BEM-AVENTURADOS OS QUE CHORAM… – Rodolfo Calligaris – O Sermão da Montanha 5/5 (1)

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Dizem que todos choram, que a Humanidade inteira geme sob

o acicate da dor e que esse sofrimento é o preço do pecado

introduzido na Terra pelos “nossos primeiros pais” — Adão e Eva.

Afirmam outros que as dores e aflições deste mundo são o meio

de que Deus se vale para experimentar-nos e aferir a nossa fé, ou

para aumentar os nossos méritos, a fim de que maiores sejam

nossos gozos no paraíso.

Se é assim, por que uns sofrem mais do que outros? Por que

alguns vivem apenas algumas horas, sem pelo menos tomar

consciência de si mesmos, enquanto outros têm de viver sessenta,

oitenta ou cem anos, conhecendo toda a sorte de agruras? Por que

uns nascem belos, saudáveis, e assim atravessam toda a existência,

enquanto outros nascem monstruosos e enfermiços, précondenados

a uma vida miserável e dolorosa? Por que uns vêm ao

mundo em ambientes sadios, em que recebem fina educação e

aprendem a cultivar as virtudes, ao passo que outros surgem em

meios sórdidos, onde medram os vícios mais infamantes e lhes é

ensinado a detestar o trabalho, a furtar e até a matar, meios esses

que são verdadeiras antecâmaras de salões hospitalares ou de

cubículos penitenciários?

A concepção de que as misérias desta vida são decorrências do

pecado original, ou provações necessárias a todas as almas, para

que, depois de sua passagem por este mundo, saibam apreciar

melhor as alegrias e as doçuras da mansão celestial, forçoso é

convir, não explica essas anomalias e diversidades, e há induzido

muitos homens a descrerem por completo da Providência, ou seja,

da sabedoria suprema com que Deus conduz todas as coisas.

Estava reservado ao Espiritismo, o Consolador prometido pelo

Cristo, oferecer o esclarecimento desse ponto, sem negar nem

infirmar nenhum dos atributos da Divindade.

O sofrimento — segundo a Doutrina Espírita — é a

consequência inelutável da incompreensão e dos transviamentos

da Lei que rege a evolução humana.

Sendo Deus soberanamente bom e justo, não haveria de

permitir que fôssemos excruciados, salvo por uma boa razão ou

uma causa justa; assim, se sofremos é porque, por ignorância ou

rebeldia, ficamos em débito com a Lei, seja nesta ou em anteriores

encarnações.

Criados para a felicidade completa, só a conheceremos,

entretanto, quando formos perfeitos; qualquer jaça ou falha de

caráter interdita-nos a entrada nos mundos venturosos e, pois, é

através das existências sucessivas, neste e em outros planetas, que

nos vamos purificando e engrandecendo, pondo-nos em condições

de fruir a deleitável companhia das almas santificadas.

Quanto maiores tenham sido nossas quedas, tanto mais

enérgico precisa ser o remédio destinado a curar nossas chagas;

então, aqueles que muito sofrem são os que mais culpas têm a

expiar, e devem alegrar-se à ideia de que as lágrimas do

sofrimento, suportado com paciência e resignação, lavam a

consciência e acrisolam o espirito, constituindo-se, por assim

dizer, o preço com que se adquirem as mais suaves consolações

na vida futura.

Explicada a missão providencial da dor e sua benéfica

influência na reforma e melhoria das almas, já agora podemos

compreender o alcance das palavras do Mestre, quando

proclamava: “Bem-aventurados os que choram, porque eles serão

consolados”.
(Mateus, 5:5.
)

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