O PAI-NOSSO VI – Rodolfo Calligaris – O Sermão da Montanha 5/5 (1)

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“Não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos de todo mal.

Assim seja.


Esta última parte do Pai-nosso envolve uma questão muito

séria: a das tentações.

Seriam elas prejudiciais à sorte de nossas almas, ou, ao

contrário, seriam experiências indispensáveis ao nosso

desenvolvimento espiritual?

Para os que entendam sejam elas sinônimo de “instigação para

o mal”, por obra de Satanás, seriam, sem dúvida, um fator de

perdição.
Nesse caso, quanto menos fôssemos tentados, tanto

melhor, pois correríamos menor risco de “pecar” e,

consequentemente, de ser condenados.

O sentido exato, entretanto, em que o Mestre usou o termo, na

rogativa em epígrafe, não é esse, mas sim o de “ser posto à prova”.

Destarte, o que aí pedimos ao Pai celestial não é o afastamento

das provas, mas que não nos deixe cair (quando estivermos) em

tentação, isto é, que nos dê forças para sairmos vitoriosos dos

inúmeros e variados testes pelos quais temos que passar, em cada

existência.

Espíritos assaz insipientes que somos, cumpre-nos viver uma

série quase infinita de situações difíceis e antagônicas, para

aprendermos a discernir as coisas, ganharmos tirocínio, tornarmonos

inteiramente conscientes de nossas ações e prosseguirmos,

cada vez mais seguros, nossa jornada rumo à perfeição.

As tentações a que somos submetidos constituem, assim, uma

espécie de exame ou sistema de aferição de nosso adiantamento.

Os que vencem, esses adquirem novas forças e elevam-se a

níveis superiores; os que sucumbem estacionam e vão repetindo

as lições da vida, até que as aprendam suficientemente.

Se as tentações em si mesmas fossem danosas para as nossas

almas, Deus, que é todo bondade e justiça, certamente não as

permitiria; se as permite, é porque sabe serem elas proveitosas a

todos os seres em relativa inferioridade.

Os que procuram escusar suas quedas em face das tentações,

sejam elas de que natureza forem, atribuindo-as às fraquezas da

carne, ou sofismam ou não sabem o que dizem.

Com efeito, sendo a carne destituída de inteligência e de

vontade própria, não poderia, jamais, prevalecer sobre o Espírito,

que é o ser pensante e livre; portanto, a este e não àquela é que

cabe a responsabilidade integral de todos os atos.

Desregramentos, excessos, mau gênio etc.
, não são

determinados por disfunções orgânicas ou outros fatores que tais,

mas tão só e unicamente pelas más tendências anímicas de cada

um.

O Espiritismo, com a revelação do mundo espiritual que nos

envolve e das leis que o regem, fez novas luzes em torno do

problema, permitindo-nos compreender melhor o mecanismo de

muitas das tentações que nos assaltam, e como vencê-las.

Ele nos ensina que todo pensamento é vibração de tal ou qual

frequência, pela qual nos pomos em sintonia com os planos da

espiritualidade.

Conforme sejam nossos pensamentos, o que equivale a dizer:

nossos sentimentos — puros, idealistas, construtivos, pomo-nos

em comunicação com os seres de elevada hierarquia, de cujo

consórcio resulta para nós uma vida bem orientada, tranquila, feliz

e repleta de nobres realizações.
Da mesma sorte, se a nossa mente

só destila pensamentos impuros, mesquinhos, deprimentes,

destrutivos, colocamo-nos automaticamente na mesma faixa

vibratória dos Espíritos menos evoluídos, que, consoante nossos

pendores, procurarão manter-nos nos caminhos declivosos do

vício, das paixões, do crime, e muitas lágrimas nos farão derramar.

Isso nos faz compreender a extensão da advertência do Cristo,

quando dizia: “Orai e vigiai, para não cairdes em tentação”.

É preciso, pois, que apliquemos incessantes esforços contra

tudo aquilo que nos deprime e avilta; essa atitude fará que as

entidades trevosas se afastem naturalmente, porque nada podem

fazer, e renunciam a qualquer tentativa junto aos puros de coração.

Ó Senhor, muito temos errado, contínuos têm sido os nossos

fracassos, e isto nos demonstra quanto ainda somos fracos e

imperfeitos e quanto devemos esforçar-nos para atingirmos o

Divino Modelo, que é Jesus.

Amparai-nos em nossa debilidade, infundi-nos o desejo sincero

de corrigir-nos e inspirai-nos sempre, pela voz de nossos anjos

guardiães, a fim de que sejamos capazes de resistir às sugestões

do mal, mantendo, inquebrantável, o propósito de só pensar, só

almejar e só realizar o bem.

Assim seja!

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