ABANDONO DE SI MESMO – Livro – Amor Imbativel Amor 2.5/5 (6)

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A debilidade de resistências psicológicas, que se convertem em ausência de forças morais, conduz o pa­ciente aos estados mórbidos, quando acometido dos desconfortos da timidez, inibição e angústia, que lhe trabalham os mecanismos da mente, deixando-o à de­riva.
Revolta e pessimismo assaltam-no, levando-o a paroxismos de desesperação interior, em cujo processo mais se aflige, entorpecendo os centros do discernimen­to e mergulhando em fundo poço de desarmonia.
Sem motivação estimuladora para buscar objetivos salutares nos rumos existenciais, auto-abandona-se, descuidando da aparência como efeito do pessimismo que o aturde.
Passa a exigir uma assistência que se não permite, e quando alguém se dispõe a oferecê-la, recusa-a, agre­dindo ou fugindo para atitudes de autocomiseração, nas quais se compraz.
Porque coleciona azedume, a sua faz-se uma pre­sença desagradável, carregada de negatividade, com altas doses de censura aos outros ou de auto-reproche, evitando-se liberação.
A timidez é couraça forte que aprisiona. O tímido, no entanto, adapta-se, e egoisticamente passa a viver em exílio espontâneo, que lhe não exige luta, assim poupando-se esforços, que são inevitáveis no processo de crescimento e de conquista psicológica madura.
A inibição é tóxico que asfixia, produzindo distúr­bios emocionais e físicos, transtornando a sua vítima e empurrando-a para o poço venenoso da alienação. Ali, os tóxicos dos receios injustificados asfixiam-no, pro­duzindo-lhe enfermidades físicas e psíquicas em cujas malhas estorcega em demorada agonia.
A angústia despedaça os sentimentos que se tor­nam estranhos ao próprio paciente, que perde o conta­to com a realidade objetiva dos acontecimentos e das pessoas, para somente concentrar-se no próprio dra­ma, isolando-o de qualquer convivência saudável, e quando não se pode evadir do meio social, permanece estranho aos demais, em cruel autopiedade, formulan­do considerações comparativas entre o que experimenta e o que as demais pessoas demonstram. Parece que so­mente ele é portador de desafios, e que as aflições se fixaram exclusivamente na sua casa mental.
Não cede espaço para a análise dos problemas que a todos assoberbam, e que podem ser examinados de forma saudável, transformando-se em fonte de perma­nentes estímulos para o desenvolvimento dos recursos de que é portador.
São esses distúrbios emocionais algozes implacá­veis, que merecem combate sistemático e diluição con­tínua, não se lhes permitindo fixação interior. A ocor­rência de qualquer um deles é perfeitamente normal no comportamento humano, servindo para fortaleci­mento dos valores íntimos e da própria saúde emocio­nal.
Inevitável, para a sua erradicação, a busca de re­cursos preciosos, alguns dos quais, os mais importan­tes, se encontram no próprio enfermo, como, por exem­plos, a auto-estima, a necessidade do autoconhecimen­to, e do positivo relacionamento no grupo social, que são negados pelos distúrbios castradores.
A auto-estima, na vida humana, é de relevantes resultados, em razão de produzir fenômenos fisioló­gicos, que decorrem dos estímulos emocionais sobre os neurônios cerebrais, que então produzem enzi­mas que concorrem para o bem-estar e a alegria do ser.
Da mesma forma que as idéias esdrúxulas, carre­gadas de altas doses de desesperança e negação, soma­tizam-se, dando surgimento a enfermidades variadas, as contribuições mentais idealistas, forjadas pela auto-estima, confiança, coragem para a luta produzem esta­dos de empatia, de júbilo e de saúde.
Quando, porém, o paciente resolve absorver os transtornos que o assaltam, demorando-se na reflexão em torno deles, agindo sob os vapores venenosos que expelem, refugiando-se na autocompaixão e na rebel­dia, voltando-se contra o grupo social que o pode auxi­liar, não apenas amplia os efeitos perniciosos da con­duta, como também bloqueia os recursos de auxílio para a libertação, abrindo campo para a instalação de inumeráveis enfermidades alérgicas, de dermatoses delicadas, de problemas digestivos e respiratórios, com profundos reflexos nervosos destrambelhados ou do­enças mais graves…
O indivíduo é, com muita propriedade, a mente que o direciona.
As ocorrências traumatizantes, por isso mesmo, ao invés de aceitas pelo Self, devem ser liberadas, medi­ante catarses próprias ou através da transmudação dos conteúdos, de forma que em substituição aos pensa­mentos destrutivos, perversos, negativos, passem a ser cultivados aqueles que devem reger as realizações edi­ficantes, interagindo na conduta que se alterará para melhor, direcionada para a saúde.
A impossibilidade de realizá-lo a sós não se torna empecilho para que seja buscada a solução, através do psicoterapeuta preparado, para auxiliar no comporta­mento e na transformação dos modelos mentais per­turbadores.
Ademais, porque originados no cerne do ser espi­ritual, que se é, a orientação competente que se deriva da evangelhoterapia, face à contribuição do amor e do esclarecimento da causalidade dos problemas, não pode ser postergada ou levada em desconsideração.
Ressumando os miasmas dos erros pretéritos e di­ante de novas possibilidades que se apresentam auspi­ciosas, as dificuldades iniciais são a cortina de fumaça que oculta os horizontes claros do êxito, que aguardam ser conquistados após a diluição do impedimento.
Desse modo, o esforço para o autoconhecimento se transforma em necessidade terapêutica, porqüanto o aprofundamento sereno na busca de respostas para os conflitos da personalidade, culminarão apresentan­do a cada um informações que não haviam sido detec­tadas lucidamente, e que passarão a contribuir de for­ma valiosa na conduta.
Quando o indivíduo se comporta através de sucessivas reações sem a oportunidade de atitudes cons­cientes, que são resultados da ponderação, do amadu­recimento, da análise em torno do fato, mais se lhe agra­vam os efeitos perniciosos de tal atitude. É perfeitamen­te normal uma reação que decorre da força do instinto de preservação da vida, resguardando-se, automatica­mente, de tudo aquilo que venha a constituir sofrimen­to ou desagrado. No entanto, reações em cadeia, sem intervalos para a lógica nem a meditação em volta do que está sucedendo, tornam-se morbidez de conduta, expressando o desequilíbrio instalado no campo emo­cional.
Ainda assim, é perfeitamente válido o esforço para a alteração do quadro, buscando entender-se, interro­gando-se sobre o porquê de tal procedimento e tentan­do honestamente mudar dessa direção para outra mais lúcida e racional.
A convivência social, mesmo que se apresentando desagradável para o paciente, irá contribuir para que descubra valores em outras pessoas que, distanciadas, são tidas como antipáticas, inconvenientes ou desinte­ressantes. Nesse meio, perceberá que todas experimen­tam as mesmas pressões e sofrem semelhantes proble­mas, sendo que algumas sabem como administrá-los, dissimulá-los, superá-los, vivendo em equilíbrio, sem escorregarem pela rampa da autopunição, da autocom­paixão, do auto-amesquinhamento.
O abandono de si mesmo é forma de punir a inca­pacidade de lutar, cilício voluntário para a autodestrui­ção, recurso para punir os familiares ou a sociedade na qual se encontra. Sentindo-se impossibilitado de com­petir, negando-se a lutar, recalcando os conflitos na rai­va e na mágoa, castiga-se, para desforçar-se de todos aqueles que se lhe apresentam na mente atormentada como responsáveis pelo seu estado.
Enquanto o indivíduo não se resolva por crescer e ser feliz, esses algozes implacáveis e mais outros ator­menta-lo-ão, ferindo-o, cada vez mais, e dominando a sociedade que passará a ser-lhe vítima.

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