desligar-se do m\u00e9dium, disse-me, ainda, que sabia dos planos, j\u00e1 assentados, a respeito da pr\u00f3xima encarna\u00e7\u00e3o de seu antigo chefe, e que n\u00e3o iria ser nada f\u00e1cil.<br \/> Despedimo-nos com uma palavra de afei\u00e7\u00e3o muito sincera e amiga.<br \/> Este Esp\u00edrito deixou em mim uma sensa\u00e7\u00e3o de fraternidade, compreens\u00e3o e simpatia.<br \/> Conhecedor de suas pr\u00f3prias afli\u00e7\u00f5es interiores, conservava-se, no entanto, consciente e disposto a corrigir-se, muito embora sabendo que era longo o caminho a percorrer, em vista da profundidade a que descera.<\/p>\n<p>Nunca sabemos, pois, que m\u00e9todos e recursos empregar\u00e3o os nossos mentores espirituais, na sua nobre tarefa de despertar os companheiros que permanecem hipnotizados \u00e0s suas ang\u00fastias.<br \/> As vezes, utilizam-se da proje\u00e7\u00e3o flu\u00eddica.<br \/> Os quadros s\u00e3o apresentados com todo o seu vigor e realismo, com cen\u00e1rios, personagens, cores, sons, movimento, emo\u00e7\u00f5es, mas formados com \u201cmaterial\u201d sacado do subconsciente do Esp\u00edrito, animado por meio de recursos retirados, como explica Andr\u00e9 Luiz, dos presentes em torno da mesa de trabalho.<br \/> Esses quadros exibem figuras humanas, tamb\u00e9m, \u00e9 claro, mas continuam sendo proje\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>De outras vezes, n\u00e3o obstante, \u00e9 necess\u00e1ria a presen\u00e7a real dos Esp\u00edritos ligados aos manifestantes, em recentes ou antigas encarna\u00e7\u00f5es.<br \/> Eles se apresentam aos seus olhos, conversam com eles diretamente, ou atrav\u00e9s de outro m\u00e9dium, ou se tornam semimaterializados, para poderem impressionar seus sentidos, mais pela presen\u00e7a de suas vibra\u00e7\u00f5es pessoais, do que pelo mero apelo da mem\u00f3ria.<br \/> Nos casos em que essa presen\u00e7a se faz indispens\u00e1vel, os benfeitores espirituais incumbem-se de localizar os Esp\u00edritos ligados ao irm\u00e3o que precisa de ajuda, e de traz\u00ea-los ao ambiente do trabalho, ainda que estejam encarnados, quer se encontrem end\u00edvidados ou redimidos perante a lei.<br \/> J\u00e1 vimos, aqui mesmo, caso em que o Esp\u00edrito manteve o di\u00e1logo com a antiga esposa<br \/>\n<br \/>\u2014\tno momento encarnada \u2014 que ele assassinara na Idade M\u00e9dia, num impulso de paix\u00e3o e ci\u00fame.<\/p>\n<p>\u00c9 preciso, pois, muito respeito com o trabalho dos nossos mentores invis\u00edveis, depois, naturalmente, que eles demonstrarem seus conhecimentos e sua capacidade, bem como a seguran\u00e7a com que executam suas tarefas.<br \/> Antes que inspirem essa confian\u00e7a em n\u00f3s, seria arriscado segui-los confiadamente, pois h\u00e1 Esp\u00edritos ardilosos, que se apresentam revestidos de peles de mansos cordeiros, para melhor dominar e impor as suas condi\u00e7\u00f5es.<br \/> Uma vez, por\u00e9m, identificados como aut\u00eanticos trabalhadores do Cristo, deixemos \u00e0 sua iniciativa a condu\u00e7\u00e3o dos trabalhos.<br \/> Isto n\u00e3o significa que devamos cruzar os bra\u00e7os e deix\u00e1-los fazer tudo; assistir a tudo sem esp\u00edrito cr\u00edtico e sem a necess\u00e1ria vigil\u00e2ncia, de que tanto nos falam eles.<br \/> N\u00e3o \u00e9 tudo que eles podem fazer por n\u00f3s.<br \/> Mesmo o grupo mais bem ajustado, integrado num trabalho s\u00e9rio e fecundo, poder\u00e1 ser sutilmente envolvido pelos ardis das sombras, naquilo em que os nossos compromissos e erros passados nos sintonizem com os companheiros desarvorados, muitos deles nossos antigos comparsas.<\/p>\n<p>\u00c9 claro que os trabalhadores da seara do amor precisam de nossa colabora\u00e7\u00e3o, de seres encarnados, pois, do contr\u00e1rio, tudo fariam sem n\u00f3s.<br \/> Sabem eles, no entanto, que h\u00e1 sempre, em n\u00f3s, um componente de incerteza, de falha, de descuido, que pode p\u00f4r tudo a perder.<br \/> Eles nos assistem com desvelado carinho, amparam-nos nas horas de incerteza, ajudam-nos nos momentos de fraqueza e de des\u00e2nimo, mas n\u00e3o podem fazer, por n\u00f3s, aquilo que nos compete.<br \/> Estejamos, pois, muito atentos.<\/p>\n<p>Quanto \u00e0 tarefa que lhes cabe, n\u00e3o obstante, estejamos tranq\u00fcilos: tudo ser\u00e1 feito, desde o planejamento cuidadoso at\u00e9 o \u00faltimo pormenor da execu\u00e7\u00e3o, com todas as op\u00e7\u00f5es e alternativas previamente examinadas.<br \/> S\u00e3o eles que nos preparam o trabalho, d\u00e3o-nos o apoio, a inspira\u00e7\u00e3o, os recursos e a sua presen\u00e7a constante, segura, tranq\u00fcila.<\/p>\n<p>\u00c9 certo, por\u00e9m, que n\u00e3o poder\u00e3o garantir o resultado, mesmo naquIlo que lhes cabe fazer.<br \/> N\u00e3o est\u00e3o manipulando mecanismos cibern\u00e9ticos, mas cuidando de seres humanos, dotados de livre-arb\u00edtrio, imprevis\u00edveis e, \u00e0s vezes, muito bem dotados intelectual-mente, e que n\u00e3o se deixar\u00e3o conduzir pela m\u00e3o, como crian\u00e7as timidas e ing\u00eanuas.<br \/> Eles sabem, por outro lado, que somos julgados n\u00e3o pelos resultados que alcan\u00e7amos, mas pelo esfor\u00e7o que empregamos em atingi-los.<\/p>\n<p>Procuremos respeitar-lhes o planejamento e a execu\u00e7\u00e3o, pois a vis\u00e3o que t\u00eam dos problemas suscitados \u00e9 incomparavelmente mais ampla do que a nossa, embora n\u00e3o infal\u00edvel, que infal\u00edvel s\u00f3 \u00e9 a vis\u00e3o divina.<br \/> Naturalmente que, de certa forma, participamos de algumas fases do planejamento e dos contactos realizados no mundo espiritual, acompanhando-os em excurs\u00f5es pelo mundo da dor, durante os desprendimentos, mas nosso conhecimento \u00e9 muito limitado, para autorizar-nos a precipitar qualquer situa\u00e7\u00e3o.<br \/> Se, por exemplo, ainda n\u00e3o \u00e9 chegado o momento de exibir uma proje\u00e7\u00e3o flu\u00eddica, n\u00e3o tentemos for\u00e7\u00e1-la, com passes e sugest\u00f5es verbais, ao Esp\u00edrito manifestado.<br \/> Se os companheiros dele, ali presentes, devem ser exibidos \u00e0 sua vis\u00e3o, ou n\u00e3o, tamb\u00e9m ignoramos.<\/p>\n<p>Enfim, a nossa posi\u00e7\u00e3o \u00e9 de ativa expectativa.<br \/> Para isso, precisamos (especialmente o doutrinador) estar com as antenas ps\u00edquicas permanentemente sintonizadas com os trabalhadores invis\u00edveis, para captar-lhes, atrav\u00e9s da intui\u00e7\u00e3o, as sutis instru\u00e7\u00f5es que nos ministram.<br \/> E, definitivamente, n\u00e3o nos envaide\u00e7amos com o resultado do trabalho realizado: cabe muito pouco, a n\u00f3s, dos m\u00e9ritos.<br \/> Baste-nos a alegria do dever cumprido, a doce felicidade de ter, uma vez mais, servido de humildes e imperfeitos instrumentos da pacifica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<div class=\"pvc_clear\"><\/div>\n<p id=\"pvc_stats_19346\" class=\"pvc_stats all  \" data-element-id=\"19346\" style=\"\"><i class=\"pvc-stats-icon medium\" aria-hidden=\"true\"><svg aria-hidden=\"true\" focusable=\"false\" data-prefix=\"far\" data-icon=\"chart-bar\" role=\"img\" 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Dormem soterradas nos tenebrosos por\u00f5es do inconsciente as raz\u00f5es das nossas ang\u00fastias de hoje, tanto quanto est\u00e3o em n\u00f3s as conquistas positivas, que lutam por consolidar-se na complexidade da nossa psicologia, tentando suplantar os apelos negativos que insistem em infelicitar-nos. Estamos a caminho da reden\u00e7\u00e3o quando damos apoio consciente \u00e0s&hellip; <br \/> <a class=\"read-more\" href=\"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/artigo19346\/\">Leia mais<\/a><\/p>\n<div class=\"pvc_clear\"><\/div>\n<p id=\"pvc_stats_19346\" class=\"pvc_stats all  \" data-element-id=\"19346\" style=\"\"><i class=\"pvc-stats-icon medium\" aria-hidden=\"true\"><svg aria-hidden=\"true\" focusable=\"false\" data-prefix=\"far\" data-icon=\"chart-bar\" role=\"img\" xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\" viewBox=\"0 0 512 512\" class=\"svg-inline--fa fa-chart-bar fa-w-16 fa-2x\"><path fill=\"currentColor\" d=\"M396.8 352h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8V108.8c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v230.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8zm-192 0h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8V140.8c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v198.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8zm96 0h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8V204.8c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v134.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8zM496 400H48V80c0-8.84-7.16-16-16-16H16C7.16 64 0 71.16 0 80v336c0 17.67 14.33 32 32 32h464c8.84 0 16-7.16 16-16v-16c0-8.84-7.16-16-16-16zm-387.2-48h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8v-70.4c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v70.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8z\" class=\"\"><\/path><\/svg><\/i> <img decoding=\"async\" width=\"16\" height=\"16\" alt=\"Loading\" data-src=\"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/wp-content\/plugins\/page-views-count\/ajax-loader-2x.gif\" border=0 src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" class=\"lazyload\" style=\"--smush-placeholder-width: 16px; --smush-placeholder-aspect-ratio: 16\/16;\" \/><\/p>\n<div class=\"pvc_clear\"><\/div>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"Closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[16],"tags":[],"class_list":["post-19346","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-mensagens-diversas"],"a3_pvc":{"activated":true,"total_views":419,"today_views":0},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19346","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=19346"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19346\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=19346"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=19346"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=19346"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}