{"id":19831,"date":"2024-02-23T12:12:00","date_gmt":"2024-02-23T12:12:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2024-02-23T12:12:00","modified_gmt":"2024-02-23T12:12:00","slug":"artigo19831","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/artigo19831\/","title":{"rendered":"Arrependimento &#8211; Reda\u00e7\u00e3o do Momento Esp\u00edrita"},"content":{"rendered":"<p>Arrepender-se, dizem, \u00e9 abrir-se para o bem.<\/p>\n<p>Trata-se de uma a\u00e7\u00e3o reparadora.<br \/> Quando nos arrependemos, pedimos desculpas e perd\u00e3o do mal praticado, de forma que permane\u00e7am os resultados felizes.<\/p>\n<p>\u00c9 preciso coragem para identificar o nosso erro.<br \/> Nobreza de car\u00e1ter o tentar repar\u00e1-lo.<\/p>\n<p>Existem, no entanto, algumas situa\u00e7\u00f5es em que tomamos certas atitudes que, por mais desejemos, n\u00e3o as temos como reparar.<\/p>\n<p>Como reparar a nega\u00e7\u00e3o de um abra\u00e7o, o di\u00e1logo?<\/p>\n<p>Como reparar aquele momento em que nosso irm\u00e3o esperava nossa m\u00e3o, amparando-o, e deixamos de oferec\u00ea-la?<\/p>\n<p>Momentos em que, por sofrimento pr\u00f3prio ou por revolta, decidimos n\u00e3o confort\u00e1-lo?<\/p>\n<p>Essas s\u00e3o aquelas circunst\u00e2ncias dif\u00edceis de serem sanadas.<br \/> N\u00e3o h\u00e1 como voltar para aquele minuto, reviver aquela circunst\u00e2ncia.<\/p>\n<p>Uma adolescente judia, quando foi, de forma agressiva, retirada de sua casa com a fam\u00edlia e acomodada em uma carro\u00e7a, com bancos de madeira, recorda da tristeza de seu pai.<\/p>\n<p>Lembra que ele, saindo da casa, ficou parado, olhando para a porta.<br \/> Parecia confuso, como um viajante que procura chaves nos bolsos na escurid\u00e3o da noite.<\/p>\n<p>O soldado o insultou, escancarou a porta com um chute e gritou para que ele aproveitasse a festa para seus olhos.<\/p>\n<p>Ele olhou para o espa\u00e7o escuro.<br \/> Parecia atordoado, como se n\u00e3o conseguisse decidir se o soldado estava sendo gentil ou indelicado.<\/p>\n<p>Depois, veio em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 carro\u00e7a para se juntar aos demais.<br \/> A menina ficou dividida entre o desejo de proteger seus pais e a tristeza por eles n\u00e3o a poderem proteger.<\/p>\n<p>Sentada ao lado da irm\u00e3 mais velha, ela a viu assustada.<br \/> Magda era quem sempre desafiava a autoridade, adorava provocar os outros.<\/p>\n<p>Agora parecia apavorada porque aqueles homens empunhavam armas e a viol\u00eancia estava presente.<\/p>\n<p>Anos depois, lembrando desse triste dia, diria a menina: Em minha lista de arrependimentos, este se destaca: n\u00e3o segurei a m\u00e3o de minha irm\u00e3.<\/p>\n<p>O que viria em seguida, seriam meses de medo, fome, frio.<br \/> Ela e a irm\u00e3 sobreviveram aos campos de concentra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Sua m\u00e3e foi mandada para o forno cremat\u00f3rio no primeiro dia, logo na chegada.<\/p>\n<p>Foi-lhe dito que, em breve, ela veria sua m\u00e3e.<br \/> Naquela noite, quando perguntou quando a poderia ver, uma prisioneira lhe apontou a fuma\u00e7a subindo de uma das chamin\u00e9s \u00e0 dist\u00e2ncia.<\/p>\n<p>Sua m\u00e3e est\u00e1 queimando l\u00e1 dentro.<br \/> \u00c9 melhor voc\u00ea come\u00e7ar a falar dela no passado.<\/p>\n<p>Estavam s\u00f3s, as duas irm\u00e3s.<br \/> Mais de uma vez ser\u00e1 Magda quem a salvar\u00e1.<br \/> Quando estava t\u00e3o fraca que n\u00e3o conseguia se mover de um local a outro, nas transfer\u00eancias de campos, ela a carregou.<\/p>\n<p>Quando foram colocadas em filas desordenadas para o corte de cabelo, a retirada das roupas, o furto das suas identidades, Magda n\u00e3o saiu do seu lado.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, quando chegou a liberta\u00e7\u00e3o, quando acabou o sofrimento para se iniciar a luta pelo rein\u00edcio de uma nova vida, ela amargaria, repetidas vezes, aquele gesto tolo: n\u00e3o ter segurado a m\u00e3o de sua irm\u00e3.<\/p>\n<p>Aquele era um momento de desespero, em que tudo lhes estava sendo retirado.<br \/> Por que n\u00e3o atendera ao \u00edmpeto do afeto?<\/p>\n<p>Pensemos a respeito e, em circunst\u00e2ncia alguma, detenhamos o gesto de carinho.<\/p>\n<p>Reda\u00e7\u00e3o do Momento Esp\u00edrita, com fatos colhidos<br \/>\n<br \/> no cap.<br \/> 2, do livro A bailarina de Auschwitz, de<br \/>\n<br \/> Edith Eva Eger, ed.<br \/> Sextante.<\/p>\n<p>Em 24.<br \/>3.<br \/>2022.<\/p>\n<div class=\"pvc_clear\"><\/div>\n<p id=\"pvc_stats_19831\" class=\"pvc_stats all  \" data-element-id=\"19831\" style=\"\"><i class=\"pvc-stats-icon medium\" aria-hidden=\"true\"><svg aria-hidden=\"true\" focusable=\"false\" data-prefix=\"far\" data-icon=\"chart-bar\" role=\"img\" xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\" viewBox=\"0 0 512 512\" class=\"svg-inline--fa fa-chart-bar fa-w-16 fa-2x\"><path fill=\"currentColor\" d=\"M396.8 352h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8V108.8c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v230.4c0 6.4 6.4 12.8 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Trata-se de uma a\u00e7\u00e3o reparadora. Quando nos arrependemos, pedimos desculpas e perd\u00e3o do mal praticado, de forma que permane\u00e7am os resultados felizes. \u00c9 preciso coragem para identificar o nosso erro. Nobreza de car\u00e1ter o tentar repar\u00e1-lo. 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