BEM-AVENTURADOS OS QUE PADECEM PERSEGUIÇÃO POR AMOR À JUSTIÇA… – Rodolfo Calligaris – O Sermão da 5/5 (1)

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Se houve alguém, na Terra, que se devotasse inteiramente à

causa da Justiça, a ponto de ser chamado “o Justo dos justos”, esse

alguém foi Jesus, o Cristo.

Não se encontra, em toda a sua vida, um só episódio, uma só

oportunidade, em que houvesse capitulado na defesa do direito ou

transigido com a impostura e a iniquidade.

Que fizeram com Ele, entretanto?

Não podendo suportar sua superioridade moral, que os

apequenava, nem aceitar sua doutrina fraternista, que lhes

infirmava a situação de favorecimento, os poderosos da época

entraram a acossá-lo sem tréguas e não se deram por satisfeitos

enquanto não o viram pregado ao madeiro, à conta de um celerado

qualquer!

Exatamente porque sabia ser este um planeta dos menos

evoluídos na hierarquia dos mundos, cuja Humanidade, salvo

raras exceções, se ressentia, como ainda se ressente, de grande

atraso espiritual, Jesus, longe de prometer aos seus discípulos uma

vida gloriosa e livre de atribulações, preveniu-os, clara e

reiteradamente, de que outra coisa não deveriam esperar, senão

calunias, injurias e perseguições.

Eis, entre outras, algumas dessas advertências:

“Eu vos mando como ovelhas no meio de lobos”; “por me

seguirdes, sereis açoitados nas sinagogas, assim como vos

arrastarão à presença de governadores e de reis”; “por causa do

meu nome, sereis odiados de todos, e chegará a hora em que todo

aquele que vos matar julgará prestar um serviço a Deus”; “o

servo não é mais do que seu senhor, e, se perseguiram a mim, hão

de perseguir-vos também”.

Nestes vinte séculos, outra não tem sido, realmente, a sorte dos

que procuraram ou procuram implantar na Terra um estilo de vida

baseado na justiça, tomado esse termo em sua mais profunda

significação.

Assim é que, por não se conformarem com o erro, a opressão,

as simonias, os privilégios de casta e de classe, a exploração do

homem pelo homem etc.
, e, corajosamente, se terem empenhado

em dar-lhes combate, muitos hão sido esmagados e eliminados,

sob a pecha de apóstatas, hereges, traidores, infiéis, agitadores, e

quejandos, quando, em verdade, eram autênticos construtores

desse mundo melhor, mais livre e mais feliz, com que sonhamos.

Sim, todos os idealistas que têm procurado, à custa de ingentes

sacrifícios, fazer que nosso mundo progrida: moral, política ou

mesmo materialmente, sempre encontraram acérrimos e cruéis

opositores, que não trepidaram em lançá-los às fogueiras, levantálos

em forcas, passá-los à espada, trucidá-los em instrumentos de

suplício, encerrá-los em masmorras, espingardeá-los ou

excomungá-los, para manterem regimes ou sistemas de que eram

beneficiários.

Com o decorrer dos tempos, os processos de perseguições a

esses idealistas têm-se modificado um pouco; todavia, a

animosidade contra eles continua a fazer-se sentir.

Aquele, no entanto, que tão bem soubera prever as violências

que seriam infligidas aos que lhe partilhassem os anseios de

justiça, também os exortou, dizendo: “Não temais os que matam

o corpo, mas não podem matar a alma”; “porfiai até ao fim”; e,

sob a mesma inspiração que levou os melhores homens do passado

a lutarem pelo progresso das ideias e das instituições, outras

criaturas continuam lutando por tão nobre causa, de sorte que,

malgrado o desespero dos reacionários, o mundo marcha!

.
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E quantos, a exemplo do Cristo, sofrem perseguição por amor

à justiça, são, de fato, bem-aventurados, porque a consciência do

dever bem cumprido comunica-lhes aquela doce paz e deleitosa

alegria espiritual que constituem “o Reino dos Céus”.

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