{"id":9504,"date":"2008-07-16T00:00:00","date_gmt":"2008-07-16T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2008-07-16T00:00:00","modified_gmt":"2008-07-16T00:00:00","slug":"artigo9504","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/artigo9504\/","title":{"rendered":"Esmola e Caridade"},"content":{"rendered":"<table style=width: 696px; height: 2044px cols=1 width=696>\n<tbody>\n<tr>\n<td>\n<p><font size=+2>E<\/font>scusam-se muitos de n&atilde;o poderem ser caridosos, alegando precariedade de bens, como se a caridade se reduzisse a dar de comer aos famintos, dar de beber aos sedentos, vestir os nus e proporcionar um teto aos desabrigados.<\/p>\n<p>Al&eacute;m dessa caridade, de ordem material, outra existe &#8211; a moral, que n&atilde;o implica o gasto de um centavo sequer e, n&atilde;o obstante, &eacute; a mais dif&iacute;cil de ser praticada.<\/p>\n<p>Exemplos? Eis alguns:<\/p>\n<p>Ser&iacute;amos caridosos se, fazendo bom uso de nossas for&ccedil;as mentais, vibr&aacute;ssemos ou or&aacute;ssemos diariamente em favor de quantos saibamos acharem-se enfermos, tristes ou oprimidos, sem excluir aqueles que porventura se considerem nossos inimigos.<\/p>\n<p>Ser&iacute;amos caridosos se, em determinadas situa&ccedil;&otilde;es, nos fiz&eacute;ssemos intencionalmente cegos para n&atilde;o vermos o sorriso desdenhoso ou o gesto disprezivo de quem se julgue superior a n&oacute;s.<\/p>\n<p>Ser&iacute;amos caridosos se, com sacrif&iacute;cio de nosso valioso tempo, f&ocirc;ssemos capazes de ouvir, sem enfado, o infeliz que nos deseja confiar seus problemas &iacute;ntimos, embora sabendo de antem&atilde;o nada podermos fazer por ele, sen&atilde;o dirigir-lhe algumas palavras de carinho e solidariedade.<\/p>\n<p>Ser&iacute;amos caridosos se, ao rev&eacute;s, soub&eacute;ssemos fazer-nos moment&acirc;neamente surdos quando algu&eacute;m, habituado a escarnecer de tudo e de todos, nos atingisse com express&otilde;es ir&ocirc;nicas ou zombeteiras.<\/p>\n<p>Ser&iacute;amos caridosos se, disciplinando nossa l&iacute;ngua, s&oacute; nos refer&iacute;ssemos ao que existe de bom nos seres e nas coisas, jamais passando adiante not&iacute;cias que, mesmo sendo verdadeiras, s&oacute; sirvam para conspurcar a honra ou abalar a reputa&ccedil;&atilde;o alheia.<\/p>\n<p>Ser&iacute;amos caridosos se, embora as circunst&acirc;ncias a tal nos induzissem, n&atilde;o suspeit&aacute;ssemos mal de nossos semelhantes, abstendo-nos de expender qualquer ju&iacute;zo apressado e temer&aacute;rio contra eles, mesmo entre os familiares.<\/p>\n<p>Ser&iacute;amos caridosos se, percebendo em nosso irm&atilde;o um intento maligno, o aconselhassemos a tempo, mostrando-lhe o erro e despersuadindo o de o levar a efeito.<\/p>\n<p>Ser&iacute;amos caridosos se, privando-nos, de vez em quando, do prazer de um programa radiof&ocirc;nico ou de T.V. de nosso agrado, visit&aacute;ssemos pessoalmente aqueles que, em leitos hospitalares ou de sua resid&ecirc;ncia, curtem prolongada doen&ccedil;a e anseiam por um pouco de aten&ccedil;&atilde;o e afeto.<\/p>\n<p>Ser&iacute;amos caridosos se, embora essa atitude pudesse prejudicar nosso interesse pessoal, tom&aacute;ssemos, sempre, a defesa do fraco e do pobre, contra a prepot&ecirc;ncia do forte e a usura do rico.<\/p>\n<p>Ser&iacute;amos caridosos se, mantendo permanentemente uma norma de proceder sereno e otimista, procur&aacute;ssemos criar em torno de n&oacute;s uma atmosfera de paz, tranquilidade e bom humor.<\/p>\n<p>Ser&iacute;amos caridosos se, vez por outra, endere&ccedil;&aacute;ssemos uma palavra de aplauso e de estimulo &agrave;s boas causas e n&atilde;o procur&aacute;ssemos, ao contr&aacute;rio, matar a f&eacute; e o entusiasmo daqueles que nelas se acham empenhados.<\/p>\n<p>Ser&iacute;amos caridosos se deix&aacute;ssemos de postular qualquer benef&iacute;cio ou vantagem, desde que verific&aacute;ssemos haver outros direitos mais leg&iacute;timos a serem atendidos em primeiro lugar.<\/p>\n<p>Ser&iacute;amos caridosos se, vendo triunfar aqueles cujos m&eacute;ritos sejam inferiores aos nossos, n&atilde;o os invej&aacute;ssemos e nem lhes desej&aacute;ssemos mal.<\/p>\n<p>Ser&iacute;amos caridosos se n&atilde;o desdenh&aacute;ssemos nem evit&aacute;ssemos os de m&aacute; vida, se n&atilde;o tem&ecirc;ssemos os salpicos de lama que os cobrem e lhes estend&ecirc;ssemos a nossa m&atilde;o amiga, ajudando-os a levantar-se e limpar-se.<\/p>\n<p>Ser&iacute;amos caridosos se, possuindo alguma parcela de poder, n&atilde;o nos deix&aacute;ssemos tomar pela soberba, tratando, os pequeninos de condi&ccedil;&atilde;o, sempre com do&ccedil;ura e urbanidade, ou, em situa&ccedil;&atilde;o inversa, soub&eacute;ssemos tolerar, sem &oacute;dio, as impertin&ecirc;ncias daqueles que ocupam melhores postos na paisagem social.<\/p>\n<p>Ser&iacute;amos caridosos se, por sermos mais inteligentes, n&atilde;o nos irrit&aacute;ssemos com a in&eacute;pcia daqueles que nos cercam ou nos servem.<\/p>\n<p>Ser&iacute;amos caridosos se n&atilde;o guard&aacute;ssemos ressentimento daqueles que nos ofenderam ou prejudicaram, que feriram o nosso orgulho ou roubaram a nossa felicidade, perdoando-lhes de cora&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Ser&iacute;amos caridosos se reserv&aacute;ssemos nosso rigor apenas para n&oacute;s mesmos, sendo pacientes e tolerantes com as fraquezas e imperfei&ccedil;&otilde;es daqueles com os quais convivemos, no lar, na oficina de trabalho ou na sociedade.<\/p>\n<p>E assim, dezenas ou centenas de outras circunst&acirc;ncias poderiam ainda ser lembradas, em que, uma amizade sincera, um gesto fraterno ou uma simples demonstra&ccedil;&atilde;o de simpatia, seriam express&otilde;es inequ&iacute;vocas da maior de todas as virtudes.<\/p>\n<p>N&oacute;s, por&eacute;m, quase n&atilde;o nos apercebemos dessas oportunidades que se nos apresentam, a todo instante, para fazermos a caridade.<\/p>\n<p>Porqu&ecirc;?<\/p>\n<p>&Eacute; porque esse tipo de caridade n&atilde;o transp&otilde;e as fronteiras de nosso mundo interior, n&atilde;o transparece, n&atilde;o chama a aten&ccedil;&atilde;o, nem provoca glorifica&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p>N&oacute;s tra&iacute;mos, empregamos a viol&ecirc;ncia, tratamos ou outros com leviandade, desconfiamos, fazemos coment&aacute;rios de m&aacute; f&eacute;, compartilhamos do erro e da fraude, mostramo-nos intolerantes, alimentamos &oacute;dios, praticamos vingan&ccedil;as, fomentamos intrigas, espalhamos inquieta&ccedil;&otilde;es, desencorajamos iniciativas nobres, regozijamo-nos com a impostura, prejudicamos interesses alheios, exploramos os nossos semelhantes, tiranizamos subalternos e familiares, desperdi&ccedil;amos fortunas no v&iacute;cio e no luxo, transgredimos, enfim, todos os preceitos da Caridade, e, quando cedemos algumas migalhas do que nos sobra ou prestamos algum servi&ccedil;o, raras vezes agimos sob a inspira&ccedil;&atilde;o do amor ao pr&oacute;ximo, via de regra fazemo-lo por mera ostenta&ccedil;&atilde;o, ou por amor a n&oacute;s mesmos, isto &eacute;, tendo em mira o recebimento de recompensas celestiais.<\/p>\n<p>Qu&atilde;o longe estamos de possuir a verdadeira caridade!<\/p>\n<p>Somos, ainda, demasiadamente ego&iacute;stas e miseravelmente desprovidas de esp&iacute;rito de ren&uacute;ncia para pratic&aacute;-la.<\/p>\n<p>Mister se faz, por&eacute;m, que a exercitemos, que aprendamos a dar ou sacrificar algo de n&oacute;s mesmos em benef&iacute;cio de nossos semelhantes, porque &quot;<i>a caridade &eacute; o cumprimento da Lei<\/i>.&quot;<\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>\n<p align=center><font size=+2>* * *<\/font><\/p>\n<p>            <font size=-1>Calligaris, Rodolfo. Da obra: <i>As Leis morais<\/i>.<br \/>\n            8a edi&ccedil;&atilde;o. Rio de Janeiro, RJ:FEB, 1998.<\/font><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<div class=\"pvc_clear\"><\/div>\n<p id=\"pvc_stats_9504\" class=\"pvc_stats all  \" data-element-id=\"9504\" style=\"\"><i class=\"pvc-stats-icon medium\" aria-hidden=\"true\"><svg aria-hidden=\"true\" focusable=\"false\" data-prefix=\"far\" data-icon=\"chart-bar\" role=\"img\" xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\" viewBox=\"0 0 512 512\" class=\"svg-inline--fa fa-chart-bar fa-w-16 fa-2x\"><path fill=\"currentColor\" d=\"M396.8 352h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8V108.8c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v230.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8zm-192 0h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8V140.8c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v198.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8zm96 0h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8V204.8c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v134.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8zM496 400H48V80c0-8.84-7.16-16-16-16H16C7.16 64 0 71.16 0 80v336c0 17.67 14.33 32 32 32h464c8.84 0 16-7.16 16-16v-16c0-8.84-7.16-16-16-16zm-387.2-48h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8v-70.4c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v70.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8z\" class=\"\"><\/path><\/svg><\/i> <img decoding=\"async\" width=\"16\" height=\"16\" alt=\"Loading\" data-src=\"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/wp-content\/plugins\/page-views-count\/ajax-loader-2x.gif\" border=0 src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" class=\"lazyload\" style=\"--smush-placeholder-width: 16px; --smush-placeholder-aspect-ratio: 16\/16;\" \/><\/p>\n<div class=\"pvc_clear\"><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Escusam-se muitos de n&atilde;o poderem ser caridosos, alegando precariedade de bens, como se a caridade se reduzisse a dar de comer aos famintos, dar de beber aos sedentos, vestir os nus e proporcionar um teto aos desabrigados. Al&eacute;m dessa caridade, de ordem material, outra existe &#8211; a moral, que n&atilde;o implica o gasto de um&hellip; <br \/> <a class=\"read-more\" href=\"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/artigo9504\/\">Leia mais<\/a><\/p>\n<div class=\"pvc_clear\"><\/div>\n<p id=\"pvc_stats_9504\" class=\"pvc_stats all  \" data-element-id=\"9504\" style=\"\"><i class=\"pvc-stats-icon medium\" aria-hidden=\"true\"><svg aria-hidden=\"true\" focusable=\"false\" data-prefix=\"far\" data-icon=\"chart-bar\" role=\"img\" xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\" viewBox=\"0 0 512 512\" class=\"svg-inline--fa fa-chart-bar fa-w-16 fa-2x\"><path fill=\"currentColor\" d=\"M396.8 352h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8V108.8c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v230.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8zm-192 0h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8V140.8c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v198.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8zm96 0h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8V204.8c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v134.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8zM496 400H48V80c0-8.84-7.16-16-16-16H16C7.16 64 0 71.16 0 80v336c0 17.67 14.33 32 32 32h464c8.84 0 16-7.16 16-16v-16c0-8.84-7.16-16-16-16zm-387.2-48h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8v-70.4c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v70.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8z\" class=\"\"><\/path><\/svg><\/i> <img decoding=\"async\" width=\"16\" height=\"16\" alt=\"Loading\" data-src=\"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/wp-content\/plugins\/page-views-count\/ajax-loader-2x.gif\" border=0 src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" class=\"lazyload\" style=\"--smush-placeholder-width: 16px; --smush-placeholder-aspect-ratio: 16\/16;\" \/><\/p>\n<div class=\"pvc_clear\"><\/div>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"Closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[16],"tags":[],"class_list":["post-9504","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-mensagens-diversas"],"a3_pvc":{"activated":true,"total_views":2224,"today_views":0},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9504","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9504"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9504\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9504"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9504"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.centronocaminhodaluz.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9504"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}