O novelo de lã – Redação do Momento Espírita
Quando o novelo de lã despencava da cama era uma festa!
Todos parávamos o que estávamos fazendo imediatamente.
A tv, o videogame de mão, o desenho, a tarefa da escola, tudo era menos importante a partir daquele momento.
Agora era ele, o novelo, o centro das atenções.
Para onde ele iria correr?
Que caminho iria escolher?
Que desenho a linha faria no chão até, finalmente, parar?
Minha avó achava graça, de toda graça que fazíamos.
E como demorávamos para devolver a bola de lã!
Ela andava por tudo! Com uma certa ajuda, é claro.
Passava por debaixo da cama, por detrás da cortina, por cima do televisor.
Uma vez ela foi parar no lustre, vejam só! Que danada!
E minha avó ali, recostada no baú de madeira da cama, que lhe servia como cabeceira, com as duas agulhas na mão, só esperando a bagunça terminar.
Sabe… hoje penso que esse novelo caiu tantas vezes.
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que não pode ter sido só acidente… Acho que ele foi “derrubado” deliberadamente, assim, quase sem querer, só para ser motivo de alegria entre nós.
Essa vó… que sabida!
* * *
Vivemos tempos de individualismo.
Afastamo-nos uns dos outros.
Os aparelhos, que cabem na palma da mão, nos entregam o mundo.
Então, os olhos não desgrudam das telas.
Será que nos oferecem mesmo o mundo? Será que tudo que precisamos está ali? Será que uma conversa por texto ou mesmo áudio é capaz de substituir um olhar?
Ou um abraço? O que irá substituir, dentro deste mundo digital, o poder de um abraço?
Não é possível que tenhamos aceitado isso tudo, tão facilmente.
Não há o que substitua uma brincadeira com uma avó, uma caça a um novelo de lã que é jogado de lá para cá, e umas boas risadas.
Não há o que substitua o afeto da presença física, do olhar, do abraço, do mesmo espaço físico.
O coração registra lembranças.
Esse registro constrói um legado dentro de nós.
Esse legado vai moldando o que chamamos felicidade.
Será que não sentimos falta desses momentos simples, íntimos, quase bobos, que nos divertiam tanto?
Falta tempo? Ou falta vontade e oportunidade?
Tempo, não.
Pois, quando desejamos fazer algo que realmente queremos, damos sempre nosso jeitinho.
Vontade e oportunidade estão em nossas mãos.
Vontade é uma potência de nossa alma.
Oportunidade é criada e não esperada.
Existem muitos que resgatam jogos para serem partilhados em família, pequenas atividades em grupo, divertidas, que envolvem todos e ainda por cima relaxam.
Piqueniques inesperados, passeios ao ar livre, convites-surpresa.
Pensemos: o que podemos fazer?
Por vezes, lembranças da infância nos serão boas inspirações.
Precisamos de momentos a sós, sim, mas evitemos o isolamento excessivo.
Tenhamos muitos outros momentos juntos, partilhados, colaborativos.
Aprendamos a apreciar, a curtir, sem olhar no relógio, sem a ansiedade de se estar com a alma em outro lugar.
Corramos atrás de nossos novelos de lã, sem vergonha de sermos crianças novamente, sem medo de fazermos feliz a criança que ainda mora em todos nós.
Redação do Momento Espírita
Em 17.
3.
2026
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