{"id":5022,"date":"2008-06-15T00:00:00","date_gmt":"2008-06-15T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2008-06-15T00:00:00","modified_gmt":"2008-06-15T00:00:00","slug":"artigo5022","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/artigo5022\/","title":{"rendered":"Hippolyte L\u00e9on Denizard Rivail (Allan Kardec) 1804-1869"},"content":{"rendered":"<div><font color=#000080>  <\/p>\n<table border=0 class=contentpaneopen>\n<tbody>\n<tr>\n<td colspan=2 width=70% align=left valign=top><span class=small><font color=#999999>Escrito por Carlos Antonio Fragoso Guimar\u00e3es <\/font><\/span>   <\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=2 valign=top>\n<h4 align=center><img src=http:\/\/www.rcespiritismo.com.br\/conteudo_site\/imagens\/Allan_Kardec.gif border=0 alt=Allan Kardec title=Allan Kardec width=198 height=273 \/>  <\/h4>\n<h4 align=center>Allan Kardec<\/h4>\n<p align=center><strong>O codificador da doutrina esp\u00edrita<\/strong><\/p>\n<p><span style=font-size: 9pt; font-family: Arial><font style=font-size: 9pt; text-indent: 15pt; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif color=#000000><\/p>\n<p style=margin: 0cm 0cm 0pt; text-indent: 18pt; text-align: justify class=MsoNormal><span style=font-size: 9pt; font-family: Arial>Durante todo o s\u00e9culo XVIII, a Fran\u00e7a se ergueu como o farol intelectual da civiliza\u00e7\u00e3o ocidental. Para l\u00e1 iam artistas, professores, fil\u00f3sofos e cientistas. Apesar do esbanjamento e da corrup\u00e7\u00e3o da corte, Paris foi, desde muito tempo, a capital europ\u00e9ia mais atrativa para os intelectuais do continente. Juntamente com a Alemanha, sua maior rival, a Fran\u00e7a era quem dirigia os rumos do intelecto humano, e foi com o Iluminismo que Paris passou ser conhecida como  a Cidade Luz \u009d, pois, depois de tanto tempo\u00e0 merc\u00ea dos ditames do clero e da aristocracia, o homem era incentivado a ser independente, a pensar com a pr\u00f3pria cabe\u00e7a.  Todos os homens s\u00e3o iguais \u009d, era o slogan do Iluminismo, que nasceu e teve suas maiores consequ\u00eancias em solo franc\u00eas.<\/span><\/p>\n<p style=margin: 0cm 0cm 0pt; text-indent: 18pt; text-align: justify class=MsoNormal><span style=font-size: 9pt; font-family: Arial>Embora tenha sido, na verdade, um retumbante movimento burgu\u00eas, com seus lament\u00e1veis e inevit\u00e1veis excessos, a Revolu\u00e7\u00e3o Francesa teve o m\u00e9rito de desmistificar a pseudo-superioridade das classes privilegiadas (a corrupta aristocracia e o hip\u00f3crita clero cat\u00f3lico), levantando a bandeira contagiante da  Liberdade, Igualdade e Fraternidade \u009d, e da  Declara\u00e7\u00e3o dos Direitos do Homem e do Cidad\u00e3o \u009d. Evidente-mente, a efervesc\u00eancia do per\u00edodo desembocou num paradoxo: surge o imp\u00e9rio napole\u00f4nico. Mas os frutos intelectuais da Revolu\u00e7\u00e3o permitiram limpar a Europa do velho ran\u00e7o aristocr\u00e1tico, for\u00e7ando a melhoria dos direitos sociais em todas as na\u00e7\u00f5es do ocidente, fortificando, mais do que nunca, o papel do Direito. <\/span><\/p>\n<p style=margin: 0cm 0cm 0pt; text-indent: 18pt; text-align: justify class=MsoNormal><span style=font-size: 9pt; font-family: Arial>Foi em meio a esse clima de mudan\u00e7as e de reconstru\u00e7\u00e3o de um novo mundo, onde vingava, por toda parte, os perfumes primaveris do romantismo, que nasce, em 03 de outubro de 1804, em plena era napole\u00f4nica, na cidade de Lyon, Hippolite L\u00e9on Denizard Rivail, que mais tarde adotaria o pseud\u00f4nimo Allan Kardec. Ele era filho de um juiz, Jean Baptiste-Antoine Rivail, e de Jeanne Duhamel.<\/span><\/p>\n<p style=margin: 0cm 0cm 0pt; text-indent: 18pt; text-align: justify class=MsoNormal>&nbsp;<\/p>\n<p style=margin: 0cm 0cm 0pt; text-indent: 18pt; text-align: justify class=MsoNormal><span style=font-size: 9pt; font-family: Arial><strong>Pestalozzi, o mestre<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=margin: 0cm 0cm 0pt; text-indent: 18pt; text-align: justify class=MsoNormal><span style=font-size: 9pt; font-family: Arial>Conta-se que o pai o iniciou com todo cuidado nas primeiras letras e o incentivou\u00e0 leitura dos cl\u00e1ssicos, j\u00e1 em tenra idade. Denizard Rivail sempre se mostrou muito interessado em ci\u00eancias e em l\u00ednguas. Ap\u00f3s completar os primeiros estudos em Lyon, Denizard partiu para a Sui\u00e7a, para completar seus estudos secund\u00e1rios na escola do c\u00e9lebre professor Pestalozzi, na cidade de Yverdon. Bem cedo o jovem de Lyon chama a aten\u00e7\u00e3o do mestre, que o coloca como seu auxiliar nos trabalhos acad\u00eamicos que exercia, tendo algumas vezes substitu\u00eddo Pestalozzi na dire\u00e7\u00e3o da escola, enquanto este empreendia alguma viagem de divulga\u00e7\u00e3o de sua metodologia de ensino ou era convidado para criar, em outras localidades, uma institui\u00e7\u00e3o nos moldes de Yverdon.<\/span><\/p>\n<p style=margin: 0cm 0cm 0pt; text-indent: 18pt; text-align: justify class=MsoNormal><span style=font-size: 9pt; font-family: Arial>Denizard tamb\u00e9m exercia com prazer o papel de professor, ensinando aos seus colegas as li\u00e7\u00f5es que aprendera. Ele, apesar de t\u00e3o respons\u00e1vel, era visto como uns jovens am\u00e1veis, espirituosos e muito disciplinado. N\u00e3o h\u00e1 registros de que tenha sido mal-quisto em qualquer fase de seu per\u00edodo estudantil.<\/span><\/p>\n<p style=margin: 0cm 0cm 0pt; text-indent: 18pt; text-align: justify class=MsoNormal><span style=font-size: 9pt; font-family: Arial>Denizard Rivail bacharelara-se em Letras e Ci\u00eancias. Falava fluentemente v\u00e1rios idiomas. Ap\u00f3s ser dispensado do servi\u00e7o militar, resolve fundar em Paris, uma escola nos moldes de Yverdon, que foi chamada de Liceu Polim\u00e1tico. Ele estava empenhado no aperfei\u00e7oamento pedag\u00f3gico da educa\u00e7\u00e3o francesa, e, por isso, escreveu v\u00e1rios livros sobre o assunto, tendo sido premiado por seu trabalho em 1831, pela Academia Real de Arras. Por esta mesma \u00e9poca casa-se com a professora Am\u00e9lie Gabrielle Boudet. <\/span><\/p>\n<p style=margin: 0cm 0cm 0pt; text-indent: 18pt; text-align: justify class=MsoNormal><span style=font-size: 9pt; font-family: Arial>Quando tudo parecia ir bem, o s\u00f3cio de Rivail, que era seu tio, leva o Liceu\u00e0 ru\u00edna, por dissipar, no jogo, vastas somas. Nada restava a Rivail que pedir a liquida\u00e7\u00e3o do Instituto a que se dedicara com tanto amor. Com o dinheiro resultante da partilha, Rivail sofre um outro imprevisto: ap\u00f3s ter aplicado o dinheiro na casa comercial de um de seus amigos, este logo abre fal\u00eancia, por realizar maus neg\u00f3cios, e Denizard se v\u00ea na constrangedora situa\u00e7\u00e3o de nada mais ter.<\/span><\/p>\n<p><span style=font-size: 9pt; font-family: Arial> <\/span> <\/p>\n<p style=margin: 0cm 0cm 0pt; text-indent: 18pt; text-align: justify class=MsoNormal><span style=font-size: 9pt; font-family: Arial><strong>Denizard Rivail e os livros did\u00e1ticos<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=margin: 0cm 0cm 0pt; text-indent: 18pt; text-align: justify class=MsoNormal><span style=font-size: 9pt; font-family: Arial>Para sobreviver, Rivail se lan\u00e7a freneticamente a escrever livros did\u00e1ticos e a trabalhar como contador de tr\u00eas firmas comerciais, o que lhe possibilitou, ap\u00f3s o susto e o desespero iniciais, recuperar parte de seu antigo padr\u00e3o de vida. Chegaram a organizar, tamb\u00e9m, cursos de F\u00edsica, Qu\u00edmica, Astronomia e Anatomia Comparada, que eram muito populares entre os jovens da \u00e9poca. Depois de algum tempo, Denizard Rivail j\u00e1 tinha o necess\u00e1rio para viver com certo conforto e se dedicar ao ensino novamente.<\/span><\/p>\n<p style=margin: 0cm 0cm 0pt; text-indent: 18pt; text-align: justify class=MsoNormal><span style=font-size: 9pt; font-family: Arial>Quase paralelamente a estes acontecimentos na vida de Denizard Rivail, ocorre nos E.U. A um conjunto de fen\u00f4menos que deram in\u00edcio ao nascimento do moderno Espiritismo (este termo, Espiritismo, foi cunhado em 1857, por Rivail, para distinguir este movimento de outras escolas espiritualistas). Trata-se dos fen\u00f4menos ocorridos em Hydesville, Estado de New York, em 1848, na casa da fam\u00edlia Fox, que era metodista, e, portanto, longe de ter qualquer queda ou interesse por fatos que poder\u00edamos hoje chamar de paranormais. As fortes pancadas que come\u00e7aram a ser violentamente ouvidas no quarto das irm\u00e3s Katherine e Margaretta e que se fizeram frequentes por v\u00e1rias semanas, levaram a primeira, ent\u00e3o com nove anos, a desafiar  o batedor \u009d a reproduzir as pancadas que ela mesma daria. A prontid\u00e3o das respostas acabaria por marcar o in\u00edcio desse tipo de comunica\u00e7\u00e3o entre vivos e mortos.<\/span><\/p>\n<p style=margin: 0cm 0cm 0pt; text-indent: 18pt; text-align: justify class=MsoNormal><span style=font-size: 9pt; font-family: Arial>Nesta \u00e9poca, em Paris, acontecia com frequ\u00eancia o fen\u00f4meno das  mesas falantes \u009d ou  mesas girantes \u009d, que consistia em se fazer perguntas ao redor de uma mesa ou outro m\u00f3vel qualquer que respondia atrav\u00e9s de pancadas\u00e0s perguntas formuladas.  Isto era visto apenas como uma sutil e inexplic\u00e1vel divers\u00e3o de sal\u00e3o, quando n\u00e3o era encarada como uma brincadeira ou embuste espirituoso. Mas havia quem levasse a s\u00e9rio tais coisas, pois muitas vezes as mesinhas davam respostas corretas sem que ningu\u00e9m conseguisse provar o descobrir quem ou o que fazia as mesas responderem as quest\u00f5es. Conv\u00e9m notar que esta  moda \u009d das mesinhas que giravam parecia ocorrer em todos os lugares e em v\u00e1rios pa\u00edses, num  boom \u009d que dificilmente pode ser creditado ao acaso. Em 1854, Denizard ouve falar pela primeira vez sobre tais  fen\u00f4menos \u009d, mas sua primeira atitude \u00e9 a de ceticismo:  Eu crerei quando vir, e quando conseguirem provar-me que uma mesa disp\u00f5e de c\u00e9rebro e nervos, e que pode se tornar son\u00e2mbula; at\u00e9 que isso se d\u00ea, d\u00eaem-me as permiss\u00f5es de n\u00e3o enxergar nisso mais que um conto para provocar o sono \u009d. <\/span><\/p>\n<p><span style=font-size: 9pt; font-family: Arial> <\/span> <\/p>\n<p style=margin: 0cm 0cm 0pt; text-indent: 18pt; text-align: justify class=MsoNormal><span style=font-size: 9pt; font-family: Arial><strong>Rivail e as mesas girantes<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=margin: 0cm 0cm 0pt; text-indent: 18pt; text-align: justify class=MsoNormal><span style=font-size: 9pt; font-family: Arial>Por insist\u00eancia dos amigos, Rivail presencia algumas das manifesta\u00e7\u00f5es f\u00edsicas das mesinhas. Depois da estranheza e da descren\u00e7a inicial, Rivail come\u00e7a a cogitar seriamente na validade de tais fen\u00f4menos. Eis o que ele nos relata:  De repente encontrava-me no meio de uns fatos esdr\u00edxulos, contr\u00e1rios,\u00e0 primeira vista,\u00e0s leis da natureza, ocorrendo em presen\u00e7a de pessoas honradas e dignas de f\u00e9. Mas a id\u00e9ia de uma mesa falante ainda n\u00e3o cabia em minha mente \u009d. E ainda:  Pela primeira vez pude testemunhar o fen\u00f4meno das mesas que giravam e pulavam em tais condi\u00e7\u00f5es que dificilmente poderia se acreditar serem frutos de embuste ou fraude (&#8230;) Minhas id\u00e9ias longe estavam de terem sofrido uma modifica\u00e7\u00e3o, mas em tudo aquilo que se sucedia devia haver uma explica\u00e7\u00e3o \u009d (segundo Henri Sausse, in Allan Kardec, ed. Opus). Foi em 1855 que Rivail testemunha pela primeira vez o fen\u00f4meno das mesas girantes. Passa ent\u00e3o a observar estes fatos. Pesquisa-os cuidadosamente e, gra\u00e7as ao seu esp\u00edrito de investiga\u00e7\u00e3o, que sempre lhe fora peculiar, resiste a elaborar qualquer teoria preconcebida. Ele quer, a todo custo, descobrir as causas. Como disse Henri Sausse:  Sua raz\u00e3o repele as revela\u00e7\u00f5es, somente aceita observa\u00e7\u00f5es objetivas e control\u00e1veis. (&#8230;) V\u00e1rios amigos que acompanhavam h\u00e1 cinco anos o estudo dos fen\u00f4menos, co-locam\u00e0 sua disposi\u00e7\u00e3o mais de cinquenta cadernos, contendo as comunica\u00e7\u00f5es feitas pelos esp\u00edritos. O estudo desses cadernos constituiu, para Rivail, o trabalho mais profundo e mais decisivo. Foi por esse estudo que ele se (&#8230;) convenceu da exist\u00eancia do mundo invis\u00edvel e dos Esp\u00edritos \u009d.<\/span><\/p>\n<p style=margin: 0cm 0cm 0pt; text-indent: 18pt; text-align: justify class=MsoNormal><span style=font-size: 9pt; font-family: Arial>Ele utilizava o material dos cadernos, com as respostas dadas pelos supostos esp\u00edritos, para refazer as mesmas perguntas para outros m\u00e9diuns, de prefer\u00eancia desconhecidas dos primeiros. Com base nas novas respostas, Rivail comparava o conte\u00eddo de ambas, e ficava perplexo com as similaridades frequ\u00eantes en-ter ele. Ele reformulava as perguntas, e pedia a ajuda de amigos para faz\u00ea-las a outros m\u00e9diuns, em outras localidades. Ele recebia as respostas e compilava-as organizadamente por t\u00f3picos e assuntos.<\/span><\/p>\n<p><span style=font-size: 9pt; font-family: Arial> <\/span> <\/p>\n<p style=margin: 0cm 0cm 0pt; text-indent: 18pt; text-align: justify class=MsoNormal><span style=font-size: 9pt; font-family: Arial><strong>A mediunidade<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=margin: 0cm 0cm 0pt; text-indent: 18pt; text-align: justify class=MsoNormal><span style=font-size: 9pt; font-family: Arial>Como poderia, pessoas que nunca se viram darem as mesmas respostas para as mesmas perguntas,\u00e0s quais possu\u00edam, frequentemente, um grande peso filos\u00f3fico e uma amplid\u00e3o de conhecimentos que escapavam\u00e0 forma\u00e7\u00e3o ou aos conhecimentos normais dos m\u00e9diuns? A \u00ednica resposta l\u00f3gica seria a de que agentes inteligentes as dariam por interm\u00e9dio de certas pessoas com uma sensibilidade ps\u00edquica especial: os m\u00e9diuns. Al\u00e9m do mais, Rivail notou que poderia existir uma extraordin\u00e1ria discrep\u00e2ncia entre o desenvolvimento moral e intelectual de um m\u00e9diun e as comunica\u00e7\u00f5es obtidas em estado de transe, que na \u00e9poca se chamava estado sonamb\u00edlico, ou, algumas vezes, de mesmeriza\u00e7\u00e3o, nome devido ao pioneiro da hipnose, Mesmer. Sendo assim, a faculdade de comunicar-se com os agentes inteligentes invis\u00edveis independentes do grau de desenvolvimento espiritual do m\u00e9diun, havendo m\u00e9diuns moralmente med\u00edocres, e at\u00e9 mesmo, perversos, e outros m\u00e9diuns de grande desenvolvimento moral, que podem, uns e outros, receberem mensagens de cunho elevado ou banal. <\/span><\/p>\n<p style=margin: 0cm 0cm 0pt; text-indent: 18pt; text-align: justify class=MsoNormal><span style=font-size: 9pt; font-family: Arial>Por estarem numa dimens\u00e3o diferente da nossa, estes agentes inteligentes invis\u00edveis teriam de vivenciar uma realidade pr\u00f3pria ao estado vibrat\u00f3rio de sua dimens\u00e3o que explicaria algumas caracter\u00edsticas das repostas dadas. Isso abriria um imenso leque de cogita\u00e7\u00f5es e de explica\u00e7\u00f5es extraordin\u00e1rias. Mas Rivail n\u00e3o se deixou levar pelo entusiasmo.<\/span><\/p>\n<p style=margin: 0cm 0cm 0pt; text-indent: 18pt; text-align: justify class=MsoNormal><span style=font-size: 9pt; font-family: Arial>Ele percebeu claramente, desde o in\u00edcio, que muitas das respostas obtidas por meio dos m\u00e9diuns eram tolas e pueris, e outro tinha muito a ver com os conhecimentos ou as cren\u00e7as do pr\u00f3prio m\u00e9dium, embora, durante o transe, ele comumente n\u00e3o tivesse consci\u00eancia do que dizia ou escrevia. Assim, Rivail chegou\u00e0s seguintes conclus\u00f5es:<\/span><\/p>\n<p style=margin: 0cm 0cm 0pt; text-indent: 18pt; text-align: justify class=MsoNormal><span style=font-size: 9pt; font-family: Arial>Primeiro, se s\u00e3o agentes inteligentes n\u00e3o f\u00edsicos que d\u00e3o as respostas, nem por isso eles parecem ser muito diferentes dos homens vivos, pois suas respostas s\u00e3o parecidas\u00e0s repostas que qualquer homem daria, inclusive dentro do n\u00edvel de instru\u00e7\u00e3o a que tenham chegado, pois h\u00e1 respostas muitas bem elaboradas junto com muitas outras muito f\u00edteis. E, segundo, algumas vezes as respostas s\u00e3o dadas de forma n\u00e3o-consciente, pelo pr\u00f3prio m\u00e9dium. Ent\u00e3o, seria o agente inteligente do pr\u00f3prio m\u00e9dium que daria certas respostas, em certas ocasi\u00f5es. Estas repostas n\u00e3o s\u00e3o destitu\u00eddas de valor. Elas podem apresentar um extraordin\u00e1rio grau de maturidade, mesmo que sejam estranhas ao pensa-mento normal do m\u00e9dium quando em estado de vig\u00edlia ou de consci\u00eancia desperta. <\/span><\/p>\n<p style=margin: 0cm 0cm 0pt; text-indent: 18pt; text-align: justify class=MsoNormal><span style=font-size: 9pt; font-family: Arial>Assim, Denizard Rivail reconhecia clara e lucidamente, que as entidades, por serem seres extra-corp\u00f3reos, nem por isso eram necessariamente mais s\u00e1bias  que os homens encarnados. Elas mesmas diziam que nada mais eram do que os esp\u00edritos dos homens que j\u00e1 morreram, e por isso mesmo, continuavam t\u00e3o humana e cheia de falhas quantas antes. E mais ainda, Rivail antecipou-se extraordinariamente em mais de quarenta e tr\u00eas anos a Sigmund Freud (1856-1939) ao reconhecer uma a\u00e7\u00e3o inconsciente pessoal agindo sobre a manifesta\u00e7\u00e3o medi\u00ednica, algumas vezes. Assim, poderemos nos perguntar, Rivail n\u00e3o teria sido, indiretamente, um precursor da c\u00e9tica Psican\u00e1lise?<\/span><\/p>\n<p><span style=font-size: 9pt; font-family: Arial> <\/span> <\/p>\n<p style=margin: 0cm 0cm 0pt; text-indent: 18pt; text-align: justify class=MsoNormal><span style=font-size: 9pt; font-family: Arial><strong>O Livro dos Esp\u00edritos<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=margin: 0cm 0cm 0pt; text-indent: 18pt; text-align: justify class=MsoNormal><span style=font-size: 9pt; font-family: Arial>Com o estudo meticuloso das respostas dadas pelos esp\u00edritos, por meio de diversos m\u00e9diuns e em diversas localidades de diversos pa\u00edses, Rivail teve suficiente material para compor um livro. Ele faz uma l\u00edcida introdu\u00e7\u00e3o sobre seu trabalho no pref\u00e1cio da obra que fez nascer o Espiritismo: O Livro dos Esp\u00edritos, lan\u00e7ado em Paris, em 18 de abril de 1857. Na capa da obra, est\u00e1 o nome do autor, ou melhor, o seu pseud\u00f4nimo, Allan Kardec. Rivail preferiu adotar este nome para diferenciar sua nova obra, dos trabalhos anteriores, voltados\u00e0 educa\u00e7\u00e3o e\u00e0 pedagogia. E por que Allan Kardec? Bem, certa ocasi\u00e3o, depois repetida in\u00edmeras vezes, um esp\u00edrito, que se denominava de Z, havia dito a Rivail que eles haviam sido amigos numa vida anterior. Eles haviam vivido entre os Druidas, nas G\u00e1lias, e o nome de Rivail era, na ocasi\u00e3o, Allan Kardec. \u00c9 incr\u00edvel, por\u00e9m mais uma vez uma antiga concep\u00e7\u00e3o fluente no ocidente desde Pit\u00e1goras, S\u00f3crates, Plat\u00e3o, Plotino e entre os povos origin\u00e1rios da Bretanha Maior e Menor, como nos Celtas, e nos chamados movimentos her\u00e9ticos como a dos C\u00e1taros e a dos Templ\u00e1rios, vinha\u00e0 tona novamente na Europa: a id\u00e9ia da reencarna\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p style=margin: 0cm 0cm 0pt; text-indent: 18pt; text-align: justify class=MsoNormal><span style=font-size: 9pt; font-family: Arial>De uma profundidade filos\u00f3fica e psicol\u00f3gica desconcertantes,  O Livro dos Esp\u00edritos \u009d possui passagens e reflex\u00f5es que v\u00e3o muito al\u00e9m do n\u00edvel de conhecimento ordin\u00e1rio de sua \u00e9poca de publica\u00e7\u00e3o, inclusive no que tange aos aspectos cient\u00edficos da obra. Citemos, s\u00f3 de passagem, a no\u00e7\u00e3o de evolu\u00e7\u00e3o das esp\u00e9cies vivas dado pelos esp\u00edritos e comentadas por Kardec, publicado nesta obra um ano antes do livro seminal de Charles Darwin,  A Origem das Esp\u00e9cies \u009d, ou ainda, da identidade entre mat\u00e9ria e energia (chamado por Kardec de fluido universal), que se diferenciam entre si apenas por um estado de condensa\u00e7\u00e3o da energia, muito antes de Albert Einstein. De igual modo, as no\u00e7\u00f5es de percep\u00e7\u00e3o de consci\u00eancia como sendo diferentes manifesta\u00e7\u00f5es de matura\u00e7\u00e3o ps\u00edquica lembra e muito as atuais abordagens da Psicologia, principalmente a Psicologia Transpessoal. H\u00e1 momentos em que a apresenta\u00e7\u00e3o da doutrina em  O Livro dos Esp\u00edritos \u009d n\u00e3o fica a dever em nada\u00e0s melhores teorias da personalidade da Psicologia moderna. A descri\u00e7\u00e3o de Kardec do Fluido Universal lembra o conceito de org\u00f4nio, ou orgon, dado pelo psicanalista Wilhelm Reich, pai da Bioenerg\u00e9tica. <\/span><\/p>\n<p style=margin: 0cm 0cm 0pt; text-indent: 18pt; text-align: justify class=MsoNormal><span style=font-size: 9pt; font-family: Arial>Da mesma f<\/span><span style=font-size: 9pt; font-family: Arial>orma, os fundamentos e causas do processo da reencarna\u00e7\u00e3o \u00e9 id\u00eantico aos fundamentos e causas postulados por alguns psico-terap\u00eautas (muitos dos quais n\u00e3o conhecem Allan Kardec) e que, por meios de desenvolvimento e pesquisas diversos, a partir do atendimento cl\u00ednico de pacientes, chegaram\u00e0 t\u00e9cnica da Terapia de Vidas Passadas  \u201c TVP. E a filosofia de vida que a doutrina estimula a adotar \u00e9, em muitos pontos, similar\u00e0s condi\u00e7\u00f5es prop\u00edcias ao desenvolvimento da auto-atualiza\u00e7\u00e3o que \u00e9 o lema dos psic\u00f3logos humanistas, tais como Abraham Maslow e Carl Ransom Rogers. A no\u00e7\u00e3o de animismo aponta para o conceito de inconsciente que teve em Sigmund Freud seu mais s\u00e9rio te\u00f3rico, e a de evolu\u00e7\u00e3o espiritual lembra o processo de individua\u00e7\u00e3o postulado pelo g\u00eanio de Carl Gustav Jung. E ainda mais assombroso Kardec logo reconheceria que seu estudo sobre a comunica\u00e7\u00e3o dos chamados esp\u00edritos (como elas mesmas se diziam ser, as for\u00e7as inteligentes), que ele chamou de Espiritismo, n\u00e3o trazia nada de realmente novo, a n\u00e3o ser o fato destes fen\u00f4menos serem vistos e entendidos sob as \u00f3ticas modernas, cient\u00edficas:  Constituindo uma lei da natureza, os fen\u00f4menos estudados pelo Espiritismo h\u00e3o de ter existido desde a origem dos tempos e sempre nos esfor\u00e7amos por demonstrar que dele se descobrem sinais na Antiguidade mais remota. Pit\u00e1goras, como se sabe, n\u00e3o foi o autor da metempsicose (ou seja, da transmigra\u00e7\u00e3o da alma pela reencarna\u00e7\u00e3o); ele o colheu dos fil\u00f3sofos indianos e dos eg\u00edpcios, que o tinham desde tempos imemoriais (&#8230;) o que n\u00e3o padece d\u00edvidas \u00e9 que uma id\u00e9ia n\u00e3o atravessa s\u00e9culos e s\u00e9culos, e nem consegue impor-se\u00e0 intelig\u00eancias de escol, se n\u00e3o contiver algo de s\u00e9rio (&#8230;) \u009d (Kardec, p. 143 de O Livro dos Esp\u00edritos, ed. FEB).<\/span><\/p>\n<p style=margin: 0cm 0cm 0pt; text-indent: 18pt; text-align: justify class=MsoNormal>&nbsp;<\/p>\n<p style=margin: 0cm 0cm 0pt; text-indent: 18pt; text-align: justify class=MsoNormal><span style=font-size: 9pt; font-family: Arial><strong>O Evangelho Segundo o Espiritismo<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=margin: 0cm 0cm 0pt; text-indent: 18pt; text-align: justify class=MsoNormal><span style=font-size: 9pt; font-family: Arial>\u00c9 por isso tamb\u00e9m que a introdu\u00e7\u00e3o de  O Evangelho Segundo o Espiritismo \u009d, de 1864 (obra de cunho filos\u00f3fico com o objetivo de esclarecer a posi\u00e7\u00e3o da doutrina frente\u00e0 mensagem do Cristo) traz um estudo hist\u00f3rico que culmina em um resumo do posicionamento de S\u00f3crates e Plat\u00e3o como precursores dos mais elevados ideais crist\u00e3os e, em suas filosofias, de v\u00e1rios t\u00f3picos do Espiritismo, como bem fica evidenciado no di\u00e1logo F\u00e9don, de Plat\u00e3o. J\u00e1 em  O Livro dos Esp\u00edritos \u009d, Kardec tece coment\u00e1rios sobre a ancestralidade das id\u00e9ias b\u00e1sicas do Espiritismo (no cap\u00edtulo V) e como os fen\u00f4menos ditos esp\u00edritas s\u00e3o universais. <\/span><\/p>\n<p style=margin: 0cm 0cm 0pt; text-indent: 18pt; text-align: justify class=MsoNormal><span style=font-size: 9pt; font-family: Arial>Os fen\u00f4menos que caracterizam o Espiritismo, especialmente o da comunica\u00e7\u00e3o entre vivos e  mortos \u009d, s\u00e3o mencionados e reconhecidos como existentes em todas as \u00e9pocas da humanidade, qualquer que seja a cultura considerada. Um dos mais antigos e claros registros a este respeito, dentro de nossa tradi\u00e7\u00e3o judaico-crist\u00e3, \u00e9 a refer\u00eancia b\u00edblica que est\u00e1 em Samuel 28,7-19, onde Saul visita a pitonisa (m\u00e9dium) de En-Dor, que lhe possibilitou a comunica\u00e7\u00e3o com o esp\u00edrito do profeta Samuel. <\/span><\/p>\n<p style=margin: 0cm 0cm 0pt; text-indent: 18pt; text-align: justify class=MsoNormal><span style=font-size: 9pt; font-family: Arial>A id\u00e9ia da reencarna\u00e7\u00e3o, por exemplo, \u00e9 t\u00e3o antiga e universal quanto a pr\u00f3pria humanidade (ver o cap\u00edtulo V de  O Livro dos Esp\u00edritos \u009d), e \u00e9\u00e0 base de diversas tradi\u00e7\u00f5es filos\u00f3ficas e religiosas do oriente, como o Budismo e o Hindu\u00edsmo, por exemplo, e a das religi\u00f5es pr\u00e9-crist\u00e3s da Europa, como a dos Druidas, ou, posteriormente, baseados no cristianismo, o posicionamento de alguns pais da Igreja antes do conc\u00edlio de Constantinopla, em 533, quando a doutrina da reencarna\u00e7\u00e3o foi abolida por motivos pol\u00edticos, mas que \u00e9 encontrada em figuras excepcionais da Igreja, como em Or\u00edgenes de Alexandria, s\u00f3 para citar um exemplo. Ainda houve a presen\u00e7a de alguns movimentos fortemente contestat\u00f3rios da a\u00e7\u00e3o da Igreja de Roma, como a dos C\u00e1taros, embora os conhecimentos antropol\u00f3gicos, hist\u00f3ricos e sociol\u00f3gicos de seu tempo n\u00e3o permitissem a Kardec ir muito al\u00e9m na an\u00e1lise destas tradi\u00e7\u00f5es, filosofias e ocorr\u00eancias hist\u00f3ricas. Al\u00e9m do mais, diferentemente de outras escolas espiritualitas, Kardec fez absoluta quest\u00e3o de expor seus estudos de forma racional, sem cair nas armadilhas do discurso m\u00edstico ordin\u00e1rio, mais levado pela emo\u00e7\u00e3o e pela fantasia do que pela raz\u00e3o, a partir de fatos, fen\u00f4menos e percep\u00e7\u00f5es re-ais, com o m\u00e1ximo zelo\u00e0 an\u00e1lise e ao cuidado da descri\u00e7\u00e3o dos fen\u00f4menos a partir de s\u00f3lidos referenciais l\u00f3gicos. Seu trabalho seria, ent\u00e3o, o de trazer ao n\u00edvel intelectual moderno alguns fen\u00f4menos que sempre acompanharam o homem em sua hist\u00f3ria e que foram negligenciados pela ci\u00eancia mecanicista moderna, principalmente a partir do legado de Descartes e de Newton, apesar de ambos terem sido pessoas espiritualizadas, principalmente o segundo, que foi o primeiro grande cientista da era moderna e o \u00edltimo grande mago dos tempos alqu\u00edmicos.<\/span><\/p>\n<p style=margin: 0cm 0cm 0pt; text-indent: 18pt; text-align: justify class=MsoNormal>&nbsp;<\/p>\n<p style=margin: 0cm 0cm 0pt; text-indent: 18pt; text-align: justify class=MsoNormal><span style=font-size: 9pt; font-family: Arial><strong>Revista Esp\u00edrita<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=margin: 0cm 0cm 0pt; text-indent: 18pt; text-align: justify class=MsoNormal><span style=font-size: 9pt; font-family: Arial>Em 1\u00c2\u00ba de Janeiro de 1858, Allan Kardec publica o primeiro n\u00edmero da Revista Esp\u00edrita, que serviu como poderosa auxiliar para os trabalhos ulteriores e para a divulga\u00e7\u00e3o da Doutrina Esp\u00edrita na Europa e Am\u00e9rica. Segundo Henri Sausse,  em menos de um ano, a Revista Esp\u00edrita estava espalhada por todos os continentes do Globo. (&#8230;) De tal maneira aumentou o n\u00edmero de assinantes, que Kardec, a pedido destes, reimprimiu duas vezes as cole\u00e7\u00f5es de 1858, 1859 e 1860 \u009d.<\/span><\/p>\n<p style=margin: 0cm 0cm 0pt; text-indent: 18pt; text-align: justify class=MsoNormal><span style=font-size: 9pt; font-family: Arial>Dentre os mais c\u00e9lebres admiradores, amigos e estudiosos de Kardec e do Espiritismo, destacamos o famoso astr\u00f4nomo franc\u00eas Camille Flammarion, o fil\u00f3sofo H. Bergson, o psic\u00f3logo e fil\u00f3sofo William James, o f\u00edsico William Crookes, o bi\u00f3logo Alfred Russel Wallace, o f\u00edsico Oliver Lodge, o escritor Arthur Conan Doyle, dentre in\u00edmeros outros. <\/span><\/p>\n<p style=margin: 0cm 0cm 0pt; text-indent: 18pt; text-align: justify class=MsoNormal><span style=font-size: 9pt; font-family: Arial>Podemos expor a import\u00e2ncia do trabalho de Kardec por estas palavras do pai da moderna Parapsicologia, o fisi\u00f3logo Charles Richet:  Allan Kardec foi o homem que no per\u00edodo de 1857 a 1871 exerceu a mais penetrante influ\u00eancia, e que tra\u00e7ou o sulco mais profundo na ci\u00eancia metaps\u00edquica \u009d (Charles Richet in  Trait\u00e9 de M\u00e9tapsychique \u009d). Da mesma forma, v\u00e1rios outros estudiosos confirmam a import\u00e2ncia de Allan Kardec no desenvolvimento dos estudos ps\u00edquicos no  mundo inteiro. Camille Flammarion, um dos maiores astr\u00f4nomos da hist\u00f3ria, sempre lhe foi grato pelos estudos que eram correntes.<\/span><\/p>\n<p style=margin: 0cm 0cm 0pt; text-indent: 18pt; text-align: justify class=MsoNormal><span style=font-size: 9pt; font-family: Arial>na Sociedade de Estudos Esp\u00edritas de Paris, e foi ele quem fez o discurso f\u00ednebre de Kardec. A lista poderia se alongar com o nome de v\u00e1rios outros c\u00e9lebres pesquisadores, como Ernesto Bozzano, C\u00e9sar Lombroso, dentre v\u00e1rios outros.<\/span><\/p>\n<p style=margin: 0cm 0cm 0pt; text-indent: 18pt; text-align: justify class=MsoNormal>&nbsp;<\/p>\n<p style=margin: 0cm 0cm 0pt; text-indent: 18pt; text-align: justify class=MsoNormal><span style=font-size: 9pt; font-family: Arial><strong>Sociedade Parisiense de Estudos Esp\u00edritas<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=margin: 0cm 0cm 0pt; text-indent: 18pt; text-align: justify class=MsoNormal><span style=font-size: 9pt; font-family: Arial>Em 1\u00c2\u00ba de abril de 1858, Allan Kardec funda a Sociedade Parisiense de Estudos Esp\u00edritas, que tinha por objetivo  (&#8230;) o estudo de todos os fen\u00f4menos relativos\u00e0s manifesta\u00e7\u00f5es esp\u00edritas e suas aplica\u00e7\u00f5es\u00e0s ci\u00eancias morais, f\u00edsicas, hist\u00f3ricas e psicol\u00f3gicas \u009d.<\/span><\/p>\n<p style=margin: 0cm 0cm 0pt; text-indent: 18pt; text-align: justify class=MsoNormal><span style=font-size: 9pt; font-family: Arial>N\u00e3o era inten\u00e7\u00e3o de Kardec fundar uma religi\u00e3o, como ocorreu posteriormente a partir do seu legado. Para ele  A ci\u00eancia esp\u00edrita compreende duas partes: uma experimental, relativa\u00e0s manifesta\u00e7\u00f5es em geral e outra, filos\u00f3fica, relativa\u00e0s manifesta\u00e7\u00f5es inteligentes e suas consequ\u00eancias \u009d (Kardec, in O Livro dos Esp\u00edritos, t\u00f3pico XVII da Introdu\u00e7\u00e3o). Em outubro 1861 ocorreu um pat\u00e9tico acontecimento. Trata-se do famoso  Auto-de-F\u00e9 \u009d, promovido pela Igreja Cat\u00f3lica na cidade de Barcelona, Espanha, onde foram queimadas em pra\u00e7a p\u00edblica, cerca de trezentas publica\u00e7\u00f5es esp\u00edritas. Estas obras, encomendadas a Allan Kardec pelos bibliotec\u00e1rios e livreiros Maur\u00edcio Lach\u00e2tre, foram enviadas de forma comum, nas condi\u00e7\u00f5es alfandeg\u00e1rias normais, tendo as taxas de importa\u00e7\u00e3o sidas pagas pelo destint\u00e1rio\u00e0s autoridades espanholas. Por\u00e9m, a entrega das encomendas n\u00e3o foi realizada. Elas foram confiscadas pelo Bispo de Barcelona, com a seguinte justificativa:  A Igreja Cat\u00f3lica \u00e9 universal, e estes livros s\u00e3o contr\u00e1rios\u00e0 f\u00e9 cat\u00f3lica, n\u00e3o podendo o governo (veja s\u00f3, voltamos a ter a mistura do poder temporal com o religioso, sendo este \u00edltimo mais forte) permitir que eles passem a perverter a moral e religi\u00e3o de outros pa\u00edses \u009d.<\/span><\/p>\n<p style=margin: 0cm 0cm 0pt; text-indent: 18pt; text-align: justify class=MsoNormal><span style=font-size: 9pt; font-family: Arial>Talvez com saudades dos \u00e1ureos tempos de absoluto dom\u00ednio das consci\u00eancias humanas,\u00e0 base de ferro e fogo, o douto Bispo de Barcelona, acreditando pertencer\u00e0 uma seleta institui\u00e7\u00e3o de \u00ednicos representantes da vontade de Deus na Terra, fez reacender as fogueiras que tantas v\u00edtimas inocentes fizera em s\u00e9culos anteriores, onde, pelas m\u00e3os de um carrasco, as obras foram queimadas certamente no lugar das pessoas que deveriam l\u00e1  estar: os esp\u00edritas  franceses em geral, e um homem em particular: Allan Kardec. Em tudo a pantomima seguiu as regras de uma execu\u00e7\u00e3o inquisitorial. Gra\u00e7as a esta demonstra\u00e7\u00e3o de brutalidade da religi\u00e3o de Roma, o Espiritismo acabou tendo uma grande repercuss\u00e3o em toda a Espanha, granjeando in\u00edmeros adeptos. De certa forma, este ato al\u00e7ou o Espiritismo ao mesmo patamar de outros m\u00e1rtires da liberdade de esp\u00edrito, incluindo Jacques DeMolay, Galileu, Giordano Bruno e aquela que, com toda a infalibilidade papal, foi condenada como bruxa\u00e0 fogueira para, quatro s\u00e9culos depois, ser elevada\u00e0 categoria de santa: Joana D \u2122arc. <\/span><\/p>\n<p style=margin: 0cm 0cm 0pt; text-indent: 18pt; text-align: justify class=MsoNormal>&nbsp;<\/p>\n<p style=margin: 0cm 0cm 0pt; text-indent: 18pt; text-align: justify class=MsoNormal><span style=font-size: 9pt; font-family: Arial><strong>Uma religi\u00e3o para o clero<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=margin: 0cm 0cm 0pt; text-indent: 18pt; text-align: justify class=MsoNormal><span style=font-size: 9pt; font-family: Arial>Eis uma observa\u00e7\u00e3o de Kardec, na Revue Spirite de 1864, p. 199, com respeito\u00e0 divulga\u00e7\u00e3o do Espiritismo como uma religi\u00e3o pelos doutores da Lei da era moderna:  Quem primeiro proclamou que o Espiritismo era uma religi\u00e3o nova, com seu culto e seus sacerdotes, sen\u00e3o o clero? Onde se viu, at\u00e9 o presente, o culto e os sacerdotes do Espiritismo? Se algum dia ele se tornar uma religi\u00e3o, o clero \u00e9 quem o ter\u00e1 provocado \u009d.  <\/span><\/p>\n<p style=margin: 0cm 0cm 0pt; text-indent: 18pt; text-align: justify class=MsoNormal><span style=font-size: 9pt; font-family: Arial>Kardec passou o resto de sua vida no mister de divulgar os resultados de seus estudos e os de outros colegas. Empreendeu in\u00edmeras viagens pela Fran\u00e7a e pela B\u00e9lgica, entre 1859 a 1868, e escreveu v\u00e1rias brochuras e pequenos artigos para a divulga\u00e7\u00e3o do Espiritismo.<\/span><\/p>\n<p style=margin: 0cm 0cm 0pt; text-indent: 18pt; text-align: justify class=MsoNormal><span style=font-size: 9pt; font-family: Arial>Kardec escreveu ainda muitos outros livros, entre eles se destacam  O Livro dos M\u00e9diuns \u009d, de 1861; em 1865,  O C\u00e9u e o Inferno, ou a Justi\u00e7a Divina Segundo o Espiritismo \u009d; em 1868,  A G\u00eanese \u009d. Sempre l\u00edcido e l\u00f3gico, soube como enfrentar a oposi\u00e7\u00e3o e difama\u00e7\u00e3o de inimigos gratuitos com dignidade e nobreza, reconhecendo quando algum argumento oposto tinha um valor s\u00e9rio e sincero. Manteve-se\u00e0 frente da Sociedade Parisiense de Estudos Esp\u00edritas, al\u00e9m de escrever outros livros e artigos para a Revista Esp\u00edrita. Desencarnou em 31 de mar\u00e7o de 1869, aos 65 anos de idade, causa de um aneurismo cerebral.<\/span><\/p>\n<p style=margin: 0cm 0cm 0pt; text-indent: 18pt; text-align: justify class=MsoNormal>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=font-size: 9pt; font-family: Arial><strong>Publicado na Revista Crist\u00e3 de Espiritismo, edi\u00e7\u00e3o 02.<\/strong><\/span> <\/font><\/span><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p><\/font><\/div>\n<div class=\"pvc_clear\"><\/div>\n<p id=\"pvc_stats_5022\" class=\"pvc_stats all  \" data-element-id=\"5022\" style=\"\"><i class=\"pvc-stats-icon medium\" aria-hidden=\"true\"><svg aria-hidden=\"true\" focusable=\"false\" data-prefix=\"far\" data-icon=\"chart-bar\" role=\"img\" xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\" viewBox=\"0 0 512 512\" class=\"svg-inline--fa fa-chart-bar fa-w-16 fa-2x\"><path fill=\"currentColor\" d=\"M396.8 352h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8V108.8c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v230.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8zm-192 0h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8V140.8c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v198.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8zm96 0h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8V204.8c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v134.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8zM496 400H48V80c0-8.84-7.16-16-16-16H16C7.16 64 0 71.16 0 80v336c0 17.67 14.33 32 32 32h464c8.84 0 16-7.16 16-16v-16c0-8.84-7.16-16-16-16zm-387.2-48h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8v-70.4c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v70.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8z\" class=\"\"><\/path><\/svg><\/i> <img decoding=\"async\" width=\"16\" height=\"16\" alt=\"Loading\" data-src=\"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/wp-content\/plugins\/page-views-count\/ajax-loader-2x.gif\" border=0 src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" class=\"lazyload\" style=\"--smush-placeholder-width: 16px; --smush-placeholder-aspect-ratio: 16\/16;\" \/><\/p>\n<div class=\"pvc_clear\"><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Escrito por Carlos Antonio Fragoso Guimar\u00e3es Allan Kardec O codificador da doutrina esp\u00edrita Durante todo o s\u00e9culo XVIII, a Fran\u00e7a se ergueu como o farol intelectual da civiliza\u00e7\u00e3o ocidental. Para l\u00e1 iam artistas, professores, fil\u00f3sofos e cientistas. Apesar do esbanjamento e da corrup\u00e7\u00e3o da corte, Paris foi, desde muito tempo, a capital europ\u00e9ia mais atrativa&hellip; <br \/> <a class=\"read-more\" href=\"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/artigo5022\/\">Leia mais<\/a><\/p>\n<div class=\"pvc_clear\"><\/div>\n<p id=\"pvc_stats_5022\" class=\"pvc_stats all  \" data-element-id=\"5022\" style=\"\"><i class=\"pvc-stats-icon medium\" aria-hidden=\"true\"><svg aria-hidden=\"true\" focusable=\"false\" data-prefix=\"far\" data-icon=\"chart-bar\" role=\"img\" xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\" viewBox=\"0 0 512 512\" class=\"svg-inline--fa fa-chart-bar fa-w-16 fa-2x\"><path fill=\"currentColor\" d=\"M396.8 352h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8V108.8c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v230.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8zm-192 0h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8V140.8c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v198.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8zm96 0h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8V204.8c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v134.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8zM496 400H48V80c0-8.84-7.16-16-16-16H16C7.16 64 0 71.16 0 80v336c0 17.67 14.33 32 32 32h464c8.84 0 16-7.16 16-16v-16c0-8.84-7.16-16-16-16zm-387.2-48h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8v-70.4c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v70.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8z\" class=\"\"><\/path><\/svg><\/i> <img decoding=\"async\" width=\"16\" height=\"16\" alt=\"Loading\" data-src=\"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/wp-content\/plugins\/page-views-count\/ajax-loader-2x.gif\" border=0 src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" class=\"lazyload\" style=\"--smush-placeholder-width: 16px; --smush-placeholder-aspect-ratio: 16\/16;\" \/><\/p>\n<div class=\"pvc_clear\"><\/div>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"Closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[16],"tags":[],"class_list":["post-5022","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-mensagens-diversas"],"a3_pvc":{"activated":true,"total_views":33507,"today_views":0},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5022","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5022"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5022\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5022"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5022"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5022"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}