Quem perder a sua vida… – Redação do Momento Espírita 5/5 (1)

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Era uma cela compartilhada por vários homens, com tristes histórias de vida.

Por estarem ali, juntos, falavam a respeito de si mesmos, do que os levara àquela situação.

Um deles se elegera como o líder e o que quer que cada qual desejasse, precisava lhe pedir autorização.
Ele exercia o poder como se a cela fosse o seu reino particular.
Era temido.
Por isso, obedecido.

Então, um dia, um novo prisioneiro chegou.
Um homem acusado de ter matado uma garotinha.
A recepção foi uma grande surra de todos os detentos.
Quase foi à morte.

Mas, depois de permanecer na enfermaria por alguns dias, voltou para a cela.
De forma admirável, chamou a todos de amigos.

Passaram a chamá-lo de maluco, de idiota.
Agia mesmo como um tolo.
Falava com as pombas que estavam no pátio da prisão, soltava-as no ar, mandando recados para sua filha amada.

Era um homem diferente.
Com o passar dos dias, deram-se conta da inocência do crime que lhe fora imputado.

Mais tarde, conheceram sua filhinha, doce menina de nove anos que o viera visitar.
Ela falou de uma testemunha, de um homem que vira tudo e podia dizer da inocência de seu pai.

A pequena visitante, toda envolvida em carinho, conversou com cada um daqueles prisioneiros a quem seu pai, Raul, chamava de amigos.

Se eram amigos dele também eram amigos seus.

Apesar de todos os esforços, a sede de vingança do pai da vítima era maior do que qualquer conceito de justiça e ele conseguiu a pena de morte para Raul.

Foi então que um daqueles prisioneiros, que se dizia ser o maior dos criminosos, pelo que fizera, se ofereceu para morrer no lugar dele.

Raul precisava retornar para os braços daquela menina.
E ele precisava resgatar o próprio crime.

O plano foi arrojado.
Contou com a cumplicidade dos prisioneiros, de guardas, do diretor da prisão, todos que estavam certos da inocência do condenado.

E assim se fez.
Enquanto um se oferecia para a forca, o outro ganhava a liberdade.

E retornou para sua pequena Beatriz.
Na sua deficiência mental, não entendia muito bem o que acontecera.
Somente sabia que estava de volta para os braços da filhinha.

E, ainda com o auxílio de corações amigos, deixou o país rumo a outra terra, para viver em paz.

* * *

Uma vida por outra vida.
O Evangelista Mateus anotou as palavras do Mestre, conferindo a lição do amor altruísta: Quem perder a sua vida por causa de mim, a ganhará.

Quem oferece sua vida pela do seu irmão, o faz ao próprio Cristo, segundo as suas palavras: O que fizerdes a um desses pequeninos, a mim o fazeis.

Perder a própria vida para salvar outra vida.
Para fazer felizes duas vidas.
Para salvar um inocente de uma pena injusta.

É preciso muito amor para se realizar tal ato, sobretudo quando não se trata de algo feito de rompante, mas pensado, arquitetado e executado.

Isso nos diz de como existem preciosidades na intimidade da criatura humana.

Pérolas maravilhosas que somente conhecemos quando elas se expressam na exterioridade.

Que extraordinário ser é esse, criado à imagem e semelhança de Deus, que se revela nos momentos mais adversos.

Pensemos nisso.

Redação do Momento Espírita, com base

no filme turco Milagre na cela 7.

Em 15.
6.
2020.

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