{"id":5032,"date":"2008-06-16T00:00:00","date_gmt":"2008-06-16T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2008-06-16T00:00:00","modified_gmt":"2008-06-16T00:00:00","slug":"artigo5032","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/artigo5032\/","title":{"rendered":"Joana D \u2122Arc"},"content":{"rendered":"<table border=0 class=contentpaneopen>\n<tbody>\n<tr>\n<td colspan=2 width=70% align=left valign=top><span class=small><font color=#999999>Escrito por Maria Aparecida Romano <\/font><\/span>   <\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=2 valign=top>\n<p><span style=font-size: 8pt; font-family: Verdana><span style=font-size: 8pt; font-family: Verdana><font color=#000000><\/p>\n<div style=text-align: center><img src=http:\/\/www.rcespiritismo.com.br\/conteudo_site\/imagens\/joana_darc.gif border=0 alt=  width=104 height=151 \/><\/div>\n<p><\/font><\/span><\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=font-size: 8pt; font-family: Verdana><span style=font-size: 8pt; font-family: Verdana><font color=#000000>Durante o per\u00edodo da Idade M\u00e9dia, o reino da Fran\u00e7a era constitu\u00eddo por feudos  \u201c propriedades territoriais governadas por um senhor.<\/font><\/span><\/span> <span style=font-size: 8pt; font-family: Verdana><font color=#000000><\/p>\n<p style=margin: 0cm 0cm 0pt; text-indent: 35.45pt; text-align: justify class=MsoNormal><span style=font-size: 8pt; font-family: Verdana>Detendo os ingleses a maior parte deles, o fato originou m\u00edltiplos conflitos, gerando a Guerra dos Cem Anos entre os dois pa\u00edses. No ano de 1429, quando a guerra atravessava um momento decisivo, com as for\u00e7as inglesas ocupando grande parte do territ\u00f3rio franc\u00eas, a cidade de \u00c3\u201crleans, um dos \u00edltimos basti\u00f5es da resist\u00eancia e j\u00e1 sitiada, poderia cair a qualquer momento nas m\u00e3os dos invasores estrangeiros.<\/span><\/p>\n<p style=margin: 0cm 0cm 0pt; text-indent: 35.45pt; text-align: justify class=MsoNormal><span style=font-size: 8pt; font-family: Verdana>Curvados ao invasor ingl\u00eas e sem \u00e2nimo para se reerguerem, os soldados franceses eram poucos e o moral estava enfraquecido pelas sucessivas derrotas. Al\u00e9m do mais, faltava um chefe, algu\u00e9m capaz de conduzir as tropas e faz\u00ea-las acreditar na possibilidade de sua vit\u00f3ria. Refugiado na localidade de Chinon, o pr\u00edncipe Carlos hesitava em tomar decis\u00f5es, tinha sua autoridade contestada ao ser declarado bastardo por tantos compatriotas que negavam ser ele o leg\u00edtimo herdeiro do trono da Fran\u00e7a. Naquela altura, jamais se acreditaria que a iniciativa de encetar uma campanha decisiva para renovar a confian\u00e7a do povo franc\u00eas para uma resist\u00eancia aos ingleses partisse de uma jovem que se investiu de t\u00e3o importante miss\u00e3o. Seu nome: Joana D \u2122Arc.<\/span><\/p>\n<p style=margin: 0cm 0cm 0pt; text-indent: 35.45pt; text-align: justify class=MsoNormal><span style=font-size: 8pt; font-family: Verdana>Nascida no ano de 1412 no vilarejo de Domr\u00c3\u00a8my, Joana foi criada no seio de uma fam\u00edlia de camponeses com tr\u00eas irm\u00e3os e uma irm\u00e3. Ao lado deles, auxiliava o pai no trabalho da terra tomando conta dos carneiros no pasto. N\u00e3o aprendeu a ler nem a escrever. Frequentando assiduamente a igreja do vilarejo, que ficava junto\u00e0 sua casa, a menina Joana aprendeu o Pai-Nosso, tornando-se muito piedosa.<\/span><\/p>\n<p style=margin: 0cm 0cm 0pt; text-indent: 35.45pt; text-align: justify class=MsoNormal>&nbsp;<\/p>\n<p style=margin: 0cm 0cm 0pt; text-indent: 35.45pt; text-align: justify class=MsoNormal><strong><span style=font-size: 8pt; font-family: Verdana>Recebendo as tarefas<\/span><\/strong><\/p>\n<p style=margin: 0cm 0cm 0pt; text-indent: 35.45pt; text-align: justify class=MsoNormal><span style=font-size: 8pt; font-family: Verdana>J\u00e1 adolescente, caia em profundos \u00eaxtases, durante os quais afirmava ter vis\u00f5es fant\u00e1sticas de uma luz viva e que ouvia vozes celestiais a lhe ordenarem duas tarefas: salvar a p\u00e1tria e coroar o rei. A hist\u00f3ria de suas vis\u00f5es fant\u00e1sticas se espalhara rapidamente e, embora despertando controv\u00e9rsias, o povo passou a acreditar na poss\u00edvel miss\u00e3o da jovem. Enquanto muitos a viam como santa, outros acreditavam que a jovem poderia ser uma enviada do mal.<\/span><\/p>\n<p style=margin: 0cm 0cm 0pt; text-indent: 35.45pt; text-align: justify class=MsoNormal><span style=font-size: 8pt; font-family: Verdana>Embora a not\u00edcia da guerra j\u00e1 tivesse se estendido por quase toda a Fran\u00e7a, a jovem s\u00f3 soube pela pri-meira vez o real significado de uma guerra quando as tropas inglesas estavam bem perto da cidade onde morava. Domr\u00c3\u00a8my era afastada dos campos de batalha e as not\u00edcias andavam bem devagar. S\u00f3 se sabia de algum fato quando passava um cavaleiro bem informado. Como os caminhos eram ruins, o cavaleiro levava semanas para andar poucos quil\u00f4metros.<\/span><\/p>\n<p style=margin: 0cm 0cm 0pt; text-indent: 35.45pt; text-align: justify class=MsoNormal><span style=font-size: 8pt; font-family: Verdana>A guerra atingira um momento cr\u00edtico. \u00c3\u201crleans, a \u00edltima cidade em poder dos franceses, estava cercada e a Fran\u00e7a n\u00e3o tinha um rei para defend\u00ea-la. Joana, que at\u00e9 ent\u00e3o vivera angustiada e indecisa, resolveu procurar o Capit\u00e3o de Baudricourt, pedindo-lhe uma carta de apresenta\u00e7\u00e3o e uma escolta para acompanh\u00e1-la at\u00e9 o Delfim. Como a popula\u00e7\u00e3o estava ao lado da jovem, o capit\u00e3o acabou cedendo ante a insistentes pedidos e, com o dinheiro de uma coleta, conseguiram-lhe uma armadura.<\/span><\/p>\n<p style=margin: 0cm 0cm 0pt; text-indent: 35.45pt; text-align: justify class=MsoNormal><span style=font-size: 8pt; font-family: Verdana>Mal cabendo na pesada armadura, a jovem camponesa de 17 anos de idade partiu no dia 23 de fevereiro de 1429, na dire\u00e7\u00e3o de Chinon. Viajou dez dias decidida a procurar o pr\u00edncipe herdeiro, com a miss\u00e3o de lev\u00e1-lo ao trono como rei e salvar a Fran\u00e7a, prestes a sucumbir totalmente ao peso da invas\u00e3o inglesa. A sua partida fez nascer uma nova esperan\u00e7a no povo m\u00edstico da \u00e9poca. Deus a teria enviado para terminar com as guerras e mis\u00e9rias.<\/span><\/p>\n<p style=margin: 0cm 0cm 0pt; text-indent: 35.45pt; text-align: justify class=MsoNormal>&nbsp;<\/p>\n<p style=margin: 0cm 0cm 0pt; text-indent: 35.45pt; text-align: justify class=MsoNormal><strong><span style=font-size: 8pt; font-family: Verdana>A revela\u00e7\u00e3o ao pr\u00edncipe<\/span><\/strong><\/p>\n<p style=margin: 0cm 0cm 0pt; text-indent: 35.45pt; text-align: justify class=MsoNormal><span style=font-size: 8pt; font-family: Verdana>No Pal\u00e1cio de Chinon, a not\u00edcia foi recebida com espanto. Desconfiado daquela menina que se apresentava como salvadora, contando hist\u00f3rias fant\u00e1sticas, o pr\u00edncipe resolveu se divertir aplicando um teste na rec\u00e9m-chegada para comprovar a veracidade dos seus relatos. Vestindo-se como um s\u00eddito qualquer, entrou por uma porta lateral, misturando-se entre os nobres. Na condi\u00e7\u00e3o de simples camponesa, a jovem jamais poderia conhecer-lhe a fisionomia, por\u00e9m, Joana D \u2122Arc n\u00e3o vacilou. Caminhando at\u00e9 um canto dos sal\u00f5es onde alguns nobres fingiam conversar distra\u00eddos, ajoelhando-se aos p\u00e9s do Delfim, diz-lhe humildemente:  Gentil Senhor, em nome de Deus, eu posso dizer que sois filho do rei e herdeiro leg\u00edtimo do trono da Fran\u00e7a \u009d.<\/span><\/p>\n<p style=margin: 0cm 0cm 0pt; text-indent: 35.45pt; text-align: justify class=MsoNormal><span style=font-size: 8pt; font-family: Verdana>A aparente dissipa\u00e7\u00e3o da grande d\u00edvida que pairava em torno da legitimidade do seu nascimento, pela qual o filho de um pai desconhecido n\u00e3o poderia ser o herdeiro do trono, deixou o pr\u00edncipe aturdido, pedindo a v\u00e1rios bispos e cardeais que interrogassem Joana. Em pouco tempo, a seguran\u00e7a e a simplicidade das respostas dadas pela jovem acabaram por convencer a todos, inclusive o soberano, que, ap\u00f3s manter com ela uma conversa cujo teor nunca seria revelado e convencido de que era preciso agir com rapidez, outorgou-lhe o t\u00edtulo de  Chefe da Guerra \u009d e, ao mesmo tempo, o comando de uma pequena tropa.<\/span><\/p>\n<p style=margin: 0cm 0cm 0pt; text-indent: 35.45pt; text-align: justify class=MsoNormal><span style=font-size: 8pt; font-family: Verdana>Mas faltava uma espada. Segundo a tradi\u00e7\u00e3o, a jovem ouvira vozes que lhe indicaram uma excelente espada escondida atr\u00e1s do altar de Santa Catarina. Enviado at\u00e9 l\u00e1, um pagem voltou com uma velha espada, completamente enferrujada. Contam que bastou encostar nela um pano para que a arma ficasse brilhante no mesmo instante.<\/span><\/p>\n<p style=margin: 0cm 0cm 0pt; text-indent: 35.45pt; text-align: justify class=MsoNormal>&nbsp;<\/p>\n<p style=margin: 0cm 0cm 0pt; text-indent: 35.45pt; text-align: justify class=MsoNormal><strong><span style=font-size: 8pt; font-family: Verdana>A primeira vit\u00f3ria contra os ingleses<\/span><\/strong><\/p>\n<p style=margin: 0cm 0cm 0pt; text-indent: 35.45pt; text-align: justify class=MsoNormal><span style=font-size: 8pt; font-family: Verdana>Liderando a tropa, Joana D \u2122Arc partiu imediatamente com a miss\u00e3o de furar o cerco de \u00c3\u201crleans e levar v\u00edveres para abastecer os soldados j\u00e1 famintos. Levando nas m\u00e3os um estandarte onde, ao lado de Deus, figuravam os nomes de Jesus e Maria e o s\u00edmbolo do reino (a flor-de-lis), ordenou com sua voz firme uma incurs\u00e3o aos ingleses, devolvendo a confian\u00e7a a seus compatriotas. Naquele momento, oficiais e soldados recobraram a esperan\u00e7a de vit\u00f3ria perante o exemplo de coragem daquela jovem. Depois de algumas investidas, tomou as principais bases de apoio do inimigo, que, surpreso, levantou o cerco em retirada.<\/span><\/p>\n<p style=margin: 0cm 0cm 0pt; text-indent: 35.45pt; text-align: justify class=MsoNormal><span style=font-size: 8pt; font-family: Verdana>A tropa de Joana entrou triunfante na cidade. Finalmente \u00c3\u201crleans estava libertada, marcando a partir da\u00ed uma nova fase na Guerra dos Cem Anos. Julgando sua tarefa encerrada, quis se retirar, mas teve de ceder\u00e0s s\u00edplicas do pr\u00edncipe para dar continuidade\u00e0 luta.<span>  <\/span>Numa campanha r\u00e1pida e fulminante, venceu os ingleses nas cidades de Patay e Troyes, apresentando ao soberano as chaves das cidades conquistadas.<\/span><\/p>\n<p style=margin: 0cm 0cm 0pt; text-indent: 35.45pt; text-align: justify class=MsoNormal><span style=font-size: 8pt; font-family: Verdana>Mas isto, para Joana, foi apenas a primeira etapa. Com profundo senso pol\u00edtico, sentiu que chegara o momento de coroar solenemente o pr\u00edncipe na Catedral de Reims.<span>  <\/span>Ocorria que Reims estava situada em territ\u00f3rio controlado pelos ingleses e, para chegar l\u00e1, seria necess\u00e1rio enfrentar os batalh\u00f5es dos invasores. Joana estava decidida a lutar e acabou convencendo o pr\u00edncipe. Em apenas um m\u00eas de campanha, o ex\u00e9rcito comandado pela jovem, depois de infligir uma sucess\u00e3o de derrotas aos ingleses, penetrou em Reims em 16 de julho de 1429.<\/span><\/p>\n<p style=margin: 0cm 0cm 0pt; text-indent: 35.45pt; text-align: justify class=MsoNormal>&nbsp;<\/p>\n<p style=margin: 0cm 0cm 0pt; text-indent: 35.45pt; text-align: justify class=MsoNormal><strong><span style=font-size: 8pt; font-family: Verdana>O pr\u00edncipe Carlos torna-se rei<\/span><\/strong><\/p>\n<p style=margin: 0cm 0cm 0pt; text-indent: 35.45pt; text-align: justify class=MsoNormal><span style=font-size: 8pt; font-family: Verdana>Na \u00e9poca, a entrada triunfal numa cidade era o maior s\u00edmbolo de uma vit\u00f3ria e, enquanto a popula\u00e7\u00e3o nas ruas aplaudia a cavalaria e o estandarte dos vencedores, Joana aproveitou para unir essa festa a uma outra. No dia seguinte, realizou-se solenemente na Catedral de Reims a sagra\u00e7\u00e3o de Sua Majestade, Carlos VII, como rei da Fran\u00e7a. De p\u00e9, ao lado do rei, tendo na m\u00e3o seu estandarte, ficou a  Chefe da Guerra \u009d Joana D \u2122Arc. Terminada a cerim\u00f4nia, tomando a m\u00e3o do novo soberano diz-lhe:  Gracioso rei, est\u00e1 cumprida a vontade de Deus. \u00c3\u201crleans de volta ao reino e Vossa Majestade coroado como \u00ednico e leg\u00edtimo rei da Fran\u00e7a \u009d.<\/span><\/p>\n<p style=margin: 0cm 0cm 0pt; text-indent: 35.45pt; text-align: justify class=MsoNormal><span style=font-size: 8pt; font-family: Verdana>Joana chegou ao apogeu da gl\u00f3ria, por\u00e9m, n\u00e3o estava satisfeita. A Fran\u00e7a n\u00e3o poderia ser considerada livre se Paris continuava governada por um regente ingl\u00eas. Mas as coisas mudaram. Na condi\u00e7\u00e3o de rei coroado, Carlos VII estava finalmente numa posi\u00e7\u00e3o de for\u00e7a e n\u00e3o mostrava entusiasmo por outras aventuras. Alegava que a miss\u00e3o da jovem estava conclu\u00edda e que n\u00e3o se poderia confiar eternamente na hero\u00edna, tratando-se de uma mulher.<\/span><\/p>\n<p style=margin: 0cm 0cm 0pt; text-indent: 35.45pt; text-align: justify class=MsoNormal>&nbsp;<\/p>\n<p style=margin: 0cm 0cm 0pt; text-indent: 35.45pt; text-align: justify class=MsoNormal><strong><span style=font-size: 8pt; font-family: Verdana>Conspira\u00e7\u00f5es contra Joana<\/span><\/strong><\/p>\n<p style=margin: 0cm 0cm 0pt; text-indent: 35.45pt; text-align: justify class=MsoNormal><span style=font-size: 8pt; font-family: Verdana>Assim, a guerreira passou a se tornar uma personagem inc\u00f4moda. Entretanto, ante a sua insist\u00eancia, o soberano acabou lhe concedendo uma pequena tropa para conquistar Paris. A fama de Joana D \u2122Arc era enorme e os ingleses temiam tamb\u00e9m o prest\u00edgio do novo rei. Para impedir que a jovem, de algum modo, cativasse a popula\u00e7\u00e3o de Paris, do outro lado da muralha foi preparada uma longa resist\u00eancia. Cinquenta mil pessoas desfilaram de tochas acesas nas m\u00e3os, afirmando que Joana D \u2122Arc era instrumento das for\u00e7as do mal.<\/span><\/p>\n<p style=margin: 0cm 0cm 0pt; text-indent: 35.45pt; text-align: justify class=MsoNormal><span style=font-size: 8pt; font-family: Verdana>Quando o ataque come\u00e7ou, os ingleses deram uma resposta fulminante: a pr\u00f3pria Joana \u00e9 atingida por uma flecha que lhe varou a coxa, abalando muito seu prest\u00edgio, sendo necess\u00e1rio retir\u00e1-la do campo de batalha, pois ela n\u00e3o queria recuar de modo algum. Mal havia se recuperado de sua ferida, recome\u00e7ou a luta na tentativa de libertar Compi\u00c3\u00a8gne, enquanto Carlos VII decidiu conciliar os inimigos.<\/span><\/p>\n<p style=margin: 0cm 0cm 0pt; text-indent: 35.45pt; text-align: justify class=MsoNormal><span style=font-size: 8pt; font-family: Verdana>Inicialmente, mandou a jovem evacuar o Castelo de Compi\u00c3\u00a8gne, miss\u00e3o sem grande import\u00e2ncia, mas perigosa. A jovem penetra no castelo e come\u00e7a a proteger a retirada das tropas. De repente, quando quase todos haviam sa\u00eddo, a ponte do castelo foi levantada. Joana D \u2122Arc estava prisioneira. Encerrada no alto de uma torre, ficou totalmente s\u00f3, talvez teria sido tra\u00edda por seus pr\u00f3prios compatriotas. Na tentativa de escapar, caiu no fosso do castelo.<\/span><\/p>\n<p style=margin: 0cm 0cm 0pt; text-indent: 35.45pt; text-align: justify class=MsoNormal><span style=font-size: 8pt; font-family: Verdana>Foi quando decidiram vend\u00ea-la aos ingleses por 10 mil escudos. Colocada numa jaula de ferro, os p\u00e9s e as m\u00e3os amarradas  como uma enviada do mal \u009d, foi entregue para o mais elevado tribunal da Igreja existente na Fran\u00e7a.<\/span><\/p>\n<p style=margin: 0cm 0cm 0pt; text-indent: 35.45pt; text-align: justify class=MsoNormal>&nbsp;<\/p>\n<p style=margin: 0cm 0cm 0pt; text-indent: 35.45pt; text-align: justify class=MsoNormal><strong><span style=font-size: 8pt; font-family: Verdana>Condenada pela inquisi\u00e7\u00e3o<\/span><\/strong><\/p>\n<p style=margin: 0cm 0cm 0pt; text-indent: 35.45pt; text-align: justify class=MsoNormal><span style=font-size: 8pt; font-family: Verdana>A perman\u00eancia de Joana D \u2122Arc na Terra deu-se na Idade M\u00e9dia, em pleno advento do Cristianismo. Contudo, a Igreja j\u00e1 se deparava com o aparecimento de novas seitas e o misticismo surgia como for\u00e7a importante. Como em religi\u00e3o o sentimento m\u00edstico e o sentimento religioso acabam se confundindo, havia uma grande preocupa\u00e7\u00e3o da Igreja em manter os dogmas de f\u00e9 e um ideal moral, sentindo haver na \u00e9poca uma forte tend\u00eancia em se acreditar no sobrenatural.<\/span><\/p>\n<p style=margin: 0cm 0cm 0pt; text-indent: 35.45pt; text-align: justify class=MsoNormal><span style=font-size: 8pt; font-family: Verdana>Para patentear sua for\u00e7a, a Igreja precisava de um \u00f3rg\u00e3o mais eficaz que os tradicionais tribunais de conventos e acabou encontrando no Tribunal da Santa Inquisi\u00e7\u00e3o, existente em todas as partes da Europa da Idade M\u00e9dia, um meio de punir os hereges, como eram chamados todos aqueles que, sob qualquer forma, faziam oposi\u00e7\u00e3o a uma verdade de f\u00e9 ou a um dogma j\u00e1 firmado. A morte na fogueira tornou-se a puni\u00e7\u00e3o. Em diversas vezes, a severidade com que as normas foram aplicadas levou\u00e0 fogueira pessoas inocentes declaradas hereges.<\/span><\/p>\n<p style=margin: 0cm 0cm 0pt; text-indent: 35.45pt; text-align: justify class=MsoNormal><span style=font-size: 8pt; font-family: Verdana>Joana foi entregue ao Tribunal da Santa Inquisi\u00e7\u00e3o objetivando-se provar que a guerreira n\u00e3o era nada, nem mesmo uma enviada do mal. Sob a presid\u00eancia de Pierre Cauchon, bispo de Beauvois e aliado dos ingleses, liderando um juri composto por 70 conselheiros religiosos, o tribunal reuniu-se em fevereiro de 1431. Sob a acusa\u00e7\u00e3o de usar roupas masculinas e dar um cunho de revela\u00e7\u00e3o divina\u00e0s suas vis\u00f5es e profecias, o interrogat\u00f3rio da acusada foi uma verdadeira tortura mental, destinado a confundi-la e lev\u00e1-la ao desespero. A jovem<span>  <\/span>enfrentou com intelig\u00eancia e coragem seus inquisidores, sustentando at\u00e9 o fim que as vozes n\u00e3o a haviam enganado.<\/span><\/p>\n<p style=margin: 0cm 0cm 0pt; text-indent: 35.45pt; text-align: justify class=MsoNormal><span style=font-size: 8pt; font-family: Verdana>Considerados os representantes de Deus na Terra, os membros do Tribunal da Santa Inquisi\u00e7\u00e3o jamais aceitariam o fato de uma mulher obedecer diretamente a vozes celestiais sem o devido respeito\u00e0 Igreja. Declarada bruxa e her\u00e9tica, foi condenada\u00e0 morte na fogueira, sob a alega\u00e7\u00e3o de que s\u00f3 pelas chamas se destr\u00f3i uma feiticeira. Carlos VII, o pr\u00edncipe que ela conduziu ao trono da Fran\u00e7a, nada fez para libert\u00e1-la. Uma santa guerreira poderia ser uma personagem inc\u00f4moda\u00e0s combina\u00e7\u00f5es diplom\u00e1ticas.<\/span><\/p>\n<p style=margin: 0cm 0cm 0pt; text-indent: 35.45pt; text-align: justify class=MsoNormal><span style=font-size: 8pt; font-family: Verdana>No dia 30 de maio de 1431, uma grande multid\u00e3o se aglomerou na Pra\u00e7a Vieux de March\u00e9, em Rouem, palco do supl\u00edcio de Joana D \u2122Arc. Embora na \u00e9poca a execu\u00e7\u00e3o se constituisse num espet\u00e1culo p\u00edblico, os membros do tribunal, temendo uma manifesta\u00e7\u00e3o favor\u00e1vel\u00e0 condenada, tomaram as devidas precau\u00e7\u00f5es. Escoltada por 120 homens armados com lan\u00e7as e espadas, a brava guerreira, com a cabe\u00e7a raspada, foi conduzida at\u00e9 a pra\u00e7a e amarrada a um poste. Para seus juizes, queimando-a e espalhando suas cinzas estariam destruindo o s\u00edmbolo da resist\u00eancia francesa. Naquele momento, o olhar da jovem, mais do que cansa\u00e7o, demonstrava a dignidade conferida a todos aqueles que s\u00e3o conscientes do dever cumprido.<\/span><\/p>\n<p style=margin: 0cm 0cm 0pt; text-indent: 35.45pt; text-align: justify class=MsoNormal>&nbsp;<\/p>\n<p style=margin: 0cm 0cm 0pt; text-indent: 35.45pt; text-align: justify class=MsoNormal><strong><span style=font-size: 8pt; font-family: Verdana>Hero\u00edna nacional e santa<\/span><\/strong><\/p>\n<p style=margin: 0cm 0cm 0pt; text-indent: 35.45pt; text-align: justify class=MsoNormal><span style=font-size: 8pt; font-family: Verdana>\u00c3\u20ac medida que a na\u00e7\u00e3o francesa foi se formando, a figura da guerreira foi cada vez mais sendo glorificada. No ano de 1450, decorridos 37 anos de seu desencarne, concretizou-se o objetivo de Joana D \u2122Arc: Paris reocupada por Carlos VII e os ingleses expulsos de toda a Fran\u00e7a, determinando o fim da Guerra dos Cem Anos. Por\u00e9m, a na\u00e7\u00e3o s\u00f3 se consolidaria com a Revolu\u00e7\u00e3o Francesa de 1789.<\/span><\/p>\n<p style=margin: 0cm 0cm 0pt; text-indent: 35.45pt; text-align: justify class=MsoNormal><span style=font-size: 8pt; font-family: Verdana>O reconhecimento do governo e do povo franc\u00eas veio em 1803, quando foi proclamada hero\u00edna nacional. Nesse ano, o imperador Napole\u00e3o Bonaparte inaugurou um monumento como justa homenagem\u00e0quela considerada a gl\u00f3ria mais pura da hist\u00f3ria da Fran\u00e7a.<\/span><\/p>\n<p style=margin: 0cm 0cm 0pt; text-indent: 35.45pt; text-align: justify class=MsoNormal><span style=font-size: 8pt; font-family: Verdana>Tamb\u00e9m a Igreja repararia seu erro. Embora desde a Idade M\u00e9dia, Joana D \u2122Arc tenha sido objeto de venera\u00e7\u00e3o popular, somente no ano de 1909 foi beatificada. No ano de 1929 foi canonizada e proclamada Santa Padroeira da Fran\u00e7a, por decis\u00e3o do Vaticano.<\/span><\/p>\n<p style=margin: 0cm 0cm 0pt; text-indent: 35.45pt; text-align: justify class=MsoNormal><span style=font-size: 8pt; font-family: Verdana>Para os ingleses, ela continuaria por muito tempo sendo considerada  a bruxa \u009d que os expulsou da Fran\u00e7a. Entretanto, quase seis s\u00e9culos ap\u00f3s seu mart\u00edrio, aqueles que visitarem a Catedral de Westminster, em Londres, ver\u00e3o colocada num local de honra uma est\u00e1tua da santa guerreira. Certamente, \u00e9 o \u00edltimo lugar onde a camponesa de Domr\u00c3\u00a8my um dia pensaria estar.<\/span><\/p>\n<p style=margin: 0cm 0cm 0pt; text-indent: 35.45pt; text-align: justify class=MsoNormal>&nbsp;<\/p>\n<p style=margin: 0cm 0cm 0pt; text-indent: 35.45pt; text-align: justify class=MsoNormal><strong><span style=font-size: 8pt; font-family: Verdana>Um dos prepostos da codifica\u00e7\u00e3o<\/span><\/strong><\/p>\n<p style=margin: 0cm 0cm 0pt; text-indent: 35.45pt; text-align: justify class=MsoNormal><span style=font-size: 8pt; font-family: Verdana>A passagem de Joana D \u2122Arc pela Terra apresentou tra\u00e7os caracter\u00edsticos t\u00e3o diversificados que, de imediato, parecem fugir do curr\u00edculo normal das faculdades humanas. Suas vis\u00f5es e pressentimentos, a viagem para Chinon, a autoridade no comando das tropas, a aud\u00e1cia para os padr\u00f5es femininos da \u00e9poca, a not\u00e1vel intelig\u00eancia e a coragem perante a morte tornaram-na, ao longo dos tempos, a personagem hist\u00f3rica que mais sofreu estudos contradit\u00f3rios.<\/span><\/p>\n<p style=margin: 0cm 0cm 0pt; text-indent: 35.45pt; text-align: justify class=MsoNormal><span style=font-size: 8pt; font-family: Verdana>Para os mais crentes, Joana seria venerada como uma santa. Os estudiosos preferiram reconhec\u00ea-la como uma valorosa guerreira que representou a personifica\u00e7\u00e3o do patriotismo popular franc\u00eas da \u00e9poca, conseguindo arrancar os ingleses da terra natal. J\u00e1 os indiferentes, embora admirassem a sua figura de certa forma sobrenatural, preferiram ignorar os verdadeiros objetivos de sua miss\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p style=margin: 0cm 0cm 0pt; text-indent: 35.45pt; text-align: justify class=MsoNormal><span style=font-size: 8pt; font-family: Verdana>No s\u00e9culo XIX, o codificador da doutrina esp\u00edrita, Allan Kardec, de naturalidade francesa como Joana, trouxe para o mundo um novo conceito do sobrenatural, revelando que somos esp\u00edritos eternos e imortais. Desde a sua cria\u00e7\u00e3o, o esp\u00edrito percorre uma trajet\u00f3ria evolutiva, habitando sucessivamente dois planos: o vis\u00edvel (encarnado) e o invis\u00edvel (desencarnado). Como h\u00e1 necessidade da comunica\u00e7\u00e3o entre os dois planos, ela \u00e9 feita por intermedi\u00e1rios conhecidos como  m\u00e9diuns \u009d. Essa comunica\u00e7\u00e3o \u00e9 conhecida como  fen\u00f4meno medi\u00ednico \u009d. A partir dessas revela\u00e7\u00f5es, constatou-se que Joana D \u2122Arc est\u00e1 bem longe de ser um mist\u00e9rio.<\/span><\/p>\n<p style=margin: 0cm 0cm 0pt; text-indent: 35.45pt; text-align: justify class=MsoNormal><span style=font-size: 8pt; font-family: Verdana>A mediunidade \u00e9 um talento do qual todos os esp\u00edritos s\u00e3o dotados indistintamente a partir da cria\u00e7\u00e3o e acompanha a sua evolu\u00e7\u00e3o. Portanto, todos somos m\u00e9diuns em potencial e os fen\u00f4menos medi\u00ednicos sempre existiram em todas as \u00e9pocas e lugares, independentemente da cultura ou da classe social. Na sua estada terrena como esp\u00edrito encarnado, Joana D \u2122Arc foi muito mais que uma intr\u00e9pida guerreira, apresentou faculdades medi\u00ednicas j\u00e1 caracterizadas, mas at\u00e9 ent\u00e3o incompreendidas e, por essa raz\u00e3o, rejeitadas. Representando um papel de suma import\u00e2ncia para o Espiritismo, tornou-se um de seus prepostos.<\/span><\/p>\n<p style=margin: 0cm 0cm 0pt; text-indent: 35.45pt; text-align: justify class=MsoNormal><span style=font-size: 8pt; font-family: Verdana>A sua vid\u00eancia se manifestava quando via seus interlocutores, atrav\u00e9s da audi\u00eancia ouvia vozes, por pressentimento reconheceu Carlos VII e, sobretudo, provou que intelig\u00eancia, f\u00e9, perseveran\u00e7a e dinamismo s\u00e3o atributos do esp\u00edrito. Saindo da obscuridade, cumpriu um mandato medi\u00ednico confiado pelo plano superior, que lhe delegou a responsabilidade de direcionar seu povo. Sem renegar sua miss\u00e3o e suas cren\u00e7as, apresentou em julgamento a firmeza de todos aqueles esp\u00edritos evolu\u00eddos que encarnaram com tarefa definida, dando um exemplo n\u00e3o s\u00f3 para a Fran\u00e7a, mas para a humanidade em geral.<\/span><\/p>\n<p style=margin: 0cm 0cm 0pt; text-indent: 35.45pt; text-align: justify class=MsoNormal>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=font-size: 8pt; font-family: Verdana><span style=font-size: 8pt; font-family: Verdana><span style=font-size: 8pt; font-family: Verdana><font color=#000000><strong>Artigo publicado na Revista Crist\u00e3 de Espiritismo, edi\u00e7\u00e3o 12.<\/strong><\/font><\/span><\/span><\/span><span style=font-size: 8pt; font-family: Verdana> <\/span><\/font><\/span><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<div class=\"pvc_clear\"><\/div>\n<p id=\"pvc_stats_5032\" class=\"pvc_stats all  \" data-element-id=\"5032\" style=\"\"><i class=\"pvc-stats-icon medium\" aria-hidden=\"true\"><svg aria-hidden=\"true\" focusable=\"false\" data-prefix=\"far\" data-icon=\"chart-bar\" role=\"img\" xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\" viewBox=\"0 0 512 512\" class=\"svg-inline--fa fa-chart-bar fa-w-16 fa-2x\"><path fill=\"currentColor\" d=\"M396.8 352h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8V108.8c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v230.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8zm-192 0h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8V140.8c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v198.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8zm96 0h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8V204.8c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v134.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8zM496 400H48V80c0-8.84-7.16-16-16-16H16C7.16 64 0 71.16 0 80v336c0 17.67 14.33 32 32 32h464c8.84 0 16-7.16 16-16v-16c0-8.84-7.16-16-16-16zm-387.2-48h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8v-70.4c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v70.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8z\" class=\"\"><\/path><\/svg><\/i> <img decoding=\"async\" width=\"16\" height=\"16\" alt=\"Loading\" data-src=\"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/wp-content\/plugins\/page-views-count\/ajax-loader-2x.gif\" border=0 src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" class=\"lazyload\" style=\"--smush-placeholder-width: 16px; --smush-placeholder-aspect-ratio: 16\/16;\" \/><\/p>\n<div class=\"pvc_clear\"><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Escrito por Maria Aparecida Romano &nbsp; Durante o per\u00edodo da Idade M\u00e9dia, o reino da Fran\u00e7a era constitu\u00eddo por feudos \u201c propriedades territoriais governadas por um senhor. Detendo os ingleses a maior parte deles, o fato originou m\u00edltiplos conflitos, gerando a Guerra dos Cem Anos entre os dois pa\u00edses. 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